...e depois, com bigodes de leite, pedem mais paciência e esforço ao povo, que a "vaca 'tá seca".
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terça-feira, 19 de março de 2019

QUEM QUER CASAR COM 1 SOCIALISTA?


Caro António Luís Costa,
Diz um seu ministro que a carreira da mulher não pode ser penalizada por ser casada consigo. Eu diria mais, tem mérito a ideia de transformar o conselho de ministros numa reunião familiar, com amigos íntimos, um casal e um pai (marido duma deputada) e filha.
Parece que também há uma secretária de Estado casada com um eurodeputado, uma ministra casada com um antigo eurodeputado, o nomeado renegociador do terminal de sines casado com uma ministra, um ministro casado com a chefe de gabinete dum SE (cuja mulher foi nomeada para gerir um organismo do estado), um ministro casado com uma ex-chefe de gabinete dum SE (não é repetição minha, palavra), outra chefe de gabinete dum SE que é filha dum ex-SE e mulher dum deputado e ex-líder da JS, a família César espalhada por todo o lado, um SE filho dum ex-ministro, um SE primo do anterior líder, um SE irmão da secretária-geral adjunta, que tem um marido ex-ministro e uma cunhada no gabinete do PM.
Nada a opor, devemos ser todos descendentes dum dos 20 filhos de Sancho I e, portanto, parentes.
Mas há uns mais chegados que outros - chamando-me eu António Luís Costa, e ainda sendo da Silva como o Vieira e Duarte como o Cordeiro, o que não pode ser coincidência, não terá aí nada para mim, que tenho esses 3 méritos?
É que por casamento não dá, já estou ocupado.

domingo, 22 de fevereiro de 2015

MANGA DE ALPACA

 
UM PAÍS TEM QUE GOVERNAR-SE
COM CONTABILIDADE,
NÃO PODE GOVERNAR-SE
POR CONTABILIDADE.
Fernando Pessoa, 1932-33

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

BENGALADAS

Soares até pode dizer que Sócrates foi um PM exemplar, protestar contra a austeridade (esquecendo os 'furos no cinto' do seu governo) e acusar o PM francês de querer deitar fora o socialismo (há 30 anos, dizia-se que ele tinha posto o socialismo na gaveta...).
Já parece um bocado trauliteiro dizer que o governante francês 'é uma besta' e que é quem 'atira mais às trombas' do governo português, que já disse ser ilegítimo e composto por idiotas, ignorantes e, alguns, delinquentes que devem ser julgados quando saírem. Pode não ser da idade (a hipótese mais benigna), mas a sua grosseria tem aumentado com ela.
Soares afirma na entrevista que é um 'cidadão especial', pelos cargos que desempenhou e pelas coisas que fez, mas, mesmo com o respeito que o senhor merece e o apreço pelo seu passado longínquo (nos idos de 1975), não é inimputável.
Para rematar, acho mal fazer de Calimero, mas há mesmo uma dualidade de critérios, fosse um gajo de direita a dizer metade dos dislates, e caia-lhe o mundo em cima - a talhe de foice, Daniel Oliveira é muito escrupuloso (e bem) a defender a presunção de inocência de Sócrates, mas já o ouvi a dizer graçolas sobre Dias Loureiro e os outros 'amigalhaços' do Cavaco, e esses também (ainda) não foram condenados...

Prova do seu destempero, entre alguns elogios, Soares comentou a morte de Eusébio dizendo que ele 'era um homem com pouca cultura, mas não se estava à espera que fosse um pensador' e que 'não sabia nada que ele estava doente, sabia que ele bebia muito whisky, todos os dias, de manhã e à tarde, isso eu sabia, mas julguei que isso não lhe fizesse assim mal'. I rest my case. 
 
 

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

PEOPLE V. SÓCRATES



Ninguém ficou indiferente à detenção de Sócrates: metade dos portugueses, que não vai à bola com o mestre em filosofia, achou laracha (incluindo Cavaco, para quem, melhor, só jaquinzinhos fritos); 1/3 ficou perplexo com a abordagem ao suspeito e o respectivo aparato mediático; 1/10 discutiu as implicações políticas, que serão usufruto do argumentário anti-sistema (‘estamos entregues aos bichos, isto só lá vai com uma limpeza geral') e prejudicam um PS alheio à marotice (como defender o legado do seu último governo, sem falar de Sócrates, tão inominável como Voldemort?); 1/10 ficou furioso, os que consideram o caso mais um passo na campanha negra contra o ex-PM, a juntar às outras histórias mal contadas (Cova da Beira, Freeport, a desejada compra da TVI, o 'patrocínio' do apoiante Figo, a duplicação de declarações curriculares no parlamento, a turbo-licenciatura ao domingo,…).
Mesmo com o risco de beliscar a sua Auctoritas (por isso, nenhum árbitro discute as suas decisões), é imperioso que o Juiz do TIC explique aos 4 cidadãos detidos, e aos portugueses, porque é que foi necessário deter um ex-PM na manga de um avião (à chegada) e porque é que os manteve detidos 4 dias, sem comunicação de medidas de coação. Caso contrário, o processo usado pode ser visto como uma leviana prova de força, de quem julga ter o rei na barriga.
Os exageros (como a detenção em casa de Ricardo salgado, depois dele se ter oferecido para comparecer) só mancham o bom percurso dos últimos anos: se antes a Justiça tinha apenas a mostrar como prova de independência Vale e Azevedo, Cruz e uns presidentes da câmara nortenhos, agora já tem no curriculum as condenações de ex-governantes (Isaltino, Vara, Penedos, Maria de Lurdes Rodrigues) e as detenções dum ex-líder parlamentar (Duarte Lima), dos banqueiros do BPN, BPP e BES e, há dias, do director do SEF e do presidente o IRN. Uma verdadeira escalada.
 
