...e depois, com bigodes de leite, pedem mais paciência e esforço ao povo, que a "vaca 'tá seca".

sexta-feira, 18 de março de 2011

POR A CABEÇA NO CEPO


Tá bem, Luís XVI era trineto do Rei-Sol e estava mal habituado. Vivera uma vida de fausto (o cunhado austríaco bem avisara a irmã Maria Antonieta que, ou diminuíam a pompa e sumptuosidade, ou havia uma "revolução terrível") e todos eram seus súbditos, honrados em lhe por a peruca ou mudar o penico.
Mas devia ter aprendido que esses tempos já lá iam. Tinha havido mesmo uma revolução, e os danados dos insurrectos tinham o desaforo de já não lhe fazerem a vénia e, vejam, de interrompê-lo ou mesmo desobedecer-lhe. A ele, que tinha sido tão bom para o povo: abolira a tortura, concedeu direitos aos protestantes, ajudou os americanos na guerra da independência e convocara os Estados Gerais, o que não acontecia há 200 anos. Dera-lhes demasiada confiança, foi o que foi.

Pois bem, as coisas foram de mal a pior e arranjou-se um plano para Luís fugir de Paris, rumo à leal fortaleza de Montmédy. Data: 20.6.1791.
A família real saiu do palácio das Tulherias por passagens secretas e apanhou uma carruagem alugada de transporte de passageiros até às muralhas da cidade. Até aí, tudo bem.
Mas então começou a desgraça: o real agregado apanhou uma volumosa berline puxada por 6 cavalos - Luís recusara um transporte mais leve e rápido, para não viajar separado de Maria Antonieta e dos 2 filhos. É!, uma carruagem enorme, como o peso da família, mais acompanhantes (fazem falta para a canasta, ou lá o que jogavam), mais criados noutra carruagem, mais guarda-costas e mais bagagem - sim, que um rei não leva só a roupa do corpo.
Pois o atraso de horas na partida, devido a hesitações e confusões (e ninguém se arranja do pé para a mão) não foi recuperado pela lenta carruagem. O comandante da primeira muda de cavaleiros assumiu que a fuga tinha sido novamente adiada e avisou as outras mudas. Ninguém à espera.
No dia seguinte, e escoltada por 2 cavaleiros, a berline atravessou Champagne. Adivinhe-se, Luís mandou parar duas vezes para descansar e ainda se dirigiu aos transeuntes, como se nada fosse.
Ó surpresa, aquela família "humilde" foi reconhecida pelo chefe dum posto de equipagens, que correu para alertar as autoridades em Varennes. Aí a foragida família foi recambiada para Paris (a mania de vetar os decretos da Assembleia fê-lo perder a cabeça 18 meses mais tarde - literalmente).
Mas afinal, o que é que correu mal???

Sem comentários:

Enviar um comentário