Porto, 28.03.2015
"Para certos republicanos a República tem sido um pé de cabra com que vêem aumentando os seus haveres." Senador João de Freitas, histórico republicano, in Boletim parlamentar do Senado, 11-06-1913
domingo, 29 de março de 2015
sexta-feira, 27 de março de 2015
domingo, 22 de fevereiro de 2015
MANGA DE ALPACA
UM PAÍS TEM QUE GOVERNAR-SE
COM CONTABILIDADE,
NÃO PODE GOVERNAR-SE
POR CONTABILIDADE.
Fernando Pessoa, 1932-33
sábado, 21 de fevereiro de 2015
FRIENDHOOD
terça-feira, 17 de fevereiro de 2015
É FAVOR NÃO INCOMODAR
'A FELICIDADE SUPREMA
É NÃO SER INCOMODADO.'
Georges Clémenceau
A resposta do estadista francês a George Sylvester Viereck, publicada na revista Liberty (7/7/1928), ficava bem debruada com a imagem dum livro, um jarro de sangria e uma esplanada soalheira.
Mas do que me lembrei foi das 'meninas' de Romina Ressia, que têm uma particularidade, além da provocada incoerência dos adereços: o semblante impaciente das donas, de quem está a fazer um frete.
Fosse Clémenceau português, e o que pediria era sopas e descanso.
domingo, 25 de janeiro de 2015
AND NOW, FOR SOMETHING COMPLETELY DIFFERENT (?)
O axioma medieval 'Graecum est, non legitur' (é grego, não se lê) nunca
fez tão pouco sentido como hoje, as eleições gregas interessam a todos.
O povo decidiu, está decidido.
Como disse Pedro Mexia, a Grécia é aquele que entra primeiro no quarto escuro e vai batendo com as
canelas nos móveis, os seguintes já vão menos às cegas. Foi assim com o
resgate, é agora com a eleição da esquerda radical, cada vez mais moderada, por
realismo ou tacticismo, seja na suspensão unilateral do pagamento da dívida e
negociação para o seu cancelamento (impagável, mesmo após o perdão de metade
dela, em 2011), na saída da OTAN, na nacionalização da banca (tudo no
programa de 2012) e na crença do euro, que nem sempre existiu – Lafazanis,
líder dum dos partidos do Syriza, quer mesmo o abandono da moeda.
Facto é que só o desespero
conduziu a esta solução, um último ‘cartucho’ usado mais por cansaço que com
entusiasmo: o Syriza passou em 5 anos de 4,6 para 36% (enquanto o socialista Pasok desceu de 43,9 para 4,8%) porque o que há não serve
e, pensam os gregos como o Tiririca,
pior que está não fica.
Ganhar foi o mais fácil. Agora se verá se a Coligação da
Esquerda Radical honra o cartaz de 2007 e torna possível o impossível, ou cai
na real – não espere que lhe continuem a emprestar dinheiro no dia em que
decida não pagar o que deve, sem primeiro convencer os credores (os outros europeus) que isso também
lhes interessa, e sem que estes imponham condições… austeras.
Talvez mais cedo que tarde, Tsipras
(acossado pelos seus companheiros mais puristas, os falcões desagradados com um governo
‘redondo’) não consegue aumentar salários, pensões, apoios sociais e
investimento sem cortar noutras despesas ou aumentar receitas, e descobre que o
seu possível é impossível para os gregos.
Se correr bem, é bom para os
gregos (e alumia os que vêm atrás, no escuro); se correr mal, é vacina para as outras
quimeras radicais europeias.
* conta a lenda que Ariadne, filha do Rei Minos, deu um novelo de linha ao seu apaixonado Teseu, quando este entrou no labirinto do Minotauro, para ele conseguir achar o caminho de volta. Na Lógica, o fio de Ariadne consiste na escolha duma alternativa não marcada como fracassada e segui-la logicamente até onde for possível; se não resultar, volta-se à última decisão tomada, que se regista como fracassada, e tenta-se outra opção. Caso não exista, anda-se para trás até encontrar uma decisão com alternativas e segue-se por uma delas. Está visto, a solução para a Grécia sair do buraco é a mitologia e algoritmos.
