"Para certos republicanos a República tem sido um pé de cabra com que vêem aumentando os seus haveres." Senador João de Freitas, histórico republicano, in Boletim parlamentar do Senado, 11-06-1913
domingo, 18 de abril de 2010
PR'A SEMANA EXPERIMENTO
400 milhões de pessoas fazem parte da rede social Facebook. É muita gente, a somar aos "amigos" do twitter, do xing, do ning, do linkedIn, ...
Eu ainda não aderi, o que quase me torna excêntrico, visto que TO-DO o mundo já lá está.
Já pediram “a minha amizade” várias vezes, no Hi5 e no Facebook. Alguns dos convites eram de pessoas com quem raramente me cruzei, duma concelhia do PS e dum dirigente local do mesmo partido, que toda a gente sabe que não é o meu (partido que já me convidara para apresentações de candidatos em 2 terras bem afastadas, o que só prova que são nada selectivos – é quase assédio).
Mas compreendo que tenha interesse por motivos comerciais, políticos ou de intervenção cívica - a "coisa" é uma agenda de contactos gigantesca e uma mensagem pode espalhar-se em horas, como mil rastilhos.
Acompanhei uma estreia. Começa-se por encontrar uma série de gente, amigos perdidos e malta que já nem lembrávamos que existia: "olha o sabugo! olha o como é que se chama?! ena a Tecas!" Essa parte é óptima, como é descobrir grupos de fãs de bares do nosso roteiro nocturno na faculdade, e com velhas fotos anexas (um dos títulos, "já me senti indisposto no Pioledo", serve a milhares que lá passaram).
Depois vem a fase chata dos convites para amigo por gente chata. Faz-se de morto para não responder, como se evita atender o vendedor da ZON.
Diria que todos passam pelo mesmo, mas há quem aceite toda a gente e convide toda a gente, procurando ser amiga de pessoas que nunca viram mais gordas (como filhas de colegas...), ao mesmo tempo que não sabem a graça do vizinho do lado.
Há quem se meça pelo número de amigos, mas imaginem um ginásio com má acústica, ouvir 800 gajos a falar não é conversa, é ruído. Bem, é o regresso aos amigos imaginários, para quem os teve: chamar-lhes amigos faz-me lembrar o comentário de Mark Twain à notícia da sua morte, "é claramente um exagero".
Muitos são pessoas com quem não bebíamos um copo, a quem não telefonamos pelo TMN gratuito, ou ainda que vemos diariamente, sem trocar uma ideia.
E as relações são meio mecânicas ou robóticas, impessoais: há mensagens pré-formatadas à distância dum clique, como “Manuel manda abraço” - mesmo que a mensagem seja explicitamente dirigida a outrem -, ou “Isabel gosta disto”. Nem se escreve, clica-se!
O facebook tem os fãs e os fanáticos, verdadeiros apóstolos que cantam loas à ideia. Existem já clínicas para tratar o FAD (facebook adict disorder) em doentes que "têm que" visitar a rede todos os dias (by the way, é o vosso caso?).
É, só por febre a pessoa substitui contactos pessoais por mensagens no facebook: há dias, contaram-me o caso dum gajo que descobriu no facebook que o afilhado de casamento de separara...
Há ainda um grupo de gente, do meu tamanho, que se entretém a semear melões e uvas (esta uma boa opção, consta) e ganha moedas a adubar o campo dos vizinhos no Farm Ville, um jogo com gráficos pouco elaborados e com frases feitas, tipo “Susana precisa de ferradura” e “Carlos agradece presente”. Isso exige uma ou mais visitas diárias.
Em contra-mão, apareceram uns gajos que pretendem vandalizar as plantações, como quem invade campos de milho trangénico.
O jogo, a que eu chamo um tamagoshi estilo borda d'água, é porém simpático, os “vizinhos” ajudam-se mutuamente e trocam vaquinhas cor-de-rosa. Menos mal.
P'OGRESSO

