...e depois, com bigodes de leite, pedem mais paciência e esforço ao povo, que a "vaca 'tá seca".

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

NOTAS DE ESCUDO

Destas ainda me lembro. 20 escudos davam então para 4 bolas-de-berlim, e agora 10 'contos de réis' não enchem um depósito de gasóleo... 

€0,10
 Santo António. 1965-1986
 Garcia da Horta. 1965-1986
Gago Coutinho. 1978-1986 

€0,25
 Rainha Santa Isabel. 1965-1987
 Infanta D.Maria. 1979-1987 

€0,50
 Camilo Castelo Branco. 1968-1987
 Barbosa de Bocage. 1980-1990
Fernando Pessoa. 1987-1992

€2,5
 D. João II. 1966-1988
 Francisco Sanches. 1981-1990
 Mouzinho da Silveira. 1988-1998
 João de Barros. 1997-2002

€5

 D. Maria II. 1967-1987
 D. Pedro IV. 1979-1991
Teófilo Braga. 1988-1997 
Pedro Álvares Cabral. 1996-2002  

€10
Bartolomeu Dias. 1991-1997 
 Bartolomeu Dias. 1996-2002

€25
     
António Sérgio. 1981-1992
Antero de Quental. 1987-1997 
 
Vasco da Gama. 1996-2002

€50
Egas Moniz. 1989-1997 
Infante D. Henrique. 1996-2002  

e as últimas moedas

mais em
http://notasrepublica.blogs.sapo.pt/
http://clientebancario.bportugal.pt/PT-PT/NOTASEMOEDAS/NOTASEMOEDASNACIONAIS/Paginas/Escudo.aspx?pagenr=1

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

BEM LEMBRADO


Paula Rego

A MEMÓRIA É O LUGAR ONDE
TUDO ACONTECE PELA SEGUNDA VEZ.

(...)  a memória e a imaginação têm funções praticamente idênticas no cérebro. 
Há uma sobreposição. De facto, 
RECORDAR É UMA FORMA DE IMAGINAR. 

Paul Auster
.

EMPREITEIRO DE DEUS




Cenário, Igreja de Santa Clara (Boavista, Beja). Uns murais a óleo e têmpera, a caminho dos 400 anos, estavam meio apagados. O pároco 'contratou' um velhote que vivia no lar e dizia ser pintor, que já via mal e tinha pouca mobilidade, para retocar as paredes - com tinta plástica!
O padre justificou-se, 'quis melhorar aquilo e foi o que fiz. não percebo nada disso do património'. Pois.
Isto aconteceu nos anos 80 (o Cristo de Borja é um sucedâneo, portanto), mas o auto-intitulado 'empreiteiro de Deus' não se ficou por aqui: em 2006, mandou retirar todas as cantarias da igreja, 'eram calhaus sem qualquer valor', e retirou o púlpito, 'estava a estorvar a celebração'...

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

NORMAN ROCKWELL, O ILUSTRADOR

As ilustrações do Norman Rockwell fazem-me logo lembrar os livros da Anita, que guardo no mesmo gavetão empoeirado onde estão os filmes technicolor da Lassie, os rebuçados santo onofre e os iogurtes feitos em casa. Suspeito que terão o mesmo efeito convosco, se já cá estavam antes do 25 de Abril. 
Voltando ao dito, Rockwell (1894-1978), descendente de um dos primeiros colonos da américa, era conhecido como ilustrador de livros, postais, selos, cartazes, calendários (como os dos escuteiros, lançados anualmente entre 1925 e 1976) e revistas: debutando em revistas juvenis como a Boys’Life (onde conseguiu a sua primeira capa em Setembro de 1913), passou pela Saturday Evening Post (SEP), Life magazine, Country Gentleman, Ladies’ Home Journal, Literay Digest e, nos anos 60, na revista Look. Dizer que passou pela SEP é claramente um exagero, foi mais um emprego de longa duração: entre 1916 e 1963, Rockwell assinou 322 (ou 323) capas da revista.

Os seus milhentos trabalhos (cerca de 4000) são na grande maioria caricaturas realistas, passe o paradoxo, e davam trabalho: usava modelos e, a partir de 1937, cada ‘boneco’ envolvia uma composição de fotografias de pessoas e cenários, que ele depois plasmava na tela. Sempre com saudáveis bochechas rosadas.
Querido da América, o ilustrador Norman Rockwell retractava o país interior, dos valores, com o seu casulo de interesses (a lembrar o salazarento 'viver habitualmente'*), em cândidas cenas do dia-a-dia: as refeições, os encontros familiares, o natal, os escuteiros, as orações, os namoros, as idas à missa ou ao médico.

Durante muitos anos, os protagonistas foram os WASP (brancos anglo-saxónicos protestantes), mas, quando se mudou para a Look magazine, lá chegou o tempo de tratar o tema dos direitos civis e colocar os negros na boca de cena. 
Um dos seus trabalhos mais conhecidos é sobre Ruby Bridges, a primeira criança negra a entrar numa escola multirracial (forçada pela lei) – enfrentando sem uma lágrima a hostilidade de manifestantes e a recusa de professores e pais dos outros miúdos, durante um ano foi acompanhada por polícias para a escola e tinha uma professora (voluntária) só para ela.