Quanto ao resto, o caso People v. Sócrates (como diriam os americanos) é uma lose-lose situation: ou acaba tudo em águas de bacalhau, inconclusivo ou prescrito, e as dúvidas se eternizam; ou Sócrates não tem culpas no cartório e a humilhação não tem conserto (para o que concorre a divulgação mediática duma avalancha de ‘factos’ que podem não sê-lo); ou, na hipótese menos má para as instituições, prova-se que Sócrates se abotoou com 25 milhões de euros de forma ilícita, e entregámos o país, durante anos, a um irmão metralha.
Daniel Oliveira disse presumir a inocência de Sócrates, bem como a competência e boa-fé do juiz.
Formalmente, eu também. Mas só um deles tem razão, e que não tarde demasiado a saber-se qual.   

sábado, 8 de novembro de 2014

NÓS, CIDADÃOS, ACHAMOS QUE, HUM...


Não sei quem são, de onde vêm (Cid e Rangel virão de sítios diferentes...), nem para onde vão (é um bocadinho vago escrever no manifesto, 'Nós, cidadãos! preencherá o espaço político onde se situa a maioria dos Portugueses revoltados com os crescentes constrangimentos financeiros e económicos'), mas o designer gráfico sabe o que faz.
 

 
 
 
 
 
 
 








 

sexta-feira, 26 de setembro de 2014

CAUTELA E CALDOS DE GALINHA

A Prudência, Palácio de S. Bento
Raul Maria Xavier 1941



PRIMEIRO, GUTERRES E DURÃO
TIVERAM FALTA DE COMPARÊNCIA,
SANTANA TEVE FALTA DE VOCAÇÃO,
PASSOS JUNTOU-SE A SÓCRATES,
NA FALTA DE REPUTAÇÃO.
NA PRÓXIMA ELEIÇÃO,
VIRÁ NOVA EXCELÊNCIA -
AUDITE-SE JÁ ANTÓNIO COSTA,
POR PRUDÊNCIA,
ATÉ À QUARTA GERAÇÃO,
MAIS FILHOS, NETOS E O CÃO.

terça-feira, 23 de setembro de 2014

PROBIDADE


Primeiro, foi o verbo: a PGR recebe uma denúncia detalhada, contando que, entre 1997 e 1999, o deputado Passos Coelho (PC) recebeu um subsídio de exclusividade na assembleia da república, enquanto recebia €5000 mensais (depositados no Banco Totta & Açores) pagos pela Tecnoforma - PC era presidente do Centro Português para a Cooperação, uma ONG da empresa -, não declarados ao fisco. O fundador da Tecnoforma, Fernando Madeira, dissera que PC recebia pela sua colaboração, pois ‘o senhor não foi para ali pelos meus lindos olhos’.
Ontem, a secretaria-geral da AR garantiu que PC não tivera qualquer regime de exclusividade enquanto deputado (que justificaria mais 10% no salário) e reiterou hoje que não existe na AR uma declaração de exclusividade relativa ao período entre 1995 e 1999. Ufff.
Já Público informa que PC pediu (e obteve) um subsídio de reintegração de €60.000 quando saiu da AR em 1999, tendo em conta a sua exclusividade: lê-se no parecer da AR que PC 'veio posteriormente a informar desempenhou funções de deputado durante as VI e VII legislaturas em regime de exclusividade'. Durante a instrução do processo, PC apresentou cópias das declarações de IRS, onde constam, nos anos de 96, 97 e 99, além do salário como deputado, ‘apenas’ actividade independente por colaborações na imprensa e rádio – não considerados para efeitos de exclusividade. Ou seja, o seu rendimento da Tecnoforma não aparece nas declarações fiscais.
Honra lhe seja feita, PC não nega que tenha fugido ao fisco, o problema é a memória: ‘Não tenho presente todas as responsabilidades que desempenhei há 15 anos, 17 e 18. É-me difícil estar a detalhar circunstâncias que não me estão, nesta altura, claras, nem mesmo nas supostas denuncias que terão sido feitas’. Compreende-se, é um curriculum tão extenso, que se esquecem salários bojudos e se foram declarados.
Pormenor, PC não diz que cumpriu, diz ‘tenho consciência e convicção de ter cumprido sempre todas as minhas obrigações legais’. Acha, portanto.
A achar mal, tem graça que a sua prática de nos ir ao bolso já venha de longe. Ironia maior era o seu comparsa no aumento colossal de impostos, Vitor Gaspar, agora não pague impostos. Era não, é, os salários no FMI são tax free.

terça-feira, 3 de junho de 2014

Ó MÃE, O TÊCÊ NÃO ME DEIXA BRINCAR!

