...e depois, com bigodes de leite, pedem mais paciência e esforço ao povo, que a "vaca 'tá seca".

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

MAU JUIZ EM CAUSA PRÓPRIA


Um tal Gilberto de Nucci tem uma imagem curiosa a respeito do nosso comportamento:
Os homens caminham na face da terra em FILA INDIANA, cada um com 2 mochilas: na da frente, colocamos as nossas qualidades, na de trás guardamos os nossos defeitos.
Por isso, durante a jornada da vida, mantemos os olhos fixos nas nossas virtudes, presas ao peito.
Ao mesmo tempo, reparamos impiedosamente, nas costas do companheiro adiante, em todos os defeitos que ele possui.
E julgamo-nos melhores que ele – sem saber que a pessoa que vai atrás de nós está a pensar a mesma coisa a nosso respeito.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

PELA BOCA MORRE O PEIXE



Bem prega Frei Tomás, faz o que ele diz,

NÃO faças o que ele faz.


Voltemos 6 anos atrás, quando o desemprego era 1/3 menor e o endividamento externo era invejável: tirando a parte da legitimidade eleitoral, o texto aplica-se como uma luva.
O primeiro-ministro Sócrates devia ouvir o líder da oposição Carvalho Pinto de Sousa - e corar.
Depois querem respeito.

Já o Sô Presidente opta por não comentar a vida dos partidos, é coisa que "não fiz, não faço e NÃO FAÇAREI": http://www.tsf.pt/PaginaInicial/portugal/Interior.aspx?content_id=913933

sábado, 20 de fevereiro de 2010

OS VENCIDOS DA VIDA


Meu bom Costa:
As suas missivas são um bálsamo, como o são para a mamã, que agradece a sua estima (a infeliz recupera duma queda, a sair da sege). Fazem ganhar o dia, a ponto de olvidar a pieira que me atormenta – cada dia menos,
pour cause dos ares puríssimos da Helvécia.
Vou tendo novas da pátria pelo meu administrador do Pinhão (cartas enfadonhas de deve e haver) e pelo Comendador Acácio, cujos dilemas mundanos são uma piléria, mas sempre manda o Século (quando chega, vem velho, fala num governo que já caiu).
Estar longe lava a memória, ficam só as boas lembranças da terra de Camões – cheguei a salivar ao saber do azeite luso que unta a sua casa de pasto.

Quanto às suas palavras, ânimo, homem, há que ser positivo. Bem sei que Portugal tem um decadente ar de fin de siécle, mas o amigo parece um tanto desiludido.
Devia apresentá-lo ao Ramalho Ortigão, ele faz parte dum grupo jantante, os “Vencidos da Vida”, desiludidos com a Regeneração e depois com El-Rey, onde depositaram confiança. Aquelas opíparas reuniões no Tavares são um regalo, acredite.
A sua carta fez-me recordar 2 versos do Lopes de Mendonça e do Keil, primeiro “Contra os Bretões, marchar, marchar”, pois não suporto ralhetes desses bárbaros cheios de prosápia, e “Levantai, hoje de novo, o esplendor de Portugal”.

A minha marcha pela Europa avivou o meu republicanismo.
O problema não é a piolheira, como lhe chamou El-Rey, nem um povo iletrado e passivo, o problema é o próprio rei, que caça em Vila Viçosa ou desenha peixinhos no iate Amélia, enquanto o país “mareia”.
Fim aos Braganças e venha a República!

Vai ver, meu prezado Costa, como acaba a justiça penhorada ao poder, o caciquismo, os projectos megalómanos e os gastos sumptuosos enquanto o povo asfixia, os deputados que oferecem entre si bengaladas na assembleia e charutos na Brazileira, os políticos que não sabem fazer mais nada na vida, como traças em torno do poder, a censura, a sucessão de governos tão rápida que torna impossível enumerá-los. E a gamela partilhada por 2 partidos, como dois velhos gordos de cartola, guardanapo ao peito e bigodes lambuzados.
Venha a República e a nação será conduzida por homens bons, motivados apenas pelo interesse público. E, creia, quando chegar ao século XXI, Portugal não estará penhorado, mas na vanguarda da Europa.
E há ainda que não esquecer as colónias, tão pouco aproveitadas, dando azo a que nos roubassem o mapa cor de rosa. Chegou a hora de ir para Angola, rapidamente e em força.

