...e depois, com bigodes de leite, pedem mais paciência e esforço ao povo, que a "vaca 'tá seca".

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

VENDE-SE FUTURO


Chegam as eleições e somos enxameados com milhares de cartazes. Dos bem esgalhados, geralmente do BE (herdeiro das cómicas ovelhinhas do PSR e do “só mudam as moscas” da UDP), aos piores como o exemplar acima, que um jornalista do La Guardia diz poder ser confundido por turistas com associações de apoio à 3ª idade ou de prevenção de suicídios.
É a altura para cada partido vender o seu produto, arranjando máximas para nos convencerem. Era suposto serem específicas da marca, mas não. Experimentemos trocar os slogans:
PS – Justiça na Economia
PSD – Sim, é possível uma vida melhor
CDU – Política de verdade
BE – Há cada vez mais gente a pensar como nós
CDS – Avançar Portugal
P.S.: Tenham cuidado com o PTP, pois EXIGEM o fim imediato da corrupção e compadrio. Á valentes.

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

REBRANDING


Dito por profissionais: "A mudança visual das marcas está, normalmente, associada a mudanças estratégicas das organizações, quer estas passem pela alteração da administração, a fusão das empresas ou porque simplesmente a imagem da marca está desgastada junto do público. O rebranding vem, na maioria das vezes, contribuir para a alteração da percepção que o público tem da marca. Para Hélder Pombinho o motivo que leva uma empresa a reposicionar-se no mercado é muito simples: “A alteração da imagem da marca acontece quando a empresa não está a ir ao encontro das expectativas que as pessoas têm dela”."

Deixem-me falar sobra a Dona Joaquina: A Dona Joaquina é uma industrial de chouriços e presuntos de Barcelos, 50s, educada, cabelo platinado, grandes aneis de ouro. Chorava baba e ranho quando ameaçavam fechar-lhe o tasco por falta de asseio (talvez por causa do bem-estar dos "seus" ratos). Como também não tinha jeito para os negócios, ou por não gostar de pagar aos credores, foi refundando a empresa, qual fénix: Montebranco, Montebranco 2 (ganda lata!) e, finalmente, Cold. Parece que agora anda por S. Tomé.

Mesa em vez de comité, convenção em vez de congresso, coordenador em vez de secretário-geral, bloco em vez de partido, LCI>PSR>BE. Vêm, remotamente, um paralelo? Seus perversos.
Prometo só voltar ao tema para felicitar algum socialista não formatado que seja eleito no Cartaxo (isto é uma forma de pedir desculpa por esta bala perdida, as tréguas mantêm-se - mas não resisti a meter-me contigo).

Jefferson, esse comuna

O tema da Campanha tem sido o programa do Bloco de Esquerda.
 
Ainda bem que o é, pois é democrático e adulto que se discutam os programas, é neles que se vê as linhas de fundo da acção política. Não falo de pequenos fait-divers, falo das políticas gerais que se pretendem para o país.
 
Sobre a história deste movimento/partido, e respondendo ao de leve (para não quebrar o cessar-fogo declarado unilateralmente pelo Duarte), já muito se escreveu, mas embora criado por elementos do PSR, da UDP e da Política XXI, ao bloco juntaram-se socialistas e social-democratas inspirados em países tão maus e pobres como Suécia ou Noruega, além de gente de esquerda sem ideologia formatada e pronta-a-vestir.
 
De uma vez por todas, o Bloco de Esquerda não acredita na utopia comunista, nem na utopia capitalista. O Bloco não apoia, nem aceita o regime Chinês, Norte-Coreano ou Cubano.
 
O Bloco é um partido democrático parlamentar e europeísta que abomina qualquer ditadura e não tem farois internacionais para se guiar. Queremos ajudar a criar uma alternativa ao Capitalismo, mas uma alternativa que se vá construindo gradualmente. Como exemplo, propomos a Nacionalização da GALP e da EDP e de mais nada, e estas empresas apenas pelas razões já explicadas diariamente pelo Francisco Louçã. Acaso estamos contentes com o Estado a que isto chegou? Senão estamos, porque é que nos conformamos? Porque não procuramos algo melhor? O Bloco procura e sabe que infelizmente a solução não nem o capitalismo, nem o comunismo.
 
Tudo o resto é a agitação natural dos meios conservadores face ao crescimento do progressismo.
 
Pedro Mendonça

terça-feira, 15 de setembro de 2009

BE E O RETRATO DE DORIAN GRAY




O vencedor do dia 27 merece uma atenção especial. O BE está de parabéns pela “pressão alta” contra os impostos da Banca abaixo da média (e lucros quase obscenos), a osmose entre poderes económico e político, paraísos fiscais, as “negociatas” entre o Estado e os seus conhecidos, aquisições sem concurso público, contratos cujas cláusulas são escolhidas pelos privados, orçamentos ultrapassados em 120%, o cartel da gasolina. Critica o BE, eu e, aliás, muitos que rematam com “faltava era outro Salazar”. São defeitos do Poder de qualquer partido, e a moralização da vida pública não é patente da Esquerda, é uma questão de pudor e honestidade.
Em suma, o BE é bom no protesto. E espero que o BE suba, q.b. para morder as canelas do PS (venham também o Garcia Pereira, o Monteiro e o Rui Marques, fazem mais falta que o 89º deputado da maioria - viva a biodiversidade no Parlamento).
O problema é a cartilha ideológica ou, como diz Soares, o extremismo irrealista. O discurso é bonito, mas panfletário, e não se governa à esquerda da Esquerda: Fernando Henrique Cardoso (quando eleito, pediu “esqueçam tudo o que eu escrevi”), os Verdes alemães e os pós-comunistas italianos são disso exemplo, quando lá chegaram. Pelo contrário, nenhum país, dos que atingiram algum conforto social, chegou lá pela extrema-esquerda. Quem quiser replicar, apresente
UM caso de sucesso da extrema-esquerda no poder. Louçã nem às paredes confessa qual o seu país ou governante mundial de referência (já agora, o 25 de Novembro foi um retrocesso ? a ETA tem algum mas?).