 
O tribunal constitucional chumbou a permanência dos cortes nos salários da FP, (mais uma vez) sem retroactividade, porque a dimensão e alargamento dos cortes a salários mais baixos ia para além do 'limite do sacrifício admissível', e a desigualdade entre sectores público e privado é legítima, mas 'não pode ser excessiva quanto à sua dimensão', tendo de 'obedecer a um equilíbrio que não pode ser ultrapassado'. Não foi uma surpresa, o governo (mais uma vez) atirou o barro à parede, sabendo que o TC aceitara a medida apenas durante o resgate, e com reservas.
A maralha da FP (cujo salário real, tirando 2009, encolheu todos os anos desde os idos de 2002, era ministra a vecchia signora) aplaude, os outros contribuintes apupam. É o dilema da 'austeridade sim, mas no meu quintal, não' (com direito ao acrónimo NIMBY em inglês): os primeiros dizem antes todos que só nós, os outros pensam antes eles que nós todos.
 
A réplica do governo assenta em 3 singelas ideias, o TC 1) vai obrigar a aumentar impostos, 2) impede a reforma do Estado e 3) faz regressar ao problema que levou ao resgate. Vamos por partes.
Primeiro, o TC não faz orçamentos, quem aumenta os impostos é o governo. A táctica de arranjar inimigos ou bodes expiatórios é tão velha como o Pinto da Costa, e o TC tem as costas largas - sendo certo que o tribunal foi, nestes tempos de cólera, arrastado para a arena política*, e sofre de alguma incontinência verbal nos seus acórdãos (não lhe compete sugerir caminhos, mas tão somente avaliar a conformidade das leis).
Quanto à reforma do Estado, 3 anos já davam para fazer mais que um ensaio a letra 26 e duplo espaço. Talvez coisas 'menores' como eliminar (mesmo) subsídios a quase todas as fundações, cortar as PPP na parte da rendibilidade, em vez dos custos de obras e manutenção, aplicar nitrato de prata na sangria financeira das transportadoras (começando pelas barbearias da CP, uma regalia para maquinistas de barba rija), agregar municípios como prometido ou decidir quais as funções que o Estado pode prescindir, eliminando-as - isso, em vez de fazer cortes transversais. And so on.
Finalmente, o problema do resgate: eu sou parte interessada, mas não me parece que os 225.897.000.000€ de dívida pública sejam responsabilidade dos funcionários públicos e dos seus bojudos salários. Eu cá juraria que é um crime de colarinho branco - de muitos colarinhos brancos (políticos e parentela, grandes advogados e grandes empresários, empreiteiros e sucateiros, blábláblá), durante 4 décadas.

* Não sendo recomendável uma judicialização da política (que parece para ficar), com o TC a limitar o leque de escolhas do governo, sobra a questão: o TC está a invadir abusivamente o espaço do legislador, ou, tratando-se de um Estado de direito democrático,  apenas a fazer o seu papel, assegurando o respeito por princípios fundamentais, de interpretação naturalmente controversa?

sexta-feira, 23 de maio de 2014

READ MY LIPS


Em suma: os partidos comportaram-se como se comportam em toda a parte: um pouco de quermesse, muita demagogia, discursos baralhados. Não faltaram também as promessas solenes a que, através dos séculos e em todos os países, nos têm habituado os políticos. Promessas que mais tarde não necessitam de ser cumpridas, uma vez que, com o passar do tempo, «as circunstâncias mudam». Em Direito Civil «o acto de fazer promessas com a intenção de prejudicar os direitos doutrem» tem o nome de fraude e é punível pela lei. Mas em política, quem promete com a intenção fraudulenta de não cumprir escapa lindamente à sanção, pois a culpa é dos «tempos» que são outros quando deviam ter permanecido os mesmos; ou das circunstâncias, que levianamente «mudam».
É assim que, «involuntariamente», os políticos faltam à palavra que, quando é dada «com solenidade e a mais profunda convicção», deve despertar em cada um de nós o mesmo reflexo com que nos defendemos de um facínora ou de um vigarista.
Rentes de Carvalho, Portugal A Flor e a Foice, 1975

terça-feira, 25 de março de 2014

EU TIVE UM SONHO


Eu tive um sonho. Sonhei que a democracia era mesmo representativa, e que, em vez de advogados, macro-economistas, consultores e avençados em partidos, a assembleia da república tinha professores, funcionários públicos, pequenos empresários, reformados, trabalhadores fabris e desempregados - todos com prazo fixo de retorno às suas vidas.
Acordei assustado: os deputados eram bem menos alheios às consequências das suas medidas, mas havia de ser bonita a cacofonia, ninguém se entendia ou chegava a qualquer consenso criador, dadas as suas divergências insanáveis...
Depois veio o alívio: essa ideia (um corporativismo sem bolor) é tão surreal como cavalos alados, grilos falantes e pedras rolantes. E tão gira.