Termino a minha prosa voltando ao hymno republicano, “Desfralda a invicta bandeira, À luz viva do teu céo!, Brade a Europa à terra inteira: Portugal não pereceu.”
Guarde lá um Colares para mim, que devo chegar em Março. Não sem antes escrever-lhe de Marselha, onde contamos apanhar o paquete para recolher à Pátria.
Creia-me honrado por tê-lo e à D. Sophia como amigos.
Seu, Bernardo Saraiva

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

POR CÁ TUDO NA MESMA



Meu estimado amigo Saraiva:
Espero que a presente o encontre de saúde. Cá conto que os ares de Lausana lhe tenham melhorado os achaques.
Desde a minha última missiva, pouco mudou neste bocado de terra esquecido pelas Luzes. Este povo continua cabisbaixo e ciclotímico (termo em voga nas magazines científicas), ora deleitando-se com o pouco pão e circo que lhe resta, ora chorando o seu fado.

Quanto ao governo da nação, é o costume.
O chefe do ministério segue de estória em estória, para gáudio do Bordallo: primeiro descobriu-se que afinal o título de barão era falso, depois foi a aprovação dum hipódromo em terrenos proibidos, agora não resiste em fechar os pasquins mais afoitos, porque diz que devemos viver uma “liberdade respeitosa”.
E substitui a ausência de rumo por banquetes, corta-fitas e daguerreótipos. Ah, também por cortinas de damasco e tapetes da arménia, como se o país não estivesse cada vez mais endividado, em milhares de contos de réis.
Enquanto isso, o outro partido do rotativismo anda em bolandas, ninguém se entende há anos.

Veja o amigo que agora o Banco de Inglaterra disse que Portugal está em “morte lenta” – esses narcísicos ilhéus estão entupidos em Porto ou obnubilados pelo rapé, não repararam, há anos que estamos num estado agónico: desde que o reino perdeu a mesada do Brazil, que Portugal gasta mais do que tem, ano sim, ano sim. E tirando o citrino período do Fontismo, não se viu o país melhorar.
O termo é que considero pitoresco, Morte Lenta é o nome com que o pessoal do grémio baptizou uma casa de pasto na Rua do Alecrim, onde tudo é afogado em azeite, as batatas, as costeletas, as alheiras de Mirandela, o próprio balcão e o cabelo do garçon galego. Um terror para o fígado, digo-lhe.

Enfim, um lodaçal.
O que vale é o sumo de Baco – o Colares do ano passado saiu primoroso –, as ceias depois do S. Carlos (o pão) e as idas ao Passeio Público, onde vai toda a Lisboa que tem algo a dizer – sobre filosofia, notícias da alcova, novidades da mecânica e o último grito em águas-de-colónia (o circo, pois então).
Bem, tenho que secar e lacrar esta mensagem, e ainda apanhar o americano em Santos, a tempo de fazê-la seguir no próximo Sud-expresso.
Não se esqueça de me trazer uma caixa de trufas, se parar em Paris. Das pequeninas, que os meus rendimentos são cada vez mais parcos. Quase Liliputianos.
Um grande abraço deste seu criado, Adolpho Costa
P.s.: Os meus mais respeitosos cumprimentos à pia Senhora sua mãezinha.


Av. 24 de Julho e Ribeira das Naus, 1873
Marquês de Pombal, 1930

Fernando Nobre


Espero não me desiludir.

Pedro Mendonça

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

SÃO TODOS UNS MALANDROS!



O nosso bloquista comentou há dias que "andamos os dois a concordar demais".
Primeiro fiquei arrepiado, depois pensei que finalmente ganhou algum juízo e ficou menos ortodoxo.

Finalmente, lembrei-me do meu cunhado: eu costumo votar CDS, ele vota PCP (tem afecto pelo Sr. Jerónimo, mas goza com as suas tonterias ideológicas, tipo democracia na Coreia do Norte), aceitamos as críticas cruzadas e NUNCA tivemos uma única discussão política. Geralmente, é mais "um mata e o outro esfola".
Tipo Statler e Walorf, os velhos dos marretas.

