...e depois, com bigodes de leite, pedem mais paciência e esforço ao povo, que a "vaca 'tá seca".
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terça-feira, 24 de dezembro de 2013

OBRIGADINHO

Natal no tempo das renas gordas

Obrigado aos romanos que inventaram a festa do solstício de inverno e ao papa Júlio I que, em 350 d.c. e certamente por intervenção divina, ‘descobriu’ a data do nascimento de Jesus.
Obrigado ao criador dessa obra celestial que são os coscorões.
Obrigado Aníbal e Manuela, Guterres e Cravinho, Durão e Arnault, Sócrates e Teixeira, Passos e Gaspar. Obrigado TGV e aeroporto gorados. Obrigado Lehman Brothers, Fitch e sobejante tríade, Banif, BPN, BPP, PPP, derrapagens das obras públicas, Euro 2004, SCUTs e auto-estradas paralelas. Obrigado BES, swaps, mega-escritórios de advogados e consultores, submarinos Arpão e Tridente, sucateiro, bragaparques e pequerruchos boys dos partidos.
Se não fossem estes fofinhos (aviso: sobredose de espírito natalício), ainda o Natal andava à volta de prendas - numa profusão de fazer corar -, com o stress associado. Isso era o Natal do Passado. O Natal do Presente (e, desconfio, do Futuro) voltou a ser imaterial – a convocatória irrevogável, com data e menu fixos, para A reunião com todos os meus favoritos.
Sendo nós 15 e ½, este ano, obrigado ainda por ter máquina de lavar.
Feliz Natal.

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

DOBRE A FINADOS?


Factos deste 5 de Outubro:
1. A bandeira foi hasteada 'de pernas para o ar', como o país - alguém brincalhão ou sinal do Olimpo? No código militar, a bandeira ao contrário indicava um território tomado pelo inimigo e um de pedido de socorro...
2. A vê-la subir estavam os presidentes da República, do parlamento e da câmara da capital. Talvez pela primeira vez, o primeiro-ministro não apareceu, fazia falta em Bratislava.
3. Também pela primeira vez em democracia, os discursos não foram públicos, mas reservados a convidados (no Pátio da Galé) - havia atiradores na cobertura dos edifícios e a polícia impediu as gentes de chegarem à praça do município.
4. Desde que lá chegou, Cavaco abria os jardins de Belém e recebia os indígenas neste feriado. Hoje não, por motivos económicos.
5. Foi a última vez que o dia da implantação da República é feriado.

Duarte de Bragança fala hoje ao país e é apresentado um manifesto da Causa Real. Os monárquicos acham que 'o país está à beira de um abismo' e que só 'a instituição real permite devolver o futuro aos portugueses'. Pois... é tudo uma questão de fé, como a crença do governo em que o bombardeamento fiscal dará frutos.

terça-feira, 24 de abril de 2012

BANCA DE JORNAIS, 25/04/1974





Na casa da minha mãe ainda existe uma moca de Rio Maior à entrada (para quem não sabe, o símbolo do 'no passarán!', contra a onda vermelha do prec); na casa da minha mais-que-tudo havia bem-humoradamente um cão chamado 'facho' - a celebração do 25 era entre o nublado e o moderado, nada de cravos. As nossas famílias nucleares depois alaranjaram (do centrismo para o centrão...), com 2 excepções - cada um no seu canto do ringue político, mas curiosamente são esses 2 que mais ligam à efeméride.
A todos, um bom feriado (aproveitem enquanto existe...).