E a frescura do discurso, a modernidade... Vejamos: o Louçã é dirigente partidário desde 7/74, na Liga Comunista Internacionalista (parte da Frente de Unidade Revolucionária, com o MES, a LUAR e o Partido Revolucionário Português, em 8/75, activa na defesa do Gonçalvismo contra o grupo dos 9 – estavam no lado errado da história), fundando o trotskista Partido Socialista Revolucionário* em 78 (LCI+PRP).
Temos ainda a marxista-leninista-maoísta UDP (fusão de 3 grupos m-l), nascida em 12/74, que defendia a Ditadura popular**, o visionário Otelo a presidente, a China, o Vietname e, sol na terra, a Albânia. Ao PSR e UDP juntaram-se os neo-comunistas da Política XXI, que só se desiludiram do PCP (n. 1921) quando o bloco de leste implodiu.
O BE é o final de fusões, rebrandings e liftings na extrema esquerda, não digam que é um projecto novo e virginal, pois o passado está vivo e à mostra no programa - os Senhores insistem na estatização da economia, como em 75, um nó que demorou 10 anos a desatar.
Quanto ao país de Mao, estamos conversados relativamente a direitos humanos e de trabalho, quanto a Trotsky, enquanto não foi saneado numa luta intestina pelo poder, bem participou nas purgas com Lenine e Estaline – há literatura sobre o assunto.
Mas o embrulho é giro, o BE usou um
MARKETING BRILHANTE como OFFSHORE PARA BRANQUEAMENTO DE IDEAIS – é isso, umas doutrinas cristalizadas com uma dose de lixívia e cobertas com temas fracturantes. E a folha limpa de quem nunca governou, num país que podia estar muito melhor, reconheça-se.
Posto isto, desejo fazer um pacto de não agressão com o reviralho deste blogue. A contar de… AGORA.

* O PSR é a secção portuguesa da IV Internacional. O seu objectivo é a revolução socialista que destrua o sistema capitalista e a exploração do Homem pelo Homem, criando as bases para o desenvolvimento de uma sociedade socialista, iniciando a destruição do Estado pela instauração da mais ampla democracia social e pela associação livre dos produtores. A adesão a IV Internacional baseia-se no acordo com os seus princípios programáticos: os documentos fundacionais dos Congressos da Internacional Comunista, da oposição anti-estalinista e da fundação e dos Congressos Mundiais da IV Internacional, nomeadamente a resolução "Democracia Socialista e Ditadura do Proletariado”. (estatutos do PSR)

** “Contra as perseguições à imprensa popular! Supressão da imprensa fascista!”, “Não consentiremos que os fascistas votem nas eleições.” (liberdade para os que concordam connosco, depreenda-se).
“Não há via para o socialismo que não seja pela destruição violenta do estado burguês e pela instauração da ditadura do proletariado sobre a burguesia. Nesta via, a única possível e a única verdadeiramente revolucionária, não há nenhuma força política ou exército que consiga substituir a classe operária que, dirigida pelo seu Partido e apoiada pelos seus aliados principais, os camponeses pobres, saberá criar o seu próprio exército revolucionário que concretizará o triunfo da revolução.” (propaganda UDP)

domingo, 13 de setembro de 2009

Política IV - Duelos ao fim da tarde



BE-PC: Entrevistas paralelas, não-debate elucida quanto às suas diferenças. Lá descubri uma: o PC quer nacionalizar a banca e seguros, BE quer nacionalizar água e energia. Registo que a resposta do Louça à ideia do Jerónimo, “o que são precisas são regras e regulação séria”, podia-se aplicar à sua proposta. Reparo ainda que os termos usados, como a roubalheira e tráfico de influências, tem paralelo com o PND, como o “olho na ladroagem”.
PC-PS: zzzzz.
PSD-BE: Manuela quer saúde privada complementar. Louçã explica que as privatizações do PREC ocorreram porque os Melos e quejandos fugiram para o Brazil. O homem tem uma veia cómica, amnésia ou revisionismo?
CDS-PC: Ambos preocupados com a agricultura, verdadeiro caso de soberania nacional. Exemplo entre muitos: em 20 anos passámos de auto-suficientes em hortícolas, para 25% - que país é este que não produz sequer para comer?
PS-BE: A rezar por duplo KO. Sócrates acusa Louçã de ataque à classe média, com eliminação de deduções. Pela primeira vez, Louçã é obrigado a defender-se e às suas ideias, e aí está o seu problema: basta passar a unha para a tinta estalar e ver a sucata ideológica e para onde gostava de nos levar. E Louça desmente evolução no seu pensamento desde o PREC: “eu sou coerente, sempre tive a mesma ideia da política pública”. Eu sei, saberão os mai’novos (a ideia é apelativa e já nasceram depois da ruína dos sistemas colectivistas) e muitos PS que vão votar no Bloco.
PC-PSD: Jerónimo acusa PSD de estar “prisioneiro de princípios ideológicos” (outro engraçado) e Manuela diz terem passado as lutas de classes. Asfixia democrática: para quem já esqueceu, recordaram o caso DREN, o que me lembrou os polícias a questionarem sindicatos e a identificar manifestantes.
PSD-CDS: Portas, mais ágil e eficaz; faz favor a Manuela, com rendimento social de inserção (RSI), empurrando-a para o centro - a proposta de pagar em géneros é bizarra.
CDS-BE: Louçã ataca Portas com o RSI (mas a fraude indigna muita gente, talvez dê votos). Portas critica propostas do BE, como a taxação de telemóveis de serviço, nacionalizações (quem paga, o que nacionaliza,…) e patentes de investigação – o BE está claramente à esquerda da esquerda do PS, e do eleitorado que quer conquistar.
* No mesmo dia, Zézinha acusa BE de fazer um diagnóstico real do país, mas projectar um país imaginário, Fazenda confessa que “a política do BE não é pragmática, e por isso é que cresce”. Transparente. Mas o que o povo quer é que lhe melhorem a vida, Sr. Luís.
PS-PSD: Manuela metralhada, ainda oferece rebuçado: fui eu que pus portagens na CREL. Sócrates oscila entre a humildade (governo novo tem ministros novos) e a insistência (lutei contra interesses corporativos). Manuela lembra promessa PS de não aumentar impostos e que reformas daqui a 10 anos serão metade do vencimento bruto, e desmente pela enésima vez que queira desmantelar o Estado social, usando a frase preferida “nunca ninguém me ouviu dizer…” (o problema é esse).
Conclusão: Sócrates passou pelos 4 debates pouco chamuscado, ao contrário do que a sua governação faria prever. Manuela alternativa mesmo fraquinha. Louçã obrigado a mostrar o jogo.

