...e depois, com bigodes de leite, pedem mais paciência e esforço ao povo, que a "vaca 'tá seca".

sábado, 29 de setembro de 2012

O PARTIDO DO CHÁ DE CAMOMILA

Primeiro foi o Tea Party, movimento ultra-conservador que tenta puxar os republicanos para a direita.
Em 2010 surgiu uma alternativa, o Coffee Party, não-partidário, situado no centro(-esquerda), e que pugna pela discussão não inflamada das ideias e pelo desbloqueio do impasse governativo (quando o presidente tem cor diferente das maiorias do senado e do congresso).

Nesse mesmo ano apareceu outro movimento, o Chamomile Tea Party, contra as posições extremistas - quer-se radicalmente ao centro -, os políticos franco-atiradores e o finca-pé de republicanos e democratas no congresso, que paralisa o processo legislativo. Em alternativa, propõem que uma democracia participativa (não quer dizer referendária) e a colaboração entre os 2 partidos - e citam Joseph Joubert, 'O objectivo da discussão não é a vitória, mas o progresso'.
Porquê partido do chá de camomila? Porque querem trazer calma ao discurso político.
A curiosidade deste movimento são os cartazes, vários deles inspirados na propaganda da 2ª guerra mundial, da autoria do designer gráfico Jeff Gates. Alguns são bem pertinentes em Portugal2012, imagine-se.











sexta-feira, 28 de setembro de 2012

MAI' NADA!

Quanto aos sacrifícios que são pedidos, devem obedecer a três critérios: prova da sua imprescindibilidade, prova da justiça da sua repartição - tributar quem mais tem e tipos de rendimentos que tenham sido mais folgados em relação a outros que já estão bastante esmagados -, e, por último, prova da sua transitoriedade.
José Ribeiro e Castro, deputado e anterior presidente do CDS, 25-09-2012

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

FILHOS E ENTEADOS


Disse o Secretário de Estado Rosalino sobre o 'corte impiedoso' nas chamadas gorduras 'Foi a [redução] que foi possível fazer dentro do equilíbrio que se queria conseguir entre reduzir a despesa mas não criar problemas que viessem a inviabilizar o funcionamento de algumas fundações relevantes'.

Sobre as PPP, já se sabe que não se podem rasgar contratos, não é legal.
Mas já podem criar-se problemas que inviabilizem o funcionamento das famílias e rasgar-se contratos sociais e laborais com as pessoas (essas, presumo que irrelevantes, e que afinal eram as gorduras do Estado), uns empecilhos à genial obra de regeneração do país.

Não houvesse meninos saídos da faculdade como assessores a ganhar 5000€ (mais 2 subsídios 'suplementares'), dessem verdadeiras machadadas na EDP e nas PPP, o corte nas fundações não fosse pífio (mantendo a fundação do Magalhães), não excluíssem os professores universitários do congelamento de progressões na FP, ou o pessoal da TAP, CGD ou Banco de Portugal da redução de salários, fossem buscar o dinheiro que evaporou no BPN, ousassem reduzir uma câmara como assinaram com a troika, em suma, dessem o exemplo e calhasse a todos, e então apertávamos o cinto com menos ira.
E, já agora, se tivesse descido o défice, era sinal que o aperto serviu para alguma coisa.
Que mais terá que acontecer para lá chegarmos?

p.s.: a propósito de justiça fiscal, em 2010 só pagaram IRS/IRC 43% das famílias e 29% das empresas, em 2011 estava estimada em 40.000 milhões de euros a economia paralela.

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

EXEMPLAR




Nada é tão contagioso como o exemplo.
François La Rochefoucauld

O exemplo convence-nos mais do que as palavras.
Séneca

Um nobre exemplo torna fáceis as acções difíceis.
Johann Goethe

Dar o exemplo não é a melhor maneira de influenciar os outros - é a única.
Albert Schweitzer


OLHA,

Nuno Álvares Pereira

NAS GRANDES, 
COMO NAS PEQUENAS COISAS,
DEVE LIDERAR-SE PELO EXEMPLO.

