...e depois, com bigodes de leite, pedem mais paciência e esforço ao povo, que a "vaca 'tá seca".
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segunda-feira, 2 de outubro de 2017

DESTA VEZ, NÃO GANHARAM TODOS


Costuma-se dizer que, nas autárquicas, todos ganham, mesmo perdendo. Esta vez foi um bocadinho diferente, mas ainda assim:
Houve 308 vencedores, mas alguns deles perderam votos e maiorias, como Medina, o que lhe amargou a noite.
Moreira ganhou, mas 'cavacou' com um discurso vingativo. Pior que a acidez dum derrotado (vão-se arrepender, disse Jerónimo aos eleitores trânsfugas), é a acidez dum vencedor.
O PS deu uma abada, ponto final parágrafo (o país está enamorado dele, sim, e há um padrão nos resgates: um partido passa por ele, mesmo sem ser responsável por ele, o outro partido ganha a seguir, há retoma e ganha de novo, com maioria). Problema, não festejou como deve ser, para não insultar o aliado vermelho. Aliás, assobiou para o ar e fez de conta que não se passou nada.
O PSD  ganhou 98 câmaras, perdeu 8 no total, tem o pior resultado de sempre e saíu humilhado nas 2 'capitais'. Por más escolhas, porque Passos nunca aceitou ser atirado para a oposição e porque ninguém gosta dum aprendiz de Cassandra, para mais um agoirento que não acerta (pelo menos no calendário).
O PCP ganhou 24 câmaras, perdeu 1/3 das suas câmaras (nunca teve tão poucas) e percebe que sobreviveu durante 40 porque resistiu a misturas com o PS. Um abraço de urso que vai ter consequências delegadas nos sindicatos.
Lá para trás, o CDS chegou à meia-dúzia de micro e pequenas câmaras. Cristas roubou a maioria ao PS e teve um resultado maravilhoso para a sua escala; a segunda, ou primeira dos últimos, pulou mais que o presidente eleito com o dobro dos votos. Claro que a maioria destes foi emprestada e volta à procedência logo que o PSD arranje um candidato mediano.
Portas ganhou porque a sua decisão de sair foi acertada, perdeu porque Cristas mostrou isso mesmo a bold.  
O BE não tinha nada para perder, e assim continuou. Elegeu um vereador em Lisboa e bebeu espumante, talvez 'venda' caro a maioria a Medina, mas apanhou um susto: o que viu acontecer ao PCP é uma antevisão do que lhe pode suceder nas legislativas. 
Os partidos minions ganharam onde se puseram às cavalitas ou na lapela dos vencedores (o NC ganhou 1 câmara com um dissidente laranja).
Em Oeiras,  ganhou Isaltino e perdeu-se qualquer coisa importante que não sei precisar.
Inês de Medeiros ganhou a câmara de Almada, mas ninguém a avisou que isso podia acontecer. Estava-se tão bem no Inatel....

segunda-feira, 25 de setembro de 2017

NÃO COMES A SOPA, CHAMO O SÍRIO


O partido alemão eurocéptico e anti-imigração recebeu um em cada 8 votos. O resultado não  é só um susto, foi por susto.
Primeiro, não os chamemos logo de estúpidos, lembremos o provérbio inglês 'não julgues um homem sem andar uma milha com os seus sapatos'. Caso o nosso rectângulo interessasse a alguém e viesse aí uma horda de emigrantes, sendo a maioria muçulmana, ou caso fosse mais despesa que receita, se calhar havia muita gente respeitável a, no segredo da cabine, votar num qualquer pnr cujo slogan fosse Portugal para os portugueses, ou Portugal uber alles.
Posto isto, ou eu ou esses 13% estão equivocados: a Alemanha é um dos países que mais lucra com o mercado único e, distanciada, com o euro; o resgate dos países 'calaceiros' foi em boa parte o resgate dos bancos alemães credores; a Alemanha é rica, está próxima do pleno emprego e envelhecida, não só pode como precisa dos imigrantes.
Há dias, li uma crónica onde um alemão dos Alpes dizia que ia trocar o SPD pela AfD (Não caçam votos só à direita, são transversais como a Marine), por causa dos imigrantes - perguntaram-lhe se já tinha visto algum por aquelas bandas, disse que não....
Lá terão as suas razões para votarem assim, mas eu suspeito que acreditam no papão!
Mas quem sou eu para julgar, não uso calções tiroleses.

