Como o Luís Duarte, também devo fazer uma declaração de interesses:
Sou cabeça de lista à Assembleia Municipal do Cartaxo pelo Bloco de Esquerda.
Sou aderente (militante) do Bloco de Esquerda.
Sou Republicano, Laico e Socialista.
Sou optimista e acredito que podemos todos construir uma sociedade melhor.
Pedro Mendonça
"Para certos republicanos a República tem sido um pé de cabra com que vêem aumentando os seus haveres." Senador João de Freitas, histórico republicano, in Boletim parlamentar do Senado, 11-06-1913
terça-feira, 8 de setembro de 2009
segunda-feira, 7 de setembro de 2009
Política II - Declaração de Interesses

Visto que os meus posts de Setembro serão sobre as eleições, aqui fica a minha declaração de interesses. Se fosse politicamente correcto, diria que sou do espaço não socialista, mas não, sou do centro direita, embora me envergonhem algumas ideias esclerosadas dos seus políticos – e, recordo, historicamente há várias direitas, assim como há muita gente reaccionária no PSD e conservadora à extrema-esquerda.
Tenho votado no CDS, nem sempre com orgulho (podem cascar nele à vontade), mas com alguma perplexidade: o 1º (e 4º) presidente e O candidato presidencial (Freitas e Baião Horta) orbitam no PS; o 2º presidente (Lucas), ao mesmo tempo que uma vaga de presidentes de câmara, passou a preferir o PSD; o 4º presidente (Monteiro) saiu e fundou o seu grupo de amigos, no PND; o 3º presidente (Adriano) ficou, é uma personalidade brilhante, mas José Hermano Saraiva conta em livro como ele tinha mau carácter.
Ah, parece que o 1º presidente (a quem os meninos tiraram a foto da parede, amuados) enganou os sócios e simpatizantes, ao declarar que estava rigorosamente ao meio (esqueceu-se que o partido só não se chamou partido democrata-cristão porque o PDC já estava registado).
Tirando essas “minudências”, há um CDS que representa o personalismo humanista (fica melhor que democracia-cristã) e herda o espólio de De Gaulle, Adenhauer, Khol e Churchill. O Centro-Direita é, com a Social-democracia, o responsável pelo progresso da Europa nos últimos 50 anos, através do apoio social numa economia de mercado (parece que voltou a ser palavrão...).
Pena é que Portugal esteja adernado a bombordo, e que este partido não tenha uma dimensão mais próxima do seu espaço político natural. Pena é que talvez seja o único derrotado a 27, caso o PS ganhe, à custa das resmas de eleitores do CDS que afirmam ir votar agora na Senhora, para ver se correm com o Sócrates. Pena, pois não basta ter razão.
P.S.: Quem ainda não decidiu em quem votar, o CDS é uma casa ao V. dispor. Respeitável, com toalha de linho e copos da Tia-Avó (ainda uns primos esquisitos, que vivem na mansarda, mas isso agora não interessa nada). Viva a lavoura!
quinta-feira, 3 de setembro de 2009
Política I - Estão abertas as hostilidades

O Debate Sócrates-Portas (TVI) de ontem acabou empatado, embora os adversários tenham saído contentes com o resultado.
Ao minuto 2’, Sócrates aproveitou as fragilidades da defesa contrária e marcou um golaço de baliza aberta, relembrando o fracasso dos governos Durão/Santana e afirmando que Portas era perseguido pelo seu passado.
Minuto 5’, Portas iguala com um tento de bicicleta, lembrando a frase de Sócrates anos antes, “6.9% de desemprego é marca duma governação falhada”, quando a taxa actual é de 9.2% (387 para 507 mil desempregados).
11’, Portas recorda que o aumento de pensões na era Bagão foi 3 vezes superior à de Sócrates, Sócrates recupera a bola e dribla na grande-área de Portas: aumento de salário mínimo de 10% (contra 0% de Portas), genéricos gratuitos para pobres, duplicação da acção social nas escolas.
25’, Sócrates pede cartão amarelo para Portas, por violar regras do jogo (Árbitro andou aos papeis durante os 90’). Portas ataca: diminuiu a convergência das pensões, limitou-se a antecipação das reformas, idosos com 400€ passaram a pagar IRS, diminuíram polícias.
Minuto 60’, Sócrates acusa Portas de querer privatizar a S. Social (há meses, disse que não apostava as reformas na economia de casino...), Portas recupera a bola e lembra que 25% do fundo da S. Social está aplicado na bolsa.
Sobre o apito final, Sócrates instala-se no meio-campo adversário: escolha entre escola pública e privada é descapitalizar a primeira, governo alargou horário escolar e o inglês (técnico?), encerrou escolas até 10 alunos, colocou professores por 4 anos, iniciou anos lectivos a horas. Portas aguentou a pressão, o Governo crispou a escola pública.
O outro confronto (RTPN) teve os 5 cabeças-de-série por Santarém: Lacão (o único repetente), António Filipe (um dos melhores activos da AR), o Pacheco (tirando o transporte de resíduos perigosos na chamusca, foge a problemas locais, é mais abstracto) e dois moços, um barbado em camisa (Zé Gusmão do BE) e outro hiperbarbeado e de gravata (queque da cabeça aos pés, com nome a condizer, Filipe Lobo d’Ávila).
