...e depois, com bigodes de leite, pedem mais paciência e esforço ao povo, que a "vaca 'tá seca".

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

LEWIS HINE - MÁ IDADE PARA TRABALHAR

Eu, bem acompanhado por muito boa gente, conhecia algumas fotografias de Lewis Wickes Hine (1874-1940), sem saber quem era o autor.
Hine começou a sustentar a família aos 18 anos, após a morte do pai, como operário numa fábrica de móveis, porteiro, vendedor e escriturário. Depois de estudar sociologia na universidade de Chicago, Hine rumou a Nova Iorque, onde deu aulas na Ethical Culture School - para ilustrar as suas preleções, Hine resolveu retratar os imigrantes acabados de chegar a Ellis Island (não os que encontraram a promised land, mas os enjeitados), e aí nasceu um fotógrafo-barra-activista-social (ver aqui).
Em 1907-8, Hine iniciou uma colaboração de 8 anos com o National Child Labor Committee - uma empreitada de 75.000 quilómetros pelos E.U.A., fotografando crianças a trabalhar na rua, em fábricas, quintas e minas. No site na Biblioteca do Congresso, estão acessíveis 5132 fotos, com uma descrição sumária, desse corajoso périplo: Hines foi impedido de entrar em algumas fábricas (forçando-o a levar a câmara escondida e passar-se por inspector de incêndios), ameaçado fisicamente e preso por invasão de propriedade*.     
Essas suas imagens da exploração infantil são como um bombom de licor - depois fica um travo amargo, mas as primeira impressão é docemente encantatória. Claro está que o depurado P/B oferece um toque especial, simultaneamente austero e onírico - bem dizem que sonhamos a preto e branco.
As contradições continuam: à angústia dickensiana de ver crianças de 5, 6 anos a trabalhar 12 horas por dia, numa plantação ou numa moagem, ou a labutar numa fábrica entre as 3.30 e as 17 horas, ou ainda a 'ferrar' às 4 da manhã para distribuir jornais, junta-se a confiança que boa parte dessas caras (umas exaustas, outras alegres) singrou na vida e que os seus filhos e netos subiram no 'elevador social', tendo mesmo alguns chegado até à penthouse.
Hines ficou ainda conhecido por outros trabalhos, durante a Grande guerra (na Grécia e nos balcãs, ao serviço da Cruz Vermelha) ou em plena grande depressão, com um documentário da construção final do Empire State Building por operários, na falta de melhor palavra, destemidos, a trabalhar em condições precárias. Esse conjunto (voltar aqui), que Hines disse ser um testemunho de que 'as cidades não são construídos por si só - elas têm atrás de si o sacrifício e o suor de muitos homens', resultou num livro publicado em 1932, 'Men at work'. Erro comum, é-lhe atribuída uma fotografia icónica, com os trabalhadores a almoçarem numa viga estratosférica, da autoria de Charles Clyde Ebbets.
Empenhado em campanhas a favor da segurança e saúde no trabalho, recebidas na altura com apatia ou resignação (embora tenha contribuído, a prazo, para melhorias da legislação laboral**), Hines morreu muito pobre, como acontece a tantos homens bons.

* Hine terá declarado, numa das idas a tribunal, 'Talvez vocês estejam cansados de tantas fotos que fazem denúncias sobre o trabalho infantil. Preciso dizer que eu também estou, mas quero fazer vocês e o resto do país ficarem tão enjoados destas cenas, a ponto de obrigar isso a ter fim. Haverá um dia em que o trabalho infantil será apenas um registo em fotografias do passado'.
** Não planetária: estima-se que, hoje, 250 milhões de crianças entre 5 e 14 anos sejam sujeitas a exploração infantil. 

