...e depois, com bigodes de leite, pedem mais paciência e esforço ao povo, que a "vaca 'tá seca".

terça-feira, 3 de novembro de 2009

1/2. A MINHA AVÓ RECICLAVA

A campanha da Optimus neste verão era “Troca o teu telemóvel pré-histórico”. Eu nem sou de ecosermões, e vou no 7º telemóvel em 14 anos, mas o soundbite é o apelo mais descarado ao consumismo: deita fora o telemóvel que ganhaste no natal e serve para telefonar, por um novo (com GPS, banda larga, ecrã táctil e ainda vai buscar os miúdos à escola) que será velho no próximo natal! I.e., deixa-te consumir pelo consumo.
É por isso que a poupança dos portugueses definhou em 30 anos com a mesma rapidez com que o crédito bancário se multiplicou: na altura, o povo era FRUGAL, gastava os escudos no que precisava, e por vezes tinha uns pequenos luxos, agora gastamos os euros em coisas menos básicas, nem que se peça emprestado. Bem, mesmo dentro das nossa posses, não haja dúvidas que agora qualquer um de nós vive muito melhor que a própria Rainha Vitória.

E para ter um equipamento novo, há que dar destino ao anterior. Nos EUA são “trocados” anualmente 150 milhões de PC e um valor parecido de telemóveis - parte dos quais é reciclado em fundições medievais na China, por cidadãos que preferem um cancro, se for pago a um dólar/dia.

Pois a minha avó reciclava e não sabia o que era uma pegada ecológica: as meias rotas eram serzidas, as compras eram carregadas num carrinho de lona axadrezada e as batatas vinham para casa em sacos de nylon entrançado; as máquinas eram consertadas, pois a reparação era muito mais barata que um aparelho novo; os sacos de pão e as fraldas eram de pano, os iogurtes e o leite vendiam-se todos em frascos de vidro e as caixas de lápis eram de madeira com tampa corredia… mas o meu símbolo preferido da reciclagem é a AÇORDA, que não se fazia só por gastronomia.
Agora é tudo descartável, e de plástico, curiosamente um material que a Terra não consegue descartar (conceda-se, como a globalização, o plástico é também responsável pelo baixo custo dos produtos).

2/2. A ÚLTIMA SINFONIA

Irmã do consumo e da poluição é a SANGRIA DE RECURSOS, cada vez mais acelerada. Eis os números:
A terra tem 4000 milhões de anos (um longo adágio), o homem apareceu há 180 mil anos (andante), há 9 mil anos assentou e dedicou-se à agricultura (e à domesticação de outras espécies), a primeira cidade apareceu há 6 mil anos (allegro).
A população triplicou nos últimos 60 anos, a globalização cresceu 20 vezes nos últimos 50, e atingimos excedentes agrícolas: a comida deita-se fora, para cumprir quotas (assegurando o preço) e agora até serve para combustível. E a água, é sorvida na exploração agropecuária moderna: 4 litros para 1 quilo de batatas, 100 para 1 quilo de arroz, 13000 para 1 quilo de carne. Um pneu resulta de 83 litros de petróleo, por cada barril de petróleo encontrado, gastam-se 3 (maior consumidor, forças armadas americanas…). E há minérios que, estima-se, desaparecerão em 20 anos, à pala da China.
Chegámos, numa geração, a um tempo de ABUNDÂNCIA E VORACIDADE (prestissimo).

Claro que esta conversa se aplica apenas a parte do mundo, a maior parte da população nunca cheirou a abundância: apenas 3 em cada 100 agricultores já usaram um tractor, e só 2/10 das pessoas detêm 8/10 da riqueza mundial.
Assim escreveu Edward Docx, metade do mundo está a gritar por água e liberdade, enquanto a outra metade está a pedir cocktails e a reclamar do serviço.

domingo, 1 de novembro de 2009

FESTUM OMNIUM SANCTORUM

capela sistina, último julgamento

O dia de todos os santos serve para celebrar todos os santos e mártires da igreja, conhecidos e desconhecidos. O 1º dia de todos os santos apareceu no século IV, quando eram já tantos os mártires que não havia um dia do ano para cada um, e a data fixou-se no século VII.

Certo é que a feira do Cartaxo, com menos vigor de outrora, quando servia para o povo abastecer-se de roupa, utensílios e frutos secos, nada tem de religioso.
Para mim, era uma semana de carrinhos de choque, nos furos das aulas – e agora é um pequeno exercício de masoquismo, em prol da miudagem, cheio de encontrões, música aos berros e alguma lama.

Procurando informação sobre a Feira dos Santos, não só fiquei a saber que é herdeira duma feira de Agosto iniciada em 1654, que começou numa quinta afastada (Quinta do Moinho da Fonte) e passou para a cercania da novel praça de touros, mas que o centro do Cartaxo era um bosque dos frades mendicantes e o convento do Espírito Santo, fundado em 1525, transformou-se mais tarde na sede do município (com escola, tribunal e cadeia), a que ardeu em 1970 e existia no local da actual.

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Na saúde e na doença



A única diferença entre um capricho e uma paixão eterna é que o capricho dura mais tempo. Oscar Wilde

Facto: a sociedade moderna é hedonista, visa o prazer imediato, o que justifica que o pessoal apenas se junte, para ver se dá, ou case mais tarde (é mais barato, e a mamã trata da roupa), e separa-se com frequência, num método “tentativa e erro”.
Não condeno, as pessoas querem ser felizes, e fazem muito bem. Parece-me, contudo, que as decisões são imediatistas, por e tirar a anilha pode ser um acto pouco amadurecido.
Estatística: A taxa de nupcialidade diminuiu 23% entre 2000 e 2004, descendo de 7‰ pessoas em 92 para 4.4‰ em 2007, e a idade dos nubentes aumentou 1.6 anos (28,5 nas mulheres e 30,9 nos homens). Em 2006, houve 48 divórcios por cada 100 casamentos O divórcio ocorre em média aos 40,7 anos, a taxa de divórcios subiu de 1.1‰ em 92 para 2.2‰ em 2006, havendo 1 divórcio em cada 3 casamentos (melhor que no RU, onde há 1:2).
Acaso: O meu pai foi solteiro, noivo, casado, viúvo, separado, divorciado e unido de facto. Eu sou muito mais enfadonho – e não será mau sinal se permanecer assim -, o que, pelos vistos, parece dever-se à roda da fortuna (devo, aliás, confessar que a minha cerimónia foi a segunda mais pelintra a que assisti, mas memorável, confirmam testemunhas).
Casos: É chato quando os amigos se separam, primeiro temos que assimilar a fissão, deixa de haver "o Rui da Maria", depois ainda nos incluem nas partilhas, no lote da TV e do frigorífico - já me aconteceu.
Encontrei ontem uma grande amiga de há uns anos. Pedi novidades e respondeu de chofre, Divorciei-me. Em resposta ao convencional “Então…?”, resolveu condensar tudo numa frase, o que a tornou quase críptica, mas denotava ser uma explicação muito pensada. Ainda apanhei o “mudámos, já não somos os mesmos miúdos (…) conheci o Coiso aos 18 e divorciei-me aos 36, é uma vida inteira com ele, e só agora percebi as oportunidades que perdemos. Continuamos a trabalhar juntos e a ser amigos”.
Pensei em dizer-lhe “sinto muito”, mas calei-me, nem sei de lamento! É pena que um empreendimento tão longo tenha falhado, é bom não insistir e sair dum projecto sem sucesso. E depois, ela merecia melhor que o Coiso.
O certo é que conheço algumas pessoas que celebram a data do divórcio. Pode ser mesmo uma ocasião para festa com direito a discurso, brinde e bolo.




quinta-feira, 29 de outubro de 2009

A REDE

A WEB é um verdadeiro tesouro, temos a sorte de sabê-lo, porque vivemos sem ela, quando tínhamos que ir à biblioteca para fazer trabalhos, ou consultar a biblioteca luso-brasileira do pai - que alguns advogados usam agora para forrar um parede e dar um ar distinto.
Uma e-pen tem mais informação que a torre do tombo. E tem TUDO, num clique conhecemos o número de habitantes de Curitiba ou a taxa de bigodes na Papua Nova Guiné, a biografia de Zapata e de Idi Amin, a obra de Botero ou Giacometti, a música de bandas obscuras ou dos Marillion.
Mas há dois pequeninos pormenores, que não aparecem no contrato.

Primeiro, o lixo: à frente da informação ou dos sites que procuramos, aparece um caudal de espaços de opinião ou blogues (com uma frequência cada vez maior, já repararam?) e sites muito remotamente relacionados, o que obriga a um trabalho de “catadura” para encontrarmos algo de jeito.

E depois há a falta de credenciais: entre milhões de bites sobre cada assunto, como separar o trigo do joio, e seleccionar a informação verdadeira e fundamentada?

