...e depois, com bigodes de leite, pedem mais paciência e esforço ao povo, que a "vaca 'tá seca".

domingo, 16 de outubro de 2011

PUÂÂÂRTO (VI) - DO BOLHÃO AOS CLÉRIGOS

Mercado do Bolhão
Edifício neoclássico inaugurado em 1914, sobre o anterior mercado (da década de 1830),
onde era o lameiro da quinta dos Condes de S. Martinho e existia uma nascente de água
- o bolhão (ou bolha grande)





 Confeitaria do Bolhão, Rua Formosa

Pérola do Bolhão, Rua Formosa 279
Inaugurada em 1917, começou por ter a "especialidade em especiarias que
vinham da China e do Japão". Mercearia fina e grossa, venda de bacalhau,
bebidas, charcutaria, ... um puzzle.


Grande Hotel do Porto, desde 1880. Rua de Santa Catarina 

Café Majestic, Rua de Santa Catarina
 Eleito o 6º mais bonito do mundo, pela UCityGuides.

Coliseu do Porto, Rua Passos Manuel 137
Edifício arte-deco, dos arqquitectos casssiano Branco e Júlio Brito, 
inaugurado a 19.12.1941. Tem 3000 lugares - a última vez que lá fui,
ver a versão portuguesa dos Monthy Python, fiquei nos lugares mais baratos,
quase no tecto e com assento de cimento - um masoquismo. 

 Câmara Municipal e Avenida dos Aliados. Imagem deflorestada do boulevard do século XIX.

Estátua de D. Pedro IV (19.10.1866), Praça da Liberdade.
De costas para a Av. dos Aliados e virada para o Convento das Cardosas,
há pouco aberto como hotel de luxo.

Estação de S. Bento. Edifício do arquitecto Marques da Silva inaugurado em 1.5.1915.
Os azulejos de Jorge Colaço (custaram, à data, 20 contos de réis) foram restaurados este ano.
É uma das 14 estações mais bonitas do mundo, para a Travel+Leisure.


 O rei João I entra na cidade do Porto, a fim de
casar com Filipa de Lencastre, enlace ocorrido a 2.2.1387.

Egas Moniz, descendente duma das 5 famílias mais importantes de Entre-Douro-e-Minho, era aio de Afonso Henriques. Em 1128, jurou em nome daquele vassalagem ao imperador das hispânias, o primo Afonso VII. Mas Afonso não cumpriu o prometido e, em 1137, Egas foi 'descalço e com um baraço ao pescoço' a Toledo, pôr a sua vida, a da mulher e a dos filhos, ao dispor do leonês. Que ficou emocionado e o mandou de volta.


Livraria Lello & Irmão, Rua das Carmelitas 144
Considerada pelo The Guardian, em 2008, como a 3ª mais bela do mundo.
Consta que a autora do Harry Potter, que aqui no burgo, inspirou-se aqui para criar uns cenários.

Igreja e Torre dos Clérigos (1754-63), pertença da Irmandade dos Clérigos Pobres, à data da inauguração o edifício mais alto de Portugal. Criação de Nicolau Nasoni, que prescindiu de pagamento durante anos, para ver completa a sua obra. É monumento nacional desde 1910. Dizem que a torre tem 75 metros e 240 degraus (nós contámos 204 até ao sino).

Vista do Palácio de Cristal 

Cadeia da Relação, Campo Mártires da Pátria 
(Centro Português de Fotografia) 

 Portus Cale
Sé e palácio episcopal, mosteiro da Serra do Pilar atrás e separado pelo Douro,
monte da virgem ao fundo

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

FERIADOS ÀS SEXTAS, JÁ


O governo quer repescar uma proposta socialista e extinguir feriados ou colá-los ao fim-de semana.
Porque não?
Porque não o 25 de Abril ser a 27?
Se o Natal é quando o homem quiser, e nem se sabe em que dia nasceu o menino, porque é que a consoada não pode ser a 22?
Se, durante séculos, o ano acabava em Março, porque não fazer o reveillon a 29 de Dezembro? 
Finalmente, há tão poucos monárquicos, porque não comemorar a Restauração nos anos bissextos?