11’, Portas recorda que o aumento de pensões na era Bagão foi 3 vezes superior à de Sócrates, Sócrates recupera a bola e dribla na grande-área de Portas: aumento de salário mínimo de 10% (contra 0% de Portas), genéricos gratuitos para pobres, duplicação da acção social nas escolas.
25’, Sócrates pede cartão amarelo para Portas, por violar regras do jogo (Árbitro andou aos papeis durante os 90’). Portas ataca: diminuiu a convergência das pensões, limitou-se a antecipação das reformas, idosos com 400€ passaram a pagar IRS, diminuíram polícias.
Minuto 60’, Sócrates acusa Portas de querer privatizar a S. Social (há meses, disse que não apostava as reformas na economia de casino...), Portas recupera a bola e lembra que 25% do fundo da S. Social está aplicado na bolsa.
Sobre o apito final, Sócrates instala-se no meio-campo adversário: escolha entre escola pública e privada é descapitalizar a primeira, governo alargou horário escolar e o inglês (técnico?), encerrou escolas até 10 alunos, colocou professores por 4 anos, iniciou anos lectivos a horas. Portas aguentou a pressão, o Governo crispou a escola pública.
O outro confronto (RTPN) teve os 5 cabeças-de-série por Santarém: Lacão (o único repetente), António Filipe (um dos melhores activos da AR), o Pacheco (tirando o transporte de resíduos perigosos na chamusca, foge a problemas locais, é mais abstracto) e dois moços, um barbado em camisa (Zé Gusmão do BE) e outro hiperbarbeado e de gravata (queque da cabeça aos pés, com nome a condizer, Filipe Lobo d’Ávila).
Eu, alheio aos problemas regionais, fiquei a saber: Lacão priorizou rede viária, Gusmão quer acabar com usura bancária, despoluir a bacia do Tejo e reabilitar edifícios, Pacheco fala no envelhecimento populacional e na desertificação (que eu relacionava mais com distritos do interior), Filipe fala de médicos, agricultura e emprego, Ávila apresentou números sobre a economia: falências e desemprego acima da média nacional, investimento (7º em população, 12º e 14º em investimento) e rendimento per capita (830€ contra 930€) abaixo da média. O resto foi espuma nacional.
segunda-feira, 31 de agosto de 2009
GARRAFA MEIA-CHEIA OU MEIA-VAZIA?
A ONU reconhece 192 países, mais o observador Vaticano (há ainda mais 60 regiões auto-intituladas de países). No índice de desenvolvimento humano em 2006, publicado pela ONU em 2008, Portugal ocupava a 33ª em 75 posições, tendo sido ultrapassado, nesse ano, por 4 petro-Estados (na combinação da riqueza, educação e esperança média de vida). Estamos, portanto, à mesma distância da Islândia (o 1ª) e do Panamá (o 58º).
No índice de felicidade da Univ. Roterdão, Portugal ocupa a 78ª posição em 144 países, atrás do Irão e colado ao Mali e ao Laos – o 3º lugar da Colômbia deve-se ao efeito da coca, imagino. Bem acompanhados, como se vê.
Agora na Europa, uma espécie de rotary club das nações: quanto ao poder de compra standard (PCS, critério que elimina as diferenças de preços entre países), o Luxemburgo lidera (1503 PCS), a Bulgária fecha o cortejo (216 PCS) e Portugal é assim-assim (546PCS). O salário mínimo existe em 20 países da UE, por esta ordem: Luxemburgo (1570€), Irlanda (1403), Reino Unido (1361), Holanda (1301), Bélgica (1257), França (1254), Grécia (668), Espanha (666), Malta (585), Eslovénia (522), Portugal (470), Polónia (246), República Checa (288), Hungria (258), Estónia (230), Eslováquia (217), Lituânia (174), Letónia (172), Roménia (114) e Bulgária (92). Em 11º lugar, somos os últimos da Europa a 15 que existia até 2004 - é como na natação: cumprimos os mínimos para irmos aos jogos, mas ficamo-nos pelas primeiras eliminatórias.
Que quer tudo isto dizer? Devemos invejar a Noruega, onde os políticos andam de metro e a evasão fiscal é baixa, ou a Dinamarca, onde a mãe fica em casa nos primeiros anos de vida dos filhos, sem perda de rendimentos? Ou devemo-nos congratular, pois uma mulher no Sudão leva 40 chibatadas por usar calças, a nossa cleptocracia é muito mais envergonhada que em Angola, podemos manifestar o nosso desagrado sem levar porrada, como no Irão? É certo que temos Isaltinos, mas não temos Mugabes, que cuspimos no chão mas não temos pena de morte, e que existe pobreza, mas com água potável.
Tem dias em que ser o último dos primeiros é bom, tem dias em que ser o primeiro dos últimos não satisfaz. Ou o contrário, como queiram.
No índice de felicidade da Univ. Roterdão, Portugal ocupa a 78ª posição em 144 países, atrás do Irão e colado ao Mali e ao Laos – o 3º lugar da Colômbia deve-se ao efeito da coca, imagino. Bem acompanhados, como se vê.