quinta-feira, 23 de junho de 2011

MÁSCARAS DE VENEZA

O Carnaval de Veneza está para o do Rio, como um Maybach para um Porshe.
Há que aponte o aparecimento desta festa para 1094, quando o Doge instituiu a festança do carnis laxatio (abandono da carne), ou para o decreto de feriado na 3ª feira antes da quaresma em 1296; outros indicam 1162, na 6ª feira gorda, para festejar uma vitória militar; outros ainda defendem o ano de 1268, quando é pela primeira vez documentado o uso de máscaras - nesse édito, foi proibido o "jogo dos ovos". 
No século XIV, a festa sofreu um efeito 'duracell': começava em Outubro, coincidindo com o início da época teatral, parava no advento (4 semanas antes do Natal), recomeçava a 26 de Dezembro e só acabava na 3º feira antes da quaresma.
E, para um bom regabofe, nada como o anonimato dos trajes e das máscaras. A ponto de, nesse século, ser proibido o uso de máscaras à noite, em conventos e igrejas, por causa das "imoralidades" (a pena de multa e prisão até 2 anos não demoveu todos, mesmo fora das festas) e, em 1608, ser declarado que as máscaras eram uma ameaça à república sereníssima. É que, está bom de ver, as gentes aproveitavam os disfarces para o jogo, assassínios, adultério e sedução de donzelas e noviças.
Ganhou tradição no século XVII, quando a nobreza descia dos salões e se misturava como o povão, no meio de saltimbancos, animais amestrados, músicos, marionetas e actores, em particular da commedia dell'arte - do Arlechino, Columbina & Cª.
Suspenso em 1797 (quando a cidade foi integrada no império de Napoleão), só reapareceu oficialmente em 1979.
Algumas máscaras ganharam fama, como a bauta (meia-máscara, que permite comer e beber), a feminina moretta (presa pelos dentes, o que impedia as damas de abrir a boca) ou a mattaccino dos atiradores de ovos - que resistiram à proibição. Os materiais, papel maché, seda ou couro.
Os tradicionalistas usam as mashera nobile (brancas), um traje de seda negra e tricórnio. Outros escondem-se com máscaras prateadas ou douradas e trajes oitocentistas. E outros ainda são criativos e arriscam modernices. Mas a "macedónia" é rica e elegante. São 10 dias de festas e desfiles, num cenário magnífico e inigualável.
Convenhamos, tem patine.

















quarta-feira, 6 de abril de 2011

FESTA DE GARAGEM

Fui a um jantar de despedida duma senhora que se reformou do meu trabalho: as voltas que a vida dá, começou a trabalhar com o meu pai, vai para 42 anos, noutro hemisfério.
Pensava que ia a um restaurante, mas não foi bem isso que encontrei à chegada: uma casa cor-de-rosa de dois pisos, com o letreiro "Vivenda Souto" e uma mini-fonte verde-musgo com um anjo, no cimo dos degraus.
Degraus esses que não subimos: a celebração foi na garagem. Havia uma fila de mesas, cadeiras de plástico de esplanada, uns bibelots bem enquadrados. Ah, o vinho foi servido em copos-medidores de plástico, daqueles para fazer bolos, muito kitch: vinho da casa - literalmente. Assim como o polvo à moda da casa e o bacalhau à casa. E, pela primeira vez, não fazia sentido perguntar "A MOUSSE, É CASEIRA?".
Parece que cada comensal havia decidido previamente o que comer, quando pagara, mas eu só descobri na altura o que me coube, "perguntámos à sua esposa". A mim pediram o dinheiro dos dois, a ela deram a escolher os pratos, mai' nada!
Quem teve necessidade, informou que o acesso ao WC era labiríntico, trepando escadas e passando por quartos de dormir.
A única chatice é que, cada vez que alguém queria ir fumar um cigarro à rua (o que foi quase ininterrupto), tinha que se abrir a porta hidráulica da garagem, e lá vinha a ventania pela rampa abaixo...
Eu fui a muitas festas de garagem, quando teenager, mas eram um bocadinho diferentes. Do que me lembro.

P.s.: felizes férias grandes, sôdona Milú.
.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

FLASH MOB

O You tube faz 5 anos a 14 de Fevereiro. Diz o i de hoje que mil milhões de vídeos são vistos diariamente e que o mais visto, "The Evolution of Dance", onde se resumem 50 anos de dança em 6 minutos, teve mais de 131 milhões de visitas (ainda vou bisbilhotar este).

O you tube tem no cardápio vários vídeos de flash mob, onde multidões organizadas fazem coreografias-surpresa ou ficam apenas quietas (flash mob freeze) - por vezes, com centenas de participantes.
Aqui vão três: i gotta feeling na abertura da 24ª temporada da Oprah (a apresentadora não sabia de nada), um mix no aeroporto de Lisboa (houve no natal e no ano novo, são dos vídeos mais vistos sobre o assunto) e música no coração numa gare belga. Divirtam-se.


Chicago


Lisboa TAP


Antuérpia

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

ANO NOVO, VIDA NOVA


"A cidade está calma. Está sempre, no dia de ano novo. Não Apenas devido à ressaca colectiva que se segue aos festejos da noite anterior, mas também devido à consciencialização colectiva, à luz crua do dia, de que o mundo é exactamente o mesmo que era doze horas antes. O ano novo é festejado com o optimismo cego de que os doze meses que se seguem serão melhores do que os que acabaram de passar, mas no fundo sabe-se que o momento arbitrário que marca o início de um novo ano não é o começo de nada. É apenas um ponto no tempo como outro qualquer. A fracção se segundo em que se diz “sim”, ou na qual o nosso primeiro filho vem ao mundo, ou em que um ser amado exala o último suspiro: são esses os momentos que mudam as nossas vidas, não as badaladas d(um)a meia-noite."
Boris Starling em Messias

Há pessoas com o dom de passar ao papel exactamente o que todos sabemos.