Há uma história de B.D. que nunca esqueci. Juro que tem mais graça que a minha sinopse, mas reza mais ou menos assim: o Tio Patinhas aleijou-se num joelho e o Prof. Pardal inventou um assento com pernas articuladas, um sucesso que vendeu como pães quentes.
Encorajado, pensou que podia inventar um chapéu com braços articulados, e os patinhos passaram todos a andar com o robot na cabeça. Depois acrescentou-lhe dois olhinhos e, a seguir, uma boca para falar pelos palmípedes.
Chegou por fim à conclusão que os cidadãos de Patópolis caíam amorfos quando se lhes tirava as engenhocas, não conseguiam viver sem elas.
Vocês lembram-se como vivíamos sem Multibanco e telemóvel, e como nos conseguíamos encontrar uns com os outros à porta dum concerto, ou na praia?
Ah, na história, foi tudo resolvido com abstinência dos gadgets e ginástica colectiva.
Vocês lembram-se como vivíamos sem Multibanco e telemóvel, e como nos conseguíamos encontrar uns com os outros à porta dum concerto, ou na praia?
Ah, na história, foi tudo resolvido com abstinência dos gadgets e ginástica colectiva.
quinta-feira, 15 de abril de 2010
IDADE PARA TER JUÍZO
Tenho um amigo com idade para ter juízo: há meses, enviou esta música dos Deolinda a 5 pessoas que, como ele, participaram num protesto, escrevendo que se devia respeitar mesmo quem se acobardara e ficara quieto. Um dos destinatários disse mata e um outro disse esfola, enviando sem querer os mails a toda a gente.
Baile armado. A coisa não seria importante, não fora os mais furiosos serem amigos (rating AA) do rapaz com idade para ter juízo: “quem são vocês para se auto-intitularem de corajosos e dar lições de moral (…) se és meu amigo, podias dizer-mo na cara”.
O rapaz com idade para ter juízo só não aprendeu umas coisas, porque já as sabia:
1º Pela boca morre o peixe.
2º Uma mensagem que se quer bem disposta, pode ser piada de mau gosto para a plateia (que se entende) visada, é como contar anedotas de ciganos na feira de Carcavelos.
3º Epicuro escreveu “Faz tudo como se alguém te contemplasse”, eu diria fala ou escreve sempre como se o alvo das tuas palavras te ouvisse.
O rapaz com idade para ter juízo defendeu-se, alegando que não pretendeu provocar ninguém e que a mensagem era privada – o que, à primeira, me lembrou o Paulo Penedos na comissão da AR, sobre as escutas: mais importante que o conteúdo, é a forma indevida da divulgação?
Mas o argumento tem um fundo de razão: nas mensagens privadas, não há preocupação em escolher as palavras ou em evitar generalizações, que atingem todos indiscriminadamente. A mensagem teria outro efeito usando “algumas pessoas” e trocando cobardia por “instinto de sobrevivência” - redonda e diplomaticamente suave.
O dizer-na-cara-do-amigo leva-nos para outro lado. Li algures que, em média, as pessoas dizem 7 mentiras por dia, geralmente piedosas e/ou para manter a paz social.
Mais que mentiras, há omissões: se toda a gente dissesse sem rodeios tudo o que pensa, o mundo deixava de funcionar: haveria arraial como na aldeia de Asterix, com pafs, peixes e bigornas a voar. E um amuo geral eterno.
Tirando o comum “tá bom, tá!” quando a anfitriã pergunta pelo seu repasto apenas tragável, há coisas que preferimos calar: “A tua mulher é uma imbecil, pá.”, “Não acredito em tudo o que contas, gostas de apimentar as histórias.” ou “O que te sobra em simpatia falta em competência.”.
Tendo mesmo de ser, em vez do sem-espinhas “O teu sucesso dependeu mais do cartão partidário que da tua competência (que tens).”, preferimos sussurrar “Hás-de convir que seres do Partido deu uma ajudinha…”, e a quem se está a marimbar para o trabalho podíamos alertar suavemente “talvez sejas um bocadinho despreocupado no trabalho”.
Tudo em nome duma boa convivência, até porque as pessoas de quem gostamos também têm defeitos.
Mas o melhor mesmo é, às vezes, estar calado.
quarta-feira, 14 de abril de 2010
UM BUNKER DESTES PRÓ GOUVEIA, JÁ!
terça-feira, 13 de abril de 2010
CONCURSOS PRÓ-FORMA

