...e depois, com bigodes de leite, pedem mais paciência e esforço ao povo, que a "vaca 'tá seca".

terça-feira, 12 de junho de 2012

DO MAL O MENOS



A VIDA É A INFÂNCIA DA NOSSA IMORTALIDADE.
Goethe

Vais escrever sobre isso?, perguntaram horrorizados. Vou.

Exceptuando góticos mórbidos, que gostam de caveiras e donzelas exangues, funerais são um assunto feio para toda a gente (eu, por exemplo, fujo sempre que posso, já tenho que ir ao meu e ainda assim contrariado).
Mas, a ter que ser, ao menos que o local seja bonito: não há como comparar filas de lápides e gavetas de pedra, com os verdejantes e viçosos (!) cemitérios americanos, onde o espaço é agradável, até por isso mesmo: lá, há espaço.

O recente tanatório de Matosinhos, da autoria de Luísa Valente, cumpre na função e na forma: faz-me lembrar o dentista da minha filha, que tem uma televisão colada ao tecto - a ocasião é má, mas o desconforto pode ser distraído. Não resolve nada, mas é acolhedor. 
A luminosa sala tem um pé direito enorme (para recordar a nossa pequenez?) e 3 paredes envidraçadas de cima a baixo, tendo a frontal vista para o mar. Despida de qualquer referência religiosa (apenas duas frases gravadas na parede, uma delas de Goethe), tem cadeiras de pinho claro e música clássica ambiente.

O método é mais abrupto que o convencional, com a saída do esquife sob uma lage elevatória mas, afinal, fica-se com a mesma noção de finitude e irreversibilidade que num enterro. 
Bem, não foi o caso: o ritual foi todo repetido, porque uns amigos atrasaram-se na ligação aérea.

sexta-feira, 8 de junho de 2012

TOMA O REMÉDIO!


A SAÚDE É UM ESTADO TRANSITÓRIO 
QUE NÃO AUGURA NADA DE BOM.
Eduardo Barroso













Foram várias as conferências notáveis na TEDxCascais de 18.2.2012.
A melhor de todas talvez tenha sido a de Zé Pedro Cobra (ZPC),
'Tira-se o hífen'.
Qual a razão do título? Porque essa linha pequena faz toda a diferença: como os miúdos travessos que se desculpam com o partiu-se, perdeu-se, estragou-se ou (usado a granel) gastou-se, os portugueses crescidos continuam a usar o hífen em palavras como o isso resolve-se, trata-se, arranja-se, paga-se.
É a velha história da culpa morrer solteira, porque é de todos, não é de ninguém - afinal, quando dizemos os portugueses, a quem precisamente nos estamos a referir, quem é o nós, qual de nós é responsável?
O conselho de ZPC é experimentar remover o hífen. uma coisa é arranja-se, outra é arranja se, porque exige um complemento, arranja se fizer.

Mas o palestrante completou com acutilância o nosso retrato (mais uma vez, o colectivo em vez do indivíduo):
* a lamúria (citou Mark Twain, 'não reclames do mundo, ele chegou primeiro'),
* a mania de assistir quieto e dizer perante o insucesso 'eu avisei',
* e a resignação do execrável costume de responder 'vai-se andando' ou 'antes assim que pior' a quem nos cumprimenta - ZPC diz-nos mais preocupados em evitar problemas que em encontrar soluções, e citou Andrew Matthews no seu livro Siga o seu Coração, 'o nosso objectivo na vida não é não ter problemas, é viver entusiasmado'.
Esse foi talvez o mote de várias apresentações, façam-se à vida e procurem o sucesso, independentemente do que isso queira dizer. E pode, ou deve, não significar bens: à ditadura do consumismo e a importância do verbo TER, ZPD lembra que não somos Teres humanos, mas Seres humanos.
Sobre o tema da TED, A linha que nos separa/Alinha que nos une, ZPC justifica a dicotomia com o facto de, ao mesmo tempo, sermos únicos e sermos todos um.

Mas melhor é mesmo ver

quinta-feira, 7 de junho de 2012

terça-feira, 5 de junho de 2012

MOSTEIRO DE SÃO BENTO DE AVÉ-MARIA

O que tem em comum o parlamento, parte do Museu de Arte Antiga, os museus municipais de Aveiro e de Santarém, o Palace hotel do Buçaco, o luxuoso hotel Intercontinental do Porto, a estação de São Bento e o quartel da serra do Pilar? Assentam onde havia conventos.