Por mistérios insondáveis, o meu grupo profissional é considerado imprescindível à nação, razão pela qual fazemos parte do 1º grupo a tomar a vacina da gripe A, e estamos quase todos indecisos se a vamos tomar. Não só os médicos estão divididos (afinal, usam a mesma fonte que os outros, a net), como circulam filmes na Internet contraditórios, uns advogando a vacinação e desmontando maquinações, outros dispersando teorias de conspiração, incluindo a criação da doença por farmacêuticas (com a criatura sinistra Rumsfeld) e de reacções adversas da vacina. Até filmes de 1970s voltaram a circular, acerca doutro surto de gripe suína.
O risco da multiplicação de sons é o ruído, não é?

terça-feira, 27 de outubro de 2009

UM TIRO NO PORTA-AVIÕES

Apesar da mãezinha achar que devia ter ido à tropa para ganhar corpo, este civilista não deu pela falta, pelo contrário: depois do curso, achava uma parvoíce passar 4 meses a correr com botas recicladas, fazer flexões e levar raspanetes dum bronco qualquer por causa de lençóis mal amanhados.

Marinha, ainda vá, para manter a malandragem ao largo, mas já trocava submarinos por outra coisa mais importante (o que é que a sua ausência evitou?). Quanto à força aérea e exército, servem para resgates no alto mar e combate a catástrofes naturais, mas não estou convencido da sua imprescindibilidade, em 2010. É assunto que não estou habilitado a discutir, mas é um dilema interessante: vale a pena termos Forças Armadas?
Aproveitei a visita a um “sô Major” e pus-lhe essas dúvidas, de forma distendida, e ele apresentou alguns argumentos não corporativos.
Um dos conceitos de soberania nacional é a possibilidade de declarar guerra.
A quem?, perguntei. Mais, Portugal está na União Europeia e não tem qualquer ameaça militar, se não houvesse tropa quem nos queria invadir?
A cooperação em forças internacionais coloca Portugal na fila da frente dos fora mundiais.
De que modo é que isso contribui para o bem estar da maralha, qual é o resultado?, interroguei. A Islândia não tem FA, a Suécia não faz parte da NATO, e depois?
O povo indigna-se com o custo dos equipamentos, se calhar com razão, pois é tudo na ordem dos “milhões”. Mas o país tem que resolver o que quer: se não quer tropa, tudo bem!; se quiser, tem que suportar a actualização dos meios. Ou se decide que não se participa em forças internacionais, e assume-se um eventual preço com o apagamento no concerto das nações, ou não pode manter o material obsoleto.
Exemplo, tragicomédia em 2 actos: Treino em Itália de preparação para Iraque, os outros países com farda creme para o deserto, os Nossos eram os únicos vestidos de verde. À portuguesa, desenrascaram-se, disseram que era um material novo, com o calor clareava!!! Entrada em Bagdad, os outros em viaturas blindadas, os bravos lusos dão o peito às balas dos snipers, em jipes com tecto de lona…
Aí, não pude contestar.
Mas dá que pensar.

sábado, 24 de outubro de 2009

Ele NÃO roubou a manta

"No final do julgamento por calúnia, o juiz obrigou o réu a escrever os comentários que fizera, rasgar o papel em bocadinhos e espalhá-los no caminho para casa. No dia seguinte, o Juiz sentenciou-o a apanhar todos os pedaços de papel. - Não posso fazer isso, meritíssimo, o vento deve tê-los espalhados por tudo quanto é lugar e já não sei onde estão!, ao que o juiz respondeu: - Da mesma forma, um simples comentário que pode destruir a honra de um homem, espalha-se a ponto de não podermos consertar o mal causado."

Há mais de 15 anos, o Independente prestava um serviço público ao manter a vigilância sobre o poder absoluto do Cavaquismo. Quase todas as sextas-feiras, era apanhado mais um governante com esqueletos no armário. Ficou conhecida a história do Deus Pinheiro, que teria chegado ao desplante de roubar uma manta num avião da TAP. O que poucos souberam é que, vários anos depois, o jornal foi condenado, porque a notícia era falsa.
Não peroremos sobre Deus Pinheiro, mas já Shakespeare escrevia "Mesmo sendo puro quanto a neve, não escaparás à calúnia".

Vem isto a propósito dum comentário a um post do Pedro, em que um anónimo o acusa de desviar dinheiro do CCC e acaba num tom de ameaça tipo-jagunço, “poderão avivar-se memórias na minha cabeça a seu respeito e de alguns que o rodeiam”. Outra leitora alude a rumores sobre o mesmo assunto, que ouviu e leu - provavelmente num panfleto anónimo (ou nem tanto) distribuído durante a campanha, por quem queria ganhar com a sua descredibilização.

O problema é que “a calúnia não exige provas” (William Haslitt), que não existem neste caso. Pois, em vez de “onde há fumo, há fogo”, eu diria “onde só há fumo, há caluniador”. Por causa desse panfleto canalha, tal como Kennedy se disse berlinense junto ao Muro, eu digo hoje (só mesmo hoje, cruzes), eu sou um bloquista.

P.S.: Este blogue serve para divertir, trocar ideias e fazer contraditório, mas de forma inócua, sem ataques pessoais e boataria.

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

NOVO ELENCO


O Sócrates prometeu em frente das câmaras, na campanha, "novo governo, novos ministros", e clarificou "todos".
Ora aí 'tá, para quem ainda acredita no homem do leme:
8 ministros novos e (o núcleo duro) 8 ministros velhos que vêm da equipa anterior, 6 nas mesmas pastas (finanças, adm. interna, presidência, neg. estrangeiros, saúde e ensino superior) e 2 trocando de pelouro (economia e defesa). Os novos incluem Lacão, que sobe aos Assuntos Parlamentares e entrega a Secretaria do Conselho de Ministros ao ex-Secretário de Estado da Justiça e porta-voz do PS.
Cá para mim, depois dum "longo inverno de ditadura" (a maior legislatura desde 74), ou fase Salazar, vem a primavera marcelista, com esperança de diálogo e mudança, mas que não vai dar em nada: a nova turma de S. Bento mais não é que uma EVOLUÇÃO NA CONTINUIDADE. Bem, a primeira Primavera pelo menos foi mais curta que o consulado que a precedeu, talvez a história se repita.
Vá, cumpre a paridade com as pastas do costume (cultura, saúde, educação, trabalho e ambiente). A Isabel Alçada entrou, como esperado, era a única (ex)professora do país que defendia a política da educação.
Ah, estou curioso de ver o Santos Silva, o que gostava de malhar na direita (e na esquerda), a meter-se com os militares.

BUROCRACIA




Existe aí uma doença que afecta em particular os funcionários públicos. Conheço o morbo porque trabalho no Estado, ainda que geralmente colocado em empresas privadas.
Chama-se SAC, síndroma do ar condicionado. É causada pela Legionella burucratus comunitensis. A Legionella viriatus, a estirpe que assola o país, também se instala nos sistemas de ventilação. Os sintomas são patognomónicos e incluem astenia, alucinações e perda da noção da realidade.

Numa fase inicial, causa fraqueza. Na minha repartição, um papel avisa que o pedido dum certificado, emitido em 10 minutos, deve ser efectuado com 48 de antecedência. Quando pedi à (simpática) administrativa que me tirasse um molho de fotocópias, numa quarta-feira, disse que teria que adiar, porque ia de férias na semana seguinte...

Nos indivíduos mais velhos, dá cegueira. Uma colega minha, quando um informático lhe mostrava uma nova aplicação no computador e lhe pediu para abrir o ficheiro, olhou para a estante e perguntou “qual?”.

Há ainda o esquecimento: um pedido de atribuição de número de operador ficou 7 anos numa secretária, pois o responsável reformara-se, alguém ocupou sua a mesa, mas não tocou na pilha lá deixada…

Outros enfermos caracterizam-se por desinteria… normativa. A doença afecta particularmente pessoas com funções legislativas e de planeamento, que passam a julgar que devem ter ideias, para justificar a sua existência – e inventam!!! É o problema de ser pago para pensar, vêm ideias e idiotices. E já não é mau quando sai à primeira, por vezes é necessária uma contra-circular e/ou o esclarecimento, seguido do seu respectivo esclarecimento.
Como resultado, sobrecarregam-se os cidadãos de regras, até ao absurdo.
E quanto maior a regulamentação, maior a desregulação, porque a capacidade de intervenção não estica
. Toda a gente fala nos mesmos exemplos da normalização comunitária, como o tamanho da cenoura e a maçã com bicho. Ninharias. Sabem que há legislação sobre os materiais de investigação e manipulação (vulgo brinquedos) que os porcos de engorda devem ter nos parques, para se entreterem?

terça-feira, 20 de outubro de 2009

NÃO É CHUVA, NÃO É GENTE

Chuva na palma da mão (p.f. aumenta o volume)

Para quem não tem lavoura, estava a ser um Outono bem amistoso. Mas como não há mal que sempre dure, nem bem que não acabe, começou a chuva.
Há uma coisa que me irrita em viver no Norte, o tempo. Costumo sair de casa por volta das seis, pela fresquinha, e ouço amiúde no rádio “máximas de 12 no Porto, 17 em Lisboa, 21 em Faro”. E quando vou para a Trofa, a 25’ do Porto, a Tºc ainda desce mais 3-4ºc (se no Porto estiverem 6º, é fazer as contas…). A inveja é feia, mas GRRR!!!
Quanto ao boletim meteorológico, se antes associava às 4 estações de Vivaldi, hoje significa “nuvens no Continente, chuva no Minho e Douro Litoral”. Quase invariavelmente.
Não é bonito, não é bonito e não é justo que, num país tão ‘quenino, a água caia mais num dos 4 cantos.
Portanto, não se queixem da pluviosidade, ribatejanos.