De facto, o grosso da governação não tem carga ideológica: a justiça célere e eficaz, a administração pública eficiente, a boa gestão do erário, a condução isenta e criteriosa dos concursos públicos, o apoio a quem precisa, a justiça fiscal - nada disso tem cor. Mesmo a educação e a saúde, onde a cooperação dos sectores privado e cooperativo têm maiores ou menores defensores, podem ser melhoradas de forma incolor (exemplo, a venda de medicamentos unidose é de direita?).

O que pedimos, à esquerda e à direita, é um governo sério e credível. Um bom governo.
E como não é isso que vamos tendo, juntamo-nos no diagnóstico. E na paulada.

Post scriptum: Tudo bem que haja sintonia entre vários quadrantes, mas uma pessoa votar CDS há 4 anos e agora votar BE "porque o marido lá a conseguiu convencer" - como me contaram ontem - já me parece um exagero.
Voto em consciência?

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Publico ergo sum

A empresa T mobile mandou sms aos clientes, convidando-os a comparecer em trafalgar square. Apareceram 13500, que cantaram um karaoke de "Hey Jude" em uníssono.
Não sei como fizeram, mas ouve-se o som da(s) pessoa(s) que aparece(m) no ecran gigante.
Foi uma festa, como se vê. E uma publicidade engenhosa e inteligente.


No topo da imagem há um link para outro "comercial" da marca, Josh convocou por sms mais de 1000 pessoas para cantarem com ele. Divertido.

sábado, 13 de fevereiro de 2010

OLHA PARA O QUE EU DIGO...


"Os impostos são aquilo que se paga para se ter uma sociedade civilizada." Oliver Wendell Holmes
"Só pagam impostos os que não têm com que pagá-los." Sofocleto

Manda a etiqueta que não se fala à mesa de religião e de política. Acrescentaria sexo e dinheiro, para ninguém se envergonhar ou causar inveja, conforme o caso. Mas hoje queria falar de dinheiro.
Um colega contou-me que o genro tem uma empresa e que, em caso de acidente (sic), o património está no nome do senhorio, um empresa S.A. com os mesmos sócios da “inquilina”. O mesmo quer dizer, em caso de gestão incompetente/danosa ou de incumprimento de devedores, ficam a arder os credores que existirem. Um dominó. Esta do “um gajo tem que se safar, se quer sobreviver” faz-me confusão.

Outra senhora falava de injustiça: “Veja lá que os meus sobrinhos andam em faculdades diferentes, um tem direito a bolsa e a outra não; o meu cunhado declara o salário mínimo, como é isso possível?”
Perguntei-lhe o que fazia o cunhado. “É empresário”.
O cidadão chama ladrão ao merceeiro, enquanto esconde uma maçã no bolso...

Como trabalhador por conta de outrem, pago os meus impostos todos. Irrita-me que um gajo ganhe o triplo e pague um terço de IRS. Como diria o saudoso Almirante Pinheiro de Azevedo quando foi sequestrado no parlamento por operários descontentes, é uma coisa que me chateia.
Tenho muitos colegas profissionais liberais, desde anarcas a alegristas, que fogem ao fisco. Apenas com alguns mais próximos, porque a discussão franca não deixa sequelas, já abordei o assunto. Acham eles 1) deixa-te de hipocrisias, foge quem pode e 2) ladrões são os que te levam o dinheiro, para gastarem mal, e/ou com os próprios e os amigos, sem proporcionarem serviços em condições.
Argumentos de peso. Palavra que não sei o que faria na situação deles, e é facto que mais dinheiro não faria obrigatoriamente um melhor Estado.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

CRESCEI E MULTIPLICAI-VOS


Há programas que vemos por voyerismo ou com uma sensação de envergonhado prazer com a desgraça alheia – não é bem prazer, é mais alívio por não nos calhar a nós.
Há um reality show no canal travel&living que faz o 2-em-1.
História: casal tem 8 filhos, duas miúdas com 4 anos e 6 gémeos de 2 anos e meio. Todos os pais compreendem se disser que a situação é de pavor.