Caríssimo:
Não imaginas quem tenho visto, o Rodrigo. Está na mesma, tenho é dificuldade em acompanhar a sua saga laboral: foi sub-director regional da saúde, ainda há meses era director-geral das pescas e agora vai para um instituto qualquer com uma sigla enorme que nunca ouvi falar. É obra, para um engenheiro de minas.
Se não ‘tás a ver quem é, talvez a alcunha te diga alguma coisa, o “copo-de-3”. Nunca lhe associei uma densidade intelectual que lhe augurasse um futuro tão perto do sol, o que recordo é como o gajo culpava sempre o último copo que o estragava, “cheirava a rolha”. Se calhar essa era uma faculdade premonitória da sua apetência para a política, sacudir a água da samarra. E a mãe, ‘tadinha, acolhia-o sempre o etilizado rebento com um ternurento “Por Santa Maria de Cárquere, o que é que os teus amigos te fizeram?”, como se o benjamim fosse eternamente um caloiro praxado.
Mas antes a ele que a outro qualquer, não achas?
A propósito, vi há tempos uma entrevista ao dono da Jerónimo Martins na SICN. Soares dos Santos disse 2 coisas engraçadas:
1. As pessoas estão sentadas 10-15 minutos antes das reuniões da sua empresa começarem, dando tempo para a conversa de ocasião, porque a hora marcada é para começar a trabalhar.
2. Os gestores públicos devem ser seleccionados de acordo com o perfil determinado para a função, e geralmente é uma pessoa da estrutura – escolhe-se a pessoa certa para o cargo, não o cargo certo para a pessoa. Exactamente o contrário de pegar em pessoas do partido e arranjar-lhes um “poiso”. É que nem sempre os bons e os lugares bons se encontram.
Ai coisa e tal, é um escândalo que o Estado faça concursos de empreitadas, à medida de quem quer escolher.
Pois é, mas o problema não é só nos grandes concursos, é em quase todos, só varia a dimensão: como uso dizer, o presidente do instituto rouba no cartão de crédito e usa o carro para ir ao spa, o porteiro (que chama gatuno ao chefe) rouba os clips e usa o telefone para ligar ao primo do Canadá, é uma questão de oportunidade.
Depois do Inverno cavaquista, o Guterres arejou a casa. Uma das suas leis pretendia que, tirando dirigentes máximos de nomeação, todos os restantes cargos fossem preenchidos por concurso, para despartidarizar a administração pública. Não passou de boas intenções.
Há um ano, resolvi participar num concurso para uma câmara municipal, mesmo que a vox populi assegurasse que o lugar já estava atribuído. Guardo carinhosamente um mail enviado pelo director municipal a la Sampaio – num palavreado jurídico e hermético, nem percebi o que queria dizer, excepto a conclusão, negativa claro.
Há umas semanas, fui informado que iria abrir um concurso para chefe de divisão noutra câmara. Não cheguei a concorrer, pois soubera antes que o lugar tinha sido prometido a um colega; o único ignorante foi um professor convidado para júri, de forma a dar credibilidade à farsa.
A questão foi-me resumida de forma cristalina por um autarca: “na maioria dos casos, o concurso é para formalizar situações”. O concurso, que não era para ninguém saber, teve excesso de candidatos e foi anulado – e o “ungido” vai tomar posse na mesma.
Mas também já me calhou a mim ser convidado para um cargo de chefia (em Lisboa, como sempre!, pelo que recusei).
Toma-se posse, uns meses (ou anos) mais tarde é aberto o concurso obrigatório e fica o “artista convidado”, que já tem experiência e gavetas ocupadas.
É a vida, diria um tal Guterres.
Uma palmada nesses costados. Até.
ROBERT DOISNEAU
Robert Doisneau (1912-1994) disse "as maravilhas da vida diária são excitantes, nenhum realizador pode arranjar o inesperado que se encontra na rua".
As fotografias seguintes, a mais conhecida (que, consta, foi cenografada), um violoncelista e uma série de instantâneos numa montra 'provocante', são uma ínfima parte do álbum maravilhoso que o fotógrafo francês nos deixou. Googlem.



As fotografias seguintes, a mais conhecida (que, consta, foi cenografada), um violoncelista e uma série de instantâneos numa montra 'provocante', são uma ínfima parte do álbum maravilhoso que o fotógrafo francês nos deixou. Googlem.
Hotel de Ville 1950