quarta-feira, 21 de outubro de 2015

(A)PARIÇÃO DUM NOVO GOVERNO

 

 

'O novo arco da governação' estreia brevemente,
num parlamento perto de si.  A última produção de
Monstros & Cª é uma saborosa combinação
de sustos e gargalhadas, a não perder.


'Quem quer casar com a carochinha?',
ouve-se no Largo do Rat(ã)o.
 

quinta-feira, 15 de outubro de 2015

LALALAND


Há por aí muita gente com um sonho húmido, o da união das esquerdas.
Essas núpcias podem acontecer? Não só podem, como devem experimentar, é um cenário perfeitamente legítimo (mais natural que um branco de carapinha) e esse ménage à trois tem uma vertente lúdica deliciosa: depois duma lua-de-mel a 3, com morangos com chantilly (a revogação das taxas moderadoras dos abortos) e peanuts (a aceitação da nato), virão os escolhos domésticos – uma das partes não vai querer ser o membro passivo da relação.
O PS (com um cinto de castidade chamado défice) terá que tirar o lápis da orelha e fazer contas, pois sabe que para governar a casa pode gastar pouco mais do que recebe – a austeridade é austeridade, à direita ou à esquerda, mesmo com lingerie – e ainda atender o telefone à sogra intrometida na privacidade do casal, que vive em Bruxelas e é fiadora da casa. E, no recato do lar, não pode satisfazer os parceiros, que têm ciúmes um do outro e o aguentam preso por 2 suspensórios…
Para evitar o divórcio, o BE e o PCP terão que syrizar, aceitando o que odeiam, indo contra a sua natureza, revogando o irrevogável e contentando-se com uns Mon Cheri (até quando? suspeito que não cheguem a celebrar as bodas de algodão). Nada como governar a casa para cair na real – isto não é a Lalaland –, perder as peneiras do 'ah, se fosse eu...' e saber o que é bom para a tosse.
Só por isso, valia a pena. Se o jogo fosse a feijões, mas não é... voltando à onírica imagem inicial, o país ainda acorda com a cama molhada.


domingo, 25 de janeiro de 2015

AND NOW, FOR SOMETHING COMPLETELY DIFFERENT (?)

 
O axioma medieval 'Graecum est, non legitur' (é grego, não se lê) nunca fez tão pouco sentido como hoje, as eleições gregas interessam a todos.
O povo decidiu, está decidido. Como disse Pedro Mexia, a Grécia é aquele que entra primeiro no quarto escuro e vai batendo com as canelas nos móveis, os seguintes já vão menos às cegas. Foi assim com o resgate, é agora com a eleição da esquerda radical, cada vez mais moderada, por realismo ou tacticismo, seja na suspensão unilateral do pagamento da dívida e negociação para o seu cancelamento (impagável, mesmo após o perdão de metade dela, em 2011), na saída da OTAN, na nacionalização da banca (tudo no programa de 2012) e na crença do euro, que nem sempre existiu – Lafazanis, líder dum dos partidos do Syriza, quer mesmo o abandono da moeda.
Facto é que só o desespero conduziu a esta solução, um último ‘cartucho’ usado mais por cansaço que com entusiasmo: o Syriza passou em 5 anos de 4,6 para 36% (enquanto o socialista Pasok desceu de 43,9 para 4,8%) porque o que há não serve e, pensam os gregos como o Tiririca, pior que está não fica.
Ganhar foi o mais fácil. Agora se verá se a Coligação da Esquerda Radical honra o cartaz de 2007 e torna possível o impossível, ou cai na real – não espere que lhe continuem a emprestar dinheiro no dia em que decida não pagar o que deve, sem primeiro convencer os credores (os outros europeus) que isso também lhes interessa, e sem que estes imponham condições… austeras.
Talvez mais cedo que tarde, Tsipras (acossado pelos seus companheiros mais puristas, os falcões desagradados com um governo ‘redondo’) não consegue aumentar salários, pensões, apoios sociais e investimento sem cortar noutras despesas ou aumentar receitas, e descobre que o seu possível é impossível para os gregos.
Se correr bem, é bom para os gregos (e alumia os que vêm atrás, no escuro); se correr mal, é vacina para as outras quimeras radicais europeias.

