...e depois, com bigodes de leite, pedem mais paciência e esforço ao povo, que a "vaca 'tá seca".

sábado, 17 de setembro de 2011

ACHTUNG! IDENTIFIQUE-SE

AS BANDEIRAS DOS PAÍSES
PECADORES DA DÍVIDA
PODERIAM SER COLOCADAS
A MEIA-HASTE
NOS EDIFÍCIOS DA UNIÃO EUROPEIA.
Gunther Oettinger, alemão Comissário Europeu da Energia
Bild, 9/9/2011

E que tal passarmos a usar uma braçadeira???
 "somente para judeus", Áustria 1938
Keystone/Hulton Archive/Getty Images

gueto de Kovno, Lituânia 1944
United States Holocaust Memorial Museum

judenrat, conselho judaico
Os judeus eram obrigados a usar em público a estrela de David, numa braçadeira ou presa na roupa.

Nos campos de concentração, triângulos identificavam os presos: amarelo para judeus, vermelhos para presos políticos, roxo para objectores de consciência como testemunhas de Jeová, rosa para homossexuais, verde para criminosos, castanho para ciganos, preto para lésbicas e mulheres "anti-sociais" (como grevistas e feministas...), azul para emigrantes. As letras geralmente indicavam a raça ou nacionalidade. (avidanofront.blogspot)

ilustração de livro infantil, Alemanha 1936 
títulos "os judeus são a causa do nosso infortúnio" e "como o judeu trapaceia"
United States Holocaust Memorial Museum

livro infantil "o cogumelo venenoso"
United States Holocaust Memorial Museum

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

ISSO SÃO BOATOS


Acontece-me ir juntando 'clássicos' que ficam em stand-by, ultrapassados por outros livros mais actuais. Nestas férias, e porque não tinha livros novos, resolvi tirar o pó à prateleira, e ler 3 livros em português. Que recomendo.
O primeiro foi a Peregrinação de Fernão Mendes Pinto, um livro de aventuras quase juvenil, com terríveis alimárias e pérfidos corsários, e que se lê num instante. O curioso é que alguns estudos confirmam a plausibilidade da história, se calhar o Fernão, mentes? Minto! até contou verdade. Certo é que os nossos nautas de Quinhentos põem qualquer indiana jones a um canto.
Aqui descobri uma invectiva com muita aplicação "Vareja triste, nascida de mosca encharcada no mais sujo monturo que pode haver em masmorras de presos, jamais limpas; vareja triste, quem deu atrevimento à tua baixeza?".
A usar apenas no trânsito.

O meu preferido foi o segundo, Gabriela Cravo e Canela. Foi uma delícia rever as personagens enterradas na memória mais remota, da primeira novela vista em Portugal, que chegou a parar o parlamento. Não sei é como fizeram uma novela duma história com pastéis, coronéis e bordéis, cujas primeiras 100 páginas decorrem no mesmo dia.
Um pequeno aperitivo: quando Nacib, o 'moço bonito', substitui a sensual Gabriela pelo chique chef de cuisine Fernand, foi este o veredito da clientela sobre a comida "- Muito bom, mas não presta". De antologia.
Absolutamente imperdível.

O terceiro foi mais complicado, os Serões de Província. O rendilhado do 'paisagista' Júlio Dinis, por vezes forçado, nada tem a ver com um escorreitíssimo Eça. Isto para dizer que, não querendo deixar a meio o livro de contos folhetinescos (amiúde são invocadas as leitoras, o que não é o meu caso) sobre peles alvas e trigueiras e sobre o Minho, esse 'vasto cabaz a transbordar de verdura e de flores', foi com espírito de missão que fui lendo a obra folhetinesca.
Até chegar ao divertido conto O espólio do Sr. Cipriano, com uma mui pertinente dissertação inicial sobre a 'opinião pública' e a metamorfose colectiva do boato na mais cristalina verdade: pois o dito morre, e a miserável irmã quase não o consegue enterrar de graça, porque corria o boato sobre a fortuna do semítico falecido, vinténs que ninguém conseguiu vislumbrar. Momentos antes da esfomeada e caquéctica velha expirar, o (tão miserável como ela) sobrinho de Maquelina reuniu a custo alguns cavacos já meio queimados para acender o lume. Em busca de acendalha, a tia perguntou-lhe "Achaste carqueja?". Não havendo, a agonizante idosa exclama "Valha-me Deus. Olha, sabes, aí... na gaveta do toucador... está uma papelada de que... às vezes me sirvo para economizar. Acende alguma na lamparina e..." Ora, os papeis que a iletrada fora queimando eram, nada mais, nada menos, notas de banco que o mano deixara, e sempre dissera nada valerem...
Onde há fumo, há fogo.  

