...e depois, com bigodes de leite, pedem mais paciência e esforço ao povo, que a "vaca 'tá seca".

quinta-feira, 5 de maio de 2011

ELE LÁ SABE


AS DECISÕES TOMADAS SEM UMA
PRÉ-DELIBERAÇÃO CONSCIENTE
REVEL(AR)AM-SE DE LONGE
MAIS ACERTADAS.

António Damásio, Neurocientista
Professor no Salk Institute e na Univ. of Southern California
Director do Brain and Creativity Institute
Autor do "Erro de Descartes", entre outros
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quarta-feira, 4 de maio de 2011

BEM-ME-QUER, MAL-ME-QUER


78.000.000.000€
a juros com (taxa variável) durante 3 anos*

Foi revelado hoje, mais que o programa eleitoral do PS, PSD e CDS, um verdadeiro, minucioso e calendarizado PROGRAMA DE GOVERNO imposto ao "nosso" Protectorado e a ser vigiado de perto pelo FMI e pela UE, não vá o menino fazer m...
Passámos pois a ter tutores, a quem o governo tem que prestar contas quase trimestralmente e pedir autorização quando quiser efectuar algum aumento sensível da despesa, como o aumento do salário mínimo - assim ficou combinado.

Que mais se negociou (lol) e aparece no Memorando de 34 páginas assinado a 3 de Maio, às 13:40?
* Congelamento de salários e pensões (excepto as mais pequenas) até 2013
* Introdução de imposto nas pensões acima dos 1500€ mensais (este parece o nosso número cabalístico, a partir do qual se é considerado abastado - afinal, pouco acima do salário mínimo francês ou irlandês)
* Redução do subsídio de desemprego para 18 meses (mas o mínimo para aceder ao subsídio desce de 15 para 12 meses) e um limite de 1048.05€ mensais - sem perda de direitos adquiridos; positivo, os trabalhadores independentes passam a ter direito ao subsídio d desemprego
* Melhoria da mobilidade laboral (é cínico pensar que isso quer dizer despedimentos mais baratos?), mais fácil despedimento por inadaptação, redução da indemnização para 20 dias/ano - metade paga pelo patrão, metade pelo trabalhador (?)

* Redução da taxa social única, alterações do IVA (incluindo a subida de 6 para 23% no gás e luz), cortes duradouros na despesa, aumento de impostos que não afectem a competitividade
* Aproximação entre os sistemas contributivos das ilhas e do continente (redução de 30% para 20%)
* Redução do IMT, aumento do IMI, ISV e imposto sobre  o tabaco, criação dum imposto especial sobre a electricidade
* Redução das deduções com saúde e seguros privados (em 66%), educação e habitação
* Congelamento/eliminação de isenções, benefícios e incentivos fiscais, limite à dedução de perdas
* Tomada de medidas "concretas" no combate à fraude e evasão fiscais, e mudança da legislação com vista a reforçar a auditoria fiscal e a capacidade do fisco actuar em todo o território, incluindo as zonas isentas (estarão a pensar na zona franca da Madeira?); unificação de serviços do ministério das finanças (ao detalhe a que chegaram, parece que é competência do parlamento)
* Criação duma equipa de juízes para despachar processos fiscais acima de 1M€
* Suspensão de novas PPP, reavaliação das 20 mais importantes em vigor, aumento da sua monitorização e melhoria dos relatórios (transparência?)
* Disponibilização de 12.000M€ (parte do empréstimo total) para a banca, mas quem aceitar é obrigado a uma reestruturação
* Aceleração da venda do BPN até Julho, a qualquer preço

