Hoje casaram-se os Duques de Cambridge, a Catarina Isabel e o Guilherme Artur Filipe Luís.
Antes da boda, já estávamos todos(?) fartos do conto de fadas - eu cá fiz um slalom pelos canais de TV, tentando escapar ao circo. Mas, no fim de contas, não há neste planeta uma família mais glamorosa que a real inglesa. Os brits, na pompa, dão uma CHAPELADA.
Mesmo quando o gosto é duvidoso, como na real corrida de cavalos de Ascot, onde existe um exigente dress code sobre o tipo de vestuário (ombros à mostra não, por exemplo), mas o absurdo é permitido.
"Para certos republicanos a República tem sido um pé de cabra com que vêem aumentando os seus haveres." Senador João de Freitas, histórico republicano, in Boletim parlamentar do Senado, 11-06-1913
sexta-feira, 29 de abril de 2011
ÉTICA REPUBLICANA
"A política não fora feita para idealistas e poetas, como ele."
Augusto de Castro
MANUEL José DE ARRIAGA Brum da Silveira e Peyrelongue (1840-1917) foi o primeiro presidente da república portuguesa, faz 100 anos a 24 de Agosto. Devia servir de exemplo, mas parece que não.
Primeiro, tinha uma história antes de ser escolhido para o lugar: advogado, poeta, escritor, professor liceal, um patrício açoriano (descendente dum povoador inicial da ilha do faial). Começou a trabalhar cedo - ele e o irmão foram deserdados e proibidos de regressar à casa paterna por terem "manias" republicanas, e teve que se fazer à vida para pagar a conta dos dois.
Um dos principais ideólogos da república, não partilhava o anticlericanismo e o jacobinismo que toldou tantos outros. Em 1892, à terceira (foi derrotado em 1978 e 1881), tornou-se o 2º deputado republicano, por desistência dos partidos do rotativismo. Foi o que se chama um candidato pára-quedista, pois entrou pelo círculo da Madeira, mas empenhou-se na defesa dos seus eleitores ilhéus. Ah, enquanto deputado, prescindiu do salário de professor, que podia acumular. Foi ainda vereador em Lisboa.
A República começou agitada para si: nomeado Reitor da UC em Outubro e procurador-geral em Novembro, foi eleito no Agosto seguinte. No discurso, afirmou-se "depositário da simpática missão de chamar à conciliação, à paz, à ordem, à harmonia social a família portuguesa", mas não conseguiu: o mandato foi afectado por vários governos, agitações sociais, a perseguição da igreja, as incursões monárquicas de Paiva Couceiro e a fragmentação do partido republicano. Em 1915 foi obrigado a demitir-se, por ter patrocinado um governo que veio a amnistiar Couceiro e a decretar a ditadura (Afonso Costa fez-lhe a folha, vá), não sem antes ser considerado fora-da-lei pelo parlamento. E foi à sua vida.
Até aqui tudo normal, não é?
No mesmo discurso de posse, diz-se que disse "estou aqui para servir o país, seria incapaz de alguma vez me servir dele". Pois o presidente Arriaga tinha uma função, não ocupava um cargo, com as respectivas regalias: andava de eléctrico, mobilou à sua conta a casa arrendada (depois mudou-se para um anexo do Palácio de Belém, que se diz que também recheou), não tinha secretário, nem protocolo, nem Conselho de Estado. Algém sugeriu que precisava dum carro para as deslocações, adivinhem quem pagou? Claro, o próprio Arriaga.
Não há disto agora, pois não?
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terça-feira, 26 de abril de 2011
NO JOBS FOR THE BOYS
O rotativismo faz-me lembrar esta cena de O Pai Tirano, em que os clientes se resignam:
- O que é que te apetece?
- Sei lá, talvez prosperidade.
- Então vamos nisso.
- Prosperidade não temos.
- Então dê-nos o PSD.
...
- Agora, o que é que vai a seguir?
- Agora ia um interesse nacional.
- Vamos nisso. Traga-nos um interesse nacional, bem quentinho.
- Interesse nacional não temos.
- Então, dê-nos o PS.
...
- Não queres mais nada?
- Não, só se forem contas em ordem.
- Vamos nisso. Ó Sô Silva, agora queremos umas contas em ordem.
- Sim, Senhor.
(E põe em cima da mesa o bloco central)
Agora a sério, eu também não acho que o PSD e o PS sejam iguais, têm é defeitos parecidos.