* conta a lenda que Ariadne, filha do Rei Minos, deu um novelo de linha ao seu apaixonado Teseu, quando este entrou no labirinto do Minotauro, para ele conseguir achar o caminho de volta. Na Lógica, o fio de Ariadne consiste na escolha duma alternativa não marcada como fracassada e segui-la logicamente até onde for possível; se não resultar, volta-se à última decisão tomada, que se regista como fracassada, e tenta-se outra opção. Caso não exista, anda-se para trás até encontrar uma decisão com alternativas e segue-se por uma delas. Está visto, a solução para a Grécia sair do buraco é a mitologia e algoritmos.
segunda-feira, 19 de janeiro de 2015
YANN ARTHUS BERTRAND, NÃO TEM DE QUÊ
Yann Arthus Bertrand, o autor da exposição '7 mil milhões de outros', no Museu da Eletricidade, é um francês especial. Também dedicado ao vídeo - porque, como disse, só um pequeno grupo de pessoas, como Sebastião Salgado, pode viver da fotografia -, Yann é em primeiro lugar fotógrafo, e um bastante despretensioso: como disse na entrevista ao Fotografia Total, as suas fotos não têm direitos de autor, se não usadas com intuito comercial, e Yann até fica contente quando uma das suas imagens é publicada na internet.
Seja, é com prazer que faço Yann feliz 22 vezes, com imagens suas das séries Terra vista do Céu, Cavalos e As bestas e os homens. Repito, não tem de quê.
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| Cemitério americano a norte de Verdun, Meuse, França |
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| B-52s na base aérea Davis-Monthan perto de Tucson, Arizona, E.U.A. |
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| Ossos de baleia Beluga, Van Keulenfjorden, Ilha Spitsbergen, Svalbard, Noruega |
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| Colunas de Buren, Palais-Royal, Paris, França |
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| Fardos de algodão, Thonakaha, região do Korhogo, Costa do Marfim |
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| Colheita de algodão perto de Banfora, Burkina Faso |
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| Caravanas de dromedários perto de Fachi, deserto de Ténéré, Niger |
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| Madeiras flutuantes perto de Port-Gentil, província de Ogooué-Maritime, Gabão |
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| Cemitério de tanques iraquianos no deserto próximo de Al Jahrah, Kuwait |
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| Tapetes de Marraquexe, Marrocos |
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| Campas modernas num cemitério em Asyut, vale do Nilo, Egipto |
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| Monumento aos Descobrimentos na margem do rio Tejo, Lisboa, Portugal |
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| Planisfério da exposição “Earth from Above” na Plaza Santiago R. Palmer em 2007, Caguas, Porto Rico |
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| Salinas em Alexandria, Egipto |
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| Piscina na Universidade de São Paulo, São Paulo, Brasil |
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| Tractor num campo próximo de Bozeman, Montana, E.U.A. |
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| Estaleiro de Ulsan, Coreia do Sul |
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| Desperdícios da estação de dessalinização em Al-Doha, região de Jahra, Kuwait |
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| Yankee Stadium, NY, E.U.A |
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| Barcos em Kalaban Koro, subúrbios de Bamako, Mali |
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| série cavalos |
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| série 'des bétes & des hommes' |
terça-feira, 30 de dezembro de 2014
PASSA AÍ A PIMENTA
'Família é prato difícil de preparar. São muitos ingredientes (...) Há famílias doces. Outras, meio amargas. Outras apimentadíssimas. Há também as que não têm gosto de nada, seria assim um tipo de Família Dieta, que você suporta só para manter a linha. Seja como for, família é prato que deve ser servido sempre quente, quentíssimo. Uma família fria é insuportável, impossível de se engolir (...) Aproveite ao máximo. Família é prato que, quando se acaba, nunca mais se repete.'
Em O Arroz de Palma, de Francisco Azevedo
quarta-feira, 24 de dezembro de 2014
quinta-feira, 11 de dezembro de 2014
7 MIL MILHÕES DE OUTROS
A fundação
EDP tem uma exposição sui generis chamada ‘7000 milhões de outros’, respostas
sucintas de mais de 6000 pessoas, de 84 países, às mesmas 45 perguntas.
É engraçado
como, do Montenegro ao Mali, do México ao Afeganistão, somos todos iguais
(prova, a sucessão de gente que, em criança, gostava de ser piloto) e tão
diferentes - à pergunta ‘O que é que o chateia?’, respostas à miss universo
(ganância, estupidez, injustiça, fome, atirarem o lixo pela janela do carro)
são mescladas com outras mais pessoais (a artrose, comer pouco e engordar, ter visto
o pai a bater na mãe, ou uma viúva palestiniana a quem censuram sair à rua ou
querer usar roupa menos ortodoxa).
Sobre as
lembranças mais antigas, aparecem respostas giras: o aldeão maliano que se
lembra duma praga de grilos que destruiu as sementeiras, sustento da família, o
francês de Nantes, cuja irmã avisava da chegada dos aviões nazis antes das
sirenes, ou o canadiano que dizia que o papá não era o senhor que chegara da
guerra da coreia, esse tinha o cabelo branco e o papá da fotografia, que
beijava todas as noites, não.