* Redução de serviços públicos
* Redução anual de 1 e 2% de trabalhadores, respectivamente na administração central e na administração regional/local (7000 trabalhadores/ano); redução de 15% dos dirigentes da administração central e organismos públicos até Dezembro, e da administração local até Junho de 2012
* Limite nas transferências para os governos regionais, autarquias e empresas públicas
* Nas empresas públicas, redução de 15% dos custos operacionais relativamente a 2009, e de 5% dos custos variáveis (cartão de crédito, por exemplo) até 2014
* Fecho de 20% das repartições fiscais e aumento dos auditores para 30% do pessoal, através da recolocação de trabalhadores, até ao final de 2012
* Fortalecimento da informação de terceiros par apoiar a auditoria a contribuintes (morreu o sigilo bancário)
* Redução dos 308 municípios e 4259 juntas de freguesia, antes das próximas eleições autárquicas (a medida mais explosiva - ninguém quer prescindir do seu concelho, jamais um cartaxense aceita ser scalabitano, por exemplo)
* Até Dezembro deste ano, publicação dum levantamento de todas as entidades públicas, incluindo associações, fundações e outros organismos em todos os níveis da administração pública, que permitirá ao Governo decidir quais deverá encerrar ou manter; até Julho de 2012, legislação que regulamente estas entidades

* Racionalização do currículo e rede escolar (mega-agrupamentos), autonomia das escolas com prestação de contas, podendo os resultados escolares ser um dos critérios de desempenho, redução de pessoal, centralização de compras, corte no financiamento de escolas privadas com contratos de associação - poupança estimada de 195M€ em 2012 e 175M€ em 2013
* Aumento tas taxas moderadoras da saúde e eliminação de isenções
* Poupança de 550M€ na saúde: redução de 50% da comparticipação orçamental no ADSE e sub-sistemas, corte de 20% nas convenções com privados, redução em 33% com custos em transporte de doentes, definição pelos hospitais dum "calendário vinculativo e ambicioso" para liquidar todos os pagamentos em atraso, racionalização da rede hospitalar com redução de quadros (corte de 100M€ em 2011, 100€ em 2012 e mais 5% em 2013), redução na despesa com medicamentos (de 1.5 para 1% do PIB, até ao fim de 2013), redução em 20% das horas extraordinárias até 31.12.2013 através de horários flexíveis, critérios transparentes de selecção de gestores e administradores
* Privatização até Dezembro da REN, EDP, das seguradoras da CGD e, se houver condições, da TAP; privatização da CPcarga e linhas suburbanas da CP, empresa que deve ganhar "independência total" (preços livres?)
* Eliminação das golden shares, como a da EDP e PT

* Defesa: proibição de novas despesas e corte de 10% de pessoal até 2014
* Justiça: resolução em 2 anos do problema da pendência dos processos em tribunal, a começar com uma auditoria até Junho e um roteiro da reforma até Setembro; racionalização de custos, reestruturação de tribunais e aceleração do novo mapa judiciário; novo sistema de gestão em 2 tribunais-piloto; mobilidade especial dos oficiais de justiça; agilização de despejos de 18 para 3 meses; fusão de pequenas execuções de dívida e cobrança de custos adicionais a devedores pouco cooperantes, reforço do número de agentes de execução e melhoria da resolução alternativa de litígios, para libertar juízes e tribunais  (só falta reduzir as hipergarantias jurídicas que fazem perpetuar, até à prescrição, processos de quem pode pagar).

Curto e grosso, detalhado e conhecedor, doloroso e, esperemos, eficaz. E aparentemente preocupado com o crescimento e a competitividade, escaldada que a troika está com os casos da Grécia e da Irlanda.
Cumprir este programa (na prática, um cronograma) será tão difícil como caminhar sobre brasas ou, pior, lâminas de barbear.
Efeitos colaterais assumidos pela troika, recessão nos próximos 2 anos e subida da taxa de desemprego até 13% no final de 2013. O governo que vier vai penar, mas está espaldado em cada apertão - a culpa é do FMI!!! O País vai penar, os portugueses vão empobrecer e a classe média será uma ficção. Vai ser uma festa para os "Homens da Luta".

