...e depois, com bigodes de leite, pedem mais paciência e esforço ao povo, que a "vaca 'tá seca".
Mostrar mensagens com a etiqueta As Divindades. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta As Divindades. Mostrar todas as mensagens

sábado, 20 de abril de 2013

MAGISTER DIXIT


NÃO TENHO TODAS AS RESPOSTAS,
NEM SEQUER TODAS AS PERGUNTAS.
 
MUITA GENTE DIZ QUE ACREDITA EM DEUS
MAS NÃO NOS PADRES. E... FAZEM MUITO BEM.
MUITOS DE NÓS PADRES
NÃO MERECEMOS QUE ACREDITEM EM NÓS.
 
O PASTOR QUE SE ISOLA
NÃO É UM AUTÊNTICO PASTOR DE OVELHAS,
MAS SIM UM PENTEADOR DE OVELHAS, QUE PASSA O TEMPO A
FAZER-LHES CARACOLINHOS, EM VEZ DE IR PROCURAR AS OUTRAS.
 
[PENSO NA MORTE PORQUE PASSEI] DOS 70 ANOS
E O FIO QUE RESTA NO CARRETO NÃO É MUITO.
 
Papa Francisco, entrevista

sexta-feira, 29 de março de 2013

O SENTIDO DA RELIGIÃO - PECADO É NÃO RIR



AS PESSOAS PENSAM QUE AS RELIGIÕES SÃO CRIAÇÕES DIVINAS,
(MAS) AS RELIGIÕES SÃO CRIAÇÕES HUMANAS.
É O QUE PODEM ARRANJAR, PARA DIZER O SENTIDO TRANSCENDENTE DA VIDA, ENCONTRAM UMA GRAMÁTICA PARA DIZER A SUA TRANSCENDÊNCIA.
MAS UMA GRAMÁTICA TAMBÉM DÁ VONTADE DE RIR EM MUITAS COISAS, A DO DIVINO TAMBÉM DÁ.
Frei Bento Domingues
 
OS HOMENS DAS CAVERNAS ESTAVAM CHEIOS DE MEDO DOS PAVORES DO MUNDO E ENTÃO, AOS POUCOS, INVENTARAM 2 INSTRUMENTOS DE CONHECIMENTO DO MUNDO FABULOSOS:
UM DELES É A RELIGIÃO E O OUTRO É O RISO. E OS DOIS NASCEM EXACTAMENTE DA MESMA FONTE, DO MEDO DO MUNDO. E OS DOIS SE TORNAM DE MEDOS EM MODOS DE CONTROLAR O MUNDO [...] ELES ERAM MUITO SÁBIOS, PORQUE INVENTARAM 2 INSTRUMENTOS, AMBOS PELA PALAVRA, DE TRANSFORMAR O MEDO DO MUNDO, EM CONHECIMENTO DO MUNDO, NUMA RESPOSTA AO MUNDO, NUMA RESPOSTA AO ESCURO.
Rui Zink

em O que nos faz rir, RTP1, 27.03.2013

domingo, 10 de março de 2013

QUERES FIADO, TOMA!

Fátima 1958 * Eduardo Gageiro
   

O novo Papa Francisco escolheu o perdão como tema da sua primeira oração dominical do Ângelus na Praça de São Pedro: "Deus jamais se cansa de nos perdoar. Nós é que cansamos de pedir perdão".
 
Mário Soares disse um dia que não lhe tinha sido concedida a graça da fé. Entre muitas, perdeu uma vantagem particular, a crença no perdão dos pecados. Mas não me parece assim tão simples, não bastarão umas idas à missa, uma penitência e/ou algum esmolar, para pôr o contador a zeros e dar créditos para cuspir na sopa e bater na avó, até ao domingo seguinte.
A existir (e quem viu o filme A Vida de Pi sabe como a vida é mais interessante com Ele), Deus não é um merceeiro, de lápis na orelha, que assenta os pecados no livro de fiados, a pagar com orações por atacado.
Assim, desconfio que muita gente tem uma surpresa quando bate à porta do Pescador. Por exemplo, Torquemada pode não ter sido muito bem recebido, deve até ter recebido um castigo como Sísifo, e ainda hoje empurra uma pedra até ao cimo duma montanha, para ela rolar de novo ao sopé. 
Pois é, entre os crentes, os mais perigosos são os que acreditam ter uma missão purificadora, e são implacáveis a pelejar contra os seus moinhos de vento. Acreditando estar perto do seu Senhor, estão é bem longe do Nirvana.
Há uns anos, pessoa que conheço afirmou ir a Fátima pedir perdão pelas injustiças que cometia. O seu interlocutor respondeu 'Que tal ires a Fátima pedir para não seres injusto?'.
Eu não diria melhor.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