Houve quem
dissesse que era feliz porque tinha água, quem apresentasse uma solução genial –
tenham menos problemas! -, quem quisesse comer até não poder mais, para nunca mais ter
fome, e quem (a minha preferida) afirmasse que, se voltasse atrás, faria tudo
igual, só que com outro marido.
Também há
testemunhos nacionais: uma senhora, julgo que sobre imigração, disse ‘O nosso
país está cheio de toda a gente’, uma frase involuntariamente maiúscula, outro
assumiu que era calão, e por isso ria muito, porque rir envolve poucos
músculos, e uma cara feia usa muitos mais.
Na secção ‘medos’,
ao natural receio da solidão, apareceu uma sequência gira: um peruano disse ter
medo que Deus não exista, o seguinte disse que o seu medo era que Deus exista…
Eu sou como o outro que quer uma barrigada, para não ter mais fome - o meu FDS lisboeta chegou
para ver outras 2 exposições temporárias imperdíveis: Tesouros dos palácios
reais espanhóis, na Gulbenkian (como uma abelhinha, andei a rondar uma guia da
casa e o seu bocejante grupo; notas, os habsburgos e os bourbons eram feios com otudo, e o Escorial está cheios de tesouros lusos pilhados pelos filipes) e parte do espólio de Franco Ricci (no MNAA), um
colecionador italiano que vai abrir o seu próprio museu em Parma, no próximo
ano.
3 gostosas sugestões, digo eu.
3 gostosas sugestões, digo eu.
quarta-feira, 10 de dezembro de 2014
BENGALADAS
Soares até pode dizer que Sócrates foi um PM exemplar, protestar contra a austeridade (esquecendo os 'furos no cinto' do seu governo) e acusar o PM francês de querer deitar fora o socialismo (há 30 anos, dizia-se que ele tinha posto o socialismo na gaveta...).
Já parece um bocado trauliteiro dizer que o governante francês 'é uma besta' e que é quem 'atira mais às trombas' do governo português, que já disse ser ilegítimo e composto por idiotas, ignorantes e, alguns, delinquentes que devem ser julgados quando saírem. Pode não ser da idade (a hipótese mais benigna), mas a sua grosseria tem aumentado com ela.
Soares afirma na entrevista que é um 'cidadão especial', pelos cargos que desempenhou e pelas coisas que fez, mas, mesmo com o respeito que o senhor merece e o apreço pelo seu passado longínquo (nos idos de 1975), não é inimputável.
Já parece um bocado trauliteiro dizer que o governante francês 'é uma besta' e que é quem 'atira mais às trombas' do governo português, que já disse ser ilegítimo e composto por idiotas, ignorantes e, alguns, delinquentes que devem ser julgados quando saírem. Pode não ser da idade (a hipótese mais benigna), mas a sua grosseria tem aumentado com ela.
Soares afirma na entrevista que é um 'cidadão especial', pelos cargos que desempenhou e pelas coisas que fez, mas, mesmo com o respeito que o senhor merece e o apreço pelo seu passado longínquo (nos idos de 1975), não é inimputável.
Para rematar, acho mal fazer de Calimero, mas há mesmo uma dualidade de critérios, fosse um gajo de direita a dizer metade dos dislates, e caia-lhe o mundo em cima - a talhe de foice, Daniel Oliveira é muito escrupuloso (e bem) a defender a presunção de inocência de Sócrates, mas já o ouvi a dizer graçolas sobre Dias Loureiro e os outros 'amigalhaços' do Cavaco, e esses também (ainda) não foram condenados...
Prova do seu destempero, entre alguns elogios, Soares comentou a morte de Eusébio dizendo que ele 'era um homem com pouca cultura, mas não se estava à espera que fosse um pensador' e que 'não sabia nada que ele estava doente, sabia que ele bebia muito whisky, todos os dias, de manhã e à tarde, isso eu sabia, mas julguei que isso não lhe fizesse assim mal'. I rest my case.
Prova do seu destempero, entre alguns elogios, Soares comentou a morte de Eusébio dizendo que ele 'era um homem com pouca cultura, mas não se estava à espera que fosse um pensador' e que 'não sabia nada que ele estava doente, sabia que ele bebia muito whisky, todos os dias, de manhã e à tarde, isso eu sabia, mas julguei que isso não lhe fizesse assim mal'. I rest my case.
sexta-feira, 5 de dezembro de 2014
VERDADE VERDADINHA
'QUEM NÃO ESTÁ NA MESA, ESTÁ NO MENU.'