O Violoncelista
Série Um olhar oblíquo 1948

(la dame indignée)
domingo, 11 de abril de 2010
PAZ, PÃO, POVO E LIBERDADE

Mais um ungido no PSD, Agora Passos Coelho. Disse um dia o Jaime Gama que “Não há segunda oportunidade para se criar uma primeira impressão”. Eis a minha.
1. A Unidade. Porventura sincero, o abraço de urso aos outros 2 candidatos eliminou dissidências e, ao contrário da Ferreira Leite, dá uma imagem de coesão, há muito afastada do partido. Ajuda saber que o poder pode estar perto, claro.
2. A entourage. Está lá o aparelho, com o chefe da distrital de Lisboa António Carreira (numa presidência qualquer), o chefe da associação de municípios Fernando Ruas (Presidente do congresso), o chefe da distrital do Porto Marco António e o filho do Filipe Menezes (vice-presidentes). Mas também muitas caras novas, como o fiscalista Leite Campos, comentador da SICN.
E o inamovível Zeca Mendonça, o "abre alas" de, até agora, 17 presidentes, desde Sá Carneiro. As memórias deste assessor de imprensa, contratado como segurança do partido em Agosto de 74, serão um best-seller, pela certa.
3. A modernidade. Cenário à telejornal, com gente atrás, e mesa de bloguers no congresso, com direito a conversa com o Passos. A atenção à forma de comunicar é espelhada na promoção a vice-presidente duma académica especializada em Marketing político.
4. A mensagem. Apanhei um bocado do discurso final, e parecia estar a ouvir o Portas. Passos falou no tributo social (quem tem o apoio do Estado deve retribuir, com trabalho nas juntas ou em IPSS, por exemplo) e na importância da economia social, o 3º sector da sociedade que junta ONG, IPSS, cooperativas e quejandos. Só faltou a lavoura.
Passados 2 anos sobre o auge da crise mundial, já pode dar uma demão de liberalismo, ainda muito tímida, e descolar de Sócrates: Estado fora da economia!
5. A demagogia. Passos repetiu o empenho na luta contra a corrupção, a alergia à tomada do Estado pelos partidos e à colocação de camaradas em empresas privadas com participação pública. ‘Tá-se a ver que, se lá chegar, o seu (sôfrego) partido não vai cobrar… em géneros.
E a ideia do Estado pagar salários nas empresas a quem seria despedido, em vez de pagar subsídios de desemprego, até é simpática, mas vê-se como ia parar com o nosso patronato: eu agora despeço-te, continuas a trabalhar, mas é o Estado que paga.
6. A família. O pai, fundador e ex-presidente do PSD de Vila Real, disse em entrevista “ai dele se não faz só o que é razoável, a minha mulher ficava desgostosíssima”. Delicioso. Ainda vai levar muito tau-tau da mãezinha...
1974
1975

sábado, 10 de abril de 2010
O SENTIDO DA VIDA

Fui ontem à dentista.
O curioso foi que, ao contrário do costume – esperar uma hora na sala de espera, a folhear revistas cor-de-rosa com mais de 6 meses – , estive à conversa com a dentista mais de 1 hora antes do restauro, já de babete, sobre the meaning of life (fica menos lamechas em inglês).
Convenhamos, é assunto que raramente falamos, muito menos com uma semi-estranha de broca na mão.
O resumo da conversa não reproduz o interesse da mesma, mas aqui vai. A bonita pessoa, que nunca perde o seu sorriso sereno, teve um filho internado até aos 18 meses, com prognóstico muito reservado (aí viu como tudo é efémero) e, aos 9 anos, tem graves problemas respiratórios e uma espécie de autismo.
Diz que nunca se queixou, nem à família, porque a carga não é deles, apenas reconhece um cansaço ocasional: pudera, tem 3 filhos e o marido trabalha na Tunísia.
Ao contrário do que se usa dizer, acha ela que a pessoa não é a sua circunstância, e que, tirando a doença e a morte, podemos sempre escolher: ela escolheu, em vez da depressão ou desespero, encarar o filho como uma prova e uma oportunidade de se auto-conhecer (“descascar a cebola”) e melhorar.
Na sua metáfora, a vida é como um exame escrito, há as perguntas fáceis que todos acertam, depois há as questões só para alguns.
Contou que, até aos 20 anos, tudo lhe correu bem, e que não se conhecia então, e que prefere uma vida com obstáculos, onde pode crescer, a uma vida perfeitinha, “à bolina”, mas que não ensina nada nem obriga a “trabalhar-se” a si própria.
Pareceu-ma quase satisfeita pela provação. Perguntei-lhe se preferia a vida como uma estrada cheia de buracos e árvores caídas, em vez duma auto-estrada sem história. Embora admire a sua boa disposição, eu acho que preferia uma estrada rural em asfalto e pouco sinuosa, e num carro com boa suspensão – há problemas que não se desejam a ninguém...
O filho obrigou-a a relativizar tudo e a dar às coisas apenas a importância que elas têm, pois as pessoas fazem dramas com problemas comezinhos, ocupadas com uma vida apressada (sem tempo para parar, pensar ou apenas aproveitar o momento – carpe diem, não é?), pequenas competições e vontades materiais que podiam esperar mais um pouco. E com angústias que, vistas a frio, são pouco importantes.
Disse-lhe que estava mais perto do nirvana que eu, que me enfureço com muitas coisas, ao que respondeu que também lhe acontece, apenas o seu ponto de ebulição é mais alto.
Opta por valorizar os pequenos prazeres, as pequenas vitórias, o hoje, em vez de antecipar preocupações com o futuro (no caso, o do filho) ou viver o amanhã – o exemplo que deu é conhecido, porque é que estamos mais chochos ao domingo à tarde que na tarde de sexta, quando estamos a trabalhar?
Tive que concluir a conversa com um argumento de peso: se não me despachasse, a minha filha ficaria à porta da escola e a Susana ficava danada – e dizer-lhe “relativiza, há coisas mais importantes na vida” não daria resultado.
E lá restaurei o primeiro molar.
quinta-feira, 8 de abril de 2010
PRIMEIRO ERA O VERBO