MESA PÉ-DE-GALO

casa Carlos Relvas

No verão passado, encontrei um amigo. A meio da conversa, o primo dele disse que tinha um Matisse. A sério?, perguntei. 
- Verdade. Chama-se arte mediúnica, Matisse incorpora numa pessoa e pinta uma série de telas.
É difícil acreditar que Matisse vá a Chelas (sim, Chelas) pintar vários quadros de rajada. E se o J. pagou pela obra, então é tramóia na certa. Mas o dito acredita piamente nessas coisas: contou-me o meu amigo que, quando esse primo diz que o pai está em Bordéus, confunde as pessoas que pensavam que o senhor tinha morrido – porque de facto morreu.

As reuniões (pro bono, convém dizer) não têm nada a ver com charlatanices como vidências e leituras de cartas. Uma amiga explicou-me que se juntam para rezar por espíritos que ainda cá andam: como no filme ‘O 6º sentido’, há casos em que não percebem que morreram. De forma espirituosa (que palavra apropriada!), outra amiga mais telúrica explicou que é uma espécie de GPS, ajuda a encontrar o caminho.
Toda a gente conhece testemunhos em 1ª mão de pianos ou rádios que tocam sozinhos, cuja explicação (ainda) desconhecemos. Eu tenho alguma curiosidade desconfiada (credível era o médium dizer algo concreto que ninguém presente tenha forma de saber, e possa ser confirmado) mas, se las hay, não as quero ver nem por perto. Já há suficientes encostos cá por baixo.
Fosse verdade e ainda havia o problema da privacidade: é incómodo alguém estar a ver-nos, sei lá, meter o dedo no nariz – mesmo que o segredo fique bem guardado. Tinha um amigo na secundária cuja preocupação era o avô assistir às suas urgências da puberdade…

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

POSTAIS ANTIGOS (XXXIX) - CRENDICES

 
8-4-1919

Qu'eu saiba, as únicas pessoas que conheci nascidas no século XIX foram as irmãs Ana da Aleluia e Francisca dos Prazeres. Que me lembro da minha bisavó Ana?
Do seu cabelo branco preso com ganchos de tartaruga, dos olhos castanhos imensos (mas imensas eram as lentas), das orelhas gigantes - faziam-me espécie, não sabia que crescem com a idade. Dela atrás da camilha com a braseira eléctrica, ao lado dum paquidérmico telefone, na sala da televisão; dela na sala de jantar, a lanchar chá de limão e bolachas de água-e-sal, guardadas na lata com desenhos ingleses; dela no quarto a dar-me rebuçados peitoriais Santo Onofre, guardados naquelas mesinhas-de-cabeceira com porta para o penico de porcelana.
E dela na capela da casa, cheia de santinhos, sentada numa cadeira (que levantava o tampo e tinha uma tábua forrada a veludo, para ajoelhar) a ouvir a rádio renascença e a rezar o terço. Todos os dias.
Era muito beata, a avó Ana. Muito crente.
Vim a saber, crente em tudo.

