Existe aí uma doença que afecta em particular os funcionários públicos. Conheço o morbo porque trabalho no Estado, ainda que geralmente colocado em empresas privadas.
Chama-se SAC, síndroma do ar condicionado. É causada pela Legionella burucratus comunitensis. A Legionella viriatus, a estirpe que assola o país, também se instala nos sistemas de ventilação. Os sintomas são patognomónicos e incluem astenia, alucinações e perda da noção da realidade.
Numa fase inicial, causa fraqueza. Na minha repartição, um papel avisa que o pedido dum certificado, emitido em 10 minutos, deve ser efectuado com 48 de antecedência. Quando pedi à (simpática) administrativa que me tirasse um molho de fotocópias, numa quarta-feira, disse que teria que adiar, porque ia de férias na semana seguinte...
Nos indivíduos mais velhos, dá cegueira. Uma colega minha, quando um informático lhe mostrava uma nova aplicação no computador e lhe pediu para abrir o ficheiro, olhou para a estante e perguntou “qual?”.
Há ainda o esquecimento: um pedido de atribuição de número de operador ficou 7 anos numa secretária, pois o responsável reformara-se, alguém ocupou sua a mesa, mas não tocou na pilha lá deixada…
Há ainda o esquecimento: um pedido de atribuição de número de operador ficou 7 anos numa secretária, pois o responsável reformara-se, alguém ocupou sua a mesa, mas não tocou na pilha lá deixada…
Outros enfermos caracterizam-se por desinteria… normativa. A doença afecta particularmente pessoas com funções legislativas e de planeamento, que passam a julgar que devem ter ideias, para justificar a sua existência – e inventam!!! É o problema de ser pago para pensar, vêm ideias e idiotices. E já não é mau quando sai à primeira, por vezes é necessária uma contra-circular e/ou o esclarecimento, seguido do seu respectivo esclarecimento.
Como resultado, sobrecarregam-se os cidadãos de regras, até ao absurdo.
E quanto maior a regulamentação, maior a desregulação, porque a capacidade de intervenção não estica. Toda a gente fala nos mesmos exemplos da normalização comunitária, como o tamanho da cenoura e a maçã com bicho. Ninharias. Sabem que há legislação sobre os materiais de investigação e manipulação (vulgo brinquedos) que os porcos de engorda devem ter nos parques, para se entreterem?
Como resultado, sobrecarregam-se os cidadãos de regras, até ao absurdo.
E quanto maior a regulamentação, maior a desregulação, porque a capacidade de intervenção não estica. Toda a gente fala nos mesmos exemplos da normalização comunitária, como o tamanho da cenoura e a maçã com bicho. Ninharias. Sabem que há legislação sobre os materiais de investigação e manipulação (vulgo brinquedos) que os porcos de engorda devem ter nos parques, para se entreterem?