Ora, Passos admitiu ontem que o PSD não sacode a água do capote e também contribuiu no passado para a "colonização do Estado", prometendo que desta vez não vai "enxamear a administração pública" de quadros do partido, nem criar uma "administração paralela" nos gabinetes governativos.
Gostava mesmo que fosse verdade, mas há uns 15 anos ouvimos Guterres a prometer o mesmo, ficando célebre a expressão 'no jobs for the boys'.
Com resultados fantásticos.
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PORREIRO, PÁ.
Sócrates abraça Durão Barroso, aprovação do Tratado de Lisboa
FOLEIRO, PÁ.
José Lello critica Cavaco, por não convidar os deputados para os discursos do 25/4 em Belém, no seu facebook (lesto, já disse que a mensagem devia ter sido privada e que houve uma arreliadora deficiência tecnológica)
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V DE VITÓRIA
Fazem ideia?
Voltemos vários séculos atrás, até aos tempos de Joana d'Arc, aquela alucinada moça da Guerra dos 100 anos (1337-1453).
Havia séculos que os reis ingleses eram donos de parte da França e prestavam vassalagem aos mais poderosos reis franceses, mas eram insurrectos. A Batalha de Agincourt (1415) é uma das mais conhecidas - pelo menos pelos ingleses, que a venceram, contra um exército muito maior... e cheio de soberba, tipo com-o-rei-na-barriga. Aí mataram ou capturaram meia corte de França, foi uma espécie de alcácer-quibir.
O trunfo ilhéu foi a sua ala de arqueiros, que venceu pelas primeiras vezes a cavalaria-pesada gaulesa, e pesada à conta de dezenas de quilos das armaduras de cavaleiros e corcéis (a talhe de foice, a táctica do quadrado de Álvares Pereira já tinha sido então experimentada).
Porquê o intróito? Data dessas batalhas o V de vitória, quando os arqueiros, para picar os adversários, mostravam de longe os dois dedos esticados, usados no arco para atirar as setas longas:
- Olha, ainda tenho os dedos, toma-toma!
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segunda-feira, 25 de abril de 2011
FOTO DE FAMÍLIA
"Precisamos de políticos com voz própria, pensamento novo e autoridade moral.(...)
Sabemos que temos partidos fechados com poucas ideias e pouco debate; que há, muito mais do que seria desejável, políticos que não estão à altura das responsabilidades, mas sabemos também que muitos cidadãos pouco fazem para alterar esse estado de coisas, preferindo o comodismo do alheamento, da indiferença ou da má-língua inconsequente.(...)
É tempo de mudarmos todos de atitude a nível nacional, com mais vontade e menos voluntarismo e evitando a bipolaridade que se tem verificado em Portugal. E ficamos frequentemente felizes com o acessório. É hora de assumirmos todos as nossas responsabilidades na sociedade.(...)
Há desafios e incertezas e a hora exige tudo de todos nós, porque os que fizeram o 25 de Abril merecem a nossa gratidão.(...)
A actual situação criou a abstenção e a descrença nas instituições, a desconfiança nos políticos.(...)
São provas difíceis que todos viveram, embora em épocas diversas. Deve mover-nos a resolução dos problemas.(...)
Não nos podemos deixar desgastar nos problemas, porque os principais problemas têm sido exactamente a falta de sustentabilidade. Portugal enfrenta dificuldades, mas não podemos entrar nesta espécie de persistência nas dificuldades.(...)
Precisamos de privilegiar o interesse geral, de um Estado prestigiado e de uma economia que esteja ao serviço de todos os homens. O 25 de Abril deve fazer convergir para um futuro de esperança e de energia através dos novos talentos. Devemos dar aos sacrifícios um sentido colectivo e patriótico, para que as gerações futuras olhem para nós como alguém que tentou corrigir os erros."
Estas palavras assertivas são parte do discurso de Jorge Sampaio, tão cristalino como herméticos eram os seus discursos enquanto PR. Foi boa a ideia de juntar os 4 presidentes da democracia, se calhar sem bis, nos jardins do palácio de Belém: 4 discursos naturalmente distintos, mas focados todos na dificuldade presente, na responsabilidade de cada um, na necessidade de acordo e unidade (não unanimismo), na esperança no futuro. Foi diferente, para melhor, que a cerimónia geriátrica da assembleia.
Foi bonita a festa, diria Chico Buarque.
Porreiro, pá, diria Sócrates.
25 DE ABRIL SEMPRE
"Não teria feito o 25 de Abril se pensasse que íamos cair na situação em que estamos actualmente. Teria pedido a demissão de oficial do Exército e, se calhar, como muitos jovens têm feito actualmente, tinha ido para o estrangeiro."