* conta a lenda que Ariadne, filha do Rei Minos, deu um novelo de linha ao seu apaixonado Teseu, quando este entrou no labirinto do Minotauro, para ele conseguir achar o caminho de volta. Na Lógica, o fio de Ariadne consiste na escolha duma alternativa não marcada como fracassada e segui-la logicamente até onde for possível; se não resultar, volta-se à última decisão tomada, que se regista como fracassada, e tenta-se outra opção. Caso não exista, anda-se para trás até encontrar uma decisão com alternativas e segue-se por uma delas. Está visto, a solução para a Grécia sair do buraco é a mitologia e algoritmos.

domingo, 25 de maio de 2014

RESCALDO


O VENCEDOR DÁ PONTAPÉS NA BALIZA
E OS DERROTADOS FSTEJAM NO BALNEÁRIO. 
 
1. Era esperado que o PS desse uma abada. Foi um erro primário, esquecer que os portugueses estão danados a ponto de, em vez de optar pelo challenger, também ele com culpa no cartório (mas fá-lo-ão quando for 'a doer'), escolher Marinho e Pinto, um Pepe Grilo sisudo.
2. Já o Livre, esquecido na noite eleitoral (porque esquecido nas urnas), não saltou fora dum nicho bem pensante. Mas fez mossa, ele e o MAS ajudaram a sua nave-mãe, o BE (10,7% em 2009, perdeu agora 230.000 votos), a continuar em refluxo. Pelo contrário, o PCP aproveita a abstenção, que toca aos outros e não chega ao seu eleitorado fiel (é fazer as contas, os votos podem ser os mesmos, mas valem mais) e ainda ganha mais 30.000 votos.
3. Só um em cada 3 eleitores recenseados foi a jogo; desses, 1 em cada 13 não escolheu ninguém do cardápio - 250.000 brancos e nulos que não passam sequer no rodapé das televisões, mas têm bem mais significado que a abstenção: embora a preguiça e o resultado sejam diferentes (o estardalhaço da abstenção é proporcional à sua dimensão), a mensagem é parecida: nenhuma das 16 propostas mereceu (a deslocação e) o seu voto. Ergo, lá os políticos entristecem momentaneamente com a falta de comparência do povo, e nada muda, até à próxima 'tristeza' pós-eleitoral.
4. Dos que foram à cabine, 4 em cada 10 não votou nos 3 partidos que têm governado. Confirma-se, as eleições europeias são aquelas em que se vota por gosto - só lá vai quem tem mesmo vontade, e escolhe-se quem apetece mesmo, sem qualquer intenção de utilidade, um considerando que pesa nas outras eleições.  
5. O resto, business as usual: o PS congratula-se com a 2ª vitória seguida e diz que os 2 partidos do governo levaram uma coça (tiveram juntos 40% em 2009, 'só' mais 516000 votos), estes dizem que venceu a abstenção e que a vitória do PS é poucochinha; Rui Tavares não foi eleito, mas encontrou um motivo para regozijo, nunca um debutante teve tantos votos; Marisa Matias diz que o BE atingiu o seu principal objectivo, manter uma representação em Bruxelas, mas o resultado não foi bom porque falhou a eleição do 2º deputado (pormenor, eram 3, até hoje). De facto, o vencedor absoluto por pouco não aparece no 'a descer' dos jornais, o 3º e o 4º vão aparecer nas manchetes de amanhã.


