...e depois, com bigodes de leite, pedem mais paciência e esforço ao povo, que a "vaca 'tá seca".

domingo, 20 de março de 2011

TIRANDO O BES, CLARO *



Acabou o [24º] congresso do CDS (inovação, abandonou-se a numeração romana), com um cenário austero mas apelativo.
O pequeno timoneiro fez um discurso de 68 minutos, abdicou do 2º para dar tempo às bases e demorou 40' no discurso de encerramento. Aqui ficam seis frases:

O PS e o PSD não são partidos iguais, mas têm defeitos parecidos.

O PSD não quis a nossa influência antes, terá que tê-la depois.

Ao contrário do PS e do PSD, o CDS não tem clientelas para satisfazer* nem caciques locais.

Voltemos ao antigo, pode ser um progresso.
(sobre o regresso à eleição em congresso, citando Verdi)

A Educação é função da Família, o Ensino é competência da Escola.

Quando o adversário está equivocado, não o distraias. 
(sobre a descrença no crescimento do partido, citando Napoleão)

À nossa frente parece que há o caos.
Mas eu vos garanto que a seguir ao caos, há um país excelente.
(sobre a esperança no futuro, citando Amaro da Costa)

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sábado, 19 de março de 2011

E RAPA O TACHO


PEC 1 (Março 2010, orçado em 3168M€)
Limite nas deduções no IRS
Aumento de IRS para pensões acima de 22.500€
Taxa de IRS de 45% para rendimentos acima de 150.000€
Taxação de mais-valias mobiliárias a 20%
Prestações sociais condicionadas a prova de recursos
Adiamento por 2 anos do TGV Lisboa-Porto-Vigo

PEC 2 (Maio 2010, orçado em 3675M€)
IVA sobe para 21%
Sobretaxas de 1 e 1,5% para todos os escalões de IRS
Sobretaxa de 2,5% no IRC
Portagens em todas as SCUT
Corte de 5% nas remunerações de cargos políticos
Redução de transferências e despesas de capital

PEC 3 (Setembro de 2010, orçado em 5047M€)
Corte de 3,5 a 10% nos salários acima de 1500€ na função pública
Subida na comparticipação para a CGA
Aumento do IVA para 23%
Congelamento de pensões
Redução de transferências e despesas de capital
Extinsão/fusão de 50 organismos públicos (em banho-maria)
Corte no Rendimento Social de Inserção em 20%
Corte ou fim do abono de família, conforme rendimento
Redução de benefícios fiscais
Novo imposto sobre a banca

PEC 4 (Março de 2011, orçado em 6912M€)
Corte de 3,5 a 10% nas pensões acima de 1500€
Aumento da carga fiscal de todos os pensionistas
Suspensão da indexação de pensões
Revisão e limites de deduções e benefícios fiscais no IRS e IRC
Alteração na estrutura de taxas de IVA
Aumento de impostos sobre consumo (IA, tabaco, bebidas)
Congelamento de todas as pensões durante 3 anos (afinal um equívoco!)

Enquanto isso, desce o IVA do golfe, gastam-se 10.000€ num curso de inglês a 2 dirigentes do IFAP (só a deslocação do professor custa 2842€), o custo com parcerias público-privadas vai obrigar a pagar mais 250 milhões (151 deles à Mota-Engil+BES, oh surpresa!), o Secretário de Estado da Justiça aprova o pagamento de 71000€, contra todos os pareceres, a uma magistrada que acumulou funções durante 1 ano - só por acaso, mulher do seu ministro.
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UM JORNAL CHAMADO GORMITI


Pousei o jornal na mesa e um meu conhecido pôs-se a folheá-lo, de trás para a frente.
"Tou a ver que o que gosta mais de ver no jornal é de futebol, parou aí", disse eu.
"É o que ligo mais. E você?", perguntou.
"Eu gosto mais da política e da parte onde malham no Sócrates", respondi.
"Eu nem desgosto desse senhor...", retorquiu, enquanto chegava à última página, a primeira.
"Este jornal chama-se gormiti???"
"Não, isso é propaganda aos cromos de bonecos para míudos, que estão a dar (ironia, o slogan inicial era o jornal que não dá brindes ou promoções). O jornal chama-se Sol".
"Ah, não ouvi falar", disse.

Lógica aristotélica: pessoa pouco informada não desgosta do Sócrates.

sexta-feira, 18 de março de 2011



A ORDEM NÃO É UM FIM, É UM MEIO.
A LIBERDADE NÃO É UM FIM, É UM PRINCÍPIO.