1821, 1822 e 1832 foram anos nefastos para o clero, com decretos a suprimir conventos e proibir a admissão de mais noviços(as). 
Mas a extinção geral das ordens religiosas (imediata, no caso dos homens, com direito a uma compensação pela extinção da residência e do posto de trabalho, nunca paga; com o encerramento do convento adiado até à morte da última freira, no caso das mulheres - o que sucedeu em 1892, em S. Bento) e a nacionalização dos 'bens dos conventos, mosteiros, collégios, hospicios e quaesquer casas de religiosos das ordens regulares', seguida durante 10 anos por uma venda massiva de móveis e imóveis, data de 1834.
O decreto de 30 de Maio, de Joaquim António de Aguiar (por alguma razão lhe chamavam o Mata-frades) justifica a medida: não só 'a opinião dominante é que a religião nada lucra com ellas [as ordens religiosas], e que a sua conservação não é compatível com a civilisação, e luzes do seculo, e com a organização politica que convem aos Povos', como as ordens são responsáveis pelo abandono do trabalho, riqueza, fanatismo, deturpação do evangelho, exploração da credulidade dos povos, contribuição para a diminuição da autoridade paroquial, prejuízo do crescimento da população e 'insidiosas tramas contra o throno legitimo, e contra a civilisação e liberdade nacional!'. Embrulha.

Ao contrário de outros conventos, mais ou menos afortunados, do mosteiro de S. Bento de Avé-Maria não resta nada, além de fotografias.
Em 1518, D. Manuel sacou da própria bolsa e mandou construir o mosteiro de Avé-Maria ou da Encarnação para as monjas de S. Bento. O rei desejava a transferência dos mosteiros dos montes para as cidades (por os primeiros 'estarem em locais ermos para habitação de mulheres e em que se faziam obras de pouco serviço de Deus'), e assim foi: situado dentro de muros do Porto (no local das Hortas do bispo ou da Cividade), a casa foi inaugurada em 6.1.1535 e reunia as monjas de 4 mosteiros periféricos (Tuías, Vila Cova, Rio Tinto e Tarouquela), de diferentes obediências.

Iniciado austero, porque sem rendas, o convento foi ganhando o seu esplendor. Num contrato de 1710, (com orçamento de 8000 cruzados e 150.000 réis), é dado aos mestres pedreiros um longo caderno de encargos, que inclui 'cornige e frizo e alquitrave e cunhais e gargollas e frizos' nas casas das senhoras abadessas, um chafariz no pátio de baixo 'como se ve na planta', arcos de pedra com estuque fingido em forma de arcos abatidos, pilares com capiteis toscanos, cornijas e molduras nas janelas como as da casa dum Doutor João Araújo na rua Chãm,  uma fonte de 2 bicas e canos de chumbo na casa das senhoras porteiras, a roda que 'hade andar na soleira e padieira como hum piam', cubículos nas celas para as criadas das freiras, a escadaria muito lisa e com pedra 'muito alva dura e sem pellos nem sardinhenta nem manchas pretas',...
Apenas um arco manuelino resistiu às sucessivas 'benfeitorias', as mais substanciais ocorridas após o incêndio em 1783. Até à demolição total - para dar lugar ao carro a vapor -, do convento em 1894-96, da igreja em 1900-01.
À troca, o Porto ganhou a formosa estação de S. Bento. Uma das mais bonitas do mundo, foi o veredicto da revista Travel + Leasure, em 2011.




 1894. cortejo no largo de S. Bento (actual Praça Almeida Garrett), rumo à Praça do Infante (convento à direita) 
 zona da entrada do convento (lado da actual Rua do Loureiro) 

 dormitório na zona posterior do convento e muralha fernandina junto à antiga Porta de Carros  
(lado da actual Rua da Madeira); a árvore está na actual Praça da Liberdade 
 coro alto 

a Roda
igreja em demolição 
chegada do 1º comboio à gare de S. Bento, a 7.11.1896 . foto Domingos Alvão  
(à esquerda, a Igreja conventual ainda de pé, o resto já fora demolido)  

quinta-feira, 31 de maio de 2012

TIRAS DE BACON



  QUEM NÃO QUER PENSAR É FANÁTICO,
  QUEM NÃO PODE PENSAR É IDIOTA,
  QUEM NÃO OUSA PENSAR É COBARDE.

   Sir Francis Bacon (1561-1626)



É UM MISERÁVEL ESTADO DE ESPÍRITO DESEJAR POUCAS COISAS E TEMER MUITAS.

O SILÊNCIO É A VIRTUDE DOS TOLOS.

A ESPERANÇA É UM BOM PEQUENO-ALMOÇO, MAS UMA MÁ CEIA.

A IDADE PARECE MELHOR EM 4 COISAS: A MADEIRA VELHA PARA ARDER, O VINHO VELHO PARA BEBER, OS VELHOS AMIGOS PARA CONFIAR E AUTORES ANTIGOS PARA LER.

ALGUNS LIVROS SÃO PARA SEREM PROVADOS, OUTROS PARA SEREM ENGOLIDOS, E ALGUNS PARA SEREM MASTIGADOS E DIGERIDOS.

Francis Bacon (1909-92)

quarta-feira, 30 de maio de 2012

EU NÃO LUDIBRIO!