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

IDÍLIO

Henricartoon, 18.2.2014
 
'A vida quotidiana das pessoas não está melhor
mas o país está muito melhor.'
Luís Montenegro, JN

As abelhinhas estão muito melhor, os passarinhos chilreiam felizes, as trutas respiram saúde, os cedros estão viçosos, a bandeira tem pespontos novos, a torre de Belém está de cara lavada, a praia de Mira recomenda-se, o Benfica vai à frente (grrrr...), o leite-creme está no ponto. Já as pessoas...
Não se espera que Montenegro ache, como Adriano Moreira, que um país é uma comunidade de afectos. Mas, no mínimo, devia saber que um país não é um terreno, sim as pessoas que o ocupam. E devia recordar que os deputados e os governos são escolhidos por (rufo de tambores...) pessoas, para que se ocupe do bem-estar das (taran...) pessoas.

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

SIRVA(-SE)


UTOPIA de Thomas More
ilustração da 1ª edição, 1516
No meu primeiro ano de faculdade, tive um professor, avançado na idade, que permanecia em funções a pedido da instituição. O decano resolveu que não haveria aulas durante o semestre, e que a avaliação passaria por um trabalho a apresentar: tiveram todos entre 14 e 16 valores, destoando apenas um discente com 18... a filha do reitor.
A 'ocorrência' seria apenas caricata, não fosse a cadeira de Deontologia (do grego déontos, o que é necessário ou o que é certo), precisamente a disciplina que versa sobre deveres ou regras de natureza ética.
Vai, pois, uma grande distância entre o dever e o ser, entre teoria e prática, entre a pureza original do Princípio e o abastardamento da sua materialização: é como um caranguejo que não anda na direcção para onde está virado, ou a águia bicéfala.

Miguel Sousa Tavares, no Expresso de 15.02.2014, dedica-se à ambivalência dos conceitos: no dicionário Porto Editora, encontrou dois significados distintos para a palavra Elite, 'minoria prestigiada constituída por aqueles que são considerados superiores' e 'o que há de melhor numa sociedade ou num determinado grupo'. Ora, para ele, não se trata de uma nuance, mas da distinção entre os que usam privilégios e os que assumem responsabilidades. Não imaginam, a ilustrar a crónica de MST, uma águia bizantina?
 
Dias antes, na Quadratura do Círculo, António Costa dissertou sobre os candidatos autárquicos preteridos pelos seus partidos, vencendo-os nas urnas. A sua análise, lúcida e singela (adjectivos muitas vezes redundantes), sobre a forma de fazer política, ultrapassa o caso em questão e é particularmente demolidora, vindo dum político de carreira, protocandidato a PM ou a PR: 'As estruturas partidárias estão a perder contacto e a ganhar impermeabilidade relativamente àquilo que é o sentir normal da sociedade. Ora, os partidos não existem por si, a origem dos partidos são associações de cidadãos que se organizam para exercer uma cidadania activa. E, portanto, se os partidos deixam de representar o conjunto da sociedade e se enganam desta forma, digamos, na escolha daquilo que são as suas opções e aquilo que é o anseio da sociedade, começam de facto a ficar isolados.'
Cristalino. Longe vão os tempos, andava a democracia de cueiro, em que as pessoas pelejavam por ideias e aderiam aos partidos para participar (quase por desporto, por vezes violento) na vida colectiva, com desapego. Dizem que a qualidade dos parlamentares diminuiu nestas 4 décadas, e que os primeiros deputados tinham outro lastro; agora, dá a ideia que os partidos estão cheios de gente menos interessante e com mais interesses. É claro que a generalização é tão estúpida como o IVA, mas a evolução afastou-se do que era suposto - 40 anos a andar como o caranguejo.
minoria prestigiada constituída por aqueles que são considerados superiores

elite In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2014. [Consult. 2014-02-15].
Disponível na www: http://www.infopedia.pt/lingua-portuguesa/elite;jsessionid=WHpkKa0HZr1bHKECB+DSRg__

minoria prestigiada constituída por aqueles que são considerados superiores

elite In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2014. [Consult. 2014-02-15].
Disponível na www: http://www.infopedia.pt/lingua-portuguesa/elite;jsessionid=WHpkKa0HZr1bHKECB+DSRg__

