...e depois, com bigodes de leite, pedem mais paciência e esforço ao povo, que a "vaca 'tá seca".

domingo, 30 de dezembro de 2012

HIPERREALISTA I. ROBIN ELEY

Não é realidade, não é uma fotografia, não é o superhomem, é pintura.
E tão igualzinha que, poder-se-á dizer, não acrescenta nada e custa mais que uma foto ampliada. Nada mais errado, os hiperrealistas como Eley ou Monks são mestres, só uma técnica exímia consegue reproduzir tão fielmente um corpo humano - para aumentar a dificuldade, envolto em plástico translúcido.
Quem faz isto, faz qualquer coisa.
Robin Eley (1978), nascido em Londres, crescido na Austrália e com formação artística nos EUA (onde foi para estudar psicologia), 'gasta' em cada quadro cerca de 5 semanas, 90 horas por semana. Dá trabalho, mas compensa.

A série 'Singularity' tem como tema a tecnologia que, criada para aproximar as pessoas, as separa - disse Robin, 'ao reduzir as nossas comunicações a botões gosto e mensagens curtas, muita coisa se tornou invisível e que não vemos mais... geralmente as coisas mais emotivas e difíceis de lidar. isto foi a inspiração do plástico'.
Os 15 quadros foram vendidos antes de inaugurada a exposição e, irónicamente, 14 deles foram comprados por colecionadores que os viram online.


A Salutary Breeze
Plastic
 Loss of Density

 Resolute

The Wait
Silent Respiration
The Poet
Incredulous
 Self Portrait

Portrait of Robin Eley snr
Mother' Hands
com o retratado Tom Gleghorn
Self Portrait
 
mais em http://www.robineley.com

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

O SOPRO DE OSCAR NIEMEYER

 
Não é o ângulo reto que me atrai
nem a linha reta, dura, inflexível,
criada pelo homem.
O que me atrai é a curva livre e sensual,
a curva que encontro nas montanhas
do meu país,
no curso sinuoso dos seus rios,
nas ondas do mar,
no corpo da mulher preferida.
De curvas é feito todo o universo,
o universo curvo de Einstein.
 
Disse Oscar Niemeyer, o poeta do betão armado, o ateu que criou o divino.
Disse e fez. Sabendo que não passava despercebido: 'Quando alguém vai a Brasília, eu pergunto se viu o Congresso Nacional, e pergunto, depois, se gostou, se achou que o projeto era bom. Certo de que ele poderia ter gostado ou não, mas que nunca poderia dizer que tinha visto antes coisa parecida.'
 
E fez muito. Foi embora quase aos 105 anos, obviamente a idade era um assunto recorrente: 'Existem apenas dois segredos para manter a lucidez na minha idade, o primeiro é manter a memória em dia, o segundo eu não me lembro.'
Um pouco mais a sério, disse que a 'nossa passagem pela vida é rápida. Cada um vem, conta sua história, vai embora e depois ela será apagada para sempre. Eu diria que sou um ser humano como outro qualquer, que vim, deixo a minha pequena história, que vai desaparecer como todas as outras' (no caso dele, não me parece que desapareça tão cedo).
Num filme-documentário sobre si, Oscar foi sucinto:
'A vida é isso, nasceu, morreu, f.-se. A vida é um sopro.'
E que sopro foi a sua vida.

 
 igreja de S. Francisco de Assis, Pampulha (1943)
 
 sede da ONU, NY - proposta Le Corbusier/Niemeyer (1949-52)
 
 casa das Canoas 1953
 

congresso nacional, Brasília (1958-60)


 
palácio do planalto, sede do governo (1958-60)

 
catedral metropolitana de N. Sra. Aparecida, Brasília  (1958-70)
 
 




museu de arte contemporânea, Niteroi (1996)


museu Oscar Niemeyer, Curitiba (2002)

 
pavilhão da serpentine gallery, Londres (2003)
 
auditorio ibirapuera, São Paulo (2005)

museu nacional, Brasília (2007)

teatro popular, Niteroi (2007)

centro cultural internacional, Avilés-Astúrias (2008)
 


segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

SERRALVES 2012

1923. Aos 28 anos, Carlos Alberto Cabral (1895-1963) herda o título de conde de Vizela, que D. Carlos concedera em 1900 ao pai Diogo José Cabral, industrial têxtil e deputado (consta que o único registo da sua passagem pelo parlamento foi um pedido de equiparação pautal do papel tarjado de luto aos papeis impressos).
No mesmo ano, Carlos instala-se em Biarritz e dedicou-se a mobilar a casa com art déco. Em 1925, decide restaurar (acabou por deixar apenas de pé o interior da capela) a casa que o pai mandara fazer na Quinta do Lordelo, local de veraneio familiar nos arrabaldes do Porto – tudo à grande e à francesa, o projecto dos arquitectos Charles Siclis e José Marques da Silva foi sofrendo alterações e ‘contributos’ de Jacques-Émile Ruhlmann, que conhecera em 1925, na Exposition Internationale de Arts Décoratifs et Industriels Modernes de Paris (responsável pela sala de jantar, o hall, o salão, o vestíbulo e sala de bilhar) e os seus colaboradores Alfred Porteneuve (escolheu a cor da casa), René Lalique (responsável pela clarabóia), Edgar Brandt (responsável pelo portão de ferro forjado que separa as zonas privada e comum), Ivan Da Silva Bruhns, Leleu, Jean Perzel e Raymond Subes. Jacques Gréber desenhou os jardins simétricos e rectilíneos, à imagem dos jardins franceses dos séculos XVI e XVII.
Tudo à grande e à francesa, com madeiras exóticas nos soalhos e mármore na casa de banho, o Sr. Conde habitou a casa desde 1944, quando ficou pronta, até vendê-la por falta de capital. Em 1957, a propriedade foi adquirida pelo conde de Riba d’Ave, o industrial delfim Ferreira, com o compromisso de deixar tudo como encontrou.
Quanto ao recheio art déco, parte do qual veio da vivenda de Biarritz entre 1944 e 1948, foi desaparecendo em leilões. Um deles, em 2009, incluía 3 malas Louis Vitton onde viajavam as ceroulas e a brilhantina (imagino eu) do Sr. Conde.
Dezembro
Pá, Claes Oldenburg 
Museu de Arte Contemporânea (1996-99)
Parterre d'eau em vários níveis, com planos de água comunicantes,
flanqueados por relvados e maçiços arbustivos (desenho de Jacques Gréber)

Casa (1925-44)
http://www.serralves.pt/gca/?id=331

capela
Portão de ferro forjado, separa zonas privada e comum (Edgar Brandt)
No piso enterrado, encontram-se a cozinha, a despensa e os locais de serviço.
No piso térreo, encontram-se todas as salas de estar, de jantar e átrios.
No 1º piso, a zona privada, incluindo a casa de banho em mármore.


 
 
serralves em festa, Junho
histórias suspensas, Radar 360º



 
actividades em família