‘Parece que é, mas não é’ era o slogan da Brasa, a bebida que aquece o coração.
Esse podia ser o chavão dos governos por essa Europa fora, que usam todas as suas capacidades de prestidigitação para suavizar a realidade: 
nada de cortes, 
só poupanças; 
austeridade é depressiva, 
consolidação é virtuosa.

Não, a crise não leva a baixas nos salários, cortes orçamentais e aumentos de impostos, que isso são castanhas a estalar na boca dos governantes. 
O que se passa mesmo é que uma desaceleração severa da economia é resolvida com a desvalorização competitiva dos salários, reformas e uma majoração temporária (?) de solidariedade.

Não, a recessão não atinge os mais fracos nem provoca desemprego, que isso é puxar para baixo. 
O que acontece mesmo é que o crescimento negativo (antítese poética) tem um impacto assimétrico e obriga à racionalização laboral.

Ó carpideiras, basta um pouco de honestidade intelectual para se ver que, tal como o ‘coiso’ (termo usado pelo ministro da Economia, bem melhor que a palavra desemprego, essa dá prurido) não aumenta, a nossa vida não anda para trás – desacelera. 
E, a propósito, o coiso tem vantagens: é uma oportunidade e, mesmo não havendo, é-se mais livre, pois há menos a perder.
No fundo, é tudo uma questão de ajustamentos, económicos e semânticos.

quinta-feira, 24 de maio de 2012

D. FUAS BRAGATELA


Cheio de larica, o sacripanta enchia o gorgomil e escarrava uma chusma de estribilhos no seu canhenho.
Entrementes, a matrafona estava num ramerrame com a sua perlenga. Aprochegaram-se duas moçetonas: enquanto uma ouvia a parlapatice e confabulava com a dona da tenda, a irmã, graduada em calhandrices, não resistiu aos fornicoques e, de sorrelfa, escondeu uma das traquitanas na sua farpela.
Mas a matrona espiava, durante os salamaleques, e numa virada gritou 'Ó sua fideputa!', chamando os esbirros do beleguim, na altura em que as raparigas untavam as sapatas e se punham a léguas.

O livro de Paulo Moreiras é delicioso e cheio de palavras em desuso, que a nossa geração ainda ouviu ao vivo, da boca dos nossos (bis)avós - é como voltar atrás no tempo e saborear de novo as borbulhas de uma Laranjina C.
O chorrilho acima não está n' A Demanda..., mas estão lá aqueles termos e muitos mais, cerzidos com engenho e arte.
Absolutamente a ler.

terça-feira, 22 de maio de 2012

(NÃO) CHAMEM A POLÍCIA!

'Para que as coisas permaneçam iguais, é preciso que tudo mude.'
Tomasi di Lampedusa, Il gattopardo 


O avô, casado em Moscovo, foi secretário-geral do PC americano e candidato à presidência em 1936 e 1940 (sendo o 1º a apresentar um vice negro). 
William Browder, na idade da rebeldia, quis contrariar o comunismo da família e tornar-se capitalista. Em 1989, caído o muro de Berlim, resolveu fazer o caminho inverso do avô e levar o capitalismo à Rússia, criando o Hermitage Capital Management.
No final do regime comunista, o Kremlin vendeu as empresas estatais por tuta-e-meia, a um grupo de 22 pessoas, mas o HCM apanhou as migalhas que caíram da mesa, investindo em empresas ligadas ao petróleo, gás e minérios.

Em 1999, Browder descobriu que as empresas onde investira estavam a ser roubadas em centenas de milhões de dólares, e começou a coleccionar provas de corrupção em várias empresas russas, entregando-as a grandes jornais.
Nessa altura, Putin queria acabar com o poder dos oligarcas, e prestou-lhe atenção. Em 2003, prendeu o homem mais rico do mundo (Khodorkovsky, dono da Yucos) e mostrou-o enjaulado no tribunal - ora, os outros oligarcas não quiseram ter o mesmo destino e fizeram um pacto com o presidente, dar-lhe 50% dos lucros.
Volte-face, acabou-se o idealismo de Putin e, nesse mesmo ano, Browder foi impedido de entrar na Rússia.

Isso não chegou: em 2007, agentes do Ministério do Interior entraram na sede da HCM e confiscaram toda a documentação, usando como argumento dívidas forjadas ao Estado e a empresas de fachada no valor de 1000 milhões de dólares.
Não apanharam nada, porque o fundo há muito havia retirado todo o capital do país, mas a 'nova' HCM (agora com outros 3 donos, condenados por assassinato, burla e roubo…) conseguiu reclamar 250 milhões às finanças russas, usando os documentos originais e carimbos confiscados na rusga: bastou corrigir 1000 milhões de dólares de lucros para prejuízos. O pedido de reembolso foi aceite em 24 horas. 
Em 2008, 6 dos 7 advogados do HCM tinham aceite o convite de Browder e trocado Moscovo por Londres. Menos um, o único sem idade para se lembrar do terror soviético, Sergei Magnitsky (1972-2009), que levou as provas dessa burla ao Estado por parte de polícias, juízes e oficiais de finanças corruptos. 
Aqueles mesmos polícias não só foram nomeados para investigar a burla de que foram acusados, como foram a casa do advogado e prenderem-no por uma alegada fraude fiscal realizada numa empresa em 2001... quando Sergei não trabalhava lá.

