...e depois, com bigodes de leite, pedem mais paciência e esforço ao povo, que a "vaca 'tá seca".
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sexta-feira, 8 de outubro de 2010

O BASÍLIO HORTA BATEU-ME


Há dias, apareceu um deputado cartaxense na televisão. Expliquei aos miúdos, aquele senhor é irmão do marido da irmã do teu padrinho. Perguntaram-me então, e tu, já apareceste na televisão?

Fiz um rewind de 20 anos ao meu arquivo morto e respondi, na televisão não, mas apareci num jornal: um candidato a presidente da república – levando uma tareão (70.35 contra 14.16%) – foi a vila real fazer um comício no cinema e eu fui. Apareço numa fotografia em 1º plano com um autocolante na testa. O senhor candidato até me deu um estaladão, querendo dar-me uma palmadita de amizade, quando passava à saída pela massa de jovens com bandeiras.
Tão perto doutro político estive 5 anos antes, em 85, quando um desconhecido Cavaco Silva percorreu o Ribatejo numa camioneta cheia de adolescentes. Nessa altura, dizia nos palanques “NÓS vamos fazer”, mas 2 anos depois já falava na 1ª pessoa do singular, “eu fiz”. O momento em que reparei nisso, num comício em Santarém, foi o fim da nossa bela amizade…
A propósito, nessa mesma noite cruzámo-nos na caravana automóvel com um senhor que ficou literalmente eufórico quando gritámos o seu nome, pois só os mais atentos sabiam quem era um tal de Mira Amaral.

Esses são tempos irrepetíveis, quando as eleições eram uma festa: colávamos cartazes (era legal, na altura), distribuíamos autocolantes no mercado e andávamos por Lisboa de pé, em cima dos autocarros, a agitar bandeiras ou chapéus-palhinha de plástico do Freitas do Amaral, nas mais memoráveis e renhidas eleições desde 1974.
Quem diria que este senhor tinha uma síndroma vestibular e foi caindo para a esquerda, até ser ministro de Sócrates... Isso deve pegar-se nas candidaturas centristas a presidente, o Basílio também anda agora por essas bandas. Arrrhg.

sexta-feira, 23 de abril de 2010

DÔRES DE CRESCIMENTO


Como esclarecimento inicial, devo dizer que os filmes para as crianças são fabulosamente realizados e alguns são bem divertidos, a anos luz dos filmes da Disney que nós vimos na “nossa” altura.
Sei porque tenho pilhas deles em casa, e porque nos últimos anos, com raras excepções, as minhas idas ao cinema a eles se devem.
Um domingo destes, fui a Braga de manhã ver o Idade do Gelo 3. Encontrei uma conhecida, blábláblá, o que fazes aqui? Olha, fui cravado para ir ver um filme infantil, respondi com ar resignado. Ela retorquiu “aproveita, ainda vais ter saudades, os meus filhos já não querem sair connosco”.
Acredito piamente.
Mas, de momento, tenho é saudades de ir ao cinema ver um filme de crescidos.

Ainda vai demorar até as crianças quererem distância, por enquanto acordo a maioria dos dias com 3 (ou 4) pessoas na cama. Agora estou na fase em que desisto de explicar que há mulheres em países esquisitos obrigadas a sair à rua debaixo dum lençol, digo "imaginem o caloraço" e a mai' velha pergunta "como o homem que veste o fato do Panda?" (o da TV)
Tá bem, que o tempo corra devagar. Mas os próximos 3 meses podem andar depressa. É que o meu filho mais novo vai para a escola, o que significa que vai acabar a renda do infantário, que custa mais que a minha casa.
Claro, devo agradecer-lhes estes anos que guardaram e mimaram os miúdos, mas sou um homem do Excel, e 'tá lá que, em Julho próximo (e descontando alguns extras que não registei), gastámos €34.246,36 no ABC. Dava para comprar um carro bom.
Como diz um amigo meu, um filho custa o mesmo que um Ferrari. Sem tirar nem por.

quinta-feira, 15 de abril de 2010

IDADE PARA TER JUÍZO


Tenho um amigo com idade para ter juízo: há meses, enviou esta música dos Deolinda a 5 pessoas que, como ele, participaram num protesto, escrevendo que se devia respeitar mesmo quem se acobardara e ficara quieto. Um dos destinatários disse mata e um outro disse esfola, enviando sem querer os mails a toda a gente.
Baile armado. A coisa não seria importante, não fora os mais furiosos serem amigos (rating AA) do rapaz com idade para ter juízo: “quem são vocês para se auto-intitularem de corajosos e dar lições de moral (…) se és meu amigo, podias dizer-mo na cara”.