Com uma criança na escola, sou forçado a tirar o pó aos arquivos mortos, armazenados no limbo da minha memória.
Mesmo não dando calinadas na gramática, já foi há muito que estudámos os grupos nominais, os complementos (que já não se chamam assim, são grupos móveis, parece*), os pretéritos imperfeitos e os mais que perfeitos: sabemos como se escreve, mas nem sempre conseguimos sistematizar a informação toda.
Isto na maioria dos casos, pois há situações que esquecemos por falta de uso. Um exemplo é o tempo verbal na segunda pessoa do plural, o VÓS.
A ensinar a minha petiz, já me encontrei e debitar um verbo em alta velocidade, dando um cheirinho no travão ao chegar ao "Vós", em alguns verbos menos frequentes. Experimentem um fácil, eu cantava, tu cantavas, vós…?
Na verdade, a culpa não é nossa, apenas alienámos ao longo de décadas um sexto da nossa gramática verbal, quase ninguém aplica o Vós, preferimos conjugar o “vocês” e a terceira pessoa do plural. E quando o fazemos, é quase por brincadeira, como o “ide à vossa vida”.
Mas ainda existem alguns redutos nas Beiras e em Trás-os-Montes, que mantêm presente o vós na sua oratória, como garantia da sua identidade. Às vezes de formas exageradamente hiperbólicas: não esqueço a minha senhoria, quando estudei em Vila Real, cuja frase preferida era “vós fazerdes como entenderdes”.
Na verdade, a culpa não é nossa, apenas alienámos ao longo de décadas um sexto da nossa gramática verbal, quase ninguém aplica o Vós, preferimos conjugar o “vocês” e a terceira pessoa do plural. E quando o fazemos, é quase por brincadeira, como o “ide à vossa vida”.
Mas ainda existem alguns redutos nas Beiras e em Trás-os-Montes, que mantêm presente o vós na sua oratória, como garantia da sua identidade. Às vezes de formas exageradamente hiperbólicas: não esqueço a minha senhoria, quando estudei em Vila Real, cuja frase preferida era “vós fazerdes como entenderdes”.
* Mudanças tão importantes (ironia), quanto confusas, como chamar senhor buzina ao polícia apito, ou trocar os nomes todos aos 5 da Enid Blighton e chamar Max ao cão Tim. Não tem graça nenhuma.
RESTAURADOR OLEX
Há 25 anos, usava pullovers aos losangos, era um dos betinhos. Mas nunca alinhei muito em modas, como patilhas grandes, cabelo oxigenado ou à tigela, botas texanas, aquelas coisas que conferem uma identidade de grupo (confesso, tive uma vez um penteado embaraçoso, mas, diriam os Xutos, foi um caso isolado).
Como pai, talvez me venha a deparar com um “miúdo” com desejos de fazer um piercing ou uma tatuagem, ou descubra que é gótico e use só preto e caveiras, ouça ruído e pareça um membro da família Adam.
Vou tentar evitar o argumento final, “enquanto ‘tiveres cá em casa, mando eu”, que más lembranças me traz. Seria a isso obrigado num caso: RASTAS.
Não me venham dizer que a falta de lavagem dos dreadlocks (aqueles charutos de cabelo) é mito, que os petizes usam água do mar e sabão azul. Convém lavar pouco e o champô alisa o cabelo, não dá; se o cabelo não for bem seco, cria fungos e dá pivete: o cabelo parece sujo porque está sujo. Ora, falta de higiene, não.
Cada qual faz o que bem entende - obviamente -, claro, mas faz-me espécie ver meninas e meninos até bem apessoados com estas grinaldas encafuadas num saco de lã riscado.
Não é que seja grave a adesão a estéticas sem que se saiba porquê, é mesmo natural na idade, mas saberão os teen-rastas que os dreadlocks servem para diminuir o volume do cabelo, em particular quando é frisado?
Já agora, passa-lhes pela cabeça que o movimento rastafari não se reduz a bob marley e ao reggae, mas que tem origem religiosa, considerando Deus na Terra o nanominimicro Imperador de Etiópia, Hailê Selassiê I, Rei dos Reis, Senhor dos Senhores e Leão Conquistador da Tribo de Judah (as cores do gorro são, nem mais nem menos, as da bandeira etíope), e que muitos rastafaris cumprem restrições alimentares bíblicas ou são vegetarianos – o que é diferente de consumir erva?