PLANTAÇÕES
Miúdos de 13 e 14 anos, colheita de tabaco. Hackett Farm, Buckland, Connecticut

A trabalhadora mais nova, Annette Roy, disse ter 7 anos. Smart's Bog, Massachusetts, 1911

Annie Bissie, plantação perto de Baltimore, 1909

Merilda, carregando arandos. Rochester, Eldridge Bog, Massachusetts, 1911

Theodore Budd's Bog, Turkeytown, New Jersey, 1910

Criança de 4 anos, apanha arandos e, no momento, apanha bagas deixadas cair pelo avô.
Falmouth, Week's Bog, Massachusetts, 1911

Norris Luvitt, apanha bagas há 3 anos, perto de Baltimore

Mandy (6 anos) e Sophie (9 anos) apanham 11 e 40 kg de bagas por dia, na plantação do pai, Texas, 1913
 DISTRIBUIÇÃO
Ardina, disse ter 6 anos, Indianapolis, Indiana, 08/1908

James Lequlla, de 12 anos, vende jornais há 3 anos (porque quer, não por necessidade), ganha
50 cêntimos/semana.  Não fuma, frequenta bares, trabalha 7 horas/dia. Wilmington, Delaware

Início da ronda, New York, 2.00 horas a.m. 12/02/1908

Ferris, 7 anos, não sabia fazer o troco. Mobile, Alabama, 1914

Vendendo edições extra, depois da meia-noite. Washington DC, 17/04/1912

 Richard Green (de chapéu), 5 anos. Richmond, Virginia, 1911

 Ardinas espertos de 7 anos, vendendo edição de domingo. Nashville, Tennessee, 11/1910

Tony, 6 anos, acorda às 5 horas e vende diariamente, de forma pedinchona,
'compre-me jornais, por favor'. Beaumont, Texas, 1913

Mallick e Myrtle (8 anos), ganho médio de 35 cent./dia, vendem por opção,
não por necessidade. Frequentam bares. Wilmington, Delaware, 1910

Ardinas na Skeeter Branch, St. Louis, Missouri, 11.00 horas, 09/05/1910
 


 Ardina de 12 anos, vende para irmão, ganham 1 dólar/dia. Trabalha muitas vezes
até à meia-noite. Pai falecido, mãe trabalha na igreja. Jacksonville, Florida, 1913

Mensageiro da Western Union


Howard, 13 anos, faz entregas entre as 9.00 e as 20.30, todos os dias.

Mensageiro da Mackay Telegraph Company, disse ter 15 anos. Waco, Texas, 09/1913
 FÁBRICAS E COMÉRCIO
Fiação. Whitnel, Carolina do Norte, 12/1908

Fiação. Lancaster, Carolina do Sul, 12/1908

John Dempsey, 11 ou 12 anos, Fiação Jackson. Fiskeville, Rhode Island, 04/1909

Fiação. 1908

Algumas crianças eram tão pequenas que tinham que trepar à máquina para reparar
fios partidos e colocar as bobinas vazias. Fiação Bibb. Macon, Georgia

 Conserveira J. S. Farrand Packing Co. Baltimore, Maryland, 07/1909

Olga Schubert, de 5 anos, após trabalho começado às 5.00 horas,
ajudando a mãe numa conserveira. Biloxi, Mississipi, 1911

Meia-noite numa fábrica de vidro. 1908

Mina de carvão. West Virginia, 10/1908

Mineiros. Pittston, Pennsylvania

Angelo Ross, fábrica de vidro. Pittston, Pennsylvania, 1908

Apanhadores de ostras. 1912

Apanhadores de camarão (Max, de 8 anos, à direita). Biloxi, Mississipi

 Endireitando pinos até depois da meia-noite. New Haven, Connecticut


Pin boys. Brooklyn, NY (1910)

Pin boys. Brooklyn, NY (1910)
 
Jovem garçonete. 1917
 
Miúdo de rua (gamin). Paris, c. 1918



Rapaz na escola. 1924

Viúva e rapaz enrolam cigarros. NY, 02/1908
 
Família judia e vizinhos cosem ligas pela noite dentro. NY

A viúva A. J. Young e os 5 filhos mais velhos (da esquerda, Nell, Mammy, Mary, Eddie e Elic)
trabalham ou ajudam em casa e numa fiação, ganhando 9 dólares/semana (metade da mãe
e metade da prole). 2 dos 11 filhos já saíram de casa. Tifton, Georgia, 22/01/1909
Em 2011, após anos tentando identificar os retratados, um investigador colocou a imagem no seu
site e recebeu um mail dum descendente, dando início a uma pesca à linha - descobrindo
a história da viúva e dos 11 filhos (os 7 mais novos foram colocados num orfanato em
abril de 1909 e adotados, perdendo o contacto entre eles).