 

quinta-feira, 17 de maio de 2012

VAMOS NESSA, VANESSA?


As sondagens dão 35% ao Syrisa, pelo que a Grécia habilita-se a ser governada pela esquerda radical. Anda para aí muito cidadão a rejubilar com essa hipótese.
Facto: foi a incompetência e a fraude estatística do Pasok e da ND que atiraram os gregos para o buraco, essa solução parece esgotada.
Facto: o Syrisa nunca governou, pelo que tem as mãos limpas, e propõe uma alternativa de ruptura à agonizante situação actual - é uma hipótese.
Facto: o Syrisa quer aliviar a austeridade (e bem), começando por rasgar o plano que o país assinou com a troika.
Até aqui tudo bem. Mas há o risco da Grécia acabar por sair do euro (moeda que 80% dos gregos quer manter), provocando uma fuga de capitais, uma desvalorização mortal do novo dracma... e a bancarrota. Além disso, a Grécia precisa de dinheiro, que não tem, e ninguém empresta a alguém que já teve um perdão de metade da dívida e que não dá garantias de cumprir o acordado.

Ainda assim, porque não experimentar? Nunca a expressão 'pago para ver' se aplicou tão bem, é que se correr mal (forte probabilidade), pagam os gregos e nós também.
Não havia problema se, comprovando que não funcionava, os gregos pudessem carregar no botão rewind e voltar atrás. Também o 505 forte é uma alternativa para um homem desesperado, mas se depois não houver céu, já não dá para retroceder.  

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

A MADEIRA É UM JARDIM


Alberto João Jardim é presidente do governo madeirense desde 1978. Ganhou sempre por uma cabazada: 65.33% em 80, 67.65% em 84, 62.36% em 88, 56.86% em 92, 56.87% em 96, 55.95% em 2000, 53.71 em 2004, 64.24% em 2007.
O próprio fica confuso, a ponto de parafrasear Luis XIV, dizendo a uma jornalista l' état c'est moi. Não é desplante, é democracia.
Desta (e última!) vez, habilita-se a ganhar de novo absolutamente.
Com a receita de sempre, à Pinto da Costa: inventar inimigos que querem prejudicar os ilhéus (a biografia oficial diz que cumpriu serviço militar como oficial de acção psicológica no EME...). E ofendê-los de forma brejeira - chamar Senhor Silva a Cavaco ou loucos aos deputados regionais são 'peanuts', para quem disse que os jornalistas do continente são bastardos, para não lhes chamar filhos da puta (sic) e a outros mandou fuck them -, tudo ao microfone.
O príncipe da poncha ganha à pala dos 'romanos', mas também da obra, 30 anos que transformaram um arquipélago atrasado - é verdade, mas há alguma região que não esteja a milhas de 1977?
E a que preço? Patrocínio do jornal oficioso, eliminação do porte pago de jornais rebeldes, emprego público de boa parte da população, obras faraónicas ao abandono (um heliporto que nunca funcionou, uma marina sem um barco, restaurantes encerrados,...), ascendente sobre as grandes empresas regionais, uma dívida colossal omitida em legítima defesa.
Mário Soares disse uma vez que o povo português sempre foi sábio no momento do voto. Não sei se concordo. Apenas acho que o povo escolhe o que quer e calha ter o governo que merece.

segunda-feira, 6 de junho de 2011

E O VENCEDOR É...


...Miguel Leal, quem melhor conhece as "massas" populares e, assim, feliz contemplado com um jantar no Cocharradas. No geral, os resultados foram mais extremos que as previsões, e nenhum dos áugures acertou em 3 dos partidos. Nem as sondagens. Não que estivéssemos errados, havia muitos que decidiram nos últimos dias, e massivamente num sentido.

