...e depois, com bigodes de leite, pedem mais paciência e esforço ao povo, que a "vaca 'tá seca".

quinta-feira, 17 de março de 2011

CDS EM CAMPANHA

Já devo ter contado que colei cartazes e andei em cima das camionetas nas campanhas do PSD, como a maioria dos meus amigos. Cheguei a andar pelo ribatejo com um debutante Cavaco, mas afastei-me na sua 2º campanha, quando se tornou absoluto. O que havia por perto? Um partido de quadros, óptimos tribunos de meia-idade, muito certinhos e respeitosos, com 4 deputados (sempre tive simpatia por quem perde, mesmo num jogo de bilhar). 
Quando ia de camioneta para Vila Real, pela estrada antiga (não havia A4; a viagem até ao Cartaxo durava 8 a 12 horas, e metia à 6ª o combóio-correio Porto-Setil, com paragem em todas as estações e apeadeiros), vi durante anos um cartaz gigantesco, à saída do Porto, com Adriano Moreira e o mais novo dos seus muitos filhos. Uma imagem afável.
Tenho idade para me lembrar bem dos autocolantes das presidenciais do Freitas e do Basílio (que acabaram socráticos), do consensual Lucas Pires (afinal, acabou no PSD), dos cartazes irreverentes do Manuel Monteiro (foi beber um café e fundou outro partido), do anti-federalismo (póstumo). Até aos cartazes simples (a uma cor é mais barato), mas eficazes, das últimas legislativas.
A quem interessar, aqui ficam.   




Freitas do Amaral (1974-82; 88-91)

1975



Legislativas 1980





Legislativas 1983
  Lucas Pires (1983-85)
  
Presidenciais 1986


Adriano Moreira (1986-88)
Legislativas 1987
Presidenciais 1991
Legislativas 1991




Manuel Monteiro (1992-1998)
Legislativas 1995





~


Referendo 1998
1999

Europeias 1999



Legislativas 2002
Paulo Portas (1998-2005; 2007- )
Legislativas 2005

Autárquicas 2005
CDS-Madeira

 Europeias 1999
Ribeiro e Castro (2005-07)
Legislativas 2009

E agora, verdadeiros gags das autárquicas:

não ficou
ficou tempo demais
também não ficou
(junta freguesia de Castro Daire 2009)
moderna, só a universidade do líder
.

LIÇÃO Nº 2: COMO SE FAZ UM PARTIDO


Escrito nas actas da reunião do PPD o que faltava fazer, no verão de 74:
"Necessidade de conquistar votos ao centro"
"Necessidade de afirmar publicamente a ideia da social-democracia"
"Necessidade de ocupar efectivamente o lugar de centro-esquerda, que é o lugar próprio do PPD, impedindo assim o arrastamento do PS em direcção do PCP"
"Necessidade de implantar e enraizar solidamente o partido"
"Necessidade de aperfeiçoar os contactos com os centros de decisão política"
"Necessidade de adaptar a estrutura à dinâmica do partido"
"Necessidade de antecipação política"
"Necessidade de apontar claramente as opções políticas concretas"
"Necessidade de começar uma intensa campanha de obtenção de adesões ao partido"
"Necessidade de criar impacto na opinião pública por meio de uma campanha maciça através dos orgãos de informação"

Eis algumas das soluções práticas:
"Fazer uma campanha urgente nas praias com distribuição de papeis de propaganda  e balões, e sobrevoo das praias com um avião com faixa de propaganda ao PPD"
Contactar "professores primários, veterinários, agentes agrícolas, médicos e padres"*
"Abrir em cada concelho um café O Social-Democrata"
"Estudar acções especiais para as mulheres"
"Tentar entrar no clube das donas de casa"
Reuniões com representantes de todas as ordens religiosas e um encontro com 2000 padres, ou cartas de recomendação de sacerdotes utilizadas para iniciar contactos, foram outros métodos para passar a mensagem.
Miguel Pinheiro, Sá Carneiro, pp. 310-311

* Os que mandam na aldeia, só falta o boticário...
.

LIÇÃO Nº 1: COMO SE FAZ UM PARTIDO



No final do almoço, Sá Carneiro entregou a Barbosa de Melo um maço de folhas com um projecto de programa do PPD. O texto não previa que o estado assegurasse tarefas sociais ou de transformação da sociedade; não definia que a política devia orientar a economia; e não fazia qualquer referência às colónias. “Isto precisa de levar uma demão maior” disse na altura o coimbrão. E levou os papeis para o hotel.
Tenho muita pena, mas isto não é um programa de um partido social-democrata. O que vocês estão a fazer é um partido liberal, não é a minha opção”, comunicou Barbosa à noite, numa reunião a que Sá Carneiro faltou.
Em pânico, José ferreira Juniór ligou-lhe e, quando pousou o telefone, virou-se para Barbosa de Melo e disse “Ó pá, escreve tu umas bases programáticas como entenderes. Mas o documento tem que estar pronto até domingo”.