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

OS NEOLIBERAIS SÃO ULTRACONSERVADORES

Na verdade, não são neo nem são ultra. São de espécie anfíbia “liberal na conomia, conservadora nos costumes” Mas nem são asim tão liberais na economia. Nem assim tão conservadores nos costumes. São assim-assim. Mar chão. Afinal, a falta de convicção pode passar por temperança. E fazer um referendo pode passar por democracia.
O referendo foi feito para nem se fazer. Não há tempo, não há dinheiro, não há perguntas e não há pachorra. O Presidente da República poderá arquivar a intenção. Fará bem. O que não se arquiva é a manha institucional. PSD e CDS não querem a coadoção. Inventaram um expediente. A JSD serviu de barriga de aluguer, o PSD adotou e o CDS coadotou uma construção política de destruição legislativa. Quem quis? Quem impôs? Quem disciplinou? As “bases".
As bases. As bases não são o povo, são os eleitores dentro dos partidos. E os eleitores e Passos Coelho no PSD andam há muito insatisfeitos com os custos políticos da austeridade. Foram elas, as bases, que impuseram este desfecho que envergonha até deputados que ontem cumpriram a religião continente de votar como lhes mandam. A demissão de Teresa Leal Coelho não basta para ser indignação, mas chega para ser dignidade. Que dizer dos deputados que votaram contra a sua consciência? Que não a têm? Que dela abdicaram? Declarações de voto não valem um voto. A objeção ou é um exercício ou não é objeção, é plasticina. A disciplina de voto pode fazer sentido, mas não neste caso. Mas serve de capote para acomodar a cobardia política sentada no Parlamento. A disciplina de voto tornou-se a disciplina de veto. Veto à própria Assembleia, que aprovara o processo legislativo, precisamente porque então houvera liberdade de voto. Ontem não houve liberdade. Escreveu-se torto por linhas tortas. Foi tudo triste. Tudo triste.

Mais importante do que o Direito são os direitos. Mais importante do que o golpe do referendo é a lei da coadoção. A esquerda deixou-nos o desastre nas finanças públicas que continua a desmentir, msd foi sempre ela que promoveu os avanços (sim, avanços) no casamento homossexual, na união de facto, na interrupção voluntária da gravidez, na discriminilização do consumo de droga. A direita, chegada ao poder, não desfez nenhum desses dipomas. Ainda bem. Mas não tolerou que, na sua vigência, o país avançasse (sim, avançasse) na coadoção de crianças por casais homossexuais. Mais tarde ou mais cedo, esse é o curso imparável das coisas, a coadoção será legalizada. Já há crianças entregues a casais do mesmo sexo por decisão de juízes.

Olhe para a fotografia de hoje na primeira página do Expresso. A mãe, Fabíola Cardoso, lésbica, doente de cancro, levou os seus dois filhos ao Parlamento para assistirem ao debate sobre o seu próprio direito a teremo que têm: duas mães. Alexandre e Maira nunca tinham ido à “casa da democracia”. Viram a casa mas não viram democracia. Viram um golpe baço. Viram uma vergonha.»

Pedro Santos Guerreiro, Expresso 18-01-2014

Se não houvesse outras, eis uma boa razão para as pessoas serem pagas para escrever a opinião: PSG falou bem como o diabo, sem uma palavra a mais ou a menos. Talvez só lhe mudasse o título para 'Nu integral', tal a forma como o jornalista expõe as vergonhas desse partido.

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

PRETÉRITO IMPERFEITO


Os partidos são uma maçada e ser militante dum partido é uma grande maçada. Os quadros dos partidos, normalmente são muito, muito medíocres, são pessoas muito medíocres, não têm mais nada que fazer na vida, ou que acham que aquela é a forma principal de subir na vida. Os partidos dispensam o mérito.
É uma coisa que eu decidi na minha cabeça, se há coisas definitivas na minha cabeça, uma delas é essa [não entrar na política].
Alguém disse isso, e eu subscrevo integralmente: nunca me passou pela cabeça (mais que 3 segundos) filiar-me num partido.   
 
Isso não impede o hábito de votar no mesmo partido, um pequenino - em quase tudo, costumo torcer pelo underdog -, com poucas hipóteses de chegar ao poder. Trocando a palavra amigo por partido, estou como esse alguém, o poder é a  pior coisa que há, eu sou geneticamente contra o poder, seja ele de quem for. No dia que algum amigo meu lá chegar, eu passo-me para a oposição e deixo de ser amigo dele.
Sim, o problema é quando esse partido lá chega: o governo de 2002-2005 já não era de boa memória, mas esta 'presença' está a ser um desvario - admito, este governo, que acha que cortar é diferente de reformar, mas tem uma tesoura endiabrada, está particularmente a apertar-me os calos (como João Pereira Coutinho, se há coisa que me dói profundamente, são sapatos apertados) em duas rubricas algo sensíveis do meu orçamento, a receita e a despesa. Em doses sucessivas.
Já se sabe que governo nenhum cumpre tudo o que prometeu, mas há limites: como bem disse alguém, não se pode sacrificar a identidade ao acesso ao poder. Pois onde está o partido dos contribuintes, o provedor dos idosos e das famílias (todas as medidas teriam um visto familiar, asseguraram)? Não foi nisto que votei e não vislumbro as 'bandeiras' do CDS - para o distraídos, era no CDS que eu votava (literalmente, no pretérito imperfeito) -, vejo apenas umas bandeirolas de arraial, agitadas freneticamente, depois duma crise em que o CDS não ganhou peso no governo, foi Coelho que deu um abraço de urso a Portas.
Há uma terceira coisa tão certa como a morte e os impostos: as sessões parlamentares seriam memoráveis se o CDS estivesse na oposição, com o tribuno Paulo Portas a esfrangalhar o governo.