* o FMI vai cobrar juros de 3.25% nos 3 primeiros anos, subindo depois para 4.25% (mas é variável), a UE vai aplicar uma fórmula, mas ainda precisa saber que juros vão pagar quem se financiar para nos emprestar o dinheiro (a bem dizer, intermediários); o volume do empréstimo é menor que os da Grécia (110mM€) e da Irlanda (85mM€)
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PUAAARTO (I) - LIVRARIA LELLO

Eu nem sou pessoa para puxar pelos galões da cidade do Porto, e por duas razões: sou um sulista infiltrado, e até acho que o granito, para mais sujo, não favorece uma urbe com pouca luminosidade. Mas o Porto tem várias encantos.
Um deles, perto dos Clérigos (Rua das Carmelitas, 144), é a livraria Lello e Irmão, considerada a terceira melhor livraria do Mundo para 2011, pela editora australiana Lonely Planet, e a terceira mais bela do mundo, pelo The Guardian.
No local da antiga livraria Chardron, o edifício com fachada Arte Nova mesclada de neogótica (dizem), da autoria dum engenheiro com a graça de Francisco Xavier Esteves, foi inaugurado a 13 de Janeiro de 1906, com grande pompa (visita guiada, discursos, beberete com champanhe, a presença de muitos notáveis, como Afonso Costa, Guerra Junqueiro, Júlio Brandão e Aurélio Paz dos Reis, telegramas de felicitações de teófilo de Braga, bernardino machado, Júlio de Matos, ...) e a cobertura de jornais portugueses e brasileiros.
Embora pequena, está cheia de pormenores, como a peculiar escadaria de madeira, as prateleiras e o vitral no tecto com o lema dedicação no trabalho.
Apareçam.



"Em estilo neogótico, um amplo arco abatido, cuja entrada se divide numa porta central, ladeada por duas montras que constituem os verdadeiros expositores públicos da Livraria. Sobre este arco, há uma janela tripla, fechada na platibanda e separada das pilastras, as quais são encimadas por coruchéus originais. Dos lados da janela, destacam-se duas figuras pintadas, da autoria de José Bielman, simbolizando uma a Arte e a outra a Ciência. O resto da fachada completa-se com ornamentação fitográfica e com o nome da livraria. De realçar o rendilhado que encima o edifício, todo ele um autêntico monumento artístico que já mereceu classificação de património nacional."




"Nos pilares, à esquerda e à direita, distinguem-se os bustos de ilustres homens de letras: Eça de Queiroz, Camilo Castelo Branco, Antero de Quental, Tomás Ribeiro, Teófilo Braga e Guerra Junqueiro. Obra do escultor e distinto artista Romão júnior, estão cobertos por baldaquinos, rendühados em estilo gótico. O tecto, lavrado, resguarda no centro uma luminosidade diáfana que provém do amplo vitral em que se desenha o ex-libris de Lello & Irmão, Lda, com a conhecida divisa Decus in Labore. Como escreveu um afamado jornalista do princípio do século, a riqueza de tons do grande vitral, o recorte gracioso das janelas, a balaustrada da galeria e os grandes candelabros situados nos ângulos que demarcam esse espaço, as linhas das ogivas que se entrelaçam no tecto sob os florões e que vêm morrer nas nervuras que correm pelos pilares até às mísulas, deixam o visitante deslumbrado."




Na inauguração, "os presentes deixaram consignadas no Livro de Ouro da Livraria as suas impressões e votos de futuro sucesso para a Casa Lello. Abel Botelho, por exemplo, deixou assim registado o seu testemunho: ...erigir um tão formoso templo ao divino culto da Emoção e da Ideia, é um grande acto de benemerência, e que, pelos seus largos e fecundos resultados, há-de ligar perduravelmente os nomes de LELLO & IRMÃO ao reconhecimento nacional."