"Falta-nos quem saiba orientar o povo com honestidade, generosidade, com espírito de missão. Salazar foi uma pena, porque era um crânio em economia e finanças, podia ter feito maravilhas pelo povo, mas era um tipo de miopia política. Precisávamos de um homem com a inteligência e a honestidade do ponto de vista do Salazar, mas que não tivesse a perspectiva que impôs, de um fascismo à italiana. Isso é que não."
Otelo
Maus tempos para celebrar o 25 do 4. São tempos em que se batem recordes, mas do desemprego, do défice, da dívida. Isso, são tempos da dívida e da dúvida, sobre o futuro.
Não que eu concorde com Jerónimo, quando diz que Abril está adiado. O Abril dele foi adiado ad aeternum, e bem: perdeu o 24/4 do Caetano e do Kaúlza, perderam os 25/4 do PC, da extrema-esquerda, do Otelo e do Spínola. Ganhou o 25/4 da democracia ocidental: cada pessoa, cada voto.
Mas as datas servem para balanços - como cantava Zeca, "o que eu andei para aqui chegar..."
E o que temos, findos 37 anos, é muito, as estatísticas são inequívocas - pode é não ser o que esperava nessa altura, mas foi o que o povo escolheu: os governos, os jipes "europeus", as férias do BPI, os telemóveis descartáveis.
1977

sábado, 23 de abril de 2011
PLÁGIO
Não só toda a fundação da história cristã veio da Babilónia e da Suméria há milhares de anos atrás, como também os dias santos e as festas cristãs como o Natal, a Páscoa e a Quaresma. Os cristãos até adoram os domingos (sunday=dia do sol), porque o Cristianismo é a adoração do seus Sol - Nimrod/Dumuzi, na forma de Jesus. Os judeus têm o seu Sabat ao sábado, no dia de Saturno (saturday=Saturn-day), outra forma de adoração a Nimrod, pois nos mistérios da Babilónia Nimrod era deificado como Saturno. (...)
Na basílica de S. Pedro, em Roma, colocaram a cadeira de S. Pedro por baixo de uma enorme descrição do sol (Nimrod/Dumuzi) e no centro está a pomba (Semiramis). (...) A mitra que o Papa usa e as grandes perucas da Igreja Cristã são os símbolos das cabeças de peixe de Nimrod, que era também conhecido como Dagon, o deus peixe. O símbolo mais importante dos cristãos, a cruz, não é sequer cristã. Era o símbolo de Nimrod/Dumuzi e foi vastamente utilizado no mundo, durante milhares de anos antes do mítico nascimento de Cristo. (...)
O baptismo, os feriados cristãos, as festas e os símbolos são os mesmos que os da Babilónia, porque a Igreja de Roma é simplesmente a Igreja da Babilónia, apenas noutro local. Semiramis, sob o seu nome Ishtar (pronunciado como Eastar ou Ester), deu-nos a Páscoa (Easter, em inglês) e o ovo da Páscoa vem do facto de Semiramis ter vindo da lua num ovo. (...)
A Quaresma é originária do período de 40 dias da Babilónia, para comemorar Nimrod/Dumuzi e o presunto da Páscoa vem do mito de que Dumuzi foi morto por um porco selvagem. Os babilónicos tinham até a sua versão dos pãezinhos quentes (folares) em forma de cruz. O símbolo do coelhinho da Páscoa é um símbolo antigo da deusa da lua, Semiramis, a deusa da fertilidade. A Primavera - Páscoa - estava estreitamente associada à adoração da deusa mãe e do reencarnado Nimrod, na forma de Dumuzi. O principal homem por trás da emergência do Cristianismo foi o imperador Constantino, que fez dele a religião de estado em Roma e decidiu no Concílio de Niceia no ano 325 em que é que os cristão deviam acreditar a partir daquele dia. (...)
Constantino adorava uma divindade chamada 'Sol Invictus', o Sol não conquistado ou invencível, por isso o novo Cristianismo era-lhe muito familiar. Constantino converteu o Panteão pagão de Roma na igreja cristã e mudou os nomes das estátuas dos deuses, semi-deuses e deusas, para os nomes dos santos cristãos. Uma estátua de Júpiter (Nimrod) tornou-se aparentemente S. Pedro (o halo redondo por cima da sua cabeça no Vaticano simboliza precisamente o sol) e os dias festivos dos deuses babilónicos tornaram-se os dias dos santos do Cristianismo".