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

EU VIM DE LONGE, DE MUITO LONGE...



Sabem qual a diferença entre permanente e ininterrupto?
Miguel Macedo, ministro da administração interna, vai receber €1050 mensais de subvenção para manter casa em Lisboa, porque a sua residência PERMANENTE é no Porto.
Miguel Macedo trabalha de forma ININTERRUPTA há 24 anos em Lisboa: é deputado desde 1987, tirando 3 anos em que foi secretário de Estado.
Mas como tem casa de fim-de-semana (alargado, como qualquer deputado que vai visitar a família, perdão, o círculo eleitoral), tem esse direito. É justo, Sr. ex-secretário de Estado da Justiça?


Isto num país onde se cortam direitos, porque não há dinheiro...
Por falar nisso, o PSD e o CDS vociferaram durante os governos do inominável que a solução não era aumentar os impostos, mas cortar nas gorduras do Estado e nos consumos intermédios.
Como explicou o soporífero ministro das finanças, foram obrigados a aumentar os impostos porque a receita é imediata, e não se consegue reduzir a despesa de forma racional assim de repente.
Nova interpretaçao semântica, à conta do 'saque fiscal' (expressão de Portas) do subsídio de Natal: a gordura do Estado é o meu salário e o consumo intermédio é aquela despesa que fazemos entre 10 e 24 de Dezembro. 

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

ERA UMA VEZ, NUM REINO MUITO DISTANTE...



Dizem que a preocupação é quase patológica no primeiro filho e vai diminuindo com os seguintes. As minhas irmãs nasceram numa clínica privada em Luanda (12 contos e meio, ainda existem os recibos) e o terceiro – eu – nasceu no hospital local da terrinha, o Lobito.
Mas enfim, sempre me contaram que tive a sorte de nascer num cenário de fábula, cercado de flamingos branco-rosados, no meio de mangais, e que uma fada (o médico) previu que estava fadado para general (como se vê…e nem os meus miúdos ponho em sentido).
Quando fiz 40, calhou saber a verdade toda.
O hospital estava erguido no meio dum pântano (há quem lhe chame lagoas), com flamingos, sim, mas infestado de mosquitos, fora e dentro dos quartos, como uma praga bíblica. A tal fada não ligava muito ao facto, porque os insectos também tinham o direito a existir. O hospital era sui generis, à noite havia mosquitos mas nenhuma enfermeira, e era polivalente: o meu pai chegou a operar lá um cão, coadjuvado pelo cirurgião (de graça Acácio Coelho) e por pela renitente anestesista.
Nada poético. Vai-se a ver, quando chegar aos 50, ainda revelam que me tiraram da Roda:)

Outros tempos: quando acusei vontade de sair, os meus pais telefonaram aos meus avós para virem de Benguela, deixaram a porta da rua aberta e avisaram o guarda-nocturno que as minhas irmãs estavam a dormir.

