...e depois, com bigodes de leite, pedem mais paciência e esforço ao povo, que a "vaca 'tá seca".

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

POSTAIS ANTIGOS (II) - AS PIN-UPS 1907-1916

O conceito de Beleza muda ao longo do tempo. Ora mais roliças, ora mais esguias, ora pálidas (sinal de riqueza, não trabalhavam ao ar), ora morenas (sinal de riqueza, fazem muita praia).
Mas não é só a massa corporal e a cor da tez, a generalidade das madonas destes postais com 100 anos tinham uma beleza demadiado discreta, ou aspecto macilento, ou ar maternal/de matrona, e há uns verdadeiros camafeus de meter susto.
Há uma excepção. Linda.







































































POSTAIS ANTIGOS (I) - A COLECÇÃO

Há 30 anos, a minha bisavó deu-me os brincos que lhe puseram à nascença, e à minha irmã deu a colecção de 1022 postais (aprendi, há pouco tempo ela herdou umas pratitas e eu pedi apenas papeis velhos).
Pedi agora os postais emprestados e vi-os todos. Comecei a digitalizar os mais giros, ou com textos curiosos, e repetiu-se o que me acontece em turismo (já que aqui estamos, vamos ver aquilo também), acabei em 650. Agora também são meus e, aos poucos, de quem aqui aparecer.    
O marido (n.1894) trocou postais com coleccionadores estrangeiros, entre 1910 e 1912 - vejamos, que outra forma havia na altura de conhecer Genebra, Roma e Versailles, ou ver os quadros do Louvre? A partir daí, foi acumulando postais de muitas terras portuguesas e a correspondência particular dos dois e duma cunhada.
Os postais falam duma vida corriqueira: mensagens de parabéns, as idas ao retrato ('vai ficar obra-prima'), os desejos de melhoras e as estadas no sanatório da Guarda ('aqui, neste degredo'), a aula de chimica, ensaios de teatro e lições de piano, os boatos dum aumento no final do ano da cunhada tesoureira na... PIDE.
Uma única vez se anuncia um nascimento. Não se fala em morte, e houve muitas - o mais próximo foi uma referência à ida “aos Prazeres, para o papá ver um jazigo que quer comprar” -, nem de casamentos ou, explicitamente, de paixões.
E não se fala na história colectiva. No primeiro quartel de 1900s, houve um regicídio, uma revolução, inúmeros golpes de Estado, uma guerra mundial. Há duas alusões à esperança em ficar isento do serviço militar, em 1914 - ficou, e não rumou no CEP para as trincheiras de França.
Dá-se conta do fim da monarquia apenas pela mudança de destinatários (a Ill.ª e Exc.ª Mademoiselle Anna passa a ser a Ilustre Cidadã Ana), pelos selos e pelos coleccionadores estrangeiros, que dias depois do 5 de Outubro pedem postais do novo governo e selos com Manuel II ou comemorativos do 1º ano da república, e que informam que a imprensa francesa diz ser a situação nacional pouco tranquila. O Estado Novo é reconhecido pela propaganda filatélica.
Provavelmente, nesse aspecto, os postais enviados por José Jacintho Rocha seriam mais interessantes que os recebidos, poderiam contar novidades sobre o que se passava no país. Mas desconfio que, em 1910, estaria mais interessado nas fotos de pin-ups que lhe enviavam de Paris.

1907
1908
1910
1911
1911
1910-10-13
1910-10-15
1914-7-10
1931
1931

domingo, 16 de outubro de 2011

PUÂÂÂRTO (VI) - DO BOLHÃO AOS CLÉRIGOS

Mercado do Bolhão
Edifício neoclássico inaugurado em 1914, sobre o anterior mercado (da década de 1830),
onde era o lameiro da quinta dos Condes de S. Martinho e existia uma nascente de água
- o bolhão (ou bolha grande)





 Confeitaria do Bolhão, Rua Formosa

Pérola do Bolhão, Rua Formosa 279
Inaugurada em 1917, começou por ter a "especialidade em especiarias que
vinham da China e do Japão". Mercearia fina e grossa, venda de bacalhau,
bebidas, charcutaria, ... um puzzle.


Grande Hotel do Porto, desde 1880. Rua de Santa Catarina 

Café Majestic, Rua de Santa Catarina
 Eleito o 6º mais bonito do mundo, pela UCityGuides.

Coliseu do Porto, Rua Passos Manuel 137
Edifício arte-deco, dos arqquitectos casssiano Branco e Júlio Brito, 
inaugurado a 19.12.1941. Tem 3000 lugares - a última vez que lá fui,
ver a versão portuguesa dos Monthy Python, fiquei nos lugares mais baratos,
quase no tecto e com assento de cimento - um masoquismo. 

 Câmara Municipal e Avenida dos Aliados. Imagem deflorestada do boulevard do século XIX.

Estátua de D. Pedro IV (19.10.1866), Praça da Liberdade.
De costas para a Av. dos Aliados e virada para o Convento das Cardosas,
há pouco aberto como hotel de luxo.

Estação de S. Bento. Edifício do arquitecto Marques da Silva inaugurado em 1.5.1915.
Os azulejos de Jorge Colaço (custaram, à data, 20 contos de réis) foram restaurados este ano.
É uma das 14 estações mais bonitas do mundo, para a Travel+Leisure.


 O rei João I entra na cidade do Porto, a fim de
casar com Filipa de Lencastre, enlace ocorrido a 2.2.1387.

Egas Moniz, descendente duma das 5 famílias mais importantes de Entre-Douro-e-Minho, era aio de Afonso Henriques. Em 1128, jurou em nome daquele vassalagem ao imperador das hispânias, o primo Afonso VII. Mas Afonso não cumpriu o prometido e, em 1137, Egas foi 'descalço e com um baraço ao pescoço' a Toledo, pôr a sua vida, a da mulher e a dos filhos, ao dispor do leonês. Que ficou emocionado e o mandou de volta.


Livraria Lello & Irmão, Rua das Carmelitas 144
Considerada pelo The Guardian, em 2008, como a 3ª mais bela do mundo.
Consta que a autora do Harry Potter, que aqui no burgo, inspirou-se aqui para criar uns cenários.

Igreja e Torre dos Clérigos (1754-63), pertença da Irmandade dos Clérigos Pobres, à data da inauguração o edifício mais alto de Portugal. Criação de Nicolau Nasoni, que prescindiu de pagamento durante anos, para ver completa a sua obra. É monumento nacional desde 1910. Dizem que a torre tem 75 metros e 240 degraus (nós contámos 204 até ao sino).

Vista do Palácio de Cristal 

Cadeia da Relação, Campo Mártires da Pátria 
(Centro Português de Fotografia) 

 Portus Cale
Sé e palácio episcopal, mosteiro da Serra do Pilar atrás e separado pelo Douro,
monte da virgem ao fundo