Os episódios não precisam de guião: o carro é um furgão, cada ida ao supermercado acarreta 3 carrinhos de compras em pirâmide, há um latão de lixo diário só para fraldas.
Como agora as crianças têm quase todas problemas respiratórios, não há vários nebulizadores, mas um nebulizador central – curiosamente, os infantes aguentam a terapia quietos e sozinhos (o que nunca consegui com o meu), enquanto a mãe trata da “cantina” e/ou das várias máquinas de lavar.
Por milagre (e com inveja minha), as famílias grandes sobrevivem num regime marcial, em que as crianças respeitam rotinas.

Os passeios são restritos, obviamente, por falta de mãos para agarrar os petizes. Para complicar, a mãe tem fobia por limpezas, e lava o chão 3 vezes por dia, de joelhos no chão.

Papás e mamãs, multipliquem por 8 as maxicosi e carrinhos, biberões e babetes, febres e regurgitações, e tudo o mais que se lembrem. Medo, muito medo.
Compreendem o pai, quando disse, perante a indignação da mulher, que o seu dia favorito da semana é a segunda-feira?

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

A PACIÊNCIA DO POVO É A MANJEDOURA DOS TIRANOS


Conheci José Adelino Maltez, intitulado politólogo, quando se tornou há meses comentador da SICN.
As suas dissertações costumam ser elaboradas, ancoradas em citações (hoje foi Sophia com “vemos, ouvimos, lemos, não podemos ignorar”, Montesquieu e Drummond de Andrade) e absolutamente cáusticas com os políticos e a sociedade portuguesa.
O tema de hoje era Sócrates e o seu esquema de controlo da comunicação social, narrada no Sol.
Maltez tirou da cartola expressões como o “colectivismo de seitas” e a “banalização do mal”.
Esta é uma característica tuga: a normalização do grande e do pequeno “mal” - da corrupção, da fraude, da mentira, da cunha, do esquema - sem qualquer resistência do povo, apenas a sua aceitação passiva:
Sócrates mentiu?, nada que espante. São todos iguais, e na próxima ganha de novo.
Abuso dos dinheiros públicos?, só não faz quem não pode.

A mesma passividade, e o temor (e subserviência) do poder instalado, qualquer que seja, explica uma ditadura tão longa, que só acabou porque uns coronéis acharam que estavam a ser ultrapassados na carreira – tivessem-lhes pago, e Caetano ficaria mais um tempinho.
Posso estar a dizer uma barbaridade, pois não tenho conhecimentos suficientes de história, mas parece-me que a última revolução que vingou, meia-encabeçada pelo povo, foi em 1385. Todas as outras (r)evoluções foram lideradas pela nobreza, tropa ou elites políticas (tirando a revolta da Maria da Fonte). Nada de revoluções à americana, francesa, russa, pós-comunistas, em que o povo fez a mudança.
Somos um povo “ao serviço de Vossa Senhoria”.


Já agora, mais um bocadinho de Raphael Bordallo Pinheiro
A Política: a grande porca O dia de votos
O Maquinismo Governativo

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

TENDÊNCIA DEMOCRATA-CRISTÃ NA CGTP


A minha profissão é marcadamente liberal, um tanto avessa a sindicalismos.
E o sindicato da minha classe, onde pontuam 2 dos PCTPs que ainda existem, é fraquinho-fraquinho (e não se consegue sequer preencher uma lista candidata ao lugar).
Saí desse sindicato há 10 anos, quando precisei dele e nem acusaram a recepção da carta: compensam a verborreia revolucionária com a inacção.
Desde então – eu, que não gosto de ajuntamentos, sejam partidos, clubes ou condomínios –, jurei para nunca mais…

…e sindicalizei-me agora noutro sindicato. Já tinha ido a uma primeira reunião deste “grémio”, onde tive a mesma pele de galinha aparecida agora em 2 colegas estreantes nesta lide (e votantes à direita): o discurso inflamado e panfletário, da opressão do homem pelo homem, faz comichão a quem não é de esquerda (e a maioria não se revê no teor belicoso dos comunicados à imprensa cheios de adjectivos e poucos substantivos, achando mais eficaz um texto contido, explicativo e pragmático). Mas teve que ser.