Um dos três actuais proprietários é herdeiro dos fundadores.
Os excertos foram pescados em www.portoxxi.com/cultura

segunda-feira, 2 de maio de 2011

A MINHA VIDA NÃO É ISTO (parte 3)


Há uma expressão em Latim, ego sum ignavus, própria para pessoas como eu e o meu cunhado, significa eu sou preguiçoso. Quer dizer, não é bem isso, ambos partilhamos a crença que o desporto faz mal, aleija e, nalguns casos, chega a matar. O nosso único exercício é espiritual, os 2 quietinhos a dizer mal (há tanto por onde pegar), como os velhos dos marretas.
Ora, costumamos fazer a festa de anos da "minha mai' velha" em casa e, para distrair 20 e tal crianças, eu e ele participamos numa partida (anual) de futebol com os gaiatos. Ontem repetimos a graça, e esquecemos a regra "dos 5 metros de cada vez" que evita a dolorosa produção de ácido láctico em atletas como nós.
Conclusão, eu hoje andava a arrastar-me no trabalho, e expliquei a razão a um colega (que comete a suicida irresponsabilidade de fazer passeios de bicicleta de 80 km...). "Tá ver a ver que faz bem", disse-me ele, eu respondi "Bem? Faz é mal, doem-me as pernas".
À noite, disse à minha mais-que-tudo que queria telefonar ao meu companheiro de infortúnio, para saber como ele tinha passado. "Já falei com eles. O rapaz estava na cama, 'tá todo empenado".
Agora, só daqui a um ano. Se o Grande Arquitecto nos der saúde.
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sábado, 30 de abril de 2011

É A POLÍTICA, ESTÚPIDO

File:Yalta summit 1945 with Churchill, Roosevelt, Stalin.jpg
cimeira de Yalta, 1945

HE'S A BASTARD, BUT HE'S OUR BASTARD

Esta frase do presidente democrata Franklin Delano Roosevelt, quando o seu Secretário de Estado Sumner Welles criticou o ditador Somoza, é bem ilustrativa da política: defendemos os nossos, mesmo que estejam errados, ou sejam uns safados. Bem tribal. Bem actual.

Eu prefiro outras frases dele menos cínicas:
"Peço-vos que me avaliem pelos inimigos que eu fiz"
"Repetições não transformam a mentira em verdade"
"Um radical é um homem com os pés firmemente plantados no ar"
"Não é suficiente querer, deves perguntar-te o que estás a fazer para teres o que queres"

O seu tio, o presidente conservador Theodore (Teddy) Roosevelt, também inventou umas boas:
"Eu não me importo com o que os outros pensam sobre o que eu faço, mas eu me importo muito com o que eu penso sobre o que eu faço. Isso é caráter."
"Quando se faz a chamada no Senado, os senadores não sabem se devem dizer presente ou inocente"
"Mantém os olhos nas estrelas e os pés na terra"
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sexta-feira, 29 de abril de 2011

À GRANDE E À INGLESA

Hoje casaram-se os Duques de Cambridge, a Catarina Isabel e o Guilherme Artur Filipe Luís.
Antes da boda, já estávamos todos(?) fartos do conto de fadas - eu cá fiz um slalom pelos canais de TV, tentando escapar ao circo. Mas, no fim de contas, não há neste planeta uma família mais glamorosa que a real inglesa. Os brits, na pompa, dão uma CHAPELADA.
Mesmo quando o gosto é duvidoso, como na real corrida de cavalos de Ascot, onde existe um exigente dress code sobre o tipo de vestuário (ombros à mostra não, por exemplo), mas o absurdo é permitido.





























ÉTICA REPUBLICANA

"A política não fora feita para idealistas e poetas, como ele."
Augusto de Castro 

MANUEL José DE ARRIAGA Brum da Silveira e Peyrelongue (1840-1917) foi o primeiro presidente da república portuguesa, faz 100 anos a 24 de Agosto. Devia servir de exemplo, mas parece que não.

