...e depois, com bigodes de leite, pedem mais paciência e esforço ao povo, que a "vaca 'tá seca".

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

GIUSEPPE ARCIMBOLDO, O HORTELÃO

Que saiba, Dez Mil Guitarras é o segundo romance histórico da francesa Catherine Clément que usa Portugal como um dos cenários - e não chega aos calcanhares do primeiro, A Senhora, que relata as aventuras da judia Gracia Nasi (uma ironia homófona), que salva, usando a sua fortuna, centenas de marranos e fá-los chegar à Palestina.
Bem, Dez Mil Guitarras segue a peregrinação dum rinoceronte (e, quando morto, do seu esqueleto pensante) oferecido a D. Sebastião, pelas cortes do Desejado, de Filipe II de Espanha, de Rodolfo II de Habsburgo e de Cristina da Suécia. É na corte do imperador do sacro-império romano que aparece o pintor Giuseppe Arcimboldo, compondo um quadro do excêntrico Habsburgo como o deus romano Vertumnus - e só um monarca excêntrico podia acolher um artista tão avançado para a época, uma espécie de tetravô do surrealismo, e aceitar ver-se retratado como... uma fruteira.
E Rodolfo não foi ao engano, o pintor já 'servira' nas cortes do seu pai e do seu avô, o imperador já conhecia a fixação de Arcimboldo pelos motivos naturalistas, numa aceção literal da palavra.
 
Rodolfo II de Habsburgo, Vertumnus (1590-91), Skoklosters Slott, Bålsta, Sweden

 SÉRIE ESTAÇÕES, FEITA PARA MAXIMILIANO II
Winter (1573), Louvre
Spring (1573), Louvre
 
Summer (1572), Kunsthistorisches Museum, Viena
Autumn (1573), Louvre
 EVA E ADÃO (par)
Eve and the apple (1578), private collection, Switzerland

Adam (1578), private collection, Switzerland
 
Flora (1588), private collection, Paris
 
The Jurist (1566), Nationalmuseum, Sweden


The Waiter (1574), private collection

The Librarian (1566), Skokloster Castle, Sweden
 
Earth (1566), private collection; Austria

Trojan Horse, ind.


Self-portrait, National Gallery, Prague

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

A MALDIÇÃO DOS PRIMOGÉNITOS


D. Pedro V previa morrer cedo, porque tinha escapado à maldição dos Braganças: o 11º monarca da 4ª dinastia foi o primeiro varão primogénito a chegar ao trono.
De facto, Pedro morreu (já viúvo) aos 24 anos, e dos 3 sucessores, só um primogénito chegou a rei - Carlos -, o único monarca lusitano a ser, oficialmente, assassinado por um súbdito.

A saber:
Primogénito de João IV (8 filhos), Teodósio morreu com 19 anos; subiram ao trono Afonso VI (6º filho, 3º varão) e o irmão Pedro II (7º filho, 4º varão).
Varão primogénito de Pedro II (11 filhos), João morreu aos 18 dias; subiu ao trono João V (3º filho, 2º varão).
Varão primogénito de João V (11 filhos), Pedro morreu com 2 anos; subiu ao trono José I (3º filho, 2º varão), que teve 4 filhas, sendo a primogénita Maria I.
Varão primogénito de Maria I (7 filhos), José morreu aos 17 anos; dado o desaparecimento de João (nado-morto) e João Francisco (morreu com 24 dias), subiu ao trono João VI (4º filho, 4º varão).
Varão primogénito de João VI (9 filhos), Francisco morreu aos 6 anos; subiram ao trono os outros 2 varões, Pedro IV (4º filho) e Miguel I (7º filho).
Pedro IV (14 filhos) guardou o 1º varão para o trono brasileiro e passou o trono à sua primogénita Maria II, combinando o matrimónio da petiza com o seu irmão Miguel, para evitar uma guerra civil (não houve casório, houve guerra).
Dos 11 filhos de Maria II, foram reis os 2 mais velhos, Pedro V e Luís I.
Luís teve 2 filhos, varões, e passou o torno ao primogénito, Carlos.
Carlos foi assassinado com o seu primogénito, Luís Filipe, sendo sucedido por Manuel II, o último da dinastia reinante - e da linhagem, pois não deixou prole.
p.s.: recorda-se, João IV descende dum bastardo do rei João I (Afonso, 1º duque de Bragança) e era neto de Catarina, pretendente ao trono em 1580 (por ser neta por varonia de Manuel I, que não era filho de rei - o pai era o 5ª filho de D. Duarte e o avô-materno era o 4º filho de João I). 

sábado, 8 de novembro de 2014

NÓS, CIDADÃOS, ACHAMOS QUE, HUM...


Não sei quem são, de onde vêm (Cid e Rangel virão de sítios diferentes...), nem para onde vão (é um bocadinho vago escrever no manifesto, 'Nós, cidadãos! preencherá o espaço político onde se situa a maioria dos Portugueses revoltados com os crescentes constrangimentos financeiros e económicos'), mas o designer gráfico sabe o que faz.
 

 
 
 
 
 
 
 








 

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

LOBO ANTUNES, COMME D'HABITUDE

 
 
 
O Público de hoje traz uma entrevista a António Lobo Antunes, na senda de todas as anteriores: o escritor não se importa de falar de si próprio - infalivelmente, misturando vaidade e autocomiseração -, da família (sobre as origens maternas modestas, diz 'o meu brasão só tem enxadas') e de Deus, recordando a resposta de Voltaire quando lhe perguntaram qual a sua relação com Deus, 'Cumprimentamo-nos, mas não nos falamos' - como sempre, Lobo Antunes despeja uma enxurrada de citações, que retém como uma esponja.
Qual Cassandra, infeliz com a sua vidência, ALA acha esta sua capacidade um infortúnio: 'A minha memória é terrível. Tenho uma memória péssima, lembro-me de tudo'.
 

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

NOMA BAR, ATÉ PARECE FÁCIL

Noma Bar, designer gráfico nascido em Israel e residente em Londres, afirma procurar 'a comunicação máxima com o mínimo de elementos' - e consegue, como se vê pela sua obra. Conhecido pelos seus trabalhos de publicidade e na comunicação social (da Wallpaper à BBC, do NY Times ao The Guardian, do Esquire à Time Out London), Bar publicou 2 livros com enorme repercussão no meio, Guess Who The Many Faces of Noma Bar (primeira série de imagens abaixo), testemunho de como Bar 'traduz personalidades, traços físicos e carreiras em poucas linhas bem executadas) e Negative Space (últimas imagens), onde o autor usa, dando-lhe forma e significado, o espaço que rodeia o objeto central. Este livro junta brincadeiras pictóricas inócuos (alguns a recordar Escher), como o 'Atração Fatal' do porco-espinho, e temas mais complexos - como a manipulação religiosa, a violência sexual, a guerra, o crime, a fome ou a exploração laboral - tratados com uma singeleza surpreendente.