Sergei esteve preso 358 dias: recusando sempre retratar-se da acusação, foi repetidamente submetido a tortura do sono, numa cela sem vidraças, com 14 pessoas para 8 camas e um buraco borbulhante como latrina; quando lhe apareceram uma pancreatite e cálculos renais, a operação foi desmarcada porque insistiu em manter o depoimento – foi então transferido para um prisão sem cuidados médicos e, 3 meses depois, para um hospital prisional. 
Aí, em vez de tratado, foi algemado a uma cama, espancado por 8 polícias anti-motim e deixado morrer numa cela de isolamento. À família, foram negados os pedidos de autópsia e investigação criminal.
O que sucedeu às pessoas acusadas por Sergei de estarem envolvidas na burla? Foram ilibadas, enriqueceram repentinamente e/ou foram promovidas.
E, pasme-se, a ‘Justiça’  insiste num julgamento póstumo de Sergei.
Vai assim a geriátrica Mãe Rússia, como sempre - com um poder cleptocrata, déspota e assassino. Infelizes dos povos para os quais o Estado não significa protecção, mas ameaça

Acontece que está tudo documentado, incluindo a autorização para o uso de bastões de borracha para bater em Sergei (azar dum Estado burocratizado), existe alguma imprensa livre e a HCM tem muito dinheiro para gastar em investigações - e assim o caso ganhou notoriedade.
Browder tomou para si a causa de Sergei e passou agora por cá, tentando que Portugal siga o exemplo do Canadá, União Europeia, Holanda e Reino Unido (nos EUA, o processo está avançado) e recuse a concessão de vistos a cerca de 60 pessoas relacionados com o crime. 

ver mais em http://russian-untouchables.com/eng/cover-up-presentation/

sábado, 19 de maio de 2012

FEMINA


SE QUERES QUE SE FALE, PEDE A UM HOMEM.
SE QUERES QUE SE FAÇA, PEDE A UMA MULHER.

O GALO PODE CANTAR, 
MAS É A GALINHA QUE PÕE OVOS.

QUANDO SE DÁ IGUALDADE À MULHER, 
ELA TORNA-SE SUPERIOR AO HOMEM.
Margaret Thatcher

PEDRADA NO CHARCO


O $OCIALISMO DURA ATÉ $E 
ACABAR O DINHEIRO DO$ OUTRO$.
Margaret Tatcher

mais em http://es.wikiquote.org/wiki/Margaret_Thatcher

sexta-feira, 18 de maio de 2012

ESTE PAÍS É PARA MEIA-DÚZIA


O despacho conjunto 774/2012 das SE ensino superior e da ciência, de 11/1/2012 (mas com efeitos a partir de 28/6/2011), nomeia Helena Isabel Roque Mendes, para funções de apoio e de interface. Além do salário, aufere 'Nos meses de Junho e ...Novembro, outra mensalidade igual, a título de abono suplementar'. São uns criativos a conceder aos filhos  o 13º e o subsídio de férias que tiram aos enteados.
Por ajuste directo, Relvas contratou, para o seu gabinete, o motorista do grupo parlamentar do PSD, por €73.446 - mas esqueceu-se de publicá-lo na prometida página de nomeações do governo.


Este país não é para velhos era o título dum filme. Este país é para meia-dúzia, disse-me um colega zangado com estas chico-espertices e com mais uma intenção do governo, poder mandar funcionários públicos (escolhidos a dedo pelo chefe) para outro ponto do país.
A juntar à redução da 'mesada' em 5% (obrigado Sócrates), a perda ad eternum de 2 dos 14 salários, a perda de feriados e do Carnaval (peanuts, comparado com o resto), a pretensão de reduzir o custo de cada hora extra (a quem as recebe), é uma espécie de bullying reiterado, seguindo a táctica de apresentar primeiro uma medida insultuosa e depois moderá-la com uma versão mais soft - 3 passos de caranguejo, 1 passinho de bebé...
E quem não gostar, a porta é a serventia da casa. Como disse o centrista João Almeida, se os funcionários públicos 'não estiverem disponíveis têm sempre como alternativa a hipótese de negociarem a sua situação contratual'... Pode dizê-lo, pois aceitou a mobilidade especial: ora deputado por Lisboa, ora deputado pelo Porto - presumo que com direito a simpáticas ajudas de custo, mesmo continuando a viver na capital.