Descobri uns postais dela para a irmã mais nova, que teve uma longa doença e morreu cedo. Num recomendava paciência com a albumina, o remédio. Noutro dizia "Minha querida irmãzinha: Já era muito tua amiga, mas desde que sêi que já foste minha filha, noutra incarnação, muito mais amiga sou, se é possível ser-se mais do que tenho sido. O Fragoso recomenda-te que continues fazendo preces como te ensinou, o que faz m.to bem e são d'um grande alcance, quando feitas com fé. Adeus. Uma beijoca da tua amiga e tua irmã Ana".
Quando contei a descoberta à minha mãe, ela contou-me que a avó também acreditava em fantasmas, mas recusava falar disso. Na sua casa de Beja, o cão passava o tempo a ladrar para uma porta à saloon, e uma vez a Ana ouviu o filho bebé a chorar: quando entrou no quarto, viu um vulto sobre o berço (um homem ruivo e com barba, como o falecido sogro)... e, até morrer, o meu tio-avô Armando teve uma marca de dentes na orelha.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

HITCHENS, O DESORDEIRO

 
Expulsão do Paraíso, Capela Sistina

Costumo dizer que sou agnóstico às segundas, quartas e sextas, e crente aos domingos, terças e quintas (ah, e acredito na justiça terrena aos sábados, entre as 9 e as 10.30).
Pois agora ando a ler uma das prendas que pedi ao pai Natal, chamado deus não é Grande.

Christopher Hitchens chamou-me à atenção na entrevista concedida ao 60 minutes (6/3/2011), meses antes de morrer de cancro.
Além de apóstolo do ateísmo, era conhecido pelas provocações a pela falta de prurido em esgadanhar 'vacas sagradas', testando limites: chamou Clinton de violador, Henry Kissinger de criminoso de guerra, Mel Gibson de fascista, a família real de mancha na reputação da Inglaterra, Gandhi de faquir, Diana de Gales de mina terrestre (da mesma forma fácil de colocar, mas sendo difícil, perigoso e extremamente caro livrar-se dela - uma piada horrível, reconheceu) e a madre Teresa de Calcutá de anã albanesa, fanática, mentirosa e ladra - acusando-a de receber dinheiro do ditador Duvalier do Haiti e de defender o Não ao divórcio num referendo irlandês, enquanto dizia esperar que a amiga Diana fosse mais feliz depois de se separar de Carlos.

Voltando ao saboroso livro, Hitchens diz que Deus não criou o homem à sua imagem, aconteceu o contrário*, e contesta de forma mordaz quem advoga que a fé responde a uma necessidade de consolo: os que 'oferecem um consolo falso são falsos amigos'.
Blasfémias, gritarão alguns.
Racional, Hitchens defende que o "criador não é um 'quem', mas um processo de mutação com elementos bastante mais aleatórios do que a nossa vaidade poderia desejar".
Um processo muito lento, digo eu. Ponderem, s.f.f.: se o universo tem 13.700 milhões de anos e o homem apenas 1 milhão, Deus teria que ter uma paciência de Job, assistindo a uma espécie de jogo de estratégia, em autorun, muuuuito lento, até chegar a parte interessante. Bem, mas Deus tem TODO o tempo do mundo, e perdia a graça despachar a história em modo fastfoward.

Um último amuse-bouche: num debate, desafiaram-no a responder sim ou não a um cenário - imaginando-se ao anoitecer numa cidade desconhecida, via um grande grupo de homens a aproximar-se. Sentir-se-ia mais ou menos seguro, se soubesse que voltavam apenas dum encontro de oração?
Qualquer outro seria encostado às cordas, mas Hitchens fez cheque-mate: 'Para me manter apenas na letra B, já tive essa experiência em Belfast, Beirute, Bombaim, Belgrado, Belém e Bagdade. Em todos os casos posso apresentar razões porque é que me sentiria imediatamente ameaçado'. Capice?
O mais natural é pensar que quem sai da missa vem imbuído de fraternais sentimentos (e geralmente vem), mas é factual que nessas cidades, e em muitas outras, a religião é motivo de escaramuça.

Um livro recomendável a crentes e incréus. E cá voltarei com ele, oxalá**.

