Volta não volta, vou bisbilhotar o sitemeter deste blogue, para ver a "bilheteira" e saber de onde são os fregueses.
Há clientes da Setúbal, Cacais, Amadora, Lisboa, Queluz, Algés, Santarém, Cartaxo - mas esses devem conhecer alguém do painel.
Já me espanta que alguém de Ile-de-France, Dominica, L.A. ou Texas venha aqui parar, ou alguma regularidade com que nos visita gente que julgo não nos conhece, seja de Prime-Viseu, da Gafanha da Encarnação-Aveiro, ou um(a) qualquer expatriado(a) em Mountain View-California.
A este, e aos restantes, um brinde.
"Para certos republicanos a República tem sido um pé de cabra com que vêem aumentando os seus haveres." Senador João de Freitas, histórico republicano, in Boletim parlamentar do Senado, 11-06-1913
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segunda-feira, 26 de abril de 2010
quarta-feira, 21 de abril de 2010
169 CANÇÕES DE ABRIL
Abril é de toda a gente, inclusive meu que não sou de esquerda: tipo redacção da escola, eu gosto muito do 25 do 4, o 25 do 4 é meu amigo. Claro que durou 2 dias (acabou às 24 horas de 25 de Novembro), e por volta do meio-dia o sonho quase se transformava em pesadelo.
Tinha 4 anos no PREC. As canções dessa altura fazem parte das minhas lembranças mais remotas, de Lisboa em 1975, e recordo-as com gosto.
Algumas são fenomenais, como a trova do tempo que passa, mudam-se os tempos, a pedra filosofal ou e depois do adeus. Ou aquela “A cantiga é uma arma e eu não sabia/tudo depende da bala e da pontaria/tudo depende da raiva e d’alegria/a cantiga é uma arma contra a burguesia”.
Outras recordam um tempo em que tudo parecia possível, uma espécie de festa colectiva: somos livres, mais conhecida pela gaivota; canta amigo canta, que diz “tu sozinho não és nada, junto temos o mundo na mão (…) vamos semear a tempestade, se queremos a bonança”; livre, informando que não há machado que corte a raiz ao pensamento.
Aqueloutras, bem datadas, testemunham a certeza nos amanhãs que cantam: até à vitória final, fartos da tirania e servidão, opondo o trabalho ao capital, contra os carrascos do povo, a canalha e os burgueses (o PCP ainda aí vai): desta vez é que é, sobre a revolução e o sol que virá, ou o povo unido jamais será vencido.
Há uma cantiga que é um programa político das nacionalizações, daqui o povo não arreda pé: os fascistas só têm um banco, o dos réus; o fascista sem a banca é como 1 touro capado, sem força para marrar; diz sim à reforma agrária, somos 1 país pequeno e pobrezinho, bem repartidinho dá para todos e sobeja.
Outras ainda são fotografias – a preto-e-branco cheias de grão – sobre os papões da reacção, os vira-casacas e o início da desilusão: viva o poder popular, que fala no facho filho da mãe e no rico transformado em democrata; a luta contra a reacção; a valsa da burguesia, “pela social-democracia, para nos travar o passo”; o facho, que “vira a casaca e diz que vota, saneia o chefe que o compromete” e “é democrata de longa data”; lá isso é, denunciando “partidos da direita que põem a bola ao centro”; venho aqui falar como “o socialista [que] desiste do socialismo é como fazer cabidela sem frango, nem arroz nem a panela”.
Há uma muito divertida sobre as senhoras do antigo regime, cantada pelo professor do fungágá, vamos brincar à caridadezinha, sobre a senhora "de não sei quem" que passa a tarde comendo a torrada e a pensar no pobre, coitada, e que rouba muito, mas dá prenda.
Trabalho muitas vezes no PC com um site ligado, algumas cantigas põem-me o pé a bater em compasso - convido-vos a bisbilhotar http://marius708.com.sapo.pt/Cantores%20de%20Intervencao.html
Foi bonita a festa, pá, fiquei contente
‘Inda guardo, renitente, um velho cravo para mim...
Chico Buarque
terça-feira, 20 de abril de 2010
LEGO DE PALAVRAS
Há uma música de Chico Buarque da Holanda particularmente bem conseguida. O poema chama-se "Construção" e é um jogo com as palavras: Buarque conta uma história e depois repete-a várias vezes, trocando os adjectivos.
A versão seguinte é acelerada (o original tem mais 2 minutos), mas serve.
Prestem atenção.
CONSTRUÇÃO, Chico Buarque
Amou daquela vez como se fosse a última
Beijou sua mulher como se fosse a última
E cada filho seu como se fosse único
E atravessou a rua com seu passo tímido
Subiu a construção como se fosse máquina
Ergueu no patamar quatro paredes sólidas
Tijolo por tijolo, num desenho mágico
Seus olhos embotados de cimento e lágrima.
Sentou para descansar como se fosse sábado
Comeu feijão com arroz como se fosse um príncipe
Bebeu e soluçou como se fosse um náufrago
Dançou e gargalhou como se ouvisse música
E tropeçou no céu como se fosse um bêbado
E flutuou no ar como se fosse um pássaro
E se acabou no chão feito um pacote flácido.
