...e depois, com bigodes de leite, pedem mais paciência e esforço ao povo, que a "vaca 'tá seca".

sexta-feira, 15 de abril de 2011

PÕE-TE DIREITO

Chama-se Art Nouveau e tem uma particularidade, odeia rectas.
É, no mínimo, muito trabalhosa.














 Gustav Klimt
Gustav Klimt, O beijo

e Gaudi. 



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quinta-feira, 14 de abril de 2011

- RECENTE


Tive hoje uma conversa engraçada (pretensão a minha!). Perguntei a uma colega que esteve em Inglaterra como se dizia mestrado em inglês.
Quis saber se me referia aos mestrados incluídos no curso (depois da bolonhesa, estragaram tudo!). "Não, é daqueles antes de Bolonha, que eu já sou antigo", disse eu na brincadeira.
De imediato respondeu, de forma sorridente, "eu sei que és antigo".
- Epááá, uma coisa é eu dizer, outra coisa és tú!, repliquei em voz de falso ralhete.
Facto: deve ser uns menos 10 anos que eu; é uma questão de perspectiva.
Facto: há coisas menos cruas quando diz o próprio, como a idade.

Telefonou à mãe e disse-me que é master. Soa a harry poter.
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HÃ???


50 juristas e economistas alemães assinaram um texto pedindo ao governo que não ajude Portugal (e quem vier a seguir) com o argumento de que podem perder a SOBERANIA FINANCEIRA.
A ver se eu entendo, quem tem que estender a mão e aceitar as regras impostas por quem empresta, somos nós.

Fernando Nobre foi o candidato da cidadania nas últimas presidenciais, apresentando-se fora do sistema. Fez muito bem.
Há 3 ou 4 semanas, vi-o na televisão assegurando que estava fora de causa assumir cargos partidários. Por estes dias aceitou ser cabeça-de-lista por Lisboa do PSD, aceitando o cargo de deputado somente se for eleito presidente da assembleia.
Onde está agora o mudar Portugal? No baby-sitting dos representantes, a repetir "sr. deputado, acabou o seu tempo"?
É assim, duma penada, que se pulveriza um capital político e de implode a esperança de muitos eleitores, mais ingénuos, os que ainda se espantam...
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quarta-feira, 13 de abril de 2011

NÃO VALE TUDO


Há dias, fui tomar café à esplanada do campo de treino de golfe perto de casa. O que não é hábito (juro!), ouvi a conversa de 3 pessoas que estavam na mesa do lado. Falavam do seu trabalho, numa empresa qualquer.
O Gaspar (único nome que retive) desabafava: "Epá, nunca conheci tanta gente canalha. Que cambada de arrivistas*!Vale tudo, mesmo bufar dos colegas, só para se promoverem junto do chefe - a sorte deles é que os outros têm escrúpulos e não lhes fazem o mesmo. Na Moita [a filial de onde veio, segundo percebi] a gente era bem melhor."
Baltazar (chamemos-lhe assim), retorquiu: "Olha, primeiro o pessoal da Moita é tão boa como a do Porto, são feitos do mesmo material - a diferença é que aqui promove-se a bufaria e premeia-se a adulação, e lá não. Segundo, a vantagem desde que chegou este chefe é que ficámos a saber com quem contar e o que cada um vale... ou não! Ficou tudo exposto."
O terceiro, Melchior (façamos de conta), foi beberricando o seu café enquanto os ouvia. Quando lhe pediram a opinião, encolheu os ombros e desabafou: "Por mim, preferia a ignorância, não ter que conhecer as avessas das pessoas e levar umas facadas nas costas; antes continuar tudo como antes, havia outra camaradagem (ainda que falsa) e amigos com a pequeno, porque não eram testados a fundo."
Vai-se a ver e este é que a sabe toda.

Moral da história: As pessoas são como as cebolas (e os ogres, como disse o Shrek): têm camadas e algumas fazem chorar quando descascadas.

* arrivista: s. 2 gén. pessoa que quer ter êxito a qualquer custo, mesmo em prejuízo de outrém; indivíduo ambicioso, sem escrúpulos; videirinho.
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terça-feira, 12 de abril de 2011


Escher, Relativity

O problema do mundo é que os estúpidos têm certezas e
os inteligentes vivem
cheios de dúvidas.
Bertrand Russel
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segunda-feira, 11 de abril de 2011

TÁ TUDO CONTROLADO!