sábado, 17 de outubro de 2009

O Primeiro-Mundo


press release
1. Cavaco obriga o governo a alterar lei, para aumentar em 50€/mês o salário dos generais brigadeiros, comodoros, coronéis e capitães de mar-e-guerra, achando a messe que “a modificação restabelece um mínimo de dignidade, evitando a humilhação da subalternização a técnicos superiores da AP”. É sempre bom quando o nosso PR fica comovido com os salários baixos – um Tenente-General ganha 4300€ base e 623€ de subsídio de condição militar – e mostra as suas preocupações sociais.
2. Contra as intenções da UE, ONU e OCDE, o Parlamento transpôs directivas comunitárias de combate ao branqueamento de capitais (comunicação pelos bancos de transacções suspeitas) de forma incompleta: exclui os políticos e altos funcionários públicos (incluindo familiares directos e até sócios), exactamente os que a UE considera “pessoas politicamente expostas” à corrupção - se viverem em território nacional. Queria saber é quem é que sobra.
3. Ao menos, o despudor vem de França. Jean Sarkozy, enteado de Carla Bruni, 23 anos, 2ª ano de direito, é candidato à presidência dum grande organismo público, com um orçamento de 115M€. O pai diz que "não há idade mínima para ser competente" e que o parentesco não pode limitar a sua carreira. Carreira essa que será brilhante, sem dúvida.
Fazem-nos de parvos, é o que é. HAJA DECORO.

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

1/2. A CASA DAS HISTÓRIAS

Aos 17, vivi 1 ano às Janelas Verdes, e nunca entrei na porta do museu da arte antiga. Para meu remorso.
Mas há oportunidades que não se podem perder. Pois onde estava eu a 9/9/9? A Susana ficou literalmente retida 4 horas e meia, no que pode ser o melhor parque para miúdos do país, por estes dias (Kidzania, recomendo). Embora solidário, aproveitei a espera para visitar a Casa das histórias da Paula Rego.
Enganei-me e entrei pelo fim, mas resolvi continuar ao contrário, foi uma maneira diferente de ver a exposição, com a artista e rejuvenescer: vê-se como progrediu com a idade.
A fase do pastel, com as telas melhores e o traço inconfundível das mulheres parecidas, tipo beirã de pele curtida na lavoura, quase com buço, umas D. Marias de Santa Comba; até as meninas têm caras adultas. E o divã castanho, onde as mulheres posam sempre; as memórias de hábitos antigos, como crianças e vinho, a bota cardada, o castigo, a costura do hímen; as cenas bíblicas com as suas mulheres com roupa d’há 40 anos e poses provocantes (o Sampaio arranjou um tesouro para o Estado, ao adquirir uma série dessas sobre a Nossa Senhora, para a capela do Palácio de Belém).
Antes de 94-95, houve a fase do acrílico, menos apurada, com os mesmos temas, mas pior material. Mas a viragem ocorreu em 1987, quando o marido morreu, pois as pinturas anteriores não têm nada a haver. A minha visita acabou no início, na fase de colagens. Deu para ver que a Paula Rego é como o vinho do Porto, melhorou bastante com o tempo.
Paula Rego é alucinada, mas de forma divertida e interessante, é assumidamente medrosa e não tem manias sobre a sua genialidade. Quando lhe perguntam se a mãe era a modista num dos quadros, respondeu “olhe, pode ser”. Quando lhe perguntaram se o que queria dizer era blablabla (os jornalistas também inventam…), respondeu “não sei, o que é que acha que pode ser?”.
Quanto ao sítio, é perto da cidadela de Cascais. Uma das terras mais aprazíveis do rectângulo, com as suas ruinhas empredradas, os jardins, os restaurantes em pátios e becos. A Casa é um projecto bem giro, a esplanada é óptima e o jardim quase zen. Entrada gratuita.
´Tá feito o convite.

2/2. VOLTANDO A SANTOS-O-VELHO

Estudei junto ao Camões e ia para casa no eléctrico 19 ou no 58. Eram uns belos percursos, em particular com sol.
Vivia na casa da "Marechala", uma tia-avó sessentinha e solteirona, autoritária e com rituais militares: 3ª peixaria, 4º banco, 5ª talho, domingo almoço com amiga-inseparável-há-65-anos (um contraste, inglesa loura-olhos-azuis, magrinha, sorridente e calada); certa vez, descobriu que eu passara por casa, porque a porta da WC estava aberta mais 10 cm. Friorenta, fazia headphones e tapa-narizes de lã...
Era na Rua da Arriaga, na raia da Lapa mas impecável, antiga o suficiente para um filme do Vasco Santana, e com uns bons close ups usava-se até num take d’Os Maias.
Comprida, larga e luminosa (luz que só Lisboa tem), muito limpa, empedrada, pouco trânsito, Embaixada do Iraque, casa do Embaixador de Inglaterra, “palecetezinhos” arborizados de gente desconhecida, daquela que diz “o dinheiro corre na família há muitas gerações”, prédios novos à antiga, para bolseiros (não os necessitados, os da Bolsa de valores).
O meu prédio era o mais modesto da rua. Ainda assim era muito apresentável, tectos altos, muitas divisões, com vista para o Tejo sobre-telhados (vá, duma janela!). Com as voltas da vida, vieram-me parar às mãos papéis bem giros do meu bisavô, incluindo o documento do aluguer da casa, de 1935.
Lisboa é muito bonita, carago.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

SENTEM-SE, MENINOS


Reabertura do Parlamento. Talvez o mais fragmentado desde 1987, o que tornará a legislatura e a retórica parlamentar mais viva.
É dia de inscrições. 105 dos 230 deputados debutam, e têm o ar perdido do 1º dia na faculdade. Os mai’ velhos mostram a casa e explicam o funcionamento dos botões das votações: "quando dissermos, carregas aqui”.
Deus Pinheiro renuncia ao fim da manhã, ou era desavergonhadamente um falso candidato, ou não gostou da vista do gabinete.
PS e PSD quiseram pescar no eleitorado do BE e CDS com os extraviados Almeida e Zézinha, mas talvez acabem com 2 deputados a menos nas suas (historicamente) encolhidas bancadas.
Esperemos que façam todos justiça às 6 estátuas que ornamentam as galerias do público, onde cabe afinal o povo que os elegeu: constituição, diplomacia, lei, jurisprudência, justiça e eloquência.
E daqui a dias virá um cordeirinho Sócrates apresentar o novo programa de governo. Se apostar na continuidade, a gaffe não é gaffe, teremos um país mais pobre e endividado, como nos últimos 4 anos.


terça-feira, 13 de outubro de 2009

NEM BOM VENTO

Detesto GENERALIZAÇÕES, tipo os políticos são corruptos, os taxistas são todos uns ladrões, as italianas são giras, os americanos são ignorantes – haja ou não uma ponta de verdade. É que eu até gosto de espanhóis.
No meu trabalho, costumo dizer que temos um azar, só termos uns vizinhos e serem espanhóis. Se fôssemos vizinhos dos suecos (ia dizer dinamarqueses, mais alegres e com mais sol, mas esses fazem matanças de baleias na praia), seríamos mais civilizados.

Tudo isto para dizer que fui a Madrid. Ir ao “estrangeiro”, claro, sai caro, mas espera-se que não sejamos roubados: um pratinho de camarões imersos em picante, daqueles congelados já descascados, 22 euros... escritos num talão amarelo sem menção a estabelecimento, data, NADA. Aliás, a conta em papéis anónimos é corrente.
Fomos a um restaurante buffet, numa das noites: 9 euros por adulto, 5 euros por uma criança a partir de 7 anos, grátis para miúdos mais novos - dito de boca, pois não havia preçário escrito. Como era uma pechincha e as crianças gostaram da comida - o que é difícil de arranjar -, voltámos lá: na altura de pagar, cobraram pelo miúdo de 5 anos. Quando disse que na véspera fora gratuito, a rapariga mal encarada respondeu que era grátis em crianças com um ano. E MAI'NADA. Bem sei que devia pedir o livro de reclamações, mas sou tipicamente português (mais uma generalização), comi, calei, … e reclamo em blogues.

Bem, já na romana Piazza Navona, o garçon percebeu perfeitamente quando encomendei a comida, mas não me entendia quando eu reiteradamente lhe explicava que aquele troco todo não era a gorjeta...
Querem cá ver que o problema não é o país, é o sector turístico?! É que eu não imagino um bom algarvio, num restaurante em Albufeira, a enganar um qualquer casal de reformados galeses…
Não desfazendo, para este turista português, os Austríacos são mais simpáticos do que ouvi dizer, os galegos são literalmente fraternos, os italianos (e os sevilhanos) conduzem caoticamente, os holandeses são uns bacanos, os mexicanos do yucatan são uns porreiros (se virem os arrabaldes do aldeamento, desconfiam que os Maias que nos servem têm razões para sorrir, pois um emprego daqueles não abunda e a miséria é grande). Ufa, consegui não generalizar...

