...e depois, com bigodes de leite, pedem mais paciência e esforço ao povo, que a "vaca 'tá seca".

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

BUROCRACIA




Existe aí uma doença que afecta em particular os funcionários públicos. Conheço o morbo porque trabalho no Estado, ainda que geralmente colocado em empresas privadas.
Chama-se SAC, síndroma do ar condicionado. É causada pela Legionella burucratus comunitensis. A Legionella viriatus, a estirpe que assola o país, também se instala nos sistemas de ventilação. Os sintomas são patognomónicos e incluem astenia, alucinações e perda da noção da realidade.

Numa fase inicial, causa fraqueza. Na minha repartição, um papel avisa que o pedido dum certificado, emitido em 10 minutos, deve ser efectuado com 48 de antecedência. Quando pedi à (simpática) administrativa que me tirasse um molho de fotocópias, numa quarta-feira, disse que teria que adiar, porque ia de férias na semana seguinte...

Nos indivíduos mais velhos, dá cegueira. Uma colega minha, quando um informático lhe mostrava uma nova aplicação no computador e lhe pediu para abrir o ficheiro, olhou para a estante e perguntou “qual?”.

Há ainda o esquecimento: um pedido de atribuição de número de operador ficou 7 anos numa secretária, pois o responsável reformara-se, alguém ocupou sua a mesa, mas não tocou na pilha lá deixada…

Outros enfermos caracterizam-se por desinteria… normativa. A doença afecta particularmente pessoas com funções legislativas e de planeamento, que passam a julgar que devem ter ideias, para justificar a sua existência – e inventam!!! É o problema de ser pago para pensar, vêm ideias e idiotices. E já não é mau quando sai à primeira, por vezes é necessária uma contra-circular e/ou o esclarecimento, seguido do seu respectivo esclarecimento.
Como resultado, sobrecarregam-se os cidadãos de regras, até ao absurdo.
E quanto maior a regulamentação, maior a desregulação, porque a capacidade de intervenção não estica
. Toda a gente fala nos mesmos exemplos da normalização comunitária, como o tamanho da cenoura e a maçã com bicho. Ninharias. Sabem que há legislação sobre os materiais de investigação e manipulação (vulgo brinquedos) que os porcos de engorda devem ter nos parques, para se entreterem?

terça-feira, 20 de outubro de 2009

NÃO É CHUVA, NÃO É GENTE

Chuva na palma da mão (p.f. aumenta o volume)

Para quem não tem lavoura, estava a ser um Outono bem amistoso. Mas como não há mal que sempre dure, nem bem que não acabe, começou a chuva.
Há uma coisa que me irrita em viver no Norte, o tempo. Costumo sair de casa por volta das seis, pela fresquinha, e ouço amiúde no rádio “máximas de 12 no Porto, 17 em Lisboa, 21 em Faro”. E quando vou para a Trofa, a 25’ do Porto, a Tºc ainda desce mais 3-4ºc (se no Porto estiverem 6º, é fazer as contas…). A inveja é feia, mas GRRR!!!
Quanto ao boletim meteorológico, se antes associava às 4 estações de Vivaldi, hoje significa “nuvens no Continente, chuva no Minho e Douro Litoral”. Quase invariavelmente.
Não é bonito, não é bonito e não é justo que, num país tão ‘quenino, a água caia mais num dos 4 cantos.
Portanto, não se queixem da pluviosidade, ribatejanos.