* o homem sózinho, como atesta o papel subalterno da mulher na generalidade das religiões - como no Clube do Bolinha, 'menina não entra' na feitura de Deus
** do árabe In shaa Allah: se Deus quiser

sábado, 23 de abril de 2011

PLÁGIO


"O Cristianismo é a religião babilónica da adoração do Sol. A Trindade babilónica de Nimrod (o pai), Dumuzi (o filho nascido de uma virgem e reencarnação de Nimrod) e de Semiramis, foi transportada para a crença romana. Tornou-se então o Cristianismo e a Santíssima Trindade cristã, graças ao imperador Constantino, no século IV da nossa era. A Trindade babilónica continuou com o Pai cristão (Nimrod), o filho (antes Dumuzi, depois Jesus) e o Espírito Santo, que é, como Semiramis na Babilónia, simbolizada por uma pomba. (...)
Não só toda a fundação da história cristã veio da Babilónia e da Suméria há milhares de anos atrás, como também os dias santos e as festas cristãs como o Natal, a Páscoa e a Quaresma. Os cristãos até adoram os domingos (sunday=dia do sol), porque o Cristianismo é a adoração do seus Sol - Nimrod/Dumuzi, na forma de Jesus. Os judeus têm o seu Sabat ao sábado, no dia de Saturno (saturday=Saturn-day), outra forma de adoração a Nimrod, pois nos mistérios da Babilónia Nimrod era deificado como Saturno. (...)
Na basílica de S. Pedro, em Roma, colocaram a cadeira de S. Pedro por baixo de uma enorme descrição do sol (Nimrod/Dumuzi) e no centro está a pomba (Semiramis). (...) A mitra que o Papa usa e as grandes perucas da Igreja Cristã são os símbolos das cabeças de peixe de Nimrod, que era também conhecido como Dagon, o deus peixe. O símbolo mais importante dos cristãos, a cruz, não é sequer cristã. Era o símbolo de Nimrod/Dumuzi e foi vastamente utilizado no mundo, durante milhares de anos antes do mítico nascimento de Cristo. (...)
O baptismo, os feriados cristãos, as festas e os símbolos são os mesmos que os da Babilónia, porque a Igreja de Roma é simplesmente a Igreja da Babilónia, apenas noutro local. Semiramis, sob o seu nome Ishtar (pronunciado como Eastar ou Ester), deu-nos a Páscoa (Easter, em inglês) e o ovo da Páscoa vem do facto de Semiramis ter vindo da lua num ovo. (...)
A Quaresma é originária do período de 40 dias da Babilónia, para comemorar Nimrod/Dumuzi e o presunto da Páscoa vem do mito de que Dumuzi foi morto por um porco selvagem. Os babilónicos tinham até a sua versão dos pãezinhos quentes (folares) em forma de cruz. O símbolo do coelhinho da Páscoa é um símbolo antigo da deusa da lua, Semiramis, a deusa da fertilidade. A Primavera - Páscoa - estava estreitamente associada à adoração da deusa mãe e do reencarnado Nimrod, na forma de Dumuzi. O principal homem por trás da emergência do Cristianismo foi o imperador Constantino, que fez dele a religião de estado em Roma e decidiu no Concílio de Niceia no ano 325 em que é que os cristão deviam acreditar a partir daquele dia. (...)
Constantino adorava uma divindade chamada 'Sol Invictus', o Sol não conquistado ou invencível, por isso o novo Cristianismo era-lhe muito familiar. Constantino converteu o Panteão pagão de Roma na igreja cristã e mudou os nomes das estátuas dos deuses, semi-deuses e deusas, para os nomes dos santos cristãos. Uma estátua de Júpiter (Nimrod) tornou-se aparentemente S. Pedro (o halo redondo por cima da sua cabeça no Vaticano simboliza precisamente o sol) e os dias festivos dos deuses babilónicos tornaram-se os dias dos santos do Cristianismo".
D. Icke, via José Mena Abrantes
.

terça-feira, 19 de abril de 2011

HOUVE BACALHAU À MOISÉS DO PIPO

A última janta

A última ceia foi no dia das mentiras. Imaginam a quantidade de piadas que se podiam inventar sobre isso? "Ó Tiago, 'tão uns romanos à porta para levar Jesus? Esses romanos são uns foliões, com as partidas a cada Aprilis. Passa mas é daí o Cesareia de 29."

