...e depois, com bigodes de leite, pedem mais paciência e esforço ao povo, que a "vaca 'tá seca".
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domingo, 8 de setembro de 2013

MOSTEIRO DA BATALHA

João I prometeu, a 14.8.1385, construir um mosteiro caso vencesse o exército castelhano. Vencida a batalha nesse dia, em Aljubarrota, João cumpriu: o mosteiro da Santa Maria da Vitória foi provavelmente iniciado em 1386 (e entregue 2 anos depois aos dominicanos), só tendo sido 'acabado' na segunda década de 1500.
O projecto foi entregue a Afonso Domingues, que levantou a igreja, a sala do capítulo, e as galerias sul e nascente do claustro de D. João I, num estilo gótico radiante, sendo substituído em 1402 pelo mestre Huguet, que deu uma marca tardo-gótica à igreja, com as suas abóbadas e a fachada principal, acabou o claustro e a cobertura da sala do capítulo, com uma ousada abóbada única, dada a sua dimensão.
Ao projecto inicial foram acrescentadas 2 capelas funerárias: 
* A capela do fundador,  mandada construir por João I para panteão régio (entre 1426 e 1433/34), quadrangular com tecto octogonal, tem ao centro o túmulo gótico (conjugal, uma novidade à época) de João I e Filipa de Lencastre e, na parede sul, os túmulos (do 2º quartel de 1400) dos seus filhos e noras - Pedro, o Infante das 7 partidas, e Isabel de Urgel; Henrique, o navegador; João e Isabel de Barcelos (neta de João I e de Nuno Álvares Pereira, avó de D. Manuel e de Isabel, a católica); e Fernando, o infante santo. Na parede poente, mandados fazer por D. Carlos, já no século XX, estão os túmulos do neto D. Afonso V, do bisneto D. João II e do trineto Afonso - herdeiro do príncipe perfeito que caiu do cavalo e morreu antes do pai... uma sorte para D. Manuel, a quem o trono caiu no regaço.
* As capelas imperfeitas, conjunto octogonal com 7 capelas, foram iniciadas em 1934 por D. Duarte e serviriam de panteão do rei e dos seus filhos. Mas a morte precoce do rei (em 1437) e do mestre Huguet, impediu a conclusão da obra, que ainda mereceu a atenção de D. Manuel, conferindo-lhe o seu estilo único às capelas e ao sumptuoso portal (sobre este, foi ainda colocada uma varanda renascentista, em 1533, já no reinado de João III). O túmulo conjugal de D. Duarte e D. Leonor foi colocado numa das capelas, no século XX, tornando-os nos únicos ocupantes das capelas.
E por todo o lado, ou não fosse este o ex-voto da Independência, o escudo de Portugal. 
      
 
Mosteiro da Batalha, imagem aérea (site oficial)
  
 

 

Fachada sul

Capela do fundador

porta da fachada sul (e seguintes), do Afonso Domingues,
com 4 arquivoltas de arco quebrado e gablete pontiagudo
contendo os brasões de João I e Filipa de Lencastre 

 

 

Porta principal, do mestre Huguet
 
Nas ombreiras, os 12 apóstolos; no tímpano, Deus rodeado pelos 4 evangelistas
(João com a águia, Marcos com o leão, Lucas com o boi e Mateus com o anjo);
nas 2 arquivoltas exteriores, virgens, mártires e confessoras, papas, bispos, diáconos,
monges e mártires; nas  arquivoltas intermédias, reis de Judá (ancestrais de Maria),
profetas e patriarcas; nas 2 arquivoltas interiores, anjos e serafins

Os apóstolos nas ombreiras (ao centro, é fácil identificar Judas)
  
Portal da capela do fundador

O mosteiro da batalha será, talvez, o primeiro edifício português com vitrais.
Os vitrais degradaram-se ao longo dos séculos, tendo sofrido um restauro em
meados do séc. XIX (sob a batuta de Mouzinho de Albuquerque). Os fragmentos
originais foram retirados e tratados há uns anos, não tendo sido repostos.

 
 
Túmulo de João I e Filipa de Lencastre

Túmulo de D. Henrique
 
 


Túmulo de D. João, mestre de Santiago, e Isabel de Barcelos
 
Túmulo de D. João II
 
 
 

 
 
Claustro de D. João I, começado por Afonso Domingues e concluído
por Huguet. As bandeiras das arcadas, manuelinas, são posteriores 

Lavatório do mosteiro


A cruz de Cristo nas bandeiras das arcadas
 
Exposição Jardins de Pedra, de Mário Lopes
 
Claustro afonsino, erguido no reinado de Afonso V, numa altura em que
o despojamento era apreciado. É o primeiro a ter 2 andares.