sábado, 17 de outubro de 2009

O Primeiro-Mundo


press release
1. Cavaco obriga o governo a alterar lei, para aumentar em 50€/mês o salário dos generais brigadeiros, comodoros, coronéis e capitães de mar-e-guerra, achando a messe que “a modificação restabelece um mínimo de dignidade, evitando a humilhação da subalternização a técnicos superiores da AP”. É sempre bom quando o nosso PR fica comovido com os salários baixos – um Tenente-General ganha 4300€ base e 623€ de subsídio de condição militar – e mostra as suas preocupações sociais.
2. Contra as intenções da UE, ONU e OCDE, o Parlamento transpôs directivas comunitárias de combate ao branqueamento de capitais (comunicação pelos bancos de transacções suspeitas) de forma incompleta: exclui os políticos e altos funcionários públicos (incluindo familiares directos e até sócios), exactamente os que a UE considera “pessoas politicamente expostas” à corrupção - se viverem em território nacional. Queria saber é quem é que sobra.
3. Ao menos, o despudor vem de França. Jean Sarkozy, enteado de Carla Bruni, 23 anos, 2ª ano de direito, é candidato à presidência dum grande organismo público, com um orçamento de 115M€. O pai diz que "não há idade mínima para ser competente" e que o parentesco não pode limitar a sua carreira. Carreira essa que será brilhante, sem dúvida.
Fazem-nos de parvos, é o que é. HAJA DECORO.

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

1/2. A CASA DAS HISTÓRIAS

Aos 17, vivi 1 ano às Janelas Verdes, e nunca entrei na porta do museu da arte antiga. Para meu remorso.
Mas há oportunidades que não se podem perder. Pois onde estava eu a 9/9/9? A Susana ficou literalmente retida 4 horas e meia, no que pode ser o melhor parque para miúdos do país, por estes dias (Kidzania, recomendo). Embora solidário, aproveitei a espera para visitar a Casa das histórias da Paula Rego.
Enganei-me e entrei pelo fim, mas resolvi continuar ao contrário, foi uma maneira diferente de ver a exposição, com a artista e rejuvenescer: vê-se como progrediu com a idade.
A fase do pastel, com as telas melhores e o traço inconfundível das mulheres parecidas, tipo beirã de pele curtida na lavoura, quase com buço, umas D. Marias de Santa Comba; até as meninas têm caras adultas. E o divã castanho, onde as mulheres posam sempre; as memórias de hábitos antigos, como crianças e vinho, a bota cardada, o castigo, a costura do hímen; as cenas bíblicas com as suas mulheres com roupa d’há 40 anos e poses provocantes (o Sampaio arranjou um tesouro para o Estado, ao adquirir uma série dessas sobre a Nossa Senhora, para a capela do Palácio de Belém).
Antes de 94-95, houve a fase do acrílico, menos apurada, com os mesmos temas, mas pior material. Mas a viragem ocorreu em 1987, quando o marido morreu, pois as pinturas anteriores não têm nada a haver. A minha visita acabou no início, na fase de colagens. Deu para ver que a Paula Rego é como o vinho do Porto, melhorou bastante com o tempo.
Paula Rego é alucinada, mas de forma divertida e interessante, é assumidamente medrosa e não tem manias sobre a sua genialidade. Quando lhe perguntam se a mãe era a modista num dos quadros, respondeu “olhe, pode ser”. Quando lhe perguntaram se o que queria dizer era blablabla (os jornalistas também inventam…), respondeu “não sei, o que é que acha que pode ser?”.
Quanto ao sítio, é perto da cidadela de Cascais. Uma das terras mais aprazíveis do rectângulo, com as suas ruinhas empredradas, os jardins, os restaurantes em pátios e becos. A Casa é um projecto bem giro, a esplanada é óptima e o jardim quase zen. Entrada gratuita.
´Tá feito o convite.