Agora na Europa, uma espécie de rotary club das nações: quanto ao poder de compra standard (PCS, critério que elimina as diferenças de preços entre países), o Luxemburgo lidera (1503 PCS), a Bulgária fecha o cortejo (216 PCS) e Portugal é assim-assim (546PCS). O salário mínimo existe em 20 países da UE, por esta ordem: Luxemburgo (1570€), Irlanda (1403), Reino Unido (1361), Holanda (1301), Bélgica (1257), França (1254), Grécia (668), Espanha (666), Malta (585), Eslovénia (522), Portugal (470), Polónia (246), República Checa (288), Hungria (258), Estónia (230), Eslováquia (217), Lituânia (174), Letónia (172), Roménia (114) e Bulgária (92). Em 11º lugar, somos os últimos da Europa a 15 que existia até 2004 - é como na natação: cumprimos os mínimos para irmos aos jogos, mas ficamo-nos pelas primeiras eliminatórias.
Que quer tudo isto dizer? Devemos invejar a Noruega, onde os políticos andam de metro e a evasão fiscal é baixa, ou a Dinamarca, onde a mãe fica em casa nos primeiros anos de vida dos filhos, sem perda de rendimentos? Ou devemo-nos congratular, pois uma mulher no Sudão leva 40 chibatadas por usar calças, a nossa cleptocracia é muito mais envergonhada que em Angola, podemos manifestar o nosso desagrado sem levar porrada, como no Irão? É certo que temos Isaltinos, mas não temos Mugabes, que cuspimos no chão mas não temos pena de morte, e que existe pobreza, mas com água potável.
Tem dias em que ser o último dos primeiros é bom, tem dias em que ser o primeiro dos últimos não satisfaz. Ou o contrário, como queiram.
sexta-feira, 14 de agosto de 2009
HÁ ABSURDOS E ABSURDOS
1. Isaltino Morais, condenado a 7 anos de prisão efectiva e perda de mandato, afirma à saída do tribunal “os eleitores é que me julgarão, a política não tem a ver com a justiça” - o seu ídolo deve ser Adhemar de Barros (1901-1969), governador de S. Paulo, o candidato que dizia “roubo, mas faço”. E ganha de novo?
2. O Nestum com mel paga 20% de Iva, o Nestum com arroz paga 5%. Porque um é em flocos e o outro em farinha.
3. Por acordo UE-EUA, Portugal tem que importar ½ milhão de toneladas de milho por ano, mesmo que não tenha escoado a sua produção anual.
4. Por falta dum sistema universal de cuidados de saúde, 2/3 terços dos americanos que vão à bancarrota fazem-no por causa de despesas de saúde.
5. Gastam-se milhões com a Doença das Vacas Loucas, a Gripe Aviária ou com a Gripe A, quando morrem milhões de pessoas com doenças facilmente combatíveis, como a Malária ou a Cólera. A vida duma pessoa branca vale mais que a vida de mil pessoas às bolinhas amarelas.
6. Com o preço dum café (0.6€), a Unicef fornece 6 saquetas de sais de rehidratação a crianças em risco de morte por diarreia; o custo dum almoço (11€) é suficiente para o apoio escolar duma criança órfã durante um ano.
7. Morreram 10 crianças devido a pobreza extrema enquanto leram este texto.
terça-feira, 11 de agosto de 2009
O BAPTISMO CADUCA?
O Santos Silva gosta de malhar na Direita, eu gosto de malhar na Igreja. Concedo que lhe devemos a parte de leão do património cultural, em particular na arquitectura, reconheço-lhe o mérito na assistência social e o monopólio da educação, durante séculos. Mas a igreja é historicamente um projecto de poder, assente desde o século I na eliminação de vozes divergentes, tráfico de influências, corrupção, simonia e venda de indulgências, hipocrisia moral, responsável por muitas guerras, genocídios e silêncio perante totalitarismos. Seriam sinais dos tempos, pois os governos também tinham padrões morais mais… rudimentares, e direitos humanos são uma novidade histórica. Ah, e há muito boa gente na igreja. Muita e bem intencionada.
Mas eu queria falar sobre a burocracia. Qualquer instituição vive com normas estabelecidas, ainda para mais esta, gigantesca e conservadora. Ora vejam:
Quando quis casar, tive que apresentar a CERTIDÃO DE BAPTISMO. Vindo do “Ultramar”, apresentei a certidão original. A zelosa funcionária da paróquia recusou o documento, pois estava CADUCADO – teria que solicitar uma certidão à diocese de Benguela.
Mas eu queria falar sobre a burocracia. Qualquer instituição vive com normas estabelecidas, ainda para mais esta, gigantesca e conservadora. Ora vejam:
Quando quis casar, tive que apresentar a CERTIDÃO DE BAPTISMO. Vindo do “Ultramar”, apresentei a certidão original. A zelosa funcionária da paróquia recusou o documento, pois estava CADUCADO – teria que solicitar uma certidão à diocese de Benguela.
Goradas todas as tentativas de convencer a senhora que UM BAPTISMO NÃO TEM PRAZO DE VALIDADE, e antevendo dificuldades, porque suspeitava que o arquivo de 1971 talvez estivesse “desarrumado”, rendi-me e propus-lhe: Olhe, faça de conta que não sou baptizado. A resposta da dita foi meia Kafkiana, “não pode ser, a certidão diz o contrário”. Como diria o Marcelo, o papel vale, mas é inválido...
Assim se chamam as ovelhas para a Casa do Senhor.