Capelas imperfeitas


Grande portal das capelas imperfeitas, manuelino, de Mateus Fernandes.
Acima, varanda ou balcão maneirista, de Miguel de Arruda (1533),
Última tentativa, no reinado de João III, para acabar as capelas


 
 
 
As abóbadas das capelas têm chaves esculpidas com escudos de
armas e emblemas que identificam os 'destinatários'
 
 
 
Túmulo de D. Duarte (ou Eduard) e Leonor de Aragão
 

 
 


 
 
 
Sobre os estilos, ver http://www.mosteirobatalha.pt/pt/index.php?s=white&pid=181&identificador=bt133_pt
 

sábado, 1 de junho de 2013

PANTEÕES RÉGIOS *

Sé de Braga
     Henrique de Borgonha (1066 - Astorga 1112)
     Teresa de Leão (1080 - Montederramo 1130) 

Mosteiro de Santa Cruz, Coimbra
     1 Afonso Henriques, o conquistador (Guimarães, Coimbra ou Viseu 1109 - Coimbra 1185)
     2 Sancho I, o povoador (Coimbra 1154 - Coimbra 1211)

Mosteiro de Alcobaça
     3 Afonso II, o gordo (Coimbra 1185 - Santarém 1223)
     5 Afonso III, o bolonhês (Coimbra 1210 - Coimbra 1279)
     8 Pedro, o justo (Coimbra 1320 - Estremoz 1367)

Catedral de Toledo
     4 Sancho II, o capelo (Coimbra 1209 - Toledo 1248)

Mosteiro de Odivelas
     6 Dinis, o lavrador (Lisboa? 1261 - Santarém 1325)

Sé de Lisboa
     7 Afonso IV, o bravo (Coimbra 1291 - Lisboa 1357)

Convento do Carmo, lisboa
     9 Fernando, o formoso (Coimbra ou Lisboa 1345 - Lisboa 1383)**

Mosteiro da Batalha
     10 João I, o de boa memória (Lisboa 1357 - Lisboa 1433)
     11 Duarte, o eloquente (Viseu 1391 - Tomar 1438)
     12 Afonso V, o africano (Sintra 1432 - Sintra 1481)
     13 João II, o príncipe perfeito (Lisboa 1455 - Alvor 1495)

Mosteiro dos Jerónimos, Lisboa
     14 Manuel I, o venturoso (Alcochete 1469 - Lisboa 1521)
     15 João III, o colonizador (Lisboa 1502 - Lisboa 1557)
     16 Sebastião, o desejado (Lisboa 1554 - Alcácer-Quibir 1578) (?)
     17 Henrique, o casto (Lisboa 1512 - Almeirim 1580)

Mosteiro do Escorial, Madrid
     18 Filipe I (Valladolid 1527 - El Escorial, 1598)
     19 Filipe II (Madrid 1578 - Madrid 1621)
     20 Filipe III (Valladolid 1605 - Madrid 1665)

Mosteiro de S. Vicente de Fora, Lisboa
     21 João IV, o restaurador (Vila Viçosa 1604 - Sintra 1656)
     22 Afonso VI, o vitorioso (Lisboa 1643 - Sintra 1683)
     23 Pedro II, o pacífico (Lisboa 1648 - Alcântara 1706)
     24 João V, o magnânimo (Lisboa 1689 - Lisboa 1750)
     25 José, o reformador (Lisboa 1714 - Lisboa 1777)
     cs. Pedro III (Lisboa 1717 - Queluz 1786)
     27 João VI, o clemente (Lisboa 1767 - Lisboa 1826)
     29 Miguel, o absolutista (Queluz 1802 - Grão-ducado de Baden, 1866)
     30 Maria II, a educadora (Rio de Janeiro 1819 - Lisboa 1853)
     31 Pedro V, o esperançoso (Lisboa 1837 - Lisboa 1861)
     32 Luís, o popular (Lisboa 1838 - Cascais 1889)
     33 Carlos, o diplomata (Lisboa 1863 - Lisboa 1908)
     34 Manuel II, o desventurado (Lisboa 1889 - Twickenham 1932)

Basílica da Estrela, Lisboa
     26 Maria I, a piedosa (Lisboa 1734 - Rio de Janeiro 1816)

Capela Imperial, S. Paulo
     28 Pedro IV, o libertador (Queluz 1798 - Queluz 1834)

* O título panteão nacional foi atribuído apenas ao mosteiro de Santa Cruz (em 2003), e à igreja de Santa Engrácia (em 1916), onde estão enterrados 4 escritores, 1 fadista, 4 PR e 1 candidato a PR.
** Por decisão própria, Fernando foi enterrado no convento de S. Francisco, em Santarém, para onde já levara as ossadas da mãe, Constança Manuel; foi a ruína do convento que levou à sua transladação... para outras ruínas.


Mesmo quem não conheça nada da história da Portugal, o roteiro das 'últimas moradas' diz muito: a variedade duma 1ª dinastia em conquista territorial; a dinastia de Avis dividida em duas partes, uma virada para a independência e outra para as descobertas - e a clivagem passa por uma sucessão entre primos; a constância dos Braganças (precedida em Vila Viçosa, enquanto duques). 
Até as excepções são elucidativas: um Sancho II exilado pelo irmão e um Pedro IV que quis ser brasileiro.
Ao rigor 'pedagógico' só escapam Afonso VI, encarcerado em Sintra e a quem o irmão tomou o trono e a mulher, e Miguel, que perdeu a guerra civil, vindo a morrer na Alemanha.     
 
Mosteiro de Santa Cruz

Mosteiro de Alcobaça

Mosteiro de Odivelas
Sé de Lisboa

Covento do Carmo

Mosteiro da Batalha

Mosteiro dos Jerónimos

Mosteiro de São Vicente de Fora

Basílica da Estrela