AQUI JAZ O EDUQUÊS


Há uns anos, governava (?) o Guterres, germinou a ideia que os alunos, para aprender, deviam ser seduzidos, que a educação era um processo quase negocial, e que se um aluno chumbava, era o professor que devia explicações.
Esse tempo acabou.

Fui ontem à reunião de recepção dos pais dos novos alunos do 'ciclo', como é o meu caso e o do meu parceiro do lado, com os braços tatuados do ombro ao pulso. A directora dos directores de turma - que levantava o sobrolho a cada interrupção, pois os pais foram chegando às pinguinhas, uns insurrectos - agraciou-nos com um powerpoint, sobre o bértice (sic) aluno-pai-professor e essencialmente sobre disciplina que, dizem os últimos estudos, tem o condon (sic) de desenvolver o cérebro.
Uma dos chavões dizia que "estranhos preconceitos e falsas ideias pedagógicas" arguiam que a disciplina não era imprescindível.
Mais explicou a senhora que 30% da nota final* resulta, não da aprendizagem, mas das atitudes e comportamentos, e deu o exemplo da mania dos porquês: se dá uma ordem e um aluno pergunta porquê, responde 'porque sou mais velha', e só o esclarece dias mais tarde, porque 'as ordens são para se cumprir, não para se questionar'.
Shiuuuu, aqui quem manda sou eu.

* Outra parcela tem a ver com listas de verificação, a saber, a revista da mochila para verificar se o menino leva tudo, tipo revista à caserna.

domingo, 11 de setembro de 2011

9.11.2001 MANHÃ SANGRENTA

               08.46h Avião AA11 colide com a torre norte do WTC
               09.03h Avião UA175 colide com a torre sul
               09.37h Avião AA77 atinge o Pentágono
               09.59h Cai torre sul
               10.03h Passageiros fazem cair avião UA93 na Pensilvânia
               10.28h Cai torre norte
               (+5h em Portugal)


                                                                                                                          National Park Service

                                                                                                                                              NASA

O fotógrafo Thomas Hoepker/Magnum só divulgou esta polémica foto em 2006.
Falsa indiferença, defenderam-se os protagonistas. 

                                                                                                                    Mario Tama/Getty Images
Morreram 343 bombeiros, 60 polícias e 8 membros das equipas médicas

Das 2977 vítimas (excluídos os 19 terroristas),
mais de 200 escolheram saltar para a morte



                                                                                                                 Richard Drew/AP
Jonathan Briley, de 43 anos, trabalhava no restaurante
Windows of the World, no topo da torre norte
da sequência angustiante de 12 fotos, esta não mostra trambolhões,
mas uma queda 'determinada' e alinhada com a separação das 2 torres 

                                                                                                            Stan Honda/AFP
Marcy Borders, Bank of America, 81º andar tda orre norte
ao fim de 10 anos, superou as drogas e o álcool e voltou
para o marido e filhas
ainda guarda a roupa suja num saco

                                                                                                        Stan Honda/AFP
Edward Fine, estava no 78º da torre norte
perdeu 40% da audição e ainda usa o fato

                                                                                                           Paul J. Richards/AFP 
O chefe de gabinete Andrew Card segreda:
"Um 2º avião atingiu a outra torre. A América está a ser atacada."