P.S.: Não terá sido por acaso que o padre me chamou cristão de 4 rodas e fariseu no sermão do casório, pois regateei a conta das flôres e questionei-o se a parcela "donativo" era facultativa ou obrigatória (bingo!).
quinta-feira, 6 de agosto de 2009
TÁ AÍ ALGUÉM?

Li algures que os miúdos gostam de ver os mesmos DVD vezes sem conta (sei na pele, há dias revi o Shreck 1, e ainda sabia as falas de cor) por conforto: têm uma sensação de segurança, pois conseguem prever as situações. O que é que tem um ogre verde a ver com a religião, tirando algumas personagens aterradoras das igrejas? A segurança.
Tenho cá a impressão que a religião foi inventada por uma mão cheia de razões, i.e, contam-se pelos dedos.
No polegar, está a tal segurança: existe um ou vários Pais poderosos, a quem podemos recorrer em apertos. Esse Pai dá a chuva se o romano matar um borrego, se um asteca degolar um homem, se pedirmos com muita força ou se prometermos algo em troca. Isso faz-me alguma confusão, é suposto o pai dar o que pode sem pedir tornas. Também me faz espécie que um Pai, ainda por cima Todo Poderoso, nos deixe dar todas as cabeçadas e deixe a conversa para o dia do Juízo Final.
A razão do indicador é vicariante, ou seja, se o medievo leva no lombo do seu bailio, “lá em cima” viverá como um nababo, o leproso ou o anão gozado pelas crianças da sua rua terão um lugar ao pé dos anjinhos, a 2 nuvens da mesa dos doces. Aguenta, que serás recompensado ou, mais bíblicamente, dos pobres será o reino dos céus.
A razão do dedo médio é inversa da anterior, será feita justiça, o amo frustrado e rancoroso há-de pagá-las – noutro lado, porque cá em baixo vai morrer velhinho a meio do sono. Aqui há um problema, vai directamente para o Inferno, sem passagem pela casa da partida, ou espera pelo dia do Juízo Final (João XXII escreveu sobre o paradoxo, e teve que se retratar no leito de morte)? Afinal, pode ser que a Justiça divina seja como a portuguesa, demora uma eternidade. Só espero que não haja prescrições…
O quarto motivo, no anelar, é a absolvição. Este é o pior argumento: é-se canalha uma semana inteira, e ao domingo come-se uma rodela de pão, pede-se desculpa, beija-se o próximo e no dia seguinte volta tudo ao mesmo. Conheço quem chegasse ao cúmulo de declarar “só peço a Deus para me perdoe o que vou fazer”, ‘tá tudo dito.
Por fim, no mindinho, está um código de conduta, a noção de Bem e de Mal. Claro que varia entre religiões e ao longo da história: como diria Pimenta Machado, o que é hoje verdade, amanhã é mentira. Julgo, porém, que nos Livros (Bíblia e Corão) a violência é má e devemo-nos amar uns aos outros. Julgo. E bastam só cinco ou seis regras: não roubar, não matar, não trair, no sentido lato, e a trilogia da revolução francesa, liberdade, igualdade entre todos (os brâmanes faltaram a esta aula!) e a fraternidade.
Mas não. O homem tomou conta, levou o Livro à letra ou viu o que não está lá, e exagerou nas regras, geralmente começadas por NÃO: não comer porco, não comer vaca, não comer durante 40 dias, não mostrar o cabelo, não dzzzz antes do casamento, não usar preservativo.
Não falo no Islão, não vá alguém ganhar 70 virgens à minha custa, a igreja católica já tem que se lhe diga: o sacerdócio exclusivo dos homens ou o celibato dos padres (só desde Gregório VII) existem porque SIM. Para não falar na resma de papas, cardeais e bispos com afilhados, alguém me garante que Pedro era solteiro, ou que Jesus não tinha uma amizade colorida com Maria de Magdala?
A propósito, a história não bate certo. Imaginem: “Zé, ‘tou grávida”, “Mas Maria, estive estes meses na Nazareth a construir zimmers…”, “Foi o Espírito Santo”, “Ah bom… espero que seja menina, queria ter uma Sandra Salomé”.
Assinado: Agnóstico às segundas, terças e quintas
P.S. Senhor, a existires, perdoa-me, a culpa é da hipoglicémia. Aliás, Bora-Bora é prova que Tu existes.
Tenho cá a impressão que a religião foi inventada por uma mão cheia de razões, i.e, contam-se pelos dedos.
No polegar, está a tal segurança: existe um ou vários Pais poderosos, a quem podemos recorrer em apertos. Esse Pai dá a chuva se o romano matar um borrego, se um asteca degolar um homem, se pedirmos com muita força ou se prometermos algo em troca. Isso faz-me alguma confusão, é suposto o pai dar o que pode sem pedir tornas. Também me faz espécie que um Pai, ainda por cima Todo Poderoso, nos deixe dar todas as cabeçadas e deixe a conversa para o dia do Juízo Final.
A razão do indicador é vicariante, ou seja, se o medievo leva no lombo do seu bailio, “lá em cima” viverá como um nababo, o leproso ou o anão gozado pelas crianças da sua rua terão um lugar ao pé dos anjinhos, a 2 nuvens da mesa dos doces. Aguenta, que serás recompensado ou, mais bíblicamente, dos pobres será o reino dos céus.
