...e depois, com bigodes de leite, pedem mais paciência e esforço ao povo, que a "vaca 'tá seca".

quarta-feira, 5 de junho de 2013

SENA DA SILVA


António Sena da Silva (1926-2001) foi muitas coisas, empresário, tradutor, publicitário, designer, arquitecto e professor, entre outras coisas. E fotógrafo. Diz quem sabe que inspirado na fotografia francesa de Cartier-Bresson e, principalmente (porque mais encenada) de Robert Doisneau. A propósito disso, existe por aí uma querela sobre a opção do comissário da exposição de apresentar impressões integrais dos negativos, em vez dos enquadramentos escolhidos, à época, pelo autor - e tão diferentes ficam.
Podem agora ser vistos cerca de 200 fotografias, seleccionadas durante 2 anos, a partir de 20000 negativos e diapositivos que Sena da Silva deixou.
Na Cordoaria Nacional, até 4 de Agosto. 

 
António Sena da Silva, c. 1960


António Sena da Silva, 1956


António Sena da Silva, 1956-57

António Sena da Silva, 1956-57

António Sena da Silva, 1956-57

António Sena da Silva, 1958

António Sena da Silva, 1960s

António Sena da Silva, 1970s

António Sena da Silva, 1970s

DON'T



Anunciante: jornal The Independent
Agência: Lowe Howard-Spink
Grand Prix em Cannes, ano 1999

sábado, 1 de junho de 2013

PANTEÕES RÉGIOS *

Sé de Braga
     Henrique de Borgonha (1066 - Astorga 1112)
     Teresa de Leão (1080 - Montederramo 1130) 

Mosteiro de Santa Cruz, Coimbra
     1 Afonso Henriques, o conquistador (Guimarães, Coimbra ou Viseu 1109 - Coimbra 1185)
     2 Sancho I, o povoador (Coimbra 1154 - Coimbra 1211)

Mosteiro de Alcobaça
     3 Afonso II, o gordo (Coimbra 1185 - Santarém 1223)
     5 Afonso III, o bolonhês (Coimbra 1210 - Coimbra 1279)
     8 Pedro, o justo (Coimbra 1320 - Estremoz 1367)

Catedral de Toledo
     4 Sancho II, o capelo (Coimbra 1209 - Toledo 1248)

Mosteiro de Odivelas
     6 Dinis, o lavrador (Lisboa? 1261 - Santarém 1325)

Sé de Lisboa
     7 Afonso IV, o bravo (Coimbra 1291 - Lisboa 1357)

Convento do Carmo, lisboa
     9 Fernando, o formoso (Coimbra ou Lisboa 1345 - Lisboa 1383)**

Mosteiro da Batalha
     10 João I, o de boa memória (Lisboa 1357 - Lisboa 1433)
     11 Duarte, o eloquente (Viseu 1391 - Tomar 1438)
     12 Afonso V, o africano (Sintra 1432 - Sintra 1481)
     13 João II, o príncipe perfeito (Lisboa 1455 - Alvor 1495)

Mosteiro dos Jerónimos, Lisboa
     14 Manuel I, o venturoso (Alcochete 1469 - Lisboa 1521)
     15 João III, o colonizador (Lisboa 1502 - Lisboa 1557)
     16 Sebastião, o desejado (Lisboa 1554 - Alcácer-Quibir 1578) (?)
     17 Henrique, o casto (Lisboa 1512 - Almeirim 1580)

Mosteiro do Escorial, Madrid
     18 Filipe I (Valladolid 1527 - El Escorial, 1598)
     19 Filipe II (Madrid 1578 - Madrid 1621)
     20 Filipe III (Valladolid 1605 - Madrid 1665)

Mosteiro de S. Vicente de Fora, Lisboa
     21 João IV, o restaurador (Vila Viçosa 1604 - Sintra 1656)
     22 Afonso VI, o vitorioso (Lisboa 1643 - Sintra 1683)
     23 Pedro II, o pacífico (Lisboa 1648 - Alcântara 1706)
     24 João V, o magnânimo (Lisboa 1689 - Lisboa 1750)
     25 José, o reformador (Lisboa 1714 - Lisboa 1777)
     cs. Pedro III (Lisboa 1717 - Queluz 1786)
     27 João VI, o clemente (Lisboa 1767 - Lisboa 1826)
     29 Miguel, o absolutista (Queluz 1802 - Grão-ducado de Baden, 1866)
     30 Maria II, a educadora (Rio de Janeiro 1819 - Lisboa 1853)
     31 Pedro V, o esperançoso (Lisboa 1837 - Lisboa 1861)
     32 Luís, o popular (Lisboa 1838 - Cascais 1889)
     33 Carlos, o diplomata (Lisboa 1863 - Lisboa 1908)
     34 Manuel II, o desventurado (Lisboa 1889 - Twickenham 1932)

Basílica da Estrela, Lisboa
     26 Maria I, a piedosa (Lisboa 1734 - Rio de Janeiro 1816)

Capela Imperial, S. Paulo
     28 Pedro IV, o libertador (Queluz 1798 - Queluz 1834)

* O título panteão nacional foi atribuído apenas ao mosteiro de Santa Cruz (em 2003), e à igreja de Santa Engrácia (em 1916), onde estão enterrados 4 escritores, 1 fadista, 4 PR e 1 candidato a PR.
** Por decisão própria, Fernando foi enterrado no convento de S. Francisco, em Santarém, para onde já levara as ossadas da mãe, Constança Manuel; foi a ruína do convento que levou à sua transladação... para outras ruínas.


