...e depois, com bigodes de leite, pedem mais paciência e esforço ao povo, que a "vaca 'tá seca".
Mostrar mensagens com a etiqueta Oráculo. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Oráculo. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

EU VEJO A LUZ


O governo vê sinais positivos na conjuntura.
É uma questão de dioptrias: eu também vejo uma luz ao fundo do túnel, mas não sei o que é: será uma fogueira dantesca, um TGV a vir contra o que resta de nós, um néon a dizer 'beco' ou '(à cautela) siga para o próximo túnel'?
Quando lá chegarmos, a rastejar, logo veremos.
.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

EFÉMERO OU REPETITIVO?


Tenho embrulhados em cartolina canelada os jornais (Diário de Notícias) dos dias em que os meus filhos nasceram. Resolvi repetir a 'piada' agora que nasceu o filho duns amigos.
Ia comprar outro diário, desta vez o Público, mas fui desaconselhado por uma eleitora do PSD desiludida - 'Queres dar a fronha do Passos Coelho?' Daí ter escolhido o Expresso, um semanário com notícias menos frescas, mas muito mais opinião.
No pequeno cartão, ficou "Pode ser que, em 2063, abras este envelope e aches graça às notícias deste dia, ou porque serão 'arqueologia', outra porque parecerão ironicamente actuais".
Foi com essa dúvida que li o jornal, o que se tornou um exercício curioso - que aconselho -, imaginar como será folheá-lo daqui a 50 anos.
Provavelmente, quase tudo o que enche as páginas e a pena dos cronistas, nessa altura, não interessará nem ao menino Jesus. Provavelmente, o petiz (já cinquentão) achará que a política pouco mudou, da mesma forma que o Portugal decadente de Eça parece incrivelmente actual. Provavelmente, os telemóveis publicitados serão uma anedota, comparados com os dessa altura, espessos como acetato e que só não descascam batatas.
E a curiosidade! Será que, quando o papel amarelecido for novamente manuseado (partindo do princípio que sobrevive até lá, e alguém lhe pega), o FMI não voltou mais vezes? Será que a alternância continua a ser entre o PSD e o PS, e alguém sabe quem foi o Cavaco? Será que dão certo as prospecções que o ministro da economia celebra e seremos produtores de ouro, gás e petróleo? Será que as vitórias do Sporting serão tão longínquas quanto são hoje as do Belenenses?


domingo, 24 de julho de 2011

O MUNDO A CAMINHO DO DIVÃ


O Mundo precisa de psicanálise - bem, não é o mundo todo, só o 1º mundo. Pistas?
Marc Auge é aquele antropólogo que crismou em 1992 a expressão "não-lugar" para definir os sítios enxameados de gente mas sem malha social que a relacione, como os aeroportos. Conta ele que a modernidade está em aceleração, o mundo mais pequeno e descentrado - sejam as cidades, cujo centro esvazia, sejam os lares, em cujo centro estão a tv e o computador, o que os liga ao exterior.
O escritor Philip Roth é mais apocalíptico, ao profetizar o fim da era literária: haverá leitores em cada país, mas como um culto, a generalidade das pessoas já não terá a literacia, o 'focus' e a concentração para ler 3 horas todas as noites e acabar um livro em 2 semanas.
A palavra que retive foi a (falta de) concentração. A minha amostra faz o favor da a confirmar: as crianças têm tantos estímulos que não fixam a atenção em coisa nenhuma - nós antigamente tínhamos 2 canais e víamo-los, elas agora têm 50 e nunca param, andam num constante zapping.
A minha filha tem mais livros que uma carrinha da Gulbenkian, já vai em 2 bicicletas, 2 trotinetas, 2 pares de patins, uma playstation, um gameboy e uma nintendo, com jogos que nunca experimentou; agora, quer uma psp3. E entedia-se, não sabe o que há-de fazer.
Cheira-me que a facilidade com que obtêm tudo o que querem, à 1ª ou à 10ª tentativa, terá o seu preço...
Embora cresçam mais depressa e saibam muito mais, e de muito mais coisas, que nós quando tínhamos a idade deles, os petizes são menos independentes e preparados: mais habilitados, mais polivalentes, mais adaptados a tecnologias (para nós, tecnologia era fazer um carro de rolamentos), com mais mundo, mas sem conhecerem a limitação, o esforço e a frustração, naturais no crescimento.
Há tempos, contava a uma amiga que esta gente chega aos 23 e têm um choque, quando não tiverem emprego - é que os actuais 27.8% de desemprego da população entre 15 e 24 anos (8.5% dos licenciados), não tende a descer. Resposta, "que bom, o meu marido é psicólogo com especialidade em depressão, vai ter muito trabalho".
No dia seguinte, bem a propósito, mandou-me um texto de Eliane Brum intitulado Meu filho, você não merece nada.
.

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

VÊ-SE MESMO QUE ÉS VIRGEM


Em cada Janeiro, os quiosques são inundados com revistas de horóscopos.
Não vejo horóscopos desde a década de 80, quando em todas as casas havia uma TVguia (para saber o que dava nos dois canais) e desconheço se quarta é um bom dia para fazer negócios e se quinta será propícia para cefaleias.
Afinal, porque razão os Sagitários haverão de ter joanetes em Outubro, mês onde terão “possibilidades de novos negócios”? Tre-ta.

Não perco um minuto a ver os signos nessas revistas. Simplesmente, se formos 7 biliões, não é possível que um/doze avos, i.e., quase 600 milhões de pessoas sejam parecidos.
Imaginem 2 pessoas que nascem no mesmo minuto, filhos do Jardim Gonçalves e dum agricultor nepalês - por terem a mesma carta astral ou as mesmas influências de Neptuno sobre Urano (se isso for possível, que não percebo do assunto), os fulanos vão ter um feitio igual, ou vão ter um acidente aos 13 anos, ou vão encontrar a cara-metade no em Julho de 2017?

Tá bem, os carneiros (que conheço) são todos teimosos, mas são teimosos porque nasceram em Abril?
Ah e tal, existem os ascendentes, existe o livre arbrítrio... assim estão explicadas as falhas de previsão e a diversidade de cada um. Tenham pachorra.
E já repararam que as listas de atributos dos signos são maioritariamente positivos? E há muitos atributos, alguns acertam mesmo.
Só me escapa como é que os Sagitários conseguem ser “hipócritas” e bonitos por dentro”, ao mesmo tempo.

Pá, lá por ter nascido em Setembro, não tenho que ser “conservador e pessimista, argumentativo, com horror ao caos, prático, terra-a-terra, pragmático e exigente”. Por acaso é verdade. Repito, por acaso.

E depois há outros zodíacos, onde já não interessa o mês, mas o ano. Há quem faça combinações e aproveite para chamar um gajo de porco virgem.

E eu não quero entrar na leitura das linhas das mãos ou em tarot, onde o futuro depende do sítio onde partimos o baralho. Isso dava pano para mangas.