A MADEIRA É UM JARDIM


Alberto João Jardim é presidente do governo madeirense desde 1978. Ganhou sempre por uma cabazada: 65.33% em 80, 67.65% em 84, 62.36% em 88, 56.86% em 92, 56.87% em 96, 55.95% em 2000, 53.71 em 2004, 64.24% em 2007.
O próprio fica confuso, a ponto de parafrasear Luis XIV, dizendo a uma jornalista l' état c'est moi. Não é desplante, é democracia.
Desta (e última!) vez, habilita-se a ganhar de novo absolutamente.
Com a receita de sempre, à Pinto da Costa: inventar inimigos que querem prejudicar os ilhéus (a biografia oficial diz que cumpriu serviço militar como oficial de acção psicológica no EME...). E ofendê-los de forma brejeira - chamar Senhor Silva a Cavaco ou loucos aos deputados regionais são 'peanuts', para quem disse que os jornalistas do continente são bastardos, para não lhes chamar filhos da puta (sic) e a outros mandou fuck them -, tudo ao microfone.
O príncipe da poncha ganha à pala dos 'romanos', mas também da obra, 30 anos que transformaram um arquipélago atrasado - é verdade, mas há alguma região que não esteja a milhas de 1977?
E a que preço? Patrocínio do jornal oficioso, eliminação do porte pago de jornais rebeldes, emprego público de boa parte da população, obras faraónicas ao abandono (um heliporto que nunca funcionou, uma marina sem um barco, restaurantes encerrados,...), ascendente sobre as grandes empresas regionais, uma dívida colossal omitida em legítima defesa.
Mário Soares disse uma vez que o povo português sempre foi sábio no momento do voto. Não sei se concordo. Apenas acho que o povo escolhe o que quer e calha ter o governo que merece.

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

'O PRÍNCIPE' POR MAZZARINO


O diálogo (ou fábula?) seguinte é atríbuido a Colbert, ministro de Estado do rei Luís XIV, e ao cardeal italiano Giulio Mazzarino, que sucedeu a Richelieu no reinado de Luís XIII e serviu como primeiro-ministro durante a regência da viúva Ana de Áustria e o reinado de Luís XIV, entre 1642 e 1661.
Data da suposta lição sobre boa governança, 1661 da graça do Senhor, o ano da saída de um e da entrada do outro ao serviço do rei-sol.

Colbert: Para encontrar dinheiro, há um momento em que enganar (o contribuinte) já não é possível.
Eu gostaria que me explicasse como é que é possível continuar a gastar quando já se está endividado até ao pescoço...
Mazzarino: Se se é um simples mortal, claro está, quando se está coberto de dívidas, vai-se parar à prisão. Mas o Estado... o Estado, esse, é diferente!!! Não se pode mandar o Estado para a prisão. Então, ele continua a endividar-se...  Todos os Estados o fazem!
Colbert: Contudo, precisamos de dinheiro. E como é que havemos de o obter se já criamos todos os impostos imagináveis?
Mazzarino: Criam-se outros.
Colbert: Mas já não podemos lançar mais impostos sobre os pobres.
Mazzarino: Sim, é impossível.
Colbert: E então os ricos?
Mazzarino: Sobre os ricos também não. Eles deixariam de gastar. Um rico que gasta faz viver centenas de pobres.
Colbert: Então como havemos de fazer?
Mazzarino: Colbert! Tu pensas como um queijo, como um penico de um doente! Há uma quantidade enorme de gente situada entre os ricos e os pobres: são os que trabalham sonhando em vir a enriquecer e temendo ficarem pobres. É a esses que devemos lançar mais impostos, cada vez mais, sempre mais! Esses, quanto mais lhes tirarmos mais eles trabalharão para compensarem o que lhes tiramos. É um reservatório inesgotável.

Cusquices
A mania de Mazzarino de aumentar impostos originou várias revoltas (ganhando a mais conhecida o nome de Fronde), razão pelo que o rei lhe concedeu uma súbita 'licença sabática' de 2 anos fora do país, tal a forma como enfureceu o povo e a nobreza. Mas preocupava-se com o bem-estar das pessoas: casou 7 sobrinhas com nobres franceses e italianos - 2 princesas, 4 duquesas e 1 condessa, alcunhadas de mazarinettes.
A ascensão de Colbert começou com a queda de Fouquet, o ministro das finanças preso por... D'Artagnan. Luís XIV foi visitar o enorme (demoliram-se 3 aldeias) e faustoso palais de Fouquet e roeu-se de inveja - punha qualquer dos seus palácios a um canto. Colbert terá sussurrado que tal fortuna (18 milhões de francos) só poderia vir do erário régio e pronto: Fouquet de cana, o arquitecto, o jardineiro e as laranjeiras foram levadas para o que viria a ser, nada mais nada menos, Versailles.

