...e depois, com bigodes de leite, pedem mais paciência e esforço ao povo, que a "vaca 'tá seca".

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

ALQUIMIA

Receita:
Necessário uma balança de precisão e máquina de calcular, a menos que seja expert em regras de 3 simples. Vamos ao xarope: junte 11.07 ml de extracto líquido de folha de coca (atenção, sem princípio activo), 90 ml de ácido cítrico, 30 ml de cafeína, 30 de açúcar (medida desconhecida), 9.46 litros de água, 0.946 litros de sumo de lima, 28.35 g de baunilha e 42.525 g de caramelo (acrescente mais, se quiser dar cor).

Agora o sabor secreto, chamemos-lhe 7X: adicione 240 ml de álcool, 20 gotas de óleo de laranja, 30 gotas de óleo de limão, 10 gotas de noz-moscada, 5 gotas de coentros, 10 gotas de néroli (extracto dum citrino arraçado de laranja) e 10 gotas de canela (o que não encontrar na mercearia do Sr. Catarino, há certamente no Corte Inglés). Mexa bem.
Agora treine a matemática e junte 60 ml deste líquido a 18.927 litros de xarope. Voilá, ofereça uma coca-cola aos seus convidados. Se eles fizerem caretas à mistela, diga-lhes que é A original, longe da forma gaseificada que existe desde 1977, uma cedência à vulgaridade!

Como se soube? O programa This American Life da Chicago Public Radio encontrou a foto da receita na edição de 18.2.1979  do Atlanta Journal Constitution - John Stith Pemberton era de Atlanta, e criou a fórmula em 1885, que incluía originalmente álcool e coca (o ex-combatente da guerra civil era agarrado a morfina). Ninguém reparou que a foto que ilustrava a notícia tinha a receita. De acordo com a rádio, a receita andou de mão em mão, escrita por um amigo do farmacêutico “alquimista” num livro com receitas de produtos medicinais e unguentos, com capa de couro, e foi copiada por amigos e parentela durante gerações.

Mas a multinacional nega o fim do segredo, alegando que a fórmula continua segura (no cofre-forte do Sun Trust Bank de Atlanta): “Muitos tentaram ao longo do tempo descobrir a nossa fórmula secreta”, disse à ABC News Kerry Tressler, porta-voz da marca. “Apesar de tentarem, só existe uma receita real. E não é essa.” Não poderiam dizer diferente, o mito ajuda à publicidade.
É de referir que a fábrica de Azeitão acaba a bebida (põe gas e açucar), mas a mistura secreta vem dos states.

ATÉ QUE ENFIM


"PODE FAZER-SE UMA TRAPALHICE PEGADA E DEPOIS INVENTA-SE UMA HISTÓRIA A EXPLICAR AQUILO TUDO."
Paula Rego, discurso de agradecimento na outorga das insígnias de doutora honoris causa, Univ. Lisboa, 11.2.2011

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

VRRUUUUUMM


Nunca fui dado a mecânica e aquelas tarefas domésticas “de homem” são cumpridas de forma sofrível. Desde sempre.
14 anos. A caminho do liceu, numas ruas periféricas (para fugir à GNR), a mini-mota da minha irmã parou. Levei-a à oficina e a rápida prescrição do mecânico funcionou, a gasolina estaria “coalhada” e devia ir à bomba atestar… Eu tinha abanado a mota e ouvia barulho, mas o tubo do depósito era alto e não aproveitava restos!
24 anos. Levei 2 consultores ao stand para ver uma R4 em 3ª mão, daquelas que se fecha o ar quando está frio – reviraram o carro e aprovaram, “os arrebites”, só não repararam que, de trás, se conseguia ver 3 rodas. Certa vez saí de casa a caminho do trabalho, andei 1 km e o carro deixou de funcionar: deixei-o no lugar, fui chamar o tio da Susana e depois o mecânico, o veredicto foi simples, tinha fechado “demasiado” o ar e afogado o carro. O problema é que o carro parara na curva duma estrada daquelas que está vazia às 7.45 e não se avança às 7.50: o senhor do carro atrás de mim assumiu que estava no trânsito e começou a ler o jornal, e ficaram assim umas dezenas de carros atrás do meu, vazio.

