...e depois, com bigodes de leite, pedem mais paciência e esforço ao povo, que a "vaca 'tá seca".

quarta-feira, 20 de abril de 2011

INIMPUTÁVEIS?


Principalmente agora que andam aí uns senhores a vasculhar a casa, onde se gasta o que não se tem, devíamos ter um bocadinho de vergonha. 
Primeiro foi a festança da CRIL: é coisa pouca, mas os 50, 100 mil euros que se gasta em cada inauguração deviam ser evitados. Claro que não se dispensa o "foguetório" a 6 semanas de eleições, mas podiam imputar a conta ao Largo do Rato, na rubrica acção de campanha.
Mas a náusea veio depois: o governo decretou tolerância de ponto para amanhã à tarde. Como é que se explica aos auditores do FMI-UE que um governo insolvente dê uma borla antes de 4-quatro-4 dias de fim-de-semana prolongado????

Aliás, quem nos conduziu aqui - gastando à tripa forra o que não havia (i.e. pondo na conta) em siglas como SCUT, BPN, TGV, PPP, derrapagens nas AE, e até com o Figo -  devia ser castigado.
Não sendo possível a condenação judicial por gestão danosa, eu propunha olharmos para o exemplo da revolução cultural chinesa: o encarceramento dos responsáveis em centros de reeducação.
Para aprenderem.

terça-feira, 19 de abril de 2011

HOUVE BACALHAU À MOISÉS DO PIPO

A última janta

A última ceia foi no dia das mentiras. Imaginam a quantidade de piadas que se podiam inventar sobre isso? "Ó Tiago, 'tão uns romanos à porta para levar Jesus? Esses romanos são uns foliões, com as partidas a cada Aprilis. Passa mas é daí o Cesareia de 29."

Num estudo publicado esta semana, Colin Humphreys, professor da Universidade de Cambridge, assegura que a última refeição que Jesus partilhou com os seus 12 apóstolos aconteceu um dia antes daquilo que se pensa.
Colin Humphreys explica que os Evangelhos de Mateus, Marcos e Lucas usaram um calendário mais antigo do que o de João, causando discrepâncias sobre a data da refeição. O académico explicou à BBC que enquanto Mateus, Marcos e Lucas dizem que a Última Ceia foi uma refeição pascoal, João afirma que aconteceu antes da Páscoa judaica.
Mateus, Marcos e Lucas terão usado um calendário antiquado - adaptado do que era utilizado no Egipto nos tempos de Moisés - em vez do calendário lunar que era largamente adoptado pelos judeus na época.

“Jesus não pode ter sido preso, interrogado e julgado em apenas uma noite. Os especialistas e os cristãos acreditam que a última ceia começou depois do pôr do sol de quinta-feira, e a crucificação foi realizada no dia seguinte de manhã. O processo de julgamento de Jesus aconteceu em várias áreas de Jerusalém e os investigadores já percorreram a cidade com um cronómetro para perceber como as coisas terão acontecido e a maioria concluiu que era impossível tudo acontecer em tão pouco tempo”, explicou o professor.
Analisando e confrontando os dois, Colin Humphreys concluiu que a Última Ceia, aconteceu na verdade, na quarta-feira, dia 1 de Abril, do ano 33.
Público, 19.4.2011
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(R)EVOLUÇÃO

inimigo público

"O MODELO CUBANO JÁ NEM PARA NÓS FUNCIONA"
Fidel à revista "The Atlantic Monthly", 09.2010
"OU RECTIFICAMOS OU ACABOU-SE O TEMPO DE CONTINUAR A BORDEAR O PRECIPÍCIO, AFUNDAMO-NOS"
"TEMOS QUE EXPATRIAR O IMOBILISMO FUNDAMENTADO EM DOGMAS E PALAVRAS DE ORDEM VAZIAS"
Raul Castro, 04.2011

Decorre mais um congresso do partido comunista cubano (apenas o VI), retoricamente marcado sobre o 50º aniversário do falhado desembarque americano na baía dos porcos.
Primeira novidade: a assumpção formal do falhanço do modelo comunista, já desnudado com a "expulsão", para um sector privado embrionário, de meio milhão de funcionários públicos (era para ser o dobro, mas andam muitas revoltas populares por aí...).
Segunda novidade: os cargos electivos vão ter, a partir de agora, um máximo de 2 mandatos... de 5 anos. Prazo bem escolhido, pois o caçula Castro já está a ficar entradote: faz 80 em Junho, mais 10 anos... é fazer as contas.
Aliás, este afirmou que este congresso talvez seja o último onde estão presentes testemunhas da revolução de 1959.
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segunda-feira, 18 de abril de 2011