Mas o cisma não é só com os FP. É dar tempo e anda tudo à batatada: trabalhadores contra desempregados, velhos contra novos, públicos e privados, nacionais e imigrantes. E está instalada a SCHADENFREUDE,  um termo alemão (claro!) sem tradução, como a nossa saudade - a alegria sentida com a infelicidade alheia*.
A schadenfreude explica como as medidas que afectam os 'malandros' dos FP são ovacionadas. Foi engraçado ver uma senhora telefonar para um forum da SIC, apoiando exaltadamente a mobilidade dos FP, pois são pagos 'pelos nossos impostos', o que até podia ser verdade, mas o rodapé dizia Maria Reis - desempregada, Oeiras. Ironia, se calhar o seu merecido subsídio é também pago com os impostos (até ao último cêntimo) dos FP.

Na China, sê chinês. E como isto não tarda é tudo chinês - e o interruptor da luz já é deles -, o governo vai desregulando o trabalho (seja privado, seja público), reduzindo salários, cortando em coisas tão irrelevantes como transporte de doentes. Apenas na receita é socialista, arrecada o que pode.
Antes da eleição, Passos elogiou os orçamentos de base zero, à Porto Alegre, mas o que pretende agora é direitos de base zero (obviamente que os direitos não são vitalícios por si só, mas é indesmentível que estamos a andar para trás).
Não foi isso que Passos prometeu (cortar o 13º era um disparate, disse), e agora impõe uma agenda yuppie - não por obrigação, mas por convicção, como fez questão de afirmar.
Razão tinha a Ferreira Leite, quando riscou o Passos da lista de candidatos a deputados, em 2009: era pôr a raposa no galinheiro, disse.

* Não é esse o sentimento da formiga sobre a cigarra, ou dum nórdico sobre os gregos, fizeste a cama para te deitares?

quinta-feira, 17 de maio de 2012

VAMOS NESSA, VANESSA?


As sondagens dão 35% ao Syrisa, pelo que a Grécia habilita-se a ser governada pela esquerda radical. Anda para aí muito cidadão a rejubilar com essa hipótese.
Facto: foi a incompetência e a fraude estatística do Pasok e da ND que atiraram os gregos para o buraco, essa solução parece esgotada.
Facto: o Syrisa nunca governou, pelo que tem as mãos limpas, e propõe uma alternativa de ruptura à agonizante situação actual - é uma hipótese.
Facto: o Syrisa quer aliviar a austeridade (e bem), começando por rasgar o plano que o país assinou com a troika.
Até aqui tudo bem. Mas há o risco da Grécia acabar por sair do euro (moeda que 80% dos gregos quer manter), provocando uma fuga de capitais, uma desvalorização mortal do novo dracma... e a bancarrota. Além disso, a Grécia precisa de dinheiro, que não tem, e ninguém empresta a alguém que já teve um perdão de metade da dívida e que não dá garantias de cumprir o acordado.

Ainda assim, porque não experimentar? Nunca a expressão 'pago para ver' se aplicou tão bem, é que se correr mal (forte probabilidade), pagam os gregos e nós também.
Não havia problema se, comprovando que não funcionava, os gregos pudessem carregar no botão rewind e voltar atrás. Também o 505 forte é uma alternativa para um homem desesperado, mas se depois não houver céu, já não dá para retroceder.  

terça-feira, 15 de maio de 2012

CHURCHILL À MORTEIRADA


Telegramas trocados entre Bernard Shaw e Churchill: 

"Tenho o prazer e honra convidar digno primeiro-ministro para primeira apresentação minha peça Pigmaleão. Venha e traga um amigo, se tiver. Bernard Shaw"

"Agradeço ilustre escritor o honroso convite. Infelizmente não poderei comparecer primeira apresentação. Irei à segunda, se houver.
Winston Churchill"


Quando Churchill fez 80 anos um repórter com menos de 30 anos foi fotografá-lo e disse:
- Sir Winston, espero fotografá-lo novamente nos seus 90 anos.
Resposta de Churchill:
- Por que não ? Você parece-me bastante saudável.

Discurso do General Montgomery, durante a sua homenagem, por ter vencido Rommel na batalha de África, na IIª Guerra Mundial: 'Não fumo, não bebo, não prevarico e sou herói '
Churchill ouviu o discurso e retorquiu: 'Eu fumo, bebo, prevarico e sou chefe dele.'

Num dos discursos de Churchill, uma deputada da oposição, Lady Astor, pediu um aparte. Todos sabiam que Churchill não gostava que interrompessem os seus discursos, mas concedeu a palavra à deputada.
Ela disse, alto e bom som:
- Sr. Ministro, se V. Exc.ª fosse meu marido, colocava veneno no seu chá!
Churchill, lentamente, tirou os óculos, o seu olhar astuto percorreu toda a plateia e, naquele silêncio em que todos aguardavam, respondeu:
- Nancy, se eu fosse seu marido, tomaria esse chá com todo o prazer!