A razão do dedo médio é inversa da anterior, será feita justiça, o amo frustrado e rancoroso há-de pagá-las – noutro lado, porque cá em baixo vai morrer velhinho a meio do sono. Aqui há um problema, vai directamente para o Inferno, sem passagem pela casa da partida, ou espera pelo dia do Juízo Final (João XXII escreveu sobre o paradoxo, e teve que se retratar no leito de morte)? Afinal, pode ser que a Justiça divina seja como a portuguesa, demora uma eternidade. Só espero que não haja prescrições…
O quarto motivo, no anelar, é a absolvição. Este é o pior argumento: é-se canalha uma semana inteira, e ao domingo come-se uma rodela de pão, pede-se desculpa, beija-se o próximo e no dia seguinte volta tudo ao mesmo. Conheço quem chegasse ao cúmulo de declarar “só peço a Deus para me perdoe o que vou fazer”, ‘tá tudo dito.
Por fim, no mindinho, está um código de conduta, a noção de Bem e de Mal. Claro que varia entre religiões e ao longo da história: como diria Pimenta Machado, o que é hoje verdade, amanhã é mentira. Julgo, porém, que nos Livros (Bíblia e Corão) a violência é má e devemo-nos amar uns aos outros. Julgo. E bastam só cinco ou seis regras: não roubar, não matar, não trair, no sentido lato, e a trilogia da revolução francesa, liberdade, igualdade entre todos (os brâmanes faltaram a esta aula!) e a fraternidade.
Mas não. O homem tomou conta, levou o Livro à letra ou viu o que não está lá, e exagerou nas regras, geralmente começadas por NÃO: não comer porco, não comer vaca, não comer durante 40 dias, não mostrar o cabelo, não dzzzz antes do casamento, não usar preservativo.
Não falo no Islão, não vá alguém ganhar 70 virgens à minha custa, a igreja católica já tem que se lhe diga: o sacerdócio exclusivo dos homens ou o celibato dos padres (só desde Gregório VII) existem porque SIM. Para não falar na resma de papas, cardeais e bispos com afilhados, alguém me garante que Pedro era solteiro, ou que Jesus não tinha uma amizade colorida com Maria de Magdala?
A propósito, a história não bate certo. Imaginem: “Zé, ‘tou grávida”, “Mas Maria, estive estes meses na Nazareth a construir zimmers…”, “Foi o Espírito Santo”, “Ah bom… espero que seja menina, queria ter uma Sandra Salomé”.
Assinado: Agnóstico às segundas, terças e quintas
P.S. Senhor, a existires, perdoa-me, a culpa é da hipoglicémia. Aliás, Bora-Bora é prova que Tu existes.
segunda-feira, 3 de agosto de 2009
AI QUE PRAZER NÃO CUMPRIR UM DEVER

Sempre que via a minha filha bebé, o eminente cartaxense Sr. Pina (ainda não era avô) sorria e dizia “coitadinha”. Quando lhe perguntei porque a tratava assim, respondeu “porque é tão pequenina”. Devia ser porque era indefesa, penso, mas a miúda era plenamente realizada, tinha apenas 3 necessidades: calor q.b., barriga cheia e fralda limpa.
Agora os problemas existenciais das minhas crianças resumem-se à emergência de mais um strumpf para a colecção ou dum jogo da play station, ou a injustiça de se deitarem à hora de dormir. Não sabem o que significa crude, inflação ou condomínio, nem conhecem a palavra hipoteca.
Chegado a Agosto, sou particularmente assaltado pela inveja: os miúdos ainda têm AS FÉRIAS GRANDES. Quem não tem saudades de 3 meses inteirinhos de férias, de brincar o dia todo na rua e saltar o muro para a quinta do lado, da semana em S. Martinho (sem pais), das jogatanas de Risco ou de computador, dos banhos no tanque dum amigo, das festas na garagem, das amêijoas da Cristina com o Quo Vadis fechado, das idas à Horta (esta parte, adianto aqui, não eram as minhas preferidas), das directas - agora, 5.15 são horas de sair, não de chegar. 13 semanas seguidas – e picos – sem compromissos ou horários.
Coitadinhas as crianças? Coitadinhos???
E agora, para algo completamente diferente, Feeeernando Pessooooa:
Ai que prazer
Não cumprir um dever,
Ter um livro para ler
E não o fazer!
Ler é maçada,
Estudar é nada.
O sol doira
Sem literatura.
O rio corre, bem ou mal,
Sem edição original.
E a brisa, essa,
De tão naturalmente matinal,
Como tem tempo não tem pressa...
Livros são papéis pintados com tinta.
Estudar é uma coisa em que está indistinta
A distinção entre nada e coisa nenhuma.
Quanto é melhor, quanto há bruma,
Esperar por D. Sebastião,
Quer venha ou não!
Grande é a poesia, a bondade e as danças...
Mas o melhor do mundo são as crianças,
Flores, música, o luar, e o sol, que peca
Só quando, em vez de criar, seca.
O mais que isto
É Jesus Cristo,
Que não sabia nada de finanças
Nem consta que tivesse biblioteca...
quinta-feira, 30 de julho de 2009
Quando for grande, quero ser...

A minha filha diz que vai casar com o Zézinho. Acho que baralhei aquela cabecinha, mas expliquei-lhe que não, isso não deverá acontecer, o mais provável é casar com alguém que ainda não conhece.
