...e depois, com bigodes de leite, pedem mais paciência e esforço ao povo, que a "vaca 'tá seca".

sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

FIDALGO PEDROSA E A GEOMETRIA DESCRITIVA

O objectivo principal do fotógrafo* Fidalgo Pedrosa (Lisboa 1955), diz o próprio, é 'captar momentos, coincidências, estéticas, atitudes, emoções e instantes, integrando-os nos grafismos envolventes'.
Não me atrevo a desmentir Pedrosa, quando escreve que as suas imagens (algumas com títulos bem esgalhados) são quase sempre centradas nas pessoas, mas do que 'esgravatei', o que sobressai é a atracção pelas rectas, tangentes, espirais e padrões, onde, quase como uma provocação, ou como um instrumento cénico disruptivo, aparece uma pessoa.
A generalidade das suas imagens é a preto e branco. Sem distrações.
Curiosamente, a fotografia que me deu a conhecer o fotógrafo - a primeira da séria abaixo - é a única cuja autoria não confirmei.

* electrotécnico, na verdade

...de casa às costas... (Lisboa 1976-81)


...mulher de armas... (Paris)


...tecto da tate... (Londres)

...vozes populares... (Barcelona)

...ver para crer... (Barcelona)

...6 divindades...


...cruzes credo, estarão zangados?...

...sombra na hora certa...

...vai mas volta... (Viena de Áustria)

...X...ou a passagem interdita...

...a amizade é central... (Lisboa)

...a moda, antes e depois... (Madrid)

...amar em segurança... (praga)

...balizado... (Lisboa)

...cascata do amor... (Lisboa)

...brunello & cucinelli... (Paris)

...boa opção...

...contra...

...em construção...


...enlatado... (Lisboa)

...geometrias e texturas...

...espiral de vida... (Roma)


...escolhi ser freira... (Roma)

...já faltou mais...

...leitura em dia...

...lezíria do Tejo...

...listas...
 
...mais vale só... ou ...lá vai ele... (Madrid)

...livres e juntos...

...mostrar o caminho... (Paris)

...no ar...

...a nossa porta...

...nunca é tarde... (Madrid)

...passagem de peão... (Açores)

...o seu território...


...o mecenas...


...o homem do saco... (Paris)

...pauta musical...


...pensamentos vazios...


...perfil de mulher... (Cartaxo)

...que vergonha, para além de nu... os pombos cagam-me na cabeça... (Paris)

...sentido indicado...

...senhora da fé...

...sms... (Paris)

...só no cais...

...sozinha... (Cova da Iria)

...marcar a diferença...

...sentido proibido...

...think about it...

Luís Câmara Photography as a model. (Lisboa)

Sugestão http://fidalgopedrosa.wix.com/fotografia#!

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

EXCALIBUR

É oficial, a espada original de Afonso Henriques está no Porto.
Então, é assim: o rei morre em 1185 e é enterrado no adro da igreja de Santa Cruz de Coimbra. Em 1190, com medo da invasão almóada, os cónegos regrantes de santo agostinho conseguem autorização de Sancho I para transladarem o corpo para o átrio da igreja. A espada de Afonso Henriques estaria então dentro do caixão de cedro e, sobre a pétrea sepultura, estaria colocado o seu pavês (escudo grande) que, conta a lenda, caía ao chão sempre que um monarca morria e o trono ficava vacante.
Em 1513 (ou 1518) Manuel I resolve dar outra dignidade às sepulturas de Afonso Henriques e Sancho I, e manda construir os belos túmulos no estilo manuelino que conhecemos hoje, terminados no reinado de João III. As armas de Afonso Henriques ficam então expostas, a espada e o pavês.
Em carta de 14 de Março de 1578, depois duma peregrinação aos mosteiros da batalha e de santa cruz, visitando os túmulos dos ancestrais, e tendo ficado fascinado com a espada do fundador (surpreso por tão pequena espada ter sido sempre vitoriosa), Sebastião pede aos monges que lhe emprestem as armas do fundador para a sua expedição em África ('pedido' aceite, contra a promessa de meter uma cunha ao papa, no processo de canonização do primeiro monarca). A 24 de Agosto de 1578, a frota atraca em Lisboa, com a funesta notícia, não só o Desejado não venceu a mourama, como morreu em batalha.
Em 1609, surpresa!, a relíquia reaparece exposta na sepultura do monarca. Conta-se que teria regressado ao reino após a derrota lusitana em Alcácer-Quibir - na azáfama do desembarque em Marrocos, o impetuoso rei esquecera a espada no barco... - e o rei-cardeal D. Henrique devolvera-a ao mosteiro.
Depois da guerra civil de 1828-34, Pedro IV resolveu dar provas de gratidão ao Porto, pelo seu sacrifício durante o cerco (além do coração, que legou à cidade, e da ordem de torre e espada, concedida pela filha, Maria II) - em 1833, aproveitando a recente dissolução das ordens religiosas, oferece a espada de Afonso Henriques ao Museu Portuense, que fundara enquanto estivera sitiado na Invicta, título que deu à cidade.
Em 1987, o agora chamado Museu Nacional Soares dos Reis, colocou a espada em depósito no Museu Militar do Porto.
Uma história feliz, fosse a espada do fundador. Não é, porque não é do século XII: é demasiado leve (pouco mais de 1,1 kg), o pomo circular (em cobre e com folha de ouro, incomum para a época) não é suficiente para servir de contrapeso à lâmina, que é de ferro (e não de aço, como seria de supor), o punho é curto e bojudo, quase impossível de manejar numa batalha (os da época eram rectos) e as guardas são helicoidais e não rectas. De facto, a 'relíquia' parece-se mais com as espadas de guarda portuguesas do século XVI - um estilo já arcaico para quem mandasse fazer uma espada 'antiga' no início de seiscentos.
Verdade verdadinha, o reaparecimento da espada de Afonso Henriques dava um jeitaço, em pleno domínio filipino, para exaltar o brio nacional.
Nada que uma novena não tenha expiado o pecado desses cónegos que, num conspirativo passeio pelos claustros, durante umas sonolentas Completas ou numa reunião do Capítulo sem assunto, congeminaram o renascimento da nossa Excalibur.

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

MANDELA DIXIT

Nelson Mandela, 1918-2913
 
AS DIFICULDADES DOBRAM ALGUNS HOMENS
MAS CONSTROEM OUTROS.
 
O RESSENTIMENTO É COMO UM VENENO
QUE BEBEMOS PARA MATAR OS NOSSO INIMIGOS.