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

TODA A VERDADE

- Tou, Gaspar?
- Como está... sr. primeiro...ministro.
- Olha, a troika diz que os números estão a correr mal. Só nos dão mais tempo se a gente avançar com mais medidas para aumentar a receita, e ainda fiquei de explicar como vamos substituir pró ano os 2000 milhões dos funcionários públicos?
- Sim...
- Falei com o Borges, é assim: tiramos na mesma os 2 salários aos tipos, e tiramos 1 salário aos privados, os fulanos do TC já não podem alegar inequidade. Convertemos um salário de todos em taxa prá segurança social (deixa de ser provisório...), e assim não temos mais impostos, tás a ver? Com esse dinheiro, baixamos a TSU e, pim, aumenta o emprego.  E como baixa o custo do trabalho, pum, aumenta a produtividade. Matam-se 3 coelhos, salve seja, duma cajadada só.
- Um momento... estou ... a abrir o excel (...) acho... que dá. E o... Dr. Portas...já concorda?
- Continua em roadshow, não o consigo apanhar pelo telemóvel, depois falo com ele. Um abraço.
- Mas nós dissemos... no ano passado... que a TSU só resultava no papel? Es...tou...? Estou...?

Contas de merceeiro, feitas sobre o joelho, dão nisto:
Manifestação de 15-09-2012, Avenida dos Aliados (Porto)

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

AHÃ

Subindo serra Pelada, Sebastião Salgado 1986

A VIDA É UMA PEDRA DE AMOLAR,
DESGASTA-NOS OU AFIA-NOS, 
CONFORME O METAL 
DE QUE SOMOS FEITOS.
George Bernard Shaw
.

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

NOTAS DE ESCUDO

Destas ainda me lembro. 20 escudos davam então para 4 bolas-de-berlim, e agora 10 'contos de réis' não enchem um depósito de gasóleo... 

€0,10
 Santo António. 1965-1986
 Garcia da Horta. 1965-1986
Gago Coutinho. 1978-1986 

€0,25
 Rainha Santa Isabel. 1965-1987
 Infanta D.Maria. 1979-1987 

€0,50
 Camilo Castelo Branco. 1968-1987
 Barbosa de Bocage. 1980-1990
Fernando Pessoa. 1987-1992

€2,5
 D. João II. 1966-1988
 Francisco Sanches. 1981-1990
 Mouzinho da Silveira. 1988-1998
 João de Barros. 1997-2002

€5

 D. Maria II. 1967-1987
 D. Pedro IV. 1979-1991
Teófilo Braga. 1988-1997 
Pedro Álvares Cabral. 1996-2002  

€10
Bartolomeu Dias. 1991-1997 
 Bartolomeu Dias. 1996-2002

€25
     
António Sérgio. 1981-1992
Antero de Quental. 1987-1997 
 
Vasco da Gama. 1996-2002

€50
Egas Moniz. 1989-1997 
Infante D. Henrique. 1996-2002  

e as últimas moedas

mais em
http://notasrepublica.blogs.sapo.pt/
http://clientebancario.bportugal.pt/PT-PT/NOTASEMOEDAS/NOTASEMOEDASNACIONAIS/Paginas/Escudo.aspx?pagenr=1

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

BEM LEMBRADO


Paula Rego

A MEMÓRIA É O LUGAR ONDE
TUDO ACONTECE PELA SEGUNDA VEZ.

(...)  a memória e a imaginação têm funções praticamente idênticas no cérebro. 
Há uma sobreposição. De facto, 
RECORDAR É UMA FORMA DE IMAGINAR. 

Paul Auster
.