Temos um director que tem conceitos particulares sobre os direitos legislados dos funcionários. Durante 2 anos, houve delação*, apatia e medo de retaliações ou de perda de emprego (metade do povo é recibo verde e a outra passou pelo processo da mobilidade).
Como sempre, foram precisos 2 corajosos (i.e. malucos) que deram o peito às balas e iniciaram o processo, depois apareceram outros – e, só se o desfecho se adivinhar bom, sairão debaixo das pedras os restantes.
Por ora, o mesmo organismo que ignorou os “colaboradores” – cada um por si, é-se pequenino – teve que receber o sindicato e reconhecer (parte) dos direitos que estavam em causa.
E aprendi mais: quando a UGT assinava acordos com os governos e a CGTP abandonava a mesa de trabalho, eu atribuía isso a intransigência e manipulação do PC. Foi-me mostrado que os filiados na Inter mantêm direitos que a UGT alienou, numa coisa chamada ACT.
Quem diria, eu satisfeito na CGTP?

Resignadamente, os funcionários públicos vão perder mais uma vez poder de compra – em 9 dos últimos 10 anos – , para controlar o défice: ganham menos 8% reais que há 10 anos. Tudo bem, já estão habituados. 4 lembranças apenas:
1. Terão sido gastos 600 M€ em pareceres jurídicos de firmas de advogados, na legislatura passada (número estimado, pois é quase classificado).
2. O rendimento anual dos presidentes de empresas ou organismos públicos oscila entre 420 m€ (TAP), 370 m€ (CGD), 224-250 m€ (BdP, RTP, CMVM, ISP, ERSE, ANACOM), 200 m€ (CTT), 126-134 m€ (Parpública, ANA AdP) e 58-96 m€ (Metro Porto, Lusa, CP, Metro Lisboa, Refer, Carris. Lembremos, parte das empresas são deficitárias e ainda há o resto dos conselhos de administração.
3. Os adeptos do congelamento ou mesmo diminuição dos salários na FP, com loas à coragem irlandesa - Duque, Nogueira Leite, Silva Lopes, Ernani Lopes, Medina Carreira, Daniel Bessa, Constâncio – teriam a mesma opinião se o(s) seu(s) ordenados(s) e reformas não fossem obscenamente principescos?
4. A Inês de Medeiros aceitou ser deputada do PS por Lisboa. Agora lembrou-se que vive em Paris e a AR deu-lhe equivalência a deputado pelo círculo da Europa: viagens semanais e 528€ diários, repito diários, de ajudas de custo.

* Sempre existiu gente assim, mas continuo sem perceber como colegas há 5, 10 ou 15 anos, vão a reuniões sindicais para ir contar ao chefe quem esteve e o que disse, tintim por tintim. O que é que ensinam aos filhos, a ser íntegros, a não trair, a não prescindir do que consideram justo, ou a vender-se por 30 dinheiros? A ser corajoso ou “para viver, faz de morto”?
** A imagem do partido-avô do Bloco é uma chalaça para o nosso inflamado esquerdista.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

as palavras certas


Comunicarmos uns com os outros, aparentemente, parece uma processo muito simples mas não é. A mensagem que nos sai da cabeça, nem sempre é a mesma que chega ao nosso receptor. O que dizemos está condicionado pela forma como dizemos e isso implica o tom, os gestos que acompanham a fala e toda uma quantidade de símbolos que vão ser reinterpretados pelo outro que só aceita o que deseja ou o que compreende.
Essa troca de informações por vezes gera mal entendidos e o que um quer dizer não é nem parecido com o que o outro está a perceber.
Ora, o acto de comunicar não é mais do que a materialização do pensamento e se este estiver toldado com preconceitos está tudo estragado.
Entramos facilmente em conjecturas, opinamos com fundamento incerto, supomos causas, levantamos hipóteses, apressamos julgamentos e não prevemos os efeitos da nossa mensagem.
Podemos ter as melhores intenções do mundo, mas se não tivermos em comum os mesmos símbolos dificilmente vamos compartilhar dos mesmos pontos de vista e se a mensagem falada já é complicada, o que dizer da mensagem escrita que não tem nem som, nem cheiro.
Ainda assim, sou uma mulher de palavras, gosto de uma boa conversa seja ela cara-a-cara ou através de uma mensagem escrita, as palavras devem ser ditas, temos é que ter o cuidado de escolher as palavras certas.
Que não nos falte nunca essa capacidade!
Fátima Rebelo

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

FLASH MOB

O You tube faz 5 anos a 14 de Fevereiro. Diz o i de hoje que mil milhões de vídeos são vistos diariamente e que o mais visto, "The Evolution of Dance", onde se resumem 50 anos de dança em 6 minutos, teve mais de 131 milhões de visitas (ainda vou bisbilhotar este).