VIVA O SIADAP

domingo, 2 de outubro de 2011

BEM ME PARECIA...


FRANCO ERA SOCIALISTA.

Francisco Franco Martinez-Bordiú, sobre o seu avô, em La Naturalesa de Franco
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quarta-feira, 28 de setembro de 2011

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The Shootings of May Third 1808, Goya 1814

SER CIVILIZADO SIGNIFICA SABER
QUE SE É POTENCIALMENTE BÁRBARO
Pascal Bruckner
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terça-feira, 27 de setembro de 2011

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GOVERNAR É
CRIAR CONDIÇÕES PARA GOVERNAR.
António José de Almeida
Ministro, Presidente do Conselho e Presidente da República

Há 2 formas de ler a mensagem, uma benigna (e é essa que lhe atribuem), e outra nem tanto: usar o poder para mantê-lo.

MAIS UMA VOLTA NO CARROSSEL


O governo mudou e vão-se sentindo agora as ondas de choque nos lugares públicos: entram uns, saem outros. Para umas bandas, a maré enche, para outras bandas, o mar vaza. Até o carrossel dar uma volta e trocarem de posição. Como o slogan da TMN, é um 'Até Já'.

Falei há dias com um amigo beirão, que está desmotivado: concluiu ele que a política é 'pequenina', e que o PS é igual ao PSD e ao CDS. Isso não invalida que o meu amigo passe pelo congresso do partido e vá a uns jantares - mas de raspão, disse. Convém esclarecer que, com peso político familiar e próprio, foi dirigente de 2 organismos públicos até à presente praia-mar... para a sua banda.

E para onde vai essa gente? Discuti o assunto com outro amigo, a propósito do espião contratado pela ongoing. Eu concordo com a proposta comunista de legislar um período de nojo para agentes das secretas, como para os governantes - estes não devem saltar prontamente para empresas de àreas que tutelam: se os meninos não se sabem comportar, há que impor regras. O meu amigo discorda, diz que não é a lei que resolve o problema, é uma questão de consciência e de boa-fé, e fez 2 perguntas muito pertinentes: uma pessoa que sempre trabalhou na área do ambiente, aceita ser ministro da pasta e depois não pode regressar ao sector? Conta o depois mas não o antes, i.e., proíbe-se que um ministro das obras públicas vá para a soares da costa, mas já não há conflito de interesses se chegar a ministro directamente da mota-engil?
Não é irrelevante o facto deste compincha ser eleito para um cargo político executivo, vê o assunto do lado de lá.

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

MUITA QUILOMETRAGEM

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SER VELHO É A PALAVRA "IMPOTENTE" ALARGADA.

O MEU SONHO ERÓTICO ERA DEITAR-ME NUMA BANHEIRA CHEIA DE TROUXAS DE OVOS E CALDA.

João Cutileiro, Única 24.9.11

MOSTEIRO DE LEÇA DO BALIO






A 1 légua da Sé do Porto, para as bandas da foz do Leça, no local onde houvera um templo romano dedicado a Júpiter, ergueu-se um mosteiro no séc. X. Parece que o primeiro registo da sua existência data de 18.3.1003, quando uma tal de Flamula Vigilia legou em testamento uma herdade aos presbíteros, frades e freiras.
O mosteiro beneditino, localizado no caminho de Santiago, era um dos mosteiros mais importantes do Condado Portucalense, a par de Santo Tirso, Arouca e Pendorada.
Depois de alguns anos sob a alçada do bispado de Coimbra, oferta de D. Urraca em 1094, a irmã D. Teresa, mãe de Afonso Henriques, entregou o mosteiro entre 1112 e 1128 à 1ª ordem militar que se cá instalou, a dos Religiosos Cavaleiros do Hospital de S. João de Jerusalém (Ordem de Malta a partir do séc. XVI) - a propósito, a palavra ba(i)lio corresponde a uma comenda de cavaleiro. Em 1157, o rei fundador doou ao mosteiro as terras circundantes, tendo esse couto sido confirmado em 1166:
'Consta do Tombo deste Baliado dar o Senhor Rey Dom Affonso Henriques esta igreja a Dom Raimundo (conde e senhor da Galiza) Provedor dos Santos e pobres da Santa Cidade de Jerusalém e a Dom Ayres Prior de Portugal e Galiza e lhe deo terras e pençoens e lhas coutou no ano de 1166 e lhe deo jurisdiçam Cível e poder de pôr ouvidor que conhecesse de apellaçooens e agravos e alimpasse pautas e confirmasse peno povo na camera destedito Couto de Lessa e assim sam os venerandos Balios senhores donatáríos e capitaens deste Couto'