O mesmo se passa com a profissão que as crianças querem ter quando forem grandes. Há a hipótese aventura-barra-salvar-o-mundo, tipo bombeiro, polícia ou médico; é a versão Mafaldinha. Depois há as profissões amorosas, como professora ou veterinário, escolhas da Susaninha. Por fim, para miúdos mais espertinhos e que guardam a semanada, “ser rico”, a opção dos Manelinhos.
O mesmo se passa com a profissão que as crianças querem ter quando forem grandes. Há a hipótese aventura-barra-salvar-o-mundo, tipo bombeiro, polícia ou médico; é a versão Mafaldinha. Depois há as profissões amorosas, como professora ou veterinário, escolhas da Susaninha. Por fim, para miúdos mais espertinhos e que guardam a semanada, “ser rico”, a opção dos Manelinhos.
Certo é que crescemos e raramente vimos a ser o que sonhámos – como o Ronaldo, que satisfaria a turma do Quino, pago para jogar à bola e rico o bastante para salvar uma parte simpática do mundo.
E, nessa altura, escapavam-nos duas variáveis: o dinheiro e o chefe.
Primeiro, o que ganha o bombeiro, o professor ou o polícia chega apenas para, como se diz no Cartaxo, “arremediar”.
Depois, algum de vós, quando queria ser alguma coisa, introduzia um chefe na equação? Não, não havia nenhum comandante bêbado e irascível, nenhum director que lá chegou por herança ou pelo conhecimento certo, nenhum chefe frustrado e medíocre que nos paga mal e chateia a moleirinha.
Eu cá gostava de ter a profissão dum rapaz que revejo no Verão em Milfontes, senior consultant: pago para botar opinião, era mesmo isso que eu queria… ou então, mi-nis-tro ple-ni-po-ten-ciá-ri-o de 1ª classe – só de escrever, sabe bem. Mas, de acordo com o Diário da República, parece crucial ter um nome comprido e pomposo, tipo Duarte Blábláblá Palmela d’Albuquerque. Eu tenho o Duarte, mas é apelido.
E, nessa altura, escapavam-nos duas variáveis: o dinheiro e o chefe.
Primeiro, o que ganha o bombeiro, o professor ou o polícia chega apenas para, como se diz no Cartaxo, “arremediar”.
Depois, algum de vós, quando queria ser alguma coisa, introduzia um chefe na equação? Não, não havia nenhum comandante bêbado e irascível, nenhum director que lá chegou por herança ou pelo conhecimento certo, nenhum chefe frustrado e medíocre que nos paga mal e chateia a moleirinha.
Eu cá gostava de ter a profissão dum rapaz que revejo no Verão em Milfontes, senior consultant: pago para botar opinião, era mesmo isso que eu queria… ou então, mi-nis-tro ple-ni-po-ten-ciá-ri-o de 1ª classe – só de escrever, sabe bem. Mas, de acordo com o Diário da República, parece crucial ter um nome comprido e pomposo, tipo Duarte Blábláblá Palmela d’Albuquerque. Eu tenho o Duarte, mas é apelido.
quarta-feira, 29 de julho de 2009
terça-feira, 28 de julho de 2009
A culpa deve ser minha

Almeida Santos tem a impressão que “alguns artistas plásticos modernos são trapaceiros” (Sol, 24/7/2009). Acha ele que, se uma pilha de latas de cerveja empilhadas for escultura, não a compreende. Confesso que algumas obras também me suscitam dúvidas.
O Museu Reina Sofia tem um espólio fantástico de arte contemporânea. No acervo há muitos quadros de Miró, desde os mais elaborados a telas de 2 por 4 metros, a quem o Autor entregou apenas um risco vermelho ondulado, sozinho ou acompanhado por outro risco amarelo.
Presumo que lhe chamem arte e valha milhões, e que os entendidos encontrem uma qualquer mensagem subliminar. Eu não! Quem viu a peça do António Feio, o Zé Pedro Gomes e o Miguel Guilherme, acerca dum quadro valioso todo/apenas branco, há-de perceber.
Acho Miró genial, mais pela sua imaginação e estilo inconfundível que pela qualidade plástica, um pouco infantilizada. Parece-me que há pintores espanhóis muito mais versáteis, que sabiam desenhar e pintar o que quisessem, como Picasso, Dali ou Goya.
Mas há outros exemplos das minhas limitações: onde eu vejo apenas 4 jarras (perfeitas) numa natureza morta de Zurbarán, o audioguide descobre uma “profunda e intensa religiosidade que poderia evocar as palavras de Santa Teresa de Ávila, até entre as panelas está o Senhor”...
Assinado: um ignorante fascinado pela mestria dos detalhes da pintura flamenga do sec. XVII, pelo modo como aqueles estafermos conseguiam pintar diamantes e veludo de forma tão real.
O Museu Reina Sofia tem um espólio fantástico de arte contemporânea. No acervo há muitos quadros de Miró, desde os mais elaborados a telas de 2 por 4 metros, a quem o Autor entregou apenas um risco vermelho ondulado, sozinho ou acompanhado por outro risco amarelo.