O you tube tem no cardápio vários vídeos de flash mob, onde multidões organizadas fazem coreografias-surpresa ou ficam apenas quietas (flash mob freeze) - por vezes, com centenas de participantes.
Aqui vão três: i gotta feeling na abertura da 24ª temporada da Oprah (a apresentadora não sabia de nada), um mix no aeroporto de Lisboa (houve no natal e no ano novo, são dos vídeos mais vistos sobre o assunto) e música no coração numa gare belga. Divirtam-se.


Chicago


Lisboa TAP


Antuérpia

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

FIM DA LINHA ou porque no te callas?


Parafraseando o Durão Barroso, já se sabia que os textos "sem cerimónia" do Mário Crespo no JN iam acabar, só não se sabia quando.

Foi ontem. Crespo resolveu falar numa alegada conversa entre José Sócrates, Pedro Silva Pereira, Jorge Lacão e um executivo de televisão em que é referenciado como "mais um problema que tem que ser solucionado".

No texto, intitulado “No fim da linha” e que deveria ter sido publicado na edição de hoje do JN, Mário Crespo relatava a conversa supostamente ocorrida na passada terça-feira, durante um almoço em Lisboa, e que lhe foi transmitida por algumas testemunhas.

Mas, ontem à noite, foi-lhe negada a publicação do texto, o que o fez recusar continuar a colaboração com o JN. Para o director do jornal, "o texto não era uma simples texto de opinião, mas fazia referências a factos que necessitavam de confirmação e que fosse exercido o direito ao contraditório relativamente às pessoas citadas, além da informação chegar a Mário Crespo por um processo que o JN habitualmente rejeita como prática noticiosa". E pronto, mais um quedo.

Agora, alguém acredita que Sócrates tente calar o jornal da TVI, o ex-Director do Público e, agora, Crespo?

domingo, 31 de janeiro de 2010

DEUS É GATO


A Comunidade Astrofísica tem rejubilado com as últimas fotos da Nebulosa Pata de Gato, um ninho de estrelas próximo do centro da via láctea. A nebulosa fora descoberta em 1837 por um astrónomo, na África do Sul.

Está provado. Deus deixou a sua assinatura, e Deus é um gato (ou gata, como a deusa egípcia Bastet). Caprichoso, narcísico, curioso, independente, arisco, letárgico.
Está tudo explicado.

O deus-gato também é irónico: nos concursos para as auto-estradas, o preço subiu 700 milhões de euros na fase da BAFO, best and final offer, com os 2 melhores concorrentes a melhorar a proposta.
Pensava eu que oferta final e melhor era mesmo isso, a melhor oferta. Nãããã.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

SOQUETE



O Gouveia - o que prometeu umas fotos, esse - mimou-nos com um sketch do herman.
Decidi voltar 19 anos atrás - lembram-se do estreante J. Rodrigues dos Santos a relatar (encher chouriço) durante horas a invasão do Iraque? - e repescar o meu cromo preferido, que falava no Nuno Rogeiro (sabe de tudo um pouco) e no Álvaro Cunhal (não interessa a pergunta, responde o que quer).
Não encontro o 2º favorito, um Gilberto Lalande, que nascera em Loulé e vivia nas Laranjeiras, mas não dizia os "eles".

CARTILHA MATERNAL


Há dias, em Valongo, perguntei a uma senhora onde havia um supermercado, ficando a saber que havia “um éclair” logo ali… a dita deve ter entendido o meu sorriso aberto como uma felicidade extrema em encontrar um Leclerc.

Entre os defeitos desta alma pecadora está a urticária quando ouço morteiradas na gramática. Embora com a idade tenha mais recato, pois às vezes as pessoas ficam ofendidas, não costumo resistir a corrigir erros de gente conhecida.
Espero sempre que, como eu, prefiram que alguém avise caso se enganem: desde o dia em que apresentei uma tese, nunca mais escrevi 'descriminar' com e, que o corrector automático aceita - fabulosa ferramenta, evita meio mundo de mostrar as falhas do nosso ensino -, mas significa absolver, em vez de elencar.

