...e depois, com bigodes de leite, pedem mais paciência e esforço ao povo, que a "vaca 'tá seca".
Mostrar mensagens com a etiqueta Viagens de Liteira. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Viagens de Liteira. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 22 de julho de 2019

Les aventures de Tintin au pays des sovietes


Tintin na Universidade Lomonosov


Tintin no metro

Tintin no mosteiro

Tintin no memorial na guerra patriótica

Tintin no Kremlin

Tintin na praça vermelha

Tintin na prisão da Lubianka

Tintin no Ermitage

Tintin e o souvenir

terça-feira, 12 de setembro de 2017

DEU RAIA!

Ainda não tinham chegado os romanos e já a espécie de promontório sobre o Guadiana era ocupada, por causa das vistas únicas, pois dava para topar a vinda dos 'maus' a quilómetros.
Enquanto houve maus, Juromenha mereceu a atenção de califas e reis, e chegou mesmo a ser palco duma dupla boda real: Afonso IV recebeu a tia de Afonso XI e, em troca, deu a este seu sobrinho a sua filha, a 'fermosíssima' Maria.
Depois acabou o perigo de invasões que mantinha o interesse das terras-sentinela e, em 1836, mais de metade dos concelhos desapareceu do mapa - quem foi fagocitado,  definhou. Juromenha foi um deles, incapaz de resistir ao darwinismo social (um excelente exemplo para a recente fusão de freguesias, esperem uns 40 anos) e a fronteira passou a ser apenas o interior.
Em 2 séculos, resta 1/7 da população e toda fora das muralhas. Lá dentro, a bandeira é nova, mas o resto são ruínas e despojos de festarolas - percebo que tenham deixado garrafas para trás, mas peúgas?
A vista continua linda.







segunda-feira, 24 de julho de 2017

Uma cidade invicta?


O burgo medieval de Tallin ainda conserva a cerca exterior e uma muralha interior, que separava o poder da populaça e era trancada à noite: na parte superior, habitavam os invasores, à vez, senhores teutónicos ou nobres dinamarqueses; em baixo, os locais.
Pois a baixa do Porto está a transformar-se numa espécie de Toompea Hill: em vez de invasores a brandir espadas, as hordas de turistas empunham selfie sticks, e 'empurram' os nativos para a periferia; em vez duma recepção hostil, é hostel.
O que alguém disse sobre Lisboa, também serve a norte: qualquer dia, os turistas vêm cá ver-se uns aos outros. Com a desertificação do centro, não tardará a que os curiosos se escondam atrás de arbustos, como um David Attemborough, à espera de captar um tripeiro. Hoje, os indígenas são como uns figurantes num parque temático, com tuk tuks, teleféricos, barcos, autocarros descapotáveis e lanchas, o último must no douro.
E a gastronomia local: pizzas, hamburgers (são aos magotes, as novas hamburguerias), tapas e pratos que levam menos tempo a deglutir, que a ler o nome na ementa (espuma de __ em cama de __ albardado com __ selvagem, é favor preencher a gosto), em restaurantes de nascidos e criados na Baviera (lá está, teutões). Tipicíssimo!
É, para o Porto ser igual aos outros, só falta um hard rock cafe e uma roda gigante. Corrijo, falta a roda.
A cidade perdeu a alma? Não, esta terra de mercadores vende o que puder, seja lã da Covilhã, vinho da Régua ou cogumelos Portobello em leito de qualquer coisa.
É mau? Não propriamente, apesar das vítimas colaterais, e o que é bom é para se mostrar.
E eu, sempre que posso, pago na mesma moeda, quando invado as terras deles com a minha lança de 13 megapixels.
Apareçam, cabem mais uns :)