NÃO PAGAMOS?

geração rasca, luta anti-propinas, 1991-93

A esquerda da esquerda recusa sentar-se à mesa com a troika de senhores que nos vai emprestar dinheiro a juros inferiores aos que conseguimos no mercado, e anda p'aí com umas ideias sobre o pagamento da dívida. Esses MITOS URBANOS são simpáticos e tal, mas não é por isso que deixam de ser mitos.
Comecemos pelo PCP: não queremos o FMI, impõe-se é uma renegociação da dívida! A Grécia anda há vários meses a tentar sem sucesso renegociar a dívida com os credores, e apenas conseguiu a diminuição dos juros a pagar aos seus pares europeus - depois de mais medidas inspiradas no seu legislador Drácon. Portugal também não tem força negocial para escolher juros e prazos de pagamentos - em qualquer negócio, decide quem está menos necessitado -, mas pode declarar bancarrota e ficar sem acesso a crédito, isso pode.
Agora o BE, inflamado com o exemplo viking: a solução é fazer como os islandeses e não pagar a dívida! Ora bem, a Islândia não deixou de pagar a dívida pública, o que o povo decidiu foi não pagar o dinheiro que aforradores estrangeiros (principalmente 5000M€, de 400.000 ingleses e holandeses) tinham nos bancos nacionais falidos, que o Estado "nacionalizou" - deixou de aceder aos "mercados" e vive de empréstimos bilaterais, como a China e a Polónia, e do FMI. Ora, não há cá "emprestadados", pessoa honrada paga o que deve, o que pediu e gastou; mas admitamos, em tese, que não pagávamos - quem nos emprestaria, a partir desse dia, um cêntimo, uma piastra ou um kuanza?
É que o problema é que, não só estamos estrangulados em (juros de) dívida, como continuamos a precisar que alguém (esses agiotas!!!!*) nos empreste dinheiro quase semanalmente. Nós é que estamos precisados do dinheiro dos outros, como de pão para a boca.

* A culpa não é dos tesos, é destes filhos do Demo, como eram apelidados os judeus prestamistas do séc. XIV, não é?
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domingo, 17 de abril de 2011



"Só espero não ter de pagar esse jantar
quando voltar para a Finlândia"

Turista finlandês, dirigindo-se à mesa de Alberto J. Jardim
e P. Passos Coelho, num restaurante madeirense
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sexta-feira, 15 de abril de 2011

PÕE-TE DIREITO

Chama-se Art Nouveau e tem uma particularidade, odeia rectas.
É, no mínimo, muito trabalhosa.














 Gustav Klimt
Gustav Klimt, O beijo

e Gaudi. 



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quinta-feira, 14 de abril de 2011

- RECENTE


Tive hoje uma conversa engraçada (pretensão a minha!). Perguntei a uma colega que esteve em Inglaterra como se dizia mestrado em inglês.
Quis saber se me referia aos mestrados incluídos no curso (depois da bolonhesa, estragaram tudo!). "Não, é daqueles antes de Bolonha, que eu já sou antigo", disse eu na brincadeira.
De imediato respondeu, de forma sorridente, "eu sei que és antigo".
- Epááá, uma coisa é eu dizer, outra coisa és tú!, repliquei em voz de falso ralhete.
Facto: deve ser uns menos 10 anos que eu; é uma questão de perspectiva.
Facto: há coisas menos cruas quando diz o próprio, como a idade.

Telefonou à mãe e disse-me que é master. Soa a harry poter.
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HÃ???


50 juristas e economistas alemães assinaram um texto pedindo ao governo que não ajude Portugal (e quem vier a seguir) com o argumento de que podem perder a SOBERANIA FINANCEIRA.
A ver se eu entendo, quem tem que estender a mão e aceitar as regras impostas por quem empresta, somos nós.