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

mudança

Caro Yang,

Antes demais obrigado pela música, é linda e espero que as ensines aos meninos.

Afirmas: Caso o Estado priorize a poupança, também deve usar deduções para favorecê-las.
Afirmo: Não se apoia a poupança, apoia-se o negócio na saúde e na segurança social.

Acredito na revolução pelo voto, gradual mas com mudanças profundas na forma como organizamos a nossa vida colectiva, sem comunismos nem amanhãs que cantam e sem este mercado utópico de santos e capitalistas, mas sim com efectiva vontade de mudar a forma como vivemos.

clica para ouvires uma música também no registo da tua. De Liberdade.

Pedro Mendonça

FACTURAS E FRACTURAS



Caro Yin:
Tudo bem que areia no fisco facilita a vida aos chico-espertos. Porém, o Estado deve ver o fisco como o principal instrumento para um projecto de País.
Caso o Estado priorize a poupança, também deve usar deduções para favorecê-las. Caso o Estado ache a demografia o maior problema a longo prazo, deve ajudar a renovação geracional. Ora, TER FILHOS É UMA DESPESA (coisa que o Portas não pode discutir, porque nunca foi pai), muito à custa da saúde e educação. Se o Estado diminuir encargos, embaratece as crias (longe vai o tempo em que os filhos eram mão-de-obra) e talvez as pessoas tenham menos receio em "multiplicar-se".
Quanto à gratuitidade da saúde e educação, é ingénuo pensar que chegamos lá, sem revoluções (destruição do Estado e Ditadura Proletária, dizem os estatutos do partido de Louçã) e "amanhãs que cantam" mas nunca chegam - eu digo Graças a Deus, e tu amigo?
Portanto, a V. proposta é impopular: o que perdes num lado, não ganhas no outro. Diria o Guterres, é fazer as contas.
Mando uma música romântica.
Yang
P.S.: enquanto sócrates é a fada dos dentinhos (põe 40 contos na almofada, daqui a 18 anos), o novo PM japonês prometeu 190€ mensais por criança, até aos 14 anos. Luxo.


Elogio do Egoísmo?


O fim gradual dos benefícios fiscais propostos pelo Bloco de Esquerda, pode ser impopular mas não deixa de ser justo.

Há que quebrar o círculo vicioso que incentiva fiscalmente a fuga dos serviços públicos e não permite a sua expansão na saúde ou educação onde reina a lógica do mercado, onde o a escolha por exemplo dos dentistas ou manuais escolares se faz pela carteira.

Eu troco os benefícios fiscais a despesas privadas por manuais escolares e por dentistas gratuitos no SNS.

Quem ganha o salário médio (cerca de € 700) percebe a proposta e quem mais ganha tem de escolher entre o elogio do Egoísmo ou uma Sociedade mais Justa e Solidária.

Pedro Mendonça

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Política III - O CENTRÃO

objectivo: licenciatura e mestrado em 2 domingos


Não gosto do CENTRÃO – acho que foi Aquilino que disse algo semelhante comhá para aí dois partidos que são tão iguais, tão iguais, que se podiam fundir, não tivessem que se revezar, porque o orçamento não chega para todos ao mesmo tempo”, o que mantém alguma actualidade.
O PS e o PSD são o Dupont e Dupond ou, melhor, o Tico e o Teco: agora acuso eu o Estado ao serviço do partido, a inviabilização de comissões de inquérito, a propaganda; a seguir criticas tu… Mas não são exactamente iguais, para começar, o Tico tirou o curso, o Teco não. Depois, o PS tem a cumplicidade do PSD na contenção do défice e na legislação do trabalho, cortesia que não retribui quando está na oposição.
SÓCRATES tem muitos créditos: energias renováveis, contenção do défice, desburocratização e simplex (empresa na hora, cartão do cidadão), aumento da base tributária (iniciada com a Senhora e o grande Paulo Macedo, lembram-se?), debates quinzenais na AR, informatização de escolas, alargamento do horário escolar e inglês (técnico?), diário da república electrónico (era pago e bem falta me faz), cheque-dentista, pequenas grandes vitórias na defesa do consumidor (telecomunicações, banca, seguros); e uns temas fracturantes, para calar a camarata (peanuts). Contra ele, a arrogância, o aumento dos impostos TODOS, as taxas moderadoras nas cirurgias e internamentos (para moderar o quê?), aumento das taxas da justiça (para moderar as TMN, impedindo a maralha), a diabolização e hostilização de sectores profissionais, uma machadada nas reformas (demograficamente necessária), a quase duplicação da Dívida pública, a colocação do Estado ao serviço do PS, a quebra das promessas - dignificação e auto-estima dos prof., fim de portagens, refendo ao tratado europeu, 150.000 empregos, revisão do código do trabalho, + vida além do défice. E respondam, houve algum PM com passado mais nebuloso?
A alternativa é fantástica, a Senhora da Verdade e Credibilidade pratica harakiri: Não é OPORTUNO impedir candidatos pronunciados de crime, como o António Preto, nem taxar indemnizações de administradores? Saneiam-se opositores internos, para não por a raposa na capoeira? A Madeira é um MODELO e não tem asfixia democrática, porque o povo escolheu (qualquer candidato PSD devia fugir à Madeira durante a campanha)? Promete RASGAR as políticas do PS e desmente na semana seguinte, dizendo que concorda com todas as políticas que o PS promete, o problema é que não as cumpre? Meus amigos, séria não é carrancuda. Acho até que a magreza do programa eleitoral não é contenção de promessas, é falta de ideias.
Fraca escolha. Mas enfim (shuif), tou a torcer para que a Senhora (Vecchia Signora, à Juventus, fica bem) ganhe no dia 27. Claro que a 28 acordamos angustiados com os novos gémeos Kaczynski (PR e PM da Polónia) no poder, em Outubro voltam os mesmos do costume, e lá para Janeiro está tudo a barafustar com ela – ninguém vai ao engano, já conhecemos os seus brilhantes consulados na Educação e nas Finanças.
Mas isso é outra história, como os comunistas, há que derrubar um inimigo de cada vez, e agora é tempo de repetirmos ao Sócrates o que o Soares ordenou a um polícia numa presidência aberta: “DESAPAREÇA!!!”.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Declaração de interesses