No Cartaxo, além do corrente mêpai e ‘nhamãe (não conta, é dialecto), há o hábito de dizer-se quaisqueres, hades e hadem, em vez de quaisquer, hás-de e hão-de, erros que 2 ou 3 amigos benevolentes abandonaram por eu os melgar, sem se chatearem com o sermão.

Há um (ainda hoje) amigo do peito, em particular, que sofreu as minhas malfeitorias (à pala disso, tenho mais uma semana no purgatório): escrevia-me do colégio interno, e eu assinalava os erros, que eram bastantes. O meu preferido era “estou a escrever no çalam” (salão), o que terá algo de galaico-português, quem sabe...

O erro escrito mais comum é a troca do acento no a, que já me aconteceu neste blogue (como foi num comentário a um post, não foi possível alterar). Grrrr.
Usa-se acento agudo (´) para vogais abertas e grave (`) só em contracções com a ou o, ou seja, o acento grave só se usa em formas contraídas, em geral da preposição a com o artigo definido a (foi à porta, está à frente na sondagem) ou com um pronome demonstrativo começado por a (vai àquele sítio, seu presunçoso com mania que dá lições de português!!!).
Ficam aqui as minhas sinceras desculpas pelo lapso.

domingo, 24 de janeiro de 2010

O meu candidato a Presidente da República



Presidente da AMI
"A Pobreza em Portugal é uma vergonha"
Fernando Nobre quebrou o "politicamente correcto" que está a marcar o Congresso da Ordem dos Economistas. O presidente da AMI fez um discurso inflamado, provocando uma plateia cheia de economistas, que também são actuais e ex-responsáveis políticos, gestores e empresários, conseguiu palmas da plateia e introduziu um sentimento de urgência e indignação que, até esse momento, esteve ausente do debate.
Fernando Nobre, fundador e presidente da AMI, quebrou o politicamente correcto que marcou o debate de dois dias na 3º Congresso da Ordem dos Economistas sobre a Nova Ordem Económica. Nobre fez um discurso inflamado, provocando uma plateia cheia de economistas, que também são actuais e ex-responsáveis políticos, gestores e empresários, conseguiu palmas da plateia e introduziu um sentimento de urgência e indignação que, até esse momento, esteve ausente do debate. “É uma vergonha a pobreza que temos em Portugal”. “Não me falem com os problemas de aumento do salário mínimo. Quem é que aqui nesta sala consegue viver com 450 euros?”. “Não me venham com cirurgias plásticas para as mudanças que vão acontecer no mundo. Nós, os cidadãos não as vamos aceitar”, foram algumas das frases que deixou aos economistas presente. Nobre, que também é médico e professor, interveio num painel que abordou o papel das organizações não governamentais (ONG) na nova ordem económica mundial defendendo que além do seu papel no apoio à sociedade e de compensação por falhas dos governos, as ONG têm um papel essencial na denuncia de injustiças e desequilíbrios, e na pressão para que o mundo possa mudar. E foi isso mesmo que fez.
O presidente da AMI diz que “em Portugal é preciso redistribuir melhor a riqueza”, que “há dezenas, senão centenas de milhares de jovens a sair de Portugal porque perderam a esperança”. Inconformado, disse que “combater a pobreza é uma causa nacional”, e salientou: “Não me venham com os 18% de taxa de pobreza, porque se somássemos os que recebem o rendimento social de inserção, os que recebem o complemento solidário para idosos, os que recebem o subsídio disto, e o subsídio daquilo, temos uma pobreza estrutural no nosso país acima dos 40%”. “Não aceito esta vergonha no nosso país” O nível de desemprego, as baixas reformas, a precariedade dos contratos de trabalho foram outras áreas que lamentou. Os empresários também não foram poupados. “Quando vejo a CIP a defender que o salário mínimo não aumente não posso concordar. Que país queremos? Quantos de nós aqui conseguiriam viver com 450 euros por mês?”, perguntou à audiência, deixando depois um repto aos empresários: “Peço aos empresários para serem inovadores, abram-se ao mundo, sejam empreendedores”.
“É o momento de repensar que mundo queremos”, e recorrendo à frieza com que os médicos olham para a vida afirmou: “eu sei como vou morrer, sem como todos aqui vão morrer. E não é nessa altura, não é quando começarem a sentir a urina quente a correr pelas coxas, que vale a pena repensar a nova ordem económica mundial. È agora”. As futuras gerações não vão perdoar, diz. Sobre o estado das economias, salientou que não é economista, mas avisou para os riscos que pendem sobre as economias e que os economistas presentes não abordaram: o risco de um crash obrigacionista, a falência de fundos de pensões pelo mundo, os milhões investidos em produtos derivados. “Não é razão para cedermos a paranóias, mas é preciso questionar se as economias capitalistas estarão à altura do desafio”, disse, acrescentando: “É precisa prudência, bom senso e cuidados com os cantos da sereia”.
E voltando aos seus conhecimentos médicos terminou dizendo: “Perante uma hérnia estrangulada, um médico só pode fazer uma coisa: operar imediatamente. Ora a hérnia já está estrangulada [na ordem económica mundial]: nós temos que operar, temos de mudar as regras, os instrumentos. É preciso bom senso, acção, determinação política”, disse, avisando: “se não o fizermos as próximas gerações acusar-nos-ão, com razão, de não assistência a planeta em perigo”.
Rui Peres Jorge- Jornal de Negócios
rpjorge@negocios.PT