Prognóstico no fim do jogo:
PSD: destacou-se apenas quando amordaçou o Catroga, o Moedas e o Relvas, e abandonou medidas concretas, dizendo o que ia fazer (despedimentos sem justa causa, privatizações...) e limitou-se a criticar o que o PS fez. Parte dos votos foram de rejeição do governo, portanto demérito do adversário. Subiu meio milhão de votos. Melhor em Boticas (67,85%), pior em Aljustrel (13,45).
PSespalhou-se ao comprido e muitos socialistas ficaram em casa. Sócrates disse, há 6 anos, "se fizer o que devo, não sou reeleito". Desceu 8% em 2009 e outro tanto agora, mas não pelo que fez bem. Perdeu meio milhão de votos e teve o pior resultado desde 1987. Melhor em Vizela (50,6) e pior na Calheta (5,58).
CDS: o factor novo que não foi. Subiu 60 mil votos, teve o melhor resultado desde 1983 e vai para o governo, mas tem um sabor amargo na boca: a relação com o PSD não ficou 1:3, mas 1:3,4 e foi vítima do voto útil, chegando a descer em 6 distritos, incluindo Aveiro - contudo, o voto ficou mais urbano e teve quase 15% em Lisboa, imagine-se. Melhor em Ponte de Lima (22,94) e pior em Pampilhosa da Serra (4,58).
CDU: mais uma vitória, como sempre. Menos votos que há 2 anos, mas aguentou quase todo o eleitorado e  subiu 8 centésimas graças à maior abstenção, o que lhe valeu mais 1 deputado. Melhor em Avis (43,04), pior em Sernancelhe (0,95).
BE: perdeu metade dos deputados e quase metade dos votos (270 mil). Depois de vencidas as batalhas dos direitos civis (aborto, casamento gay...), passou a ser uma jota cê. O que a diferencia agora do PC, excepto a história e os países "irmãos"? O problema é que a direcção do bloco está mais à esquerda que o seu pretenso eleitorado (algum vindo do PS e que agora votou branco), que acha a ajuda externa inevitável, e não compreendeu a recusa em participar nas negociações. E o apoio a Alegre abriu vasos comunicantes, mas no sentido oposto ao desejado. Melhor na Marinha Grande (9,77) e pior no corvo (0,51).

P.s.: Muito bom discurso de Sócrates, na hora da despedida. Vê-se que o texto do teleponto demorou muitos dias a ser trabalhado. Daqui a uns meses, o (suado) militante de base arranjará emprego numa administração qualquer. Não se preocupem, por uma vez, ele tem curriculum.
P.P.s.: Ontem, durante a noite eleitoral, os facebookers mostraram o seu (des)interesse, e preferiram trocar fotos do perfil, falar de pepinos espanhóis e de espectáculos de acordeão. Vá, se calhar têm razão, a política já farta e não traz boas notícias...  
.

FUTURO SORRIDENTE


Agora sim, avizinham-se tempos de bonança, com a nova governação.
Como tenho dito, com o Portas no governo a agricultura vai florescer, as hortas vão medrar, os jardins vão acordar searas, as floreiras vão dobrar nas varandas, com o peso das corolas. Portugal será, num ápice, o maior produtor de lichias a nível mundial, "vão vir" charters de chineses todas as semanas, para aprender connosco.

A sério, o pior ainda vem aí, um garrote inédito dos portugueses e uma contestação social nas ruas como não há memória.
A gente aguenta, desde que:
- o esforço não seja em vão, i.e., o défice diminua e a dívida seja controlada, sem martelar de contas;
- haja liderança pelo exemplo, i.e., acabem sinecuras, reduzam os rodos de viaturas, assessorias, consultadorias, inaugurações, nomeações "amigas", cartões de crédito, institutos ininputáveis e empresas públicas - o esforço deve começar por cima, não quero um país de Migueis Relvas e reputados economistas com 3 pensões e 17 assentos em conselhos de administração, a dizer que o povo tem que gastar menos.
- não fique ninguém de fora e o contributo seja proporcional.
Em 2 palavras, que haja PUDORaccountability, que podemos traduzir por prestação de contas.
E já agora, que o povo olhe para o Estado com menos esperteza saloia: não fraccione despesas de dentista para duplicar o ADSE, passe e exiga facturas, não peça apoios sociais a que não tem direito, repudie as cunhas (e abdique das suas), não prefira estar desempregado, não espolie o erário em contratos públicos, não use o telefone do serviço para ligar para a irmã do Luxemburgo.

