...e depois, com bigodes de leite, pedem mais paciência e esforço ao povo, que a "vaca 'tá seca".

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

AVEIRO DE ARTE NOVA

Resolvi ir a Aveiro ver azulejos de arte nova (produzidos entre 1900 a 1920), em exposição no Museu da Cidade de Aveiro. Não vi: fui parar ao Museu de Aveiro, e só depois de pagar as entradas descobri que havia dois museus com o mesmo nome.
Depois dessa visita, lá encontrámos o dito (passáramos à porta), mas não pudemos entrar: de acordo com a menina do posto de turismo, "eles têm uns horários suis generis, fecham quando querem".
Foi o dia do "não vi em Aveiro", porque o Museu Arte Nova ou Casa Major (Mário Belmonte) Pessoa, com frente para o rossio e traseiras para a praça do mercado, só abre com marcação... Viva o turismo português.
Mas vá, a câmara comprou essa casa degradada em 2004 e recuperou-a para o público - a pedido!
De qualquer forma, ia desconfiado que a auto-denominação de capital da arte nova era presunção da terra, mas encontram-se, aqui e ali, alguns exemplos do estilo. 
É só passear pelas ruas.  

Museu da Cidade de Aveiro e Posto de Turismo



Casa Major Pessoa
arqu. Silva Rocha e Ernesto Korrodi, 1904-09
adquirida degradada pela CMA em 2004



traseiras






e outras coisas

AVEIRO CONVENTUAL

Por engano, pois queria ver a arte nova em Aveiro, fui parar ao convento de Jesus, criado no século XIV por D. Brites Leitão e D. Mécia Pereira.
Lá está o monumental túmulo da Santa Joana, um bocadinho exagerado para quem queria uma campa rasa. Não sabia "de quem era filha" (como se diz na minha terra) esta padroeira da cidade, e a coincidência foi engraçada - acabara de ler na véspera uma biografia de D. Manuel I, que sucedeu ao primo D. João II graças à morte do único herdeiro e dos irmão mais velhos de Manuel... e porque a única irmã de João se enclausurou em Aveiro, recusando os pedidos deste para casar (3 cabeças coroadas propuseram-no) e ter descendência.
Parte da exposição roda à volta da vida da princesa no convento - incluindo um quadro seu, da autoria de Nuno Gonçalves, o alegado pintor dos painéis de S. Vicente -, e há uma grande colecção de arte sacra, particularmente barroca e rococó, recolhida em vários conventos da cidade.
Gostei particularmente da sagrada família da Machado de Castro: alguém imagina Maria, José e Jesus de tricórnio?

armário-farmácia
túmulo da santa joana princesa


coro alto
capela no coro alto
claustros
lavatório
refeitório
Santa Joana, por Nuno Gonçalves (1472)
sala dos lavores
Sagrada família por Joaquim Machado de Castro (1770-80)

terça-feira, 9 de agosto de 2011

PÂNICO NO AEROPLANO


A Europa é um Boeing 747
a voar sem ninguém no cockpit.
Terá sido qualquer coisa parecida que Durão Barroso disse numa conferência em Julho de 2002, conta Luís Menezes Leitão no i de 9/8/2011.
Que diria ele hoje, à frente duma Europa a cair aos bocados? "Bom dia, fala o vosso Comandante, Zé Manuel Durão, espera-nos um voo com alguma turbulência financeira, troveja em Bruxelas. Podem consultar a revista de vendas a bordo, para adquirirem as nossas dívidas soberanas, duty free. Tenham uma boa viagem."

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

ANDAR SOBRE AS BRASAS


Como eleitor de 1/4 deste governo, é com alguma expectativa que aguardo para ver, mas de braços cruzados, que os psicólogos dizem ser uma posição defensiva e desconfiada.
O que é que já deu para ver? Roupa casual num ministério, mudança de logotipos, injecção de (+) 500 milhões no BPN para vendê-lo por 40, veto pela maioria da audição do ministro das finanças numa comissão, 7 secretárias e 11 motoristas no gabinete do PM, 7 para 11 administradores na CGD (Passos disse que bastavam 3 em cada empresa pública), férias ao fim de 2 meses no cargo, depois da intenção de manter a AR aberta em Agosto.
E, primeiro aumenta-se a receita (1/28 do rendimento anual e aumento dos transportes),  quanto à redução da despesa ou às almofadas sociais (abono dos transportes dos mais necessitados), ainda estão a tratar disso...

As minhas costelas cépticas estão a dar sinal, e isto pode dar para o torto, se a austeridade não resultar - lembra-me aquela estória do cavalo que morreu e o dono lastimou "logo agora que não comia quase nada".
Logo a seguir vem-me à tola a peça com a Dona Amélia Rey Colaço, que ela acaba abrindo os braços e exclamando "que morra de pé, como as árvores". Palmas.

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

DEIXA-OS ANDAR...

Não sei quem foi o pintor, mas o estupor pintou bem...

Na primeira noite eles se aproximam,
roubam uma flor
do nosso jardim.
E não dizemos nada.
Na segunda noite, já não se escondem:
pisam as flores,
matam nosso cão, 
e não dizemos nada.
Até que um dia
o mais frágil deles 
entra sozinho em nossa casa,
rouba-nos a luz, e,
conhecendo o nosso medo
arranca-nos a voz da garganta.
E já não dizemos nada.