Muhammed Saeed al-Sahaf era a sua graça, ministro da propaganda a sua função. Bagdade debaixo das bombas da coligação, e insistia que as tropas inimigas estavam longe dali.
Também cá temos disso: as contas estão controladas, não vamos recorrer ao FMI, nós é que defendemos o Estado Social, blábláblá. Até que os maus (os outros) impedem a obra do grande líder.
Ambos em fase de negação.


Epitáfio de Portugal
"ASSIM FICA MELHOR, OU FICA MELHOR ASSIM?"
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sábado, 9 de abril de 2011



Há, na parte mais ocidental da Ibéria,
um povo muito estranho:
não se governa nem se deixa governar!

Carta de um general romano (Galba?) ao imperador, séc. III a.c.
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sexta-feira, 8 de abril de 2011

MURALMENTE

O conceito de graffiti é-me pouco simpático, por razões éticas: aprecio muito o direito à propriedade, cada um pinta o que é seu. Porém, há graffiti bem esgalhado.
Tão bem esgalhado que começa a entrar no mercado da Arte, com direito a leilões e exposições em galerias ou museus, como a Tate Modern de Londres. Se a memória não me atraiçoa, foi há pouco vendido um mural por 1 milhão de dólares - tudo por um vandalismo alheio! Estou a brincar, as cidades podiam criar espaços para isso, se forem bem enquadrados.
Bem, parece que agora existe um criador em voga que, para aumentar a curiosidade, de nome Banksy.
Escolhi 7 "obras" suas e, como um potpourri, juntei-lhe 5 murais vintage, datados e já com valor histórico, e 2 trabalhos dum género diferente, mais complexo, para conseguir profundidade.

I






eta provocação

II
nunca pensei dizê-lo com esta idade, mas é o mais giro




III

A LEI MENDONÇA


Nos tempos da ministra Leonor Beleza, deu brado uma lei que tinha uma vírgula fora do sítio, deturpando "inadvertidamente" a legislação a favor de alguns. A história que me contaram hoje é dessa altura, e ficou conhecida por Lei Mendonça.
Um senhor, responsável pela elaboração de processos para pagamento de indemnizações, reparou que o colega estava a usar valores desactualizados: "Olha, o valor das indemnizações desceu, estás a usar números errados nas contas", informou. 
O outro sorriu e respondeu: "Tenho aqui na pilha um processo do Mendonça, vais ver que o valor antigo [mais alto] vai ser reposto."
O primeiro não acreditou. Teve por isso, dias depois, que refazer os cálculos de todos os processos que tinha em mão, porque a nova tabela foi suspensa durante algum tempo (o "necessário"), pagando temporariamente indeminizações mais vultuosas.
Agora tem piada, mas imaginam-se a viver numa altura assim, em que as leis eram feitas ad hominem? O que vale é que, passados 20 anos, estamos mais civilizados e as coisas não se passam assim..

P.s.: Conheci um Mendonça, não sei se o mesmo, muito poderoso: mãos calejadas, pele tisnada, cabelo puxado para trás com brilhantina, sobretudo pelos ombros e fato às riscas com mau corte, acompanhante um pouco atrás.
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quinta-feira, 7 de abril de 2011


A justiça portuguesa não é apenas cega. É surda, muda, coxa e marreca.
Os portugueses, na sua infinita e pacata desordem existencial, acham tudo "normal" e encolhem os ombros.
Clara Ferreira Alves, Expresso
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quarta-feira, 6 de abril de 2011

DE BOAS INTENÇÕES ESTÁ O INFERNO CHEIO


Passos Coelho prometeu ontem que, quando for PM, todas as nomeações serão publicadas na internet, em favor da transparência. Eu acredito que ele acredita no que está a dizer, acho é que, quando lá chegar, muito boas promessas vão ficar pelo caminho.
Mas quem sou eu para atirar pedras a telhados alheios?

A minha única experiência electiva foi em 1987-88. Cheguei ao café (Classic) e uns amigos disseram: estivemos a falar e resolvemos candidatarmo-nos à associação de estudantes, queríamos que fosses o presidente. Consciente do meu défice de popularidade, achei melhor ficar como vice, e propus a minha irmã (finalista) para cabeça-de-lista. 
A eleição foi parecida com o duelo Soares-Freitas dois anos antes: passámos "à rasquinha" à segunda-volta, mas batemos a lista K no photo-finish. Lembro-me pouco da "nossa" gestão - tenho ideia que o nosso gabinete ficava por baixo dumas escadas -, mas que saí uns meses depois.
É certo que, para a vitória, talvez tenha tido influência o facto da lista concorrente ter candidatos e a base de apoio nas freguesias rurais, ou o facto da lista B, derrotada na primeira volta - entre muitas lágrimas e enquanto se arrumavam os boletins - ter declarado o seu apoio ao nosso 'projecto'. Tudo bem.
Mas o trunfo da campanha foi a promessa de trazermos os Xutos & Pontapés (ainda em fase de crescimento) à escola. Mas nós acreditávamos que era possível, bastava arranjarmos uns, sei lá, cem contos!
Não sei se chegámos a saber o valor certo do cachet, mas a legislatura passou tão depressa...
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FONTE DA JUVENTUDE