Como pai, talvez me venha a deparar com um “miúdo” com desejos de fazer um piercing ou uma tatuagem, ou descubra que é gótico e use só preto e caveiras, ouça ruído e pareça um membro da família Adam.
Vou tentar evitar o argumento final, “enquanto ‘tiveres cá em casa, mando eu”, que más lembranças me traz. Seria a isso obrigado num caso: RASTAS.
Não me venham dizer que a falta de lavagem dos dreadlocks (aqueles charutos de cabelo) é mito, que os petizes usam água do mar e sabão azul. Convém lavar pouco e o champô alisa o cabelo, não dá; se o cabelo não for bem seco, cria fungos e dá pivete: o cabelo parece sujo porque está sujo. Ora, falta de higiene, não.
Cada qual faz o que bem entende - obviamente -, claro, mas faz-me espécie ver meninas e meninos até bem apessoados com estas grinaldas encafuadas num saco de lã riscado.
Não é que seja grave a adesão a estéticas sem que se saiba porquê, é mesmo natural na idade, mas saberão os teen-rastas que os dreadlocks servem para diminuir o volume do cabelo, em particular quando é frisado?
Já agora, passa-lhes pela cabeça que o movimento rastafari não se reduz a bob marley e ao reggae, mas que tem origem religiosa, considerando Deus na Terra o nanominimicro Imperador de Etiópia, Hailê Selassiê I, Rei dos Reis, Senhor dos Senhores e Leão Conquistador da Tribo de Judah (as cores do gorro são, nem mais nem menos, as da bandeira etíope), e que muitos rastafaris cumprem restrições alimentares bíblicas ou são vegetarianos – o que é diferente de consumir erva?
sábado, 3 de abril de 2010
DEBOCHE
Pompeia, enterrada na lava do Vesúvio em 79 d.c., é talvez o único "sacrifício colectivo" património da humanidade.
O infortúnio dos cidadãos poupou a cidade e manteve-a conservada durante 2000 anos, como estava no dia em que o vulcão se chateou. Pompeia é, assim, um dos principais testemunhos da vida, organização social e arte na Roma antiga.
Isso é particularmente verdade no caso dos frescos, cujo passar dos séculos é normalmente fatal.
As contrário das 3 religiões do Livro, as religiões politeístas têm uma visão dessacralizada, ou despudorada, do sexo e da nudez - as suas imagens são comuns nos templos pré-colombianos, indianos ou clássicos grego-romanos.
Pompeia é disso exemplo: não só nos edifícios públicos, como nas salas das villas de cidadãos honrados, estão presentes imagens eróticas, que hoje só se veriam em prostíbulos. E somos nós os "avançados"...
Admitamos que a nossa sogra não ficaria constrangida em aparecer para jantar, e que até achava o nosso "Afrodite e 3 númidas" um traço de distinção, podia era ser um bocado cansativo ter um fresco destes lá em casa, não acham?
O infortúnio dos cidadãos poupou a cidade e manteve-a conservada durante 2000 anos, como estava no dia em que o vulcão se chateou. Pompeia é, assim, um dos principais testemunhos da vida, organização social e arte na Roma antiga.
Isso é particularmente verdade no caso dos frescos, cujo passar dos séculos é normalmente fatal.
As contrário das 3 religiões do Livro, as religiões politeístas têm uma visão dessacralizada, ou despudorada, do sexo e da nudez - as suas imagens são comuns nos templos pré-colombianos, indianos ou clássicos grego-romanos.
Pompeia é disso exemplo: não só nos edifícios públicos, como nas salas das villas de cidadãos honrados, estão presentes imagens eróticas, que hoje só se veriam em prostíbulos. E somos nós os "avançados"...
Admitamos que a nossa sogra não ficaria constrangida em aparecer para jantar, e que até achava o nosso "Afrodite e 3 númidas" um traço de distinção, podia era ser um bocado cansativo ter um fresco destes lá em casa, não acham?
Banhos Públicos
Banhos Públicos


