ponte 25/4 e cristo-rei, vistos do terreiro do palácio da Ajuda
"Para certos republicanos a República tem sido um pé de cabra com que vêem aumentando os seus haveres." Senador João de Freitas, histórico republicano, in Boletim parlamentar do Senado, 11-06-1913
sexta-feira, 5 de julho de 2013
quinta-feira, 4 de julho de 2013
FEIRA POPULAR
Tá difícil mandar um jornal para a rua, as notícias ficam velhas num instante: sai ministro Gaspar, entra ministra Albuquerque, sai ministro Portas (sem avisar o seu partido), governo prestes a cair, Passos diz que não sai e não aceita demissão de Portas, ministros Cristas e Mota Soares colocam o lugar à disposição do partido, secretário de Estado Ávila diz que não sai, coligação vacila, coligação em restauro, Portas vai à sede do conselho de ministros, mas fica numa sala ao lado. Ufa.
Durante 2 anos, o partido minoritário esteve contrariado, governando contra o que pensa - ele e quem o elegeu - i.e., pôs a cabeça no cepo por um política com a qual não concordava. Esticando a corda da Lealdade, tornou pública a sua discordância, fosse no parlamento ou em conferências de imprensa - ajudando a 'borregar' a TSU e o seu sucedâneo para os reformados -, quando o seu peso na coligação foi desprezado por Passos. Como troco, umas humilhaçõezitas vindas do outro lado.
Como Portas escreveu na sua carta de demissão, a forma reiterada como as coisas são decididas no governo, à sua revelia, tornam dispensável o seu contributo - trocado por miúdos, a sua opinião não é tida em conta, em particular quanto à alforria da economia perante as finanças, e a substituição de Gaspar era o momento certo para mudar de agulha.
Ou vai, ou racha, decidiu Portas. A sua saída é irrevogável (passa a correr por fora, um fôlego para a sua sobrevivência) e a coligação só continua com um reset total, desde que o CDS sirva para mais que aritmética parlamentar.
Bem, na virtuosa (?) hipótese do governo não cair, e Portas ainda vá a tempo de voltar a ligar à tomada o ventilador deste governo em estado vegetativo, eu cá punha um detector de metais na porta da sala de reuniões ministeriais, que não parece que confiem mais uns nos outros.
Bem, na virtuosa (?) hipótese do governo não cair, e Portas ainda vá a tempo de voltar a ligar à tomada o ventilador deste governo em estado vegetativo, eu cá punha um detector de metais na porta da sala de reuniões ministeriais, que não parece que confiem mais uns nos outros.
Só há um pormenor, além desta escalada, ou cheque-mate, ou garotice, ou..., existem pessoas, um país, uma assistência externa, uma dívida e respectivos juros (galopantes, como Portas previa há meses, caso houvesse instabilidade política).
Senhores, parem o carrossel, que a gente quer sair.
quarta-feira, 3 de julho de 2013
LX FACTORY
Tal como na ponta do arco-íris se encontra um pote de ouro, junto a um dos pilares da ponte 25/4 existe uma preciosidade. Onde foi instalada a Companhia de Fiação e Tecidos Lisbonense (1846), uma âncora da Alcântara industrial oitocentista, e mais tarde a Companhia Industrial de Portugal e Colónias, a tipografia Anuário Comercial de Portugal e a gráfica Mirandela, havia há poucos anos um mega-espaço devoluto, onde o vento bufava por entre janelas partidas.
Os vidros quebrados ainda lá estão, as paredes rabiscadas também, mas agora há gente, com lojas, ateliers, publicitários, editoras, restaurantes, livraria (a bela Ler devagar, 'recheada' com uma gigante máquina de impressão), quiosque e bancas nas ruas - são mais de 100 empresas. Assim se recicla uma cidade.
Os vidros quebrados ainda lá estão, as paredes rabiscadas também, mas agora há gente, com lojas, ateliers, publicitários, editoras, restaurantes, livraria (a bela Ler devagar, 'recheada' com uma gigante máquina de impressão), quiosque e bancas nas ruas - são mais de 100 empresas. Assim se recicla uma cidade.
JOANA VASCONCELOS NA AJUDA
Depois de Versailles, Joana Vasconcelos (JA) ocupou o palácio da Ajuda: não tem o mesmo esplendor, mas ainda assim o palácio lisboeta, residência oficial no reinado de D. Luís, é muito apresentável. Tem, claro, um pequeno handicap, nunca chegou a ser acabado: a primeira construção, habitada entre 1761 e 1794, foi erigida em madeira, ganhando o epíteto de real barraca - era mais resistente a terramotos (o medo de D. José), mas não ao fogo, e esse foi o seu azar; a empreitada do edifício de pedra, um projecto barroco que acabou neoclássico, demorou décadas, sendo interrompida aquando da fuga da corte para o Brasil e dos recorrentes estrangulamentos do erário.
Resulta usar o palácio dos banquetes de Estado como cenário duma exposição de pop art à moda da Malveira (admirador confesso da artista, vejo no portfolio kitsch de JA uma espécie de Andy-Warhol-meets-Beatriz-Costa)? Sim, resulta.
Os números confirmam-no: durante o 1º mês, foram quase atingidas as cerca de 50000 entradas que o palácio teve em 2012 e, em 3 meses, foram já 100000 os que quiseram ver as 38 peças escolhidas pela artista, incluindo um núcleo duro de cerâmicas, inspiradas no bestiário de Bordallo Pinheiro, vestidas com rendas dos Açores.
Pormenor interessante, a exposição, aberta até 25 de Agosto, é organizada pela empresa de eventos Everything is New - temos mais uma PPP.