2/2. VOLTANDO A SANTOS-O-VELHO

Estudei junto ao Camões e ia para casa no eléctrico 19 ou no 58. Eram uns belos percursos, em particular com sol.
Vivia na casa da "Marechala", uma tia-avó sessentinha e solteirona, autoritária e com rituais militares: 3ª peixaria, 4º banco, 5ª talho, domingo almoço com amiga-inseparável-há-65-anos (um contraste, inglesa loura-olhos-azuis, magrinha, sorridente e calada); certa vez, descobriu que eu passara por casa, porque a porta da WC estava aberta mais 10 cm. Friorenta, fazia headphones e tapa-narizes de lã...
Era na Rua da Arriaga, na raia da Lapa mas impecável, antiga o suficiente para um filme do Vasco Santana, e com uns bons close ups usava-se até num take d’Os Maias.
Comprida, larga e luminosa (luz que só Lisboa tem), muito limpa, empedrada, pouco trânsito, Embaixada do Iraque, casa do Embaixador de Inglaterra, “palecetezinhos” arborizados de gente desconhecida, daquela que diz “o dinheiro corre na família há muitas gerações”, prédios novos à antiga, para bolseiros (não os necessitados, os da Bolsa de valores).
O meu prédio era o mais modesto da rua. Ainda assim era muito apresentável, tectos altos, muitas divisões, com vista para o Tejo sobre-telhados (vá, duma janela!). Com as voltas da vida, vieram-me parar às mãos papéis bem giros do meu bisavô, incluindo o documento do aluguer da casa, de 1935.
Lisboa é muito bonita, carago.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

SENTEM-SE, MENINOS


Reabertura do Parlamento. Talvez o mais fragmentado desde 1987, o que tornará a legislatura e a retórica parlamentar mais viva.
É dia de inscrições. 105 dos 230 deputados debutam, e têm o ar perdido do 1º dia na faculdade. Os mai’ velhos mostram a casa e explicam o funcionamento dos botões das votações: "quando dissermos, carregas aqui”.
Deus Pinheiro renuncia ao fim da manhã, ou era desavergonhadamente um falso candidato, ou não gostou da vista do gabinete.
PS e PSD quiseram pescar no eleitorado do BE e CDS com os extraviados Almeida e Zézinha, mas talvez acabem com 2 deputados a menos nas suas (historicamente) encolhidas bancadas.
Esperemos que façam todos justiça às 6 estátuas que ornamentam as galerias do público, onde cabe afinal o povo que os elegeu: constituição, diplomacia, lei, jurisprudência, justiça e eloquência.
E daqui a dias virá um cordeirinho Sócrates apresentar o novo programa de governo. Se apostar na continuidade, a gaffe não é gaffe, teremos um país mais pobre e endividado, como nos últimos 4 anos.


terça-feira, 13 de outubro de 2009

NEM BOM VENTO

Detesto GENERALIZAÇÕES, tipo os políticos são corruptos, os taxistas são todos uns ladrões, as italianas são giras, os americanos são ignorantes – haja ou não uma ponta de verdade. É que eu até gosto de espanhóis.
No meu trabalho, costumo dizer que temos um azar, só termos uns vizinhos e serem espanhóis. Se fôssemos vizinhos dos suecos (ia dizer dinamarqueses, mais alegres e com mais sol, mas esses fazem matanças de baleias na praia), seríamos mais civilizados.

Tudo isto para dizer que fui a Madrid. Ir ao “estrangeiro”, claro, sai caro, mas espera-se que não sejamos roubados: um pratinho de camarões imersos em picante, daqueles congelados já descascados, 22 euros... escritos num talão amarelo sem menção a estabelecimento, data, NADA. Aliás, a conta em papéis anónimos é corrente.
Fomos a um restaurante buffet, numa das noites: 9 euros por adulto, 5 euros por uma criança a partir de 7 anos, grátis para miúdos mais novos - dito de boca, pois não havia preçário escrito. Como era uma pechincha e as crianças gostaram da comida - o que é difícil de arranjar -, voltámos lá: na altura de pagar, cobraram pelo miúdo de 5 anos. Quando disse que na véspera fora gratuito, a rapariga mal encarada respondeu que era grátis em crianças com um ano. E MAI'NADA. Bem sei que devia pedir o livro de reclamações, mas sou tipicamente português (mais uma generalização), comi, calei, … e reclamo em blogues.

