...e depois, com bigodes de leite, pedem mais paciência e esforço ao povo, que a "vaca 'tá seca".

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

VAMOS LÁ, É SÓ ESCOLHER

E pronto, tá a acabar a campanha. Não haverá muitos indecisos, já se optou por ficar em casa, manter o presidente em funções ou por uma cruz numa das alternativas - ninguém está é empolgado, certamente. A ponto de alguns acharem que, se não houvesse campanha, o seu candidato tivesse maior votação. Eu, um desses, espero que Nobre tenha uma boa votação, não por ele, mas porque pode abrir caminho a outro candidato que saia da "sociedade civil" daqui a 5 anos, com hipóteses sérias de ganhar.
Mas claro, importa é votar, há suficiente escolha.

Como imagem, as candidaturas escolheram o movimento das cores naccionais, a esfera armilar, uma papoila, uma onda (e o 11 a verde-rubro) ou, sem um brainstorming profissional para inventar um símbolo, a cara dos candidatos.
Quanto a slogans, há desde o "Acredito nos portugueses" de Cavaco ao "Presidente justo e solidário" que luta pelo Estado Social (Alegre), desde o "Recomeçar" de Nobre à "Mudança necessária" de Lopes (cuja "candidatura patriótica e de esquerda" tem "confiança nos trabalhadores, no povo e no país"), desde a luta contra o clientelismo e pela regionalização de Moura ao "Coelho ao poleiro". Muita crença e muita confiança, em suma.







terça-feira, 18 de janeiro de 2011

PERGUNTA PARA QUEIJO


Prá semana fazem 16 meses que Sócrates ganhou as eleições - um terço da legislatura já lá vai.
Tirando o casamento gay, para quem isso interessar, lembram-se de alguma coisa boa e com impacto que este governo tenha feito?

Eu sou meio esclerosado e tenho fraca memória, mas o que retive no arquivo foi o sufoco das finanças. Back to 2009: o défice previsto ficava abaixo de 3%, nas eleições de Setembro o governo garantia 5.8%, 3 meses depois a conta fechou em 9%. O PM insistia nas grandes obras públicas como bilhete para o sucesso, quando toda a gente sabia que não havia guita, e assegurava que as finanças estavam controladas e não eram precisas medidas adicionais, dias antes de aumentar o IVA, o IRS, o ADSE e a CGA. Pariu-se um PEC, não chegou, outro PEC e depois mais outro. Cortou-se o abono de família, o subsídio de desemprego, a comparticipação de medicamentos, o rendimento mínimo, as deduções à colecta... e o salário dos servidores públicos. Agora já vai no revirar dos bolsos e no rapar do tacho, com o aumento estratosférico das taxas moderadoras, multas e taxas de desbloqueamento dos carros.

Mas continuamos a gastar mais do que recebemos e custa cada vez mais arrancar uns empréstimos, para a despesa corrente e pagar juros do calote: enfim, para a mercearia e a prestação do plasma (daquelas que tá sempre a crescer, tipo Cofidis).
Ora Sócrates crava uns trocos à China (que não sabe o que fazer às divisas que acumula, e para quem este empréstimo é liliputiano), ora vai em "roadshow" às arábias vender a dívidazinha, numa espécie de MBO. E, como não se morde a mão que nos alimenta (e que tem outra noção de "direitos"), volta o epíteto que Mário Soares usou para a ditadura: Portugal amordaçado.
Futuro? Enquanto a Alemanha já cresce a mais de 3% ao ano, nós vamos regredir em 2011 e, estima quem sabe, vamos ter na próxima década 1 dos 2 menores crescimentos do Mundo.

Pronto, há mais vida para além das finanças. Pois é, a Justiça tá na mesma, a Cultura definha sem orçamento, as escolas contam os paus de giz, os hospitais cortam nos medicamentos, as empresas não ganham quota de mercado, cada vez produzimos menos para comer.
Pergunto de novo: está-me a escapar alguma medida profícua do XVIII governo constitucional?

