...e depois, com bigodes de leite, pedem mais paciência e esforço ao povo, que a "vaca 'tá seca".
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quarta-feira, 8 de outubro de 2014

HABITUEM-SE

Fui parabenizado com uma bicicleta e, por razões que não atinjo, a ideia de fazer qualquer tipo de exercício foi assunto de chacota em vários fora. Adiante.
Resolvi dar umas voltas com os miúdos por ruas com carros, uma novidade para quem está habituado a circular no jardim ou no adro da escola. 
O facto do meu filho quase ter sido abalroado 3 vezes, à conta de mudanças súbitas de rota (e fde faixa), fez-me pensar que a iniciativa devia ter acontecido há muito tempo - com a idade da mais velha, já eu cruzava a minha terra toda de bicicleta ou (fugindo à GNR) de motinha com rodas xxs, acendia o fogão (com fósforos, uhhhh) e descascava as maçãs, sem ser só para 'experimentar'. Veja-se a temeridade, até montava carrinhos de rolamentos com martelo e pregos. 
A explicação 'eram outros tempos' cheira-me a insuficiente, as crianças são tão autónomas quanto as fazemos. Ontem, uma mãe relatou-me uma conversa telefónica com a filha de 12 anos, que queria ir da escola para a explicadora, 3 minutos a pé:
- Estou...
- Mãe, podes levar-me à explicadora?
- Agora não posso.
- Mas está a chover.
- Isto é uma chuvinha molha-tolos!
- Mas eu nunca apanhei chuva...
- A culpa é minha, pelos vistos está na hora de mudar isso. Põe-te a mexer e, já agora, não abras o guarda-chuva, experimenta a sensação e vais ver que não te acontece nada de mal.
I rest my case.  

terça-feira, 10 de abril de 2012

QUERIDA, OS MIÚDOS CRESCERAM


Já aqui falei nela. A Carla de Braga tem filhos bem mais velhos que eu, e olha para as minhas crianças com nostalgia. 'Aproveita enquanto podes', repete sempre.
Reencontrei-a há dias. Diz que ela e o marido estão a reaprender a ser independentes: voltaram a ir ao cinema, já foram a um bar e jantar fora - tendo combinado não falar dos miúdos, estiveram a primeira 1/2 hora calados.
Disse mais, a garota tem 16 anos e ainda faz alguma companhia, o rapaz já tem 20 e 'pagamos-lhe para ir dormir a casa'. É isso mesmo, tem cama e roupa lavada, com mesada incluída.
Contou que o dito agora tem uma banda, e perguntei:
- E qual é o estilo?
- O estilo é horrível!!!, foi a resposta. Para explicar, o mais próximo que encontrou foram os urros cavos dos Moonspell.

E o pai? O pai já pôs na pasta da reciclagem as suas (e minhas) lembranças de condução 'alterada', faz esperas ao filho e dá-lhe sermões sobre guiar depois de consumir algumas substâncias: 'Olha, eu não tenho dinheiro para comprares ganza. Eu nunca gastei um euro com isso, não vou agora pagar-te a ti'. A escolha das palavras foi assaz criteriosa, de facto nunca comprou. Faz lembrar o Clinton, que fumou mas nunca inalou.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

EDUCAÇÃO É...

Abraham e o filho Thomas, 02/1864

Circula na net uma carta alegadamente escrita por Abraham Lincoln em 1830 ao professor do seu filho.
Acontece porém que o primeiro rebento de Lincoln nasceu em 1843.
De qualquer forma, a suposta missiva tem o seu interesse. Ei-la.

"Caro professor, ele terá de aprender que nem todos os homens são justos, nem todos são verdadeiros, mas por favor diga-lhe que para cada vilão há um herói, que para cada egoísta há também um líder dedicado, ensine-lhe por favor que para cada inimigo haverá também um amigo, ensine-lhe que mais vale uma moeda ganha que uma moeda encontrada, ensine-o a perder, mas também a saber gozar a vitória, afaste-o da inveja e dê-lhe a conhecer a alegria profunda do sorriso silencioso, faça-o maravilhar-se com os livros, mas deixe-o também perder-se com os pássaros no céu, as flores no campo, os montes e os vales.