Primeiro, tinha uma história antes de ser escolhido para o lugar: advogado, poeta, escritor, professor liceal, um patrício açoriano (descendente dum povoador inicial da ilha do faial). Começou a trabalhar cedo - ele e o irmão foram deserdados e proibidos de regressar à casa paterna por terem "manias" republicanas, e teve que se fazer à vida para pagar a conta dos dois.
Um dos principais ideólogos da república, não partilhava o anticlericanismo e o jacobinismo que toldou tantos outros. Em 1892, à terceira (foi derrotado em 1978 e 1881),  tornou-se o 2º deputado republicano, por desistência dos partidos do rotativismo. Foi o que se chama um candidato pára-quedista, pois entrou pelo círculo da Madeira, mas empenhou-se na defesa dos seus eleitores ilhéus. Ah, enquanto deputado, prescindiu do salário de professor, que podia acumular. Foi ainda vereador em Lisboa.
A República começou agitada para si: nomeado Reitor da UC em Outubro e procurador-geral em Novembro, foi eleito no Agosto seguinte. No discurso, afirmou-se "depositário da simpática missão de chamar à conciliação, à paz, à ordem, à harmonia social a família portuguesa", mas não conseguiu: o mandato foi afectado por vários governos, agitações sociais, a perseguição da igreja, as incursões monárquicas de Paiva Couceiro e a fragmentação do partido republicano. Em 1915 foi obrigado a demitir-se, por ter patrocinado um governo que veio a amnistiar Couceiro e a decretar a ditadura (Afonso Costa fez-lhe a folha, vá), não sem antes ser considerado fora-da-lei pelo parlamento. E foi à sua vida.

Até aqui tudo normal, não é?
No mesmo discurso de posse, diz-se que disse "estou aqui para servir o país, seria incapaz de alguma vez me servir dele". Pois o presidente Arriaga tinha uma função, não ocupava um cargo, com as respectivas regalias: andava de eléctrico, mobilou à sua conta a casa arrendada (depois mudou-se para um anexo do Palácio de Belém, que se diz que também recheou), não tinha secretário, nem protocolo, nem Conselho de Estado. Algém sugeriu que precisava dum carro para as deslocações, adivinhem quem pagou? Claro, o próprio Arriaga.
Não há disto agora, pois não?
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terça-feira, 26 de abril de 2011

NO JOBS FOR THE BOYS



O rotativismo faz-me lembrar esta cena de O Pai Tirano, em que os clientes se resignam:
- O que é que te apetece?
- Sei lá, talvez prosperidade.
- Então vamos nisso.
- Prosperidade não temos.
- Então dê-nos o PSD.
...
- Agora, o que é que vai a seguir?
- Agora ia um interesse nacional.
- Vamos nisso. Traga-nos um interesse nacional, bem quentinho.
- Interesse nacional não temos.
- Então, dê-nos o PS.
...
- Não queres mais nada?
- Não, só se forem contas em ordem.
- Vamos nisso. Ó Sô Silva, agora queremos umas contas em ordem.
- Sim, Senhor.
(E põe em cima da mesa o bloco central)

Agora a sério, eu também não acho que o PSD e o PS sejam iguais, têm é defeitos parecidos.
Ora, Passos admitiu ontem que o PSD não sacode a água do capote e também contribuiu no passado para a "colonização do Estado", prometendo que desta vez não vai "enxamear a administração pública" de quadros do partido, nem criar uma "administração paralela" nos gabinetes governativos.
Gostava mesmo que fosse verdade, mas há uns 15 anos ouvimos Guterres a prometer o mesmo, ficando célebre a expressão 'no jobs for the boys'.
Com resultados fantásticos.
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PORREIRO, PÁ.
Sócrates abraça Durão Barroso, aprovação do Tratado de Lisboa


FOLEIRO, PÁ.
José Lello critica Cavaco, por não convidar os deputados para os discursos do 25/4 em Belém, no seu facebook (lesto, já disse que a mensagem devia ter sido privada e que houve uma arreliadora deficiência tecnológica)

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V DE VITÓRIA



A história dos dois dedos esticados em V, que se usa nos comícios e nas vitórias da política, é curiosa.
Fazem ideia?