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

PORTUGAL AUTÁRQUICO

O PSD tem mais câmaras mas não consegue o resultado irrepetível de há 4 anos, perdendo cerca de 20 câmaras, incluindo bastiões impensáveis como Barcelos, Tabuaço e Trofa. Vá, troca Faro por Leiria, mas o PS avançou terreno. CDS e BE mantém a insignificância, e invejam o possante PC.
Em 90% das câmaras, mantém-se o poder na mesma mão, quando não se reforça. A maioria dos resultados são folgados (Santarém, Cascais, Gaia, P. Lima), chegando em vários casos aos 70%, quase um caudilhismo. E ao fim de 30 anos, Mário de Almeida mantém Vila do Conde com 60% e Mesquita segura Braga (braço dado com a Bragaparques e clube de empreiteiros)... Giro vai ser daqui a 4 anos, quando 190 dos presidentes não se puderem recandidatar, aí sim vai haver um monte de transferências.
Nas minhas 2 terras, Matosinhos e Cartaxo, o PS até ganha com o Rato Mickey (saudades da P. Varzim e de V. Real, onde canta outro galo): a AD onde votei teve 17%, esmagada entre 2 galos do PS, no Cartaxo Caldas ganha com metade dos votos, apesar das histórias que correm sobre a sua "boa" gestão... procura-se justificação. Parabéns, aedilis Pedro, pela duplicação de votos.
Pequeno sinal positivo, finalmente o povo de Felgueiras abriu os olhos, e trocou a lusi-brasileira Fátima pelo Inácio, que diz "póssamos". Mas o condenado Isaltino é reeleito no concelho (academicamente) mais instruído do País.
JSD ovaciona "Vladimiro, Vladimiro" nas 3 televisões. O N. amigo está na pista para suceder a Rio, diz-me o mindinho (4º na lista, a seguir à quota CDS e mulheres, julgo).

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

QUERIDO DIÁRIO...

Ocorreu há dias a 1ª reunião de colegas do meu curso, em 15 anos. Graças à generosa CGD, os 2500€ depositados em 1994, destinados à viagem de curso e intocados, fermentaram até à fabulosa quantia de 2573€, viva a banca.
Tive a iniciativa de organizar o jantar e contactar as pessoas: alguns não se formaram, uma vive em Londres e outro na Suécia. Mandei um mail com a convocatória para a “reunião de curso”: um dos destinatários devolveu-me um ponto de interrogação. Quando esclareci qual o curso (qual a dúvida, não tirou mais nenhum…), pediu paciência, fora há 14 anos…
Muitos não foram, porque ficaram de pensar (até hoje), tiveram baptizados ou familiares subitamente doentes. Duas faltaram porque não se queriam cruzar com algumas colegas (como é que um qualquer episódio com 20 anos pesa mais que a vontade de ver 3 ou 4 amigos, no mínimo, que fizemos lá atrás?) e outra, ex-candidata a deputada, porque corre para presidente de câmara e está em campanha. Aliás, encontrei 4 candidatos autárquicos (um é presidente de concelhia), 3 deles em concelhos do interior – onde fica bem ter o doutor dos animais na lista. Umas eminências locais, portanto.
Houve uma ausência peculiar: o Lino arrancou 2 semanas antes para Antioquia (Turquia profunda, quase Iraque) para, com um professor particular, fazer as últimas 5 cadeiras – se tudo correr bem, 20 anos de curso…
Lá:
1. Como bons cristãos, multiplicámo-nos.
2. Um estava opado e 3 encanecidos, o resto TÁS IGUALZINHO, fisicamente e não só: o corista (caloiro, levou uma maleta de médico, insistindo que estudara em Medicina) continua corista, o cómico permanece um postal, a gótica continua gótica, o anão zangado mantém as trombas.
3. Estão todos empregados, alguns com múltiplos empregos, a maioria bem $ucedida, demonstrável no parque de estacionamento.
4. Há quem tenha trabalhos mais giros, como tratar de abutres e bisontes, mas quem foi mais longe foi a moça do Jaguar, que mandou tudo às malvas e agora cria porcos bísaros na sua quinta, “compondo” as clínicas do marido o resto do rendimento. Confirmou-se, o sucesso profissional não tem qualquer correlação com o sucesso académico, visto em chumbos e notas.
5. Foi curioso como a malta de agregou, geralmente com quem foi mantendo o contacto durante estes anos.
6. Sabia que tenho uma memória selectiva, o que quer dizer que esqueço a maioria das conversas, mas há gajos que se recordam de diálogos ipsis verbis que tiveram comigo, um prodígio (à chegada, disseram-me "continuas com roupa do teu irmão, lembras-te de comprares uma camisola da benetton 3 tamanhos acima, porque era gira e uma pechincha?").
7. Os optimistas acham que doravante podemos organizar um jantar anual.

EU É QUE SOU O CONDIDATO À JUNTA



Recebi hoje o folheto do candidato PSD/CDS à junta. Nas 40 fotografias dos candidatos, reconheci um técnico de farmácia. E diabos me levem se o "técnico alimentar" não tem cara de talhante.
Fiquei a saber que ia votar no Sr. Amadeu, "o rosto da mudança", e que a proposta que encabeça o seu programa é um segundo cemitério… terá sido algum cretino a ordenar as propostas.

A propósito, fui desenterrar uma personagem fabulosa no baú da memória (leia-se google), o Bem-amado Odorico Paraguaçu, danado porque ninguém morria e estreava a sua obra de regime, um cemitério. Lembram-se?

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

É A VIDA

Gostei muito do exercício do Nuno, sobre o “lembras-te de”.
É verdade, o Cartaxo (e Vila Real, onde estudei) cresceu e descaracterizou-se, tornando-se mais uma terra como as outras.
É inexorável o desaparecimento das tascas, se não derem para as contas - como acabaram os latoeiros e os ferreiros, a leitaria, a loja dos chapéus e das boinas, o sapateiro no vão do prédio, a mercearia de bairro com o aroma inconfundível da fruta, do café e do feijão vendido avulso, em sacos de sarapilheira.
No seu lugar apareceram os cafés com mobiliário piroso (Monumental, o precursor), espelhados (Martinica, nome tipicamente ribatejano) ou com neons rosados (Rosabela). Não havia necessidade.
Quanto às tabernas, ainda as há, com o balcão de mármore impregnado com cheiro a vinho (daquele que pinta a língua), a cortina de fitas, o calendário e a fotografia do Benfica na parede. Mas será preciso uma Catarina Portas cartaxense, que consiga parar o metrónomo e (re)abra tascas sustentáveis, com vinho da casa, pipis, molhinhos e caracóis.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

A República


Comemorar a instauração da República é comemorar o dia em que os portugueses quiseram deixar de ser súbditos para passarem a cidadãos.

A República Portuguesa tem tido períodos brutais, obscuros, tontos e óptimos, mas os eleitos pelos cidadãos têm obrigação de, em nosso nome, comemorar o 5 de Outubro.

Já comentei que, no Cartaxo, o Bloco de Esquerda foi quem o quis fazer. O PSD e parte do PS foram contra, mas acabaram por se abster. O 99º aniversário desse dia histórico só foi, e mal, celebrado pela Assembleia Municipal, porque votaram a favor da proposta o Bloco, a CDU e parte do PS.

A nível local foi isto, uma tristeza sem música nem hastear da bandeira, sem presidente da Câmara nem vereadores e uns poucos eleitos pelo centrão, pois nem os principais candidatos do PS ou PSD se dignaram a aparecer.

A nível local, espero conseguir que o Cartaxo comemore com Festa os 100 anos da República Portuguesa para o ano.

A outro nível, o Presidente da República, decidiu esfrangalhar as comemorações, não discursou na varanda onde foi proclamada a república e não acha bem falar de ética republicana em campanha eleitoral. Não percebeu que a República é mais importante que ele e que a República não é património de uma facção política, mas de todos os portugueses.

"Deixemos o Sr Presidente terminar o seu mandato com dignidade."

é o que apetece repetir.