Casa Vetti
OS BUFOS SERVEM PARA ALGUMA COISA
Cientistas descubriram que os sapos vulgares (Bufos bufos) deixam de acasalar nos 3 dias anteriores a terramotos graves, por causa do radão libertado pelo solo.
Os mesmos cientistas referem apenas os sapos machos, mas presumo que as fêmeas também o façam, mais não seja por falta de companhia.
Seja como for, a diminuição da actividade dos bufos tem mais uma vantagem, até agora desconhecida.
Os mesmos cientistas referem apenas os sapos machos, mas presumo que as fêmeas também o façam, mais não seja por falta de companhia.
Seja como for, a diminuição da actividade dos bufos tem mais uma vantagem, até agora desconhecida.
quarta-feira, 31 de março de 2010
TUDO MUDA PARA CONTINUAR NA MESMA

Um povo imbecilizado e resignado, humilde e macambúzio,
fatalista e sonâmbulo, burro de carga, besta de nora,
aguentando pauladas, sacos de vergonhas, feixes de misérias,
sem uma rebelião, um mostrar de dentes, a energia dum coice,
pois que nem já com as orelhas é capaz de sacudir as moscas;
um povo em catalepsia ambulante, não se lembrando nem donde vem, nem onde está, nem para onde vai;
um povo, enfim, que eu adoro, porque sofre e é bom,
e guarda ainda na noite da sua inconsciência como que
um lampejo misterioso da alma nacional,
reflexo de astro em silêncio escuro de lagoa morta.
Uma burguesia, cívica e politicamente corrupta até à medula,
não discriminando já o bem do mal, sem palavras, sem vergonha,
sem carácter, havendo homens que, honrados na vida íntima,
descambam na vida pública em pantomineiros e sevandijas,
capazes de toda a veniaga e toda a infâmia, da mentira à falsificação,
da violência ao roubo, donde provém que na política portuguesa sucedam, entre a indiferença geral, escândalos monstruosos, absolutamente inverosímeis no Limoeiro.
Um poder legislativo, esfregão de cozinha do executivo;
este criado de quarto do moderador; e este, finalmente,
tornado absoluto pela abdicação unânime do País.
A justiça ao arbítrio da Política,
torcendo-lhe a vara ao ponto de fazer dela saca-rolhas.
Dois partidos sem ideias, sem planos, sem convicções,
incapazes, vivendo ambos do mesmo utilitarismo céptico e pervertido, análogos nas palavras, idênticos nos actos,
iguais um ao outro como duas metades do mesmo zero,
e não se malgando e fundindo, apesar disso,
pela razão que alguém deu no parlamento,
de não caberem todos duma vez na mesma sala de jantar."
GUERRA JUNQUEIRO, 1896
PEDRAS NO CAMINHO

Posso ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes,
mas não esqueço de que minha vida é a maior empresa do mundo.
E que posso evitar que ela vá a falência.
Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver apesar de
todos os desafios, incompreensões e períodos de crise.
Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas
e se tornar um autor da própria história.
É atravessar desertos fora de si,
mas ser capaz de encontrar um oásis no recôndito da sua alma.
É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida.
Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos.
É saber falar de si mesmo.
É ter coragem para ouvir um 'não'.
É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta.
Pedras no caminho?
Guardo todas, um dia vou construir um castelo...
erroneamente atribuído a Fernando Pessoa
(as últimas 2 linhas serão da autoria dum blogger brasileiro, de graça Nemo Nox)
segunda-feira, 22 de março de 2010
QUAL, AGRADEÇO E RETRIBUO
Louis Armstrong e Danny Kaye divertem-se numa desgarrada de "whem the saints go marching in".
terça-feira, 16 de março de 2010
OU HÁ MORAL, OU COMEM TODOS