Presumo que lhe chamem arte e valha milhões, e que os entendidos encontrem uma qualquer mensagem subliminar. Eu não! Quem viu a peça do António Feio, o Zé Pedro Gomes e o Miguel Guilherme, acerca dum quadro valioso todo/apenas branco, há-de perceber.
Acho Miró genial, mais pela sua imaginação e estilo inconfundível que pela qualidade plástica, um pouco infantilizada. Parece-me que há pintores espanhóis muito mais versáteis, que sabiam desenhar e pintar o que quisessem, como Picasso, Dali ou Goya.
Mas há outros exemplos das minhas limitações: onde eu vejo apenas 4 jarras (perfeitas) numa natureza morta de Zurbarán, o audioguide descobre uma “profunda e intensa religiosidade que poderia evocar as palavras de Santa Teresa de Ávila, até entre as panelas está o Senhor”...
Assinado: um ignorante fascinado pela mestria dos detalhes da pintura flamenga do sec. XVII, pelo modo como aqueles estafermos conseguiam pintar diamantes e veludo de forma tão real.
segunda-feira, 27 de julho de 2009
Sobre os Moralismos na Hora do Voto!
Está na hora de eleger um Presidente para o Mundo, o seu voto é determinante. Apenas sabe os seguintes dados sobre os três principais candidatos:O candidato A está associado a políticos corruptos e consulta astrólogos. Tem duas amantes. Fuma como uma chaminé e bebe oito a dez martinis por dia.
O candidato B já foi destituído duas vezes, dorme até ao meio-dia, fumava ópio na escola e bebe um quarto de litro de whisky todas as noites.
O candidato C é um herói de guerra condecorado. É vegetariano, ocasionalmente toma uma cerveja e nunca teve casos extraconjugais.
Entre esses três candidatos, qual escolheria?
(responda honestamente)
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Veja agora a chave:
O candidato A - Franklin D. Roosevelt
O candidato B - Winston Churchill
O candidato C - Adolf Hitler
Pedro Mendonça
Pedro Mendonça
sábado, 25 de julho de 2009
Alcoviteiras


Vivi no Cartaxo entre os 5 e os 16 anos. Vivi depois em Lisboa, Vila Real, Gaia, Póvoa de Varzim e Matosinhos.
No prédio onde vivia no Cartaxo, as pessoas davam-se com frequência, sabiam a vida uns dos outros – contribuíam mesmo para a sua divulgação –, emprestavam a salsa, cuidavam dos filhos doentes dos outros.
Desde então, nunca mais vivi num prédio assim - por decisão minha, que raramente alimento conversa.
Vivi na Póvoa de Varzim durante 4 anos, frente à praia (caiu-me a parabólica com ferrugem), em Aver-o-Mar, uma freguesia popular em que havia mexerico. Eu nunca soube nada sobre os vizinhos, mas eles logo descobriram a minha profissão, não sei como. Ao lado do meu quarto era a casa duma vizinha com a qual, em 4 anos, falei 10 minutos, 8 deles sobre o elevador que nunca funcionava. A dita, certo dia, disse-me: “ontem houve gargalhada à noite, é que se ouve tu-do”, com um sorriso brejeiro... Tive a sorte de haver no 3º andar umas condóminas que “recebiam” cavalheiros. Soube-o porque me contou a mesma vizinha – respondi-lhe que não incomodam, mal as via e eram absolutamente educadas, incluindo a criança duma delas. Não era da minha conta, desde que o prédio não ficasse mal frequentado - e não ficou.
Agora vivo num prédio com 77 casas e jardim interior, o que facilitaria o convívio. Mais uma vez, investigaram o que eu fazia num instante. E eu continuo anacoreta: há dias, precisava de avisar um rapaz que deixara a luz ligada no carro, e demorei a descobrir o nº da porta. Para o-reformado-que-conhece-toda-a-gente mo indicar, tive que vomitar a informação toda que juntei em 8 anos: tem a carta há pouco tempo, tem um volvo antigo azul metalizado, o pai tem cabelo branco e acho que trabalha na Volvo, tem uma irmã mais nova, os nomes não sei. Só quando disse que achava que o homem do cabelo branco era primo da sua filha (que vive noutra das casas), é que o velhote se lembrou, “ah esse é o (já esqueci), é cunhado da Isabel”.
O mesmo reformado contou-me ontem o seu percurso clínico a caminho duma prótese na anca, com todas as datas e exames - bastou perguntar-lhe "como anda?". Aqui entre nós, não tenho nenhuma curiosidade acerca da vida dos outros vizinhos, embora alguns até possam ser pessoas interessantes de conhecer. É que não gosto de bisbilhotice. Mas azar, agora não peço manteiga à vizinha, mesmo que me falte...
No prédio onde vivia no Cartaxo, as pessoas davam-se com frequência, sabiam a vida uns dos outros – contribuíam mesmo para a sua divulgação –, emprestavam a salsa, cuidavam dos filhos doentes dos outros.
Desde então, nunca mais vivi num prédio assim - por decisão minha, que raramente alimento conversa.