Pedro Mendonça

VIVA A REPÚBLICA

Para o bem e para o mal, há que agradecer, ao soprar 99 velas, aos 9 presidentes, 10 PR/PM e 48 primeiros-ministros que tomaram conta do que D. Carlos chamou piolheira. Se prestarem atenção, está explicado o porquê da ditadura, a sucessão de governos (43 em 16 anos, vários de dias ou semanas, dois de 1 dia; Ant. Mª Silva governou 4 vezes intercaladas, num total de 2 anos e 4 meses). Cerca de metade são militares (a cinzento).
PRESIDENTES
Teófilo Braga (10-11; 15)
Manuel Arriaga (11-15)
Bernardino Machado (15-17; 25-26)
Sidónio Pais (18)
Canto e Castro (18-19)
António José Almeida (19-23)
Manuel Teixeira Gomes (23-25)
Mendes Cabeçada (26)
Gomes da Costa (26)
Óscar Carmona (26-51)
Oliveira Salazar (51)
Craveiro Lopes (51-58)
Américo Tomás (58-74)
António Spínola (74)
Costa Gomes (74-76)
Ramalho Eanes (76-86)
Mário Soares (86-96)
Jorge Sampaio (96-06)
Cavaco Silva (06-09)

PRIMEIROS-MINISTROS
Teófilo Braga (10-11)
Pinheiro Chagas (11; 17/5/1915)
Augusto Vasconcelos (11-12)
Duarte Leite (12-13)
Afonso Costa (13-14; 15-16)
Bernardino Machado (14; 21)
Azevedo Coutinho (14-15)
Pimenta da Castro (15)
Norton de Matos Junta militar (15) 3 dias
José Ribeiro de Castro (15)
Sidónio Pais (17-18)
Canto e Castro int. (18)
9 dias
Tamagnini Sousa Barbosa (18-19) 1 mês
Paiva Couceiro (19) 25 dias
José Relvas (19)
Domingos Leite (19; 20; 25)
Sá Cardoso (19-20; 20)
6 dias
Fernandes da Costa (15/1/20) governo dos 5 minutos
António Maria Baptista (20)
Ramos Preto (20) 20 dias
António Maria da Silva (20; 22-23; 25; 25-26)
24 dias, 1 mês
António Granjo (20; 21)
Álvaro Castro (20; 23-24)
Liberato Pinto (20-21)
Barros Queirós (21)
Manuel Maria Coelho (21) 17 dias
Carlos Maia Pinto (21)
Cunha Leal (21-22)
Ginestal Machado (23)
Rodrigues Gaspar (23-24)
José Domingues dos Santos (24-25)
Carvalho Guimarães (25)

Mendes Cabeçadas (26) 20 dias
Gomes da Costa (26) 20 dias
Óscar Carmona (26-28)
Jaime Zuzarte Cortesão (27)
4 dias
Vicente de Freitas (28-29)
Ivens Ferraz (29-30)
Costa Oliveira (30-32)
Oliveira Salazar (32-68)
Marcelo Caetano (68-74)

António Spínola junta militar (74)
22 dias
Palma Carlos (74)
Vasco Gonçalves (74-75)
Pinheiro de Azevedo (75-76)
Almeida e Costa int. (76)
Mário Soares (76-78; 83-85)
Nobre da Costa (78)
Mota Pinto (79)
M. Lurdes Pintassilgo (80)
Sá Carneiro (80)
Freitas do Amaral int. (80-81)
Pinto Balsemão (81-83)
Cavaco Silva (85-95)
António Guterres (95-02)
Durão Barroso (02-04)
Santana Lopes (04-05)
José Sócrates (05-09)


O post é comprido, mas não por minha culpa.
E agora, uma república velha e rosada.



quarta-feira, 30 de setembro de 2009

XENOFOBIA

A HOLANDA era conhecida pela tolerância e por acomodar uma grande comunidade africana e asiática (princ. Indonésia). Há uns anos, mataram um cineasta por “crime de expressão” e tem germinado algum nacionalismo.
Mas agora, passaram os limites. O governo tem um projecto para que as coffee shops sejam apenas frequentadas por holandeses, sendo a marijuana vendida através de cartões entregues a residentes (paradoxo, os joints não podem conter tabaco, é proibido fumá-lo em espaços comerciais desde 07/2008…). É próprio dum país baixo.
Proponho retaliações: quem pretender visitar Amsterdão, opte por Kingston, que tem um óptimo mercado de rua; proíba-se a venda a turistas holandeses de coisas que não têm ou têm pior, como café, vinho, pastéis de Belém e Jaquinzinhos fritos. Eles vão ver!!!


drogas a não utilizar, se conduzir

terça-feira, 29 de setembro de 2009

APADRINHA UM DEPUTADO


O Zoo de Lisboa tem um programa de apadrinhamento de animais por pessoas ou empresas, e tem sido um sucesso.
Ao fim de 3 eleições, os partidos estão descapitalizados, pelo que a AR podia apostar num projecto semelhante, o apadrinhamento de cada deputado. Cá vão algumas ideias:
O partido do Governo será, por razões óbvias, mais apetecível para apadrinhar, a bancada do PS podia ser apoiada pelo 13º Cartório de Lisboa e Tipografia Independente (Sócrates), Mota-Engil (Teixeira dos Santos), Tamiflu (Ana Jorge), Laca Élseve (Mª de Belém), Prosegur-Equipamentos de vigilância (S. Pereira), Diário de Notícias (Santos Silva) e Chicco (Rosário Carneiro, a fértil).
No PSD, é elegível a Zona Franca da Madeira (António Preto), Tricotadeiras Singer e Casa do Artista (Ferreira Leite), Tacos Callaway (Deus Pinheiro).
O BE pode criar um cluster, com a tabaqueira (Rosas) e a proletária Smoking (Louçã), a CDU ficaria com o Licor Beirão (Jerónimo) e carros Trabant (Bernardino) e o CDS seria patrocinado pela Jaguar e Cortiça Vargem Fresca (Portas), Smith & Weston (Magalhães) e óstias Cristo-Rei (Assunção Cristas).
Amigo(a), as hipóteses são infinitas. Participa.

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

A CONTA, POR FAVOR!


Eu acertei no resultado do PS, BE e CDU. Dei menos ao CDS apenas por modéstia e nunca esperei que a Manuela apenas tivesse mais 6000 votos que Santana - ironia divina, quem tanto desprezou. O Leal acertou em cheio nos 3 "piquenos" (% e ordem), o Pedro II e a Fátima acertaram no PSD, a Susana e o Simão na CDU.
O único vencedor perdeu a maioria absoluta e 20% dos seus eleitores (1/2 milhão), o pior resultado em 18 anos, os vencidos cresceram todos.
Quem subiu mais, viu outro chegar ao nº cabalistico de 116 deputados com o PS. BE e CDS praticamente dividiram entre si a quota perdida pelo PS.
O CDS, o mais eficaz nos debates, na campanha (sem subvenção do BES... teve uma propaganda caseira, embora caseira parecesse a do PSD) e no custo-benefício (de acordo com os orçamentos de campanha, cada voto custou 1.44€ ao CDS, contra 1.78 ao BE, 2.03€ ao PSD, 2.68€ ao PS e 4.37 à CDU), teve a maior subida de deputados (e de votos em 26 anos), obteve o resultado mais efémero - os votos migrarão à chegada de qualquer candidato laranja aceitável.
A política voltou à Assembleia.

domingo, 27 de setembro de 2009

enquanto houver ventos e mar, a gente não vai parar.

CONCELHO DO CARTAXO

PS
38,47%
4.814 votos

PSD
20,78%
2.600 votos

BLOCO DE ESQUERDA13,46%
1.684 votos

CDU
10,15%
1.270 votos

CDS/PP9,67%
1.210 votos

PCTP/MRPP1,48%
185 votos
 
Pedro Mendonça

POSFÁCIO


Deve ser tenebroso o líder dum partido ter que dar os parabéns, em directo, ao adversário vencedor, estando convicto que os eleitores não escolheram o melhor caminho para o país. Afinal, embora seja uma competição eleitoral, isto não é um jogo inconsequente.
Eu não acho que mais uns anos com o “diz que é uma espécie de” engenheiro sejam proveitosos para Portugal. O povo ‘tava madurinho, madurinho para mudar, mas o problema é que, se Sócrates não merecia vencer, a Manuela não fez por convencer.
Prefiro dar os parabéns à máquina socialista, o ataque foi a melhor defesa, e o saneamento na TVI (há apenas 3 semanas), ou o castigo a 2 juízes por conselheiros eleitos pelo PS - do mais grave que pode haver num estado de direito com justiça independente - foram esfumados da memória do eleitor.

LIGA DE HONRA

Alguns cidadãos estariam mais eufóricos com o crescimento do seu partido, não fosse a ultrapassagem pela direita. Para os românticos, deixo 13 slogans do Maio/68, cantados por utópicos, lúcidos ou por quem não se levava demasiado a sério (entretanto, cresceram todos):
* Proibido proibir.
* Sejam realistas, exijam o impossível.
* A Imaginação ao Poder.
* Ele demorou 3 semanas para anunciar em 5 minutos que faria dentro dum mês o que não fez
   durante 10 anos.
* Se as eleições pudessem mudar alguma coisa, há muito teriam sido proibidas.
* Tomemos a revolução a sério, mas não nos levemos a sério.
* Sou marxista, tendência Grouxo.
* Abaixo o realismo socialista, viva o surrealismo.
* O despertador toca a 1ª humilhação do dia.
* Tenho algo a dizer, mas não sei o quê.
* O álcool mata, tomem LSD.
* Parem o mundo, quero descer.
* Não quero perder a minha vida a ganhá-la.