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

FAZER PELA VIDINHA


O "sensato" conselho de Cavaco Silva para comermos e calarmos de modo a que "os nossos credores" não se zanguem connosco e nos castiguem com juros cada vez mais altos espelha uma cultura salazarenta de conformismo que, sendo muito mais antiga que Cavaco, ele representa na perfeição, até nos seus, só na aparência contraditórios, repentes de arrogância.
Quando Cavaco nos recomenda que amouchemos pois "se nós lhes [aos 'nossos credores'] dirigirmos palavras de insulto, a consequência será mais desemprego para Portugal", tão só repete, adaptada à actual circunstância, a "sensata" e canónica fórmula do "Manda quem pode, obedece [ no caso, cala] quem deve".
Trata-se de uma atávica cultura em que a vida é vidinha, a crítica deve sempre ser "construtiva" e colaborante, os trabalhadores, por suave milagre linguístico, se tornam "colaboradores" (e se colaboracionistas melhor ainda) e servilismo e acriticismo são alcandorados a virtudes cívicas. Porque é assim que se faz pela vidinha, de joelhos.
Estejamos, portanto, gratos às "companhias de seguros, fundos de pensões, fundos soberanos, bancos internacionais e cidadãos espalhados por esse mundo fora" que nos emprestam dinheiro a juros usurários, pois eles apenas querem o nosso bem. E, como o bom Matateu numa famosa entrevista a Baptista Bastos, digamos tudo o que quisermos, excepto dizer mal, "porque [cito de cor] Matateu não diz mal de ninguém".

Manuel António Pina in JN 30-12-2010
n.r.: não sei se concordo com MAP (de quem sou fã), mas achei um dos parágrafos bem apanhado, à Guerra Junqueiro.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

CAMPEÃO EM TÍTULO, STONE CAVACOOOOOO


Enquanto o Povo andava ocupado com o aperto de cinto do próximo ano e a "quadra" do Natal (gastando como se não houvesse amanhã), há para aí uma pré-campanha para as presidenciais. É uma espécie de WRESTLING, um espectáculo ensaiado em que já o vencedor já foi escolhido - de Boliqueime, ooooo Stone Cold Cavacooooo –, leva muita porrada-que-não-dói de quatro lutadores, à vez ou aos pares, mas aguenta qual sempre-em-pé até ao gongo final.
É um motivo adicional para o desinteresse: de 10 em 10 anos, mais que uma eleição, há um referendo ao presidente em funções: desta vez, temos uma sondagem de opinião sobre o Cavaco, que já ´tá eleito. Não me incomodam os 5 anos em que foi parco nas palavras, mas vê-lo nos debates fez-me recordar porque não gosto dele.
Mas vejamos as alternativas: um operário (?), um poeta, dois médicos e um bobo, todos sem rasgo.
LOPES não quer ser presidente, é um candidato a próximo-Jerónimo: o PC vai a jogo porque quer exposição e Lopes quer visibilidade, 2em1.
ALEGRE é o castrado, baseou a anterior candidatura na crítica e na oposição, na cultura da independência e 5 anos depois, é o candidato do poder – esperto Sócrates, calou-o com o seu apoio. Contra a sua natureza, o “a mim ninguém me cala” já era, agora vive uma contradição de apoios e é tudo contenção. Fio da navalha.
Quanto a DEFENSOR DE MOURA, o candidato 2%, sei de onde vem (de Viana), mas não sei ao que vem ou o que acrescenta. Traz à liça a regionalização e o clientelismo, o que lhe interessa ou o que conhece, como ex-autarca.
E depois há o NOBRE, um cidadão que todos admiram, nas suas funções, o que não quer dizer que se disponham a dar-lhe a de PR – como diz Sousa Tavares, um homem bom e sério não faz um bom e sério candidato. Um homem comum, com umas ideias à esquerda e outras à direita, Nobre faz o papel de Alegre de 2006 e é o candidato contra a situação, mas como vem (mesmo) de fora do sistema, tem mais genuidade e menos densidade de ideias e conhecimento do “métier”. E exacerba o problema dos outros, ou promete coisas vagas, porque as funções são vagas, ou entra nas competências do governo. Prometia mais no início? Prometia. Falta-lhe preparação e máquina eleitoral? Falta. Abusa do auto-elogio e compete no conhecimento da miséria (eu é que vi uma galinha a roubar uma migalha a uma criança.....), mas, no fim, é o único que traz algo de novo e de fresco – porque não ter um presidente amador, nos 2 sentidos? Não se queixam todos que “eles” são todos iguais?
Por fim, no dia do último debate, foi aceite pelo TC a candidatura de José Manuel COELHO, do PND-Madeira, com o slogan “Coelho ao poleiro”. Obteve os seus 15 segundos de fama quando hasteou uma bandeira nazi na assembleia regional, para protestar para o “fascismo” jardinista, e foi proibido de lá entrar uns dias depois, por capangas do Alberto João. Outro Tiririca.
Bem, e há sempre a hipótese de acabar com o lugar, mais caro que a monarquia espanhola: o governo e o parlamento regem-se pela constituição e o tribunal constitucional interpreta em conformidade.
P.s.: À direita, não há ninguém, é tudo muito disciplinado e pragmático, ainda andaram em conversas mas ficaram no balneário. Decididas as eleições, e porque não tenho por hábito/gosto votar no que ganha (excepto 2 em 17 vezes, contra Cavaco em 96 e contra maisumpresidentesocialista em 2006), eu contribuo para que Nobre tenha um resultado apresentável. Talvez corresse melhor se tivesse esperado 5 anos.