Voltemos vários séculos atrás, até aos tempos de Joana d'Arc, aquela alucinada moça da Guerra dos 100 anos (1337-1453).
Havia séculos que os reis ingleses eram donos de parte da França e prestavam vassalagem aos mais poderosos reis franceses, mas eram insurrectos. A Batalha de Agincourt (1415) é uma das mais conhecidas - pelo menos pelos ingleses, que a venceram, contra um exército muito maior... e cheio de soberba, tipo com-o-rei-na-barriga. Aí mataram ou capturaram meia corte de França, foi uma espécie de alcácer-quibir.
O trunfo ilhéu foi a sua ala de arqueiros, que venceu pelas primeiras vezes a cavalaria-pesada gaulesa, e pesada à conta de dezenas de quilos das armaduras de cavaleiros e corcéis (a talhe de foice, a táctica do quadrado de Álvares Pereira já tinha sido então experimentada).

Porquê o intróito? Data dessas batalhas o V de vitória, quando os arqueiros, para picar os adversários, mostravam de longe os dois dedos esticados, usados no arco para atirar as setas longas:
- Olha, ainda tenho os dedos, toma-toma!
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segunda-feira, 25 de abril de 2011

FOTO DE FAMÍLIA


"Precisamos de políticos com voz própria, pensamento novo e autoridade moral.(...)
Sabemos que temos partidos fechados com poucas ideias e pouco debate; que há, muito mais do que seria desejável, políticos que não estão à altura das responsabilidades, mas sabemos também que muitos cidadãos pouco fazem para alterar esse estado de coisas, preferindo o comodismo do alheamento, da indiferença ou da má-língua inconsequente.(...)
É tempo de mudarmos todos de atitude a nível nacional, com mais vontade e menos voluntarismo e evitando a bipolaridade que se tem verificado em Portugal. E ficamos frequentemente felizes com o acessório. É hora de assumirmos todos as nossas responsabilidades na sociedade.(...)
Há desafios e incertezas e a hora exige tudo de todos nós, porque os que fizeram o 25 de Abril merecem a nossa gratidão.(...)
A actual situação criou a abstenção e a descrença nas instituições, a desconfiança nos políticos.(...)
São provas difíceis que todos viveram, embora em épocas diversas. Deve mover-nos a resolução dos problemas.(...)
Não nos podemos deixar desgastar nos problemas, porque os principais problemas têm sido exactamente a falta de sustentabilidade. Portugal enfrenta dificuldades, mas não podemos entrar nesta espécie de persistência nas dificuldades.(...)
Precisamos de privilegiar o interesse geral, de um Estado prestigiado e de uma economia que esteja ao serviço de todos os homens. O 25 de Abril deve fazer convergir para um futuro de esperança e de energia através dos novos talentos. Devemos dar aos sacrifícios um sentido colectivo e patriótico, para que as gerações futuras olhem para nós como alguém que tentou corrigir os erros."

Estas palavras assertivas são parte do discurso de Jorge Sampaio, tão cristalino como herméticos eram os seus discursos enquanto PR. Foi boa a ideia de juntar os 4 presidentes da democracia, se calhar sem bis, nos jardins do palácio de Belém: 4 discursos naturalmente distintos, mas focados todos na dificuldade presente, na responsabilidade de cada um, na necessidade de acordo e unidade (não unanimismo), na esperança no futuro. Foi diferente, para melhor, que a cerimónia geriátrica da assembleia.
Foi bonita a festa, diria Chico Buarque.
Porreiro, pá, diria Sócrates.