Vão mas é dar banho ao cão.
Esta história do governo insistir que não aumenta os impostos, "só" reduz as deduções fiscais, como se no fim o resultado fosse outro, já me andava a irritar - há alguém que acredita neles, tirando uns deputados acéfalos que repetem o discurso (e nem esses)?
Depois foi a notícia do Estado propor um bónus pelos resultados de 2009 ao Penedos, o que saiu da REN (empresa semi-pública) por causa da face oculta, no valor de 250.000€ (mais 1 milhão para os outros administradores).
Mas hoje foi demais: depois de dizer que tinha que tocar a todos, o governo afirmou que a taxação das mais valias bolsistas teriam que ser adiadas, porque não há condições de momento. Mas o povo já tem folga, há condições para reduzir o subsídio de desemprego, de congelar pensões de 190€, de portajar estradas sem alternativa, de reduzir o que considera benefícios - a saúde, a educação, a casa, a poupança.
Alguém me explica, como se eu tivesse 3 anos, que um gajo que ganha 120.000€ na bolsa continua mais um momentinho sem pagar imposto, senão o mercado afunda, e um que labuta para ganhar 1200€ vai passar a entregar mais IRS, e ainda é considerado como tendo um "rendimento mais elevado" - praticamente rico -, razão pela qual deve contribuir mais um pouco, em nome da justiça fiscal?
Neste caso, eu tinha um problema adicional: os partidos à direita dão-se bem com o capital, tendo pruridos (ou lastro ideológico) em criticar esta injustiça. Pelo que deviam ter vergonha.
Mas fiquei aliviado (e pacificado com o meu sentido de voto), o Portas perguntou hoje na SICN que, face a um PEC (chamou-lhe programa de esfola do contribuinte) destes, se não fazia sentido pedir também um esforço ao sector financeiro. Disse aliás várias outras coisas de jeito.
domingo, 14 de março de 2010
REUNIÃO MAGNA

Como todos, provavelmente, vi bocados do congresso do PSD neste fim-de-semana. Continua a ser o partido com reuniões mais engraçadas, é consensual.
Espremido, espremido, fica o quê?
Aprovaram uma norma que proíbe críticas ao partido nos 2 meses antes de eleições – uma tolice, nunca tirarão proveito, mas levam o ferrete a fogo da fama.
A regra de 2ª volta para eleição do líder, talvez a alteração mais importante dos estatutos, não passou porque não havia quórum, fez-se tarde e os congressistas tiveram que regressar a Macedo de Cavaleiros.
Há sempre uns cromos, agora foi a presidente a prazo a levar uma cabeçada duma câmara de TV (condicionamento dos media) e o Alberto João a abandonar o palco e sentar-se ostensivamente ao lado do Rangel, amuado porque o Passos disse que o perdoava (albertices).
Fez-me lembrar quando Menezes saiu a chorar do congresso de 95, vaiado por ter criticado os "elitistas, sulistas e liberais".
A revelação do congresso foi mesmo deste ex-presidente: afirmou que Aguiar Branco tinha mais hipóteses eleitorais se fosse menos sério e apoiou Passos. Dixit.
Loas à franqueza, mas estamos conversados.
A modos que não me interessa quem ganha um partido onde não voto, mas espero que saia dali o próximo PM, é sinal que o sôr engenheiro-técnico (o que consegue não rir quando diz que os tugas não vão pagar mais impostos este ano) vai para casa.
Se escolhesse, não optava o Passos (torço sempre pelos mais pequeninos ou que estão a perder), que tem o aparelho todo atrás, os gajos que lá estão sempre para gerir prebendas e pequenos poderes.
Não votei na eleição para a minha Ordem, porque havia gente de quem não gostava em todas as listas. Acontece o mesmo aqui: todos os candidatos estão mal acompanhados (tirando o Castanheira, que não tem claque). Até o Rangel, com quem talvez simpatize mais, lá tem a Lopes de Costa e o Arnaut. Blhh.
GUERNICA EM 3D

A tela "Guernica" de Pablo Picasso, apresentado em 1937, recorda o bombardeamento nazi daquela terra, durante a guerra civil espanhola, como o pintor imaginou. A obra impressiona pelo conteúdo e pelo tamanho, 782x351 cm, ocupando uma parede no museu Reina Sofia, em Madrid.
Foi criado um vídeo académico onde, com técnicas de infografia digital, a tela é "bisbilhotada", mostrando pormenores que à partida passariam despercebidos.
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