EMPREITEIRO DE DEUS




Cenário, Igreja de Santa Clara (Boavista, Beja). Uns murais a óleo e têmpera, a caminho dos 400 anos, estavam meio apagados. O pároco 'contratou' um velhote que vivia no lar e dizia ser pintor, que já via mal e tinha pouca mobilidade, para retocar as paredes - com tinta plástica!
O padre justificou-se, 'quis melhorar aquilo e foi o que fiz. não percebo nada disso do património'. Pois.
Isto aconteceu nos anos 80 (o Cristo de Borja é um sucedâneo, portanto), mas o auto-intitulado 'empreiteiro de Deus' não se ficou por aqui: em 2006, mandou retirar todas as cantarias da igreja, 'eram calhaus sem qualquer valor', e retirou o púlpito, 'estava a estorvar a celebração'...

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

NORMAN ROCKWELL, O ILUSTRADOR

As ilustrações do Norman Rockwell fazem-me logo lembrar os livros da Anita, que guardo no mesmo gavetão empoeirado onde estão os filmes technicolor da Lassie, os rebuçados santo onofre e os iogurtes feitos em casa. Suspeito que terão o mesmo efeito convosco, se já cá estavam antes do 25 de Abril. 
Voltando ao dito, Rockwell (1894-1978), descendente de um dos primeiros colonos da américa, era conhecido como ilustrador de livros, postais, selos, cartazes, calendários (como os dos escuteiros, lançados anualmente entre 1925 e 1976) e revistas: debutando em revistas juvenis como a Boys’Life (onde conseguiu a sua primeira capa em Setembro de 1913), passou pela Saturday Evening Post (SEP), Life magazine, Country Gentleman, Ladies’ Home Journal, Literay Digest e, nos anos 60, na revista Look. Dizer que passou pela SEP é claramente um exagero, foi mais um emprego de longa duração: entre 1916 e 1963, Rockwell assinou 322 (ou 323) capas da revista.

Os seus milhentos trabalhos (cerca de 4000) são na grande maioria caricaturas realistas, passe o paradoxo, e davam trabalho: usava modelos e, a partir de 1937, cada ‘boneco’ envolvia uma composição de fotografias de pessoas e cenários, que ele depois plasmava na tela. Sempre com saudáveis bochechas rosadas.
Querido da América, o ilustrador Norman Rockwell retractava o país interior, dos valores, com o seu casulo de interesses (a lembrar o salazarento 'viver habitualmente'*), em cândidas cenas do dia-a-dia: as refeições, os encontros familiares, o natal, os escuteiros, as orações, os namoros, as idas à missa ou ao médico.

Durante muitos anos, os protagonistas foram os WASP (brancos anglo-saxónicos protestantes), mas, quando se mudou para a Look magazine, lá chegou o tempo de tratar o tema dos direitos civis e colocar os negros na boca de cena. 
Um dos seus trabalhos mais conhecidos é sobre Ruby Bridges, a primeira criança negra a entrar numa escola multirracial (forçada pela lei) – enfrentando sem uma lágrima a hostilidade de manifestantes e a recusa de professores e pais dos outros miúdos, durante um ano foi acompanhada por polícias para a escola e tinha uma professora (voluntária) só para ela.

* Norman pintava a felicidade, mas não viveu habitualmente: 3 mulheres, 1 divórcio, 1 viuvez, depressões, apoio psiquiátrico, o incêndio do estúdio com parte da sua obra.

Checkers (2.7.1928 Ladies' Home Journal)
Doctor and the doll (29.3.1929 Saturday Evening Post)
Puppeteer (22.10.1932 Saturday Evenong Post)
 The Tattoo Artist (4.3.1944 Saturday Evening Post)


Penny candy (23.9.1944 Saturday Evening Post)
Saying grace (24.11.1951 Saturday Evening Post)
How-to-diet (3.1.1953 Saturday Evening Post)
Happy Birthday Miss Jones (17.3.1956 Saturday Evening Post)
Optometrist. kid with new glasses (19.5.1956 SEP)
After the prom (25.5.1957 Saturday Evening Post)


 Before-the-shot (15.3.1958 Saturday Evening Post)
The runaway (20.9.1958 Saturday Evening Post)


The problem we all live with (01.1964 Look magazine)
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New Kids in the Neighborhood (16.5.1967 Look magazine)