Bem, além de pormos o contador a zero e criarmos expectativas inócuas, a passagem de ano é sempre ocasião para uma opípara jantarada e um feriado a seguir. Nada mau.

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

ANO NOVO: INFORMAÇÃO QUE NÃO INTERESSA A NINGUÉM


Estamos a acabar o ano de 2009, mas nem todos. Outros há que vão mais ou menos avançados na contagem, ou celebram o novo ano noutra altura:
Calendário Chinês: o calendário é lunar e o ano dura 354 dias (a cada 8 anos acrescentam-se 90 dias) e cada ano começa com uma lua nova, entre 21/1 e 20/2.
Para baralhar, há ainda o ciclo dos 5 elementos (ouro, madeira, água, fogo e terra) que combina com o ciclo binário (anos pares yang, anos ímpares Yin), perfazendo 10 anos, e com o ciclo animal de 12 anos, num total de 60 anos (o actual começou em 1984 com Rato de Madeira e acabará no ano Porco da Água).
Calendário Maia (ainda utilizado em algumas regiões): usa ciclos de 260 dias (tzolkin, que inclui 20 trezenas de 13 dias) e anos de 365 dias (haab, que inclui 18 vintenas de 20 dias e mais 5 dias sem nome, agoirentos, quando as pessoas não saíam de casa, nem lavavam ou penteavam o cabelo). Cada dia dos 2 calendários tem um nome e a cada 52 haab correspondiam a 73 tzolkin, perfazendo uma roda calendárica ou século – o people nunca sabia se o mundo acabava no final de cada roda ou se começava outra. ´
Mas os gajos ainda tinham a “contagem longa” a partir dum dia mítico, no ano 3114 a.c., e a contagem lunar. Uma confusão.
Ah, o calendário maia acaba a 21/12/2012, considerado o fim dos tempos: alguns cientistas apocalípticos prevêem nesse dia um alinhamento da terra com o sol e o centro da via láctea, onde há um buraco negro supermassivo, blábláblá...
Calendário Judeu: o ano dura geralmente 354 dias e acerta através de 7 anos bissextos com um mês extra, a cada 19 anos (há anos defeituosos de 353 dias, regulares de 354 dias e abundantes de 383 dias).
O calendário começou com “a criação do mundo” a 7/10/3760 a.c. Vão no ano de 5769 e estamos no mês de Tevet (os 12 ou 13 meses estão desencontrados com os nossos).
Calendário Juliano: até 46a.c., o ano tinha 10 meses e começava em Março (daí Setembro ser o sétimo mês, e por aí fora). Júlio César introduziu nesse ano 2 meses, Novembro e Dezembro, empurrando Janeiro (dedicado a Jano, Deus das portas, passagens, inícios e fins) e Fevereiro para o ano seguinte (45 a.c. ou 708 da era romana).
Augusto (em 8 d.c., embora ele não soubesse) impôs um ano bissexto a cada 4 anos, aproximando o calendário das estações do ano – é o calendário actual.
Calendário Gregoriano: em 1582, o Papa Gregório afinou o calendário Juliano, fez sumir 10 dias e fixou o início do ano a 1 de Janeiro. As novas regras foram adoptadas primeiro pelos obedientes países católicos e só mais tarde pelos outros (Alemanha em 1700, Inglaterra em 1751 pela Inglaterra, China em 1912, Rússia em 1918, Grécia em 1913).
Uma explicação do dia das mentiras: o rei de França declarou em 1584 o 1/1 como o início do ano, mas alguns franceses ainda comemoravam a data antiga: o ano acabava a 25 de Março, quando chegava a primavera, e as festas demoravam até 1 de Abril – os brincalhões convidavam os resistentes à mudança para festas nesse dia, festas que não existiam.
Calendário muçulmano: começa com a hégira, a fuga de Maomé de Meca para Medina, a 6/7/622 d.c.. Como o ano tem menos 11 dias que o nosso, hão-de nos apanhar. Cada ano começa a 1 de Muharram, e o nosso próximo 1 de Janeiro será 15 de Muharram de 1431 para os islâmicos.
Eu cá acho o nosso calendário mai’ simples. E toda a gente o conhece.