Lucas Cranach, A Fonte da Juventude

Ronald DePinho, novaiorquino, vinha todos os anos passar férias a Portugal, até aos seus 13-14 anos, "ver mais castelos do que imaginaava existirem". O que mais lhe metia medo na terra dos seus pais eram as mulheres todas vestidas de preto. Ele e a irmã ficavam tão fascinados com a vida rural dos seus avós, como estes com as suas vidas na América.
Ronald não quis seguir o negócio de cimentos do Sr. Pinho, queria ajudar as pessoas. Licenciou-se em Medicina e dedicou-se à investigação em Harvard. Acorda todos os dias às 4 horas e trabalha outras 4 até sair de casa. A sua leitura de cabeceira são revistas... científicas.

Qual o seu interesse? Com a idade (e a cada divisão duma célula em duas), vai encolhendo o telómero, uma capa protectora existente nas pontas de cada cromossoma; com a idade, vai diminuindo até cessar a produção da telomerase, uma enzima que reconstrói os telómeros. DePinho usou ratos geneticamente modificados (com a enzima desactivada, tornando os animais precocemente envelhecidos) para estudar o envelhecimento. A equipa pretendia, com a administração da telomerase, travar o envelhecimento dos ratinhos mas, surpresa, estes ficaram mais novos, com aumento do tamanho do cérebro, pelagem mais brilhante e outra agilidade.
Ainda há muito a aprender - não se sabe o que acontece em animais não modificados geneticamente, o telómero é maior nos cromossomas de células cancerígenas (o cancro pode ser um efeito secundário) e o oxigénio continua a ser a principal causa do envelhecimento tissular.
Mas o futuro começa sempre com pequenas descobertas. Será que daqui a 30 anos é conquistado o poder divino, o Retrato de Dorian Gray deixará de ser ficção e passará a ser profecia? E será isso bom?

FESTA DE GARAGEM

Fui a um jantar de despedida duma senhora que se reformou do meu trabalho: as voltas que a vida dá, começou a trabalhar com o meu pai, vai para 42 anos, noutro hemisfério.
Pensava que ia a um restaurante, mas não foi bem isso que encontrei à chegada: uma casa cor-de-rosa de dois pisos, com o letreiro "Vivenda Souto" e uma mini-fonte verde-musgo com um anjo, no cimo dos degraus.
Degraus esses que não subimos: a celebração foi na garagem. Havia uma fila de mesas, cadeiras de plástico de esplanada, uns bibelots bem enquadrados. Ah, o vinho foi servido em copos-medidores de plástico, daqueles para fazer bolos, muito kitch: vinho da casa - literalmente. Assim como o polvo à moda da casa e o bacalhau à casa. E, pela primeira vez, não fazia sentido perguntar "A MOUSSE, É CASEIRA?".
Parece que cada comensal havia decidido previamente o que comer, quando pagara, mas eu só descobri na altura o que me coube, "perguntámos à sua esposa". A mim pediram o dinheiro dos dois, a ela deram a escolher os pratos, mai' nada!
Quem teve necessidade, informou que o acesso ao WC era labiríntico, trepando escadas e passando por quartos de dormir.
A única chatice é que, cada vez que alguém queria ir fumar um cigarro à rua (o que foi quase ininterrupto), tinha que se abrir a porta hidráulica da garagem, e lá vinha a ventania pela rampa abaixo...
Eu fui a muitas festas de garagem, quando teenager, mas eram um bocadinho diferentes. Do que me lembro.

P.s.: felizes férias grandes, sôdona Milú.
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terça-feira, 5 de abril de 2011

QUASE LIXO, FITCH DIXIT


MOODY: adj. instável, mal-humorado, temperamental
POOR: adj. pobre, coitado, mau, desafortunado, miserável

Mera coincidência, os nomes de 2 das 3 agências de rating têm tradução. Reveladora: uma pessoa temperamental que pode fazer uma pessoa pobre. Apenas porque diz que é miserável.
As 3 agências tomam decisões como César na arena: basta virar o polegar para baixo, que há consequências nefastas para o sentenciado. E a descida abrupta da República em 5 níveis no rating da Fitch, a um degrau da classificação LIXO, é apenas mais uma machadada de milhões de euros em juros.
Mas que credibilidade têm esses senhores?