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

DIREITO DE RESPOSTA


Pedro, 'tavas a guardá-las...
É claro como água, se houve corrupção com o CDS, sejam julgados e prisão sem passar na casa da partida! Quanto aos submarinos, acho tão necessário gastar 800M€ quanto o meu generoso amigo, quando há tanta coisa na fila.
Não 'tás à espera que defenda coisas erradas por ser na minha banda. Não tenho timoneiros e, se eu algum dia for qualquer coisa -ISTA, avisa-me p.f.
Não sendo desculpa, alguns entendidos ousam achar que o Portas foi o nosso melhor ministro da defesa, e parece-me que a "governante" da ÚNICA câmara do Bloco (Ana Cristina Oliveira, Salvaterra de magos) é ARGUIDA num processo, ref. às suas funções.
Há gente do CDS encharcada de defeitos mas, até aparecer melhor, não fico indeciso, e acho humildemente (vénia) o caminho por onde quero ir muito mais consistente que o teu*.
Deste-me música, dou à troca um espectáculo bem-disposto, dum entertainer que vem agora a Portugal. Siga a Banda!

* O Belmiro diz umas graças, acha o Louçã um misto de Cunhal e do Bispo Macedo (iurd). Já o Louçã disse na RTP que uma das maiores alegrias da sua vida foi quando lhe disseram que ia entrar num antro de comunistas...

Para o Grande Luis Duarte

Quem nos conhece sabe o prazer que temos numa boa discussão política e ou social. Somos Democratas e um pouco sarcásticos.
Para a ala direita e conservadora deste blogue, um presente da ala socialista e progressista.
:-)





Pedro Mendonça

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Biliões de pessoas não podem escolher...

la Boqueria, Barcelona

Caros 5 e 1/3 leitores:
A 27, todos às urnas. Há opções para todos os gostos, o nº varia por círculo eleitoral: 15 partidos nos distritos mais afortunados até 11 nos Açores e Vila Real (falha o PTP, PND, PNR e POUS).

Há partidos antigos (PCP, a cantar desde 1921!), mas para quem gosta de experimentar coisas novas, há fartura: o MEP e o MMS, o PPV (p. pró vida) e o PTP (p. trabalhista português), além da fusão entre o partido da terra e humanistas, na frente ecologia e humanismo. Há quem tenha feito boa oposição, quem aposte na sociedade civil, quem queira mais estado, há mérito, há ecologia, há renovação, há esperança, há comunismo, há humanismo, há vida, há socialismo, há esquerda. Há partidos, movimentos, blocos, frentes, coligações. Algum é um tiquitinho menos mau, mesmo que não eleja ninguém. Vá lá, escolhe um.
Quem não é médico ou juiz maltratado, professor com memória, reformado que passou a pagar IRS, funcionário público que perdeu poder de compra, um dos novos 100000 desempregados ou não pagou muito mais impostos (Sócrates prometeu mais 150000 empregos e não subir impostos em 2005…), quem ignora que Portugal está mais pobre (dívida pública cresceu 30%, dívida externa duplicou) ou esqueceu a punição do Charrua por gozar com o PM, a pressão sobre jornais, TVI e magistrados do Freeport, a falsificação das habilitações do Sócrates na AR, quem acredita que o Senhor amansou e a prepotência não volta prá semana (como o homem que bate 1 vez na mulher e diz que não repete) – tem mais uma alternativa, deve premiar o governo. Ainda assim, vota.

Querido Pai Natal: este ano portei-me bem e queria pedir 4 prendas na próxima legislatura - mais justiça, educação, exportações e (para mim) um T4.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

O JOGO

Desafio aos leitores e bloguers da Revista Dada:

Vamos apostar nos resultados das eleições?
Proponho que escrevamos na caixa de comentários deste post até às 23h59 de sexta-feira as nossas apostas quer percentualmente, quer em número de deputados (para os mais fanáticos das previsões).
Regras: conta a última aposta, ou seja, podemos mudar a nossa aposta até essa data. Todos podem participar e o prémio é a satisfação de ter sido quem mais próximo esteve do resultado final. Não é necessário apostar na abstenção, brancos ou nulos porque não contam para a distribuição final dos resultados.

Começo eu (mas de certeza que mudarei):

PS
35,0 %
98 Deputados
PSD
32,5%
83 Deputados
BE
10,5%
18 Deputados
PCP
9,0%
16 Deputados
CDS
8,0%
15 Deputados
Outros
5%
0 Deputados

Pedro Mendonça

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Política VIII - MITOS URBANOS


1. A Direita é intolerante e radical. Liberais e conservadores nada têm de extremo, e Khol e Churchill são referências nada radicais ou de intolerância; historicamente há várias direitas, umas mais retrógradas que outras, cujas ideias eu e muito boa gente não partilhamos. Mais, o liberalismo e a Democracia-cristã nunca desembocaram em ditadura, ao contrário do(s) comunismo(s). Vejamos o shaker BE: o maoísmo, o trotskismo e o comunismo são tudo coisas moderadas…
2. A Esquerda é multicultural e igualitária. Posso estar errado, mas só me lembro de deputados de origem hindu, africana e timorense no CDS e PSD (Narana, Amaral e Carrascalão), a Zézinha e a Manuela foram as únicas mulheres líderes parlamentares e candidatas a presidente dum partido (tirando a Carmelinda).
3. A Direita é preconceituosa. A Esquerda não só parece que tem o monopólio da igualdade e das preocupações sociais, como tem soberba moral; o Dr. Louçã, com o seu tom melífluo e moralista, parece ser o detentor da verdade. Não, todos os partidos procuram o bem geral, o caminho é que difere – haja espaço à sociedade civil, haja mercado livre, não em roda livre: o Estado deve ser pequeno, não curto; não há ricos a mais, há pobres a mais; o dinheiro não tem peçonha. E não tem a Esquerda os seus dogmas, os privados, a burguesia e o capital?
4. A Esquerda é (a vanguarda) progressista. O progresso na Europa não se conseguiu com a estatização da economia, deve-se aos partidos “burgueses”; o PCP votou contra todas as revisões da Constituição, porque ela ‘tava boa em 75, o programa BE combate a regressão da constituição; o PCP e o Bloco querem de novo a estatização dos sectores estratégicos (quando a UE quer acabar até com as golden-shares), o BE advoga um banco de terras gerido pelo estado (com terras públicas e privadas) e segurança pública de base comunitária (?), i.e., voltar 34 anos para trás. Era giro deixa-los governar uns 2 anos, não fosse isto deixar de ter conserto.
5. A Direita é neoliberal. Há um modelo social europeu com reformas, saúde e educação, criado a 2 mãos (conservadores e sociais-democratas) que ninguém põe em causa, e que nem PSD, nem CDS querem desmantelar. Todos aceitam a universalidade dos SNS e nenhum europeu, à esquerda ou à direita, compreende que alguém vá à falência porque adoeceu, como acontece nos EUA, onde se gasta 16% do PIB em saúde (o dobro dos países desenvolvidos, mas com piores resultados), os seguros de saúde subiram, em 10 anos, 3x mais que salários, e onde 45 milhões de pessoas não têm seguro de saúde nem são elegíveis nos sistemas Medicare e Madicaid.
Já agora, o liberalismo é de esquerda, histórica, doutrinal e politicamente. Tenham tento nos rótulos, neoliberal é o Bloco.
6. A Esquerda é anti-burguesa. O BE restaurou para sede um palacete na Rua da Palma, com tectos estucados, escadas de madeira e janelas de sacada, o Garcia Pereira (que se faz pagar muito bem para patrocinar trabalhadores… e o Governo da Madeira) tem um belo veleiro, e o latifundiário PCP tem uma quinta só para festas.
7. Portugal está ao centro. Não, o País está descaído para a esquerda, para o que também contribui a N. falta de empreendorismo. A esquerda é largamente maioritária, o partido alternante à direita chama-se social-democrata, o partido de direita é chamado de Centro e está no extremo da Assembleia - o que não é mau, porque o espaço à direita do CDS já me parece mal frequentado. Ao contrário, os socialistas governam ao centro e até têm menos pruridos em dar o braço aos “patrões”. Se o Durão tivesse feito metade que o Sócrates fez, seria chamado de fascista pela certa.
8. Há outra ainda com graça: a esquerda é popular, a direita populista.
Salvo melhor opinião, claro.

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

VENDE-SE FUTURO


Chegam as eleições e somos enxameados com milhares de cartazes. Dos bem esgalhados, geralmente do BE (herdeiro das cómicas ovelhinhas do PSR e do “só mudam as moscas” da UDP), aos piores como o exemplar acima, que um jornalista do La Guardia diz poder ser confundido por turistas com associações de apoio à 3ª idade ou de prevenção de suicídios.
É a altura para cada partido vender o seu produto, arranjando máximas para nos convencerem. Era suposto serem específicas da marca, mas não. Experimentemos trocar os slogans:
PS – Justiça na Economia
PSD – Sim, é possível uma vida melhor
CDU – Política de verdade
BE – Há cada vez mais gente a pensar como nós
CDS – Avançar Portugal
P.S.: Tenham cuidado com o PTP, pois EXIGEM o fim imediato da corrupção e compadrio. Á valentes.

