...e depois, com bigodes de leite, pedem mais paciência e esforço ao povo, que a "vaca 'tá seca".

domingo, 6 de maio de 2012

DIA DA MÃE


DEUS NÃO PODERIA 
ESTAR EM TODOS OS LUGARES, 
POR ISSO CRIOU AS MÃES.
 Provérbio Judeu

...e a propósito de Pietàs
 Giovanni Bellini 1460
 Pietro Perugino 1494-95
 Ticiano 1577 
 Paolo Veronese 1581
 El Greco 1587-93
 Rubens 
 Eugene Delacroix 1850
 William-Adolphe Bouguereau 1876
 Van Gogh 1889
 Paula Rego 2002


 
 Michelangelo Buonarroti 1499

sexta-feira, 4 de maio de 2012

O AVELAR NÃO EXISTE



Tem mais de 40 anos e continua a ser o menino. Bem, ninguém deixa de ser menino naquela família.
O de Avelar vive com a senhora sua mãe numa imensa casa, na cercania de Colares. Os únicos barulhos são as portas a chorar por lubrificante, as comensais traças que se banqueteiam nos linhos e, à refeição, os talheres.
O de Avelar foi educado para ouvir. Habituado em petiz a só falar à mesa quando interpelado pelos adultos, continua a dar as suas opiniões apenas quando lhas pedem. É a única pessoa que eu conheço que, durante as jantaradas informais com amigos (tertúlias, chama-lhes) não descansa os pulsos - estendidos como floretes sobre a toalha -, apoiando os cotovelos na mesa. 
Aliás, nunca perde a postura: anda ou senta-se como se equilibrasse um alfarrábio na cachola, e tapa a boca quando ri, qual anúncio da Corega.
Claro, o cavalheiro acompanha os apertos de mão com uma vénia. Quando tem que ir às compras à aldeia (a coitada da Ana, que entrou ao serviço durante a guerra civil espanhola e mudou as fraldas com monograma a 27 Avelares, já não pode com uma gata pelo rabo!), de Avelar tem um código, em crescendo, quando se cruza com alguém: toca no chapéu, levanta o chapéu ou põe-no debaixo do braço, conforme o respeito que lhe merece o interlocutor.
O seu sonho era ter uma livraria na Toscânia, sem fazer contas ao deve-e-haver, vendendo apenas os livros que gostaria de comprar. E recebendo com um chá os clientes tão apaixonados como ele, que trocou o relógio de ouro do avô por um puído livro de horas.
Quanto aos seus gostos, as preferências de Avelar vão para o último de Dostoiésvki ou, na música, a mais recente de Chopin. Agora não há melodias, há chinfrineira, dirá se, e apenas se, lhe perguntarem.
O de Avelar não é deste tempo, é uma personagem oitocentista; estou a vê-lo, de polainas, jogando voltarete ou bebendo uma genebra com os Vencidos da Vida - e, a tirarem um daguerreótipo, ficaria de pé, discretamente na última fila.
Na verdade, acho que o Avelar reencarnou sem um período sabático - não desformatou.
Provas? De Avelar não tirou a carta de condução, usa as tipóias disponíveis: pretas com cobertura verde-alface e 'cocheiros' tagarelas. 

quinta-feira, 3 de maio de 2012

COSTELINHA DE ESQUERDA


DIREITOS NÃO SÃO REGALIAS.

Há para aí muita gente que faz essa confusão, mais ainda por estes dias, porque ambos são prerrogativas. A maioria das pessoas (a começar pelo chairman da EDP, Eduardo Catroga) até usam os termos conforme a pessoa verbal: eu tenho direitos, tu tens regalias, ele tem privilégios.
Para os mais distraídos, vai uma ajudinha.

DIREITO
1. aquilo que é reto, justo ou conforme a lei

2.  poder moral ou legal de fazer, de possuir ou de exigir alguma coisa
3.  poder legítimo, faculdade
4.  prerrogativa
5.  conjunto de normas gerais, abstratas, dotadas de coercitividade, que regem os comportamentos e as relações numa sociedade

REGALIA
1. privilégio de rei

2.  prerrogativa; vantagem, benefício
3.  privilégio que resulta de determinada atividade profissional
4.  imunidade

PRIVILÉGIO
1.  direito ou vantagem exclusiva concedida a alguém
2.  diploma que confere essa vantagem
3.  regalia
4.  prerrogativa; imunidade
5.  condão

BENEFÍCIO
1. serviço ou bem que se faz generosamente a outrém; favor; mercê; graça
2. beneficiação; benfeitoria
3. o que se ganha com algum negócio ou troca; lucro  
4.  pessoa jurídica constituída por certos bens materiais destinados à manutenção do seu titular