Porque me lembro disto agora?
Desde que o meu carro perdeu o cheiro a novo, que não o mimo, não vá habituar-se: óleo vê-se na revisão, sabonete e aspirador (quase) uma vez por ano. Há dois anos que, quando vou na estrada e a minha mãe me telefona, ouve a chiadeira e resmunga que ainda não mudei as escovas do para-brisas. Como não é “viril” ir à oficina para por escovas novas, hoje finalmente substitui-as. E parti o vidro. Nem tudo é mau, deu para ver que as molas estão boas…

Não provocou riso quem foi capaz de rir de si mesmo. Séneca
Quem sabe rir de si mesmo, diverte-se muito mais. Saint Simon

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

FELIZ DIA DOS NAMORADOS

AS VOLTAS QUE O MUNDO DÁ

É muito importante que o estado não chateie, ou seja, que seja um elemento facilitador e não um complicador. Económico, 9.2.2011

Para quem veio da UDP, o discurso é um tanto liberal. Desde 2008 CEO da Mota-Engil, foi chefe de gabinete do Secretário de Estado dos Transportes (83-85), deputado (87-95), chefe de gabinete de duas Secretarias de Estado de Macau (87-91), Ministro Adjunto, da Administração Interna, de Estado, do Equipamento Social (95-2001). O Sr. Mota deve pensar como Coelho e uma mente perversa, o que não é o meu caso, acharia que o contratou pelo seu curriculum facilitador.


domingo, 13 de fevereiro de 2011

É TUDO MUITO RELATIVO

 2 das peças roubadas


Depois do Iraque, o Egipto.
28 de Janeiro, o povo enche a praça Tahrir. No Museu Egípcio do Cairo, com frente para a praça, uns cretinos aproveitam o rebuliço para um assalto e sacam oito peças muito valiosas, incluindo uma estátua de madeira coberta de ouro do rei da XVIII dinastia Tutankamon, uma estátua em calcário de Akhenaton, outra de Nefertiti e uma cabeça em cerâmica de uma princesa de Amarna, antiga capital de Akhenaton, a estatueta de um escriba de Amarna, estatuetas funerárias e um amuleto que representa um escaravelho de Yuya.
Danos colaterais, 70 peças danificadas, incluindo a decapitação de duas múmias dos avós do faraó Aquenáton.
O director do serviço de antiguidades egípcias, e secretário de Estado, Zahi Hawas - aquele homem com chapéu à Indiana Jones que aparece em todos os documentários sobre arqueologia egípcia - estava consternado, dizia ter visto destruído o trabalho dos últimos 9 anos.
O que não for recuperado há-de acabar no cofre-forte de algum egoísta, que quer as peças só para si, pois mais ninguém as poderá ver.
Preço? Não têm.

Mas tudo o resto se quantifica. O rendimento diário médio dos 88 milhões de egípcios não chega a 2 euros, a fortuna acumulada pelo "reformado" Mubarak é estimada entre 29 e 51 mil milhões de euros.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

EU É QUE CENSURO *


Portugal é o País que mais gasta proporcionalmente no euromilhões. Vai daí o governo vai dar-nos a “graça” de termos mais um sorteio por semana - a troco de um imposto pelo devaneio, claro. É como uma Happy Hour numa reunião dos AA.
Tem sido uma saga, uma novela interminável (passe o pleonasmo), a descoberta sincopada de mais um modo de arrecadar receita. E funciona, a receita fiscal subiu 15% em Janeiro, comparando com o mês homólogo.
O que espanta é que as coisas não melhoram. Números frescos, a inflação média foi de 1.7%, em Janeiro foi de 3.6% (valor mais alto desde 2006); os juros da dívida a 10 anos atingiram hoje o recorde desde a entrada no euro, 7.6% ; a despesa corrente primária – apesar do corta-corta-corta! – conseguiu subir em 2010, 400 milhões acima da meta prevista.
Pièce de résistance, o número-tonelada: a dívida pública subiu, desde 2004, de 82.000 para 150.000 milhões de euros. Pim!
E vamos andando: o governo a virar o bolso das calças, a desencantar receitas e cortar mais umas coisas (agora, a 'propina' pública por turma), todos a cada mês mais endividados e taxados, e as empresas pouco lucrativas ‘tadinhas (as grandes não contam, já não são nossas): diz o Expresso que o IRC em 2010 rendeu 4591,5 milhões de euros, apenas 3 vezes mais que o imposto do tabaco, que deu ao Estado quase 1428,7 milhões. A solução está naquela música do Abrunhosa, “o que é que temos que fazer?”, talvez f…umar.
Ou então convencemos o Bono a iniciar uma campanha tipo Give Portugal a Chance. Aceitam-se mecenas.

Desculpem a acrimónia, ainda estou de ressaca desde o último “novo salário”: em Junho aumentou o IRS e respectiva retenção (20€), em Dezembro acabou o abono (22€), agora aumentou a Caixa geral de Aposentações e desceu o salário de funcionário público (67€), é fazer as contas. Não fosse o prejuízo ser quase o dobro (a minha cara-metade teve igual racionamento na receita), o pormenor de haver uma coisa que responde por inflação e as coisas serem mais caras, o gasóleo ter subido 30% nestes 2 anos (mas o petróleo desceu 40%, desde o pico de Julho de 2008) e adivinharem-se mais “medidas” no futuro próximo, que já sabemos o que querem dizer e não são boas notícias – não fosse isso, e eu estaria hoje mais tolerante.

