...e depois, com bigodes de leite, pedem mais paciência e esforço ao povo, que a "vaca 'tá seca".

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

O SILÊNCIO É DE OURO?

Le Penseur, Auguste Rodin
O melhor uso que se pode fazer da palavra é calar-se.
Chuang Tse
 
O silêncio é a maior sabedoria do homem.
Píndaro
 
O silêncio é um amigo que nunca trai.
Confúcio
 
O homem prudente não diz tudo quanto pensa,
mas pensa em tudo quanto diz.
Aristóteles
 
É melhor calar-se e deixar que as pessoas pensem que você é um idiota
do que falar e acabar com a dúvida.
Lincoln
 
Até o tolo, estando calado, é tido por sábio.
Provérbios 17:28, Antigo Testamento

Esta é uma pequena amostra de citações sobre a sabedoria do silêncio (e, nesse aspecto, eu sou estúpido que nem uma porta).
Na verdade, todos já conhecemos pessoas que pouco falam, o que atribuímos então a sapiência - o tempo encarrega-se de mostrar se tal se deve a modéstia e sábia reflexão ou apenas à vacuidade de pensamento.
Afinal, aqueles pétreos olhos azuis-água são profundos ou ocos, estão a prescrutar mais além ou a pensar em coisa nenhuma?

No 'Conde de Abranhos', uma ode à ironia, Eça brinca com esses mistérios e representa a gente que não têm uma opinião que seja, na pessoa do Conselheiro (!!!) Gama Torres:
"Não dava tão pouco ideias, porque, apesar da sua alta ilustração, que o torna um dos nossos grandes contemporâneos, a sua prudência, a sua reserva eram tais, que raras vezes se lhe tinha ouvido uma opinião nítida.
Sabia-se que aquela fronte um pouco calva, de entradas largas, estava recheada de ideias; somente conservava-as como um tesouro escondido. Era, por assim dizer, um avaro intelectual. As suas ideias eram para si; no silêncio do seu gabinete, agitava-as como o velho Grandet agitava o seu ouro, regalando-se do seu brilho e da sua sonoridade. Mas se alguém entrava de repente, aferrolhava tudo à pressa no cofre do cérebro, e da sua larga testa, de entradas altas, não oferecia mais que uma fachada impenetrável e monumental, que impressionava a todos e não aproveitava a ninguém.
Era alto, encorpado, e os seus olhos, azulados e redondos, tinham uma singular falta de expressão e de intenção. Porém, todos sabiam que por trás daquele olhar parado um mundo de ideias fermentava." 

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