Bem, já na romana Piazza Navona, o garçon percebeu perfeitamente quando encomendei a comida, mas não me entendia quando eu reiteradamente lhe explicava que aquele troco todo não era a gorjeta...
Querem cá ver que o problema não é o país, é o sector turístico?! É que eu não imagino um bom algarvio, num restaurante em Albufeira, a enganar um qualquer casal de reformados galeses…
Não desfazendo, para este turista português, os Austríacos são mais simpáticos do que ouvi dizer, os galegos são literalmente fraternos, os italianos (e os sevilhanos) conduzem caoticamente, os holandeses são uns bacanos, os mexicanos do yucatan são uns porreiros (se virem os arrabaldes do aldeamento, desconfiam que os Maias que nos servem têm razões para sorrir, pois um emprego daqueles não abunda e a miséria é grande). Ufa, consegui não generalizar...

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

PORTUGAL AUTÁRQUICO

O PSD tem mais câmaras mas não consegue o resultado irrepetível de há 4 anos, perdendo cerca de 20 câmaras, incluindo bastiões impensáveis como Barcelos, Tabuaço e Trofa. Vá, troca Faro por Leiria, mas o PS avançou terreno. CDS e BE mantém a insignificância, e invejam o possante PC.
Em 90% das câmaras, mantém-se o poder na mesma mão, quando não se reforça. A maioria dos resultados são folgados (Santarém, Cascais, Gaia, P. Lima), chegando em vários casos aos 70%, quase um caudilhismo. E ao fim de 30 anos, Mário de Almeida mantém Vila do Conde com 60% e Mesquita segura Braga (braço dado com a Bragaparques e clube de empreiteiros)... Giro vai ser daqui a 4 anos, quando 190 dos presidentes não se puderem recandidatar, aí sim vai haver um monte de transferências.
Nas minhas 2 terras, Matosinhos e Cartaxo, o PS até ganha com o Rato Mickey (saudades da P. Varzim e de V. Real, onde canta outro galo): a AD onde votei teve 17%, esmagada entre 2 galos do PS, no Cartaxo Caldas ganha com metade dos votos, apesar das histórias que correm sobre a sua "boa" gestão... procura-se justificação. Parabéns, aedilis Pedro, pela duplicação de votos.
Pequeno sinal positivo, finalmente o povo de Felgueiras abriu os olhos, e trocou a lusi-brasileira Fátima pelo Inácio, que diz "póssamos". Mas o condenado Isaltino é reeleito no concelho (academicamente) mais instruído do País.
JSD ovaciona "Vladimiro, Vladimiro" nas 3 televisões. O N. amigo está na pista para suceder a Rio, diz-me o mindinho (4º na lista, a seguir à quota CDS e mulheres, julgo).

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

QUERIDO DIÁRIO...

Ocorreu há dias a 1ª reunião de colegas do meu curso, em 15 anos. Graças à generosa CGD, os 2500€ depositados em 1994, destinados à viagem de curso e intocados, fermentaram até à fabulosa quantia de 2573€, viva a banca.
Tive a iniciativa de organizar o jantar e contactar as pessoas: alguns não se formaram, uma vive em Londres e outro na Suécia. Mandei um mail com a convocatória para a “reunião de curso”: um dos destinatários devolveu-me um ponto de interrogação. Quando esclareci qual o curso (qual a dúvida, não tirou mais nenhum…), pediu paciência, fora há 14 anos…
Muitos não foram, porque ficaram de pensar (até hoje), tiveram baptizados ou familiares subitamente doentes. Duas faltaram porque não se queriam cruzar com algumas colegas (como é que um qualquer episódio com 20 anos pesa mais que a vontade de ver 3 ou 4 amigos, no mínimo, que fizemos lá atrás?) e outra, ex-candidata a deputada, porque corre para presidente de câmara e está em campanha. Aliás, encontrei 4 candidatos autárquicos (um é presidente de concelhia), 3 deles em concelhos do interior – onde fica bem ter o doutor dos animais na lista. Umas eminências locais, portanto.
Houve uma ausência peculiar: o Lino arrancou 2 semanas antes para Antioquia (Turquia profunda, quase Iraque) para, com um professor particular, fazer as últimas 5 cadeiras – se tudo correr bem, 20 anos de curso…
Lá:
1. Como bons cristãos, multiplicámo-nos.
2. Um estava opado e 3 encanecidos, o resto TÁS IGUALZINHO, fisicamente e não só: o corista (caloiro, levou uma maleta de médico, insistindo que estudara em Medicina) continua corista, o cómico permanece um postal, a gótica continua gótica, o anão zangado mantém as trombas.
3. Estão todos empregados, alguns com múltiplos empregos, a maioria bem $ucedida, demonstrável no parque de estacionamento.
4. Há quem tenha trabalhos mais giros, como tratar de abutres e bisontes, mas quem foi mais longe foi a moça do Jaguar, que mandou tudo às malvas e agora cria porcos bísaros na sua quinta, “compondo” as clínicas do marido o resto do rendimento. Confirmou-se, o sucesso profissional não tem qualquer correlação com o sucesso académico, visto em chumbos e notas.
5. Foi curioso como a malta de agregou, geralmente com quem foi mantendo o contacto durante estes anos.
6. Sabia que tenho uma memória selectiva, o que quer dizer que esqueço a maioria das conversas, mas há gajos que se recordam de diálogos ipsis verbis que tiveram comigo, um prodígio (à chegada, disseram-me "continuas com roupa do teu irmão, lembras-te de comprares uma camisola da benetton 3 tamanhos acima, porque era gira e uma pechincha?").
7. Os optimistas acham que doravante podemos organizar um jantar anual.