* Norman pintava a felicidade, mas não viveu habitualmente: 3 mulheres, 1 divórcio, 1 viuvez, depressões, apoio psiquiátrico, o incêndio do estúdio com parte da sua obra.

Checkers (2.7.1928 Ladies' Home Journal)
Doctor and the doll (29.3.1929 Saturday Evening Post)
Puppeteer (22.10.1932 Saturday Evenong Post)
 The Tattoo Artist (4.3.1944 Saturday Evening Post)


Penny candy (23.9.1944 Saturday Evening Post)
Saying grace (24.11.1951 Saturday Evening Post)
How-to-diet (3.1.1953 Saturday Evening Post)
Happy Birthday Miss Jones (17.3.1956 Saturday Evening Post)
Optometrist. kid with new glasses (19.5.1956 SEP)
After the prom (25.5.1957 Saturday Evening Post)


 Before-the-shot (15.3.1958 Saturday Evening Post)
The runaway (20.9.1958 Saturday Evening Post)


The problem we all live with (01.1964 Look magazine)
clique na imagem para aumentar

New Kids in the Neighborhood (16.5.1967 Look magazine)


NORMAN ROCKWELL, PARTE II

Criticado durante muitos anos pelas suas capas doces e sentimentalóides no Saturday Evening Post (SEP), Norman não se incomodava quando lhe chamavam ilustrador em vez de artista, e até assumia o epíteto. 
Nem todos o faziam: o escritor Valdimir Nabokov achava-o brilhante, mas desperdiçado em pinturas banais, e  chegou a escrever que Dali era o irmão gémeo de Rockwell, raptado por ciganos no útero. Homenagem póstuma, um dos seus trabalhos, Breaking home ties, foi leiloado em 2006 por 15.4M dólares.

Em seu crédito, diga-se que alguns dos seus trabalhos mais realistas (como os retratos dos presidentes), em oposição às suas costumeiras figuras abonecadas, provam que a caricatura, apelando ao imaginário dos leitores, talvez fosse opcional.

Até podem não conhecer nenhuma pintura de Rockwell, mas já viram com certeza os seus sucedâneos. Conhecem o Pai natal desenhado por Haddon Sundbom, que a Coca-cola ‘deu’ ao mundo a partir de 1930? Pois Rockwell já pintara um ‘Santa’ vermelho na capa da SEP em 1916 e, parece vingança, um dos seus pais natal foi usado pela Pepsi, em 1965.

Mas há mais: o poster icónico da emancipação feminina (we can do it), com uma mulher a fazer um manguito, tem parecenças com a, na altura, mais popular Rosie the riveter de Rockwell (na mesma pose do profeta Isaías da capela sistina, mas com a bota sobre o mein kampf), inspirada numa música de 1942 que celebra as mulheres operárias envolvidas no esforço de guerra.

Uma das suas séries mais célebres teve como leitmotiv o discurso do Estado da União de 1941, onde F. D. Roosevelt propôs 4 liberdades fundamentais, que inspiraram a declaração universal dos direitos humanos: de expressão, de religião, do medo (resultado da paz mundial) e o direito a condições adequadas de vida (incluindo à propriedade, ao trabalho, à educação e à segurança social). Capas em 4 edições seguidas da SEP, dedicadas aquelas liberdades, foram também usadas em selos e numa digressão pelos E.U.A., sendo arrecadado 130M de dólares em títulos de dívida, para financiar o esforço de guerra.

Nota final, há dois trabalhos divertidos que merecem referência: a propagação dum boato que chega aos ouvidos do 'alvo' e a árvore genealógica indígena, uma miscigenação de bailarinas de saloon e clérigos, garimpeiros e índias, confederados e unionistas, independentistas e ingleses, piratas e damas espanholas. 

natal
Santa and scouts in snow (Boys Life 12.1913
 Santa Consulting Globe (4.12.1926 Saturday Evening Post)
Extra good boys and girls (16.2.1939 Saturday Evening Post)
The discovery (29.12.1956 Saturday Evening Post)
 as 4 liberdades
Freedom-of-speech (20.2.1943 Saturday Evening Post)
Freedom to worship (27.2.1943 Saturday Evening Post)
Freedom from want (6.3.1943 Saturday Evening Post)
Freedom from fear (13.3.1943 Saturday Evening Post)

Rosie the riveter (29.5.1943 saturday evening post)
Breaking home ties (25.9.1954 Saturday Evening Post)
The gossips (6.3.1958 Saturday Evenig Post)
Family tree (24.10.1959 Saturday Evening Post)
Triple self-portrait (13.2.1960 Saturday Evening Post)
 os presidentes
The day I painted Ike (Eisenhower, 10.11.1952 SEP)
Portrait of John F. Kennedy (29.10.1960 Saturday Evening Post)
Lindon Johnson (20.10.1964 Look magazine)
Portrait of President Richard Nixon (1968)
ver parte I

sexta-feira, 17 de agosto de 2012