Fernando Nobre foi o candidato da cidadania nas últimas presidenciais, apresentando-se fora do sistema. Fez muito bem.
Há 3 ou 4 semanas, vi-o na televisão assegurando que estava fora de causa assumir cargos partidários. Por estes dias aceitou ser cabeça-de-lista por Lisboa do PSD, aceitando o cargo de deputado somente se for eleito presidente da assembleia.
Onde está agora o mudar Portugal? No baby-sitting dos representantes, a repetir "sr. deputado, acabou o seu tempo"?
É assim, duma penada, que se pulveriza um capital político e de implode a esperança de muitos eleitores, mais ingénuos, os que ainda se espantam...
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quarta-feira, 13 de abril de 2011

NÃO VALE TUDO


Há dias, fui tomar café à esplanada do campo de treino de golfe perto de casa. O que não é hábito (juro!), ouvi a conversa de 3 pessoas que estavam na mesa do lado. Falavam do seu trabalho, numa empresa qualquer.
O Gaspar (único nome que retive) desabafava: "Epá, nunca conheci tanta gente canalha. Que cambada de arrivistas*!Vale tudo, mesmo bufar dos colegas, só para se promoverem junto do chefe - a sorte deles é que os outros têm escrúpulos e não lhes fazem o mesmo. Na Moita [a filial de onde veio, segundo percebi] a gente era bem melhor."
Baltazar (chamemos-lhe assim), retorquiu: "Olha, primeiro o pessoal da Moita é tão boa como a do Porto, são feitos do mesmo material - a diferença é que aqui promove-se a bufaria e premeia-se a adulação, e lá não. Segundo, a vantagem desde que chegou este chefe é que ficámos a saber com quem contar e o que cada um vale... ou não! Ficou tudo exposto."
O terceiro, Melchior (façamos de conta), foi beberricando o seu café enquanto os ouvia. Quando lhe pediram a opinião, encolheu os ombros e desabafou: "Por mim, preferia a ignorância, não ter que conhecer as avessas das pessoas e levar umas facadas nas costas; antes continuar tudo como antes, havia outra camaradagem (ainda que falsa) e amigos com a pequeno, porque não eram testados a fundo."
Vai-se a ver e este é que a sabe toda.

Moral da história: As pessoas são como as cebolas (e os ogres, como disse o Shrek): têm camadas e algumas fazem chorar quando descascadas.

* arrivista: s. 2 gén. pessoa que quer ter êxito a qualquer custo, mesmo em prejuízo de outrém; indivíduo ambicioso, sem escrúpulos; videirinho.
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terça-feira, 12 de abril de 2011


Escher, Relativity

O problema do mundo é que os estúpidos têm certezas e
os inteligentes vivem
cheios de dúvidas.
Bertrand Russel
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segunda-feira, 11 de abril de 2011

TÁ TUDO CONTROLADO!



Muhammed Saeed al-Sahaf era a sua graça, ministro da propaganda a sua função. Bagdade debaixo das bombas da coligação, e insistia que as tropas inimigas estavam longe dali.
Também cá temos disso: as contas estão controladas, não vamos recorrer ao FMI, nós é que defendemos o Estado Social, blábláblá. Até que os maus (os outros) impedem a obra do grande líder.
Ambos em fase de negação.


Epitáfio de Portugal
"ASSIM FICA MELHOR, OU FICA MELHOR ASSIM?"
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sábado, 9 de abril de 2011



Há, na parte mais ocidental da Ibéria,
um povo muito estranho:
não se governa nem se deixa governar!

Carta de um general romano (Galba?) ao imperador, séc. III a.c.
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sexta-feira, 8 de abril de 2011

MURALMENTE

O conceito de graffiti é-me pouco simpático, por razões éticas: aprecio muito o direito à propriedade, cada um pinta o que é seu. Porém, há graffiti bem esgalhado.
Tão bem esgalhado que começa a entrar no mercado da Arte, com direito a leilões e exposições em galerias ou museus, como a Tate Modern de Londres. Se a memória não me atraiçoa, foi há pouco vendido um mural por 1 milhão de dólares - tudo por um vandalismo alheio! Estou a brincar, as cidades podiam criar espaços para isso, se forem bem enquadrados.
Bem, parece que agora existe um criador em voga que, para aumentar a curiosidade, de nome Banksy.
Escolhi 7 "obras" suas e, como um potpourri, juntei-lhe 5 murais vintage, datados e já com valor histórico, e 2 trabalhos dum género diferente, mais complexo, para conseguir profundidade.

I






eta provocação

II
nunca pensei dizê-lo com esta idade, mas é o mais giro




III

A LEI MENDONÇA


Nos tempos da ministra Leonor Beleza, deu brado uma lei que tinha uma vírgula fora do sítio, deturpando "inadvertidamente" a legislação a favor de alguns. A história que me contaram hoje é dessa altura, e ficou conhecida por Lei Mendonça.
Um senhor, responsável pela elaboração de processos para pagamento de indemnizações, reparou que o colega estava a usar valores desactualizados: "Olha, o valor das indemnizações desceu, estás a usar números errados nas contas", informou. 
O outro sorriu e respondeu: "Tenho aqui na pilha um processo do Mendonça, vais ver que o valor antigo [mais alto] vai ser reposto."
O primeiro não acreditou. Teve por isso, dias depois, que refazer os cálculos de todos os processos que tinha em mão, porque a nova tabela foi suspensa durante algum tempo (o "necessário"), pagando temporariamente indeminizações mais vultuosas.
Agora tem piada, mas imaginam-se a viver numa altura assim, em que as leis eram feitas ad hominem? O que vale é que, passados 20 anos, estamos mais civilizados e as coisas não se passam assim..