Num estudo publicado esta semana, Colin Humphreys, professor da Universidade de Cambridge, assegura que a última refeição que Jesus partilhou com os seus 12 apóstolos aconteceu um dia antes daquilo que se pensa.
Colin Humphreys explica que os Evangelhos de Mateus, Marcos e Lucas usaram um calendário mais antigo do que o de João, causando discrepâncias sobre a data da refeição. O académico explicou à BBC que enquanto Mateus, Marcos e Lucas dizem que a Última Ceia foi uma refeição pascoal, João afirma que aconteceu antes da Páscoa judaica.
Mateus, Marcos e Lucas terão usado um calendário antiquado - adaptado do que era utilizado no Egipto nos tempos de Moisés - em vez do calendário lunar que era largamente adoptado pelos judeus na época.

“Jesus não pode ter sido preso, interrogado e julgado em apenas uma noite. Os especialistas e os cristãos acreditam que a última ceia começou depois do pôr do sol de quinta-feira, e a crucificação foi realizada no dia seguinte de manhã. O processo de julgamento de Jesus aconteceu em várias áreas de Jerusalém e os investigadores já percorreram a cidade com um cronómetro para perceber como as coisas terão acontecido e a maioria concluiu que era impossível tudo acontecer em tão pouco tempo”, explicou o professor.
Analisando e confrontando os dois, Colin Humphreys concluiu que a Última Ceia, aconteceu na verdade, na quarta-feira, dia 1 de Abril, do ano 33.
Público, 19.4.2011
.

sábado, 18 de setembro de 2010

UM HÓSPEDE DE LUXO

Em 1534, o reino unido mudou de religião, porque Henrique viii quis divorciar-se e trocar uma católica por uma protestante, cortar-lhe a cabeça e voltar atrás, até à última das 6 mulheres o fazer outra vez mudar de crença. Isto tudo, deixando milhares de corpos pelo caminho. Por causa da volubilidade passional dum homem, passou a haver outra “fé”, termo agora usado por Isabel ii.
Esta é a primeira visita oficial dum papa ao país, desde então. O governo inglês aceitou pagar metade da visita de Estado. Ao todo, por uns 3 dias, 14 milhões de euros!!!! Uma pregação bem cara, não acham?

É legítimo que a igreja tenha, expresse e pugne pelas posições sócio-morais que julga correctas, o seu azar é que cada vez menos gente lhe liga.
Há dias, o Santo Padre voltou a afirmar que a Igreja não aceitará as novas formas de família, if you know what I mean. E, volta não volta, reduz-se o sexo à procriação – tirando uns padres (não representativos da organização, enfatizo) que adoram meninos com cara de anjo – e lá vem a cruzada contra o aborto. Se calhar é por isso tudo que o papa me faz sempre lembrar a música antiguinha dos Monty Python intitulada “every sperm is sacred".

sábado, 31 de julho de 2010

NOSSA SENHORA DE FÁTIMA CHAMAVA-SE MARIA... WILKIN

Jornalista do El Pais conheceu uma britânica, assídua d'A brasileira do Chiado, que lhe contou ter casado em 1917 com um topógrafo do Porto.
Enquanto o marido efectuava o seu primeiro trabalho na Cova de Iria, Mary – recém-casada, ruiva e vestida de branco até aos pés (tal e qual a Virgem de Murillo existente na igreja de Fátima), com um xaile azul – foi apanhada descalça pela tempestade e subiu a uma árvore (como se sabe, o local mais seguro!!!).
Depois o sol apareceu e um raio iluminou-lhe a face, quando ouviu umas cabras e apareceram 3 pastorinhos, que logo se retiraram. Era 13 de Maio.
A anciã não explicou as outras "aparições", o rodopio do sol e os 3 segredos.
Crianças criativas…

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

SEJA BEM-VINDO QUEM VIER POR BEM


Foi hoje apresentada a imagem oficial da visita de bento XVI a Portugal, a usar em camisolas, bandeiras, pendões, medalhas, lenços, envelopes - para criar uma unidade visual, justifica o Bispo Carlos Azevedo.
O projecto é altamente profissional e, por acaso, até gosto do resultado do designer Xavier Neves (vejam a norma gráfica no site oficial da visita). É sinal que a Igreja se tenta adaptar aos tempos modernos.
Mas cheirou-me a merchandising. E, sem outra razão que não seja a minha esclerose, veio-me à cabeça uma história e um poema. Episódio, os vendilhões do templo.

