"Para certos republicanos a República tem sido um pé de cabra com que vêem aumentando os seus haveres." Senador João de Freitas, histórico republicano, in Boletim parlamentar do Senado, 11-06-1913
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quarta-feira, 14 de setembro de 2011
AQUI JAZ O EDUQUÊS
Há uns anos, governava (?) o Guterres, germinou a ideia que os alunos, para aprender, deviam ser seduzidos, que a educação era um processo quase negocial, e que se um aluno chumbava, era o professor que devia explicações.
Esse tempo acabou.
Fui ontem à reunião de recepção dos pais dos novos alunos do 'ciclo', como é o meu caso e o do meu parceiro do lado, com os braços tatuados do ombro ao pulso. A directora dos directores de turma - que levantava o sobrolho a cada interrupção, pois os pais foram chegando às pinguinhas, uns insurrectos - agraciou-nos com um powerpoint, sobre o bértice (sic) aluno-pai-professor e essencialmente sobre disciplina que, dizem os últimos estudos, tem o condon (sic) de desenvolver o cérebro.
Uma dos chavões dizia que "estranhos preconceitos e falsas ideias pedagógicas" arguiam que a disciplina não era imprescindível.
Mais explicou a senhora que 30% da nota final* resulta, não da aprendizagem, mas das atitudes e comportamentos, e deu o exemplo da mania dos porquês: se dá uma ordem e um aluno pergunta porquê, responde 'porque sou mais velha', e só o esclarece dias mais tarde, porque 'as ordens são para se cumprir, não para se questionar'.
Shiuuuu, aqui quem manda sou eu.
* Outra parcela tem a ver com listas de verificação, a saber, a revista da mochila para verificar se o menino leva tudo, tipo revista à caserna.
terça-feira, 14 de setembro de 2010
A JESSICA ISABEL E A CONSTANÇA

Hoje foi o 1º dia de escola do meu mai’ novo, ontem foi a apresentação. Naturalmente, o que o pai espera é que a turma seja homogénea, para que eles aprendam o mais possível. Não é.
A escola pública é de facto um nivelador social, uma bimby que mistura pobres e ricos, filhos de iletrados e infantes de doutorados, bairros sociais e condomínios privados, C&A versus D&G. No “meu” 1º D, uma feirante queria saber como podia impedir a mãe da criança de levá-la à saída, pois o companheiro tem a guarda da petiza, e uma executiva queria saber se podia ser a ama (presente na reunião) da Constança a levá-la para casa…
Aliás, os papás desta futura debutante devem ter saído a correr à procura de vaga no Luso-Francês, depois de verificarem que a sua asséptica donzela, de trança irrepreensível, terá 4 ou 5 parceiros ciganos.
O que deixou os pais todos de queixo caído foi saberem que o 1ºD também é 4ºD: além dos 16 caloiros, há 8 miúdos do 4º ano, que “não estão ao mesmo nível” dos outros, eufemismo para deviam-chumbar-mas-é-muito-complicado. Conforme a versão, as profs das 4as classes borregaram à última hora ou o Sr. Director Regional de Educação não aceitou turmas pequenas e, em vez de repetirem o 3º, vão para o 1º. A lei permite turmas mistas, mas isto não serve a ninguém, nem aos iniciados, nem ao professor, nem aos humilhados “finalistas”. O prof recomendou que não levassem lápis do mickey&Ca para os miúdos não se distrairem, mas dar 2 matérias à vez já não dispersa!
E a escola? Bem, a escola está incluída no grande investimento público da renovação do parque escolar, abre daqui a ano e meio. Por ora, a escola é um grupo de contentores encavalitados num gaveto emprestado pelo Belmiro.
Antes isso que fechar, como uma das 700 encerradas este ano (à Jogos sem Fronteiras, Lamego lidera com 21). Candidatas a ganhar pó ou a serem reconvertidas em restaurantes (Milfontes), juntas de freguesia (Paredes), jardins-de-infância (Lamego), centros de dia para idosos (Chaves), ranchos de folclore, clubes de caçadores, igrejas (Odemira), museus (Caldas da Rainha), centros de Novas Oportunidades, ou habitação (Amarante). Casas giras!!!
Parece-me é que ninguém quer viver onde não trabalha e onde os filhos não estudam, o interior continuará a definhar. Acho.