É, Portas está a exagerar nas artes circenses: primeiro, era o acrobata com as suas metamorfoses de eurocéptico para europrudente, e de liberal para popular e mais tarde para democrata-cristão; depois, é o trapezista no bamboleante arame, com as suas linhas vermelhas; agora é o mimo, com a mudez esfíngica.
A prometida justificação sobre a sua demissão do governo, reservada para o congresso ('a sua gente'), resumiu-se à negação dum capricho ou enfado, que 'o que teve de ser teve muita força, a crise foi superada e, a meu ver, o governo está mais forte' e que 'O partido deve apenas saber que actuei em último e exclusivamente em último recurso, por entender que se nada fosse feito a coligação poderia deteriorar-se e isso poria em risco aquilo que é um bem essencial para todos: termos governo que chegue para vencer o resgate'.
Embora a acrítica assembleia tenha ficado satisfeita, parece-me que não chega. Portas terá tido alguma razão: por Passos decidir reiteradamente contra a sua opinião, Portas quis sair e Cavaco demoveu-o, quis sair 2ª vez e o partido não deixou e, quando pediu ao PM para esperar o seu regresso ao país para substituir Gaspar, e Passos enviou-lhe um sms informando estar a caminho de Belém para dar o nome da nova ministra das Finanças, Portas resolveu não avisar ninguém. Mas, para um decano da política, não ter arranjado uma escapatória na sua carta, para poder voltar atrás, foi uma inépcia imperdoável. Como disse alguém sobre Lucas Pires, o brilho não faz uma carreira política, mas o disparate pode desfazê-la irremediavelmente.

Tal como as famílias (com o seu primo ignorante, a tia desbocada, o neto malandro ou a cunhada que só diz asneiras, mas que a parentela desculpa porque tem síndrome de Tourette), todos os partidos têm alguns militantes com os quais não queremos aparecer na fotografia.
A Gente do CDS inclui a direita dos costumes, que pretende ter parecer vinculativo sobre as escolhas privadas alheias, e a direita social, com 2 espécimes bem representados na agremiação, as saudosas septuagenárias com estolas de pele, cachuchos nos dedos e cabelo armado à Tatcher, e os copinhos de leite (como lhes chamou  Avelino Ferreira Torres, outra companhia recomendável) de blaser e gel no cabelo.
O excesso de etiqueta das avós é compensado em falta de Educação  dos netos (nas palavras de Pedro Marques Lopes, 'parece mesmo que há gente a quem falta um pedaço, o mais importante pedaço'), porque é disso que se trata, como se viu neste 25º congresso: a ideia esdrúxula de diminuir a escolaridade de 12 para 9 anos - subscrita pelo líder da JP e apoiada por 5 secretários de Estado, porque 'a liberdade de aprender (…) é um direito fundamental de cada pessoa' - é absolutamente simiesca, numa perspectiva darwinista. Não estamos a falar de conservadores que pragmaticamente duvidam de mudanças mal fundamentadas, mas de reacionários que querem voltar para trás. E eu não me apetece nada estar associado a trogloditas, nem pela coincidência de uma cruzinha.
Eis algumas razões porque, sem entusiasmo, passo a votante em branco de longa duração: como disse alguém, é irrevogável, obedeço à minha consciência e mais não posso fazer.

post-scriptum: o outro é, obviamente, Paulo Portas

sábado, 11 de janeiro de 2014

AMNÉSIA

COMO SABEM, EU SOU DE FICAR,
NÃO SOU DE ABANDONAR.
Paulo Portas, discurso de
abertura do 25º congresso do CDS
 
E a vereação em Lisboa? Não recuemos tanto,
e a (ir)revogável demissão do governo, há apenas 5 meses?
Tome Memofante, dizem que resulta.

terça-feira, 29 de outubro de 2013

ALIENADOS


Há poucos dias, Pires de Lima pediu desculpa aos colegas de governo - falara demais em Londres, ao afirmar, frente a um microfone, que o programa cautelar seria programado no início de 2014. Ainda não estava formatado para omitir, dissimular ou mentir, como compete a qualquer governante com quilometragem.
Pois bem, já lhe fizeram o reset, era uma questão de tempo: Pires de Lima disse hoje, convicto, que o ajustamento está a resultar ao nível do défice e que a economia nacional vive um milagre económico, atribuível às empresas e às exportações.
Ora, sem ser muito exaustivo, só a recessão destes 3 anos vai demorar mais de 10 a recuperar, o desemprego está em alta (metade dos 'ungidos' não recebe qualquer subsídio), o rendimento da generalidade dos portugueses está em baixa, a dívida continua a opar, 120.000 pessoas emigraram só em 2012 (a maioria qualificada). Resultado do triunfal ajustamento, o défice nem sequer se mexeu, apesar do enorme aumento de impostos deste ano.
É oficial: numa palavra, alienou. 

domingo, 29 de setembro de 2013

PORQUE NO TE CALLAS?