Nas brincadeiras com os amigos, explique-lhe que a derrota honrosa vale mais que a vitória vergonhosa, ensine-o a acreditar em si, mesmo se sozinho contra todos.
Ensine-o a ser gentil com os gentis e duro com os duros, ensine-o a nunca entrar no comboio simplesmente porque os outros também entraram.
Ensine-o a ouvir todos, mas, na hora da verdade, a decidir sozinho, ensine-o a rir quando estiver triste e explique-lhe que por vezes os homens também choram.
Ensine-o a ignorar as multidões que reclamam sangue e a lutar só contra todos, se ele achar que tem razão.
Trate-o bem, mas não o mime, pois só o teste do fogo faz o verdadeiro aço, deixe-o ter a coragem de ser impaciente e a paciência de ser corajoso.
Transmita-lhe uma fé sublime no Criador e fé também em si, pois só assim poderá ter fé nos homens.
Eu sei que estou pedindo muito, mas veja o que pode fazer, caro professor."
Abraham Lincoln, 1830

sábado, 24 de setembro de 2011

VIDA SOCIAL



Estúpido!, chamou-me a minha filha, a propósito de qualquer coisa, quando eu saí da sala. Voltei atrás e dei-lhe umas furiosas nalgadas, como um metrónomo, enquanto ensinava "é-a-úl-ti-ma-vez que me chamas nomes, 'tás a ouvir?".
Mandei-a googlar e copiar o significado de respeito.
Assim escreveu "1. sentimento que nos impede de fazer ou dizer coisas desagradáveis a alguém; 2. Apreço, consideração, deferência, obediência, submissão, temor, medo; 3. Temor do que os outros podem pensar de nós" (não sei explicar melhor, mas parece-me uma má tradução da palavra).
- Percebes o que escreveste? A tua tia não tem filhos e vai para o Brazil e para a festa da cerveja de Munique, sai à noite, vai ao teatro e ao cinema; nós escolhemos ter filhos, ganhamos umas coisas e abdicamos de outras por vocês, tás a ver? Agora, não somos iguais, eu devo criar-te e tu deves-me respeito, ok?
Espero que a troika apertão-redacção-sermão tenha servido...
A seguir, fui deixar os miúdos a casa duma amiga, para almoçar, e fui comprar uma prenda para um aniversário a que ela vai hoje. À minha frente na fila encontraram-se 2 amigos, que carregavam livros infantis:
- Olha, vim comprar um livro para o Rui levar a um aniversário.
- Pois. Eu estou na volta dos sábados de manhã, a comprar prendinhas para as festas da Rita. Levei-a agora a um teatro, tenho que ir buscá-la para ir almoçar com amiguinhas e à tarde tem outra festa... e amanhã outra.
É, os membros das famílias com a agenda social mais preenchida são os que ainda não têm carta de condução - curiosamente, geralmente são eles que 'conduzem'.

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

A MÃE É QUE SABE... POR ENQUANTO


Ó MÃE, DÁ-ME A TUA OPINIÃO:
EU GOSTO MAIS DE ISCAS OU DE PERÚ?

Ouvi isto há dias, da boca duma menina de 9 anos. Haverá confiança maior?
Pena que seja provisório, presumo que daqui a uns 5 anos a palavra de mãe não tenha (a mesma) sabedoria.

segunda-feira, 27 de junho de 2011

TÁ UMA MENINA


A minha boneca acabou a primária há dias, e agora vai para o ciclo.
Podia escrever que o tempo passou numa penada, "que me lembro dela assim", afastando as mãos dois palmos. E não faltava à verdade.
Mas também podia escrever o contrário, passaram muitas coisas, muitas "viroses", muitos aniversários, muitas viagens, muitas T-shirts. A primeira sopa (começamos mal), a primeira palavra, o primeiro dente (vieram mais 27 de leite e uns 8 definitivos, sendo que metade de dois deles ficaram num poste que "veio contra ela"), o primeiro passo, a última fralda, a bicicleta sem rodas, a junção das letras, os patins, o karaté, o futebol, o cavalo, a natação, o ténis, a escola. Etcaetera.
Lembramo-nos mais facilmente da história do filho mais velho, por 2 razões: a história dos outros é sempre partilhada, e as suas primeiras coisas acontecem pela pela segunda vez.
Bem, não interessa para aqui o inventário. Acontece que a miúda teve direito a um canudo e uma cartola, por acabar a primária. E já vai na segunda, teve outra cartola quando "acabou" a creche - já me ultrapassou, e não fica por aqui: por este andar, e se tudo correr bem, ainda recebe uma cartola por acabar o ciclo, outra pelo secundário e mais duas na faculdade bolonhesa, pela licenciatura e pelo mestrado. Uma chapelada.
Muito precoce? Estamos a falar duma criança de 10 anos, prester a receber o seu primeiro telemóvel (não vá ficar incontactável na escola do outro lado da rua...), que nunca passou uma rua sem vigilância parental.

quinta-feira, 14 de abril de 2011

- RECENTE


Tive hoje uma conversa engraçada (pretensão a minha!). Perguntei a uma colega que esteve em Inglaterra como se dizia mestrado em inglês.
Quis saber se me referia aos mestrados incluídos no curso (depois da bolonhesa, estragaram tudo!). "Não, é daqueles antes de Bolonha, que eu já sou antigo", disse eu na brincadeira.
De imediato respondeu, de forma sorridente, "eu sei que és antigo".
- Epááá, uma coisa é eu dizer, outra coisa és tú!, repliquei em voz de falso ralhete.
Facto: deve ser uns menos 10 anos que eu; é uma questão de perspectiva.
Facto: há coisas menos cruas quando diz o próprio, como a idade.