A medida talvez acabe por ser positiva, faz-me é alguma confusão que uma hora diária de autocarro a milhares de crianças com 6 anos seja menos importante que o stress causado a uma loba e 3 crias perante a visão de torres eólicas e cabos de alta tensão – parando há quase 2 anos um investimento de 600M€ da Ventinvest (consórcio liderado pela Galp) entre Armamar e Moimenta da Beira, a aguardar autorização do Ministério do Ambiente. Ironicamente, prós lados de Lamego.
Aliás, os papás desta futura debutante devem ter saído a correr à procura de vaga no Luso-Francês, depois de verificarem que a sua asséptica donzela, de trança irrepreensível, terá 4 ou 5 parceiros ciganos.
O que deixou os pais todos de queixo caído foi saberem que o 1ºD também é 4ºD: além dos 16 caloiros, há 8 miúdos do 4º ano, que “não estão ao mesmo nível” dos outros, eufemismo para deviam-chumbar-mas-é-muito-complicado. Conforme a versão, as profs das 4as classes borregaram à última hora ou o Sr. Director Regional de Educação não aceitou turmas pequenas e, em vez de repetirem o 3º, vão para o 1º. A lei permite turmas mistas, mas isto não serve a ninguém, nem aos iniciados, nem ao professor, nem aos humilhados “finalistas”. O prof recomendou que não levassem lápis do mickey&Ca para os miúdos não se distrairem, mas dar 2 matérias à vez já não dispersa!
E a escola? Bem, a escola está incluída no grande investimento público da renovação do parque escolar, abre daqui a ano e meio. Por ora, a escola é um grupo de contentores encavalitados num gaveto emprestado pelo Belmiro.
Antes isso que fechar, como uma das 700 encerradas este ano (à Jogos sem Fronteiras, Lamego lidera com 21). Candidatas a ganhar pó ou a serem reconvertidas em restaurantes (Milfontes), juntas de freguesia (Paredes), jardins-de-infância (Lamego), centros de dia para idosos (Chaves), ranchos de folclore, clubes de caçadores, igrejas (Odemira), museus (Caldas da Rainha), centros de Novas Oportunidades, ou habitação (Amarante). Casas giras!!!
Parece-me é que ninguém quer viver onde não trabalha e onde os filhos não estudam, o interior continuará a definhar. Acho.
A medida talvez acabe por ser positiva, faz-me é alguma confusão que uma hora diária de autocarro a milhares de crianças com 6 anos seja menos importante que o stress causado a uma loba e 3 crias perante a visão de torres eólicas e cabos de alta tensão – parando há quase 2 anos um investimento de 600M€ da Ventinvest (consórcio liderado pela Galp) entre Armamar e Moimenta da Beira, a aguardar autorização do Ministério do Ambiente. Ironicamente, prós lados de Lamego.
quinta-feira, 8 de outubro de 2009
QUERIDO DIÁRIO...
Ocorreu há dias a 1ª reunião de colegas do meu curso, em 15 anos. Graças à generosa CGD, os 2500€ depositados em 1994, destinados à viagem de curso e intocados, fermentaram até à fabulosa quantia de 2573€, viva a banca.
Tive a iniciativa de organizar o jantar e contactar as pessoas: alguns não se formaram, uma vive em Londres e outro na Suécia. Mandei um mail com a convocatória para a “reunião de curso”: um dos destinatários devolveu-me um ponto de interrogação. Quando esclareci qual o curso (qual a dúvida, não tirou mais nenhum…), pediu paciência, fora há 14 anos…
Muitos não foram, porque ficaram de pensar (até hoje), tiveram baptizados ou familiares subitamente doentes. Duas faltaram porque não se queriam cruzar com algumas colegas (como é que um qualquer episódio com 20 anos pesa mais que a vontade de ver 3 ou 4 amigos, no mínimo, que fizemos lá atrás?) e outra, ex-candidata a deputada, porque corre para presidente de câmara e está em campanha. Aliás, encontrei 4 candidatos autárquicos (um é presidente de concelhia), 3 deles em concelhos do interior – onde fica bem ter o doutor dos animais na lista. Umas eminências locais, portanto.