Crise é sinónimo de oportunidade, esperemos que a atrofia sirva para alguma coisa.
Até lá, durante uns anos, Portugal vai submergir.
Graças a Deus, temos lá um perito em submarinos. 

sábado, 4 de junho de 2011

EU SEI QUE NÃO APETECE


NÃO HÁ NADA DE ERRADO
COM AQUELES QUE NÃO GOSTAM DE POLÍTICA,
SIMPLESMENTE SERÃO GOVERNADOS
POR AQUELES QUE GOSTAM. *
Platão

NEUTRO É QUEM JÁ SE DECIDIU
PELO MAIS FORTE.
Max Weber

Eu sei que não apetece, sei que votar parece que não adianta porque estamos num caminho de via única, a descer e independente do ganhador.
E sei que, como disse Drummond de Andrade, "um partido político é um agrupamento de cidadãos para a defesa abstracta de princípios e a elevação concreta de alguns cidadãos".
Sei isso.

Mas também é verdade que não vale criticar o tempo todo, engrossar manifestações de protesto e, quando (apenas) episodicamente a nossa opinião conta, recusemos participar - malta da geração à  rasca, não ousem baldar-se!
E sei que, embora pareça, os 12 ou 13 partidos não são todos "iguaizinhos", há muita escolha. Mesmo para eleger um deputado do nanopartido, em vez do 98º do partido grande. 
E sei que não estamos condenados a ter sempre os mesmos no poder, até ao dia do juízo final, só depende de nós - todos.
E também sei que a falta de comparência, os nulos e brancos são como votar por procuração, decidem os outros que põem a cruz num dos quadradinhos.
E há um pequeno pormenor, milhões de pessoas lutam, e morrem, por este direito (e também passámos por isso, já agora) - deve ter a sua importância.
Por tudo isto, VOTEM. Num qualquer, mesmo naquele partido cujo nome não podemos pronunciar, qual Voldemort.  


* Na versão de Rui Tavares, Platão terá dito "O castigo por não te interessares pela política é seres governado por pessoas piores que tu".
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sexta-feira, 3 de junho de 2011

AMANHÃ À NOITE, CONTE OVELHAS!



Amanhã, ao deitar, vamos contar ovelhas:
A primeira ovelha a pular a cerca tem um número do cachaço ao quadril, 180.000.000.000, é o valor da dívida pública.
A ovelha a seguir tem um número mais pequeno, no lombo, 4,1%, é a inflação de Abril.
Depois vêm 2 ovelhas juntas, uma traz 3 números pintados, 2.2, 5.9 e 9.3, as estimativas sucessivas do défice de 2009, a outra também tem 3 números, 6.88.6 e 9.1, as estimativas crescentes do défice de 2010.
A seguir vem a quinta ovelha, tem um número riscado, 150.000 empregos, e outro por baixo, 690.000, são os desempregados.
Colada a ele, outra ovelha tem umas palavras quase ilegíveis, abono de família.
Logo atrás, uma ovelha ronhosa tem o número 12,4% de desemprego (1º trimestree de 2011, 1 em cada 8 activos) e uma frase antiga "7% de desemprego é prova do falhanço do governo PSD-CDS".
Depois mais outra, um 10% a que se acrescentou um 1 à esquerda, 110%, o aumento da dívida externa líquida em percentagem do PIB.
A seguir uma ovelha manca, com uma frase "acordei uma baixa drástica do TSU com a troika, mas para eles é grande, para nós é pequena".
A ovelha seguinte tem 2086 no lombo, o ano em que as PPP são finalmente pagas.
Depois uma ovelha reluzente com 5.000.000€ no ventre, o rendimento de Rui Pedro Soares (o jovem socialista que quis comprar a TVI) durante o governo PS, em salários e indemnizações.
Segue-se uma ovelha com 250€ e 3000€ recortados na lã, o valor que a mãe de Sócrates declarou num IRS e a reforma que passou a ganhar no ano seguinte, diz-se.
A seguir, uma ovelha tem escrito "eu não governo com o FMI".
Logo atrás, vem uma ovelha com 4% marcado a fogo, o aumento do IVA para 23%.
Atrás, vem uma ovelha com 5%, a redução dos salários dos funcionários públicos.
Vem então uma ovelha sarnenta que tem bancarrota em bold, nas costas.
A ovelha que se segue...
Se tiver, a esta altura, perdido o sono, levante-se e vá tomar um comprimido para dormir: deve ter a cabeça fresca, para recordar os números, quando for votar. Será também um plebescito: tendo em conta o que fez - e foi ele que fez, não foram os bancos americanos ou a oposição -, Sócrates merece continuar?
Ouvi-o dizer na campanha "farei o meu melhor", pois esse era o meu medo - pôr-lhe na mão os 78.000.000.000€ emprestados é como pedir ao bêbedo para tratar da adega. É um ar que se lhe dava.
.

