...e depois, com bigodes de leite, pedem mais paciência e esforço ao povo, que a "vaca 'tá seca".

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

W. EUGENE SMITH, FOTÓGRAFO DE (MAU) GÉNIO

O fotojornalista William Eugene Smith (1918-78) nasceu em Wichita, Kansas, onde começou a trabalhar em 2 jornais locais. Mudou-se para NY e entrou na Newsweek, onde mostrou o seu tortuoso perfeccionismo (da mãe herdou o ofício, do pai o destempero mental). Despedido por recusar usar máquinas fotográficas de formato médio, passou para a revista LIFE, em 1939, onde depressa se demitiu. Depois de passagens pela revista Parade e das publicações Ziff-Davis, regressou à LIFE, dando nas vistas pelas suas fotografias tiradas na ofensiva do Pacífico, durante a 2ª guerra mundial. A sua audácia teve um preço: foi atingido por estilhaços de bomba em Iwo Jima e, depois, perto de Okinawana - da 2ª vez o projectil furou-lhe a mão e atingiu-lhe a cara, obrigando-o a 2 anos de reabilitação e várias plásticas.
Smith julgou necessário que a sua primeira fotografia, após o longo interregno, fosse catártica, e o oposto da guerra (‘quero que as minhas fotografias tenham alguma mensagem contra a ganância, a estupidez e as intolerâncias que causam estas guerras’, disse sobre as suas imagens de prisioneiros japoneses): assim nasceu a icónica imagem dos seus 2 filhos, de mãos dadas, na boca duma clareira.
Maníaco-depressivo, com dependências do álcool e anfetaminas, Smith teve conflitos editoriais épicos na revista LIFE, com lágrimas, ameaças de demissão e até de suicídio, para que tudo saísse exactamente como queria. Foi assim com os artigos-ícones como ‘Country Doctor’ (1948, considerada a 1ª 'foto-história'), ‘Spanish Village’ (1951), ‘Nurse Midwife’ (1951) ou ‘Man of Mercy’ (1955), que o levou a bater mesmo com a porta da LIFE. Mudou-se então para a Magnum, empenhando uma década em 2 projectos que quase arruinaram a agência e lhe destruiram o casamento: primeiro, 3 semanas e 100 fotografias para comemorar o bicentenário de Pittsburgh transformaram-se em 22000 fotos ao longo de 4 anos; pelo meio, largou a família e mudou-se para um decrépito edifício em Manhattan, local de reunião de músicos de jazz que vestiu de microfones - literalmente, de cima a baixo. Resultado, 40000 fotos e 4000 horas de gravações áudio (músicos de renome e pretendentes a, drogados, polícias, bem como entrevistas de rádio e televisão, conversas anónimas, barulhos de rua e miados, uma miscelânea).
Em 1971, Smith e a sua 2ª mulher Aileen viajaram para o Japão, dedicando-se aos efeitos da contaminação industrial na vila pesqueira de Minimata, livro que lhe valeu o regresso às boas-graças do público. Já em 1978, aceitou um cargo de professor na universidade de Arizona, para onde levou o seu arquivo, um espólio com 22 toneladas.
 
1944. GIs tratam cão ferido, península de Orote, 2ª guerra mundial

1944. Enterro no mar, USS Bunker Hill, campanha das ilhas Marshall

1944. Soldado da frente e cantil, Saipan
 
1945. Batalha de Iwo Jima
  
1945. Queda de bomba que atingiu Smith, Iwo Jima (foto não publicada)
 
1945. Soldado alisa campas de soldados mortos na tomada de Iwo Jima (LIFE, 9.4.1945)

1945. Terry Moore encolhe-se durante ataque, Okinawa, maio de 1945

1945. Soldado ferido reza, Okinawa, maio de 1945

1946. Os filhos de Smith em 'The walk to paradise garden'

1948. 'Country Doctor'. Dr. Ernest Ceriani, de Kremmling, Colorado, 'vigiado' durante 23 dias

1948. Ceriani, numa pausa após uma longa cirurgia
(de acordo com um dos sites, após um parto com perda da mãe e da criança)

1948. Ceriani mostra um raio X a um paciente
 
1950. Mineiros de Gales do sul
(de acordo com um dos sites, avô, pai e filho)
 
1950. Gales
  
1950/1. 'Spanish Village', guardia civil, aldeia de Deleitosa, ES (LIFE, 9.4.1951)

1950/1. Bernadina Curiel, 18 anos, abre porta do forno comunitário

1950/1. Lutero Curiel, 5 anos, junta estrume à porta de casa,
para usar nos 8 pequenos campos que a família tem e arrenda

1950/1. A família Curiel come sopa de feijões e batata, da mesma panela.
Pais e 4 filhos partilham o único quarto

1950/1. Mulher, neta, filha e amigas velam aldeão

1950/1. Aldeãs de Deleitosa, Estremadura espanhola 
 
1951. Ku Klux Klan, Carolina do Sul

1953. Inspector Monsanto caminha num incinerador (LIFE 26.1.1953)

1955. Dream street

1955. Pride street
 
1955. Projecto Pittsburgh. Carris da US Steel’s Homestead Works (ag. Magnum)
 
1955. Trabalhador da indústria do aço, Pittsburgh

1956. Freira espera chegada de sobreviventes do naufrágio do Andreia Doria, porto de NY

1957. William Eugene Smith no seu loft

1959 (ca.). Jazzloft

1971, dezembro. 'Tomoko Uemura in Her Bath', testemunho da poluição
ambiental e envenenamento neurológico causado pelas descargas de mercúrio
na baía da Minimata, pelo empório Chisso
 
http://www.amour-tendresse.com/en/blog/william-eugene-smith.php
http://anthonylukephotography.blogspot.pt/2012/01/photographer-profile-w-eugene-smith.html
http://life.time.com/history/life-behind-the-picture-w-eugene-smiths-guardia-civil-1950/#end

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