Mesmo quem não conheça nada da história da Portugal, o roteiro das 'últimas moradas' diz muito: a variedade duma 1ª dinastia em conquista territorial; a dinastia de Avis dividida em duas partes, uma virada para a independência e outra para as descobertas - e a clivagem passa por uma sucessão entre primos; a constância dos Braganças (precedida em Vila Viçosa, enquanto duques). 
Até as excepções são elucidativas: um Sancho II exilado pelo irmão e um Pedro IV que quis ser brasileiro.
Ao rigor 'pedagógico' só escapam Afonso VI, encarcerado em Sintra e a quem o irmão tomou o trono e a mulher, e Miguel, que perdeu a guerra civil, vindo a morrer na Alemanha.     
 
Mosteiro de Santa Cruz

Mosteiro de Alcobaça

Mosteiro de Odivelas
Sé de Lisboa

Covento do Carmo

Mosteiro da Batalha

Mosteiro dos Jerónimos

Mosteiro de São Vicente de Fora

Basílica da Estrela

sexta-feira, 31 de maio de 2013

A COPA DA ÁRVORE

Van Gogh, c. 1888

'Girassóis, são uns girassóis, sempre virados para a luz, 'tão sempre bem com o chefe, seja ele qual fôr.', protestava alguém no outro dia. 'Eu sei, estão sempre a dar nas vistas, à volta do chefe, mesmo que trabalhem pouco e mal', arengou outro. 'O pior é que ainda dizem mal dos outros e o meu chefe 'emprenha pelos ouvidos' - é tipo uma piscina, em que nos apoiamos nos outros para ter a cabeça de fora', disse o terceiro. Foram abertas as hostilidades: toda a gente à volta da mesa conhecia colegas assim, e foi logo tema de prosa.

Imaginem dois colegas quase-quase iguais, com uma pequena diferença no instinto de sobrevivência: Dupont aproveita as ocasiões para dar nas vistas perante o chefe, e ainda lhe diz mal de Dupond ao chefe. Dupond não dá o troco, e não há contraditório.
Acham que o chefe vê os dois como iguais, mesmo que Dupond seja mais trabalhador? Nãã, manda a natureza que ninguém resista à bajulação*, e por vezes o chefe não discerne que quem lhe diz mal do seu antecessor, dirá mal dele no dia em que sair - arrivista não é leal, por inerência.
Conclusão, o chefe prefere Dupont, e até lhe perdoa algumas falhas (as que Dupont não consegue esconder, ou passar a culpa), porque este até lhe vai contando o que se passa. Tudo é pior se o emprego for competitivo, ou o chefe for mais belicoso. Aí, com o tempo, o dito passa a ter cada vez menos 'fontes' e a saber apenas o que alguns querem contar, por interesse do mensageiro, ou que julgam que ele quer ouvir.
E pronto, o sugestionável chefe fica com uma noção filtrada da realidade. Compete-lhe ver a floresta e não as árvores, não é? Pois, mas vê de cima, repara nas copas mais vistosas, e não distingue um embondeiro dum eucalipto.
Dizem.
 
* permita-se um toque de erudição: escreve Maquiavel n' O Príncipe, acerca dos lisonjeadores, 'Os homens comprazem-se tanto consigo próprios e têm ideias tão lisonjeiras a seu respeito que dificilmente escapam a esta praga'.   

domingo, 19 de maio de 2013

TUDO BEM, SE NÃO FOR COMIGO


A ELITE DO PAÍS 'NIMBY'
Henrique Monteiro, Expresso online, 17.05.2013

Vi ontem uma pequena reportagem com a Comunidade Vida e Paz, uma associação generosa, voluntária e desprendida que todas as noites distribui alimentos. Há muito que o faz, muito antes da crise, sem esperar qualquer reconhecimento, com poucas palavras, pouco protagonismo e muitas ações. Qual a novidade? Cada vez mais pessoas recorrem à ajuda alimentar levando os seus filhos, apesar de noite cerrada, porque são os pequenos quem mais necessita urgentemente de comida.
Penso que nem uma pedra fica indiferente a uma situação destas. E se a trago aqui é porque tenho a sensação de que a elite deste país é especialista no que em inglês se chama NIMBY (de Not In My Back Yard, ou não no meu quintal). Ou seja, a nossa elite, que tem acesso à comunicação, raramente fala do problema dos outros, preferindo falar dos seus. Sendo uma elite que largamente vive de reformas, fala de reformas; sendo uma elite que largamente vive do setor público, fala do setor público. Sendo uma elite que vive largamente à sombra do Estado, fala do Estado. É, por isso também largamente favorável a todo o tipo de reformas, desde que elas não atinjam o seu quintal - não no meu quintal, NIMBY.
Mas o maior problema do país não é se 10% dos reformados vai ganhar menos, ou se os professores vão trabalhar mais cinco horas. Se olharmos para estes dramas concretos que se vivem à volta de organizações como a Comunidade Vida e Paz, se recordarmos os 19, 20, ou mais por cento de desempregados, os velhos com reformas miseráveis (daquelas que não foram sequer cortadas), as famílias desestruturadas pela crise, rapidamente vemos o ridículo de um país que nunca discute estes casos no concreto, mas apenas em esquemas macroeconómicos tão manhosos como as folhas de Excel.
A questão que se coloca a cada um é o que faremos por este país? Estamos dispostos a dar? Queremos ajudar? Como podemos ajudar? Partamos deste ponto para todos os debates. O 'NIMBY' é a marca da imobilidade que nos conduziu até onde estamos.