Como o Luís Duarte, também devo fazer uma declaração de interesses:

Sou cabeça de lista à Assembleia Municipal do Cartaxo pelo Bloco de Esquerda.
Sou aderente (militante) do Bloco de Esquerda.
Sou Republicano, Laico e Socialista.
Sou optimista e acredito que podemos todos construir uma sociedade melhor.

Pedro Mendonça

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Política II - Declaração de Interesses


Visto que os meus posts de Setembro serão sobre as eleições, aqui fica a minha declaração de interesses. Se fosse politicamente correcto, diria que sou do espaço não socialista, mas não, sou do centro direita, embora me envergonhem algumas ideias esclerosadas dos seus políticos – e, recordo, historicamente há várias direitas, assim como há muita gente reaccionária no PSD e conservadora à extrema-esquerda.
Tenho votado no CDS, nem sempre com orgulho (podem cascar nele à vontade), mas com alguma perplexidade: o 1º (e 4º) presidente e O candidato presidencial (Freitas e Baião Horta) orbitam no PS; o 2º presidente (Lucas), ao mesmo tempo que uma vaga de presidentes de câmara, passou a preferir o PSD; o 4º presidente (Monteiro) saiu e fundou o seu grupo de amigos, no PND; o 3º presidente (Adriano) ficou, é uma personalidade brilhante, mas José Hermano Saraiva conta em livro como ele tinha mau carácter.
Ah, parece que o 1º presidente (a quem os meninos tiraram a foto da parede, amuados) enganou os sócios e simpatizantes, ao declarar que estava rigorosamente ao meio (esqueceu-se que o partido só não se chamou partido democrata-cristão porque o PDC já estava registado).
Tirando essas “minudências”, há um CDS que representa o personalismo humanista (fica melhor que democracia-cristã) e herda o espólio de De Gaulle, Adenhauer, Khol e Churchill. O Centro-Direita é, com a Social-democracia, o responsável pelo progresso da Europa nos últimos 50 anos, através do apoio social numa economia de mercado (parece que voltou a ser palavrão...).
Pena é que Portugal esteja adernado a bombordo, e que este partido não tenha uma dimensão mais próxima do seu espaço político natural. Pena é que talvez seja o único derrotado a 27, caso o PS ganhe, à custa das resmas de eleitores do CDS que afirmam ir votar agora na Senhora, para ver se correm com o Sócrates. Pena, pois não basta ter razão.
P.S.: Quem ainda não decidiu em quem votar, o CDS é uma casa ao V. dispor. Respeitável, com toalha de linho e copos da Tia-Avó (ainda uns primos esquisitos, que vivem na mansarda, mas isso agora não interessa nada).
Viva a lavoura!

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Política I - Estão abertas as hostilidades


O Debate Sócrates-Portas (TVI) de ontem acabou empatado, embora os adversários tenham saído contentes com o resultado.
Ao minuto 2’, Sócrates aproveitou as fragilidades da defesa contrária e marcou um golaço de baliza aberta, relembrando o fracasso dos governos Durão/Santana e afirmando que Portas era perseguido pelo seu passado.
Minuto 5’, Portas iguala com um tento de bicicleta, lembrando a frase de Sócrates anos antes, “6.9% de desemprego é marca duma governação falhada”, quando a taxa actual é de 9.2% (387 para 507 mil desempregados).
11’, Portas recorda que o aumento de pensões na era Bagão foi 3 vezes superior à de Sócrates, Sócrates recupera a bola e dribla na grande-área de Portas: aumento de salário mínimo de 10% (contra 0% de Portas), genéricos gratuitos para pobres, duplicação da acção social nas escolas.
25’, Sócrates pede cartão amarelo para Portas, por violar regras do jogo (Árbitro andou aos papeis durante os 90’). Portas ataca: diminuiu a convergência das pensões, limitou-se a antecipação das reformas, idosos com 400€ passaram a pagar IRS, diminuíram polícias.
Minuto 60’, Sócrates acusa Portas de querer privatizar a S. Social (há meses, disse que não apostava as reformas na economia de casino...), Portas recupera a bola e lembra que 25% do fundo da S. Social está aplicado na bolsa.
Sobre o apito final, Sócrates instala-se no meio-campo adversário: escolha entre escola pública e privada é descapitalizar a primeira, governo alargou horário escolar e o inglês (técnico?), encerrou escolas até 10 alunos, colocou professores por 4 anos, iniciou anos lectivos a horas. Portas aguentou a pressão, o Governo crispou a escola pública.