quarta-feira, 1 de junho de 2011

segunda-feira, 30 de maio de 2011

 



Em teoria, não há diferença
entre teoria e prática.
Na prática, há.

Yogi Berra ou Jan L. A. van de Snepscheut?
.

sexta-feira, 20 de maio de 2011

E O CONSERVADOR SOU EU? EEEEE...


Pinto Leite diz que a saída de Portugal não é a via neoliberal, mas antes uma visão neosocial. O trajecto terá trilhos comuns - o emagrecimento severo do Estado ou o princípio do utilizador-pagador (deixando a isenção/minoração apenas para quem não pode), mas a conotação é muito diferente, em particular para a esquerda.
A caminho das urnas, há um facto com a leveza do mármore: a festa acabou (mesmo pobrezinha, à base de "cocrete", como gozam os braileiros), este Estado-social morreu. Há que inventar outro, que seja possível sustentar com a riqueza produzida.

E o que pensam os principais players?
O PCP e o Bloco estão contra os 'atentados' ao Estado social pela direita e pelo PS, afinal o Estado social  que essa direita e esse PS construiram nestes 36 anos, não eles. É como a Constituição, defendem a versão actual contra qualquer alteração, como defenderam a anterior contra a actual. Pois é a isso que se chama conservadorismo, querer preservar o que está.
Esquecem-se é de dizer que o Estado social cresceu exponencialmente, mais depressa que a riqueza gerada. Infelizmente (sem ironia), não é possível manter todas as 'conquistas', porque já não há dinheiro debaixo do colchão e, azar, a demografia é chata: cada vez mais idosos e reformados significa menos contribuição e mais despesa.

Depois há o PS, o 'defensor' do estado social contra a direita que o quer destruir.
Conversa tipo chuva "molha-tolos": foi com ele que se introduziram portagens apesar de promessas em contrário, subiram as taxas moderadoras, taxas de justiça e os impostos to-dos, desceu o ADSE, benefícios fiscais, a comparticipação de medicamentos, abonos de família e outros apoios sociais) e os salários, se flexibilizou a lei laboral, se preparam para congelar salários e pensões, facilitar o despedimento (e reduzir em 1/3 as indemnizações, passando o trabalhador a pagar metade!), reduzir o tempo e valor do subsídio de desemprego, reduzir em 33% os custos com transportes de doentes (como?).
E o hospital de Braga, de construção e gestão privada, não é privatização da saúde, é parceria...

Sobra a tal 'direita', a única que não finge querer manter um Estado social que jaz morto e enterrado. Com uma visão mais liberal e arrojada, como parece ter hoje o PSD (permitindo alvitres sobre a privatização da CGD e das Águas de Portugal, a baixa do salário minimo ou a penalização nas reformas de quem esteve desempregado), ou pregando uma matriz social-cristã mais moderada - involuntariamente centrista, por ultrapassagem à direita, e menos escrutinada, porque não é candidata à vitória.

