...e depois, com bigodes de leite, pedem mais paciência e esforço ao povo, que a "vaca 'tá seca".

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

PORTAL DE OPINIÃO PÚBLICA


O 'neófito' Portal de Opinião Pública (http://www.pop.pt/pt/#/),
n. anteontem, traz dados muito curiosos.
Eis uma colheita seleccionada.
 
Casa onde não há pão, todos ralham e ninguém tem razão.

Claro...

... seja com quem for.
 
Na Finlândia, um salário deve chegar e sobrar.

Diz Dupont, onde há troika, o futuro sorri.

Replica Dupond, o futuro sorri, onde há troika.
(curioso, subiu em PT desde 2007, ao contrário da expectativa financeira)  

Não surpreende. E varia.

Portugal não é um país de emigrantes???

Nós, precários.

Nós, pobres.

Nós, importantes.

Nós, fraternos.
 
 e agora, por grosso:
Como visto antes, no trabalho ninguém nos passa.
Já nas boas maneiras...
Facto, Portugal e Grécia aqui e ali, irmanados na escala,
escandinavos gregários noutra banda.

Relativamente tolerantes com alcoólicos e toxicodependentes
(actividades recreativas, pá),
agora homossexuais não, toda a gente sabe que isso se pega no elevador!!!
Espanhóis e franceses são uns vizinhos porreiros.

domingo, 17 de fevereiro de 2013

INSPECÇÃO SANITÁRIA

Upton Sinclair recebeu uma encomenda do jornal Appeal to Reason, escrever um livro panfletário que mostrasse a corrupção, iniquidade, ganância e avareza do sistema industrial capitalista, e enaltecesse o socialismo. ‘A Selva’, saída do prelo em 1906, retrata uma família de imigrantes lituanos de passa ‘as passas do Algarve’ até que o protagonista, Jurgis Rudkus, se revê num discurso (que ouve por acaso, quando entra numa sala para fugir ao frio), se torna socialista e a sua vida melhora.
O problema de Sinclair é que os leitores ficaram menos impressionados com a exploração laboral nos matadouros de Chicago (crianças que mal chegavam às bancas de trabalho, trabalhadores fechados em caves escuras e húmidas durante semanas a fio, por salários liliputianos), do que com as condições de fabrico das salsichas e carne enlatada – cuja ‘massa’ incluía carne pútrida, uma mistura de especiarias originais, ratos e as suas fezes, rodenticidas, ocasionalmente pontas de dedos, água suja, ferrugem e pontas de cigarro. Tudo com a ‘miopia’ de inspectores subornados.
O escritor foi cristalino, ‘quis atingir o coração das pessoas, e acertei nos seus estômagos’.
 
O livro teve um enorme sucesso (1 milhão de cópias vendidas no 1º ano) e teve repercussões, mas não as esperadas: enojado, o presidente Theodore Roosevelt mandou 2 comissários a Chicago, para tirar o assunto a limpo e ver se não seria exagero do socialista.
Apesar dos industriais terem sido avisados da visita-surpresa (e varrido a sujeira para baixo do tapete, durante 3 semanas), os investigadores concluíram que a situação era 100 vezes pior que a descrita por Sinclair: trabalhadores com doenças de pele e doenças contagiosas, operários tuberculosos a cuspir sangue para o chão, latrinas junto dos postos de trabalho (sem água e sabão para a lavagem das mãos), refeições no local onde se processava a carne, alteração química de carne estragada.

Semanas depois, eram aprovadas no Congresso as leis gémeas, o Meat Inspection Act (que instituía o exame dos animais antes do abate, o exame de todas as carcaças, padrões sanitários nas indústrias da carne e a inspecção oficial permanente das operações) e o Pure Food and Drug Act (de facto, o título era Act for Preventing the Manufacture, Sale, or Transportation of Adulterated or Misbranded or Poisonous or Deleterious Foods, Drugs, Medicines, and Liquors, and for Regulating Traffic Therein, and for Other Purposes, uf!).

Esta legislação não se deve apenas a Sinclair, mas também à pressão de movimentos progressistas (liderados por organizações de mulheres activistas) que, havia 2 décadas, tentavam impor a regulação do sector, contra um Congresso reticente - cruzada que teve o auxílio dos jornais, que expunham casos de publicidade enganosa e adulteração de drogas e alimentos. A isto se junta um funcionário público, que foi montando paulatinamente um organismo regulador, para o qual foi conseguindo competências legais, Harvey Washington Wiley de sua graça. 