EU É QUE SOU O CONDIDATO À JUNTA



Recebi hoje o folheto do candidato PSD/CDS à junta. Nas 40 fotografias dos candidatos, reconheci um técnico de farmácia. E diabos me levem se o "técnico alimentar" não tem cara de talhante.
Fiquei a saber que ia votar no Sr. Amadeu, "o rosto da mudança", e que a proposta que encabeça o seu programa é um segundo cemitério… terá sido algum cretino a ordenar as propostas.

A propósito, fui desenterrar uma personagem fabulosa no baú da memória (leia-se google), o Bem-amado Odorico Paraguaçu, danado porque ninguém morria e estreava a sua obra de regime, um cemitério. Lembram-se?

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

É A VIDA

Gostei muito do exercício do Nuno, sobre o “lembras-te de”.
É verdade, o Cartaxo (e Vila Real, onde estudei) cresceu e descaracterizou-se, tornando-se mais uma terra como as outras.
É inexorável o desaparecimento das tascas, se não derem para as contas - como acabaram os latoeiros e os ferreiros, a leitaria, a loja dos chapéus e das boinas, o sapateiro no vão do prédio, a mercearia de bairro com o aroma inconfundível da fruta, do café e do feijão vendido avulso, em sacos de sarapilheira.
No seu lugar apareceram os cafés com mobiliário piroso (Monumental, o precursor), espelhados (Martinica, nome tipicamente ribatejano) ou com neons rosados (Rosabela). Não havia necessidade.
Quanto às tabernas, ainda as há, com o balcão de mármore impregnado com cheiro a vinho (daquele que pinta a língua), a cortina de fitas, o calendário e a fotografia do Benfica na parede. Mas será preciso uma Catarina Portas cartaxense, que consiga parar o metrónomo e (re)abra tascas sustentáveis, com vinho da casa, pipis, molhinhos e caracóis.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

A República


Comemorar a instauração da República é comemorar o dia em que os portugueses quiseram deixar de ser súbditos para passarem a cidadãos.

A República Portuguesa tem tido períodos brutais, obscuros, tontos e óptimos, mas os eleitos pelos cidadãos têm obrigação de, em nosso nome, comemorar o 5 de Outubro.

Já comentei que, no Cartaxo, o Bloco de Esquerda foi quem o quis fazer. O PSD e parte do PS foram contra, mas acabaram por se abster. O 99º aniversário desse dia histórico só foi, e mal, celebrado pela Assembleia Municipal, porque votaram a favor da proposta o Bloco, a CDU e parte do PS.