D. Icke, via José Mena Abrantes
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quinta-feira, 21 de abril de 2011
À TERCEIRA CAI QUEM QUER
Joshua Benoliel, 21.10.1913
Desde a última sondagem, o PS cresceu 11 pontos (para 36%), o PSD desceu 12 (para 35%), os não sabem/não respondem subiram 7 pontos (para 36%). Vaporizou-se uma diferença de 23 pontos desde Março, o que é pouco credível (no mínimo) para a Marktest. Não entendo.
E o que mudou desde essa altura? O governo ajoelhou e pediu ajuda ao FMI-UE-BCE e o PSD convidou Nobre para presidente do parlamento. O que é essencial e acessório, e quem é culpado? Parece que, nesta sondagem, 86% dos 803 adultos consultados acha que a crise é culpa do Sócrates - o povo está baralhado ou é masoquista. Isso do povo escolher sempre sabiamente, como acha o Soares, não me convence nada.
Já agora, se os laranjas têm o Nobre, o Basílio Horta (diz que é democrata-cristão e que sente melhor no PS que no PP) partilha a lista socialista por Leiria com ...(rufos de tambor)... o Telmo do Big Brother, conhecido pelas "órgias" e "faitedaiveres". "É um jovem empresário e facilmente pode ser reconhecido por ter participado num programa de televisão", foi a justificação do líder da concelhia da Batalha. Há comparação?
O que eu esperava é que, quem votou há apenas ano e meio nos partidos da oposição o faça de novo, e muitos que votaram no PS tenham "visto a luz". Como (corajosamente) discursou Rómulo Machado no congresso socialista "o primeiro-ministro que nos conduziu a esta situação e que conduziu Portugal a uma situação de bancarrota não tem condições para nos fazer sair dela". Aliás, na mesma 'missa', houve outro destemido, o ministro Amado: "Seria até bom que o PS tivesse a sua cura de oposição". Apoiado.
Eu sei que a minha amostra é pouco significativa, mas só encontro pessoal danado com o governo - tirando uma senhora que grita o seu amor ao partido "até à morte", qual membro duma seita, e declara que a oposição não deixou o Sócrates levar-nos a bom porto. A ser verdade que o PS ainda pode ganhar, os seus eleitores escondem-se atrás dos arbustos, como o David Attenborough.
Quanto aos restantes, há abstencionistas enraivecidos (será que a geração à rasca barafusta de longe e não vai votar, num qualquer que seja?), comunistas convictos, PSDs pouco convencidos, uma boa imagem do Portas, mesmo que não votem nele, gente indecisa entre o CDS e o BE, e até um gajo que vota CDS mas é há anos militante do PSD, porque foi convidado por uma moça muita gira.
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quarta-feira, 20 de abril de 2011
INIMPUTÁVEIS?
Principalmente agora que andam aí uns senhores a vasculhar a casa, onde se gasta o que não se tem, devíamos ter um bocadinho de vergonha.
Primeiro foi a festança da CRIL: é coisa pouca, mas os 50, 100 mil euros que se gasta em cada inauguração deviam ser evitados. Claro que não se dispensa o "foguetório" a 6 semanas de eleições, mas podiam imputar a conta ao Largo do Rato, na rubrica acção de campanha.
Mas a náusea veio depois: o governo decretou tolerância de ponto para amanhã à tarde. Como é que se explica aos auditores do FMI-UE que um governo insolvente dê uma borla antes de 4-quatro-4 dias de fim-de-semana prolongado????
Aliás, quem nos conduziu aqui - gastando à tripa forra o que não havia (i.e. pondo na conta) em siglas como SCUT, BPN, TGV, PPP, derrapagens nas AE, e até com o Figo - devia ser castigado.
Não sendo possível a condenação judicial por gestão danosa, eu propunha olharmos para o exemplo da revolução cultural chinesa: o encarceramento dos responsáveis em centros de reeducação.
Para aprenderem.
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terça-feira, 19 de abril de 2011
HOUVE BACALHAU À MOISÉS DO PIPO
A última janta
Num estudo publicado esta semana, Colin Humphreys, professor da Universidade de Cambridge, assegura que a última refeição que Jesus partilhou com os seus 12 apóstolos aconteceu um dia antes daquilo que se pensa.
Colin Humphreys explica que os Evangelhos de Mateus, Marcos e Lucas usaram um calendário mais antigo do que o de João, causando discrepâncias sobre a data da refeição. O académico explicou à BBC que enquanto Mateus, Marcos e Lucas dizem que a Última Ceia foi uma refeição pascoal, João afirma que aconteceu antes da Páscoa judaica.