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

PNEUS NO OLIMPO

Qualquer oficina que se preza tem pendurado um calendário com uma menina desnuda, junto às latas de óleo e farrapos para limpar as mãos. Mas há uma marca de pneus que edita, há muitos anos (38), um calendário de luxo, que só deve ser aplicado em oficinas da Lamborghini.
O calendário da Pirelli para 2011 cumpre as expectativas. E tudo muito cosmopolita: com fotos da autoria de Karl Lagarfeld (autor de algumas das divinas jóias), tiradas no seu estúdio de Paris, o calendário da marca italiana foi apresentado no Teatro Stanislavsky e Nemirovich-Danchenko de Moscovo, apostando a Pirelli na expansão do mercado Russo. O tema é a mitologia greco-romana, e teve a participação especial da actriz americana Juliane Moore, como Hera, mulher de Zeus.


































quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

SINAIS DOS TEMPOS


A cimeira da Nato em Lisboa foi muito bem organizada, a ponto do Obama afirmar que tomou algumas notas, para preparar a próxima reunião, nos states. Está descoberto o desígnio de Portugal, o nosso nicho: eventos. 500 anos depois do mar, o catering.
As coisas são tão calmas por cá, que os blindados da psp podem chegar depois da festa, que no pasa nada. Um idílio numa Europa em polvorosa, com manifs violentas em Itália, França, Inglaterra, Espanha ou Grécia.
Haverá fotografias mais impressionantes, de desgraças longínquas. Mas este quadríptico (se o Mia Couto pode inventar palavras, também eu) foi o que mais me chocou em 2010.
Perguntarão os pais destas criaturas “onde é que errei?”. De facto, o que pode levar uma pessoa, numa histeria colectiva ou organizadamente (como os anarquistas black block), a destruir carros e lojas, que têm dono, dono esse que deve ter suado para tê-los, e que é alheio à especulação financeira, à subida de propinas, à redução dos salários, ao despudor do Berlusconi ou ao aumento da idade da reforma.
Mas este caso é diferente: um cidadão tentou impedir o acto de destruição, e foi ferozmente agredido. Foi uma decisão temerária e inusitada, pois o costume é a passividade das pessoas, o virar a cara e passar de fininho - como se viu há semanas, em que câmaras filmaram uma enfermeira a ser roubada e agredida até entrar em coma (e morrer) numa rua de Roma, sem que ninguém a acudisse.

Há dias, ao sair para trabalhar, ouvi um berro cavo em decrescendo, parecia uma pessoa a esvair-se. Encontrei uma senhora deitada em convulsões e semi-inconsciência. Dentes e nariz partido contra a esquina do passeio, uma larga mancha de sangue. A senhora da loja em frente, a cabeleireira Carla, conhecia a “sinistrada” de 32 anos, e telefonou aos pais (o pai não abriu a boca, ajudou a dar-lhe açúcar, a mãe abraçava-se a todos os desconhecidos, em pânico) e aos bombeiros. Que me contou ela? Já não era a primeira vez que chamava a ambulância, a rapariga era diabética, mas não comia para não engordar…

Conhecem os parques dos IKEA, onde os pais deixam as crianças, enquanto se aviam na loja? A cunhada duma das funcionárias contou-me que nunca lá põe o petiz, e porquê. Parece que muita gente, quando tem os filhos doentes, os deixa no parque; alguns, quando a temperatura começa a subir, nem atende o telefonema da loja.
Será negligência, impossibilidade de faltar ao emprego, o quê? Nada de bom será.