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

PUÂÂÂRTO (VIII) - RUA DE S. BENTO DA VITÓRIA ABAIXO

A cadeia da Relação (centro português da fotografia) tem como limite oriental a estreita Rua de S. Bento da Vitória, um troço cheio de história, não fosse aí o coração do gueto judaico (desde 1386, quando João I mandou concentrar os judeus num canto cercado do burgo, no morro do olival, até à expulsão dos que não aceitaram a conversão, em 1496).
Lá encontramos o Porto íntimo, a igreja do mosteiro beneditino (no local da antiga sinagoga, e que serviu de quartel e hospital militar, por franceses e portugueses, durante as invasões napoleónicas) e casas couraçadas de azulejo - povo, clero e burguesia num amplexo.
O melhor está ao fundo da rua: não o edifício decrépito, com os vidros partidos, o estuque 'desistente', meias na corda e uma tabuleta informando que o quintal é privado, mas o acesso permitido; não o terreiro picotado de lixo (onde os liberais instalaram uma bateria defensiva, virada para Gaia); mas a soberba vista sobre o rio. O escritor Richard Zimler crismou o local como o mais bonito miradouro (aqui, no sentido literal) da cidade do Porto, tendo reclamado com a câmara, sem sucesso, para lhe devolver a dignidade que merece, e que o turismo justifica.
 
 




 
Foto de George Tait, 1888

sábado, 16 de novembro de 2013

UM REGIME MADURO


Existem uns cogumelos fantásticos em Caracas.
Nicolás Maduro viu Hugo Chávez no metro (o falecido já havia encarnado num passarinho e falado com ele), criou o vice-ministério da suprema felicidade social, decretou o Natal a 1 de novembro, e ordenou o saque de lojas, perdão, a venda de electrodomésticos a 'preços justos'.
Ontem, o parlamento venezuelano concedeu-lhe, por 1 ano, o direito a legislar por decreto. 'Pera aí, isso é a definição de ditadura, não é?

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

STRIKE BACK


A greve é um direito, e exercê-lo ou não é uma decisão pessoal e intransmissível, tomada sem ânimo leve e sempre isenta de censura. Já as opiniões têm o seu interesse sociológico.
Fui a 2 escolas e esperei que elas abrissem, até levar os miúdos para o ATL. Ali encontrei outro pai a 'descarregar' o seu par de petizes, possesso: 'Já devia estar na Maia, e ainda aqui estou. Direitos, há todos, mas deveres são poucos!', rematou enxofrado. Tá bem, greve atrapalha, os funcionários públicos repetem-nas (com prejuízo, pois perdem o salário, há que sublinhar) e existe uma fractura entre eles e os trabalhadores privados, que lhes têm pouca estima. Mas, pormenor, o desabafo vem duma pessoa casada com uma enfermeira, e já se sabe como as greves são bem sucedidas nos hospitais.
Depois, as justificações: uma administrativa disse-me que até fazia greve, se todos fizessem - o argumento não é destituído de qualquer sentido, mas, se todos pensarem assim, ninguém falta.
Outro senhor explicou que não faltara porque 'não serve de nada' (até aí, tudo bem), 'e se der algum resultado positivo, serve a todos' (temos parasita).   
Um apontamento final para elogiar dois slogans, dignos de marketeer, 'Achas que já está bom para fazeres greve, ou vais esperar mais um bocadinho?' e 'Quem não para consente'.