domingo, 31 de julho de 2016

PALÁCIO DO BOLHÃO

De cara lavada, o palácio do Bolhão está hoje emprestado a uma escola de artes e uma companhia de teatro. Porque não são egoístas, ou precisam de estofar o orçamento, os comodatários abrem as portas para visitas teatralizadas (5€) que nos transportam para os bailes com a nata da sociedade portuense, que enchiam as páginas das gazetas.
Um dos gazeteiros e visita de casa, Camilo, escreveu sobre o 'carácter entre o severo e o risonho' do palácio, as festas onde '800 dentaduras supriam em velocidade a beleza que lhes faltava', ou o divórcio do então barão do Bolhão, o que lhe valeu uns bofetões dados pelos sobrinhos da baronesa.
O conde do Bolhão foi uma espécie de Ícaro: nascido em 1814 (já a data da morte é uma incógnita), tinha 30 anos quando mandou construir a maison, pela módica quantia de €350, à época uns mais charmosos 70 contos de réis; 'deu' a filha ao varão do duque de Saldanha; hospedou por 2 vezes D. Maria II no seu humilde lar, onde houve faustosas soirées até a mulher fugir de casa, acusando-o de tirania conjugal e maus tratos físicos; acusado de falsificar moeda no Brasil (foi absolvido no recurso), o dono de 'uma das mais sólidas fortunas do Porto' acabou por falir e entregar o palácio ao credor principal. De nada lhe valeu a estátua de Mercúrio, deus do comércio e do lucro, no frontão da casa... 
Apareçam!








 

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

7 MIL MILHÕES DE OUTROS


A fundação EDP tem uma exposição sui generis chamada ‘7000 milhões de outros’, respostas sucintas de mais de 6000 pessoas, de 84 países, às mesmas 45 perguntas.
É engraçado como, do Montenegro ao Mali, do México ao Afeganistão, somos todos iguais (prova, a sucessão de gente que, em criança, gostava de ser piloto) e tão diferentes - à pergunta ‘O que é que o chateia?’, respostas à miss universo (ganância, estupidez, injustiça, fome, atirarem o lixo pela janela do carro) são mescladas com outras mais pessoais (a artrose, comer pouco e engordar, ter visto o pai a bater na mãe, ou uma viúva palestiniana a quem censuram sair à rua ou querer usar roupa menos ortodoxa).
Sobre as lembranças mais antigas, aparecem respostas giras: o aldeão maliano que se lembra duma praga de grilos que destruiu as sementeiras, sustento da família, o francês de Nantes, cuja irmã avisava da chegada dos aviões nazis antes das sirenes, ou o canadiano que dizia que o papá não era o senhor que chegara da guerra da coreia, esse tinha o cabelo branco e o papá da fotografia, que beijava todas as noites, não.  
Houve quem dissesse que era feliz porque tinha água, quem apresentasse uma solução genial – tenham menos problemas! -, quem quisesse comer até não poder mais, para nunca mais ter fome, e quem (a minha preferida) afirmasse que, se voltasse atrás, faria tudo igual, só que com outro marido.
Também há testemunhos nacionais: uma senhora, julgo que sobre imigração, disse ‘O nosso país está cheio de toda a gente’, uma frase involuntariamente maiúscula, outro assumiu que era calão, e por isso ria muito, porque rir envolve poucos músculos, e uma cara feia usa muitos mais.
Na secção ‘medos’, ao natural receio da solidão, apareceu uma sequência gira: um peruano disse ter medo que Deus não exista, o seguinte disse que o seu medo era que Deus exista…
Eu sou como o outro que quer uma barrigada, para não ter mais fome - o meu FDS lisboeta chegou para ver outras 2 exposições temporárias imperdíveis: Tesouros dos palácios reais espanhóis, na Gulbenkian (como uma abelhinha, andei a rondar uma guia da casa e o seu bocejante grupo; notas, os habsburgos e os bourbons eram feios com otudo, e o Escorial está cheios de tesouros lusos pilhados pelos filipes) e parte do espólio de Franco Ricci (no MNAA), um colecionador italiano que vai abrir o seu próprio museu em Parma, no próximo ano.
3 gostosas sugestões, digo eu.