Agonizou no meio do passeio público
Morreu na contra-mão atrapalhando o tráfego.
Amou daquela vez como se fosse o último
Beijou sua mulher como se fosse a única
E cada filho seu como se fosse o pródigo
E atravessou a rua com seu passo bêbado
Subiu a construção como se fosse sólido
Ergueu no patamar quatro paredes mágicas
Tijolo por tijolo, num desenho lógico
Seus olhos embotados de cimento e tráfego.
Sentou para descansar como se fosse um príncipe
Comeu feijão com arroz como se fosse o máximo
Bebeu e soluçou como se fosse máquina
Dançou e gargalhou como se fosse o próximo
E tropeçou no céu como se ouvisse música
E flutuou no ar como se fosse sábado
E se acabou no chão feito um pacote tímido.
Agonizou no meio do passeio náufrago
Morreu na contra-mão atrapalhando o público.
Amou daquela vez como se fosse máquina
Beijou sua mulher como se fosse lógico
Ergueu no patamar quatro paredes flácidas
Sentou para descansar como se fosse um pássaro
E flutuou no ar como se fosse um príncipe.
E se acabou no chão feito um pacote bêbado
Morreu na contra-mão atrapalhando o sábado.
A versão seguinte é acelerada (o original tem mais 2 minutos), mas serve.
Prestem atenção.
CONSTRUÇÃO, Chico Buarque
Amou daquela vez como se fosse a última
Beijou sua mulher como se fosse a última
E cada filho seu como se fosse único
E atravessou a rua com seu passo tímido
Subiu a construção como se fosse máquina
Ergueu no patamar quatro paredes sólidas
Tijolo por tijolo, num desenho mágico
Seus olhos embotados de cimento e lágrima.
Sentou para descansar como se fosse sábado
Comeu feijão com arroz como se fosse um príncipe
Bebeu e soluçou como se fosse um náufrago
Dançou e gargalhou como se ouvisse música
E tropeçou no céu como se fosse um bêbado
E flutuou no ar como se fosse um pássaro
E se acabou no chão feito um pacote flácido.
Agonizou no meio do passeio público
Morreu na contra-mão atrapalhando o tráfego.
Amou daquela vez como se fosse o último
Beijou sua mulher como se fosse a única
E cada filho seu como se fosse o pródigo
E atravessou a rua com seu passo bêbado
Subiu a construção como se fosse sólido
Ergueu no patamar quatro paredes mágicas
Tijolo por tijolo, num desenho lógico
Seus olhos embotados de cimento e tráfego.
Sentou para descansar como se fosse um príncipe
Comeu feijão com arroz como se fosse o máximo
Bebeu e soluçou como se fosse máquina
Dançou e gargalhou como se fosse o próximo
E tropeçou no céu como se ouvisse música
E flutuou no ar como se fosse sábado
E se acabou no chão feito um pacote tímido.
Agonizou no meio do passeio náufrago
Morreu na contra-mão atrapalhando o público.
Amou daquela vez como se fosse máquina
Beijou sua mulher como se fosse lógico
Ergueu no patamar quatro paredes flácidas
Sentou para descansar como se fosse um pássaro
E flutuou no ar como se fosse um príncipe.
E se acabou no chão feito um pacote bêbado
Morreu na contra-mão atrapalhando o sábado.
segunda-feira, 22 de março de 2010
QUAL, AGRADEÇO E RETRIBUO
Louis Armstrong e Danny Kaye divertem-se numa desgarrada de "whem the saints go marching in".
sábado, 12 de dezembro de 2009
CONTRA-REVOLUÇÃO
A frequente “troca de cromos” musicais deste blogue põe-me um bocadinho de lado, pois não sou entendido no assunto, nem sequer conheço parte das bandas. Infelizmente, na minha casa ouve-se mais música infantil.
Vou participar na brincadeira (“deixem-me brincar”, diz o miúdo posto de parte), de forma pontualíssima, e em CONTRA-MÃO.
Na minha humilde opinião, o que vos trago não tem comparação com a (melhor) música contemporânea - quantas delas sobreviverão 200 anos?
Os japoneses adoravam a Amália, mesmo sem perceberem português, pois havia a voz e a emoção. O mesmo se passa com a Ave Maria de Schubert, no alemão original ou em Latim: aperta cá dentro, percebamos ou não.
Há interpretações muito melhores, mas deixo-vos uma mais profissional e outra atraente pela frescura, insegurança e ar angelical da estudante.
Escolham uma e fechem os olhos, ou minimizem e continuem a trabalhar.
Vou participar na brincadeira (“deixem-me brincar”, diz o miúdo posto de parte), de forma pontualíssima, e em CONTRA-MÃO.
Na minha humilde opinião, o que vos trago não tem comparação com a (melhor) música contemporânea - quantas delas sobreviverão 200 anos?
Os japoneses adoravam a Amália, mesmo sem perceberem português, pois havia a voz e a emoção. O mesmo se passa com a Ave Maria de Schubert, no alemão original ou em Latim: aperta cá dentro, percebamos ou não.
Há interpretações muito melhores, mas deixo-vos uma mais profissional e outra atraente pela frescura, insegurança e ar angelical da estudante.
Escolham uma e fechem os olhos, ou minimizem e continuem a trabalhar.
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