A nível local foi isto, uma tristeza sem música nem hastear da bandeira, sem presidente da Câmara nem vereadores e uns poucos eleitos pelo centrão, pois nem os principais candidatos do PS ou PSD se dignaram a aparecer.

A nível local, espero conseguir que o Cartaxo comemore com Festa os 100 anos da República Portuguesa para o ano.

A outro nível, o Presidente da República, decidiu esfrangalhar as comemorações, não discursou na varanda onde foi proclamada a república e não acha bem falar de ética republicana em campanha eleitoral. Não percebeu que a República é mais importante que ele e que a República não é património de uma facção política, mas de todos os portugueses.

"Deixemos o Sr Presidente terminar o seu mandato com dignidade."

é o que apetece repetir.

Pedro Mendonça

VIVA A REPÚBLICA

Para o bem e para o mal, há que agradecer, ao soprar 99 velas, aos 9 presidentes, 10 PR/PM e 48 primeiros-ministros que tomaram conta do que D. Carlos chamou piolheira. Se prestarem atenção, está explicado o porquê da ditadura, a sucessão de governos (43 em 16 anos, vários de dias ou semanas, dois de 1 dia; Ant. Mª Silva governou 4 vezes intercaladas, num total de 2 anos e 4 meses). Cerca de metade são militares (a cinzento).
PRESIDENTES
Teófilo Braga (10-11; 15)
Manuel Arriaga (11-15)
Bernardino Machado (15-17; 25-26)
Sidónio Pais (18)
Canto e Castro (18-19)
António José Almeida (19-23)
Manuel Teixeira Gomes (23-25)
Mendes Cabeçada (26)
Gomes da Costa (26)
Óscar Carmona (26-51)
Oliveira Salazar (51)
Craveiro Lopes (51-58)
Américo Tomás (58-74)
António Spínola (74)
Costa Gomes (74-76)
Ramalho Eanes (76-86)
Mário Soares (86-96)
Jorge Sampaio (96-06)
Cavaco Silva (06-09)

PRIMEIROS-MINISTROS
Teófilo Braga (10-11)
Pinheiro Chagas (11; 17/5/1915)
Augusto Vasconcelos (11-12)
Duarte Leite (12-13)
Afonso Costa (13-14; 15-16)
Bernardino Machado (14; 21)
Azevedo Coutinho (14-15)
Pimenta da Castro (15)
Norton de Matos Junta militar (15) 3 dias
José Ribeiro de Castro (15)
Sidónio Pais (17-18)
Canto e Castro int. (18)
9 dias
Tamagnini Sousa Barbosa (18-19) 1 mês
Paiva Couceiro (19) 25 dias
José Relvas (19)
Domingos Leite (19; 20; 25)
Sá Cardoso (19-20; 20)
6 dias
Fernandes da Costa (15/1/20) governo dos 5 minutos
António Maria Baptista (20)
Ramos Preto (20) 20 dias
António Maria da Silva (20; 22-23; 25; 25-26)
24 dias, 1 mês
António Granjo (20; 21)
Álvaro Castro (20; 23-24)
Liberato Pinto (20-21)
Barros Queirós (21)
Manuel Maria Coelho (21) 17 dias
Carlos Maia Pinto (21)
Cunha Leal (21-22)
Ginestal Machado (23)
Rodrigues Gaspar (23-24)
José Domingues dos Santos (24-25)
Carvalho Guimarães (25)

Mendes Cabeçadas (26) 20 dias
Gomes da Costa (26) 20 dias
Óscar Carmona (26-28)
Jaime Zuzarte Cortesão (27)
4 dias
Vicente de Freitas (28-29)
Ivens Ferraz (29-30)
Costa Oliveira (30-32)
Oliveira Salazar (32-68)
Marcelo Caetano (68-74)