P.s.: Conheci um Mendonça, não sei se o mesmo, muito poderoso: mãos calejadas, pele tisnada, cabelo puxado para trás com brilhantina, sobretudo pelos ombros e fato às riscas com mau corte, acompanhante um pouco atrás.
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quinta-feira, 7 de abril de 2011


A justiça portuguesa não é apenas cega. É surda, muda, coxa e marreca.
Os portugueses, na sua infinita e pacata desordem existencial, acham tudo "normal" e encolhem os ombros.
Clara Ferreira Alves, Expresso
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quarta-feira, 6 de abril de 2011

DE BOAS INTENÇÕES ESTÁ O INFERNO CHEIO


Passos Coelho prometeu ontem que, quando for PM, todas as nomeações serão publicadas na internet, em favor da transparência. Eu acredito que ele acredita no que está a dizer, acho é que, quando lá chegar, muito boas promessas vão ficar pelo caminho.
Mas quem sou eu para atirar pedras a telhados alheios?

A minha única experiência electiva foi em 1987-88. Cheguei ao café (Classic) e uns amigos disseram: estivemos a falar e resolvemos candidatarmo-nos à associação de estudantes, queríamos que fosses o presidente. Consciente do meu défice de popularidade, achei melhor ficar como vice, e propus a minha irmã (finalista) para cabeça-de-lista. 
A eleição foi parecida com o duelo Soares-Freitas dois anos antes: passámos "à rasquinha" à segunda-volta, mas batemos a lista K no photo-finish. Lembro-me pouco da "nossa" gestão - tenho ideia que o nosso gabinete ficava por baixo dumas escadas -, mas que saí uns meses depois.
É certo que, para a vitória, talvez tenha tido influência o facto da lista concorrente ter candidatos e a base de apoio nas freguesias rurais, ou o facto da lista B, derrotada na primeira volta - entre muitas lágrimas e enquanto se arrumavam os boletins - ter declarado o seu apoio ao nosso 'projecto'. Tudo bem.
Mas o trunfo da campanha foi a promessa de trazermos os Xutos & Pontapés (ainda em fase de crescimento) à escola. Mas nós acreditávamos que era possível, bastava arranjarmos uns, sei lá, cem contos!
Não sei se chegámos a saber o valor certo do cachet, mas a legislatura passou tão depressa...
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FONTE DA JUVENTUDE

Lucas Cranach, A Fonte da Juventude

Ronald DePinho, novaiorquino, vinha todos os anos passar férias a Portugal, até aos seus 13-14 anos, "ver mais castelos do que imaginaava existirem". O que mais lhe metia medo na terra dos seus pais eram as mulheres todas vestidas de preto. Ele e a irmã ficavam tão fascinados com a vida rural dos seus avós, como estes com as suas vidas na América.
Ronald não quis seguir o negócio de cimentos do Sr. Pinho, queria ajudar as pessoas. Licenciou-se em Medicina e dedicou-se à investigação em Harvard. Acorda todos os dias às 4 horas e trabalha outras 4 até sair de casa. A sua leitura de cabeceira são revistas... científicas.

Qual o seu interesse? Com a idade (e a cada divisão duma célula em duas), vai encolhendo o telómero, uma capa protectora existente nas pontas de cada cromossoma; com a idade, vai diminuindo até cessar a produção da telomerase, uma enzima que reconstrói os telómeros. DePinho usou ratos geneticamente modificados (com a enzima desactivada, tornando os animais precocemente envelhecidos) para estudar o envelhecimento. A equipa pretendia, com a administração da telomerase, travar o envelhecimento dos ratinhos mas, surpresa, estes ficaram mais novos, com aumento do tamanho do cérebro, pelagem mais brilhante e outra agilidade.
Ainda há muito a aprender - não se sabe o que acontece em animais não modificados geneticamente, o telómero é maior nos cromossomas de células cancerígenas (o cancro pode ser um efeito secundário) e o oxigénio continua a ser a principal causa do envelhecimento tissular.
Mas o futuro começa sempre com pequenas descobertas. Será que daqui a 30 anos é conquistado o poder divino, o Retrato de Dorian Gray deixará de ser ficção e passará a ser profecia? E será isso bom?