Por algum tempo lá viveram Afonso Henriques e Sancho I, mas a data mais marcante da história monacal é 15 de Maio de 1372, quando D. Fernando ali desposou Leonor Teles - longe duma irada Lisboa, que não aceitava o casório (e o futuro deu-lhe razão): o rei incumpriu as promessas sucessivas de casar com as infantas Leonor de Aragão e Leonor de Castela, embeiçando-se por outra Leonor (sobrinha do conde de Barcelos e descendente de Sancho I e dum rei das Astúrias e Leão), com um problemazito, era mulher do fidalgo João Lourenço da Cunha - a anulação papal desse matrimónio foi fácil, mas o povo de Lisboa, Santarém, Leiria, Tomar e Montemor-o-Velho levantou-se contra a ideia duma união entre a 'aleivosa', como ficou conhecida, e o rei que ela enfeitiçara...
Renovado nos séc. XII (por Gualdim Paes, em 1180, sendo então dedicado a Santa Maria) e XIV (em 1330-36, pelo prior Estevão Vasques Pimentel), o exemplar de igreja-fortaleza combina os estilos românico e gótico.
O aspecto actual, deve-o à Direcção Geral dos Monumentos Históricos, que empreendeu um restauro profundo do mosteiro na década de 1930, ao fim de 100 anos de definhamento, após a extinção das ordens religiosas em 1834: a casa tinha uso privado, a igreja estava cheia de entulho e as janelas góticas estavam quadradas. Obras de beneficiação, desde 1996, devem-se ao mecenato da Unicer, cuja fábrica fica não muito longe.
Foi considerado monumento nacional em Junho de 1910, no estertor da monarquia.

sábado, 24 de setembro de 2011

VIDA SOCIAL



Estúpido!, chamou-me a minha filha, a propósito de qualquer coisa, quando eu saí da sala. Voltei atrás e dei-lhe umas furiosas nalgadas, como um metrónomo, enquanto ensinava "é-a-úl-ti-ma-vez que me chamas nomes, 'tás a ouvir?".
Mandei-a googlar e copiar o significado de respeito.
Assim escreveu "1. sentimento que nos impede de fazer ou dizer coisas desagradáveis a alguém; 2. Apreço, consideração, deferência, obediência, submissão, temor, medo; 3. Temor do que os outros podem pensar de nós" (não sei explicar melhor, mas parece-me uma má tradução da palavra).
- Percebes o que escreveste? A tua tia não tem filhos e vai para o Brazil e para a festa da cerveja de Munique, sai à noite, vai ao teatro e ao cinema; nós escolhemos ter filhos, ganhamos umas coisas e abdicamos de outras por vocês, tás a ver? Agora, não somos iguais, eu devo criar-te e tu deves-me respeito, ok?
Espero que a troika apertão-redacção-sermão tenha servido...
A seguir, fui deixar os miúdos a casa duma amiga, para almoçar, e fui comprar uma prenda para um aniversário a que ela vai hoje. À minha frente na fila encontraram-se 2 amigos, que carregavam livros infantis:
- Olha, vim comprar um livro para o Rui levar a um aniversário.
- Pois. Eu estou na volta dos sábados de manhã, a comprar prendinhas para as festas da Rita. Levei-a agora a um teatro, tenho que ir buscá-la para ir almoçar com amiguinhas e à tarde tem outra festa... e amanhã outra.
É, os membros das famílias com a agenda social mais preenchida são os que ainda não têm carta de condução - curiosamente, geralmente são eles que 'conduzem'.