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

UM SANTO NATAL

Acabou o martírio. Feitas as compras e as sobremesas (coube-me fazer o pudim francês e ficar na looonga fila do bolo-rei sem frutas, que me faz sempre prometer que é a última vez), falta só mesmo o Natal com os "meus" durante as próximas 33 horas (somos 13, como na última ceia, mas em 2 mesas para não dar azar). Venha a bonança, e prendas, que me portei bem este ano.
Depois é ver se chego mais cedo que os outros ao papelão e, amanhã, pensar onde arranjo espaço para os brinquedos.
Uma prenda já temos: passou hoje a proposta de Obama sobre um sistema de saúde para os 30 milhões de americanos sem seguro. Não é a que ele queria e está muito longe do sistema de saúde europeu, mas já pode ir embora, que fica na história.

Deixo-vos um vídeo com 9 Davids Fonsecas e uma música pirosa, mas que lhe(s) deu um trabalhão.

Postal de Natal 2009 - Merry Christmas! - Videos David Fonseca

À Joana, à Fátima, à Margarida, ao Carlos, ao Luís, ao Nuno, ao João, ao Pedro, ao Paulo e a todos os que passaram por aqui, o meu brinde com vinho do Porto. Feliz Ceia e uma saraivada de prendas.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

NATAL DO PASSADO (M/30)

Estou agora a ler Oliver Twist. Bate certo com as séries da BBC que passaram há uns 25 anos na RTP, sobre a obra de Charles Dickens: há sempre crianças maltratadas e para lá de pobres, órfãos, adultos maus e exploradores com roupa andrajosa e cartolas sujas, trabalho insalubre, vielas escuras e húmidas, uma Londres imunda e fétida*. Não me lembro se já eram a cores, mas as imagens que retenho são em tons de cinzento e castanho.

Dickens criou outro livro adequado a esta época: escrito em menos dum mês, para pagar dívidas, o Cântico de Natal tem como protagonista Ebenezer Scrooge, um homem avarento (inspiração do Tio Patinhas) que odeia o Natal e é visitado por 3 espíritos, representando os natais passados, presentes e futuros. O 1º mostra o Scrooge miúdo que gostava do Natal, o 2º mostra o Natal pobre mas feliz do empregado de Scrooge, o 3º mostra a sua morte solitária.
Aqui vai um bocadinho de Natal do Passado (no final dos vídeos, há mais arqueologia gira, e os gatos a imitarem o "veio o cãozinho...").
Um bom Natal.





* A temática das suas obras tem um quê de auto-biográfico: Dickens teve uma infância mais que remediada, mas a família endividou-se, mudou-se para um bairro popular e, aos 12 anos, Charles colava rótulos em frascos de graxa, para sustentar a família que vivia na prisão de devedores (e onde ia dormir); a mãe não o retirou logo da fábrica, quando recebeu uma herança, o que enfureceu o petiz.

domingo, 13 de dezembro de 2009

Jantar de Natal obrigatório


Estamos na altura dos jantares de Natal dos empregos, onde convém comparecer. Uma amiga foi ao jantar da Câmara onde trabalha, porque “levam a mal” se faltasse.
No meu caso, foi almoço. Vários colegas explicaram a sua presença porque querem subir as suas más notas (necessárias à progressão na carreira), ou para "não sofrerem retaliações". Ao que chegámos...
Eu recuso-me a ir, como a maioria. Confraternização vem de fraterno, que pressupõe irmandade, afecto e união: 364 dias de chicote e 1 de cenoura é piada de mau gosto.
Pelo menos, este ano não insistiram para cada pessoa ir (no ano passado, um desculpou-se com a vinda dum amigo da Venezuela, disseram para levá-lo...), pois não havia “artista convidado” da direcção central e não era necessário mostrar a casa composta, em sinal de união.
Salvaguardadas as devidas diferenças, é como o marido que não estima a mulher, mas comemora o aniversário de casamento e ainda convida o chefe da repartição.

Como a mim calha aos pares, também falto a outro almoço de natal para o qual sou convidado. Há 9 anos, o administrador duma empresa (com a intervenção do comendador – há sempre um comendador envolvido – da Agros) conseguiu, por meios pouco simpáticos, que fosse “removido” do local de trabalho, pelo meu zeloso cumprimento da lei. Esse “saneamento” acabou por ser muito frutuoso, devia estar agradecido.
Mas a vida dá mesmo muitas voltas e deu-se o caso de sermos agora considerados inimigos pela mesma pessoa – o que, na sua mente, nos torna aliados e mesmo amigos (sic). Vai daí, tenho anualmente mais um convite a recusar.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

ANGÚSTIAS

Chegou hoje o Natal. Pelo menos assim o dizem as luzinhas já colocadas na CGD e os pinheiros chineses e respectivas toneladas de adereços à venda no Continente. Bem, a estrela cadente já tinha chegado, com o aumento na TV dos anúncios encadeados de brinquedos. Simpáticos, avisam com antecedência que é época de compras.