"Chegaram pois a Jerusalém. E havendo entrado no templo começou a lançar fora os que vendiam e compravam no templo: e derrubou as mesas dos banqueiros e as cadeiras dos que vendiam pombas. (...) E Ele os ensinava dizendo-lhes: Porventura não está escrito que a minha casa será chamada casa de oração entre todas as gentes? E vós tendes feito dela covil de ladrões". Evangelho de Mateus, 21:12-13
"E, feito um açoite de cordéis, lançou fora do templo, também os bois e as ovelhas, espalhou o dinheiro dos mercadores e derrubou as mesas". Evangelho de João, 2:15

Moral da história: Jesus, ao expulsar do Templo os comerciantes que ali vendiam mercadorias utilizadas nos cultos, expressou a sua fúria por ver desvirtuado o destino próprio do lugar de oração e encontro com Deus, pois o Templo deixara de ser o local sagrado para se tornar num lugar de comércio e exploração.
No dicionário Aurélio, vendilhão significa (figuradamente) aquele que trafica coisas de ordem moral - e o comércio no Templo simboliza o tráfico moral, a transfiguração do propósito da igreja.

(...)
Quem desmente, por exemplo,
Tudo o que Cristo ensinou.
São os vendilhões do templo
Que do templo ele expulsou.

E o povo nada conhece...
Obedece ao seu vigário,
Porque julga que obedece
A Cristo — o bom doutrinário.
António Aleixo, "Este Livro que Vos Deixo..."

domingo, 31 de janeiro de 2010

DEUS É GATO


A Comunidade Astrofísica tem rejubilado com as últimas fotos da Nebulosa Pata de Gato, um ninho de estrelas próximo do centro da via láctea. A nebulosa fora descoberta em 1837 por um astrónomo, na África do Sul.

Está provado. Deus deixou a sua assinatura, e Deus é um gato (ou gata, como a deusa egípcia Bastet). Caprichoso, narcísico, curioso, independente, arisco, letárgico.
Está tudo explicado.

O deus-gato também é irónico: nos concursos para as auto-estradas, o preço subiu 700 milhões de euros na fase da BAFO, best and final offer, com os 2 melhores concorrentes a melhorar a proposta.
Pensava eu que oferta final e melhor era mesmo isso, a melhor oferta. Nãããã.

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

É MENTIRA


Jesus não nasceu a 25/12 do ano 1. Nasceu no reinado de Herodes magno (que morreu em Abril de 4 a.c.), durante o recenseamento do governador da Síria Quirino (em 7-6 a.c.) ou do legado imperial na Palestina Sentius Saturninus (8-6 a.c). De acordo com outros dados, o nosso menino pode ter nascido entre 13 e 3 a.c. Que feio, a roubar na idade…
Quanto ao dia do ano, apenas se sabe quando não foi: haveria pastores nas redondezas e a pastorícia decorria entre Março e Novembro, i.e., o miúdo não nasceu em Dezembro.
A estrela de Belém pode ser a estrela de Kepler, conjunção astral que ocorre a cada 794 anos e apareceu 3 vezes a 7 a.c. (29/5, 1/10 e 5/12), ou o cometa que passou entre 13 e 27 de Abril de 5 a.c.
Nos primórdios, o Natal celebrou-se em Maio (20), Abril (19 ou 20) e Janeiro. Até que, em 354 d.c., os cristãos parasitaram uma festa pagã romana dedicada ao regresso do sol (dies natalis solis invicti, depois do solstício de Inverno, quando os dias voltam a crescer), para a celebração não dar nas vistas ou para ocupar uma data já conhecida.