O rapaz com idade para ter juízo só não aprendeu umas coisas, porque já as sabia:
1º Pela boca morre o peixe.
2º Uma mensagem que se quer bem disposta, pode ser piada de mau gosto para a plateia (que se entende) visada, é como contar anedotas de ciganos na feira de Carcavelos.
3º Epicuro escreveu “Faz tudo como se alguém te contemplasse”, eu diria fala ou escreve sempre como se o alvo das tuas palavras te ouvisse.

O rapaz com idade para ter juízo defendeu-se, alegando que não pretendeu provocar ninguém e que a mensagem era privada – o que, à primeira, me lembrou o Paulo Penedos na comissão da AR, sobre as escutas: mais importante que o conteúdo, é a forma indevida da divulgação?
Mas o argumento tem um fundo de razão: nas mensagens privadas, não há preocupação em escolher as palavras ou em evitar generalizações, que atingem todos indiscriminadamente. A mensagem teria outro efeito usando “algumas pessoas” e trocando cobardia por “instinto de sobrevivência” - redonda e diplomaticamente suave.

O dizer-na-cara-do-amigo leva-nos para outro lado. Li algures que, em média, as pessoas dizem 7 mentiras por dia, geralmente piedosas e/ou para manter a paz social.
Mais que mentiras, há omissões: se toda a gente dissesse sem rodeios tudo o que pensa, o mundo deixava de funcionar: haveria arraial como na aldeia de Asterix, com pafs, peixes e bigornas a voar. E um amuo geral eterno.

Tirando o comum “tá bom, tá!” quando a anfitriã pergunta pelo seu repasto apenas tragável, há coisas que preferimos calar: “A tua mulher é uma imbecil, pá.”, “Não acredito em tudo o que contas, gostas de apimentar as histórias.” ou “O que te sobra em simpatia falta em competência.”.
Tendo mesmo de ser, em vez do sem-espinhas “O teu sucesso dependeu mais do cartão partidário que da tua competência (que tens).”, preferimos sussurrar “Hás-de convir que seres do Partido deu uma ajudinha…”, e a quem se está a marimbar para o trabalho podíamos alertar suavemente “talvez sejas um bocadinho despreocupado no trabalho”.
Tudo em nome duma boa convivência, até porque as pessoas de quem gostamos também têm defeitos.
Mas o melhor mesmo é, às vezes, estar calado.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

TENDÊNCIA DEMOCRATA-CRISTÃ NA CGTP


A minha profissão é marcadamente liberal, um tanto avessa a sindicalismos.
E o sindicato da minha classe, onde pontuam 2 dos PCTPs que ainda existem, é fraquinho-fraquinho (e não se consegue sequer preencher uma lista candidata ao lugar).
Saí desse sindicato há 10 anos, quando precisei dele e nem acusaram a recepção da carta: compensam a verborreia revolucionária com a inacção.
Desde então – eu, que não gosto de ajuntamentos, sejam partidos, clubes ou condomínios –, jurei para nunca mais…

…e sindicalizei-me agora noutro sindicato. Já tinha ido a uma primeira reunião deste “grémio”, onde tive a mesma pele de galinha aparecida agora em 2 colegas estreantes nesta lide (e votantes à direita): o discurso inflamado e panfletário, da opressão do homem pelo homem, faz comichão a quem não é de esquerda (e a maioria não se revê no teor belicoso dos comunicados à imprensa cheios de adjectivos e poucos substantivos, achando mais eficaz um texto contido, explicativo e pragmático). Mas teve que ser.

Temos um director que tem conceitos particulares sobre os direitos legislados dos funcionários. Durante 2 anos, houve delação*, apatia e medo de retaliações ou de perda de emprego (metade do povo é recibo verde e a outra passou pelo processo da mobilidade).
Como sempre, foram precisos 2 corajosos (i.e. malucos) que deram o peito às balas e iniciaram o processo, depois apareceram outros – e, só se o desfecho se adivinhar bom, sairão debaixo das pedras os restantes.
Por ora, o mesmo organismo que ignorou os “colaboradores” – cada um por si, é-se pequenino – teve que receber o sindicato e reconhecer (parte) dos direitos que estavam em causa.
E aprendi mais: quando a UGT assinava acordos com os governos e a CGTP abandonava a mesa de trabalho, eu atribuía isso a intransigência e manipulação do PC. Foi-me mostrado que os filiados na Inter mantêm direitos que a UGT alienou, numa coisa chamada ACT.
Quem diria, eu satisfeito na CGTP?

