...e depois, com bigodes de leite, pedem mais paciência e esforço ao povo, que a "vaca 'tá seca".
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domingo, 23 de novembro de 2014

LEVANTADOS DO CHÃO

'A figura de Ti Maria do Rosário, dobrada e trêmula, torna-lhes mais penoso o trabalho. Cada um conhece nela o futuro que lhes baterá à porta um dia. O futuro atabafa-lhes o peito, mais do que o ar ardente que queima os pulmões.'
Alves Redol, Gaibéus
 
As imagens do economista e fotógrafo amador Aníbal Sequeira (Castelo Branco, 1937) não são do povo da lezíria do Tejo, retratam quase sempre as gentes da sua Beira Baixa, mas fazem lembrar os livros de Alves Redol e Soeiro Pereira Gomes, sem a opressão laboral que inspirou os neorrealistas - uma labuta dolorosa, dia sim, dia sim, ano sim, ano sim, até ao ocaso da vida.
Parece que não, mas este país ainda existe, só que agora com telemóvel.
 

 

Apanha Fé

 

 
 
A Poeira do Caminho
 
Campesina


A Roda

O Elogio do Trabalho

 

Álea Luminosa

 

Cooperação

 

 

O Seu Pequeno Mundo

Desolação

Ponte do Pragal

Praia do Pisco

De Manhã à Beira-mar

Símbolo

Vida Gasta

Boina Preta

sábado, 22 de novembro de 2014

WILLY RONIS, O 3º MOSQUETEIRO

Numa das últimas entrevistas a Willy Ronis (1910-1999), chamaram-lhe o 3º mosqueteiro de Doisneau e Boubat. O fotógrafo parisiense, filho dum ucraniano e duma lituana fugidos aos progroms, debutou na revista comunista Regards, entrou na agência Rapho (onde estavam Doisneau e Brassaï)  e foi o 1º francês a trabalhar para a Life. À sua colaboração na revista de moda Vogue, nas antípodas das suas fotorreportagens de greves e ocupações, chamou divertida.
Captando o quotidiano e o 'instante', que disse ser quase demasiado bom para ser verdade, Ronis registou com certa candura a joie de vivre das pessoas simples, apesar das dificuldades da vida (à composição pictórica das suas imagens não será estranha a sua formação musical) - alguém escreveu que ele não se ofenderia se lhe chamassem o imperador do banal, outro alguém lhe chamou o mais poético fotógrafo das classes baixas do século XX.
Quase toda a sua obra (mais de 90.000 fotografias, nas suas contas) tem como cenário Paris e a provença, e como actores o filho Vincente e a mulher Marie-Anne, protagonista de 2 das imagens mais conhecidas, o 'nú provençal' e, já doente com alzheimer, num parque em ocaso.
Descobri o seu nome no Fotografia Total de hoje, dedicado aos direitos de autor dos fotógrafos e dos fotografados. Curiosamente, uma das suas imagens icónicas tem a ver com isso: Ronis procurava uma maneira original para fotografar o pão parisiense, e engraçou com um miúdo que achara na fila duma padaria - pediu licença à avó da criança, para retratá-lo a correr com a baguete de baixo do braço, à saída da loja. Se é isso que quer, porque não?, foi a resposta. A foto custou 3 corridas ao rapaz, uma encenação inabitual na obra do 'poeta do quotidiano', como o alcunharam uns amigos. 
  
 
 
1938. Grève chez Citröen

1945. Les retours des prisonniers

1945. Vincent écrit son nom

1948. Dessous de l'Opera
 
1948. Mannequins

1949. Le Nu provençal, Gordes
(sa femme Marie-Anne Ansiaux)
1949. Vincent aéromodéliste, Gordes



1951. Autoportrait

1951. Béguinage de Bruges, Belgique

1952. Lens, Pas-De-Calais

1952. Le petit parisien, Paris

1952. Place de la Concorde, Paris

1952. Marie Anne et Vincent dans la niege

1954. Lorraine en hiver

1954. BrassaiÌ à jouer pinball

1954. Les chats, Paris

1954. Les chats, Paris

1955. Café française à Soho, Londres

1957. Les Amoureaux de la Colonne Bastille

1963 ca. Les adieux du permissionaire

1967. Zoo de Berlin Est

1970. Lu Nu au Polo Raye

1979. RER Châtelet-les-Halles
 
1988. La veille dame dans un parc
(sa femme Maria-Anne, avec Alzheimer)


sugestões, http://www.theguardian.com/artanddesign/2009/sep/16/willy-ronis-obituary
              http://www.theasc.com/blog/2010/08/23/willy-ronis-%E2%80%9Cemperor-of-the-banal%E2%80%9D/

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

LESS IS MORE - O CANTINHO DE IRVING PENN

Em 1948, o fotógrafo Irving Penn (1917-2009) fotografou algumas celebridades num cenário minimalista, ensanduichadas no ângulo formado por 2 telas de estúdio móveis, sobre uma alcatifa velha, e sem adereços. Como explicou Penn sobre o seu corner'este confinamento, surpreendentemente, parecia confortar as pessoas, acalmava-as (...) as paredes eram uma superfície para recostar ou empurrar. Para mim as possibilidades fotográficas eram interessantes; limitando os movimentos dos sujeitos parecia aliviar-me parcialmente da preocupação com a pose.'
Sem acessórios, sobra apenas o essencial, a personalidade dos retratados.


Arthur Rubinstein

Duchess of Windsor

Igor Stravinski, 22.04.1948

Mrs. William Rhinelander Stewart
 
Jacques Fath, NY 26.03.1948

Maurice Chevalier
 
Martha Graham, NY 20.03.1948
 
Joe Lewis, NY 15.02.1948
 
Marcel Duchamp, NY 30.04.1948

Marlene Dietrich, 23.12.1948

Spencer Tracy, NY 23.03.1948

Truman Capote, NY 05.03.1948
 
Georgia O´Keeffe, NY 31.01.1948
 
Salvador Dali, NY 1947