...e depois, com bigodes de leite, pedem mais paciência e esforço ao povo, que a "vaca 'tá seca".

sábado, 28 de maio de 2011

DITADURA DO PROLETARIADO

No centro de Praga (Na Prikope 10), numa rua com lojas internacionais, por cima do McDonald e ao lado dum casino - tripla ironia - há o Museu do Comunismo, para que ninguém esqueça os cerca de 44 anos de 'tá caladinho, a gente sabe o que é melhor para ti'.
Pequeno, com memorabilia da época (incluindo estátuas que perderam o lugar nas praças, cartazes, fardas, a réplica duma sala de interrogatório e uma arca frigorífica vazia, em honra aos tempos de abastança), algo kitsch e simplista, tem uma loja com artigos bem humorados, incluindo esta colecção de postais.
Curiosamente, logo à esquina é a Praça Venceslau, onde foi declarada por Vaclav Havel e Dubcec a vitória da Revolução de Veludo, que acabou com décadas de comunismo. Lá existe um memorial às vítimas do comunismo, difícil de encontrar: um arbusto com as fotografias de 2 rapazes mortos na primavera de 68.   


















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domingo, 22 de maio de 2011

PUÂÂÂRTO (IV) - O PALÁCIO DA BOLSA

Perdida a Casa da Bolsa do Comércio, os mercadores do Porto passaram a discutir negócios na rua (R. dos Ingleses), mas era muito 'arejado', pelo que decidiram erguer umas instalações condignas. A Associação Comercial do Porto lançou então, a 6/10/1842, a primeira pedra do PALÁCIO DA BOLSA - numa corda bamba se equilibra a mistura de estilos, a saber, neoclássico oitocentista (dórico, jónico e corintio), toscano, neopalaciano inglês e policromático neomudéjar.

O vestíbulo da entrada dá acesso à Biblioteca, a uma loja e ao Pátio das Nações (devido ao friso superior com o escudo nacional e armas de países com relações comerciais nos idos de novecentos - Brasil, Itália, Saxe, Pérsia, Argentina, Rússia, Inglaterra, Alemanha, Suíça, Dinamarca, México, França, EUA, Grécia e Noruega), com um claustro envidraçado e uma clarabóia metálica. Aqui se fazem os banquetes.

Não posso olvidar a casa de banho, forrada a madeira e com um grande móvel para pousar casacos, luvas e bengalas, enquanto os cavalheiros se 'refrescavam'.
Pela granítica escadaria se acede à Sala de Reuniões (ou sala dourada, devido ao tecto coberto a ouro), ao gabinete do Presidente (estilo império), à Sala das Assembleias Gerais, à Sala dos Retratos e, finalmente, ao ex-libris do palácio - o octogonal Salão Nobre, mais conhecido por Salão Árabe, por causa dos caracteres que cobrem as paredes e tecto.

Convento de S.Francisco, Palácio da Bolsa e Mercado Ferreira Borges
 Pátio das Nações


 Biblioteca
Escadaria
 Sala Dourada
Sala das Audiências
Salão Árabe



sábado, 21 de maio de 2011

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O BE, desde os tempos das ovelhinhas do PSR, é responsável pela "publicidade" política mais fresca e apelativa. O cartaz acima é um desses bons exemplos, graficamente simples, mas com mensagem. 
Porém, o efeito em mim é igual à publicidade a uma marca de gim: até pode merecer o meu aplauso de pé, o problema é que não gosto de gim.  

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sexta-feira, 20 de maio de 2011

E O CONSERVADOR SOU EU? EEEEE...


Pinto Leite diz que a saída de Portugal não é a via neoliberal, mas antes uma visão neosocial. O trajecto terá trilhos comuns - o emagrecimento severo do Estado ou o princípio do utilizador-pagador (deixando a isenção/minoração apenas para quem não pode), mas a conotação é muito diferente, em particular para a esquerda.
A caminho das urnas, há um facto com a leveza do mármore: a festa acabou (mesmo pobrezinha, à base de "cocrete", como gozam os braileiros), este Estado-social morreu. Há que inventar outro, que seja possível sustentar com a riqueza produzida.