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

O PASSADO É A TUA MOCHILA


TEM APENAS O QUE PUDERES CARREGAR CONTIGO.
CONHECE LÍNGUAS, PAÍSES, PESSOAS.
DEIXA QUE A TUA MEMÓRIA SEJA A TUA MOCHILA.

Alexander Soljenítsin

segunda-feira, 14 de julho de 2014

MONSERRATE, A 'CASINHA' DE VERANEIO

"Eis que em vários labirintos de montes e vales
surge o glorioso Eden de Sintra.
Ai de mim! Que pena ou que pincel
logrará jamais dizer a metade sequer
das belezas destas vistas (...)?"

Estas palavras, do poema Childe Harold’s Pilgrimage, pertencem a Lord Byron, para quem 'a vila de Cintra, na Estremadura, é talvez a mais bela do mundo'. Para a glorificação do burgo contribuiu a sua visita ao Palácio de Monserrate e do seu vasto (33 ha) jardim paisagístico.
O restauro dos jardins e da casa (ainda em obras) começaram em 2010, dando novo fulgor a uma quinta que, durante 500 anos, oscilou entre o brilho e o abandono.
 
1540 - construção da capela de N. Sra. Monserrate na colina do palácio, aí mandada levantar por frei Gaspar Preto, no regresso duma peregrinação ao eremitério beneditino de Monserrat, na Catalunha (supõe-se que havia no local uma pequena capela do tempo da reconquista); nesse século, a então quinta da Bela Vista torna-se propriedade do Hospital de Todos os Santos de Lisboa, desaparecido no terramoto de 1755
1601 - aforamento da propriedade à família Mello e Castro (que a compra em 1718), radicada em Goa
1755 - o terramoto torna inabitáveis as casas existentes na quinta  
1790 - com o objectivo* de "arrendar utilmente a mesma Quinta, mas também de promover a utilidade, conservação e aumento deste Prédio", Francisca de Mello e Castro arrenda a propriedade ao comerciante inglês Gerard de Visme, concessionário da importação de pau-brasil (cortesia do Marquês de Pombal), que ergue o 1º palácio neogótico sobre as ruínas da capela - esta foi reconstruída noutro local e depois propositadamente 'arruinada', ao estilo dos romantic gardens da Álbion
1793 - o milionário inglês William Beckford arrenda a quinta, melhora o palácio e inicia o jardim paisagístico (a sua 'estada' durou até 1799, interrompida entre 1795-98, quando sub-alugou a propriedade aos filhos do fidalgo José de Oliveira)
1856 - Sir Francis Cook, milionário têxtil inglês e 1º visconde de Monserrate, compra a propriedade para residência de veraneio, reconstrói o jardim romântico, com mais de 3000 espécies exóticas, e o palácio  (1856-58) bastante eclético, com laivos góticos, indianos e mouriscos
1946 - posta à venda 17 anos anos, a quinta é comprada pelo financeiro Saúl Sáragga, que tentou (sem sucesso) dividir a propriedade em lotes, mas vendeu em leilão todo o luxuoso recheio
1949 - a quinta é adquirida pelo Estado, juntamente com a tapada de Sintra
* o contrato omite a razão primeira, D.Francisca voltou de Goa e precisou custear a reconstrução do palácio familiar na capital, arrasado pelo terramoto 
 
Palácio de Monserrate
 
 

 

Fonte do Tritão e entrada/torre sul

 

Átrio central octogonal e fonte com mármore de Carrara
(arcos quebrados com bandeiras rendilhadas)
 
Átrio central
 
Cúpula do átrio central, em madeira e estuque
 
Galeria

Fonte do Tritão

 
Sala da música/torre norte. Cúpula em estuque com motivos florais dourados.
Friso com Musas e Graças
 

 
 
 

Árvore da borracha australiana, parede oeste da falsa ruína, criada por
Francis Cook a partir da capela erguida por Gerard de Visme, em
substituição da capela de N. Sra. Monserrate
(no nicho da Capela havia 1 de 3 sarcófagos etruscos adquiridos por Cook) 

Sala de refeições da família Cook (mais em http://amigosdemonserrate.com/gallery)