Alfredo Valladão, professor da Escola de Relações Internacionais de Paris, dissertava sobre os BRIC na 1ª Conferência de Lisboa (Fundação Gulbenkian, 3.12.2014), mas a sua frase é tão abrangente quanto intemporal.
quarta-feira, 3 de dezembro de 2014
segunda-feira, 24 de novembro de 2014
PEOPLE V. SÓCRATES
Ninguém ficou indiferente à detenção
de Sócrates: metade dos portugueses, que não vai à bola com o mestre em
filosofia, achou laracha (incluindo Cavaco, para quem, melhor, só jaquinzinhos
fritos); 1/3 ficou perplexo com a abordagem ao suspeito e o respectivo aparato
mediático; 1/10 discutiu as implicações políticas, que serão usufruto do
argumentário anti-sistema (‘estamos entregues aos bichos, isto só lá vai com
uma limpeza geral') e prejudicam um PS alheio à marotice (como defender o legado do seu último governo, sem falar de Sócrates, tão inominável como Voldemort?); 1/10 ficou furioso, os que consideram o caso mais um
passo na campanha negra contra o ex-PM, a juntar às outras histórias mal contadas (Cova da
Beira, Freeport, a desejada compra da TVI, o 'patrocínio' do apoiante Figo, a duplicação de declarações curriculares no parlamento, a
turbo-licenciatura ao domingo,…).
Mesmo com o risco de beliscar a
sua Auctoritas (por isso, nenhum árbitro
discute as suas decisões), é imperioso que o Juiz do TIC explique aos 4
cidadãos detidos, e aos portugueses, porque é que foi necessário deter um ex-PM
na manga de um avião (à chegada) e porque é que os manteve detidos 4 dias, sem
comunicação de medidas de coação. Caso contrário, o processo
usado pode ser visto como uma leviana prova de força, de quem julga ter o rei na
barriga.
Os exageros (como a detenção em casa de Ricardo salgado, depois dele se ter oferecido para comparecer) só mancham o bom percurso dos últimos
anos: se antes a Justiça tinha apenas a mostrar como prova de independência Vale
e Azevedo, Cruz e uns presidentes da câmara nortenhos, agora já tem no curriculum
as condenações de ex-governantes (Isaltino, Vara, Penedos, Maria de Lurdes Rodrigues) e as detenções dum ex-líder parlamentar (Duarte Lima), dos banqueiros do BPN, BPP e
BES e, há dias, do director do SEF e do presidente o IRN. Uma verdadeira escalada.
Quanto ao resto, o caso People v.
Sócrates (como diriam os americanos) é uma lose-lose
situation: ou acaba tudo em águas de bacalhau, inconclusivo ou prescrito, e as dúvidas
se eternizam; ou Sócrates não tem culpas no cartório e a humilhação não tem
conserto (para o que concorre a divulgação mediática duma avalancha de ‘factos’
que podem não sê-lo); ou, na
hipótese menos má para as instituições, prova-se que Sócrates se abotoou com
25 milhões de euros de forma ilícita, e entregámos o país, durante anos, a um
irmão metralha.
Daniel Oliveira disse presumir a
inocência de Sócrates, bem como a competência e boa-fé do juiz.
Formalmente, eu também. Mas só um deles tem razão, e que não tarde demasiado a saber-se qual.
Formalmente, eu também. Mas só um deles tem razão, e que não tarde demasiado a saber-se qual.
domingo, 23 de novembro de 2014
LEVANTADOS DO CHÃO
'A figura de Ti Maria do Rosário, dobrada e trêmula, torna-lhes mais penoso o trabalho. Cada um conhece nela o futuro que lhes baterá à porta um dia. O futuro atabafa-lhes o peito, mais do que o ar ardente que queima os pulmões.'
Alves Redol, Gaibéus
As imagens do economista e fotógrafo amador Aníbal Sequeira (Castelo Branco, 1937) não são do povo da lezíria do Tejo, retratam quase sempre as gentes da sua Beira Baixa, mas fazem lembrar os livros de Alves Redol e Soeiro Pereira Gomes, sem a opressão laboral que inspirou os neorrealistas - uma labuta dolorosa, dia sim, dia sim, ano sim, ano sim, até ao ocaso da vida.
Parece que não, mas este país ainda existe, só que agora com telemóvel.
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| A Poeira do Caminho |
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| Campesina |
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| A Roda |
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| O Elogio do Trabalho |
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| Álea Luminosa |
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| Desolação |
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| Ponte do Pragal |
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| De Manhã à Beira-mar |
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| Símbolo |
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