O outro confronto (RTPN) teve os 5 cabeças-de-série por Santarém: Lacão (o único repetente), António Filipe (um dos melhores activos da AR), o Pacheco (tirando o transporte de resíduos perigosos na chamusca, foge a problemas locais, é mais abstracto) e dois moços, um barbado em camisa (Zé Gusmão do BE) e outro hiperbarbeado e de gravata (queque da cabeça aos pés, com nome a condizer, Filipe Lobo d’Ávila).
Eu, alheio aos problemas regionais, fiquei a saber: Lacão priorizou rede viária, Gusmão quer acabar com usura bancária, despoluir a bacia do Tejo e reabilitar edifícios, Pacheco fala no envelhecimento populacional e na desertificação (que eu relacionava mais com distritos do interior), Filipe fala de médicos, agricultura e emprego, Ávila apresentou números sobre a economia: falências e desemprego acima da média nacional, investimento (7º em população, 12º e 14º em investimento) e rendimento per capita (830€ contra 930€) abaixo da média. O resto foi espuma nacional.

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

GARRAFA MEIA-CHEIA OU MEIA-VAZIA?


A ONU reconhece 192 países, mais o observador Vaticano (há ainda mais 60 regiões auto-intituladas de países). No índice de desenvolvimento humano em 2006, publicado pela ONU em 2008, Portugal ocupava a 33ª em 75 posições, tendo sido ultrapassado, nesse ano, por 4 petro-Estados (na combinação da riqueza, educação e esperança média de vida). Estamos, portanto, à mesma distância da Islândia (o 1ª) e do Panamá (o 58º).
No índice de felicidade da Univ. Roterdão, Portugal ocupa a 78ª posição em 144 países, atrás do Irão e colado ao Mali e ao Laos – o 3º lugar da Colômbia deve-se ao efeito da coca, imagino. Bem acompanhados, como se vê.
Agora na Europa, uma espécie de rotary club das nações: quanto ao poder de compra standard (PCS, critério que elimina as diferenças de preços entre países), o Luxemburgo lidera (1503 PCS), a Bulgária fecha o cortejo (216 PCS) e Portugal é assim-assim (546PCS). O salário mínimo existe em 20 países da UE, por esta ordem: Luxemburgo (1570€), Irlanda (1403), Reino Unido (1361), Holanda (1301), Bélgica (1257), França (1254), Grécia (668), Espanha (666), Malta (585), Eslovénia (522), Portugal (470), Polónia (246), República Checa (288), Hungria (258), Estónia (230), Eslováquia (217), Lituânia (174), Letónia (172), Roménia (114) e Bulgária (92). Em 11º lugar, somos os últimos da Europa a 15 que existia até 2004 - é como na natação: cumprimos os mínimos para irmos aos jogos, mas ficamo-nos pelas primeiras eliminatórias.
Que quer tudo isto dizer? Devemos invejar a Noruega, onde os políticos andam de metro e a evasão fiscal é baixa, ou a Dinamarca, onde a mãe fica em casa nos primeiros anos de vida dos filhos, sem perda de rendimentos? Ou devemo-nos congratular, pois uma mulher no Sudão leva 40 chibatadas por usar calças, a nossa cleptocracia é muito mais envergonhada que em Angola, podemos manifestar o nosso desagrado sem levar porrada, como no Irão? É certo que temos Isaltinos, mas não temos Mugabes, que cuspimos no chão mas não temos pena de morte, e que existe pobreza, mas com água potável.
Tem dias em que ser o último dos primeiros é bom, tem dias em que ser o primeiro dos últimos não satisfaz. Ou o contrário, como queiram.

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

MALDADE

HÁ ABSURDOS E ABSURDOS



1. Isaltino Morais, condenado a 7 anos de prisão efectiva e perda de mandato, afirma à saída do tribunal “os eleitores é que me julgarão, a política não tem a ver com a justiça” - o seu ídolo deve ser Adhemar de Barros (1901-1969), governador de S. Paulo, o candidato que dizia “roubo, mas faço”. E ganha de novo?
2. O Nestum com mel paga 20% de Iva, o Nestum com arroz paga 5%. Porque um é em flocos e o outro em farinha.
3. Por acordo UE-EUA, Portugal tem que importar ½ milhão de toneladas de milho por ano, mesmo que não tenha escoado a sua produção anual.
4. Por falta dum sistema universal de cuidados de saúde, 2/3 terços dos americanos que vão à bancarrota fazem-no por causa de despesas de saúde.
5. Gastam-se milhões com a Doença das Vacas Loucas, a Gripe Aviária ou com a Gripe A, quando morrem milhões de pessoas com doenças facilmente combatíveis, como a Malária ou a Cólera. A vida duma pessoa branca vale mais que a vida de mil pessoas às bolinhas amarelas.
6. Com o preço dum café (0.6€), a Unicef fornece 6 saquetas de sais de rehidratação a crianças em risco de morte por diarreia; o custo dum almoço (11€) é suficiente para o apoio escolar duma criança órfã durante um ano.
7. Morreram 10 crianças devido a pobreza extrema enquanto leram este texto.

terça-feira, 11 de agosto de 2009

O BAPTISMO CADUCA?


O Santos Silva gosta de malhar na Direita, eu gosto de malhar na Igreja. Concedo que lhe devemos a parte de leão do património cultural, em particular na arquitectura, reconheço-lhe o mérito na assistência social e o monopólio da educação, durante séculos. Mas a igreja é historicamente um projecto de poder, assente desde o século I na eliminação de vozes divergentes, tráfico de influências, corrupção, simonia e venda de indulgências, hipocrisia moral, responsável por muitas guerras, genocídios e silêncio perante totalitarismos. Seriam sinais dos tempos, pois os governos também tinham padrões morais mais… rudimentares, e direitos humanos são uma novidade histórica. Ah, e há muito boa gente na igreja. Muita e bem intencionada.
Mas eu queria falar sobre a burocracia. Qualquer instituição vive com normas estabelecidas, ainda para mais esta, gigantesca e conservadora. Ora vejam:
Quando quis casar, tive que apresentar a CERTIDÃO DE BAPTISMO. Vindo do “Ultramar”, apresentei a certidão original. A zelosa funcionária da paróquia recusou o documento, pois estava CADUCADO – teria que solicitar uma certidão à diocese de Benguela.
Goradas todas as tentativas de convencer a senhora que UM BAPTISMO NÃO TEM PRAZO DE VALIDADE, e antevendo dificuldades, porque suspeitava que o arquivo de 1971 talvez estivesse “desarrumado”, rendi-me e propus-lhe: Olhe, faça de conta que não sou baptizado. A resposta da dita foi meia Kafkiana, “não pode ser, a certidão diz o contrário”. Como diria o Marcelo, o papel vale, mas é inválido...
Assim se chamam as ovelhas para a Casa do Senhor.
P.S.: Não terá sido por acaso que o padre me chamou cristão de 4 rodas e fariseu no sermão do casório, pois regateei a conta das flôres e questionei-o se a parcela "donativo" era facultativa ou obrigatória (bingo!).