BENESSE
1.  favor
2.  lucro obtido sem esforço
3.  auxílio; ajuda

fonte: infopédia, enciclopédia e dicionários Porto Editora

terça-feira, 1 de maio de 2012

PROVISÓRIO AD ETERNUM


Primeiro reduziram o salário.
O Tribunal Constitucional autorizou, considerando a medida como temporária: as reduções justificaram-se com base no interesse público, mas a regra é provisória, pelo quadro contabilístico do orçamento em que se insere e pela natureza do próprio diploma, de vigência anual.
O TC não deu como inconstitucional a redução dos salários (desde que acima dum valor mínimo), mas considerou que as reduções, para mais significativas, põem em causa as expectativas fundadas dos trabalhadores - sendo essas um dos requisitos que enformam a protecção da confiança dos trabalhadores, princípio 'de contornos fluídos' plasmado no art. 2º da Constituição.
Contudo, aos interesses particulares desfavoravelmente afectados, o TC sobrepôs a absoluta excepcionalidade das contas públicas: enquanto durar o memorando da troika (até 2014), a redução salarial terá uma duração plurianual, sem pôr em causa o seu carácter provisório.
O acórdão 396/2011 não obteve unanimidade.

No orçamento seguinte, manteve-se a redução. Ganhado balanço, ainda se cortaram 2 de 14 salários no sector público (a bem-dizer, parte do sector público, pois houve várias excepções). Até quando?
Primeira versão, cortes até 2013.
Segunda versão, até 2014.
Terceira versão, reposição faseada dos subsídios de férias e natal a partir de 2015.
Update de ontem, reposição total só em 2018, sem compromisso (sic). Hão-de ser devolvidos - é o termo mais apropriado - lá para as calendas gregas (para quem não saiba porque se usa esta expressão, o calendário grego, ao contrário do romano, não tem calendas).
Denominador comum, o corte é temporário, até porque a constituição não o permite.

Em versão código da estrada, é a diferença entre um risco ou uma cruz, entre parar e estacionar.
"Ó sô guarda, é só por um bocadinho!", diz o Passos, e o carro por lá fica, ganha ferrugem, os pneus esvaziam e alguém escreve no vidro vai-te lavar porco.

sexta-feira, 27 de abril de 2012

É MELHOR DORMIR SOBRE O ASSUNTO



"Escrever quando se está zangado é o mesmo que escrever quando se está embriagado: parece uma coisa fabulosa na ocasião (profunda, até) e no entanto, quando a voltamos a ler, pela manhã - meu Deus
Mesmo quando estamos perfeitamente sóbrios, não podemos confiar demasiado nas palavras - é só juntar duas ou três e elas começam a revoltar-se, a conspirar, produzindo significados que não lhe tínhamos atribuído, aqui, a fermentar cambiantes de duplo sentido, acolá, e a disparar na direcção errada, como e quando lhe apetece."
Edward Docx in O Calígrafo
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quarta-feira, 25 de abril de 2012

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PELO MODO COMO SE USAM OS ADJECTIVOS, 
"FELIZ" É CERTAMENTE UM DAQUELES 
QUE MAIS SE EMPREGAM RETROSPECTIVAMENTE.

Edward Docx in O Calígrafo
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terça-feira, 24 de abril de 2012

BANCA DE JORNAIS, 25/04/1974





Na casa da minha mãe ainda existe uma moca de Rio Maior à entrada (para quem não sabe, o símbolo do 'no passarán!', contra a onda vermelha do prec); na casa da minha mais-que-tudo havia bem-humoradamente um cão chamado 'facho' - a celebração do 25 era entre o nublado e o moderado, nada de cravos. As nossas famílias nucleares depois alaranjaram (do centrismo para o centrão...), com 2 excepções - cada um no seu canto do ringue político, mas curiosamente são esses 2 que mais ligam à efeméride.
A todos, um bom feriado (aproveitem enquanto existe...).

domingo, 22 de abril de 2012

AGIM SULAJ E A MALA DE CARTÃO

Um dos meus cartoons favoritos da edição da World Press Cartoon 2012 (até 30/7 em Sintra) tem autoria de Agim Sulaj. Este cartoonista multigalardoado apresentou 2 trabalhos, uma criança africana numa garrafa de água e o tal, um ingovernável barco europeu. Este cartoon, que recebeu uma menção honrosa, é a uma versão dum original de 2009, agora com Angela Merckl no lugar dum dos remadores.
O ilustrador hiperrealista (concessão ao acordo ortográfico, a não repetir), nascido na Albânia comunista de Enver Hoxha, e a viver na italiana Rimini há quase 20 anos, dedica boa parte da sua atenção à imigração (sendo a repetida a mala de cartão uma espécie de chapéu-de-coco de Magritte), pobreza e ambiente.
 Europe (2009)
 United Europe (2002) 
 Euro zone
 Revolution
 The escape (2006)