António Spínola junta militar (74)
22 dias
Palma Carlos (74)
Vasco Gonçalves (74-75)
Pinheiro de Azevedo (75-76)
Almeida e Costa int. (76)
Mário Soares (76-78; 83-85)
Nobre da Costa (78)
Mota Pinto (79)
M. Lurdes Pintassilgo (80)
Sá Carneiro (80)
Freitas do Amaral int. (80-81)
Pinto Balsemão (81-83)
Cavaco Silva (85-95)
António Guterres (95-02)
Durão Barroso (02-04)
Santana Lopes (04-05)
José Sócrates (05-09)


O post é comprido, mas não por minha culpa.
E agora, uma república velha e rosada.



quarta-feira, 30 de setembro de 2009

XENOFOBIA

A HOLANDA era conhecida pela tolerância e por acomodar uma grande comunidade africana e asiática (princ. Indonésia). Há uns anos, mataram um cineasta por “crime de expressão” e tem germinado algum nacionalismo.
Mas agora, passaram os limites. O governo tem um projecto para que as coffee shops sejam apenas frequentadas por holandeses, sendo a marijuana vendida através de cartões entregues a residentes (paradoxo, os joints não podem conter tabaco, é proibido fumá-lo em espaços comerciais desde 07/2008…). É próprio dum país baixo.
Proponho retaliações: quem pretender visitar Amsterdão, opte por Kingston, que tem um óptimo mercado de rua; proíba-se a venda a turistas holandeses de coisas que não têm ou têm pior, como café, vinho, pastéis de Belém e Jaquinzinhos fritos. Eles vão ver!!!


drogas a não utilizar, se conduzir

terça-feira, 29 de setembro de 2009

APADRINHA UM DEPUTADO


O Zoo de Lisboa tem um programa de apadrinhamento de animais por pessoas ou empresas, e tem sido um sucesso.
Ao fim de 3 eleições, os partidos estão descapitalizados, pelo que a AR podia apostar num projecto semelhante, o apadrinhamento de cada deputado. Cá vão algumas ideias:
O partido do Governo será, por razões óbvias, mais apetecível para apadrinhar, a bancada do PS podia ser apoiada pelo 13º Cartório de Lisboa e Tipografia Independente (Sócrates), Mota-Engil (Teixeira dos Santos), Tamiflu (Ana Jorge), Laca Élseve (Mª de Belém), Prosegur-Equipamentos de vigilância (S. Pereira), Diário de Notícias (Santos Silva) e Chicco (Rosário Carneiro, a fértil).
No PSD, é elegível a Zona Franca da Madeira (António Preto), Tricotadeiras Singer e Casa do Artista (Ferreira Leite), Tacos Callaway (Deus Pinheiro).
O BE pode criar um cluster, com a tabaqueira (Rosas) e a proletária Smoking (Louçã), a CDU ficaria com o Licor Beirão (Jerónimo) e carros Trabant (Bernardino) e o CDS seria patrocinado pela Jaguar e Cortiça Vargem Fresca (Portas), Smith & Weston (Magalhães) e óstias Cristo-Rei (Assunção Cristas).
Amigo(a), as hipóteses são infinitas. Participa.

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

A CONTA, POR FAVOR!


Eu acertei no resultado do PS, BE e CDU. Dei menos ao CDS apenas por modéstia e nunca esperei que a Manuela apenas tivesse mais 6000 votos que Santana - ironia divina, quem tanto desprezou. O Leal acertou em cheio nos 3 "piquenos" (% e ordem), o Pedro II e a Fátima acertaram no PSD, a Susana e o Simão na CDU.
O único vencedor perdeu a maioria absoluta e 20% dos seus eleitores (1/2 milhão), o pior resultado em 18 anos, os vencidos cresceram todos.
Quem subiu mais, viu outro chegar ao nº cabalistico de 116 deputados com o PS. BE e CDS praticamente dividiram entre si a quota perdida pelo PS.
O CDS, o mais eficaz nos debates, na campanha (sem subvenção do BES... teve uma propaganda caseira, embora caseira parecesse a do PSD) e no custo-benefício (de acordo com os orçamentos de campanha, cada voto custou 1.44€ ao CDS, contra 1.78 ao BE, 2.03€ ao PSD, 2.68€ ao PS e 4.37 à CDU), teve a maior subida de deputados (e de votos em 26 anos), obteve o resultado mais efémero - os votos migrarão à chegada de qualquer candidato laranja aceitável.
A política voltou à Assembleia.

domingo, 27 de setembro de 2009

enquanto houver ventos e mar, a gente não vai parar.