Para os próprios, muita: na Moodys, a administração foi aumentada em 2010, cerca de 60% (o bolo salarial já é o dobro de 2005), num ano em que o lucro desceu 10%. Porquê? O presidente recebeu 10 milhões de dólares em 2010, porque, nas palavras do relatório da empresa, "ajudou a restaurar a confiança dos ratings" da mesma.

Não é isso que pensa a Comissão do Congresso americano, encarregue de investigar as resposabilidades da crise financeira de 2008: "Concluimos que as falhas das agências de notação foram engrenagens fundamentais na máquina de destruição financeira. As 3 agências (Fitch, Standard & Poors e Moody's) foram ferramentas-chave do caos financeiro. Os produtos relacionados com hipotecas não se teriam comercializado e vendido sem o seu selo de aprovação." Afirmou ainda que, em 2006, a Moody's passou a ser uma fábrica de AAA, a notação mais alta - e 83% dos produtos que receberam essa nota acabaram como lixo.

Resultado, os culpados ao fim de 3 anos de crise (filha da "ganância" e da falta de "ética moral e profissional", como rotulou Bento 16) ainda estão mais ricos, e exigem a austeridade alheia de forma inimputável. Mais poderosos que nunca, o que dizem é lei escrita na pedra, enfim, um mandamento.

A propósito, o repúdio das agências nada tem a ver com ideologia, mas com pudor e probidade.


Analogia: por cá, João Rendeiro recebeu 3 milhões de euros no ano em que o BPP faliu, e é agora consultor financeiro.  
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segunda-feira, 4 de abril de 2011


O FCP lá ganhou o 25º campeonato. No campo das "papoilas saltitantes" do clube, diz a música seeeeer beenfiquiiiista, sem rival neste nosso portugal (agora é outro, pá).
No mesmo dia, o Sporting empatou e desceu ao 4º lugar, por troca com o Braga. Tristeza.
O que o Sporting precisa é de (do) PACIÊNCIA. 'Bora Domingos.
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DESCARRILADO


Os maquinistas do Metro de Lisboa ganham em média 40.000€ anuais (2850€ durante 14 meses), mas houve maquinistas a ganhar mais de 50.000€ em 2009 - um deles chegou aos 64.000€, dos quais 11.000€ em subsídio de agente único e 5.600€ em subsídio de antiguidade.
Uma secretária ganhou 64.600€, incluindo 5.700€  de subsídio de carreira administrativa e 20.300€ de isenção de horário. 14 técnicos ganham mais que os vogais do conselho de administração e um deles ganhou 133.000€, mais um terço que o chairman.
O Metro gastou milhões nos 25 subsídios conquistados ao longo dos anos: 3,3M por antiguidade, 1,5M por agente único e 1,1M por assiduidade - recompensa por aparecerem ao serviço.  

A CP gastou 54,3% dos encargos salariais em 195 tipos diferentes de subsídios: 4M em subsídios de condução, 2,4M em prémios de produtividade, 3,3M em prémios de chefia, 3,3M em subsídios por antiguidade. Só por se apresentar na empresa, cada maquinista recebe 6 euros por dia.
Fonte: Sol 1.4.2011

3 singelas perguntas:
Ultrage ou fartar vilanagem, o que é que se aplica melhor?
Alguém se espanta que as contas 'descarrilem' e estas empresas dêem prejuízos brutais todos os anos?
Não há lá lugar para mim? Se for necessário, eu pago a carta de pesados.
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SÃO NÚMEROS, SENHOR, SÃO NÚMEROS


Desde Janeiro, quem ganhar mais de 5000€/mês paga uma contribuição extraordinária de solidariedade de 10%... na parte acima dos 5000: ou seja, quem ganha 5010 euros, paga um.
Os 4533 pensionistas que recebem mais de 4000€/mês (eram 1002 em 2000) custam 20,39 milhões de euros/mês, quatro vezes mais que os 22311 beneficiários da pensão mínima (até 227,39€), cerca de 5 milhões - o valor médio das pensões da CGA é 1240,44€.
O último relatório da CGA regista um gasto de cerca de 8,5 milhões/ano com pensões vitalícias de 383 deputados (valor que sobe para 9,1 milhões em 2011) – esse valor vai subir, pois há em funções deputados e presidentes da câmara que já tinham esse direito adquirido em 2005, quando a lei mudou.