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

TÁ AÍ ALGUÉM?


Li algures que os miúdos gostam de ver os mesmos DVD vezes sem conta (sei na pele, há dias revi o Shreck 1, e ainda sabia as falas de cor) por conforto: têm uma sensação de segurança, pois conseguem prever as situações. O que é que tem um ogre verde a ver com a religião, tirando algumas personagens aterradoras das igrejas? A segurança.
Tenho cá a impressão que a religião foi inventada por uma mão cheia de razões, i.e, contam-se pelos dedos.
No polegar, está a tal segurança: existe um ou vários Pais poderosos, a quem podemos recorrer em apertos. Esse Pai dá a chuva se o romano matar um borrego, se um asteca degolar um homem, se pedirmos com muita força ou se prometermos algo em troca. Isso faz-me alguma confusão, é suposto o pai dar o que pode sem pedir tornas. Também me faz espécie que um Pai, ainda por cima Todo Poderoso, nos deixe dar todas as cabeçadas e deixe a conversa para o dia do Juízo Final.
A razão do indicador é vicariante, ou seja, se o medievo leva no lombo do seu bailio, “lá em cima” viverá como um nababo, o leproso ou o anão gozado pelas crianças da sua rua terão um lugar ao pé dos anjinhos, a 2 nuvens da mesa dos doces. Aguenta, que serás recompensado ou, mais bíblicamente, dos pobres será o reino dos céus.
A razão do dedo médio é inversa da anterior, será feita justiça, o amo frustrado e rancoroso há-de pagá-las – noutro lado, porque cá em baixo vai morrer velhinho a meio do sono. Aqui há um problema, vai directamente para o Inferno, sem passagem pela casa da partida, ou espera pelo dia do Juízo Final (João XXII escreveu sobre o paradoxo, e teve que se retratar no leito de morte)? Afinal, pode ser que a Justiça divina seja como a portuguesa, demora uma eternidade. Só espero que não haja prescrições
O quarto motivo, no anelar, é a absolvição. Este é o pior argumento: é-se canalha uma semana inteira, e ao domingo come-se uma rodela de pão, pede-se desculpa, beija-se o próximo e no dia seguinte volta tudo ao mesmo. Conheço quem chegasse ao cúmulo de declarar “só peço a Deus para me perdoe o que vou fazer”, ‘tá tudo dito.
Por fim, no mindinho, está um código de conduta, a noção de Bem e de Mal. Claro que varia entre religiões e ao longo da história: como diria Pimenta Machado, o que é hoje verdade, amanhã é mentira. Julgo, porém, que nos Livros (Bíblia e Corão) a violência é má e devemo-nos amar uns aos outros. Julgo. E bastam só cinco ou seis regras: não roubar, não matar, não trair, no sentido lato, e a trilogia da revolução francesa, liberdade, igualdade entre todos (os brâmanes faltaram a esta aula!) e a fraternidade.
Mas não. O homem tomou conta, levou o Livro à letra ou viu o que não está lá, e exagerou nas regras, geralmente começadas por NÃO: não comer porco, não comer vaca, não comer durante 40 dias, não mostrar o cabelo, não dzzzz antes do casamento, não usar preservativo.
Não falo no Islão, não vá alguém ganhar 70 virgens à minha custa, a igreja católica já tem que se lhe diga: o sacerdócio exclusivo dos homens ou o celibato dos padres (só desde Gregório VII) existem porque SIM. Para não falar na resma de papas, cardeais e bispos com afilhados, alguém me garante que Pedro era solteiro, ou que Jesus não tinha uma amizade colorida com Maria de Magdala?
A propósito, a história não bate certo. Imaginem: “Zé, ‘tou grávida”, “Mas Maria, estive estes meses na Nazareth a construir zimmers…”, “Foi o Espírito Santo”, “Ah bom… espero que seja menina, queria ter uma Sandra Salomé”.
Assinado: Agnóstico às segundas, terças e quintas
P.S. Senhor, a existires, perdoa-me, a culpa é da hipoglicémia. Aliás, Bora-Bora é prova que Tu existes.

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

AI QUE PRAZER NÃO CUMPRIR UM DEVER



Sempre que via a minha filha bebé, o eminente cartaxense Sr. Pina (ainda não era avô) sorria e dizia “coitadinha”. Quando lhe perguntei porque a tratava assim, respondeu “porque é tão pequenina”. Devia ser porque era indefesa, penso, mas a miúda era plenamente realizada, tinha apenas 3 necessidades: calor q.b., barriga cheia e fralda limpa.
Agora os problemas existenciais das minhas crianças resumem-se à emergência de mais um strumpf para a colecção ou dum jogo da play station, ou a injustiça de se deitarem à hora de dormir. Não sabem o que significa crude, inflação ou condomínio, nem conhecem a palavra hipoteca.
Chegado a Agosto, sou particularmente assaltado pela inveja: os miúdos ainda têm AS FÉRIAS GRANDES. Quem não tem saudades de 3 meses inteirinhos de férias, de brincar o dia todo na rua e saltar o muro para a quinta do lado, da semana em S. Martinho (sem pais), das jogatanas de Risco ou de computador, dos banhos no tanque dum amigo, das festas na garagem, das amêijoas da Cristina com o Quo Vadis fechado, das idas à Horta (esta parte, adianto aqui, não eram as minhas preferidas), das directas - agora, 5.15 são horas de sair, não de chegar. 13 semanas seguidas – e picos – sem compromissos ou horários.
Coitadinhas as crianças? Coitadinhos???