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

OS SINÓNIMOS NÃO SÃO IGUAIS

 

Liguei hoje a um amigo, 'olha, o zé acabou de me dizer que o teu pai morreu ontem, quis dar-te um abraço'. Ainda não tinha acabado o curto telefonema, tipo toca-e-foge (que mais há a dizer?), e pensei na minha escolha vocabular: falecer e morrer são sinónimos, mas têm cargas distintas, a primeira palavra é mais romba e segunda é mais afiada, embora ambas 'cortem' (até foneticamente, o 'ele' embala, enquanto o 'duplo erre' corrói).
Pois, funeral e enterro, luto e nojo, ou mudando de agulha, vencido e derrotado, ignorante ou néscio, têm o mesmo significado e não querem dizer a mesma coisa.

terça-feira, 29 de outubro de 2013

ALIENADOS


Há poucos dias, Pires de Lima pediu desculpa aos colegas de governo - falara demais em Londres, ao afirmar, frente a um microfone, que o programa cautelar seria programado no início de 2014. Ainda não estava formatado para omitir, dissimular ou mentir, como compete a qualquer governante com quilometragem.
Pois bem, já lhe fizeram o reset, era uma questão de tempo: Pires de Lima disse hoje, convicto, que o ajustamento está a resultar ao nível do défice e que a economia nacional vive um milagre económico, atribuível às empresas e às exportações.
Ora, sem ser muito exaustivo, só a recessão destes 3 anos vai demorar mais de 10 a recuperar, o desemprego está em alta (metade dos 'ungidos' não recebe qualquer subsídio), o rendimento da generalidade dos portugueses está em baixa, a dívida continua a opar, 120.000 pessoas emigraram só em 2012 (a maioria qualificada). Resultado do triunfal ajustamento, o défice nem sequer se mexeu, apesar do enorme aumento de impostos deste ano.
É oficial: numa palavra, alienou. 

sábado, 26 de outubro de 2013

OLHÓ JORNAL


Há muitas razões para frequentarmos um café, ser perto, ser a escolha de amigos, ter pouco barulho, ter (ou não) espaço de fumadores, ter jornais. 
A minha eleição é um café próximo de casa, grande, onde posso sentar-me longe dos outros clientes, evitando o tac-tac de conversas alheias, e ler o jornal. A maioria dos cafés da região tem o JN, mas este também tem o CM, o Público e, aos sábados, o Expresso. A variedade evita que fiquemos em 'lista de espera' e, sorte a minha, os jornais mais procurados são o JN e o Correio da Manhã, pelo que costumo encontrar o Público (e o Expresso) no escaparate.
A fidelidade ao estabelecimento tem a desvantagem dos outros clientes habituais tomarem a liberdade de fazer conversa, quando estamos (dado o tempo limitado da estada) totalmente embrenhados no scan da gazeta. Mas uma das últimas abordagens permitiu validar a minha explicação para as diferentes tiragens.
Disse o senhor, com aquele ritmo paciente de reformado, cabelo cinza alcatroado com brilhantina, dedos amarelecidos a escorar uma beata 'no casco':
- Não tem aí o correio da manhã, não?... É o meu preferido... Os outros trazem muito paleio, este traz é coscuvilhices, dá para animar.

                                                           Circulação 3º bimestre 2013, média por edição (dados APCT)
                                                           CM - 114.750
                                                           DN - 24.833
                                                           Expresso- 93.519
                                                           I - 5.514
                                                           JN - 70.005
                                                           Público - 29.074
                                                           Sábado - 64.014
                                                           Sol - 25.193
                                                           Visão - 85.023

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

ACHAM QUE À TERCEIRA É DE VEZ?

 
A propósito de mais um OE, será que, no nosso almoxarifado,
ninguém ouviu falar naquela frase atribuída a Alfred Einstein,
'Insanidade é repetir a mesma coisa vezes sem conta
e esperar resultados diferentes.'
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terça-feira, 22 de outubro de 2013

E É PARA QUEM QUER


'Oferta de emprego na clínica XPTO:
* Medico/a-Veterinário/a com menos de 30 anos de idade
* Com pelo menos 3 anos de experiência em Clínica de Animais de Companhia
* Tenha realizado estágio no estrangeiro e em Hospital Veterinário Português
* Disponibilidade para horário completo, rotativo e com urgências
* Viatura própria e residência na região
* Domínio em processador de texto e folha de cálculo
* Elegível para estágio profissional.
Envio de curriculum para geral@clivetxpto.com'