domingo, 12 de maio de 2013

A VENDER CARNE HÁ MAIS DE 100 ANOS (II)

BUTCHERING FOR OVER 100 YEARS AGO
  
São talhos, senhor, são talhos. Com carcaças perfeitamente alinhadas e simétricas, aventais imaculados e poses sérias, pois tirar uma 'chapa' era um evento, e a imagem contava, hoje como ontem: come-se com os olhos. Poder-se-ia pensar que a carne foi quase toda trazida para a rua, de propósito para a ocasião, mas o facto é que a mercadoria era habitualmente 'exposta' aos fregueses... e às varejeiras.  
 
PORTUGAL
1908, Praça da Figueira (foto Joshua Benoliel)
 
UNITED KINGDOM
 'temos miolos frescos todos os dias', diz a tabuleta
 1888, John Eaton and his traditional Christmas show, Montgomery
 1897 (prov.), butcher's shop at the Pantiles, Tinbridge Wells
Barkaway butchers, Frank Cuningham at left 
 butcher Frank Rogers, Riverhead
 Fraser brothers., Dingwall-Scotland
c. 1900, Barwell's butcher shop, Bury St Edmunds, Suffolk
 c. 1900, Bett's butcher shop, Eastry
 c. 1900, Stevens brothers butcher shop, Cambridge street, London
 c. 1900, butcher shop, Gabalfa road, Llandaff north (Cardiff)
 c. 1900, George Edward Lear Hillier, Guernsey island
 c. 1900. Tolson & co., Kent
 1905, Cambridge st, London
 1905, Collard's butchers, Redcliffe Hill, Bristol
1906, Hammond butchers, Peterborough
1908. Tunbridge Wells butcher shop
 1909, John Hampshire Nettleton's butcher shop, in Ossett
 1910, butcher shop at Camden Road, Tunbridge Wells
 1910, Durrants butcher, Lower Edmonton
 c. 1910, Barcombe
c. 1910, Castle street, Glascow
c. 1920. Brown & co. butcher, Northampton
 
AUSTRALIA
 1878, the butcher, his wife, their twin daughters
and a friend in front of the shop, Victoria
c. 1895, butcher's shop and residence, Caboolture-Queensland
 c. 1910, James Knight's butcher shop in Christchurch (prov. High Street)

NEW ZEALAND
 
 USA e Canadá aqui 


A VENDER CARNE HÁ MAIS DE 100 ANOS (I)

BUTCHERING FOR OVER 100 YEARS AGO

São talhos, senhor, são talhos. Com carcaças perfeitamente alinhadas e simétricas, aventais imaculados e poses sérias, pois tirar uma 'chapa' era um evento, e a imagem contava, hoje como ontem: come-se com os olhos. Poder-se-ia pensar que a carne foi quase toda trazida para a rua, de propósito para a ocasião, mas o facto é que a mercadoria era habitualmente 'exposta' aos fregueses... e às varejeiras.
 
USA
 1875
Reeb's butcher shop, Hornitos-California
c. 1890, Minnesota 
 1896, Johnson Bros. meat market, Hopkins-Minnesota
 c. 1900, Minnesota
 c. 1900, students in a butchering class, Minnesota
irish meat market, c. 1901
 c. 1903-1909, Maxwell street, Chicago
 1904 Dez. Reutter's meat market, Lansing-Michigan
1900s, Chesman Masterman's market, Framingham-Massachussets 
 c. 1905, butcher shop in Watney st., Parkston-South Dakota
 c. 1905, Minnesota
 c. 1905, Nathaniel “Dan” Grosz’s butcher shop in Parkston-South Dakota
 c. 1910, butcher shop, Cambria City-Pennsylvania
 c. 1910, Minnesota
 workers and shoppers outside of 2 butcher shops, each one
serves different ethnic groups Cambria City-Pennsylvania
 early 1900s, William Carlson butcher, Minnesota
 
CANADA
 c. 1890, butchers shop, Vancouver
 1890s, Lawrence Goodacre's butcher shop at Christmas, Vancouver
 1898, Braden & Co. butcher shop, Cordova St, Vancouver
  1910, William Davies store, Toronto
 1915, civic abattoir, Toronto
 1918., butcher shop, Vancouver
Pare meat market, Bedford, Quebec

UK, Austrália e N. Zelândia aqui