Sempre sofri de grande ansiedade pré-natal.
Em miúdo, era a expectativa durante semanas, em contagem decrescente para o melhor dia do ano, como um ladrão que risca a parede à espera do fim da pena.
Era a espera à janela da casa dos meus avós, ou o medo de me cruzar com o Pai Natal numa das esquinas dos seus 40 metros de corredor. Era palpar os embrulhos e tentar adivinhar o conteúdo, ou tentar espreitar à socapa sem rasgar o papel.
Curiosamente, as únicas prendas que me lembro são um fato de cowboy amarelo, aos 6 anos, e o Natal de 87, em que recebi um pullover Paul&Shark verde que ainda está como novo e um casaco à clown, que se usava na altura (anos mais tarde, partiram-me o vidro do carro no Porto para roubarem 2 casacos de ganga, mas deixaram esse - ainda me chamaram piroso!).
A última é pièce de résistance: em 92, namorados de fresco, dei à Susana 5 ou 6 prendas, ganhei em troca uma pistolinha isqueiro... Como lembrança, foi uma prenda bem sucedida.

Agora o Natal é a repetição, a cada 12 meses, duma correria em contra-relógio, numa mole de pessoas agitadas, a picar a lista de 33 pessoas a presentear (impressa a do ano anterior, com uma ou outra alteração), tentando encontrar um objecto que agrade minimamente ao destinatário. Confessem, a obrigação do ritual retira qualquer espírito fraterno ao gesto de oferecer algo de especial, pessoal e intransmissível. Balelas, é como ir ao supermercado, com um corredor bom para encher parte do carrinho (livros na FNAC).
Bem, recuso por agora pensar na despesa que será mais uma vez.

Mas o Natal é também sinónimo de falta de espaço, com as pilhas de brinquedos que terei que arrumar no quarto dos miúdos, sem que os mais antigos desapareçam.
A foto mostra um brinquedo de 1930 do meu tio-avô, um bocado de folha-de-flandres laranja, amolgada na forma dum chassis dum carro, com buracos no lugar dos vidros. Para chegar à minha mão, devia ser especial. Ainda que fosse normal, não tem nada a haver com os jipes telecomandados de hoje.
Mesmo há 30 anos, um forte de madeira do farwest, ou um jogo informático muito básico com um ponto branco e duas barras laterais (ténis pré-histórico, lembram-se?) era para uns poucos afortunados; agora, NÃO ter uma Playstation é quase violência doméstica, pois todas as crianças têm que ter o mesmo que os amigos, sob pena de desarranjo emocional.
Consequência, agora qualquer quarto de criança está pejado de plástico e pelúcia coloridos. Metros e metros cúbicos - e os miúdos ainda têm a lata de dizer “não sei a que hei-de brincar…” Que tal uma bola feita de meias ou umas tábuas e uns rolamentos, para montarem um carrinho?

A todos, feliz temporada.

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Toirada

É a segunda vez que me enviam este vídeo censurado, um pouco violento, e pô-lo neste espaço é uma (pequena?) PROVOCAÇÃO NUMA TERRA DE TOIROS.

Confesso que os problemas fracturantes e de costumes não me incomodam o suficiente para levantar a voz por qualquer das posições. Tenho opinião sobre o aborto, o casamento homossexual, a tourada, a regionalização, a legalização das drogas leves, o celibato dos padres. Mas nenhum dos temas me tira do sério, para manter ou alterar a situação, e reconheço argumentos sólidos nos 2 lados da barricada, na maioria dos casos.
Pegando no tema mais ligeiro, para quem não nasceu na lezíria: não me agrada o espectáculo desigual das touradas (tirando as pegas, quando o animal já está cansado e esvaído...), mas não acho que devam ser proibidas – tenho é a impressão que não duram muito, a sua abolição será apelidada de progresso civilizacional, adivinho.

Já agora, o que me ofende mesmo são coisas mais prosaicas: que um fulano ganhe 10 a 20 mil euros por mês - como o ilustríssimo governador Constâncio ou o reputadíssimo economista José da Silva Lopes – e tenha o topete de afirmar que nós trabalhamos de menos e ganhamos demais para o que fazemos. Não falta contenção salarial, falta vergonha na cara.