Excerto retirado do artigo “Autarquicas Clandestinas” de João Quadros, publicado no jornal “Negócios” de 27/09/2013:
(...) a melhor cena de campanha tem Pedro Passos Coelho como protagonista. As televisões, na lógica "follow the leader" a que se limitaram, brindaram-nos com a seguinte cena.
Numa rua de Sintra, Passos Coelho segue com a comitiva, quando decide abrandar o passo e cumprimentar uma senhora de idade que estava à janela de um r/c:
Passos: Como está?
Velhota: Está cada vez pior. A minha pensão.
Passos: Quanto é a sua pensão?
Velhota: Hum... É das mais baixas.
Passos: Diga lá, quanto é a sua pensão?
Velha: Hum…
Passos: Diga lá quanto é a sua pensão?
Velhota: 200 euros…
…(faces pálidas de pessoas acompanham PM)
Passos (feliz): Então aumentou!
E continuou, por ali fora, argumentando que os remédios estão mais baratos e a pensão, da sortuda, está mais alta.

Ora bem, é normal que um PM tome medidas com as quais não concordamos.
É possível que um PM pense coisas 'indizíveis'.
É terrível que um PM (de qualquer partido, em particular de um que tem 'social' no nome) use este argumento impiedoso e estúpido.
Pior é impossível. Mesmo.

domingo, 22 de setembro de 2013

ISSO É MAQUIAVÉLICO

citações d' O Príncipe, de Nicolau Maquiavel 
Em 1513, aos 44 anos, Maquiavel achou ter acumulado conhecimento suficiente, pela 'longa experiência das coisas modernas e leitura constante das antigas (...) com muito trabalho e perigo', para ousar 'oferecê-lo' condensado ao jovem Lourenço de Médici II*, saber esse sobre como tomar e manter o poder.
O pequeno volume, que se lê numa penada, mostra acima de tudo pragmatismo (Maquiavel é um Kissinger da renascença), com uma realpolitik cimentada na virtú, um conceito que junta força de carácter, inteligência, coragem e capacidade de adaptação às circunstâncias - longe da benigna virtude, como a entendemos**.
Através do saber empírico, a partir de inúmeros exemplos pretéritos - porque a história se repete, e a iteração dos erros pode ser evitada -, Maquiavel sistematiza uma série de regras (máximas) a seguir pelo príncipe, umas que hoje parecem lana caprina, outras porventura contraditórias - afinal, deve dar-se primazia ao povo, ou aos poderosos? -, mas sempre cristalinas, como uma árvore de decisão.
Alguns trechos terão um contexto histórico, numa Itália retalhada em pequenos Estados em constantes pelejas pela sobrevivência ou expansão, mas outras 'lições' são intemporais.
Eis alguns exemplos:   

sobre as novas colónias
Aqueles que lesa [confiscando-lhes terras e casas], dispersos e empobrecidos, não logram incomodá-lo; quanto aos outros, ficam quietos e calados porque, por um lado, não foram lesados e, por outro, têm medo que lhes aconteça o mesmo que aconteceu aos espoliados, se a tal derem azo.

cortar o mal pela raiz
Prevendo à distância os males nascentes - dom só concedido aos judiciosos -, remedeiam-se depressa. Mas quando, por não terem sido previstos, crescem tanto que qualquer os vê, já não há remédio. Por isso os Romanos remediaram sempre os inconvenientes, pois previram-nos sempre, também. Nunca os deixaram alastrar para evitar uma guerra, porque sabiam que uma guerra não se pode evitar, mas sim, apenas, adiar, com vantagem para outrem.
  
sobre criar novas instituições
Aquele que as impõe tem como inimigos todos a quem a ordem antiga aproveitava e como tíbios defensores apenas os que poderão aproveitar da nova.

será?
A natureza dos homens é mutável.