Há é duas coisas que todos os eleitores comungam, à esquerda e à direita:
1. É fácil para Catroga, Mira Amaral, Silva Lopes e muitos jovens turcos do PSD (sendo que parte trabalha ou trabalhou na esfera pública ou em empresas que cresceram em parceria com o Estado, ou acumula belas reformas do defunto Estado social), dizer que os portugueses vivem acima das suas possíbilidades. E ofensivo.
2. Há muito por onde o Estado pode começar antes de diminuir a protecção social, como o gasto rigoroso de cada cêntimo, a oneração da banca, o controlo da evasão fiscal, a extinção de organismos, a despolitização da AP ou o corte nas parcerias, consultadorias e prebendas, a taxação da valorização urbanística (ideia do BE), o não favorecimento de alguns grupos económicos.
A propósito, para alguns parece quase um pecado, mas não é problema haver grupos económicos, até devia haver mais, pujantes e independentes do Estado, que agora tivessem capital suficiente para comprar as participações que o Estado vai ser obrigado agora a vender em saldo. Esse é um dos nossos problemas, a falta de empreendedorismo, iniciativa e cultura de risco - sem esperar pelo Estado-pai, para ter um subsídio ou um negócio.

quinta-feira, 19 de maio de 2011

QUEM QUER CASAR COM A CAROCHINHA?

Se o PS ganha, temos eleições em 2012, por uma razão de "somenos": não há um único partidinho que queira coligar-se com Sóctares, mesmo que ele tenha encontrado umas moedinhas (biliões) no meio da poeira. O único que aceitou matrimónio foi o presidente do FMI, mas esse João Ratão parece que vai a todas. E já caiu no caldeirão.











ACEITAM-SE APOSTAS


Há dois anos, eu e uns amigos fizemos as nossa previsões sobre os resultados das legislativas. Houve resultados mais próximos que outros, cada qual acertou nos scores dum ou mais partidos, mas ninguém acertou na mouche. E ficou claro como é difícil distinguir desejos e previsões, seja quanto ao vencedor, seja quanto a percentagens.
É esse o desafio que agora se repete - alguém se atreve a prever o resultado de 5 de Junho?
Começo eu.

                                                        PSD - 36%
                                                        PS - 32%
                                                        CDS - 12%
                                                        CDU - 8%
                                                        BE - 7%

terça-feira, 17 de maio de 2011

EU SONDO, TU SONDAS


Bem disse o outro que há por aí uma bebedeira de sondagens. Sinais comuns, sumiu a distância do PSD para o PS (será?), o BE está out, o CDS está in e há 35 a 45% de inquiridos que não sabe/não responde - imensos que ainda não viram o filme. Logo se vê.
O interessante são as letras pequenas. Exemplo, o inquérito da Marktest de 12 de Maio: foram inquiridas 805 pessoas, e a taxa de esforço (contactos suficientes para encontrar o tipo e o número de pessoas necessárias de acordo com a distribuição geográfica, o sexo e o escalão etário) foi de 26,6%. Outro exemplo, a sondagem Intercampus de 13 de Maio: 1029 pessoas, taxa de resposta de 47,9%, 21,2% respondeu não sabe/não responde e 22,4% respondeu nenhum/não votaria.
Façam as contas, parece pouca gente a responder mesmo, não é? Basta apanharem mais dois proto-eleitores da CDU para uma subida 'vertiginosa' nas sondagens. Eu sei que é os estudos de opinião são uma ciência e amostras pequenas são representativas - não negue à partida uma ciência que não conhece -, mas fica sempre a dúvida. Ainda por cima, há muuuita gente que decide se vai votar no próprio dia, e em quem votar na solidão da cabine - o resultado pode ser surpreendente.
O azar é que as próprias sondagens influenciam a votação, em particular no apoio ao vencedor 'anunciado'.
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