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| Le Petit Gâteau, 2011. Sala do reposteiro |
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| Jardim do Éden (Maria Pia), 2007-2013. Sala grande de espera |
| Bragança, 2012 (par de Bartolomeu). Salinha dos cães |
| Sala da música |
| Esther, 2012 (par de Imarí). Sala azul |
| Amélia, 2012. Gabinete de carvalho |
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| Apolo, 2013 e Milord, 2009. Salinha encarnada |
| Quarto de cama da rainha |
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| Maria Pia, 2013. Quarto de cama da rainha |
| War Games, 2011. Vestíbulo |
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| Le Dauphin et la Dauphine, 2012. Sala de jantar |
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| Zeus, 2012 (a par de Jupiter). Sala de bilhar |
| Eos, 2013. Escadaria nobre |
| Aurora, 2013. Escadaria nobre |
| Brises, 2001. Sala das senhoras do corpo diplomático |
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| Marilyn (PA), 2011. Sala do trono |
| Sala do trono |
| Coração Independente Vermelho, 2005. Sala de D. João VI |
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| A Noiva, 2001-2005. Sala D. João IV |
| A Noiva (pormenor) |
| Lilicoptère, 2012. Sala dos archeiros |
| Royal Valkirie, 2012. Sala das exposições temporárias |
| Royal Valkirie (pormenor) |
| Royal Valkirie (pormenor) |
ROMA
Acabei de ler o Monte dos Vendavais (em tempos uma amiga disse-me estar a ler o Morro dos Ventos Uivantes, uma hilariante tradução), e foi um sofrimento: 30 anos duma família completamente disfuncional e endogâmica de 9 pessoas, uns cruéis como o diabo, outros mimados, outros mentalmente desarranjados, to say the least.
Também por isso estou muito satisfeito com o livro que lhe sucedeu: Roma Ascensão e Queda de um Império. Quem já deu uma olhada por estas páginas, saberá que tenho uma simpatia especial pela Roma antiga.
De facto, aquilo foi uma sucessão de desentendimentos, da qual temos uma noção enviezada, porque a história é feita pelos vencedores e, ainda hoje, deve correr sangue no Tibre, tal a quantidade de perdedores destinados ao anonimato. Uma nota especial para Cícero, que romano-novo que ganhou a eternidade porque guardava a correspondência que enviava e recebia, e tinha um escriba metódico que lhe 'estenografava' os discursos, em algo mais durável que tabuinhas de cera.
Mas, por outro lado, como bem se escreve no prefácio, sabe-se mais da Roma bimilenar que de qualquer outra sociedade anterior ao séc. XV.
Porque não se fiaram na história oral e deixaram as coisas escritas, ficámos a saber o que comiam e bebiam (vinho aguado), que tinham esgotos (incipientes), quais os seus festivais, os mentideros políticos, como eram as casas e templos, que trocas comerciais faziam, ...
O que tinham os gajos de diferente, para aguentarem umas fronteiras esticadas ao limite? Sorte (se Aníbal não tivesse dado a volta, só parava no Capitolino) e uma tropa muito bem organizada.
Baker é um historiador de massas, tendo sido colaborador da BBC - aliás, este livro foi usado numa série televisiva. Diria que estilo escorreito - não se consegue meter o Rossio na Betesga, e tem que se contar tudo em marcha acelerada - é um ótimo teaser para pessoas interessadas. São é muitos nomes, claro, mas toda a gente já ouviu falar de muitos deles, é uma questão de fazer puzzle.
Duas sugestões romanceadas para quem gosta: Eu, Cláudio (Robert Graves) e Memórias de Adriano (Margerite Yourcenar). Para 'policiais' a aventura, é escolher uma série de Steven Saylor, Simon Scarrow ou Lindsey Davis.
sexta-feira, 21 de junho de 2013
sábado, 15 de junho de 2013
SUPERVISÃO PARENTAL
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| Londres, 8.10.1940 (Associated Press) |
sábado, 8 de junho de 2013
SEM PLANO B
Um Passos Coelho 'orgulhoso' com o seu trabalho diz ao Expresso que, se voltasse atrás, não mudava 'nada de substancial'. Sigamos o cherne, parte II.
O PM é mais papista que o papa, pois até Vitor Gaspar já viu que as coisas não estão a correr como o previsto (4% de recessão, mais 100 mil desempregados em 3 meses, dívida pública de de 210.000 milhões, exportações estagnadas, investimento gripado - por causa do mau tempo, disse -, remorsos do fmi).
Ontem, o ministro mudou de agulha, reconhecendo que 'apresentar um lista de erros seria demasiado demorado' (avançou um, ter pensado que 'poderia dar prioridade à consolidação orçamental e à estabilização financeira sem uma transformação estrutural profunda das administrações públicas'). Momentos antes, no hemiciclo, afirmara 'tenho amplo material para aprender com os meus próprios erros'.
A humildade, mesmo que tardia, é de elogiar, mas a gente ficava mesmo penhorada era com um plano B. Parece que é pedir demais: ainda agora foi aprovado um orçamento rectificativo que, nas palavras de Adão e Silva, 'em lugar de rectificar, ratifica as soluções que já falharam'.
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sexta-feira, 7 de junho de 2013
REGIMEN DELENDA EST
'O actual regime é o mais infame, mais vergonhoso e mais generalizadamente odioso de todos, aos olhos de todas as espécies e classes e idades de homens [...]
Estes políticos até conseguiram ensinar os homens mais calmos a vaiar.'
Cícero, sobre César
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Cícero, sobre César
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