E os magos (não reis, mas homens sábios ou astrónomos), entre 2 e 12, conheceram Jesus já a caminho dos 2 anos, depois da sua apresentação no templo. Lá se vai o dia de reis, quando os espanhóis distribuem as prendas.
Os nomes dos ditos só apareceram uns 700 anos depois da babyparty, mas já com pormenor: diz S. Beda que Melchior tinha 70 anos e vinha do Iraque (ofereceu ouro, símbolo da realeza), Gaspar tinha 20 anos, era robusto e vinha do Mar Cáspio (incenso, fé ou divindade) e Baltazar era mouro do Golfo Pérsico, tinha 40 anos e barba cerrada (mirra, resina antiséptica usada no embalsamento, morte ou humanidade). Quem conta um conto, aumenta um ponto, parece.

É compreensível a confusão*, os 4 evangelhos canónicos não batem totalmente certo entre si: o evangelho mais antigo data de 70 d.c. e o (talvez) autor Marcos apenas escreveu o que ouviu de Pedro, como bem mais tarde Lucas fez com Paulo, i.e., diz que disse; Mateus e João eram apóstolos, mas os seus livros datam de 80 e 100 d.c. (décadas depois da morte de Jesus), a memória do velho cobrador de impostos e do pescador já não ‘tavam frescas, pela certa. E há mais centenas de evangelhos apócrifos (censurados pela igreja primitiva, como os de Filipe, Tomé, Pedro, Judas e Maria Madalena) que ajudam à cacofonia.
Vai-se a ver e a única verdade é que o pai Natal existe.

* Há versões para todos os gostos, até para cépticos. O livro judeu Talmud refere Jesus como ben Pantera, ou filho de Pantera, e Celso escreveu em Contra os Cristãos: "Começaste por fabricar uma filiação fabulosa, pretendendo que devias o teu nascimento a uma virgem. Na realidade, és originário de um lugarejo da Judeia, filho de uma pobre campónia que vivia do seu trabalho. Esta, culpada de adultério com um soldado, Pantero, foi expulsa por seu marido, carpinteiro de profissão. Expulsa assim e errando aqui e além ignominiosamente, ela deu-te à luz em segredo. Mais tarde, constrangida pela miséria a expatriar-se, foste para o Egipto; aí aprendeste alguns desses poderes mágicos de que os Egípcios se gabam, voltaste ao teu país e, inchado com os efeitos maravilhosos que sabias provocar, proclamaste-te Deus."
Um caluniador, este Celso. Não entra no céu nem com uma máquina Nespresso.

terça-feira, 11 de agosto de 2009

O BAPTISMO CADUCA?


O Santos Silva gosta de malhar na Direita, eu gosto de malhar na Igreja. Concedo que lhe devemos a parte de leão do património cultural, em particular na arquitectura, reconheço-lhe o mérito na assistência social e o monopólio da educação, durante séculos. Mas a igreja é historicamente um projecto de poder, assente desde o século I na eliminação de vozes divergentes, tráfico de influências, corrupção, simonia e venda de indulgências, hipocrisia moral, responsável por muitas guerras, genocídios e silêncio perante totalitarismos. Seriam sinais dos tempos, pois os governos também tinham padrões morais mais… rudimentares, e direitos humanos são uma novidade histórica. Ah, e há muito boa gente na igreja. Muita e bem intencionada.
Mas eu queria falar sobre a burocracia. Qualquer instituição vive com normas estabelecidas, ainda para mais esta, gigantesca e conservadora. Ora vejam:
Quando quis casar, tive que apresentar a CERTIDÃO DE BAPTISMO. Vindo do “Ultramar”, apresentei a certidão original. A zelosa funcionária da paróquia recusou o documento, pois estava CADUCADO – teria que solicitar uma certidão à diocese de Benguela.
Goradas todas as tentativas de convencer a senhora que UM BAPTISMO NÃO TEM PRAZO DE VALIDADE, e antevendo dificuldades, porque suspeitava que o arquivo de 1971 talvez estivesse “desarrumado”, rendi-me e propus-lhe: Olhe, faça de conta que não sou baptizado. A resposta da dita foi meia Kafkiana, “não pode ser, a certidão diz o contrário”. Como diria o Marcelo, o papel vale, mas é inválido...
Assim se chamam as ovelhas para a Casa do Senhor.
P.S.: Não terá sido por acaso que o padre me chamou cristão de 4 rodas e fariseu no sermão do casório, pois regateei a conta das flôres e questionei-o se a parcela "donativo" era facultativa ou obrigatória (bingo!).