A - Ora bem, tem que ser muito novo, ter já uma experiência invejável, imensa disponibilidade e aceitar ser estagiário. O salário logo se vê. Sinal dos tempos.
B - Não. Sinal de falta de tempo para ter vergonha na cara.
A - Não é questão de vergonha, mas quando a lei da oferta e da procura pende para o lado do empregador, há quem queira 'o rabinho lavado com água de rosas'.
B - Não tenhamos medo das palavras. Sou a favor da economia de mercado. O conceito de procura abundante versus oferta medíocre não me é estranho. Não conheço as pessoas em questão. Não conheço as suas circunstâncias. Talvez não deva julgar. Mas trata-se aqui de um enorme enema rectal de essência de rosas!
C - Se alguém faz essa oferta é porque sabe que vai encontrar candidatos com esses requisitos: não preciso de pagar 2000€ a uma pessoa que não faz urgências, nem trabalha ao fim-de-semana, se posso pagar 1500€ a outro que se desunha. O mal foi terem aberto tantas faculdades, há veterinários a mais e depois têm que aceitar o que houver.

No fundo, os 3 veterinários têm razão, mesmo C, que (adivinharam) é dono duma clínica.  

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

SERÁ FADO?


   'O Governo português anda mendigando em Londres um novo empréstimo.
   Os nossos charlatães financeiros não sabem senão estes dois método de governo:
- Empréstimos e impostos.
   Por um lado, o governo mandou para as cortes um carregação de propostas tendentes todas a aumentar de tributos; por outro lado, o governo vai negociar um empréstimo no estrangeiro.
   É dinheiro emprestado e dinheiro espoliado.
   Pede-se dinheiro aos agiotas para pagar às camarilhas; depois tira-se ao povo para pagar as agiotas!
   E ao passo que se trata de um empréstimo em Londres, negoceia-se outro empréstimo com os bancos nacionais.
   Este tem carácter de dívida flutuante* interna e é para pagamento da dívida consolidada** externa!
   Este empréstimo que nos está às costas para pagamento no fim de três meses, sai na razão de 13/2%!
   E no fim não é dinheiro aplicado em nenhum melhoramento público; é só dinheiro para pagar juros da dívida!
   É a dívida a endividar-nos cada vez mais! É a dívida a crescer para pagar as sinecuras do estado! É a dívida a multiplicar-se para não faltarem à corte banquetes, festas, caçadas, folias!
   Esta situação é terrível e tanto mais que ela exige para não se agravar, de sacrifícios que o país não pode e que de mais não deve fazer, quando eles são apenas destinados às extravagâncias da corte e ao devorismo do poder, no qual se inscreve agora o novo subsidio aos pais da pátria!'
em A Lanterna, 17.12.1870
Fica a pergunta, não se aprendeu nada?

* dívida pública a curto prazo; ** dívida pública sem prazo de reembolso

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

EU VEJO A LUZ


O governo vê sinais positivos na conjuntura.
É uma questão de dioptrias: eu também vejo uma luz ao fundo do túnel, mas não sei o que é: será uma fogueira dantesca, um TGV a vir contra o que resta de nós, um néon a dizer 'beco' ou '(à cautela) siga para o próximo túnel'?
Quando lá chegarmos, a rastejar, logo veremos.
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segunda-feira, 7 de outubro de 2013

MAO MAO MARIA



'- Citavam o Mestre. Quem quer que tentasse formular as suas próprias frases era imediatamente acusado de uso burguês da linguagem. A única exceção era «Morte aos fascistas da Associação Comunista de Marxistas-Leninistas».
- Mas eles não eram comunistas também?
- Claro que eram. Mas nada irritava mais os rebeldes do que aqueles que pensavem quase como eles. O Torbjörn Säfve, que escreveu um livro brilhante sobre o movimento dos rebeldes, chamou-lhe «insatisfação paranóica». O tipo de cartazes que as pessoas afixavam nas paredes constituía para eles uma questão importante. Se alguém tivesse um cartaz do Lenine que fosse maior do que a fotografia de Mao, isso era visto como contrarrevolucionário. Se a parte de cima de uma fotografia de Mao estivesse abaixo do nível superior de uma fotografia de Lenine ou de Marx, isso bastava para que alguém fosse acusado de falta de convicção.'
 
O trecho, do romance Lobo Vermelho (Liza Marklund), retrata os maoístas suecos, em finais de 60, mas poderia ser um polaróide do MRPP, não?
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