CONCELHO DO CARTAXO

PS
38,47%
4.814 votos

PSD
20,78%
2.600 votos

BLOCO DE ESQUERDA13,46%
1.684 votos

CDU
10,15%
1.270 votos

CDS/PP9,67%
1.210 votos

PCTP/MRPP1,48%
185 votos
 
Pedro Mendonça

POSFÁCIO


Deve ser tenebroso o líder dum partido ter que dar os parabéns, em directo, ao adversário vencedor, estando convicto que os eleitores não escolheram o melhor caminho para o país. Afinal, embora seja uma competição eleitoral, isto não é um jogo inconsequente.
Eu não acho que mais uns anos com o “diz que é uma espécie de” engenheiro sejam proveitosos para Portugal. O povo ‘tava madurinho, madurinho para mudar, mas o problema é que, se Sócrates não merecia vencer, a Manuela não fez por convencer.
Prefiro dar os parabéns à máquina socialista, o ataque foi a melhor defesa, e o saneamento na TVI (há apenas 3 semanas), ou o castigo a 2 juízes por conselheiros eleitos pelo PS - do mais grave que pode haver num estado de direito com justiça independente - foram esfumados da memória do eleitor.

LIGA DE HONRA

Alguns cidadãos estariam mais eufóricos com o crescimento do seu partido, não fosse a ultrapassagem pela direita. Para os românticos, deixo 13 slogans do Maio/68, cantados por utópicos, lúcidos ou por quem não se levava demasiado a sério (entretanto, cresceram todos):
* Proibido proibir.
* Sejam realistas, exijam o impossível.
* A Imaginação ao Poder.
* Ele demorou 3 semanas para anunciar em 5 minutos que faria dentro dum mês o que não fez
   durante 10 anos.
* Se as eleições pudessem mudar alguma coisa, há muito teriam sido proibidas.
* Tomemos a revolução a sério, mas não nos levemos a sério.
* Sou marxista, tendência Grouxo.
* Abaixo o realismo socialista, viva o surrealismo.
* O despertador toca a 1ª humilhação do dia.
* Tenho algo a dizer, mas não sei o quê.
* O álcool mata, tomem LSD.
* Parem o mundo, quero descer.
* Não quero perder a minha vida a ganhá-la.

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

DIREITO DE RESPOSTA


Pedro, 'tavas a guardá-las...
É claro como água, se houve corrupção com o CDS, sejam julgados e prisão sem passar na casa da partida! Quanto aos submarinos, acho tão necessário gastar 800M€ quanto o meu generoso amigo, quando há tanta coisa na fila.
Não 'tás à espera que defenda coisas erradas por ser na minha banda. Não tenho timoneiros e, se eu algum dia for qualquer coisa -ISTA, avisa-me p.f.
Não sendo desculpa, alguns entendidos ousam achar que o Portas foi o nosso melhor ministro da defesa, e parece-me que a "governante" da ÚNICA câmara do Bloco (Ana Cristina Oliveira, Salvaterra de magos) é ARGUIDA num processo, ref. às suas funções.
Há gente do CDS encharcada de defeitos mas, até aparecer melhor, não fico indeciso, e acho humildemente (vénia) o caminho por onde quero ir muito mais consistente que o teu*.
Deste-me música, dou à troca um espectáculo bem-disposto, dum entertainer que vem agora a Portugal. Siga a Banda!

* O Belmiro diz umas graças, acha o Louçã um misto de Cunhal e do Bispo Macedo (iurd). Já o Louçã disse na RTP que uma das maiores alegrias da sua vida foi quando lhe disseram que ia entrar num antro de comunistas...