Este poema, que tem um gêmeo (uma coisa no género: primeiro apanham um vizinho, não o defendes, depois outro, idem, depois levam-te a ti e não sobrou ninguém para te defender...), foi atribuído a Vladimir Maiakovsky, mas o seu justo autor foi o brasileiro Eduardo Alves da Costa, em 1964.

terça-feira, 2 de agosto de 2011

UMA VIDA BOA


Maria José Nogueira Pinto escreveu, na sua última crónica, que "uma boa vida não é uma vida boa".
Alguém (um brasileiro chamado Nemo Nox, mas quem ficou com a fama foi Fernando Pessoa) acabou um poema com "Pedras no caminho? Guardo todas, um dia vou construir um castelo".
Eu cá não concordo, prescindia bem das pedradas: como o ferro, vamos sendo temperados e mais resilientes como o aço, mas passava bem sem esse "tempêro".
Bem diz o MEC, "as decisões fúteis, quando a cabeça é desocupada daquilo que a preocupa, para se ocupar de uma ninharia como escolher entre a pera-pérola e a carapinheira, são um indício seguro da felicidade".
É, feliz daquele cujos problemas sejam a escolha entre um Callabriga Reserva 2005 ou um Quinta do Crasto VMT 2007, e grande provação seja experimentar um Château Mouton-Rothscchild 1982.

Certo, certo é que os escolhos nos mostram a fisiopatologia da natureza humana: a ambição, a solidariedade, a lisonja, a generosidade e o egoísmo, a cobardia ou a resistência, a delação, a maldade, a prepotência, a inveja, o conformismo, o alheamento face à injustiça, a amizade.*  
Apesar de nos considerarmos evoluídos e civilizados, nada mais natural e primitivo. E começa e acaba tudo na mesma coisa, a procura de segurança e o instinto de sobrevivência, que assegurou a manutenção e a prosperidade da espécie.
São tudo estratégias - ora de união, ora de competição -, para sobreviver e garantir a segurança do grupo contra os predadores, a gruta, uma pele mais quente, a parceira com o maior quadril (e o status confere o poder de escolha), o lombo do dente-de-sabre, a proximidade do (ou o próprio) comando da tribo, a cercania da fogueira. Subam 2 parágrafos p.f. e confirmam em cada 'característica' uma destas preocupações 'antigas'.
Há até  uma expressão popular, usada nas progressões profissionais, com muita serventia, "quem está mais perto da fogueira, aquece-se melhor". Milénios de distância, os mesmos fins.

* Hannah Arendt (autora de A Condição Humana, As Origens do Totalitarismo, Eichmann em Jerusalém,...) dissecou bem algumas destas 'características' sociais, crismando a expressão "banalização do mal" e explicando como homens horrivelmente normais cumprem ordens dum malvado paranóico.
Quanto à passividade dos restantes, bem falou Eduardo Alves da Costa
.

sábado, 30 de julho de 2011

SACOS HÁ MUITOS

eroting shopping 
 aspe crime stories
 shumensko beer crate
 vw golf
 greenpeace
 children with autism
 stop'n'grow - nailbiter
 panadol
 cruz vermelha
 gaia - animal torture
 ReVital
 ykm - jump rope
 yulia timoshenko (p.m. ucrânia)
 blush lingerie - x-ray bag
 floating magic-i bag
 wheaties
 alinna
 tom of finland
 samsung
karl lagarfeld


LUCIAN FREUD

Em 2008, um bilionário sem ter o que fazer ao dinheiro (suspeito nº 1, Roman Abramovich) sacou de 23 milhões de euros para comprar um quadro que retrata uma chefe da segurança social com 127 kg, Sue Tilley de sua graça.
Nesse dia, foi batido o record de transação duma obra com o autor vivo. O pintor era Lucian Freud (Berlim 1922-Londres 2011), e morreu no dia 20 de Julho.
O neto do criador da psicanálise iniciou a sua carreira inspirado pelos surrealistas (em particular Magritte), mas na década de 50 aterrou no figurinismo e começou a pintar pessoas, principalmente nus. A maioria dos modelos eram amigos, conhecidos e familiares. A quem se insurgiu com as telas das filhas nuas, respondeu "o modelo e eu estamos interessados em fazer pintura, não amor".
E na prole, havia muita escolha: se o número 12 é seguro, li algures que poderá ter gerado 40 filhos, prometendo assumi-los quando chegassem à maioridade.    
Um dos quadros mais polémicos nem foi um nu, mas o retrato da rainha Isabel, que súbditos mais escandalizados disseram que parecia um travesti. Está nas colecções reais, provavelmente atrás dum régio reposteiro.
Na maioria dos casos são telas bastante empastadas, consta mesmo que Freud usava as telas para limpar os pincéis.
Um dos quadros dele (Naked girl with egg, tendo como modelo uma amante) pode ser visto agora na sede portuense da Fundação EDP, numa exposição intitulada "My choice" - com as 87 obras mais "prazeirosas" que Paula Rego (que tem evidentes traços em comum com Freud) encontrou no acervo do British Council. Até 23 de Outubro.

 Benefit's supervisor sleeping (1995)
 Naked man - back view (1992)
 Naked man on bed (1989)
 Evening in the studio (1993)
 Naked girl with egg (1980/81)
 Dormeurs

Reflection (self portrait 1985)
 Painter working, Reflection (1993)
Elizabeth II (2000/01)