Barbosa de Melo escreveu o documento, mas receou que Sá Carneiro não aceitasse a “execução dum projecto socialista viável”, a “planificação e organização da economia” e a “propriedade social dos sectores-chave da economia”.
Mas Sá Carneiro aceitou tudo. Já não estava preocupado com os detalhes do programa político. Ele sabia que, para se tornar relevante, tinha que estar no primeiro governo provisório. E com força. Anos depois, Sá Carneiro explicou como conseguiu que o PPD tivesse 2 ministros, tantos como o PCP e apenas menos 1 que o PS: foi precisa “muita lata”.
Miguel Pinheiro, Sá Carneiro, pp. 261-264
1975-1976

quarta-feira, 16 de março de 2011

CHEIRA A ELEIÇÕES


Sócrates começou a campanha, primeiro com a conferência de imprensa, depois com a entrevista à SIC (a pedido de quem?).
Vai repetindo ad nauseam que quem quiser pode mandar abaixo o governo, e que a culpa da instabilidade política e consequente sentença dos mercados será da oposição. Já o pessoal pode esperar alguma redução do aperto daqui até às eleições - depois volta -, é aproveitar.
Provas? A acusação junta aos autos 2 documentos (ainda quentes da impressora): a cedência às farmacêuticas na descida prometida do preço dos medicamentos (contra descontos ao Estado); a oferta às transportadoras de descontos nas scuts (10% de dia, 25% de noite) e aumento da majoração da despesas em combustíveis, de 120 para 140%, em sede de IRC.

Para quem ainda não decidiu, é começar a ponderar as alternativas plausíveis:
Hipótese A. Maioria absoluta do PSD.
Hipótese B. Maioria relativa do PSD, governo AD.
Hipótese C. Maioria relativa do PSD, Bloco central.
Hipótese D. Maioria relativa do PS, oposição mais forte.
Hipótese E. Maioria relativa do PS, governo com BE.
Não parece que qualquer governo minoritário consiga passar a tempestade, ou o tente, que o PC aceite partilhar o poder, ou que Sócrates recupere a maioria absoluta.
Também não parece muito conveniente entregar nova maioria absoluta ao PSD (que, aliás, diz não querer governar sózinho). Parafraseando Sócrates, "eu estou muito de acordo" com a hipótese B, sabendo porém que a agitação social será ainda maior com um governo de centro-direita: o caminho é estreito, não se avizinham boas notícias e os socialistas num instante voltam à rua, para se juntar aos protestos contra o que fazem agora.
Sobra ainda um governo de Sócrates e Louçã. Não será catastrófico, o BE toma um banho de realidade (como os verdes alemães), ver-se-á obrigado a tomar decisões contra o seu eleitorado e, nas eleições seguintes, passa a bloco de notas.

terça-feira, 15 de março de 2011

GROTESCO

Com os anos, vamos acumulando ímans no frigorífico, retalhos da vida - tipo os aneis das árvores, ou autocolantes de lugares longíncuos em malas de viagem antigas. Trouxe o meu primeiro íman de Viena, nos idos de 1998. É a imagem duma máscara grotesca intitulada The Beaked, existente na Oesterreichische Gallerie do baixo Belvedere, um belo "anexo" do palácio de verão setecentista, no centro da cidade.
Havia lá alguns bustos do escultor Franz Xaver Messerschmidt (1736-83). Soube muito mais tarde que ainda existem 49 das 64 figuras esculpidas - porque havia 64 'caretas canónicas'... -, e a razão da sua criação: Messerschmidt perdeu o juízo (com esquizofrenia paranóide ou, como escreveram à data, confusão na cabeça), fechou-se em casa e fazia estas caras grotescas para espantar os demónios que, dizia ele, lhe apareciam de noite e lhe causavam dores, almas essas lideradas pelo Espírito da Proporção (as dores não eram ilusórias, Franz padecia da doença de Crohn). O seu método consistia em beliscar-se abaixo da última costela direita, em frente ao espelho, para captar imagens de dor, e repeti-las em bronze ou mármore...
Fica sempre a dúvida: se o homem tivesse os parafusos todos, fosse aceite como professor e continuasse a pintar umas telas e fazer uns bustos da imperatriz Marie-Térèse, se calhar não passava à história.

The Beaked





The Lecher








Afflicted with constipation
The Yawner