Vivi na Póvoa de Varzim durante 4 anos, frente à praia (caiu-me a parabólica com ferrugem), em Aver-o-Mar, uma freguesia popular em que havia mexerico. Eu nunca soube nada sobre os vizinhos, mas eles logo descobriram a minha profissão, não sei como. Ao lado do meu quarto era a casa duma vizinha com a qual, em 4 anos, falei 10 minutos, 8 deles sobre o elevador que nunca funcionava. A dita, certo dia, disse-me: “ontem houve gargalhada à noite, é que se ouve tu-do”, com um sorriso brejeiro... Tive a sorte de haver no 3º andar umas condóminas que “recebiam” cavalheiros. Soube-o porque me contou a mesma vizinha – respondi-lhe que não incomodam, mal as via e eram absolutamente educadas, incluindo a criança duma delas. Não era da minha conta, desde que o prédio não ficasse mal frequentado - e não ficou.
Agora vivo num prédio com 77 casas e jardim interior, o que facilitaria o convívio. Mais uma vez, investigaram o que eu fazia num instante. E eu continuo anacoreta: há dias, precisava de avisar um rapaz que deixara a luz ligada no carro, e demorei a descobrir o nº da porta. Para o-reformado-que-conhece-toda-a-gente mo indicar, tive que vomitar a informação toda que juntei em 8 anos: tem a carta há pouco tempo, tem um volvo antigo azul metalizado, o pai tem cabelo branco e acho que trabalha na Volvo, tem uma irmã mais nova, os nomes não sei. Só quando disse que achava que o homem do cabelo branco era primo da sua filha (que vive noutra das casas), é que o velhote se lembrou, “ah esse é o (já esqueci), é cunhado da Isabel”.
O mesmo reformado contou-me ontem o seu percurso clínico a caminho duma prótese na anca, com todas as datas e exames - bastou perguntar-lhe "como anda?". Aqui entre nós, não tenho nenhuma curiosidade acerca da vida dos outros vizinhos, embora alguns até possam ser pessoas interessantes de conhecer. É que não gosto de bisbilhotice. Mas azar, agora não peço manteiga à vizinha, mesmo que me falte...
quinta-feira, 23 de julho de 2009
Toirada
É a segunda vez que me enviam este vídeo censurado, um pouco violento, e pô-lo neste espaço é uma (pequena?) PROVOCAÇÃO NUMA TERRA DE TOIROS.
Confesso que os problemas fracturantes e de costumes não me incomodam o suficiente para levantar a voz por qualquer das posições. Tenho opinião sobre o aborto, o casamento homossexual, a tourada, a regionalização, a legalização das drogas leves, o celibato dos padres. Mas nenhum dos temas me tira do sério, para manter ou alterar a situação, e reconheço argumentos sólidos nos 2 lados da barricada, na maioria dos casos.
Pegando no tema mais ligeiro, para quem não nasceu na lezíria: não me agrada o espectáculo desigual das touradas (tirando as pegas, quando o animal já está cansado e esvaído...), mas não acho que devam ser proibidas – tenho é a impressão que não duram muito, a sua abolição será apelidada de progresso civilizacional, adivinho.
Já agora, o que me ofende mesmo são coisas mais prosaicas: que um fulano ganhe 10 a 20 mil euros por mês - como o ilustríssimo governador Constâncio ou o reputadíssimo economista José da Silva Lopes – e tenha o topete de afirmar que nós trabalhamos de menos e ganhamos demais para o que fazemos. Não falta contenção salarial, falta vergonha na cara.
Confesso que os problemas fracturantes e de costumes não me incomodam o suficiente para levantar a voz por qualquer das posições. Tenho opinião sobre o aborto, o casamento homossexual, a tourada, a regionalização, a legalização das drogas leves, o celibato dos padres. Mas nenhum dos temas me tira do sério, para manter ou alterar a situação, e reconheço argumentos sólidos nos 2 lados da barricada, na maioria dos casos.
Pegando no tema mais ligeiro, para quem não nasceu na lezíria: não me agrada o espectáculo desigual das touradas (tirando as pegas, quando o animal já está cansado e esvaído...), mas não acho que devam ser proibidas – tenho é a impressão que não duram muito, a sua abolição será apelidada de progresso civilizacional, adivinho.
Já agora, o que me ofende mesmo são coisas mais prosaicas: que um fulano ganhe 10 a 20 mil euros por mês - como o ilustríssimo governador Constâncio ou o reputadíssimo economista José da Silva Lopes – e tenha o topete de afirmar que nós trabalhamos de menos e ganhamos demais para o que fazemos. Não falta contenção salarial, falta vergonha na cara.
terça-feira, 21 de julho de 2009
Amigo de Alex

Fui convidado para “postar” neste blogue, por uma amiga de longa data. Bem, tive oportunidade de lhe dizer que não criasse expectativas, pois eu já não era o rapaz com (algum) jeito para a escrita que ela conheceu. Disse-lhe que ia a jogo, mas que não esperasse golaços. Agora ando “na vidinha”, como todos, e escrevo muito, mas profissionalmente.
A mamã diz que me devo sempre apresentar. Sou mesmo normal, do termo estatístico “norma”, o mais frequente. Sou funcionário público licenciado, mas acho mesmo que a minha vocação era ser administrador de empresas e gerir o trabalho dos outros. Sou casado, tenho dois filhos, adivinhem, um rapaz e uma rapariga, dois carros, um deles monovolume, vivo numa casa nos subúrbios (atenção, a 500 metros do Porto) paga a meias com o BPI. Para começar, chega. Ah, vivi no Cartaxo há muiiito tempo.
E pronto, vemo-nos por aqui.
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