Resignadamente, os funcionários públicos vão perder mais uma vez poder de compra – em 9 dos últimos 10 anos – , para controlar o défice: ganham menos 8% reais que há 10 anos. Tudo bem, já estão habituados. 4 lembranças apenas:
1. Terão sido gastos 600 M€ em pareceres jurídicos de firmas de advogados, na legislatura passada (número estimado, pois é quase classificado).
2. O rendimento anual dos presidentes de empresas ou organismos públicos oscila entre 420 m€ (TAP), 370 m€ (CGD), 224-250 m€ (BdP, RTP, CMVM, ISP, ERSE, ANACOM), 200 m€ (CTT), 126-134 m€ (Parpública, ANA AdP) e 58-96 m€ (Metro Porto, Lusa, CP, Metro Lisboa, Refer, Carris. Lembremos, parte das empresas são deficitárias e ainda há o resto dos conselhos de administração.
3. Os adeptos do congelamento ou mesmo diminuição dos salários na FP, com loas à coragem irlandesa - Duque, Nogueira Leite, Silva Lopes, Ernani Lopes, Medina Carreira, Daniel Bessa, Constâncio – teriam a mesma opinião se o(s) seu(s) ordenados(s) e reformas não fossem obscenamente principescos?
4. A Inês de Medeiros aceitou ser deputada do PS por Lisboa. Agora lembrou-se que vive em Paris e a AR deu-lhe equivalência a deputado pelo círculo da Europa: viagens semanais e 528€ diários, repito diários, de ajudas de custo.

* Sempre existiu gente assim, mas continuo sem perceber como colegas há 5, 10 ou 15 anos, vão a reuniões sindicais para ir contar ao chefe quem esteve e o que disse, tintim por tintim. O que é que ensinam aos filhos, a ser íntegros, a não trair, a não prescindir do que consideram justo, ou a vender-se por 30 dinheiros? A ser corajoso ou “para viver, faz de morto”?
** A imagem do partido-avô do Bloco é uma chalaça para o nosso inflamado esquerdista.

terça-feira, 11 de agosto de 2009

O BAPTISMO CADUCA?


O Santos Silva gosta de malhar na Direita, eu gosto de malhar na Igreja. Concedo que lhe devemos a parte de leão do património cultural, em particular na arquitectura, reconheço-lhe o mérito na assistência social e o monopólio da educação, durante séculos. Mas a igreja é historicamente um projecto de poder, assente desde o século I na eliminação de vozes divergentes, tráfico de influências, corrupção, simonia e venda de indulgências, hipocrisia moral, responsável por muitas guerras, genocídios e silêncio perante totalitarismos. Seriam sinais dos tempos, pois os governos também tinham padrões morais mais… rudimentares, e direitos humanos são uma novidade histórica. Ah, e há muito boa gente na igreja. Muita e bem intencionada.
Mas eu queria falar sobre a burocracia. Qualquer instituição vive com normas estabelecidas, ainda para mais esta, gigantesca e conservadora. Ora vejam:
Quando quis casar, tive que apresentar a CERTIDÃO DE BAPTISMO. Vindo do “Ultramar”, apresentei a certidão original. A zelosa funcionária da paróquia recusou o documento, pois estava CADUCADO – teria que solicitar uma certidão à diocese de Benguela.
Goradas todas as tentativas de convencer a senhora que UM BAPTISMO NÃO TEM PRAZO DE VALIDADE, e antevendo dificuldades, porque suspeitava que o arquivo de 1971 talvez estivesse “desarrumado”, rendi-me e propus-lhe: Olhe, faça de conta que não sou baptizado. A resposta da dita foi meia Kafkiana, “não pode ser, a certidão diz o contrário”. Como diria o Marcelo, o papel vale, mas é inválido...
Assim se chamam as ovelhas para a Casa do Senhor.
P.S.: Não terá sido por acaso que o padre me chamou cristão de 4 rodas e fariseu no sermão do casório, pois regateei a conta das flôres e questionei-o se a parcela "donativo" era facultativa ou obrigatória (bingo!).