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

TÁ AÍ ALGUÉM?


Li algures que os miúdos gostam de ver os mesmos DVD vezes sem conta (sei na pele, há dias revi o Shreck 1, e ainda sabia as falas de cor) por conforto: têm uma sensação de segurança, pois conseguem prever as situações. O que é que tem um ogre verde a ver com a religião, tirando algumas personagens aterradoras das igrejas? A segurança.
Tenho cá a impressão que a religião foi inventada por uma mão cheia de razões, i.e, contam-se pelos dedos.
No polegar, está a tal segurança: existe um ou vários Pais poderosos, a quem podemos recorrer em apertos. Esse Pai dá a chuva se o romano matar um borrego, se um asteca degolar um homem, se pedirmos com muita força ou se prometermos algo em troca. Isso faz-me alguma confusão, é suposto o pai dar o que pode sem pedir tornas. Também me faz espécie que um Pai, ainda por cima Todo Poderoso, nos deixe dar todas as cabeçadas e deixe a conversa para o dia do Juízo Final.
A razão do indicador é vicariante, ou seja, se o medievo leva no lombo do seu bailio, “lá em cima” viverá como um nababo, o leproso ou o anão gozado pelas crianças da sua rua terão um lugar ao pé dos anjinhos, a 2 nuvens da mesa dos doces. Aguenta, que serás recompensado ou, mais bíblicamente, dos pobres será o reino dos céus.
A razão do dedo médio é inversa da anterior, será feita justiça, o amo frustrado e rancoroso há-de pagá-las – noutro lado, porque cá em baixo vai morrer velhinho a meio do sono. Aqui há um problema, vai directamente para o Inferno, sem passagem pela casa da partida, ou espera pelo dia do Juízo Final (João XXII escreveu sobre o paradoxo, e teve que se retratar no leito de morte)? Afinal, pode ser que a Justiça divina seja como a portuguesa, demora uma eternidade. Só espero que não haja prescrições
O quarto motivo, no anelar, é a absolvição. Este é o pior argumento: é-se canalha uma semana inteira, e ao domingo come-se uma rodela de pão, pede-se desculpa, beija-se o próximo e no dia seguinte volta tudo ao mesmo. Conheço quem chegasse ao cúmulo de declarar “só peço a Deus para me perdoe o que vou fazer”, ‘tá tudo dito.
Por fim, no mindinho, está um código de conduta, a noção de Bem e de Mal. Claro que varia entre religiões e ao longo da história: como diria Pimenta Machado, o que é hoje verdade, amanhã é mentira. Julgo, porém, que nos Livros (Bíblia e Corão) a violência é má e devemo-nos amar uns aos outros. Julgo. E bastam só cinco ou seis regras: não roubar, não matar, não trair, no sentido lato, e a trilogia da revolução francesa, liberdade, igualdade entre todos (os brâmanes faltaram a esta aula!) e a fraternidade.
Mas não. O homem tomou conta, levou o Livro à letra ou viu o que não está lá, e exagerou nas regras, geralmente começadas por NÃO: não comer porco, não comer vaca, não comer durante 40 dias, não mostrar o cabelo, não dzzzz antes do casamento, não usar preservativo.
Não falo no Islão, não vá alguém ganhar 70 virgens à minha custa, a igreja católica já tem que se lhe diga: o sacerdócio exclusivo dos homens ou o celibato dos padres (só desde Gregório VII) existem porque SIM. Para não falar na resma de papas, cardeais e bispos com afilhados, alguém me garante que Pedro era solteiro, ou que Jesus não tinha uma amizade colorida com Maria de Magdala?
A propósito, a história não bate certo. Imaginem: “Zé, ‘tou grávida”, “Mas Maria, estive estes meses na Nazareth a construir zimmers…”, “Foi o Espírito Santo”, “Ah bom… espero que seja menina, queria ter uma Sandra Salomé”.
Assinado: Agnóstico às segundas, terças e quintas
P.S. Senhor, a existires, perdoa-me, a culpa é da hipoglicémia. Aliás, Bora-Bora é prova que Tu existes.