FESTA DE GARAGEM

Fui a um jantar de despedida duma senhora que se reformou do meu trabalho: as voltas que a vida dá, começou a trabalhar com o meu pai, vai para 42 anos, noutro hemisfério.
Pensava que ia a um restaurante, mas não foi bem isso que encontrei à chegada: uma casa cor-de-rosa de dois pisos, com o letreiro "Vivenda Souto" e uma mini-fonte verde-musgo com um anjo, no cimo dos degraus.
Degraus esses que não subimos: a celebração foi na garagem. Havia uma fila de mesas, cadeiras de plástico de esplanada, uns bibelots bem enquadrados. Ah, o vinho foi servido em copos-medidores de plástico, daqueles para fazer bolos, muito kitch: vinho da casa - literalmente. Assim como o polvo à moda da casa e o bacalhau à casa. E, pela primeira vez, não fazia sentido perguntar "A MOUSSE, É CASEIRA?".
Parece que cada comensal havia decidido previamente o que comer, quando pagara, mas eu só descobri na altura o que me coube, "perguntámos à sua esposa". A mim pediram o dinheiro dos dois, a ela deram a escolher os pratos, mai' nada!
Quem teve necessidade, informou que o acesso ao WC era labiríntico, trepando escadas e passando por quartos de dormir.
A única chatice é que, cada vez que alguém queria ir fumar um cigarro à rua (o que foi quase ininterrupto), tinha que se abrir a porta hidráulica da garagem, e lá vinha a ventania pela rampa abaixo...
Eu fui a muitas festas de garagem, quando teenager, mas eram um bocadinho diferentes. Do que me lembro.

P.s.: felizes férias grandes, sôdona Milú.
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terça-feira, 5 de abril de 2011

QUASE LIXO, FITCH DIXIT


MOODY: adj. instável, mal-humorado, temperamental
POOR: adj. pobre, coitado, mau, desafortunado, miserável

Mera coincidência, os nomes de 2 das 3 agências de rating têm tradução. Reveladora: uma pessoa temperamental que pode fazer uma pessoa pobre. Apenas porque diz que é miserável.
As 3 agências tomam decisões como César na arena: basta virar o polegar para baixo, que há consequências nefastas para o sentenciado. E a descida abrupta da República em 5 níveis no rating da Fitch, a um degrau da classificação LIXO, é apenas mais uma machadada de milhões de euros em juros.
Mas que credibilidade têm esses senhores?

Para os próprios, muita: na Moodys, a administração foi aumentada em 2010, cerca de 60% (o bolo salarial já é o dobro de 2005), num ano em que o lucro desceu 10%. Porquê? O presidente recebeu 10 milhões de dólares em 2010, porque, nas palavras do relatório da empresa, "ajudou a restaurar a confiança dos ratings" da mesma.

Não é isso que pensa a Comissão do Congresso americano, encarregue de investigar as resposabilidades da crise financeira de 2008: "Concluimos que as falhas das agências de notação foram engrenagens fundamentais na máquina de destruição financeira. As 3 agências (Fitch, Standard & Poors e Moody's) foram ferramentas-chave do caos financeiro. Os produtos relacionados com hipotecas não se teriam comercializado e vendido sem o seu selo de aprovação." Afirmou ainda que, em 2006, a Moody's passou a ser uma fábrica de AAA, a notação mais alta - e 83% dos produtos que receberam essa nota acabaram como lixo.

Resultado, os culpados ao fim de 3 anos de crise (filha da "ganância" e da falta de "ética moral e profissional", como rotulou Bento 16) ainda estão mais ricos, e exigem a austeridade alheia de forma inimputável. Mais poderosos que nunca, o que dizem é lei escrita na pedra, enfim, um mandamento.

A propósito, o repúdio das agências nada tem a ver com ideologia, mas com pudor e probidade.


Analogia: por cá, João Rendeiro recebeu 3 milhões de euros no ano em que o BPP faliu, e é agora consultor financeiro.  
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segunda-feira, 4 de abril de 2011


O FCP lá ganhou o 25º campeonato. No campo das "papoilas saltitantes" do clube, diz a música seeeeer beenfiquiiiista, sem rival neste nosso portugal (agora é outro, pá).
No mesmo dia, o Sporting empatou e desceu ao 4º lugar, por troca com o Braga. Tristeza.
O que o Sporting precisa é de (do) PACIÊNCIA. 'Bora Domingos.
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