Os aposentados Cavaco Silva (10042€/mês, suspensos neste 2º mandato), Eduardo Catroga (9693), Daniel Sanches (7316), Mário Soares (5518), Correia de Campos (5524, eurodeputado), Luís Filipe Pereira (5663, vice-presidente da Efacec), António Capucho (3559, até há pouco presidente da câmara), Manuel Alegre (3219, já inclui pensão da RDP), Ferreira Leite (2417, deputada) e José Lello (2234, deputado) bem podem pregar que o Estado tem que emagrecer.
Um pormenor, a Galp e a EDP já tiveram 13 ex-ministros ou secretários de Estado na chefia de empresas públicas, a PT 19 e a CGD.

As parcerias público-privadas (PPP) têm uma vantagem: há um período de carência, em que o Estado não paga nada – não conta para o défice, ou para a dívida pública. O pior é o resto: as PPP celebradas desde 1995 (75 em 83 são da responsabilidade de governos PS) têm um custo acumulado de 48.275 milhões de euros até 2050. Mas a última PPP vai durar até 2083 - quem nascer agora deverá ser um avô reformado (?) nessa altura. Há muito que é sabido que a conta, em particular em 2014-2024, vai ser astronómica, mas quem decidiu não quis saber: quem vier que feche a porta!
Projectos mal concebidos (como orçamentos por baixo, atrasos, estimativas de tráfego ou traçados revistos e alterados, ou até “efeitos adversos da pluviosidade”) e negociações displicentes são a cunha para a derrapagem das PPP: no caso da ponte Vasco da Gama, houve 7 alterações (sempre a favor da “banca”) e derrapagem de 408 milhões, longe do desvio da Fertagus, apenas 111 milhões.

Querem o TGV? Eis 1393 milhões em derrapagens, que chegavam e sobravam: scut (383M), estádios municipais do Euro94 (187M), linha amarela do metro de Lisboa (127M, + 61% relativamente ao contrato inicial), aeroporto Sá Carneiro (93M, +30%), Casa da Música (69M, +235%), Ponte Santa Isabel em Coimbra (38M, +118%), Túneis do Terreiro do Paço (29M, +59%) e do Rossio (12M, +31%).
Só as auto-estradas do Norte e do Oeste cresceram 319 milhões – 280M para a A7 (+43%) e 39M para a A8 (+33,7%) – e a scut Costa da Prata encareceu 449M, uns 20%.
E falta o CCB: 175 (e meio) milhões de euros acima do previsto.

Fonte: O estado a que o Estado chegou, DN, edições Gradiva
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QUEM VIER A SEGUIR QUE FECHE A PORTA


Qualquer gasto público supérfluo constitui hoje pecado social
Carlos Moreno, Juiz jubilado do TC


Os anglo-saxónicos usam um termo para a prestação de contas, ACCOUNTABILITY:

O Estado não sabe ao certo quantas viaturas tem (quer dizer, o número varia entre 28 e 30 mil, conforme o contador). Nem quantos organismos públicos existem.
Fonte não oficial estima haver 13740 entidades, incluindo administrações central, regional e local, empresas, institutos e fundações (639) - os ingleses chamam-lhes Quangos (quasi-independent non government organisations) - sob a sua jurisdição. Metade deles deve entregar anualmente no TC documentos sobre contratos e contas de gestão: em 2009, 1724 organismos enviaram a sua contabilidade e, destes, o TC fiscalizou 418. Ah, uma das empresas públicas chama-se Verdegolf e trata dos greens do arquipélago dos Açores.

A despesa pública aumenta 152207€ por minuto.

De acordo com o FMI, Portugal foi o penúltimo (à frente da Itália), em 179 países, no crescimento económico entre 2000 e 2010: subiu 6,47%, enquanto os outros 2 aflitos da Europa, Grécia e Irlanda, cresceram 28,09% e 28,96%. O PIB per capita, em paridade do poder de compra, fixou-se nos 16.903€, uma queda de 26% desde 2000.

A dívida pública directa deverá ser em 2011 de 92% do PIB, mas a dívida indirecta (de empresas públicas) é cerca de 22%. É fazer as contas.