E agora, para algo completamente diferente, Feeeernando Pessooooa:
Ai que prazer
Não cumprir um dever,
Ter um livro para ler
E não o fazer!
Ler é maçada,
Estudar é nada.
O sol doira
Sem literatura.
O rio corre, bem ou mal,
Sem edição original.
E a brisa, essa,
De tão naturalmente matinal,
Como tem tempo não tem pressa...

Livros são papéis pintados com tinta.
Estudar é uma coisa em que está indistinta
A distinção entre nada e coisa nenhuma.

Quanto é melhor, quanto há bruma,
Esperar por D. Sebastião,
Quer venha ou não!

Grande é a poesia, a bondade e as danças...
Mas o melhor do mundo são as crianças,
Flores, música, o luar, e o sol, que peca
Só quando, em vez de criar, seca.

O mais que isto
É Jesus Cristo,
Que não sabia nada de finanças
Nem consta que tivesse biblioteca...

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Quando for grande, quero ser...


A minha filha diz que vai casar com o Zézinho. Acho que baralhei aquela cabecinha, mas expliquei-lhe que não, isso não deverá acontecer, o mais provável é casar com alguém que ainda não conhece.
O mesmo se passa com a profissão que as crianças querem ter quando forem grandes. Há a hipótese aventura-barra-salvar-o-mundo, tipo bombeiro, polícia ou médico; é a versão Mafaldinha. Depois há as profissões amorosas, como professora ou veterinário, escolhas da Susaninha. Por fim, para miúdos mais espertinhos e que guardam a semanada, “ser rico”, a opção dos Manelinhos.
Certo é que crescemos e raramente vimos a ser o que sonhámos – como o Ronaldo, que satisfaria a turma do Quino, pago para jogar à bola e rico o bastante para salvar uma parte simpática do mundo.
E, nessa altura, escapavam-nos duas variáveis: o dinheiro e o chefe.
Primeiro, o que ganha o bombeiro, o professor ou o polícia chega apenas para, como se diz no Cartaxo, “arremediar”.
Depois, algum de vós, quando queria ser alguma coisa, introduzia um chefe na equação? Não, não havia nenhum comandante bêbado e irascível, nenhum director que lá chegou por herança ou pelo conhecimento certo, nenhum chefe frustrado e medíocre que nos paga mal e chateia a moleirinha.
Eu cá gostava de ter a profissão dum rapaz que revejo no Verão em Milfontes, senior consultant: pago para botar opinião, era mesmo isso que eu queria… ou então, mi-nis-tro ple-ni-po-ten-ciá-ri-o de 1ª classe – só de escrever, sabe bem. Mas, de acordo com o Diário da República, parece crucial ter um nome comprido e pomposo, tipo Duarte Blábláblá Palmela d’Albuquerque. Eu tenho o Duarte, mas é apelido.

Manuela Ferreira Leite: Salvem os Ricos!

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A presidente do PSD, Manuela Ferreira Leite, declarou-se hoje, quarta-feira, contra o que chamou de "uma quase perseguição social" dos ricos, contestando a ideia de lhes "retirar determinado tipo de benefícios, de deduções fiscais".

"Mal vai o país se começa a olhar para os chamados ricos com olhos de menos consideração. Eu em relação aos ricos há apenas um sentimento que tenho e que é: tenho pena de não o ser. Fora disso, o país só progride, só todos têm vantagem que existam ricos. É bom que eles existam, é bom que dêem muitas festas, que comprem muitas coisas, porque isso dá postos de trabalho a dezenas de pessoas", considerou.

"Se nós entramos numa fase em que aquilo que é considerado rico é algo que deve começar a ser esbatido, ou seja, todos a ficarem iguais, nós caminhamos seriamente para uma senda de empobrecimento",

"Um iate se calhar devia ser altamente tributado. Agora, deixe lá o rico ir comprar o iate, não lhe tire o dinheiro antes de ele ir ao iate, porque aí tira postos de trabalho àqueles que construíram o iate", argumentou.


Pedro Mendonça

terça-feira, 28 de julho de 2009

A culpa deve ser minha


Almeida Santos tem a impressão que “alguns artistas plásticos modernos são trapaceiros” (Sol, 24/7/2009). Acha ele que, se uma pilha de latas de cerveja empilhadas for escultura, não a compreende. Confesso que algumas obras também me suscitam dúvidas.
O Museu Reina Sofia tem um espólio fantástico de arte contemporânea. No acervo há muitos quadros de Miró, desde os mais elaborados a telas de 2 por 4 metros, a quem o Autor entregou apenas um risco vermelho ondulado, sozinho ou acompanhado por outro risco amarelo.
Presumo que lhe chamem arte e valha milhões, e que os entendidos encontrem uma qualquer mensagem subliminar. Eu não! Quem viu a peça do António Feio, o Zé Pedro Gomes e o Miguel Guilherme, acerca dum quadro valioso todo/apenas branco, há-de perceber.
Acho Miró genial, mais pela sua imaginação e estilo inconfundível que pela qualidade plástica, um pouco infantilizada. Parece-me que há pintores espanhóis muito mais versáteis, que sabiam desenhar e pintar o que quisessem, como Picasso, Dali ou Goya.
Mas há outros exemplos das minhas limitações: onde eu vejo apenas 4 jarras (perfeitas) numa natureza morta de Zurbarán, o audioguide descobre uma “profunda e intensa religiosidade que poderia evocar as palavras de Santa Teresa de Ávila, até entre as panelas está o Senhor”...
Assinado: um ignorante fascinado pela mestria dos detalhes da pintura flamenga do sec. XVII, pelo modo como aqueles estafermos conseguiam pintar diamantes e veludo de forma tão real.