Se ainda andasse por aí a minha avó "in law" Clementina, diria que são sinais do fim do mundo...

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

PARA TODOS, UM NATAL COM SORRISOS

Há publicidades que marcam. Há uns 20 anos, naqueles programas sobre anúncios, deu um pacote duma fábrica de electromésticos. Um comparsa perguntava a outro como era o seu aparelho, e este respondia "É bom... mas não é um Brastemp!!!" (pela mesma altura, em Vila Real, o rapaz do videoclip dizia que um filme bom, mas não extraordinário, era "nojentinho").
Desde então, eu e a Susana dizemos que uma coisa boazinha não é um Brastemp.

Voltei agora a ouvir falar neles, através doutra publicidade engenhosa. 11 rádios de São Paulo, ao mesmo tempo, pediram a quem circulava na rua, que sorrisse para os condutores do lado. Óptima maneira de começar a manhã, sorrindo para os desconhecidos, e receber um sorriso de volta. Aqueles milhares de paulistas devem ter passado o resto do dia mais alegres.
E não custou nada.

E já agora, TENHAM UM NATAL BRASTEMP.

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

ASSIM NÃO BRINCO!!!


Correio da Manhã, hoje:

O fundador do site WikiLeaks, Julian Assange, que abalou o Mundo ao revelar milhares de documentos confidenciais em nome da liberdade de informação, queixa-se agora de estar a ser vítima de "fugas de informação maliciosas".

Em causa está a revelação pelo jornal britânico ‘The Guardian’ – um dos cinco jornais mundiais escolhidos por Assange para divulgar os telegramas diplomáticos dos EUA – de pormenores sobre o processo judicial em que é acusado, por duas suecas, de violação. Assange considerou isso uma traição e, ontem, numa entrevista ao ‘The Times’, criticou duramente o ‘The Guardian’, que acusou de "publicar selectivamente" partes do processo judicial contra si na véspera da sua audiência em tribunal, na semana passada. "Esta fuga de informação foi claramente pensada para prejudicar o meu pedido de libertação sob fiança", afirmou o fundador do WikiLeaks, adiantando: "Claramente, alguém com autoridade pretendia manter-me na prisão."


Ora, portanto, Assange não gosta de fuga de informações, que os jornais seleccionem o material que publicam, de acordo com o interesse jornalístico, e retirem as coisas do contexto... safados.

domingo, 19 de dezembro de 2010

KISSINGER E A PORTEIRA


O José António saraiva tinha uma crónica no Expresso em que acertava sempre, porque fazia um prognóstico e o seu contrário: fulano vai ganhar, mas também vai perder, sicrano está certo, mas também está errado, a decisão é boa, mas faz mal...

É assim que eu vejo o WikiLeaks.
É perigoso e errado publicitar quais os lugares considerados mais sensíveis para a segurança dos Estados, dirigindo-lhes os holofotes. Assim como é mais próprio de alcoviteira a divulgação de considerandos sobre a vida privada ou do carácter de políticos - que interessa o gosto do Berlusconi por boas companhias? Há ainda que ter em conta que algumas das informações podem não ser verídicas, é suposto 'checá-las' – e alguns jornais conseguiram provar a impossibilidade de algumas delas estarem correctas.
Mas há o outro prisma: confirma-se que a diplomacia (no caso, americana) também se faz com o “diz-que-disse” e conversas de alcova, que a linguagem é pouco polida - o candidato do BE/PS é chamado de Alegressaurius - e que a análise é tão profunda como a dum treinador de sofá, pois o retrato que chega a Washington é bem desfocado: desde quando é que Portas é um líder altamente respeitado (tirando os seus eleitores)?
Confirma-se ainda que a realpolitik de Henry Kissinger está vivinha da silva: já não se apadrinham golpes de estado (?), mas seguram-se regimes corruptos e autoritários em troca de negócios ou apoio logístico-militar. Um exemplo apenas: a embaixada no Usbequistão afirma que a família do presidente é fulcral no crime organizado da Ásia central, mas a prioridade é manter a aliança, pois o país é usado como plataforma logística na guerra do Afeganistão. Outro Noriega, décadas depois.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