Projecto do novo WTC (conclusão 2010-2015)

domingo, 4 de setembro de 2011

PUÂÂÂRTO (V) - NO INÍCIO ERA O MORRO DOS VENDAVAIS

O Porto 'aconteceu' no morro da pena ventosa, por volta do séc. VIII ac. Por lá passaram romanos (séc. II ac-I dc), suevos (séc. V), visigodos (585), muçulmanos (716), cristãos (750), os mouros de Almançor (1000), normandos (990) e vikingues (1014).
A primeira defesa era a cerca velha ou muralha românica, construída no séc. III e reconstruída no séc. XII. Tinha 4 portas, demolidas no séc. XIX, e 750 metros.
Mas a terra desceu para o rio. No séc. XIV, Afonso IV apanhou um susto: os castelhanos desceram pelo Minho e, não fossem as hostes dos bispos do Porto e Braga terem-nos travado em Leça, tomariam a cidade numa penada.
Vai daí, mandou erguer nova muralha em 1336, tendo a mesma sido concluída 40 anos depois, no reinado do neto - ganhando assim o nome de muralha fernandina.

O tamanho da cerca nova ou muralha gótica mostram o crescimento da urbe: 2600 metros, com 8 portas e 9 postigos. Subia junto a Miragaia até ao morro do olival (próximo da cadeia da relação), descia a calçada dos clérigos, passava onde estão o palácio das cardosas e a estação de S. Bento, subia até ao teatro de S. João, e descia para o rio nos guindais. O séc. XIX foi especialmente demolidor, a muralha e as portas deram lugar a ruas e edifícios: viva o progresso! Resultado, sobraram uns trechos da muralha (os 2 maiores junto a Santa Clara e em S. João Novo) e apenas um postigo, o do carvão, a jusante da praça da ribeira.
Com restauro, mas ou menos criativo: em 1920 e 1960 a muralha nova, e em 1940, como muitos edifícios históricos post-it da heroicidade lusitana, o restauro salazarista do bocadinho que sobrou da cerca velha e a construção de edifícios do zero - como a torre da rua de Pedro Pitões, presenteada com um balcão gótico e deslocada um bocadinho mais para baixo do local onde foram descobertos os seus vestígios.

No epicentro da cidade velha, ergue-se a Sé, desde o século XII. Nitidamente românica, também lá se encontram traços góticos (como os claustros - sem os azulejos, claro) e barrocos - surpresa nenhuma, a talha dourada 'parasitou' a generalidade das igrejas nacionais.
Relativamente pequena, como os seus claustros - para mais num senhorio do bispo até 1406 (o rei tinha até então que pedir licença para lá pernoitar; aos nobres era vedado ter casa ou pernoitar mais que 3 dias, até 1509)-, tem um altar de prata que foi engessado durante as invasões napoléonicas, para poupá-lo da gula francesa.



Claustros (séc. XIV)


Cerca velha


Estátua de Vimara Peres (868)
1º conde de Portucale e fundador de Guimarães
Torre dos Clérigos (1754-63)
Câmara, Irmandade de Sto. António
dos Congregados e estação de S. Bento
Muralha fernandina, Serra do Pilar (Gaia) e ponte D. Luiz

Torre da rua de Pedro Pitões

Pelourinho de 1945 e Paço episcopal (dta.)
O amplo terreiro da Sé foi criado em 1940 à custa dos quarteirões medievais,
obrigando à transferência da Capela dos Alfaiates e ao desaparecimento
da cadeia do bispo, da casa do Conde de Castelo de Paiva, do largo
do açougue e das ruas das Tendas, do Faval e da Francisca
Gaia

Casa-museu Gerra Junqueiro
(Rua de D. Hugo, traseiras da Sé)
Pano de Santa Clara

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

NÃO PAGAAAMOS, NÃO PAGAAAMOS...


ENQUANTO A MAIORIA DOS NORTE-AMERICANOS
LUTA PARA PAGAR AS DESPESAS,
NÓS, MEGA-RICOS, CONTINUAMOS COM
AS NOSSAS EXTRAORDINÁRIAS ISENÇÕES FISCAIS.