Outra contenda verbal
também envolveu uma deputada da oposição (a mesma?), no parlamento. Ela disse que ele estava bêbedo, e Churchill respondeu 'E você está feia. A vantagem é que a mim, amanhã passa'.
.

AS CONVICÇÕES SÃO 
INIMIGAS MAIS PERIGOSAS DA VERDADE
DO QUE AS MENTIRAS.

Friedrich Nietzsche

A DEBANDADA


Dulce Maria Cardoso nunca deixou de ser retornada (diz ela) e resolveu escrever O RETORNO, um livro sobre o 'regresso dos nacionais' - não os bem-sucedidos, 'esses seriam bem-sucedidos em qualquer parte do mundo, porque eram fortes e capazes', mas os outros.
Fala sobre aqueles que 'voltaram' a um país onde muitos nunca tinham estado, com frutas exóticas como as cerejas e um frio para o qual não estavam preparados.
Fala da fuga atabalhoada, como qualquer cenário de guerra (é preciso desespero para um pai furar uma multidão e empurrar literalmente os filhos para dentro de um avião, para pô-los a salvo do perigo - logo haveriam se se encontrar!), quando alguns se agigantam e outros revelam a sua pequenez, quando uns levam muito do que têm e outros deixam o pouco que juntaram - surpresa, havia lá ricos, pobres e remediados.
Fala da saudade dos seus países, onde deixaram (quase) tudo, excepto a memória.
Fala no acolhimento sobranceiro dos portugueses da metrópole, fosse na escola, fosse no que era mais próximo da palavra casa - como no caso do menino, alojado num hotel, que viu a piscina ser esvaziada por ordem da comissão de trabalhadores, pois piscina não era para 'essa gente'.
É, dizer que a integração correu bem é um exagero para muitos. Os portugueses ultramarinos eram mais empreendedores e desempoeirados, talvez porque estavam mais longe da Praça do Império, e tiveram que se fazer à vida e começar de novo (por exemplo na produção pecuária, ou em churrasqueiras, que não havia cá), mas nem todos foram casos de sucesso - houve uma apneia colectiva, e parte daquele meio milhão ainda guarda sequelas.

Ofereci este livro à minha mãe, nós também fizemos parte da lista do IARN (instituto de apoio ao regresso dos nacionais). Tinha 3 anos e não guardo nostalgias, mas ela lembra-se e não gostou - de deixar lá toda a sua vida, e da arrogância de quem cá encontrou.
E ignorância: a uma senhora que lhe perguntou 'Vocês trazem paludismo, não é?', respondeu 'Não, trazemos raiva!'. A dita hipocondríaca não entendeu a ironia...

p.s.: também os carros fizeram parte da história d'O Retorno. Em '74, o meu pai foi a Paris buscar um Renault 17 branco, um coupé raríssimo em Portugal. Um ano depois, no meio da debandada, ouviu num café um desconhecido dizer que precisava levar a família para Luanda, mas não tinha como. 'Ouça, o senhor precisa de carro, e eu preciso que o meu chegue a Luanda, a tempo de embarcá-lo. Leve-o e deixe a chave em tal sítio'. Assim foi, e um mês depois o R17 seguiu com outros 2500 carros num cargueiro sueco chamado Nopal, a caminho de Lisboa.
Ainda podia ter vindo outro: o dono dum stand queria desfazer-se dos carros e ofereceu-nos um alfa romeu, mas a oferta foi recusada, seria mais um problema a resolver...   

segunda-feira, 14 de maio de 2012

PROVÉRBIOS: ELES LÁ SABEM

Magritte

NAS COSTAS DOS OUTROS VÊS AS TUAS.
português

A PACIÊNCIA É UMA ÁRVORE DE RAIZ AMARGA, 
MAS DE FRUTOS MUITO DOCES.
persa

NÃO CAIA ANTES DE SER EMPURRADO.
inglês

DUAS COISAS INDICAM FRAQUEZA: 
CALAR-SE QUANDO É PRECISO FALAR 
E FALAR QUANDO É PRECISO CALAR-SE.
persa

NO FIM DO JOGO, O REI E O PEÃO 
VOLTAM PARA  A MESMA CAIXA.
italiano

SER PEDRA É FÁCIL; DIFÍCIL É SER VIDRAÇA.
chinês

TROPEÇAMOS SEMPRE NAS PEDRAS PEQUENAS, 
AS GRANDES VEMOS SEMPRE.
japonês

NUNCA BATAS UMA PORTA, PODES QUERER VOLTAR.
espanhol

DENTRO DE TI HÁ 2 CACHORROS, 
UM É CRUEL E MAU, O OUTRO É MUITO BOM. 
OS 2 ESTÃO SEMPRE A LUTAR. O QUE GANHA A LUTA 
É O QUE ALIMENTARES COM MAIS FREQUÊNCIA.
índio norte-americano