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Sobre os Moralismos na Hora do Voto!

Está na hora de eleger um Presidente para o Mundo, o seu voto é determinante. Apenas sabe os seguintes dados sobre os três principais candidatos:

O candidato A está associado a políticos corruptos e consulta astrólogos. Tem duas amantes. Fuma como uma chaminé e bebe oito a dez martinis por dia.

O candidato B já foi destituído duas vezes, dorme até ao meio-dia, fumava ópio na escola e bebe um quarto de litro de whisky todas as noites.

O candidato C é um herói de guerra condecorado. É vegetariano, ocasionalmente toma uma cerveja e nunca teve casos extraconjugais.

Entre esses três candidatos, qual escolheria?
(responda honestamente)

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Veja agora a chave:

O candidato A - Franklin D. Roosevelt

O candidato B - Winston Churchill

O candidato C - Adolf Hitler


Pedro Mendonça

sábado, 25 de julho de 2009

Alcoviteiras




Vivi no Cartaxo entre os 5 e os 16 anos. Vivi depois em Lisboa, Vila Real, Gaia, Póvoa de Varzim e Matosinhos.
No prédio onde vivia no Cartaxo, as pessoas davam-se com frequência, sabiam a vida uns dos outros – contribuíam mesmo para a sua divulgação –, emprestavam a salsa, cuidavam dos filhos doentes dos outros.
Desde então, nunca mais vivi num prédio assim - por decisão minha, que raramente alimento conversa.
Vivi na Póvoa de Varzim durante 4 anos, frente à praia (caiu-me a parabólica com ferrugem), em Aver-o-Mar, uma freguesia popular em que havia mexerico. Eu nunca soube nada sobre os vizinhos, mas eles logo descobriram a minha profissão, não sei como. Ao lado do meu quarto era a casa duma vizinha com a qual, em 4 anos, falei 10 minutos, 8 deles sobre o elevador que nunca funcionava. A dita, certo dia, disse-me: “ontem houve gargalhada à noite, é que se ouve tu-do”, com um sorriso brejeiro... Tive a sorte de haver no 3º andar umas condóminas que “recebiam” cavalheiros. Soube-o porque me contou a mesma vizinha – respondi-lhe que não incomodam, mal as via e eram absolutamente educadas, incluindo a criança duma delas. Não era da minha conta, desde que o prédio não ficasse mal frequentado - e não ficou.
Agora vivo num prédio com 77 casas e jardim interior, o que facilitaria o convívio. Mais uma vez, investigaram o que eu fazia num instante. E eu continuo anacoreta: há dias, precisava de avisar um rapaz que deixara a luz ligada no carro, e demorei a descobrir o nº da porta. Para o-reformado-que-conhece-toda-a-gente mo indicar, tive que vomitar a informação toda que juntei em 8 anos: tem a carta há pouco tempo, tem um volvo antigo azul metalizado, o pai tem cabelo branco e acho que trabalha na Volvo, tem uma irmã mais nova, os nomes não sei. Só quando disse que achava que o homem do cabelo branco era primo da sua filha (que vive noutra das casas), é que o velhote se lembrou, “ah esse é o (já esqueci), é cunhado da Isabel”.
O mesmo reformado contou-me ontem o seu percurso clínico a caminho duma prótese na anca, com todas as datas e exames - bastou perguntar-lhe "como anda?". Aqui entre nós, não tenho nenhuma curiosidade acerca da vida dos outros vizinhos, embora alguns até possam ser pessoas interessantes de conhecer. É que não gosto de bisbilhotice. Mas azar, agora não peço manteiga à vizinha, mesmo que me falte...

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Toirada

É a segunda vez que me enviam este vídeo censurado, um pouco violento, e pô-lo neste espaço é uma (pequena?) PROVOCAÇÃO NUMA TERRA DE TOIROS.

Confesso que os problemas fracturantes e de costumes não me incomodam o suficiente para levantar a voz por qualquer das posições. Tenho opinião sobre o aborto, o casamento homossexual, a tourada, a regionalização, a legalização das drogas leves, o celibato dos padres. Mas nenhum dos temas me tira do sério, para manter ou alterar a situação, e reconheço argumentos sólidos nos 2 lados da barricada, na maioria dos casos.
Pegando no tema mais ligeiro, para quem não nasceu na lezíria: não me agrada o espectáculo desigual das touradas (tirando as pegas, quando o animal já está cansado e esvaído...), mas não acho que devam ser proibidas – tenho é a impressão que não duram muito, a sua abolição será apelidada de progresso civilizacional, adivinho.

Já agora, o que me ofende mesmo são coisas mais prosaicas: que um fulano ganhe 10 a 20 mil euros por mês - como o ilustríssimo governador Constâncio ou o reputadíssimo economista José da Silva Lopes – e tenha o topete de afirmar que nós trabalhamos de menos e ganhamos demais para o que fazemos. Não falta contenção salarial, falta vergonha na cara.

terça-feira, 21 de julho de 2009

Amigo de Alex



Fui convidado para “postar” neste blogue, por uma amiga de longa data. Bem, tive oportunidade de lhe dizer que não criasse expectativas, pois eu já não era o rapaz com (algum) jeito para a escrita que ela conheceu. Disse-lhe que ia a jogo, mas que não esperasse golaços. Agora ando “na vidinha”, como todos, e escrevo muito, mas profissionalmente.
A mamã diz que me devo sempre apresentar. Sou mesmo normal, do termo estatístico “norma”, o mais frequente. Sou funcionário público licenciado, mas acho mesmo que a minha vocação era ser administrador de empresas e gerir o trabalho dos outros. Sou casado, tenho dois filhos, adivinhem, um rapaz e uma rapariga, dois carros, um deles monovolume, vivo numa casa nos subúrbios (atenção, a 500 metros do Porto) paga a meias com o BPI. Para começar, chega. Ah, vivi no Cartaxo há muiiito tempo.
E pronto, vemo-nos por aqui.