Assim escreveu Warren Buffett, o 3º mais rico do mundo (50 biliões?), atrás de Carlos Slim e Bill Gates, num artigo de opinião do NYT - criticando a resistência do congresso e à hesitação de Obama em retroceder na baixa fiscal aos mais ricos, oferecida em 2001 pelo Jonh W. Bush para galvanizar a economia (o Junior conseguiu foi galvanizar o défice e evaporar o supervavit deixado pelo Clinton, esse ganda maluco).
Buffett lembrou, no texto "parem de mimar os super-ricos", que pagou 17.4% em impostos (ainda assim, 7 milhões de dólares) no ano passado, e os seus empregados entre 33 e 41%.
Em 2006, o investidor (é isso que faz, compra e vende) filantropo - vai doando grande parte da fortuna e legou 87% da herança a instituições/fundações - escreveu
"há guerra de classes, com certeza, mas é a minha classe, a classe rica, que está a fazer a guerra, e estamos a ganhá-la".
No ano seguinte, lembrou os 'colegas' que, se tinham "a sorte de pertencer à fina camada de 1% dos mais ricos à face da terra, devem-no aos outros 99% da humanidade". Nem mais.

A propósito, diz-vos alguma coisa os seguintes nomes, Bernard Arnault (França), Larry Ellison (EUA), Lakshmi Mittal (Índia), Amancio Ortega (Espanha), Eike Batista (Brasil), Mukesh Ambani (Índia), Christy Walton (EUA), Li Ka-shing (Hong Kong), Karl Albrecht (Alemanha), Stefan Persson (Suécia), Vladimir Lisin (Rússia) e Liliane Bettencourt (França)? Tirando a última, cuja filha a quer dar como doida por esbaratar a guita, os ilustres desconhecidos são os números 4 a 15 da lista Forbes.
Devo dizer que só reconheci o George Soros (46º), o gajo do facebook (52º) e o Abramovich (53º) nos cem mais ricos.

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

VERGONHA É ROUBAR


Há uns dias, assaltaram a casa da Amy Winehouse e roubaram umas letras inéditas e umas guitarras. A jornalista adjectivou a notícia: vergonhoso.
Soube agora que o cemitério da minha terra já não tem coveiro-barra-guarda, e depenaram a campa do avô duma amiga: parece que levaram uns obuses, umas correntes, umas espadas e um capacete de bronze (deve ter dado trabalho) que ornamentavam a campa do herói de guerra, uma homenagem da terra.
Em particular no primeiro caso, é possível dizer que roubar é feio e errado, ponto parágrafo, e ao mesmo tempo achar que é menos grave roubar a casa dum morto rico que a de um vivo necessitado?

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

A MÃE É QUE SABE... POR ENQUANTO


Ó MÃE, DÁ-ME A TUA OPINIÃO:
EU GOSTO MAIS DE ISCAS OU DE PERÚ?

Ouvi isto há dias, da boca duma menina de 9 anos. Haverá confiança maior?
Pena que seja provisório, presumo que daqui a uns 5 anos a palavra de mãe não tenha (a mesma) sabedoria.

AVEIRO DE ARTE NOVA

Resolvi ir a Aveiro ver azulejos de arte nova (produzidos entre 1900 a 1920), em exposição no Museu da Cidade de Aveiro. Não vi: fui parar ao Museu de Aveiro, e só depois de pagar as entradas descobri que havia dois museus com o mesmo nome.
Depois dessa visita, lá encontrámos o dito (passáramos à porta), mas não pudemos entrar: de acordo com a menina do posto de turismo, "eles têm uns horários suis generis, fecham quando querem".
Foi o dia do "não vi em Aveiro", porque o Museu Arte Nova ou Casa Major (Mário Belmonte) Pessoa, com frente para o rossio e traseiras para a praça do mercado, só abre com marcação... Viva o turismo português.
Mas vá, a câmara comprou essa casa degradada em 2004 e recuperou-a para o público - a pedido!
De qualquer forma, ia desconfiado que a auto-denominação de capital da arte nova era presunção da terra, mas encontram-se, aqui e ali, alguns exemplos do estilo. 
É só passear pelas ruas.  

Museu da Cidade de Aveiro e Posto de Turismo



Casa Major Pessoa
arqu. Silva Rocha e Ernesto Korrodi, 1904-09
adquirida degradada pela CMA em 2004



traseiras






e outras coisas