Mateus, Marcos e Lucas terão usado um calendário antiquado - adaptado do que era utilizado no Egipto nos tempos de Moisés - em vez do calendário lunar que era largamente adoptado pelos judeus na época.
“Jesus não pode ter sido preso, interrogado e julgado em apenas uma noite. Os especialistas e os cristãos acreditam que a última ceia começou depois do pôr do sol de quinta-feira, e a crucificação foi realizada no dia seguinte de manhã. O processo de julgamento de Jesus aconteceu em várias áreas de Jerusalém e os investigadores já percorreram a cidade com um cronómetro para perceber como as coisas terão acontecido e a maioria concluiu que era impossível tudo acontecer em tão pouco tempo”, explicou o professor.
Analisando e confrontando os dois, Colin Humphreys concluiu que a Última Ceia, aconteceu na verdade, na quarta-feira, dia 1 de Abril, do ano 33.
Público, 19.4.2011
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(R)EVOLUÇÃO
inimigo público
"O MODELO CUBANO JÁ NEM PARA NÓS FUNCIONA"
Fidel à revista "The Atlantic Monthly", 09.2010
"OU RECTIFICAMOS OU ACABOU-SE O TEMPO DE CONTINUAR A BORDEAR O PRECIPÍCIO, AFUNDAMO-NOS"
"TEMOS QUE EXPATRIAR O IMOBILISMO FUNDAMENTADO EM DOGMAS E PALAVRAS DE ORDEM VAZIAS"
Raul Castro, 04.2011
Decorre mais um congresso do partido comunista cubano (apenas o VI), retoricamente marcado sobre o 50º aniversário do falhado desembarque americano na baía dos porcos.
Primeira novidade: a assumpção formal do falhanço do modelo comunista, já desnudado com a "expulsão", para um sector privado embrionário, de meio milhão de funcionários públicos (era para ser o dobro, mas andam muitas revoltas populares por aí...).
Segunda novidade: os cargos electivos vão ter, a partir de agora, um máximo de 2 mandatos... de 5 anos. Prazo bem escolhido, pois o caçula Castro já está a ficar entradote: faz 80 em Junho, mais 10 anos... é fazer as contas.
Aliás, este afirmou que este congresso talvez seja o último onde estão presentes testemunhas da revolução de 1959.
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segunda-feira, 18 de abril de 2011
NÃO PAGAMOS?
geração rasca, luta anti-propinas, 1991-93
A esquerda da esquerda recusa sentar-se à mesa com a troika de senhores que nos vai emprestar dinheiro a juros inferiores aos que conseguimos no mercado, e anda p'aí com umas ideias sobre o pagamento da dívida. Esses MITOS URBANOS são simpáticos e tal, mas não é por isso que deixam de ser mitos.
Comecemos pelo PCP: não queremos o FMI, impõe-se é uma renegociação da dívida! A Grécia anda há vários meses a tentar sem sucesso renegociar a dívida com os credores, e apenas conseguiu a diminuição dos juros a pagar aos seus pares europeus - depois de mais medidas inspiradas no seu legislador Drácon. Portugal também não tem força negocial para escolher juros e prazos de pagamentos - em qualquer negócio, decide quem está menos necessitado -, mas pode declarar bancarrota e ficar sem acesso a crédito, isso pode.
Agora o BE, inflamado com o exemplo viking: a solução é fazer como os islandeses e não pagar a dívida! Ora bem, a Islândia não deixou de pagar a dívida pública, o que o povo decidiu foi não pagar o dinheiro que aforradores estrangeiros (principalmente 5000M€, de 400.000 ingleses e holandeses) tinham nos bancos nacionais falidos, que o Estado "nacionalizou" - deixou de aceder aos "mercados" e vive de empréstimos bilaterais, como a China e a Polónia, e do FMI. Ora, não há cá "emprestadados", pessoa honrada paga o que deve, o que pediu e gastou; mas admitamos, em tese, que não pagávamos - quem nos emprestaria, a partir desse dia, um cêntimo, uma piastra ou um kuanza?
É que o problema é que, não só estamos estrangulados em (juros de) dívida, como continuamos a precisar que alguém (esses agiotas!!!!*) nos empreste dinheiro quase semanalmente. Nós é que estamos precisados do dinheiro dos outros, como de pão para a boca.
* A culpa não é dos tesos, é destes filhos do Demo, como eram apelidados os judeus prestamistas do séc. XIV, não é?
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