...e depois, com bigodes de leite, pedem mais paciência e esforço ao povo, que a "vaca 'tá seca".

terça-feira, 15 de março de 2011

GROTESCO

Com os anos, vamos acumulando ímans no frigorífico, retalhos da vida - tipo os aneis das árvores, ou autocolantes de lugares longíncuos em malas de viagem antigas. Trouxe o meu primeiro íman de Viena, nos idos de 1998. É a imagem duma máscara grotesca intitulada The Beaked, existente na Oesterreichische Gallerie do baixo Belvedere, um belo "anexo" do palácio de verão setecentista, no centro da cidade.
Havia lá alguns bustos do escultor Franz Xaver Messerschmidt (1736-83). Soube muito mais tarde que ainda existem 49 das 64 figuras esculpidas - porque havia 64 'caretas canónicas'... -, e a razão da sua criação: Messerschmidt perdeu o juízo (com esquizofrenia paranóide ou, como escreveram à data, confusão na cabeça), fechou-se em casa e fazia estas caras grotescas para espantar os demónios que, dizia ele, lhe apareciam de noite e lhe causavam dores, almas essas lideradas pelo Espírito da Proporção (as dores não eram ilusórias, Franz padecia da doença de Crohn). O seu método consistia em beliscar-se abaixo da última costela direita, em frente ao espelho, para captar imagens de dor, e repeti-las em bronze ou mármore...
Fica sempre a dúvida: se o homem tivesse os parafusos todos, fosse aceite como professor e continuasse a pintar umas telas e fazer uns bustos da imperatriz Marie-Térèse, se calhar não passava à história.

The Beaked





The Lecher








Afflicted with constipation
The Yawner








segunda-feira, 14 de março de 2011

LE SURRÉALISME, C'EST MOI

"A atitude realista é fruto da mediocridade, do ódio, e da presunção rasteira. É dela que nascem os livros que insultam a inteligência (...) A mania incurável de reduzir o desconhecido ao conhecido, ao classificável, só serve para entorpecer cérebros (...) A mente que mergulha no surrealismo revive, com exaltação, a melhor parte de sua infância (...) Não é o medo da loucura que nos vai obrigar a hastear a meio-pau a bandeira da imaginação."
Este é um trecho dum (longuíssimo e com direito a replica) Manifesto Surrealista, escrito em 1924 por Andre Bretton, como prefácio a uma coleção da "escrita automática", uma técnica em que o escritor deveria colocar na página tudo o que lhe vinha à cabeça, sem se importar com a forma ou o sentido.

Dali e Magritte são as 2 principais figuras da pintura surrealista. Bom publicitário de si mesmo, cá para mim o histriónico Salvador Domènec Felip Jacint Dalí i Domènech, 1º marquês de Dalí de Púbol (Figueres 1904-1989) precisava era de psicanálise, afinal um dos fermentos do surrealismo.
Não vejo adjectivo mais pertinente para a sua pintura, e para o surrealismo, que onírico. São imagens recorrentes a sua Gala, o ovo, elefantes, pessoas-gaveta, muletas e relógios deformados - inspirados por um queijo camembert a derreter numa quente tarde de Agosto, disse. E aqui e ali lembramo-nos de Bosch.
Para este ignorante, a sua fase mais prolífica terá sido entre os 25 e 50 anos.

1928 arquitectura surrealista
1929 o grande masturbador
1929 retrato de paul eluard
o quadro mais caro do surrealismo, leiloado em fevereiro por 21.7M dólares
1931 alucinação parcial, 6 aparições de lenine sobre um piano de cauda
1931 persistência da memória
1933-34 instrumento masoquista
1934 desmame do móvel alimento

1936 cabeça de nuvens
1936 o gabinete antropomorfico
1936 suave construção sobre feijões cozidos, premonição da guerra civil
1937 girafas em chamas
1937 sono
1937 a metamorfose de narciso
1938 praia com telefone
1938 espanha
1940 faces da guerra
1941 tenro auto retrato com fatia de bacon frito
1941 automoveis vestidos, pormenor

1943 criança geopolitica observando o nascimento do homem novo
1943
1944 Sonho Causado Pelo Voo de uma Abelha ao Redor de Uma Romã um Segundo Antes de Acordar
1946 a tentação de sto. antónio
1948 elefantes
1951 cristo de s. joão da cruz
1952 esferas de galatea
1954 cruxificação
1954 relógio mole no momento da explosão
1958 ascenção de cristo
1977 vinhos de gala e do divino