Pedro Mendonça

sábado, 23 de janeiro de 2010

Centenário da República


A nova Praça do Comércio é a principal obra que assinalará o centenário da República (o porquê ninguém sabe).
Será inaugurada em Maio pelo último monarca absolutista europeu e que ali realizará um comício ritualizado para a sua gente.
Somos Cidadãos, Não somos súbditos. Não deveria ser isto que deveríamos estar a comemorar?
Haja decoro...

Pedro Mendonça

BISBILHOTICES


Tenho uma estante preferida na FNAC, com biografias e ficção histórica baseada em factos reais.
Por esse prisma, concedo que sou um bisbilhoteiro, interessa-me a vida dos outros.
Uma das coisas mais interessantes é ler vários livros sobre a mesma criatura e ver como somos condicionados pelo biógrafo ou pelo escritor: diferentes autores dão-nos versões distintas, quando não antagónicas, das pessoas.

Agora aconteceu-me com a história de Joana a louca, que conhecia como uma lunática, rainha espanhola que nunca chegou a reinar - o trono passou da mãe Isabel a católica para o filho Carlos I.
A minha Joana é algo histérica, raramente trocava a roupa e tomava banho, mas era lúcida, teve consciência como foi manipulada pelo marido, pelo pai e pelo filho, enclausurada no castelo de Tordesilhas, isolada da sua nobreza e do seu povo – 46 anos de prisão domiciliária.

Acontecera-me o mesmo com Carlos o belo: ora um rei competente que aumentou a França, ora um fraco que foi usado para acabar com os templários.
Pano para mangas é a história das amantes de Luís XIV (Valliére, Montespan e Maintenon) ou de Luís XV (Pompadour e du Barry*): ora conhecemos uma meretriz interesseira e cínica, que se intrometia no Conselho de Estado, ou imaginamos uma mulher sofrida, amante da arte e dos ideais republicanos, que aconselhava o rei de forma sensata.
Depende do livro e da perspectiva do escritor.

Moral da história: particularmente em tempos menos documentados, a(quela)s criaturas são o que escreveram delas, são o que ficou registado e da perspectiva de quem o registou.
Somos o que dizem de nós, e nem todos dizem o mesmo: uma pessoa pode ser determinada para uns e obcecada para outros, prudente ou insegura, tímida ou antipática.
Até o maior sacana tem amigos que lhe reconhecem alguma virtude. E vice-versa.
Imaginem que robin dos bosques era conhecido pela pena do xerife de nothingham: um reles ladrão que seduzia donzelas.

* guilhotinada, as suas últimas palavras corajosas foram “por graça, senhor carrasco, só mais um momentinho”. Frase tão deliciosa como aquela (injustamente) atribuída a Maria Antonieta “o povo não tem pão? Comam brioches”.