E o que pensam os principais players?
O PCP e o Bloco estão contra os 'atentados' ao Estado social pela direita e pelo PS, afinal o Estado social  que essa direita e esse PS construiram nestes 36 anos, não eles. É como a Constituição, defendem a versão actual contra qualquer alteração, como defenderam a anterior contra a actual. Pois é a isso que se chama conservadorismo, querer preservar o que está.
Esquecem-se é de dizer que o Estado social cresceu exponencialmente, mais depressa que a riqueza gerada. Infelizmente (sem ironia), não é possível manter todas as 'conquistas', porque já não há dinheiro debaixo do colchão e, azar, a demografia é chata: cada vez mais idosos e reformados significa menos contribuição e mais despesa.

Depois há o PS, o 'defensor' do estado social contra a direita que o quer destruir.
Conversa tipo chuva "molha-tolos": foi com ele que se introduziram portagens apesar de promessas em contrário, subiram as taxas moderadoras, taxas de justiça e os impostos to-dos, desceu o ADSE, benefícios fiscais, a comparticipação de medicamentos, abonos de família e outros apoios sociais) e os salários, se flexibilizou a lei laboral, se preparam para congelar salários e pensões, facilitar o despedimento (e reduzir em 1/3 as indemnizações, passando o trabalhador a pagar metade!), reduzir o tempo e valor do subsídio de desemprego, reduzir em 33% os custos com transportes de doentes (como?).
E o hospital de Braga, de construção e gestão privada, não é privatização da saúde, é parceria...

Sobra a tal 'direita', a única que não finge querer manter um Estado social que jaz morto e enterrado. Com uma visão mais liberal e arrojada, como parece ter hoje o PSD (permitindo alvitres sobre a privatização da CGD e das Águas de Portugal, a baixa do salário minimo ou a penalização nas reformas de quem esteve desempregado), ou pregando uma matriz social-cristã mais moderada - involuntariamente centrista, por ultrapassagem à direita, e menos escrutinada, porque não é candidata à vitória.

Há é duas coisas que todos os eleitores comungam, à esquerda e à direita:
1. É fácil para Catroga, Mira Amaral, Silva Lopes e muitos jovens turcos do PSD (sendo que parte trabalha ou trabalhou na esfera pública ou em empresas que cresceram em parceria com o Estado, ou acumula belas reformas do defunto Estado social), dizer que os portugueses vivem acima das suas possíbilidades. E ofensivo.
2. Há muito por onde o Estado pode começar antes de diminuir a protecção social, como o gasto rigoroso de cada cêntimo, a oneração da banca, o controlo da evasão fiscal, a extinção de organismos, a despolitização da AP ou o corte nas parcerias, consultadorias e prebendas, a taxação da valorização urbanística (ideia do BE), o não favorecimento de alguns grupos económicos.
A propósito, para alguns parece quase um pecado, mas não é problema haver grupos económicos, até devia haver mais, pujantes e independentes do Estado, que agora tivessem capital suficiente para comprar as participações que o Estado vai ser obrigado agora a vender em saldo. Esse é um dos nossos problemas, a falta de empreendedorismo, iniciativa e cultura de risco - sem esperar pelo Estado-pai, para ter um subsídio ou um negócio.

JOHN CLEESE FAZ-SE À ESTRADA

O casamento é um livro cujo primeiro capítulo é escrito em verso e os demais, em prosa.
Beverly Nichols
O único argumento real a favor do casamento é que ele continua
a ser o melhor método para se conhecer alguém.
Heywood Braun
Eu às vezes penso em casar – aí penso mais um pouco.
Noel Coward