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

REBRANDING


Dito por profissionais: "A mudança visual das marcas está, normalmente, associada a mudanças estratégicas das organizações, quer estas passem pela alteração da administração, a fusão das empresas ou porque simplesmente a imagem da marca está desgastada junto do público. O rebranding vem, na maioria das vezes, contribuir para a alteração da percepção que o público tem da marca. Para Hélder Pombinho o motivo que leva uma empresa a reposicionar-se no mercado é muito simples: “A alteração da imagem da marca acontece quando a empresa não está a ir ao encontro das expectativas que as pessoas têm dela”."

Deixem-me falar sobra a Dona Joaquina: A Dona Joaquina é uma industrial de chouriços e presuntos de Barcelos, 50s, educada, cabelo platinado, grandes aneis de ouro. Chorava baba e ranho quando ameaçavam fechar-lhe o tasco por falta de asseio (talvez por causa do bem-estar dos "seus" ratos). Como também não tinha jeito para os negócios, ou por não gostar de pagar aos credores, foi refundando a empresa, qual fénix: Montebranco, Montebranco 2 (ganda lata!) e, finalmente, Cold. Parece que agora anda por S. Tomé.

Mesa em vez de comité, convenção em vez de congresso, coordenador em vez de secretário-geral, bloco em vez de partido, LCI>PSR>BE. Vêm, remotamente, um paralelo? Seus perversos.
Prometo só voltar ao tema para felicitar algum socialista não formatado que seja eleito no Cartaxo (isto é uma forma de pedir desculpa por esta bala perdida, as tréguas mantêm-se - mas não resisti a meter-me contigo).

Jefferson, esse comuna

O tema da Campanha tem sido o programa do Bloco de Esquerda.
 
Ainda bem que o é, pois é democrático e adulto que se discutam os programas, é neles que se vê as linhas de fundo da acção política. Não falo de pequenos fait-divers, falo das políticas gerais que se pretendem para o país.
 
Sobre a história deste movimento/partido, e respondendo ao de leve (para não quebrar o cessar-fogo declarado unilateralmente pelo Duarte), já muito se escreveu, mas embora criado por elementos do PSR, da UDP e da Política XXI, ao bloco juntaram-se socialistas e social-democratas inspirados em países tão maus e pobres como Suécia ou Noruega, além de gente de esquerda sem ideologia formatada e pronta-a-vestir.
 
De uma vez por todas, o Bloco de Esquerda não acredita na utopia comunista, nem na utopia capitalista. O Bloco não apoia, nem aceita o regime Chinês, Norte-Coreano ou Cubano.
 
O Bloco é um partido democrático parlamentar e europeísta que abomina qualquer ditadura e não tem farois internacionais para se guiar. Queremos ajudar a criar uma alternativa ao Capitalismo, mas uma alternativa que se vá construindo gradualmente. Como exemplo, propomos a Nacionalização da GALP e da EDP e de mais nada, e estas empresas apenas pelas razões já explicadas diariamente pelo Francisco Louçã. Acaso estamos contentes com o Estado a que isto chegou? Senão estamos, porque é que nos conformamos? Porque não procuramos algo melhor? O Bloco procura e sabe que infelizmente a solução não nem o capitalismo, nem o comunismo.
 
Tudo o resto é a agitação natural dos meios conservadores face ao crescimento do progressismo.
 
Pedro Mendonça

terça-feira, 15 de setembro de 2009

BE E O RETRATO DE DORIAN GRAY




O vencedor do dia 27 merece uma atenção especial. O BE está de parabéns pela “pressão alta” contra os impostos da Banca abaixo da média (e lucros quase obscenos), a osmose entre poderes económico e político, paraísos fiscais, as “negociatas” entre o Estado e os seus conhecidos, aquisições sem concurso público, contratos cujas cláusulas são escolhidas pelos privados, orçamentos ultrapassados em 120%, o cartel da gasolina. Critica o BE, eu e, aliás, muitos que rematam com “faltava era outro Salazar”. São defeitos do Poder de qualquer partido, e a moralização da vida pública não é patente da Esquerda, é uma questão de pudor e honestidade.
Em suma, o BE é bom no protesto. E espero que o BE suba, q.b. para morder as canelas do PS (venham também o Garcia Pereira, o Monteiro e o Rui Marques, fazem mais falta que o 89º deputado da maioria - viva a biodiversidade no Parlamento).
O problema é a cartilha ideológica ou, como diz Soares, o extremismo irrealista. O discurso é bonito, mas panfletário, e não se governa à esquerda da Esquerda: Fernando Henrique Cardoso (quando eleito, pediu “esqueçam tudo o que eu escrevi”), os Verdes alemães e os pós-comunistas italianos são disso exemplo, quando lá chegaram. Pelo contrário, nenhum país, dos que atingiram algum conforto social, chegou lá pela extrema-esquerda. Quem quiser replicar, apresente
UM caso de sucesso da extrema-esquerda no poder. Louçã nem às paredes confessa qual o seu país ou governante mundial de referência (já agora, o 25 de Novembro foi um retrocesso ? a ETA tem algum mas?).

E a frescura do discurso, a modernidade... Vejamos: o Louçã é dirigente partidário desde 7/74, na Liga Comunista Internacionalista (parte da Frente de Unidade Revolucionária, com o MES, a LUAR e o Partido Revolucionário Português, em 8/75, activa na defesa do Gonçalvismo contra o grupo dos 9 – estavam no lado errado da história), fundando o trotskista Partido Socialista Revolucionário* em 78 (LCI+PRP).
Temos ainda a marxista-leninista-maoísta UDP (fusão de 3 grupos m-l), nascida em 12/74, que defendia a Ditadura popular**, o visionário Otelo a presidente, a China, o Vietname e, sol na terra, a Albânia. Ao PSR e UDP juntaram-se os neo-comunistas da Política XXI, que só se desiludiram do PCP (n. 1921) quando o bloco de leste implodiu.
O BE é o final de fusões, rebrandings e liftings na extrema esquerda, não digam que é um projecto novo e virginal, pois o passado está vivo e à mostra no programa - os Senhores insistem na estatização da economia, como em 75, um nó que demorou 10 anos a desatar.
Quanto ao país de Mao, estamos conversados relativamente a direitos humanos e de trabalho, quanto a Trotsky, enquanto não foi saneado numa luta intestina pelo poder, bem participou nas purgas com Lenine e Estaline – há literatura sobre o assunto.
Mas o embrulho é giro, o BE usou um
MARKETING BRILHANTE como OFFSHORE PARA BRANQUEAMENTO DE IDEAIS – é isso, umas doutrinas cristalizadas com uma dose de lixívia e cobertas com temas fracturantes. E a folha limpa de quem nunca governou, num país que podia estar muito melhor, reconheça-se.
Posto isto, desejo fazer um pacto de não agressão com o reviralho deste blogue. A contar de… AGORA.

* O PSR é a secção portuguesa da IV Internacional. O seu objectivo é a revolução socialista que destrua o sistema capitalista e a exploração do Homem pelo Homem, criando as bases para o desenvolvimento de uma sociedade socialista, iniciando a destruição do Estado pela instauração da mais ampla democracia social e pela associação livre dos produtores. A adesão a IV Internacional baseia-se no acordo com os seus princípios programáticos: os documentos fundacionais dos Congressos da Internacional Comunista, da oposição anti-estalinista e da fundação e dos Congressos Mundiais da IV Internacional, nomeadamente a resolução "Democracia Socialista e Ditadura do Proletariado”. (estatutos do PSR)

** “Contra as perseguições à imprensa popular! Supressão da imprensa fascista!”, “Não consentiremos que os fascistas votem nas eleições.” (liberdade para os que concordam connosco, depreenda-se).
“Não há via para o socialismo que não seja pela destruição violenta do estado burguês e pela instauração da ditadura do proletariado sobre a burguesia. Nesta via, a única possível e a única verdadeiramente revolucionária, não há nenhuma força política ou exército que consiga substituir a classe operária que, dirigida pelo seu Partido e apoiada pelos seus aliados principais, os camponeses pobres, saberá criar o seu próprio exército revolucionário que concretizará o triunfo da revolução.” (propaganda UDP)