Houve uma ausência peculiar: o Lino arrancou 2 semanas antes para Antioquia (Turquia profunda, quase Iraque) para, com um professor particular, fazer as últimas 5 cadeiras – se tudo correr bem, 20 anos de curso…
Lá:
1. Como bons cristãos, multiplicámo-nos.
2. Um estava opado e 3 encanecidos, o resto TÁS IGUALZINHO, fisicamente e não só: o corista (caloiro, levou uma maleta de médico, insistindo que estudara em Medicina) continua corista, o cómico permanece um postal, a gótica continua gótica, o anão zangado mantém as trombas.
3. Estão todos empregados, alguns com múltiplos empregos, a maioria bem $ucedida, demonstrável no parque de estacionamento.
4. Há quem tenha trabalhos mais giros, como tratar de abutres e bisontes, mas quem foi mais longe foi a moça do Jaguar, que mandou tudo às malvas e agora cria porcos bísaros na sua quinta, “compondo” as clínicas do marido o resto do rendimento. Confirmou-se, o sucesso profissional não tem qualquer correlação com o sucesso académico, visto em chumbos e notas.
5. Foi curioso como a malta de agregou, geralmente com quem foi mantendo o contacto durante estes anos.
6. Sabia que tenho uma memória selectiva, o que quer dizer que esqueço a maioria das conversas, mas há gajos que se recordam de diálogos ipsis verbis que tiveram comigo, um prodígio (à chegada, disseram-me "continuas com roupa do teu irmão, lembras-te de comprares uma camisola da benetton 3 tamanhos acima, porque era gira e uma pechincha?").
7. Os optimistas acham que doravante podemos organizar um jantar anual.
Tive a iniciativa de organizar o jantar e contactar as pessoas: alguns não se formaram, uma vive em Londres e outro na Suécia. Mandei um mail com a convocatória para a “reunião de curso”: um dos destinatários devolveu-me um ponto de interrogação. Quando esclareci qual o curso (qual a dúvida, não tirou mais nenhum…), pediu paciência, fora há 14 anos…
Muitos não foram, porque ficaram de pensar (até hoje), tiveram baptizados ou familiares subitamente doentes. Duas faltaram porque não se queriam cruzar com algumas colegas (como é que um qualquer episódio com 20 anos pesa mais que a vontade de ver 3 ou 4 amigos, no mínimo, que fizemos lá atrás?) e outra, ex-candidata a deputada, porque corre para presidente de câmara e está em campanha. Aliás, encontrei 4 candidatos autárquicos (um é presidente de concelhia), 3 deles em concelhos do interior – onde fica bem ter o doutor dos animais na lista. Umas eminências locais, portanto.
Houve uma ausência peculiar: o Lino arrancou 2 semanas antes para Antioquia (Turquia profunda, quase Iraque) para, com um professor particular, fazer as últimas 5 cadeiras – se tudo correr bem, 20 anos de curso…
Lá:
1. Como bons cristãos, multiplicámo-nos.
2. Um estava opado e 3 encanecidos, o resto TÁS IGUALZINHO, fisicamente e não só: o corista (caloiro, levou uma maleta de médico, insistindo que estudara em Medicina) continua corista, o cómico permanece um postal, a gótica continua gótica, o anão zangado mantém as trombas.
3. Estão todos empregados, alguns com múltiplos empregos, a maioria bem $ucedida, demonstrável no parque de estacionamento.
4. Há quem tenha trabalhos mais giros, como tratar de abutres e bisontes, mas quem foi mais longe foi a moça do Jaguar, que mandou tudo às malvas e agora cria porcos bísaros na sua quinta, “compondo” as clínicas do marido o resto do rendimento. Confirmou-se, o sucesso profissional não tem qualquer correlação com o sucesso académico, visto em chumbos e notas.
5. Foi curioso como a malta de agregou, geralmente com quem foi mantendo o contacto durante estes anos.
6. Sabia que tenho uma memória selectiva, o que quer dizer que esqueço a maioria das conversas, mas há gajos que se recordam de diálogos ipsis verbis que tiveram comigo, um prodígio (à chegada, disseram-me "continuas com roupa do teu irmão, lembras-te de comprares uma camisola da benetton 3 tamanhos acima, porque era gira e uma pechincha?").
7. Os optimistas acham que doravante podemos organizar um jantar anual.
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