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

AI QUE PRAZER NÃO CUMPRIR UM DEVER



Sempre que via a minha filha bebé, o eminente cartaxense Sr. Pina (ainda não era avô) sorria e dizia “coitadinha”. Quando lhe perguntei porque a tratava assim, respondeu “porque é tão pequenina”. Devia ser porque era indefesa, penso, mas a miúda era plenamente realizada, tinha apenas 3 necessidades: calor q.b., barriga cheia e fralda limpa.
Agora os problemas existenciais das minhas crianças resumem-se à emergência de mais um strumpf para a colecção ou dum jogo da play station, ou a injustiça de se deitarem à hora de dormir. Não sabem o que significa crude, inflação ou condomínio, nem conhecem a palavra hipoteca.
Chegado a Agosto, sou particularmente assaltado pela inveja: os miúdos ainda têm AS FÉRIAS GRANDES. Quem não tem saudades de 3 meses inteirinhos de férias, de brincar o dia todo na rua e saltar o muro para a quinta do lado, da semana em S. Martinho (sem pais), das jogatanas de Risco ou de computador, dos banhos no tanque dum amigo, das festas na garagem, das amêijoas da Cristina com o Quo Vadis fechado, das idas à Horta (esta parte, adianto aqui, não eram as minhas preferidas), das directas - agora, 5.15 são horas de sair, não de chegar. 13 semanas seguidas – e picos – sem compromissos ou horários.
Coitadinhas as crianças? Coitadinhos???

E agora, para algo completamente diferente, Feeeernando Pessooooa:
Ai que prazer
Não cumprir um dever,
Ter um livro para ler
E não o fazer!
Ler é maçada,
Estudar é nada.
O sol doira
Sem literatura.
O rio corre, bem ou mal,
Sem edição original.
E a brisa, essa,
De tão naturalmente matinal,
Como tem tempo não tem pressa...

Livros são papéis pintados com tinta.
Estudar é uma coisa em que está indistinta
A distinção entre nada e coisa nenhuma.

Quanto é melhor, quanto há bruma,
Esperar por D. Sebastião,
Quer venha ou não!

Grande é a poesia, a bondade e as danças...
Mas o melhor do mundo são as crianças,
Flores, música, o luar, e o sol, que peca
Só quando, em vez de criar, seca.

O mais que isto
É Jesus Cristo,
Que não sabia nada de finanças
Nem consta que tivesse biblioteca...

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Quando for grande, quero ser...


A minha filha diz que vai casar com o Zézinho. Acho que baralhei aquela cabecinha, mas expliquei-lhe que não, isso não deverá acontecer, o mais provável é casar com alguém que ainda não conhece.
O mesmo se passa com a profissão que as crianças querem ter quando forem grandes. Há a hipótese aventura-barra-salvar-o-mundo, tipo bombeiro, polícia ou médico; é a versão Mafaldinha. Depois há as profissões amorosas, como professora ou veterinário, escolhas da Susaninha. Por fim, para miúdos mais espertinhos e que guardam a semanada, “ser rico”, a opção dos Manelinhos.
Certo é que crescemos e raramente vimos a ser o que sonhámos – como o Ronaldo, que satisfaria a turma do Quino, pago para jogar à bola e rico o bastante para salvar uma parte simpática do mundo.
E, nessa altura, escapavam-nos duas variáveis: o dinheiro e o chefe.
Primeiro, o que ganha o bombeiro, o professor ou o polícia chega apenas para, como se diz no Cartaxo, “arremediar”.
Depois, algum de vós, quando queria ser alguma coisa, introduzia um chefe na equação? Não, não havia nenhum comandante bêbado e irascível, nenhum director que lá chegou por herança ou pelo conhecimento certo, nenhum chefe frustrado e medíocre que nos paga mal e chateia a moleirinha.
Eu cá gostava de ter a profissão dum rapaz que revejo no Verão em Milfontes, senior consultant: pago para botar opinião, era mesmo isso que eu queria… ou então, mi-nis-tro ple-ni-po-ten-ciá-ri-o de 1ª classe – só de escrever, sabe bem. Mas, de acordo com o Diário da República, parece crucial ter um nome comprido e pomposo, tipo Duarte Blábláblá Palmela d’Albuquerque. Eu tenho o Duarte, mas é apelido.

terça-feira, 21 de julho de 2009

Amigo de Alex



Fui convidado para “postar” neste blogue, por uma amiga de longa data. Bem, tive oportunidade de lhe dizer que não criasse expectativas, pois eu já não era o rapaz com (algum) jeito para a escrita que ela conheceu. Disse-lhe que ia a jogo, mas que não esperasse golaços. Agora ando “na vidinha”, como todos, e escrevo muito, mas profissionalmente.
A mamã diz que me devo sempre apresentar. Sou mesmo normal, do termo estatístico “norma”, o mais frequente. Sou funcionário público licenciado, mas acho mesmo que a minha vocação era ser administrador de empresas e gerir o trabalho dos outros. Sou casado, tenho dois filhos, adivinhem, um rapaz e uma rapariga, dois carros, um deles monovolume, vivo numa casa nos subúrbios (atenção, a 500 metros do Porto) paga a meias com o BPI. Para começar, chega. Ah, vivi no Cartaxo há muiiito tempo.
E pronto, vemo-nos por aqui.