 Imigration
Imigration (2009) 

Emigrant house (2010) 
  Emigrant house (2010) 
 casa do emigrante em 3D, festas de Rimini (2010) 
 Shengen (?) 
 Train and station (2011)
 Future of children


 La Casa del Pittore (entrada do site)
 Albero (2008)
 Citation (2011)
 Shoes



 Uomo chiuso
 Gossip

 Frate (2007)
Palestine (2008)

quarta-feira, 18 de abril de 2012

PLACAGEM


A 2ª série do Diário da República é de boa leitura. Ali ficamos a conhecer quem são os ungidos para a alta administração pública, e os seus curricula, por vezes tão escassos que tornam difícil compreender a justificação da escolha, pelos comuns dos mortais como eu.

Outras vezes, nem é a falta de curriculum académico ou profissional que chama a atenção.
O Despacho 5283 é fresquinho, data de ontem, e publica a nomeação da administração do INIAV, 'guarda-chuva' de 3 instituições de referência da investigação científica indígena, o LNIV, o IPIMAR e o INIA: os 3 elementos podem optar pelo vencimento de origem e o presidente e um dos 2 vogais podem continuar a dar aulas. Regular.
Curiosas são as notas curriculares, na parte diversos.

Do presidente, licenciado engenheiro agrónomo na UTL e aí Professor Doutor, e entre outras coisas ex-director da Galp, consta 'Ex-praticante de rugby, membro da Direção do Clube de Rugby de Agronomia (1999 -2008), Secretário da Mesa da Assembleia-geral da Federação Portuguesa de Râguebi (2004 -2008). Membro filiado, desde 1998, no partido CDS/PP, onde já fui [sic] membro do Conselho Económico e Social, da Comissão Política Nacional e Vice-Presidente do partido.'

Um dos vogais, licenciado em gestão de Recursos Humanos na Lusófona (aos 38 anos, ou entrou tarde ou demorou-se), trabalha há anos na Carris, tendo sido nos últimos 9-anos-9 'membro de equipas de trabalho dos programas de reestruturação da empresa' (uma obra de Santa Engrácia sem fim há vista, parece).
Nos diversos, é-nos dado a saber que é 'Ex-praticante de rugby e treinador de rugby com cursos da Federação Portuguesa, Espanhola e Inglesa de Rugby e selecionador nacional adjunto em 2000. Ex-membro da Comissão Executiva e Mentor da Academia Carris.'
Temos pois um denominador comum, o rugby. Ora, há alguma relação entre investigação e esse desporto de porradinha? Amigo maledicente imaginou ouvir-se no Largo do Caldas 'Alguém aqui percebe de ensaios?' e levantarem-se 2 hércules com polos às riscas no fundo da sala...

terça-feira, 10 de abril de 2012

QUERIDA, OS MIÚDOS CRESCERAM


Já aqui falei nela. A Carla de Braga tem filhos bem mais velhos que eu, e olha para as minhas crianças com nostalgia. 'Aproveita enquanto podes', repete sempre.
Reencontrei-a há dias. Diz que ela e o marido estão a reaprender a ser independentes: voltaram a ir ao cinema, já foram a um bar e jantar fora - tendo combinado não falar dos miúdos, estiveram a primeira 1/2 hora calados.
Disse mais, a garota tem 16 anos e ainda faz alguma companhia, o rapaz já tem 20 e 'pagamos-lhe para ir dormir a casa'. É isso mesmo, tem cama e roupa lavada, com mesada incluída.
Contou que o dito agora tem uma banda, e perguntei:
- E qual é o estilo?
- O estilo é horrível!!!, foi a resposta. Para explicar, o mais próximo que encontrou foram os urros cavos dos Moonspell.

E o pai? O pai já pôs na pasta da reciclagem as suas (e minhas) lembranças de condução 'alterada', faz esperas ao filho e dá-lhe sermões sobre guiar depois de consumir algumas substâncias: 'Olha, eu não tenho dinheiro para comprares ganza. Eu nunca gastei um euro com isso, não vou agora pagar-te a ti'. A escolha das palavras foi assaz criteriosa, de facto nunca comprou. Faz lembrar o Clinton, que fumou mas nunca inalou.