ou ganância 
Os homens molestam os outros por medo ou por ódio.
é como tirar um penso
Pode chamar-se boa à crueldade (se é possível haver bem no mal) que se exerce somente uma vez, por necessidade de segurança, e depois se abandona e se converte o mais possível em benefício dos súbditos. A crueldade má é aquela que, embora ao princípio seja pequena, aumenta com o tempo, em vez de diminuir (...) ao apoderar-se de um país, o ocupante deve pensar em todas as crueldades que precisa de fazer e praticá-las imediatamente, de uma vez, para não ter de voltar a recorrer ao mesmo processo, e, não as renovando, tranquilizar os homens e conquistá-los pelos seus benefícios.
Convém fazer o mal todo de uma vez, para que, por ser suportado durante menos tempo, pareça menos amargo, e o bem pouco a pouco, para melhor saborear.
o povo é quem mais ordena?
Aliás, um príncipe com um povo hostil nunca pode sentir-se em segurança, pois o povo é muito numeroso, mas pode precaver-se dos grandes, que são poucos. (...) Acontece ainda que o príncipe é obrigado a viver sempre com o mesmo povo, mas pode passar bem sem os grandes, pode criá-los e destruí-los todos os dias, tirar-lhes e dar-lhes poder e autoridade quando lhe aprouver.
Quem chegar a príncipe com a ajuda do povo deve conservar sempre a sua amizade - o que será fácil, visto o povo só desejar que não o oprimam.
realpolitik
É tão grande a diferença entre a maneira como se vive e a maneira como se deveria viver, que quem trocar o que se faz pelo que se deveria fazer, aprende mais a perder-se do que a salvar-se, pois quem quer viver exclusivamente como homem de bem não pode evitar perder-se entre tantos outros que não são bons. Por isso,o príncipe que deseja manter a sua posição precisa, também, de aprender a não ser bom e a servir-se ou não dessa faculdade de acordo com a sua precisão.
o príncipe Rui Rio
Um príncipe prudente não se deve preocupar se lhe chamarem somítico, pois com o tempo será gradualmente considerado liberal, quando virem que graças à sua economia, os seus rendimentos lhe chegam, se pode defender de quem o atacar e empreender cometimentos sem sobrecarregar o povo. Assim usará de liberalidade para todos aqueles a quem não tira nada, e que são em número infinito, e de sovinice para com todos aqueles a quem nada dá, que são poucos.
tanto bom (?) exemplo...
Parece-me mais seguro ser temido do que amado, se sé se puder ser uma delas. (...) Os homens hesitam menos em prejudicar um homem que se torna amado do que outro que se torna temido, pois o amor mantém-se por um laço de obrigações que se quebra quando surge ocasião de melhor proveito. Mas o medo mantém-se por um temor do castigo que nunca nos abandona. 
Contudo, o príncipe deve fazer-se temer de tal modo que, se não conseguir a amizade, possa pelo menos fugir à inimizade. (...) Acima de tudo, convém que se abstenha de tocar nos bens doutrem, porque os homens esquecem mais depressa a morte do seu pai do que a perda do seu património.
(o príncipe deve ter o entendimento treinado para) não se afastar do bem, se puder, mas enveredar pelo mal, se for necessário.
como guardar-se de ser odiado e desprezado
Quando não se rouba aos homens nem os bens nem a honra, eles vivem contentes e só resta combater a ambição de uns quantos, a qual se pode dominar facilmente e de várias maneiras. (...) Um dos remédios mais certos contra as conjuras é não ser odiado nem desprezado pelos populares. (...) os príncipes sensatos dedicaram sempre todos os cuidados a não desesperar os grandes e a satisfazer e contentar o povo.
Os príncipes devem confiar a outros os papéis que concitam rancores e tomar para si os que atraem o reconhecimento. Repito, outra vez ainda, que o príncipe deve prestar atenção aos mais importantes, mas sem se fazer odiar pelo povo.
Sendo impossível aos príncipes não ser odiado por alguém, devem, primeiro, esforçar-se para não serem odiados por todos e, se não o conseguem, estudar todas as maneiras possíveis de evitar a inimizade da classe mais poderosa.
É, sem dúvida, quando saem vitoriosos dos seus empreendimentos e das contrariedades que lhes causam que os príncipes se tornam grandes. (...) Há, até, quem pense que um príncipe sensato deve, sempre que tenha oportunidade, alimentar subtilmente algumas inimizades, a fim de que, vencendo-as, faça jus a maiores louvores.
A maior cidadela possível é não seres odiado pelo povo.
a sorte protege os audazes
É melhor ser ousado do que prudente, pois a fortuna é mulher e, para a conservar submissa, é necessário bater-lhe e contrariá-la.

o voluntarista Maquiavel acha que é sempre mais proveitoso tomar partido em guerras alheias, que manter-se neutro, e que adiar uma guerra dá vantagem ao adversário, o que nem sempre foi o caso (depende do resultado, ficar-se conhecido como audaz ou como imprudente) - podia perceber de política, mas quanto a estratégia militar, podia aprender com o mais paciente Sun Tsu.

* curiosamente, Maquiavel começou a trabalhar na chancelaria em 1498, durante o regime republicano, sendo demitido e preso em 1512, com o regresso dos Médici - a dedicatória a um deles, aquando da sua travessia no deserto, parece maquiavélica, perdão, interessada.
** ou, como afirmou Espinosa, O Príncipe é uma suprema ironia, e Maquiavel mais não fez que expor a perfídia dos governantes e preconizar, para bem do povo, uma governança assente em boas leis.

segunda-feira, 22 de julho de 2013

CORRIDA LOUCA


O que é que resultou deste intervalo (tão demorado como a publicidade da TVI em prime-time)?
A solução a), um governo remodelado que oferece 'garantias adicionais de entendimento sólido' e de 'coesão e solidez da coligação partidária até ao final da legislatura'.
Trocando por miúdos, uma promoção de Portas a co-piloto, ou um bocadinho mais: já 'tou farto das tuas queixas, agora pega tu no volante, a ver se te calas e consegues fazer melhor.
Prognósticos? Durante a intervenção de salvação nacional (a que só faltou um S. Bernardo com um barril de cognac na coleira), ficou a saber-se que as propostas do CDS estavam mais próximas das do PS que das do parceiro da sua coligação... coesa e sólida.