Storeroom at Chicago Union Stockyards. 1890


Burns plant. 1900

 

Meat packing factory, Chicago. 1904

Butchers during stockyard strike, Chicago. 1904, Chicago Daily News (Chicago History Museum)

Scalding hogs before scraping at a meat processing plant at the Stockyards, Chigago. 1905
Swift & Co. packing house, Chicago. 1905 (Library of Congress)




Making sausage at the stockyards, Chicago. 1907

Hanging sausage to dry at the Stockyards, Chicago. 1907

Chicago slaughterhouse

Workers knocking cattle before slaughter at Swift & Co. around 1906. (Library of Congress)
 
Killing floor at Swift & Co., Chicago. 1906 (Library of Congress)

Splitting backbones and final inspection before cooling, Swift & Co. Chicago stockyards. 1906

Meat inspectors at Swift & Co. Chicago stockyards. c.1906


Inspection of carcasses. 1910 (Bureau of Animal Industry, National Archives)

Workers packing chipped beef. 1910 (Bureau of Animal Industry, National Archives)

Meat inspectors, branding smoked hams. 1910 (Bureau of Animal Industry, National Archives)

Cudahy Packing Co., Omaha. 1910 (Bureau of Animal Industry, National Archives)


Butchers carving a cow at Farris & Co. 1900-15. (Florida State Archives)


H. R. Manthei grades beef in the cooler of Chicago meatpackers Wilson & Co. 1948


Employees of the Federal Meat Inspection Service check over the internal organs of pigs. 1950s
                    

sábado, 16 de fevereiro de 2013

MATADOUROS DE LA VILLETTE, PARIS

1860 (via www.paris-unplugged.com)


(e seguintes, via www.parisenimages.fr)


1907. Preparação de tripas


1907. Carcaças preparadas de ovelhas


1907. Esfola e evisceração de porcos


1907. Depilação de porcos


Cerca de 1900. Sangria de ovinos


Cerca de 1900. Abate de bovinos à moda israelita


Cerca de 1900. Abate de vitelo


1907. Escaldão de cabeças de vitelo


1922. Esfola de bovino com aparelho
 *
1908. abate de suínos (e seguintes, arquivo da Bibliotèque Nationale de France)


1908
 
1917. Esvaziamento e lavagem de 'panças'

1927
Os matadouros de La Villette, que chegaram a ocupar 54 hectares de Paris,
foram construídos entre 1860 e 1867,
reunindo os abates que ocorriam em vários locais da cidade. 

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

EFÉMERO OU REPETITIVO?


Tenho embrulhados em cartolina canelada os jornais (Diário de Notícias) dos dias em que os meus filhos nasceram. Resolvi repetir a 'piada' agora que nasceu o filho duns amigos.
Ia comprar outro diário, desta vez o Público, mas fui desaconselhado por uma eleitora do PSD desiludida - 'Queres dar a fronha do Passos Coelho?' Daí ter escolhido o Expresso, um semanário com notícias menos frescas, mas muito mais opinião.
No pequeno cartão, ficou "Pode ser que, em 2063, abras este envelope e aches graça às notícias deste dia, ou porque serão 'arqueologia', outra porque parecerão ironicamente actuais".
Foi com essa dúvida que li o jornal, o que se tornou um exercício curioso - que aconselho -, imaginar como será folheá-lo daqui a 50 anos.
Provavelmente, quase tudo o que enche as páginas e a pena dos cronistas, nessa altura, não interessará nem ao menino Jesus. Provavelmente, o petiz (já cinquentão) achará que a política pouco mudou, da mesma forma que o Portugal decadente de Eça parece incrivelmente actual. Provavelmente, os telemóveis publicitados serão uma anedota, comparados com os dessa altura, espessos como acetato e que só não descascam batatas.
E a curiosidade! Será que, quando o papel amarelecido for novamente manuseado (partindo do princípio que sobrevive até lá, e alguém lhe pega), o FMI não voltou mais vezes? Será que a alternância continua a ser entre o PSD e o PS, e alguém sabe quem foi o Cavaco? Será que dão certo as prospecções que o ministro da economia celebra e seremos produtores de ouro, gás e petróleo? Será que as vitórias do Sporting serão tão longínquas quanto são hoje as do Belenenses?


TRESPASSA-SE


Encerramento de mais um estabelecimento de restauração...
 Depois de ouvir o Gaspar anunciar o Orçamento, disse Jesus aos apóstolos:
"Em verdade Vos digo: assim não pode ser, ide cear a casa".