* O PC disse ponderar e o BE adianta-se, marcou hoje uma moção de censura (5 dias depois de considerar "sem resultados práticos" a eventual moção dos comunistas) para daqui a um mês. Sócrates diz que é competição com PC, favor à direita que tem política à FMI (como se ele não...) e que a esquerda radical tem ódio sectário ao PS. BE diz que apoia a esquerda quando é esquerda, e que prática do PS não é de esquerda. Pois.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

UM DIAMANTE CARTIER, BRESSON

Henri Cartier-Bresson (1908-2004) é um dos principais fotógrafos do séc. XX, talvez o pai do fotojornalismo. Em 1931, inspirado por uma fotografia do Martin Munkacsi, com 3 miúdos nus brincando numa praia do Congo - nela viu que ''o equilíbrio plástico desta foto suspende seu ímpeto pela vida...um retorno às origens...a mais nobre humanidade” (um bloguer viu uma "coreografia de dança, com a liberdade genuína do ser humano...totalmente livres sem obstáculos, poderosamente sensuais, exuberantes, joviais, vivos... leves e verdadeiros, brincando entre si, como se fossem os únicos possuidores da verdade humana” – não vi nada disso, mas ‘tá gira) -, resolveu o que queria fazer.
Em 1947, fundou a agência fotográfica Mangnum, com Robert Capa, Bill Vandivert, George Rodger e David Seymour, passando à procura do “momento decisivo”, pois a foto não deve ter coreografia ou preparação. O seu apogeu ocorreu com as reportagens na Índia (cobrindo os últimos dias de Gandhi) e na china chegada ao comunismo, em 1948-50. Abandonou a agência em 66 e reformou-se em 1975, reservando a sua Leica (marca de sempre) para fotografias familiares e voltando à pintura, seu primeiro amor.
Dele são as frases "Fotografar é colocar na mesma mira a cabeça, o olho e o coração" ou “A gente olha e pensa: Quando aperto? Agora? Agora? Agora? Entende? A emoção vai subindo e, de repente, pronto. É como um orgasmo, tem uma hora que explode. Ou temos o instante certo, ou o perdemos… e não podemos recomeçar…”
Com uma obra extensa, o difícil é escolher o que mostrar. Cada fotografia seguinte merece o palco só para si, pelo insólito, pela carga histórica, pela estética ou por serem, na verdade, o momento decisivo.

O clique: Lago Tanganica-Congo 1930, por Munkacsi
Hyeres 1932
Bruxelas 1932
Junto à gare Saint Lázare 1932
Marselha 1932




Jean Paul Sartre 1946
Truman Capote 1947
Xangai 1948. Fila no banco, para levantar ouro, antes da chegada dos comunistas
Dheli 1948. Nehru anuncia a morte de Gandhi
Funeral de Gandhi
Matisse 1951


Itália 1952
Atenas 1953
Paris 1953. Membro da Academia Nacional
Rue Mouffetard 1954 Reno USA 1961. Marylin
Alberto Giacometti 1961 Samuel Beckett 1964
Brie 1968
Brasserie Lipp, Saint Germain des Prés 1969
Rua Arbat, Moscovo 1972
Celebração do 1º de Maio, Leninegrado 1973
Paris 1973

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

CARTIER BRESSON AU PORTUGAL

Em 2010, o MoMa apresentou uma retrospectiva de Cartier Bresson, intitulada "o século moderno", sobre o período 1929-89. Portugal aparece em 2 das cerca de 300 fotografias apresentadas, com Belém (Mosteiro dos jerónimos) e a Nazaré.
O fotógrafo andou por cá um mês, em 1955, numa espécie de raide (sem auto-estradas e scuts): Lisboa, Cascais, Estoril, Sintra, Óbidos, Nazaré, Coimbra, Porto, Amarante, Lamego, Tomar, Alpalhão, Castelo de Vide, Marvão e Estremoz. Uff.
Consta que não gostou do país.
Daqui levou uma imagem dum país atrasado e profundamente católico. Mas não foram só pobres com roupa remendada e farda regional, também clicou uma festa privada da alta burguesia de cascais, onde foi conviva.
Com pena minha, não consegui encontrar algumas das fotografias sem a "marca-de-água" da Magnum. As minhas preferidas são a primeira (um observador mais imaginativo viu na coluna um caminho para o céu...) e a de Lamego.

Jerónimos, Lx

Praça do Comércio, Lx


Praça do Comércio, Lx

Castelo de S. Jorge, Lx

Terreiro do Paço, Lx

Cascais

Praia do Tamariz, Estoril


Porto
   

Amarante (legendado Guimarães, no livro Europeans)
 
Viana do Castelo


Viana do Castelo
Alentejo

Lamego

Estremoz
 
Nazaré
 
Nazaré
 


Nazaré