Gastos caricatos: 600.000€ em concertos do Tony Carreira, 63.000€ de flores para o palácio de S. Bento (em 2010, no ano anterior foram só 19.020€), 117.085€ em brinquedos do Toy’r’us pelas câmaras de Lisboa, Amadora e M. Canavezes, 6960€ em rebuçados para o Carnaval de 2009 pela câmara de Loulé.

O PSD obrigou à criação dum Conselho das Contas Públicas e da Política Orçamental, quando viabilizou o OE de 2011. Foi escolhido para presidente António Pinto Barbosa, o que certificou durante 10 anos as contas do BPP, “intervencionado pelo BP para evitar a sua insolvência imediata, e cuja gestão está a ser investigada”…

OE 2011: aumento de 26% em despesas de combustíveis e 31,4% em seminários; aumento de despesas em publicidade, deslocações, comunicações e higiene/limpeza (de arquivos?; excepção para a Cultura, que vai gastar na rubrica quase menos 40%), atingindo recordes absolutos em vários ministérios; aumento de 23% em despesas com horas extraordinárias no ministério da Justiça.

A Presidência do Conselho de Ministros (vá, também tem a tutela do INE, e estamos em ano de censos) tem um saco com 238 milhões de euros, o Ministério da Cultura 154 milhões, o da Economia 152 e o das Obras Públicas 146 milhões. Prioridades. E como Portugal gosta de brinquedos caros, como disse o embaixador americano, o Ministério da Defesa tem ao seu dispor 2068 milhões.

O Estado gastou, em 7 anos, 507 milhões em estudos e pareceres, cinco vezes mais que os 104,5 milhões gastos nos 10 estádios do Euro 2004; gastou no mesmo período 700 milhões em internet, telefone e telemóveis, mais que os 664 milhões da Ponte Vasco da Gama.

Fonte: O estado a que o Estado chegou, DN, edições Gradiva
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quarta-feira, 30 de março de 2011

Ó HERESIA!!!

Premio Lácteo a San Bernardo (1646-50), Museo del Prado
Alonso Cano (1601-67)
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NOTAS DE PRÉ-PRÉ-CAMPANHA


PS: altamente profissional a passar uma mensagem, depois de ter esticado a corda (com um pec prometido em Bruxelas sem informação ao parlamento ou ao PR), de forma a provocar eleições - o que conseguiu.
Slogans ad nauseam: “Estávamos a defender Portugal e a oposição destruiu o esforço para não recorrermos ao FEEF”, quando a ajuda estava iminente, perante o repetido falhanço e a maquilhagem do controlo do défice, como o “esquecimento” do buraco do BPN, que uns bisbilhoteiros da UE descobriram; “O PSD é um papão que irá destruir o Estado Social”, como se o PS não tivesse cortado nos apoios sociais, salários, comparticipações em medicamentos, aumentado to-dos os impostos, taxas judiciais, taxas moderadoras, portagens... e acordasse agora diminuir as indemnizações por despedimento.

PSD: trapalhão, ingenuamente sincero e cacofónico. Há demasiada gente a falar, a dar ideias descoordenadas para arrecadar receitas (vender a CGD, que dá gordos dividendos anuais, para quê? Daaa!). A mensagem que passou foi o aumento de IVA (ninguém disse isso, mas que tal era preferível a congelar pensões de sobrevivência de 240€). Não aprenderam que falar verdade não compensa?

O primeiro arrisca-se a ganhar e o segundo habilita-se a perder: a cabeça do povo exige a verdade (não a promessa de êxito da consolidação orçamental na véspera de cada machadada e/ou de cada buraco nas contas), o coração foge a más notícias. E quem pode prometer algo nesta altura? Ninguém. Só, como prometeu Churchill na 2ª G.M., sangue, suor e lágrimas.

Passos tem uma vantagem: não está provado o que ele vale, mas está provado à saciedade que o PS falhou, o que lhe confere um tantinho mais de credibilidade. Mesmo que a sua receita não seja muito distinta. Mas parece que a maioria não quer o PSD com maioria absoluta: é como a brigada de trânsito, devem andar sempre 2 agentes juntos, assim vigiam-se.

Nas extremas, o CDS faz (como sempre) uma prova de vida, tentando sedimentar os 2 dígitos, e volta o slogan "o CDS tem que ficar à frente da esquerda radical", numa espécie de 2ª divisão - o que também dá prémio!
Já o PCP e o BE têm um dilema bem posto por Daniel Oliveira: ou tentar um entendimento mínimo com o PS, com cedências mútuas, ou limitar-se a crescer "à custa da desgraça das pessoas" (eixo do mal 26.03.11).