BOLO TÁRTARO


É possível não ser psicopata e desejar que a filha tenha um bocadinho de dor? É.
A minha 'mai velha foi ontem ao dentista. Já lá fora reparar os dentes da frente, que partiu... 2 vezes. Mas agora foi tratar a sua primeira cárie.
Nada inesperado, quase não há dia em que não coma "porcarias" (padre, pequei, porque o permiti... mas muito faço eu, que lhe como os saquinhos de rebuçados que traz das festas de anos!!!).
E sim, torci para que a experiência a afectasse, de modo a reduzir o consumo de açucar*. Mas a única reacção foi tapar os ouvidos, por causa da broca. Dor, nenhuma.
Isso era dantes, agora há compósitos, luzinhas endurecedoras, adesivos, corantes e anestesias eficazes. Antes havia umas macroseringas e uns alicates, ir ao dentista era pouco agradável. mesmo para estóicos como eu que não tugia nem mugia na cadeira. Só falar no "ferro-de-engomar" (um prédio antigo e bem apessoado no Cartaxo, triangular) petrificava.

Bem, e já que regresso à infância, havia uma palavra pior que ferro-de-engomar: Ripilau. Há palavras que vos causam calafrios? Eu tenho uma, Ripilau.
Bom aluno, não passava vergonhas. Excepto num dia de tormenta, o da festa anual das escolas num eucaliptal (ou clipal, como dizem uns quantos) perto do Cartaxo – o Ripilau – com competições desportivas interescolas. Corridas em corta-mato, ainda vá, mas porque é que haviam de colocar cordas para os meninos menos ágeis tropeçarem, para gáudio da trupe infante e de todos os paizinhos da urbe?
Não há nome mais certeiro, corrida com obstáculos. Pode um convívio ao ar livre, com direito a merenda e cheiro a resina (seguida de mais provas, chuiff…) causar lesões irreversíveis numa criança?
Talvez venha daí o meu ódio ao desporto. Como uso dizer, se há certezas quanto ao meu desfecho é que ninguém “olha, morreu a fazer desporto”. É que o desporto mata, olhem o Féher.
Sempre fui assim, pelos 8 anos o meu pai chamava-me juiz de linha, porque os outros jogavam à bola e eu levava uma cadeira de lona para assistir...
Pronto, psicopata não, apenas asténico.

* Não funcionou.

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

HÁ SEMPRE ALGUÉM QUE RESISTE, HÁ SEMPRE ALGUÉM QUE DIZ NÃO


Chama-se Liu Xiaobo e devia ter ido hoje a Oslo receber o Nobel da Paz. Não foi porque está preso por actividades subversivas (crime: assinar um manifesto reclamando a democracia; pena: 11 anos), a mulher está em prisão domiciliária desde o anúncio do prémio. Daí as cadeiras vazias no palco e uma cerimónia reduzida a um austero discurso, uma leitura do homenageado e uma salva de palmas por uma plateia trajada de gala e presidida pelos reis da Noruega.

Uma pateada à China, um regime securitário onde, por azar, vive amordaçado um em cada 5 terráquios - uma boa talhada dos talvez 3 biliões que vivem em países sub-livres.

Uma vaia aos 18 países que, pressionados por carta pela China, sob pena de haver "consequências", boicotaram a cerimónia - Rússia (apenas por falta de agenda, afiançaram...), Cazaquistão, Colômbia, Tunísia, Arábia Saudita, Paquistão, Sérvia, Iraque, Irão, Vietname, Afeganistão, Venezuela, Filipinas, Egipto, Sudão, Ucrânia, Cuba e Marrocos.
São uns belos exemplos de países que a China arregimentou para provar que o prémio não representa o desejo da "maioria dos povos do mundo". Ah, e como escreveu Hillary Clinton (num dos papeis delatados pela voyerista Wikileaks), "Como é que que se consegue falar duro com o nosso banqueiro?".

Uma vênia à Noruega, que viu suspensas as negociações comerciais com a China. Só num país com eles no sítio, perdoe-se-me a grosseria, os reis, o governo e o parlamento dão a cara numa cerimónia destas. Aliás, viu-se como cá, há 15 dias, Cavaco e Sócrates estenderam o tapete vermelho a Hu Jintao, à espera de patacas. Com manifestantes suficientemente afastados.