NÃO TENHAS MEDO DE CRESCER DEVAGAR, 
APENAS DE FICAR PARADO.
chinês

NÃO PENSES QUE NÃO HÁ CROCODILOS 
SÓ PORQUE A ÁGUA ESTÁ CALMA.
malaio

OS PROFESSORES ABREM A PORTA, 
MAS DEVES ENTRAR POR TI MESMO.
chinês

LEVANTA A VELA 10 CENTÍMETROS, 
E GANHAS UM METRO DE VENTO.
chinês

CAIA SETE VEZES E LEVANTE-SE OITO.
japonês

QUANDO COMPRAR, USE OS OLHOS, NÃO OS OUVIDOS.
checo

VISÃO SEM ACÇÃO É SONHO, 
ACÇÃO SEM VISÃO É PESADELO.
japonês

NÃO DEITES FORA O BALDE VELHO 
ANTES DE VER SE O NOVO SEGURA A ÁGUA.
sueco

UMA MÁ FERIDA PODE SARAR, 
UMA MÁ REPUTAÇÃO MATARÁ.
escocês

MESMO A MELHOR DAS COBRAS É UMA COBRA.
árabe

ESPERA O MELHOR, PREPARA-TE PARA
O PIOR E RECEBE O QUE VIER.
chinês

SE LANÇAS ESPINHOS, NÃO ANDES DESCALÇO.
italiano

ANO RUIM TEM 24 MESES.
árabe

É MELHOR CURVAR-SE QUE QUEBRAR.
escocês

3 COISAS QUE NUNCA VOLTAM ATRÁS: 
A FLECHA LANÇADA, A PALAVRA PRONUNCIADA 
E A OPORTUNIDADE PERDIDA.
chinês

O QUE NÃO VÊ COM OS OLHOS, 
NÃO TESTEMUNHE COM A BOCA.
judeu

TODOS SÃO FEITOS COM A MESMA MASSA, 
MAS NÃO SÃO COZIDOS NO MESMO FORNO.
iídiche

NO DIA DO TEU NASCIMENTO, 
CHORASTE E O MUNDO ALEGROU-SE.
VIVE A VIDA DE MODO QUE, NO DIA DA TUA MORTE, 
O MUNDO CHORE E TU TE ALEGRES.
cherokee

quinta-feira, 10 de maio de 2012

BABEL VIRTUAL

 Torre de Babel, Pieter Brueghel o velho (1563)

Fez há dias 2 anos que opinei sobre o facebook, enquanto não-membro.
Aderi mais tarde, primeiro para manter o farmville (a que na altura chamei uma espécie de tamagoshi à borda d'água) da minha cara-metade, quando foi à eurodisney com a prole, depois em conta própria, para poder mandar-lhe pregos e tábuas.
A opinião de outsider foi recebida com desdém pelos associados, do género ele-não-sabe-do-que-fala.
E agora, mudei de opinião?
Imagino o mesmo ginásio com má acústica, cheio de gente: há quem seja DJ incontinente, pondo músicas mais depressa do que consegue ouvi-las; há quem nunca (mas nunca) abra a boca, só levanta o polegar a dizer que gosta; há quem se limite a dar parabéns ou desejar boas festas; há quem exiba fotografias dos filhos ou das últimas férias; outros circulam com cartazes políticos (agitprop) ou apelam a correntes de solidariedade; há quem repita frases do Citador, geralmente de auto-estima; há os ardinas que ecoam manchetes de notícias online; outros comunicam resfriados e recebem as melhoras; uns contam anedotas e outros (como eu) falam sobre tudo e sobre nada, de forma avulsa, como aqueles maluquinhos que deambulam na rua; e há quem apenas se dedique a 1, 2 ou mais jogos em simultâneo.
Enfim, uma Babel, onde temos que ser selectivos - como num bar do costume, entramos e procuramos o 'nosso grupo'.

p.s.: uma pessoa explicou-me que raramente lá passa, acha o facebook um exercício de bisbilhotice e uma exibição das coisas giras de vidas medianas, tal como as pessoas da sua freguesia vestem a melhor roupa ao domingo, para serem vistas e invejadas - pessoa essa que, na vida real, até é, digamos, curiosa.  

quarta-feira, 9 de maio de 2012

CALÇADA DE CARRICHE


A Human Form In A Deathly Mould (1999), Julião Sarmento


                  CALÇADA DE CARRICHE
                          
                     Luísa sobe,
                     sobe a calçada,
                     sobe e não pode
                     que vai cansada.
                     Sobe, Luísa,
                     Luísa, sobe,
                     sobe que sobe
                     sobe a calçada.
                     Saiu de casa
                     de madrugada;
                     regressa a casa
                     é já noite fechada.
                     Na mão grosseira,
                     de pele queimada,
                     leva a lancheira
                     desengonçada.
                     Anda, Luísa,
                     Luísa, sobe,
                     sobe que sobe,
                     sobe a calçada.

