...e depois, com bigodes de leite, pedem mais paciência e esforço ao povo, que a "vaca 'tá seca".
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terça-feira, 24 de novembro de 2009

vinte cinco barra onze

Estávamos em 1975. Chegara o mês de Novembro e a confusão mantinha-se com o espectro da guerra civil a pairar. Era o tempo de Pinheiro de Azevedo (o “bardamerda-para-isto-tudo”) e do sequestro da Assembleia da Republica. Um país partido ao meio, dividido entre o Norte e o Sul. Em cima, os "tradicionalistas", e em baixo os “progressistas”. Rio Maior e as suas mocas, faziam a fronteira. Um dia o governo decide cortar o pio à Rádio Renascença (a rádio mais vermelha e a emitir em roda livre!), como não tinha militares do seu lado para o fazer (tal era a balbúrdia!) pede a um pequeno grupo operacional que opta por dinamitar a antena emissora. Entretanto, os Paraquedistas que controlavam aquela rádio, decidem ocupar as bases aéreas expulsando todos os oficiais, enquanto Otelo (o romântico) distribui G3’s por toda a extrema-esquerda (incluindo civis). E aqui começa o contar de espingardas. De um lado, Paraquedistas, Policia do Exercito e Fuzileiros estavam com a esquerda, apadrinhados por Otelo que ainda comandava o COPCON. A direita militar tinha Eanes (o homem dos óculos escuros que nunca ria) e os Comandos de Jaime Neves (o valente). No dia 25 de Novembro, Jaime Neves e os Comandos atacam e neutralizam a Policia do Exército na Calçada da Ajuda, onde morreram duas pessoas. As outras bases militares foram sendo ocupadas e controladas pelos Comandos, sem violência. Na RTP-Lisboa, um oficial barbudo ainda anunciava a vitória e a grandeza do poder popular, até começar a esbracejar indignado, sendo “substituído” no ecrã por um filme emitido a partir do Porto. Tinha acabado a revolução, o PREC e com isso toda uma época de rebaldaria. E começou um novo ciclo em Portugal, a democracia, que permitiu até que o PCP continuasse a existir (Melo Antunes, o iluminado). Por tudo isto e muito mais, 25 de Novembro sempre!


Entretanto, Otelo abandonava a tropa e abraçava uma carreira no terrorismo, em prol da classe operária. Mas isso já é outra conversa...

Nuno V. Leal