Memória fotográfica...


"MAS EU CONHEÇO ESTA VAÇA,
VI-A NA GOLEGÃ."

Cavaco Silva, então primeiro-ministro, na Ovibeja 91,
parando demoradamente junto a um expositor,
a fitar olhos nos olhos um bovídeo, 
e pasmando a vasta comitiva (Expresso de hoje)

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

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Bill Brandt, Rainswept roofs, 1937

HÁ 3 TIPOS DE MENTIRAS:
AS PEQUENAS MENTIRAS,
AS GRANDES MENTIRAS...
E AS ESTATÍSTICAS.
Shafique Keshavjee
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quinta-feira, 22 de setembro de 2011

FOLLOW-UP


- Olá. Queria uma lixa, por favor.
Eu e o sr. da loja fitámo-nos por uns momentos, olhos nos olhos como num duelo de cowboys, à espera que o outro desenvolvesse a conversa.
- Para quê?
- Para lixar umas madeiras.
- Qual é o número que quer?
- Há de quantos a quantos?
- Há 50, 60, 100...
- A lixa mais fina tem o número mais baixo?
- Não, é o contrário. Quer uma 100?
- Ok. Levo 4.
E pronto. Lixei a mesa, ficou com um look 'casual red'. E, lá tinha que ser, comecei a pintar uma cadeira, mas ficou cheia de grumos - desconfio que devia ter deixado o pincel em diluente... Literalmente, que se lixe.
A empreitada do resto da 'mobília' foi ganhando ritmo, com o aumento da 'experiência' e o decréscimo da preocupação com o resultado - os meus valores são espirituais...
Ao som de Janis Joplin, custou menos.

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

A PORTA DA RUA É A SERVENTIA DA CASA


O Montepio Geral - Associação Mutualista, organização criada em 1840 por empregados públicos, tem como fins e objectivos estatutários desenvolver acções de protecção social e da saúde, promover a cultura e melhorar a qualidade de vida dos seus associados. Como associação mutualista, não tem fins lucrativos, aplicando os lucros na prossecução dos seus fins e objectivos.
Poderia pensar-se, pois, que o Montepio fosse um banco diferente.
Não é. Notícia de ontem: o Montepio informou os 200 funcionários do Porto do (por si fagocitado) Finibanco que as instalações vão fechar, devendo apresentar-se na próxima segunda-feira nas instalações de Lisboa. Mais esclareceu o Montepio que, caso não estejam interessados em deslocar-se 300 km para sul, os trabalhadores sempre podem optar pela rescisão de contrato.

Como o Montepio, o Estado português também visa, entre outras coisas, a protecção social e melhorar a qualidade de vida dos seus 'associados'. É, não é?
Notícia de hoje: o Secretário de Estado Helder Rosalino informou os sindicatos que pretende diminuir o número de funcionários públicos, canalizando 140.000 pessoas para a mobilidade especial, cunhada durante o consulado socialista. Será diminuída a compensação (% do salário anterior) a quem esteja na 'bolsa' de disponíveis e uma das penalizações (castigos) previstas a quem recusar uma recolocação - independentemente da função ou do local - é ficar uma ano de licença sem vencimento... para pensar um bocadinho melhor.