Telefonou à mãe e disse-me que é master. Soa a harry poter.
. 

quarta-feira, 6 de abril de 2011

DE BOAS INTENÇÕES ESTÁ O INFERNO CHEIO


Passos Coelho prometeu ontem que, quando for PM, todas as nomeações serão publicadas na internet, em favor da transparência. Eu acredito que ele acredita no que está a dizer, acho é que, quando lá chegar, muito boas promessas vão ficar pelo caminho.
Mas quem sou eu para atirar pedras a telhados alheios?

A minha única experiência electiva foi em 1987-88. Cheguei ao café (Classic) e uns amigos disseram: estivemos a falar e resolvemos candidatarmo-nos à associação de estudantes, queríamos que fosses o presidente. Consciente do meu défice de popularidade, achei melhor ficar como vice, e propus a minha irmã (finalista) para cabeça-de-lista. 
A eleição foi parecida com o duelo Soares-Freitas dois anos antes: passámos "à rasquinha" à segunda-volta, mas batemos a lista K no photo-finish. Lembro-me pouco da "nossa" gestão - tenho ideia que o nosso gabinete ficava por baixo dumas escadas -, mas que saí uns meses depois.
É certo que, para a vitória, talvez tenha tido influência o facto da lista concorrente ter candidatos e a base de apoio nas freguesias rurais, ou o facto da lista B, derrotada na primeira volta - entre muitas lágrimas e enquanto se arrumavam os boletins - ter declarado o seu apoio ao nosso 'projecto'. Tudo bem.
Mas o trunfo da campanha foi a promessa de trazermos os Xutos & Pontapés (ainda em fase de crescimento) à escola. Mas nós acreditávamos que era possível, bastava arranjarmos uns, sei lá, cem contos!
Não sei se chegámos a saber o valor certo do cachet, mas a legislatura passou tão depressa...
.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

AINDA NÃO!!!



Tá tudo a bater nos quarenta. Taça-taca-taca, uns atrás dos outros. Às dezenas, neste ano e no próximo, a sair dos trinta, em que somos só “crescidinhos”, uns pós-jovens a quem se ainda desculpam os disparates. O que vale é que vamos acompanhados.
Na verdade, tem a mesma importância da passagem do ano, é só mais um dia: não acordamos com “cruzes” ou cãs. Mas não deixa de ser um selo (de lacre, digo eu), uma passagem, um número sonante – é um número demasiado drástico para a idade que eu tenho...
Aos 40, é oficial e irreversível: somos senhores – embora não o sintamos ou ainda não nos apeteça sê-lo. Devo dizer que, assim de repente, não sei onde estará a ternura dos quarenta: mais uns pozinhos e metade já cá canta, ou adaptando Mário de Andrade, temos tanto passado* quanto futuro. E menos tonicidade cutânea, já agora.
E não venham com a história da sabedoria, razão tem Tom Sheppard, “penso que a idade é um preço muito alto que temos que pagar pela maturidade”.
E dadas tantas as decisões que já tomámos – a dedicação na escola (a primeira e mais importante escolha), aquele curso, aquele primeiro emprego (ou a recusa dum outro), viver naquela terra, casar naquela altura com aquela pessoa, ter filhos –, é caso para dizer alea jacta est, os dados foram lançados! E fica sempre o SE, pois apenas uma pequena mudança na rota podia ter resultados irreconhecíveis, um professor obeso de Viseu podia ser hoje um espadaúdo médico na Somália. Quem viu os filmes “O efeito borboleta” ou “Duas vidas” compreende o que quero dizer.
Enfim, dá para perceber que não me está nada a apetecer. Há dias esteve cá em casa um miúdo que suspirava “faço anos em Novembro, falta tanto…” e eu respondi “eu faço 40 daqui a um ano e falta tão pouco, deixa o tempo correr devagarinho”. Ninguém tá bem com a sorte que tem.

* Quantas vezes dizemos entre amigos “não te lembras de…” e é algo com quase um quarto de século, uma boa talhada de tempo?