...e depois, com bigodes de leite, pedem mais paciência e esforço ao povo, que a "vaca 'tá seca".

terça-feira, 31 de maio de 2011

segunda-feira, 30 de maio de 2011

É MUITO ESTILO

BB, foto de Avedon

Gunther Sachs, herdeiro, industrial, investidor, coleccionador de arte, fotógrafo e desportista, suicidou-se a 7 de Maio no seu luxuoso chalé em Gstaad. Pobre fim para um dos mais célebres playboys do século passado, nascido no germânico palácio de Mainberg.
Uma das suas histórias mais conhecidas prova como viveu: conquistou a sua mulher em Saint Tropez, dias depois de conhecê-la, mandando atirar milhares de rosas dum helicóptero, sobre a piscina da mansão da nobre dulcineia. A sua graça, Brigitte Bardot.
O casamento não durou muito (um ano com BB são 10 anos com qualquer outra mulher, disse ele... já casado com a sua 2ª mulher, uma modelo sueca), mas existe romantismo maior? Claro, os bolsos atulhados facilitam a criatividade.

Não sei como morreu, mas deve ter sido duma forma pragmática. Morte com estilo, não há como a de Petrónio. Aristocrata abastado, foi governador e cônsul da Bitínia (na Turquia) e chegou a conselheiro de Nero, que o nomeou árbitro da elegância (arbiter elegantiae) em 63. A roda da fortuna mexeu, Petrónio foi acusado de traição e escolheu morrer com finèsse.
Conta-nos Tácito, na sua obra Anais:

Petrônio consagrava o dia ao sono, e a noite aos deveres e aos prazeres. Se outros chegam à fama pelo trabalho, ele adquiriu-a pela sua vida descuidada. Não tinha a reputação de dissoluto ou de pródigo, como a maioria dos dissipadores, mas a de um voluptuoso refinado em sua arte. A própria incúria, o abandono que se notava nas suas ações e nas suas palavras, davam-lhe um ar de simplicidade, emprestando-lhe um valor novo. Contudo, procônsul na Bitinia e depois cônsul, deu prova de vigor e de capacidade. Voltando aos seus vícios ou à imitação calculada dos vícios, foi admitido entre os poucos íntimos de Nero e tornou-se na corte o árbitro do bom gosto: nada mais delicado, nada mais agradável do que aquilo que o sufrágio de Petrônio recomendava ao príncipe, sempre embaraçado na escolha.

Nasceu daí a inveja de Tigelino, o prefeito do pretório e poderoso conselheiro de Nero, que receava um concorrente mais hábil do que ele na ciência da volúpia. Conhecendo a crueldade do imperador, sua qualidade dominante, insinuou que Petrônio era amigo do conjurado Flávio Scevino; em seguida comprou um delator entre os escravos do acusado, sendo-lhe vedada qualquer defesa e mandando prender membros da sua família. O imperador encontrava-se então na Campânia e Petrônio tinha-o acompanhado até Cumes, onde recebeu ordem de ficar. Ele, sabendo que o seu destino já estava marcado, repeliu tanto o temor quanto a esperança, mas não quis se afastar bruscamente da vida. Abriu as veias, fechou-as depois, abrindo-as novamente ao sabor da sua fantasia, falando aos amigos e ouvindo por sua vez, mas nada havia de grave nas suas palavras, nenhuma ostentação de coragem; não quis ouvir reflexões sobre a imortalidade da alma, nem sobre as máximas dos filósofos: pediu que lhe lessem somente versos zombeteiros e poesias ligeiras. Recompensou alguns escravos e mandou castigar outros; chegou a passear, entregou-se ao sono a fim de que sua morte, ainda que provocada, parecesse natural.
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Em teoria, não há diferença
entre teoria e prática.
Na prática, há.

Yogi Berra ou Jan L. A. van de Snepscheut?
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domingo, 29 de maio de 2011

NÚMEROS DE POLÍCIA

A República Checa não existe assim há tanto tempo, data de 1918, e ainda assim misturada com a Eslováquia durante quase 3/4 do século XX.
Houve períodos em que mandava a casa de Luxemburgo, os reis boémios, também da Hungria e da Polónia, imperadores do sacro-império e, a certa altura, os imperadores austro-húngaros. Incluindo a Marie Térèse.
Foi esta senhora que trouxe em 1770 uma "invenção" de Viena, provavelmente vista pelos autóctones como um imbecil sinal de imperialismo: numerar as casas. Mas ainda resistiram, em Praga, muitos símbolos alegóricos (alquímicos ou ligados aos ofícios dos locatários) colocados acima das portas, que identificavam as casas.
A maioria concentra-se na rua Nerudova, na margem oeste do rio Moldava, em Mála strana.




















e na margem leste, em Staré Mesto
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sábado, 28 de maio de 2011

DITADURA DO PROLETARIADO

No centro de Praga (Na Prikope 10), numa rua com lojas internacionais, por cima do McDonald e ao lado dum casino - tripla ironia - há o Museu do Comunismo, para que ninguém esqueça os cerca de 44 anos de 'tá caladinho, a gente sabe o que é melhor para ti'.
Pequeno, com memorabilia da época (incluindo estátuas que perderam o lugar nas praças, cartazes, fardas, a réplica duma sala de interrogatório e uma arca frigorífica vazia, em honra aos tempos de abastança), algo kitsch e simplista, tem uma loja com artigos bem humorados, incluindo esta colecção de postais.
Curiosamente, logo à esquina é a Praça Venceslau, onde foi declarada por Vaclav Havel e Dubcec a vitória da Revolução de Veludo, que acabou com décadas de comunismo. Lá existe um memorial às vítimas do comunismo, difícil de encontrar: um arbusto com as fotografias de 2 rapazes mortos na primavera de 68.   


















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domingo, 22 de maio de 2011

PUÂÂÂRTO (IV) - O PALÁCIO DA BOLSA

Perdida a Casa da Bolsa do Comércio, os mercadores do Porto passaram a discutir negócios na rua (R. dos Ingleses), mas era muito 'arejado', pelo que decidiram erguer umas instalações condignas. A Associação Comercial do Porto lançou então, a 6/10/1842, a primeira pedra do PALÁCIO DA BOLSA - numa corda bamba se equilibra a mistura de estilos, a saber, neoclássico oitocentista (dórico, jónico e corintio), toscano, neopalaciano inglês e policromático neomudéjar.

O vestíbulo da entrada dá acesso à Biblioteca, a uma loja e ao Pátio das Nações (devido ao friso superior com o escudo nacional e armas de países com relações comerciais nos idos de novecentos - Brasil, Itália, Saxe, Pérsia, Argentina, Rússia, Inglaterra, Alemanha, Suíça, Dinamarca, México, França, EUA, Grécia e Noruega), com um claustro envidraçado e uma clarabóia metálica. Aqui se fazem os banquetes.

Não posso olvidar a casa de banho, forrada a madeira e com um grande móvel para pousar casacos, luvas e bengalas, enquanto os cavalheiros se 'refrescavam'.
Pela granítica escadaria se acede à Sala de Reuniões (ou sala dourada, devido ao tecto coberto a ouro), ao gabinete do Presidente (estilo império), à Sala das Assembleias Gerais, à Sala dos Retratos e, finalmente, ao ex-libris do palácio - o octogonal Salão Nobre, mais conhecido por Salão Árabe, por causa dos caracteres que cobrem as paredes e tecto.

Convento de S.Francisco, Palácio da Bolsa e Mercado Ferreira Borges
 Pátio das Nações


 Biblioteca
Escadaria
 Sala Dourada
Sala das Audiências
Salão Árabe