                     Luísa é nova,
                     desenxovalhada,
                     tem perna gorda,
                     bem torneada.
                     Ferve-lhe o sangue
                     de afogueada;
                     saltam-lhe os peitos
                     na caminhada.
                     Anda, Luísa.
                     Luísa, sobe,
                     sobe que sobe,
                     sobe a calçada.

                     Passam magalas,
                     rapaziada,
                     palpam-lhe as coxas
                     não dá por nada.
                     Anda, Luísa,
                     Luísa, sobe,
                     sobe que sobe,
                     sobe a calçada.

                     Chegou a casa
                     não disse nada.
                     Pegou na filha,
                     deu-lhe a mamada;
                     bebeu a sopa
                     numa golada;
                     lavou a loiça,
                     varreu a escada;
                     deu jeito à casa
                     desarranjada;
                     coseu a roupa
                     já remendada;
                     despiu-se à pressa,
                     desinteressada;
                     caiu na cama
                     de uma assentada;
                     chegou o homem,
                     viu-a deitada;
                     serviu-se dela,
                     não deu por nada.
                     Anda, Luísa.
                     Luísa, sobe,
                     sobe que sobe,
                     sobe a calçada.
                     Na manhã débil,
                     sem alvorada,
                     salta da cama,
                     desembestada;
                     puxa da filha,
                     dá-lhe a mamada;
                     veste-se à pressa,
                     desengonçada;
                     anda, ciranda,
                     desaustinada;
                     range o soalho
                     a cada passada,
                     salta para a rua,
                     corre açodada,
                     galga o passeio,
                     desce o passeio,
                     desce a calçada,
                     chega à oficina
                     à hora marcada,
                     puxa que puxa,
                     larga que larga,
                     puxa que puxa,
                     larga que larga,
                     puxa que puxa,
                     larga que larga,
                     puxa que puxa,
                     larga que larga;
                     toca a sineta
                     na hora aprazada,
                     corre à cantina,
                     volta à toada,
                     puxa que puxa,
                     larga que larga,
                     puxa que puxa,
                     larga que larga,
                     puxa que puxa,
                     larga que larga.
                     Regressa a casa
                     é já noite fechada.
                     Luísa arqueja
                     pela calçada.
                     Anda, Luísa,
                     Luísa, sobe,
                     sobe que sobe,
                     sobe a calçada,
                     sobe que sobe,
                     sobe a calçada,
                     sobe que sobe,
                     sobe a calçada.
                     Anda, Luísa,
                     Luísa, sobe,
                     sobe que sobe,
                     sobe a calçada.

        António Gedeão, Poesias Completas (1956-1967)

segunda-feira, 7 de maio de 2012

UPS

Um xoninhas foi eleito presidente de França. Bem, não ganhou, estava apenas no lugar certo à altura certa: foi um referendo a Sarkosi, que chumbou, com uma união nacional esquerda-direita contra ele. 
À espreita está a debutante Le Pen, cujo voto em branco foi premeditado, para apear agora a direita tradicional e esfrangalhá-la em Julho, podendo passar a 1ª força política.
O problema de Hollande, e de quem nele votou, é que as suas promessas (reforma aos 60, mais 150.000 empregos na educação, fim das off-shore, menos austeridade), esbarram na realidade - como disse o outro, não é a direita que está contra, é a matemática. Também em Espanha e Portugal a oposição ganhou dizendo que o Estado estava a matar a economia, para depois continuar a esfolá-la.  
Mas pode ser que corra bem. 

Já na Grécia soou uma estridente sirene de ira e de desespero, os eleitores lançaram literalmente uma bomba de fragmentação. Bem se escreveu no El Pais, 'Desencantados com a casta de políticos tradicionais, furiosos com os sacrifícios gerados pela crise e fartos de que Bruxelas ou Berlim ditem a sua política económica, os gregos foram às urnas para votar com o coração e as vísceras'.
Acontece que, por enquanto, são os mercados a determinar os juros sobre o dinheiro que se dispõem a emprestar, e eles querem duas coisas: o respeito pelos acordos feitos e estabilidade/previsibilidade política. O que não se vislumbra. 
Pode ser que corra mal.

Pormenor, em França (na 1ª volta) e na Grécia, um partido da direita radical e outro da extrema-esquerda (uma pequena provocação) tiveram juntos 30% dos votos - no segundo caso, ainda acresce igual votação noutros partidos extremistas. 
É bom que os 'moderados' prestem atenção aos cidadãos e dêem respostas ao seu descontentamento, antes que seja tarde.  
É que eu até sou a favor da diversidade nos parlamentos, incluindo partidos radicais, mas em doses homeopáticas...