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PÔR A CABEÇA NO CEPO


Tá bem, Luís XVI era trineto do Rei-Sol e estava mal habituado. Vivera uma vida de fausto (o cunhado austríaco bem avisara a irmã Maria Antonieta que, ou diminuíam a pompa e sumptuosidade, ou havia uma "revolução terrível") e todos eram seus súbditos, honrados em lhe colocar a peruca ou mudar o penico.
Mas devia ter aprendido que esses tempos já lá iam. Tinha havido mesmo uma revolução, e os danados dos insurrectos tinham o desaforo de já não lhe fazerem a vénia e, vejam, de interrompê-lo ou mesmo desobedecer-lhe. A ele, que tinha sido tão bom para o povo: abolira a tortura, concedera direitos aos protestantes, ajudara os americanos na guerra da independência e convocara os Estados Gerais, o que não acontecia há 200 anos. Dera-lhes demasiada confiança, foi o que foi.

Pois bem, as coisas foram de mal a pior e arranjou-se um plano para Luís fugir de Paris, rumo à leal fortaleza de Montmédy. Data: 20.6.1791.
A família real saiu do palácio das Tulherias por passagens secretas e apanhou uma carruagem alugada de transporte de passageiros até às muralhas da cidade. Até aí, tudo bem.
Mas então começou a desgraça: o real agregado apanhou uma volumosa berline puxada por 6 cavalos - Luís recusara um transporte mais leve e rápido, para não viajar separado de Maria Antonieta e dos 2 filhos. É!, uma carruagem enorme, com o peso da família, mais acompanhantes (fazem falta para a canasta, ou lá o que jogavam), mais criados noutra carruagem, mais guarda-costas e mais bagagem - sim, que um rei não leva só a roupa do corpo.
Pois o atraso de horas na partida, devido a hesitações e confusões (ninguém se arranja do pé para a mão) não foi recuperado pela lenta carruagem. O comandante da primeira muda de cavaleiros assumiu que a fuga tinha sido novamente adiada e avisou as outras mudas. Resultado, ninguém à espera.
No dia seguinte, escoltada por uns meros 2 cavaleiros, a berline atravessou Champagne. Adivinhe-se, Luís mandou parar duas vezes para descansar e ainda se dirigiu aos transeuntes, como se nada fosse.
Ó surpresa, aquela família "humilde" foi reconhecida pelo chefe dum posto de equipagens, que correu para alertar as autoridades em Varennes. Aí a foragida família foi recambiada para Paris (a mania de vetar os decretos da Assembleia fê-lo perder a cabeça 18 meses mais tarde - literalmente).
Mas afinal, o que é que correu mal???

quinta-feira, 17 de março de 2011

CDS EM CAMPANHA

Já devo ter contado que colei cartazes e andei em cima das camionetas nas campanhas do PSD, como a maioria dos meus amigos. Cheguei a andar pelo ribatejo com um debutante Cavaco, mas afastei-me na sua 2º campanha, quando se tornou absoluto. O que havia por perto? Um partido de quadros, óptimos tribunos de meia-idade, muito certinhos e respeitosos, com 4 deputados (sempre tive simpatia por quem perde, mesmo num jogo de bilhar). 
Quando ia de camioneta para Vila Real, pela estrada antiga (não havia A4; a viagem até ao Cartaxo durava 8 a 12 horas, e metia à 6ª o combóio-correio Porto-Setil, com paragem em todas as estações e apeadeiros), vi durante anos um cartaz gigantesco, à saída do Porto, com Adriano Moreira e o mais novo dos seus muitos filhos. Uma imagem afável.
Tenho idade para me lembrar bem dos autocolantes das presidenciais do Freitas e do Basílio (que acabaram socráticos), do consensual Lucas Pires (afinal, acabou no PSD), dos cartazes irreverentes do Manuel Monteiro (foi beber um café e fundou outro partido), do anti-federalismo (póstumo). Até aos cartazes simples (a uma cor é mais barato), mas eficazes, das últimas legislativas.
A quem interessar, aqui ficam.   




Freitas do Amaral (1974-82; 88-91)

1975



Legislativas 1980





Legislativas 1983
  Lucas Pires (1983-85)
  
Presidenciais 1986


Adriano Moreira (1986-88)
Legislativas 1987
Presidenciais 1991
Legislativas 1991




Manuel Monteiro (1992-1998)
Legislativas 1995





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Referendo 1998
1999

Europeias 1999



Legislativas 2002
Paulo Portas (1998-2005; 2007- )
Legislativas 2005

Autárquicas 2005
CDS-Madeira

 Europeias 1999
Ribeiro e Castro (2005-07)
Legislativas 2009

E agora, verdadeiros gags das autárquicas:

não ficou
ficou tempo demais
também não ficou
(junta freguesia de Castro Daire 2009)
moderna, só a universidade do líder
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