domingo, 13 de setembro de 2009

Política IV - Duelos ao fim da tarde



BE-PC: Entrevistas paralelas, não-debate elucida quanto às suas diferenças. Lá descubri uma: o PC quer nacionalizar a banca e seguros, BE quer nacionalizar água e energia. Registo que a resposta do Louça à ideia do Jerónimo, “o que são precisas são regras e regulação séria”, podia-se aplicar à sua proposta. Reparo ainda que os termos usados, como a roubalheira e tráfico de influências, tem paralelo com o PND, como o “olho na ladroagem”.
PC-PS: zzzzz.
PSD-BE: Manuela quer saúde privada complementar. Louçã explica que as privatizações do PREC ocorreram porque os Melos e quejandos fugiram para o Brazil. O homem tem uma veia cómica, amnésia ou revisionismo?
CDS-PC: Ambos preocupados com a agricultura, verdadeiro caso de soberania nacional. Exemplo entre muitos: em 20 anos passámos de auto-suficientes em hortícolas, para 25% - que país é este que não produz sequer para comer?
PS-BE: A rezar por duplo KO. Sócrates acusa Louçã de ataque à classe média, com eliminação de deduções. Pela primeira vez, Louçã é obrigado a defender-se e às suas ideias, e aí está o seu problema: basta passar a unha para a tinta estalar e ver a sucata ideológica e para onde gostava de nos levar. E Louça desmente evolução no seu pensamento desde o PREC: “eu sou coerente, sempre tive a mesma ideia da política pública”. Eu sei, saberão os mai’novos (a ideia é apelativa e já nasceram depois da ruína dos sistemas colectivistas) e muitos PS que vão votar no Bloco.
PC-PSD: Jerónimo acusa PSD de estar “prisioneiro de princípios ideológicos” (outro engraçado) e Manuela diz terem passado as lutas de classes. Asfixia democrática: para quem já esqueceu, recordaram o caso DREN, o que me lembrou os polícias a questionarem sindicatos e a identificar manifestantes.
PSD-CDS: Portas, mais ágil e eficaz; faz favor a Manuela, com rendimento social de inserção (RSI), empurrando-a para o centro - a proposta de pagar em géneros é bizarra.
CDS-BE: Louçã ataca Portas com o RSI (mas a fraude indigna muita gente, talvez dê votos). Portas critica propostas do BE, como a taxação de telemóveis de serviço, nacionalizações (quem paga, o que nacionaliza,…) e patentes de investigação – o BE está claramente à esquerda da esquerda do PS, e do eleitorado que quer conquistar.
* No mesmo dia, Zézinha acusa BE de fazer um diagnóstico real do país, mas projectar um país imaginário, Fazenda confessa que “a política do BE não é pragmática, e por isso é que cresce”. Transparente. Mas o que o povo quer é que lhe melhorem a vida, Sr. Luís.
PS-PSD: Manuela metralhada, ainda oferece rebuçado: fui eu que pus portagens na CREL. Sócrates oscila entre a humildade (governo novo tem ministros novos) e a insistência (lutei contra interesses corporativos). Manuela lembra promessa PS de não aumentar impostos e que reformas daqui a 10 anos serão metade do vencimento bruto, e desmente pela enésima vez que queira desmantelar o Estado social, usando a frase preferida “nunca ninguém me ouviu dizer…” (o problema é esse).
Conclusão: Sócrates passou pelos 4 debates pouco chamuscado, ao contrário do que a sua governação faria prever. Manuela alternativa mesmo fraquinha. Louçã obrigado a mostrar o jogo.

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

mudança

Caro Yang,

Antes demais obrigado pela música, é linda e espero que as ensines aos meninos.

Afirmas: Caso o Estado priorize a poupança, também deve usar deduções para favorecê-las.
Afirmo: Não se apoia a poupança, apoia-se o negócio na saúde e na segurança social.

Acredito na revolução pelo voto, gradual mas com mudanças profundas na forma como organizamos a nossa vida colectiva, sem comunismos nem amanhãs que cantam e sem este mercado utópico de santos e capitalistas, mas sim com efectiva vontade de mudar a forma como vivemos.

clica para ouvires uma música também no registo da tua. De Liberdade.

Pedro Mendonça

FACTURAS E FRACTURAS



Caro Yin:
Tudo bem que areia no fisco facilita a vida aos chico-espertos. Porém, o Estado deve ver o fisco como o principal instrumento para um projecto de País.
Caso o Estado priorize a poupança, também deve usar deduções para favorecê-las. Caso o Estado ache a demografia o maior problema a longo prazo, deve ajudar a renovação geracional. Ora, TER FILHOS É UMA DESPESA (coisa que o Portas não pode discutir, porque nunca foi pai), muito à custa da saúde e educação. Se o Estado diminuir encargos, embaratece as crias (longe vai o tempo em que os filhos eram mão-de-obra) e talvez as pessoas tenham menos receio em "multiplicar-se".
Quanto à gratuitidade da saúde e educação, é ingénuo pensar que chegamos lá, sem revoluções (destruição do Estado e Ditadura Proletária, dizem os estatutos do partido de Louçã) e "amanhãs que cantam" mas nunca chegam - eu digo Graças a Deus, e tu amigo?
Portanto, a V. proposta é impopular: o que perdes num lado, não ganhas no outro. Diria o Guterres, é fazer as contas.
Mando uma música romântica.
Yang
P.S.: enquanto sócrates é a fada dos dentinhos (põe 40 contos na almofada, daqui a 18 anos), o novo PM japonês prometeu 190€ mensais por criança, até aos 14 anos. Luxo.


Elogio do Egoísmo?


O fim gradual dos benefícios fiscais propostos pelo Bloco de Esquerda, pode ser impopular mas não deixa de ser justo.

Há que quebrar o círculo vicioso que incentiva fiscalmente a fuga dos serviços públicos e não permite a sua expansão na saúde ou educação onde reina a lógica do mercado, onde o a escolha por exemplo dos dentistas ou manuais escolares se faz pela carteira.

Eu troco os benefícios fiscais a despesas privadas por manuais escolares e por dentistas gratuitos no SNS.

Quem ganha o salário médio (cerca de € 700) percebe a proposta e quem mais ganha tem de escolher entre o elogio do Egoísmo ou uma Sociedade mais Justa e Solidária.

Pedro Mendonça

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Política III - O CENTRÃO

objectivo: licenciatura e mestrado em 2 domingos


Não gosto do CENTRÃO – acho que foi Aquilino que disse algo semelhante comhá para aí dois partidos que são tão iguais, tão iguais, que se podiam fundir, não tivessem que se revezar, porque o orçamento não chega para todos ao mesmo tempo”, o que mantém alguma actualidade.
O PS e o PSD são o Dupont e Dupond ou, melhor, o Tico e o Teco: agora acuso eu o Estado ao serviço do partido, a inviabilização de comissões de inquérito, a propaganda; a seguir criticas tu… Mas não são exactamente iguais, para começar, o Tico tirou o curso, o Teco não. Depois, o PS tem a cumplicidade do PSD na contenção do défice e na legislação do trabalho, cortesia que não retribui quando está na oposição.
SÓCRATES tem muitos créditos: energias renováveis, contenção do défice, desburocratização e simplex (empresa na hora, cartão do cidadão), aumento da base tributária (iniciada com a Senhora e o grande Paulo Macedo, lembram-se?), debates quinzenais na AR, informatização de escolas, alargamento do horário escolar e inglês (técnico?), diário da república electrónico (era pago e bem falta me faz), cheque-dentista, pequenas grandes vitórias na defesa do consumidor (telecomunicações, banca, seguros); e uns temas fracturantes, para calar a camarata (peanuts). Contra ele, a arrogância, o aumento dos impostos TODOS, as taxas moderadoras nas cirurgias e internamentos (para moderar o quê?), aumento das taxas da justiça (para moderar as TMN, impedindo a maralha), a diabolização e hostilização de sectores profissionais, uma machadada nas reformas (demograficamente necessária), a quase duplicação da Dívida pública, a colocação do Estado ao serviço do PS, a quebra das promessas - dignificação e auto-estima dos prof., fim de portagens, refendo ao tratado europeu, 150.000 empregos, revisão do código do trabalho, + vida além do défice. E respondam, houve algum PM com passado mais nebuloso?
A alternativa é fantástica, a Senhora da Verdade e Credibilidade pratica harakiri: Não é OPORTUNO impedir candidatos pronunciados de crime, como o António Preto, nem taxar indemnizações de administradores? Saneiam-se opositores internos, para não por a raposa na capoeira? A Madeira é um MODELO e não tem asfixia democrática, porque o povo escolheu (qualquer candidato PSD devia fugir à Madeira durante a campanha)? Promete RASGAR as políticas do PS e desmente na semana seguinte, dizendo que concorda com todas as políticas que o PS promete, o problema é que não as cumpre? Meus amigos, séria não é carrancuda. Acho até que a magreza do programa eleitoral não é contenção de promessas, é falta de ideias.
Fraca escolha. Mas enfim (shuif), tou a torcer para que a Senhora (Vecchia Signora, à Juventus, fica bem) ganhe no dia 27. Claro que a 28 acordamos angustiados com os novos gémeos Kaczynski (PR e PM da Polónia) no poder, em Outubro voltam os mesmos do costume, e lá para Janeiro está tudo a barafustar com ela – ninguém vai ao engano, já conhecemos os seus brilhantes consulados na Educação e nas Finanças.
Mas isso é outra história, como os comunistas, há que derrubar um inimigo de cada vez, e agora é tempo de repetirmos ao Sócrates o que o Soares ordenou a um polícia numa presidência aberta: “DESAPAREÇA!!!”.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Declaração de interesses

Como o Luís Duarte, também devo fazer uma declaração de interesses:

Sou cabeça de lista à Assembleia Municipal do Cartaxo pelo Bloco de Esquerda.
Sou aderente (militante) do Bloco de Esquerda.
Sou Republicano, Laico e Socialista.
Sou optimista e acredito que podemos todos construir uma sociedade melhor.

Pedro Mendonça