John Cleese tem 71 anos e teve de voltar a trabalhar - o divórcio foi tão feio que O Ministro dos Passos Imbecis teve que voltar à estrada, na sua primeira digressão pelo RU, para prover o seu sustento... e o da mulher: ela ficou com 10.3 milhões de euros, ele com 5.7, e durante 7 anos ainda lhe dá 700 mil euros (será pensão de alimentos?).
Palavra do senhor:
Fico zangado por ter que pegar na tralha toda apenas para ganhar dinheiro. Irrita-me, na minha idade, ter de replanear a minha vida só para lhe pagar. Preferia estar sossegado a escrever, a ler livros e a beber café.
O mais injusto de tudo é que, se ambos morrêssemos hoje, os filhos dela receberiam muito mais do que os meus.
É o que dá contratar a advogada que representou o príncipe Carlos, o irmão André e paul McCartney, tira-se a pele ao ex.

A revista do Sol de hoje conta isto e outra novidade, pelo menos para mim: Cleese licenciou-se em Direito em Cambridge e foi advogado e reitor da Universidade de St. Andrews, os outros ingleses dos Monthy Python (falta um americano) licenciaram-se 1 em Cambridge e 3 em Oxford. Humor certificado. 

UPS!!!

Miguel Guilherme organizou, com outro actor, uma radialista, um professor (húngaro) e o fundador duma agência de viagens, uma sessão de storytelling, no Museu da Água. Resumindo, contam estórias pessoais à plateia de desconhecidos, com uma intimidade própria dum jantar de amigos ou de natal.
Uma das estórias de Ana Colaço misturava tristeza e comicidade: contou ela que o marido foi hospitalizado com uma doença grave. Quando os médicos lhe disseram que o marido estava a morrer, Ana fez duas coisas: telefonou à família e amigos próximos do marido, para que se pudessem despedir, e foi comprar à pressa um pijama, porque não queria que a última lembrança que as pessoas retivessem fosse a imagem dele em bata.
Durante a romaria de visitas, Ana reparou que a olhavam duma forma estranha quando saíam do quarto, mistério que só foi desfeito quando entrou no quarto, para contar ao marido a boa notícia, os médicos tinham descoberto o problema e ele ia sobreviver: "estava escuro, vejo o que os outros tinham visto antes, o Luís quase morto e cheio de fantasmas fluorescentes à sua volta". Má escolha para o padrão do pijama.

Eu também tenho uma estória embaraçosa (bem, são muitas, mas fico por esta), e tem a ver com a escolha inadequada (e, juro, sem segunda intenção) de livros para oferecer.
No primeiro natal depois dos meus pais se separarem, vai para 1/4 de século, e o meu pai ter ido viver sózinho, dei-lhe uma saga de Gabriel Garcia Marquez, 100 anos de solidão. Apanhei uma vergonhaça quando reflecti, mas não aprendi nada: uns anos depois, ofereci à sua (estimável e estimada) companheira um livro de Günther Grass, meses antes de ser nobelizado. Azar, chamava-se A Ratazana.
Duas vezes com a pata na poça, e deixei de oferecer-lhes livros.
Discos, tirando qualquer requiem, discos são inofensivos.
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quinta-feira, 19 de maio de 2011

QUEM QUER CASAR COM A CAROCHINHA?

Se o PS ganha, temos eleições em 2012, por uma razão de "somenos": não há um único partidinho que queira coligar-se com Sóctares, mesmo que ele tenha encontrado umas moedinhas (biliões) no meio da poeira. O único que aceitou matrimónio foi o presidente do FMI, mas esse João Ratão parece que vai a todas. E já caiu no caldeirão.











ACEITAM-SE APOSTAS


Há dois anos, eu e uns amigos fizemos as nossa previsões sobre os resultados das legislativas. Houve resultados mais próximos que outros, cada qual acertou nos scores dum ou mais partidos, mas ninguém acertou na mouche. E ficou claro como é difícil distinguir desejos e previsões, seja quanto ao vencedor, seja quanto a percentagens.
É esse o desafio que agora se repete - alguém se atreve a prever o resultado de 5 de Junho?
Começo eu.

                                                        PSD - 36%
                                                        PS - 32%
                                                        CDS - 12%
                                                        CDU - 8%
                                                        BE - 7%