terça-feira, 20 de setembro de 2011

TRABALHO D´HOMEM


Diário dum jeitoso para a bricolagem
Tenho uma varanda ampla, onde nos sentamos para fumar. Em tempos, o meu cunhado sentou-se numa das cadeiras ao sentar-se e ela cedeu aos seus encantos calóricos. Fiz anos e quiseram levar-me ao IKEA para comprar outra. Quando lá cheguei, já estava escolhido: um conjunto de mesa, 2 cadeirões e uma cadeira corrida, em madeira.
- Não sei se a minha mulher aceita uma 'mobília' lá em casa, sem ter voto na matéria.
- Não sejas maluco, já tirei as medidas à tua varanda, cabe, e onde é que arranjas isto tudo por 99€?
Veio a mobília de jardim. A minha mais-que-tudo disse 'gosto', mas a maneira como respondeu (que os cônjuges têm o exclusivo de entender) fez soar o meu alarme, oh-oooh! Há coisas que os cônjuges têm o exclusivo de entender.
Bem, eu nunca teria aceite caso soubesse que não era uma prenda chave-na-mão e tivesse conhecimento das 'instruções' a tempo: é necessário pôr um produto para proteger da chuva e do sol, todos os anos - disse o meu cunhado depois de aparafusar o lego todo.
Fui comprar o dito: um monte de opções, acetinado, envernizado, teca, mogno, incolor, interior, exterior, interior/exterior. Levei à final duas latas, incolor para interior/exterior e mogno intempéries exterior. Para a invernia portuense, comprei o intempéries, claro.
Nada claro. Acabei de pintar a mesa (com um resultado algo adolescente), e não sei se continuo: por ora tenho 3 cadeiras castanho-pálido, discretas, e uma mesa vermelho-cerejeira.
O meu amor está quase a chegar e eu vou-me disfarçar de papel da parede...

p.s.: Li as instruções, é suposto dar 3 demãos. ahahah.
p.p.s.: Se alguma vez tiver um jardim, vai ter relva sintética e cadeiras de restaurante chinês, plastificadas.

AS DESCOBERTAS

LADO A



LADO B
UM BOCADINHO EQUIVOCADOS...
Nos relatos que o Gama e os seus homens prepararam com a ajuda de informadores locais, constava que a maioria dos reinos asiáticos era cristã. É certo que, pela amostra de Calicut, deveriam ser heréticos, ou estavam abastardados pela perda de contacto com os seus irmãos de fé. Com efeito, nas suas igrejas haviam "muitos, muitos santos [que] estavam pintados pelas paredes [...], os quais tinham diademas; e a sua pintura era em maneira diversa, porque os dentes eram tão grandes que saíam da boca uma polegada e cada santo tinha quatro ou cinco braços".
D. Manuel I, João Paulo Oliveira e Costa, Círculo de leitores

Será a Santa Maria Madalena?
Kali, mulher de Shiva, é a libertadora das almas

sábado, 17 de setembro de 2011

ACHTUNG! IDENTIFIQUE-SE

AS BANDEIRAS DOS PAÍSES
PECADORES DA DÍVIDA
PODERIAM SER COLOCADAS
A MEIA-HASTE
NOS EDIFÍCIOS DA UNIÃO EUROPEIA.
Gunther Oettinger, alemão Comissário Europeu da Energia
Bild, 9/9/2011

E que tal passarmos a usar uma braçadeira???
 "somente para judeus", Áustria 1938
Keystone/Hulton Archive/Getty Images

gueto de Kovno, Lituânia 1944
United States Holocaust Memorial Museum

judenrat, conselho judaico
Os judeus eram obrigados a usar em público a estrela de David, numa braçadeira ou presa na roupa.

Nos campos de concentração, triângulos identificavam os presos: amarelo para judeus, vermelhos para presos políticos, roxo para objectores de consciência como testemunhas de Jeová, rosa para homossexuais, verde para criminosos, castanho para ciganos, preto para lésbicas e mulheres "anti-sociais" (como grevistas e feministas...), azul para emigrantes. As letras geralmente indicavam a raça ou nacionalidade. (avidanofront.blogspot)

ilustração de livro infantil, Alemanha 1936 
títulos "os judeus são a causa do nosso infortúnio" e "como o judeu trapaceia"
United States Holocaust Memorial Museum

livro infantil "o cogumelo venenoso"
United States Holocaust Memorial Museum